segunda-feira, 9 de maio de 2016

A análise do campeão: a sorte ajudou quem merecia

Entrosado, o PSV não se perturbou em nenhum momento da temporada. Foi premiado com o bi (Pieter Stam de Jonge/VI Images)
Terça-feira, 11 de agosto de 2015. Na primeira rodada do Campeonato Holandês 2015/16, o PSV ia vencendo o ADO Den Haag por 2 a 1, fora de casa, confirmando seu habitual favoritismo - e iniciando bem uma campanha que, muito provavelmente, o levaria a ser um dos candidatos ao título nacional. Só que, aos 48 minutos do segundo tempo, indo para a área tentar o empate, o goleiro dinamarquês Martin Hansen foi o herói: desviou de calcanhar a bola vinda de falta, decretando o 2 a 2 final e ganhando (justamente) seus quinze minutos de fama na imprensa esportiva mundo afora.

O azar dos Boeren naquela estreia pela Eredivisie poderia indicar uma temporada turbulenta, daquelas em que o time demoraria para conseguir engrenar rumo à disputa do título, em que quase sempre está. Não foi assim. Na verdade, o entrosamento dos novos reforços foi tão rápido que permitiu ao time de Phillip Cocu manter seu estilo de jogo habitual. Com um pouco de aplicação extra (e sorte), foi possível fazer o que nenhum time holandês conseguia desde a temporada 2006/07: passar da fase de grupos da Liga dos Campeões. E, finalmente, a sorte que faltara naquela longínqua partida em Haia chegou na última rodada, deste domingo passado, trazendo um bicampeonato holandês muito merecido.

E foi merecido porque o PSV trabalhou. Além disso, como já se disse aqui, os jogadores trazidos nesta temporada foram buscados com eficiência, permitindo rápido entrosamento. Há dois claros exemplos. O maior deles é Davy Pröpper: ao vir para De Herdgang (centro de treinamento do PSV), o meio-campista potencializou as qualidades que já mostrara no Vitesse, em 2014/15. Capaz de roubar a bola (menos) e sair com velocidade para o ataque (bem mais), Pröpper tinha qualidades semelhantes às de Andrés Guardado - e chegava até melhor ao ataque do que o mexicano, arriscando chutes para o gol (assim marcou contra Roda JC e Vitesse). Com as lesões que perturbaram Guardado no returno, a importância de Pröpper no time aumentou. Não à toa, está presente constantemente nas seleções do campeonato, feitas pela imprensa holandesa.

Outro é Héctor Moreno. É verdade que o zagueiro mexicano começou a temporada exagerando em algumas jogadas violentas - Luke Shaw sabe bem disso, mas também cabe lembrar a entrada em Oussama Tannane, ainda no Heracles Almelo, em partida da Eredivisie ocorrida dias depois da estreia dos Boeren pela Liga dos Campeões, onde Moreno causara a fratura na perna do lateral esquerdo do Manchester United. Mas aos poucos o zagueiro foi se assentando, e não só foi para Jeffrey Bruma um companheiro de zaga tão valioso quanto Karim Rekik já fora em 2014/15, mas também oferecia a opção de atuar esporadicamente na lateral esquerda. O que abria vaga para o reserva Nicolas Isimat-Mirin entrar na zaga, formando um 5-3-2 quando a situação exigia (foi assim, por exemplo, no jogo de volta das oitavas de final da Champions League, quando o time holandês chegou a deixar o Atlético de Madrid em maus lençóis).

Maxime Lestienne até poderia estar na lista. Suas primeiras atuações pela ponta-esquerda foram promissoras. Só que o falecimento repentino e seguido de seus pais o forçou a passar algumas semanas na Bélgica, seu país natal, amparando e reorganizando a família, liberado pelo clube. Quando Lestienne voltou, já era tarde: perdera espaço para Jürgen Locadia. E embora tenha tido algumas boas atuações vindo do banco (bom exemplo foi o 3 a 2 no Zwolle, na última partida do turno), termina a temporada com papel secundário no elenco. E sem possibilidades de recuperar espaço: afinal, o alto preço cobrado pelo Al Arabi-QAT para sua compra em definitivo inviabiliza a manutenção do empréstimo, e ele provavelmente deixará o PSV. Aliás, por falar em empréstimo: como esquecer Marco van Ginkel? Chegou apenas para o returno e fez oito gols em treze jogos, assumindo com merecido destaque o lugar que Guardado deixava.

De contratações acertadas, ainda houve Gastón Pereiro. Entrando numa situação difícil (substituiu justamente Lestienne, ausente pela morte da mãe), em clássico contra o Ajax, na 8ª rodada, o atacante uruguaio precisaria provar ali seu valor. Provou: fez os dois gols da vitória por 2 a 1, em plena Amsterdam Arena, e trouxe força física pelo lado esquerdo do ataque, além de habilidade. Até caiu na irregularidade no decorrer da temporada, e perdeu espaço para Luciano Narsingh, recuperado de lesão (e mais experiente). Ainda assim, até pela idade (20 anos, a fazer 21 em 11 de junho), e pela constante presença nos jogos - no banco ou nos titulares, esteve em 29 jogos pelo Campeonato Holandês -, Pereiro merece observação e oportunidades no PSV, nas próximas temporadas.

Como merecem mais chances Jürgen Locadia e Jorrit Hendrix. Se era apenas um corpulento finalizador antes, Locadia aprendeu a jogar pelos lados (pela esquerda, para ser mais preciso), desenvolvendo sua técnica, e parou de reclamar pelos cantos à espera de uma transferência, como ocorreu com seu amigo de base Memphis Depay. Viveu a melhor temporada de sua curta carreira - mesmo caso de Hendrix, que até permitiu que Guardado e Pröpper saíssem mais para o ataque, dando segurança na marcação, dentro do 4-3-3.

Houve ainda Jeroen Zoet, único presente nos 34 jogos do PSV, consolidado como goleiro promissor na Holanda - até em termos de seleção, assumindo o posto de reserva imediato de Jasper Cillessen na Oranje após a lesão de Tim Krul. Houve Jeffrey Bruma, surpreendente: o antes "xerifão" deu lugar a um zagueiro seguro, com tempo de bola impecável, esbanjando confiança para a torcida. Houve Jetro Willems, cada vez melhor nos cruzamentos - e um pouco melhor na marcação (o que o ajudou a recuperar a posição do discreto Joshua Brenet). Houve Guardado, sempre presente na criação das jogadas enquanto as lesões não o perturbavam. E acima de tudo, houve Luuk de Jong, que teve em Eindhoven o porto seguro para atuar num campeonato mais alcançável a seu nível técnico após fracassos em Alemanha e Inglaterra. De Jong só não foi o goleador do Holandês porque havia Vincent Janssen, mas merece o posto de melhor jogador do campeonato. Até por mostrar um insuspeito espírito de liderança, como não mostrara ainda na carreira.

Com um elenco entrosado, que dava espaço a jogadores da base, e as contratações acertadíssimas, Phillip Cocu pôde trabalhar para minorar ao extremo o possível impacto das saídas de Memphis Depay e Georginio Wijnaldum. Mostrou, ainda, capacidade rara no futebol holandês: saber mudar o esquema do time em função dos jogos que teria pela frente. O que muito o ajudou na campanha pela Liga dos Campeões - além da "fortaleza" que o Philips Stadion segue sendo: os Boeren não perderam nenhum jogo ali pela Champions, e só caíram uma vez pela Eredivisie, contra o Ajax, na mesma semana da eliminação traumática (porque a classificação foi possível) no torneio continental.

Mesmo com o revés contra os Ajacieden, que o fez perder a liderança da liga, o PSV continuou trabalhando. Não se desviou de seu estilo de jogo, calcado nos contragolpes e na rápida saída de bola ("transição", como se diz atualmente). Continuou sendo mais constante e seguro em campo do que o Ajax, que tinha ataque bom e defesa insegura. E a sorte ajudou quem merecia, na última rodada. Pelas circunstâncias, o bicampeonato holandês foi surpreendente. Mas repita-se: foi muito merecido.

domingo, 8 de maio de 2016

810 minuten: como foi a última rodada da Eredivisie


Como sempre, o PSV fez a sua parte. O Ajax fraquejou quando menos se esperava. E veio o bicampeonato holandês (Ronald Bonnestroo/ANP)
Zwolle 1x3 PSV (domingo, 8 de maio)

Como nas rodadas mais recentes, só restava ao PSV fazer a sua parte para tentar o bicampeonato. E como na vitória sobre o Cambuur, os Boeren pareceram sentir um pouco da pressão (mesmo com a defesa mais protegida, num meio-campo de maior marcação). A ponto do Zwolle ser perigoso: aos 14 minutos do primeiro tempo, Ouasim Bouy arriscou chute de fora da área, e a bola foi na rede defendida por Jeroen Zoet, pelo lado de fora. Só aí os Eindhovenaren acordaram. E quase marcaram: aos 16, Luciano Narsingh recebeu lançamento de Davy Pröpper (ótima atuação), entrou na área, driblou o goleiro Kevin Begois... mas ficou sem ângulo, e chutou para fora. Na tensão de precisar vencer, o PSV permitiu outra boa chance dos Zwollenaren: aos 23, outro arremate de Bouy mandou a bola por cima do gol de Zoet.

Só aí a equipe visitante se acalmou. E enfim, chegou o esperado gol: aos 34 minutos, em jogada individual, Pröpper deixou a bola com Jürgen Locadia, na entrada da área, e o atacante finalizou com chute colocado, no canto esquerdo de Begois, fazendo 1 a 0. A confiança só cresceu doravante, e o segundo tento dos Boeren não demorou: aos 43, Pröpper cobrou escanteio, Locadia escorou, e Luuk de Jong completou de cabeça para marcar seu 24º gol no Campeonato Holandês. Aí, a partida estava praticamente ganha. Só que o Ajax ia superando o De Graafschap (1 a 0). Com o saldo em 61 a 56 para os Amsterdammers, o título ia para o clube da estação Bijlmer Arena.

Restava continuar cumprindo a sua parte no segundo tempo. E o PSV cumpria, controlando o jogo. Aí entrou a ajuda do destino: houve um gol de Bryan Smeets no meio do caminho. O De Graafschap empatava o jogo contra o Ajax, e o saldo deixava de ser problema. Mesmo assim, um rápido relaxamento levou ao gol dos mandantes: aos 20 minutos, após falha de Zoet na saída de bola, Bouy dominou, arriscou de novo de fora da área, e finalmente marcou o gol. Só que os visitantes não deram tempo para abatimentos psicológicos: aos 22, Locadia deixou Luuk de Jong livre pela esquerda, o atacante entrou na área e tocou na saída de Begois para fazer 3 a 1. 

Controlando a vitória em Zwolle, o PSV ficava com o coração ligado no que ocorria no estádio De Vijverberg, em Doetinchem. Ficou ligado até depois do apito final, já que a outra partida estava alguns minutos atrás. Finalmente, veio o apito final. E ao cumprir a sua parte, o PSV recebeu o prêmio da derrocada dos Ajacieden rivais. Era o bicampeonato desejado, um tanto inesperado, mas acima de tudo, muito merecido.


Desconsolo de Klaassen, desespero de El Ghazi: o Ajax até agora se pergunta como conseguiu perder o título (ANP/Pro Shots)
De Graafschap 1x1 Ajax (domingo, 8 de maio)

Estava bem mais fácil para o Ajax. Uma vitória contra o De Graafschap já condenado à repescagem contra o rebaixamento (de preferência, vitória sem gols sofridos), e o 34º título holandês seria uma realidade para os Ajacieden - a não ser em caso de goleada rotunda do PSV sobre o Zwolle. Todavia, mesmo em baixa na tabela, o De Graafschap era um time esforçado. Se não fosse, não teria saído dos cinco míseros pontos que tinha ao final do primeiro turno para, pelo menos, ganhar uma esperança de ficar na elite, via Nacompetitie. Jogando em casa, os Superboeren venderiam caro o resultado.

E provaram isso com o começo mais ousado, até mais ofensivo que o do tranquilo Ajax. Aos seis minutos do primeiro tempo, Vincent Vermeij cruzou para a área, da esquerda, e Jasper Cillessen teve de sair do gol para agarrar. Aos oito, em escanteio, a bola sobrou com Dean Koolhof, e o ponta-de-lança bateu forte e rasteiro, no contrapé de Cillessen, rente à trave.

O Ajax precisava atacar. E só aí acelerou mais o jogo, que até então tentava controlar na calma. Deu certo. Aos 14 minutos, Arkadiusz Milik chegou à área e chutou, o goleiro Hidde Jurjus (outra boa atuação, com duas defesas importantes) rebateu, e Amin Younes mandou a sobra para as redes - mas o gol foi erroneamente anulado, por impedimento que o bandeirinha Sander van Roekel julgou ver. Mas aos 16, deu certo, numa jogada típica de Younes: o alemão chegou à área e bateu de pé direito, colocado, no canto esquerdo de Jurjus. Era o 1 a 0 que dava o título ao Ajax, independentemente do que o PSV fizesse contra o Zwolle. E os visitantes seguraram o jogo no resto da etapa inicial.

No segundo tempo, o ritmo seguia o mesmo. As chances de segundo gol se avolumavam: aos dois minutos, Nemanja Gudelj cobrou falta, exigindo que Jurjus espalmasse com a ponta dos dedos pela linha de fundo. Aos quatro, Joël Veltman foi à área e cabeceou bola vinda de córner, para ótima defesa de Jurjus. E aos seis, Younes bateu para outra importante intervenção do goleiro do De Graafschap.

Aí aconteceu o clímax desta Eredivisie: em rápido contra-ataque, o De Graafschap conseguiu o empate inesperado. Aos 10 minutos, da direita, Youssef El Jebli serviu Bryan Smeets, e o meio-campista (que se assumiu torcedor do Ajax na infância, após a partida, à FOX Sports holandesa) completou de primeira, no contrapé de Cillessen, fazendo 1 a 1. Bastou para Frank de Boer começar as alterações: colocou Jaïro Riedewald para proteger a lateral esquerda, no lugar do lesionado Mitchell Dijks, e tomou a polêmica decisão de tirar Milik e acelerar o ataque, com a entrada de Anwar El Ghazi (o técnico Ajacied justificou dizendo que o polonês "não estava no ritmo do jogo").

E as chances esparsas mostravam que o gol de empate não estava nos planos. Desesperado, o Ajax tentava em chutes de longe - como o de Vaclav Cerny, aos 15 minutos, muito por cima do gol. Nos contra-ataques, o De Graafschap trazia perigo. Aos 33, Gudelj cobrou falta longe da meta. No ataque, além de Younes, El Ghazi e Viktor Fischer (entrara no lugar de Cerny), o zagueiro Mike van der Hoorn vinha para as jogadas aéreas, configurando um 3-3-4. No espaço da defesa, quase o De Graafschap virou aos 43, com Smeets completando para ótima defesa de Cillessen. Aos 44, a chance final: Younes fez jogada individual pela esquerda e cruzou, mas Jurjus defendeu antes da chegada de Davy Klaassen. E o apito final de Bjorn Kuipers deu início a choro (de Gudelj e El Ghazi), a gritos de raiva (do hoje reserva Riechedly Bazoer, ao entrar nos vestiários atirando a garrafa portátil), ao desencanto de Frank de Boer... o título que parecia próximo se esvaía. Não era "sonho ruim", como o técnico falou após o jogo; era a dura realidade. Bem disse Gudelj: o próprio Ajax "estragou tudo".

Como duvidar de Vincent Janssen? Com mais um gol, ajudou o AZ a vencer e garantir lugar na Liga Europa (ANP/Pro Shots)
Utrecht 1x3 AZ (domingo, 8 de maio)

Era o confronto direto pela quarta posição do campeonato. Quem estivesse nela ao final dos 90 minutos, teria a vaga direta na terceira fase preliminar da Liga Europa; o derrotado teria consolo com o lugar nos play-offs por um lugar no mesmo torneio continental. O AZ já começava o jogo em vantagem: já estava em quarto, três pontos à frente do Utrecht, e mesmo perdendo, seu saldo de gols o deixava em vantagem. E para não deixar dúvidas ou incertezas, os Alkmaarders não se acanharam, mesmo fora de casa: já aos três minutos da etapa inicial, em jogada individual, o lateral esquerdo Ridgeciano Haps entrou pela esquerda e tocou na saída do goleiro Filip Bednarek, fazendo 1 a 0 para os visitantes. Piorando as coisas no Utrecht, os dois zagueiros titulares (Ramon Leeuwin e Timo Letschert - este, pré-convocado para a seleção holandesa) se lesionaram ainda no primeiro tempo. 

Enfraquecidos, os Utregs sofreram 2 a 0 numa falha defensiva: Mark van der Maarel perdeu a bola para Dabney dos Santos, que a carregou até a área e chutou para as redes, aos 38 minutos. Tentando pelo menos a vitória, o time mandante até pressionou mais no segundo tempo. E conseguiu um bonito gol aos 24 minutos, em chute forte do volante Rico Strieder, na entrada da área. Mas qualquer expectativa de reação foi frustrada aos 27, com o destaque supremo do AZ na temporada: Vincent Janssen recebeu a bola em rápido contragolpe, e chutou por baixo de Bednarek para fazer 3 a 1, marcando seu 27º gol na Eredivisie e garantindo a artilharia da competição. Vitória, quarta posição e vaga direta na Liga Europa garantidas para um AZ muito elogiável no returno. Ao Utrecht, quinto colocado, cabe não abaixar a cabeça: o Zwolle já o espera nos play-offs por lugar na LE, com o jogo de ida na próxima quinta.

Twente 2x2 Vitesse (domingo, 8 de maio)

Com um segundo turno altamente irregular nesta Eredivisie, o Vitesse teria um duro desafio: tinha a obrigação de vencer o Twente e esperar tropeços de NEC, Groningen e Zwolle para chegar aos play-offs pela Liga Europa. Pois o time de Arnhem foi quem melhor começou seu jogo. Com a ajuda involuntária do adversário: logo aos três minutos do primeiro tempo, o zagueiro Bruno Uvini cometeu gol contra, desviando de cabeça escanteio e deixando o Vitesse na frente. Mas o espírito habitual de luta do Twente deu frutos: aos 27, Zakaria El Azzouzi empatou no Grolsch Veste, com belo chute de fora da área.

No segundo tempo, a esperança renasceu nos visitantes aurinegros: aos 16 minutos, Renato Ibarra cruzou e o chinês Zhang Yuning escorou de cabeça, fazendo 2 a 1. Só que, aos 21, Chinedu Ede empatou novamente. E a igualdade final satisfez uma temporada muito honrosa dos Tukkers. Ao Vitesse, a decepção de ficar fora dos play-offs já trouxe consequências: o técnico Rob Maas demitiu-se. Compreensível: apenas uma vitória nas últimas sete rodadas. Não havia como chegar à Nacompetitie com sequência tão má.

Kuyt retribuiu novamente a confiança da torcida: gol, vitória e fim de temporada calmo no Feyenoord (feyenoord.nl)
Feyenoord 1x0 NEC (domingo, 8 de maio)

O Feyenoord já estava tranquilo, com o terceiro lugar garantido, bem como a vaga na fase de grupos da Liga Europa (via título da Copa da Holanda). Ainda assim, foi o time que parecia precisar da vitória, e não o NEC, que dependia dos três pontos para tentar uma vaga nos play-offs da Liga Europa. Tanto é que a única chance de gol do primeiro tempo veio com Eljero Elia: o atacante chutou, e um desvio acidental no volante Janio Bikel mandou a bola na trave. Depois do intervalo, Bilal Basaçikoglu também poderia ter feito 1 a 0.

Mas o autor do gol da vitória do Stadionclub foi o destaque da temporada: o sempre confiável Dirk Kuyt. Aos 10 minutos do segundo tempo, Kuyt (atuando no meio do ataque, com a suspensão de Michiel Kramer) recebeu a bola em profundidade, driblou o goleiro Brad Jones e colocou nas redes. Depois, não só Kuyt quase fez o segundo, mandando para fora bola cruzada por Jens Toornstra, mas também um cabeceio de Eric Botteghin mandou a bola na trave. A única jogada de perigo dos visitantes de Nijmegen foi um voleio de Christian Santos, bem defendido pelo arqueiro Kenneth Vermeer. E os Nijmegenaren saíram do campo de De Kuip frustrados: em 10º lugar, ficaram de fora dos play-offs pelo lugar na Liga Europa. E o Feyenoord terminou a temporada em paz. Quem diria?!

Groningen 2x1 Heracles Almelo (domingo, 8 de maio)

Na disputa dos dois últimos lugares nos play-offs pela vaga na Liga Europa, o Groningen sabia perfeitamente o que fazer: era vencer o Heracles, já sacramentado na Nacompetitie, e fazer companhia ao adversário. Demorou um pouco além do necessário, e os Groningers sofriam acompanhando as partidas de Vitesse, Zwolle e NEC, adversários na disputa das últimas vagas. Mas, por fim, o segundo tempo trouxe a vitória esperada.

E ela veio pelos pés de um jogador que já sabe que deixará o clube ao fim da temporada: o zagueiro sueco Rasmus Lindgren. Ele abriu o placar aos oito minutos da etapa complementar, escorando cruzamento de Lorenzo Burnet. Aos 11, Lindgren fez 2 a 0, após passe do atacante Oussama Idrissi. Depois, Iliass Bel Hassani ainda trouxe tensão, diminuindo para os Heraclieden aos 25. Mas o Groningen seguiu concentrado, e garantiu a vitória que lhe deixou com o lugar desejado nos play-offs. Agora, é a preparação para o jogo de ida, na quinta que vem, contra... o Heracles.

Cambuur 0x2 Excelsior (domingo, 8 de maio)

Pode um time que terminou o Campeonato Holandês em 15º lugar comemorar tanto uma vitória? Pode, no caso do Excelsior. Afinal, a vitória fora de casa, contra o já rebaixado Cambuur, garantiu aos Kralingers a manutenção na divisão de elite do futebol holandês, pelo terceiro ano seguido - serão três times de Roterdã na Eredivisie 2016/17. E o triunfo fundamental começou a vir rapidamente: aos cinco minutos do primeiro tempo, a defesa do Cambuur falhou, e Tom van Weert dominou a sobra na entrada da área, finalizando para as redes com chute colocado - a bola ainda bateu na trave do goleiro Harm Zeinstra antes de entrar. Fazendo sua parte em Leeuwarden, o Excelsior não precisava se preocupar com os rumos de Roda JC x Willem II. E o resultado positivo que garantiu a salvação foi confirmado no segundo tempo, com o gol de Kevin Vermeulen, aos 14 minutos, após receber a bola de Van Weert. Após uma temporada difícil, a comemoração, afinal.

Roda JC 2x3 Willem II (domingo, 8 de maio)

Se precisava fazer sua parte e ainda torcer contra o Excelsior para evitar a repescagem, o Willem II fracassava nas duas frentes. Os Rotterdammers cumpriam sua parte contra o Cambuur, e o Roda JC abriu o placar em Kerkrade: aos 19 minutos da etapa inicial, o zagueiro Jordy Buijs completou de cabeça uma falta cobrada por Tom van Hyfte. Restava correr atrás, e os Tricolores correram: aos 34, Erik Falkenburg (novamente destaque num time ameaçado de rebaixamento) fez 1 a 1, recebendo na área lançamento de Guus Joppen e chutando forte. 

Mas a comemoração durou pouco: aos 39, Ugur Inceman recolocou os Koempels na frente, em arremate de longe (com falha do goleiro Kostas Lamprou). No segundo tempo, os visitantes de Tilburg até viraram: logo aos dois minutos, Bruno Andrade igualou o placar quase sem ângulo, e Lucas Andersen fez 3 a 2 aos 10 minutos. Mas o Excelsior também triunfou - e mesmo cumprindo o que tinha de cumprir, o Willem II irá à repescagem contra o rebaixamento. A nova chance para ficar na Eredivisie começa na próxima sexta, com o jogo de ida contra o Almere City.

ADO Den Haag 1x1 Heerenveen (domingo, 8 de maio)

Era o único jogo da última rodada da Eredivisie que não tinha nada em disputa: ambas as equipes não tinham mais chance de ter lugar nos play-offs pela Liga Europa, e nem corriam qualquer risco de rebaixamento. Esperava-se, assim, uma partida desanimada em Haia, mas não foi um caso perdido. Claro: emoções foram mais escassas no Kyocera Stadion. Mas pelo menos houve chances de gol. No primeiro tempo, Mike Havenaar quase marcou em dois cabeceios que mandaram a bola perto, antes de enfim colocar a bola na rede: aos 30 minutos, após ser puxado pelo lateral Caner Cavlan e ver o juiz Kevin Blom marcar o pênalti, o atacante japonês converteu a cobrança com uma "cavadinha". 

Depois, Ruben Schaken ainda teve chance para o 2 a 0, mas chutou na trave. Sorte do Heerenveen: no segundo tempo, aos seis minutos, Mitchell te Vrede empatou de cabeça para os frísios, completando cruzamento de Luciano Slagveer. E o jogo ficou no empate, graças aos dois goleadores das respectivas equipes, na despedida de Foppe de Haan - após a interinidade no resto de temporada, no Heerenveen em que fez história, Foppe volta à aposentadoria.

sábado, 7 de maio de 2016

Eredivisie 2006/07: o final que eletrizou a Holanda

Cocu levantou a taça como jogador, em 2006/07, com o PSV superando desvantagem no saldo de gols. O mesmo ocorrerá com Cocu treinador? (ANP)
O Campeonato Holandês desta temporada está a algumas horas de ter o seu título decidido. Como se sabe, Ajax e PSV estão iguais na pontuação (81), mas os Ajacieden lideram a Eredivisie 2006/07 pelo primeiro critério de desempate, o saldo de gols - e a diferença está em seguros seis gols (60 para o Ajax, com 80 gols pró e 20 contra; 54 para o PSV, com 85 pró e 31 contra). Ou seja, ver o clube de Amsterdã trazer para a sala de troféus a 34ª Eredivisieschaal de sua história é um cenário bem possível, até provável. Mas a igualdade de pontos - e a virtual decisão do título holandês pelo saldo de gols - motivou uma lembrança unânime na imprensa futebolística holandesa, durante esta semana: a decisão eletrizante da Eredivisie na temporada 2006/07. 

Antes da última rodada, o empate na pontuação era tríplice, mas havia uma vantagem também segura (e também de seis gols) no saldo. Mas foi justamente o detentor desta vantagem que fraquejou na partida derradeira da temporada. E os outros dois adversários jogaram suas partidas com o olho na quantidade de gols do rival. Até que um deles foi mais competente, conseguiu a goleada e garantiu o título - após elenco e torcida esperarem minutos intermináveis pelo fim do jogo do outro contendente. Tudo isso, em apenas uma tarde, no dia 29 de abril de 2007. E quais eram esses times? Desde a metade do campeonato, já estava claro que a briga pela salva de prata era coisa entre PSV, Ajax e AZ.

Já bicampeão, o time de Eindhoven buscava o terceiro título seguido com alguns remanescentes da semifinal da Liga dos Campeões, havia dois anos: o goleiro Gomes e o zagueiro Alex impunham respeito na zaga (eram, até, os dois melhores da equipe, para muitos). No meio-campo, o veterano Phillip Cocu segurava a responsabilidade na marcação,  junto ao belga Timmy Simons, tranquilizando um jovem (e já titular) Ibrahim Afellay. E cabia ao equatoriano Edison Méndez ajudar na chegada da bola ao ataque, onde estavam o marfinense Arouna Koné e o peruano Jefferson Farfán, atacantes no 4-4-2 usado pelo técnico Ronald Koeman. No banco, o nível seguia razoável: Michael Reiziger, Jason Culina, Diego Tardelli, Patrick Kluivert... Era um bom time, entrosado, que ainda fazia papel honroso na Liga dos Campeões (os Boeren alcançaram as quartas de final naquela temporada, sendo eliminados pelo futuro vice-campeão Liverpool). 

Mas ficava até humilde, diante de um Ajax muito promissor. Jaap Stam representava a experiência na zaga, em seu último ano como jogador profissional, e Edgar Davids vivia o último bom momento de sua carreira, ainda elogiável no meio-campo. Mas já eram os mais jovens daquele time que assumiam o destaque total, e já eram cobiçados Europa afora. No gol, Maarten Stekelenburg; na zaga, Thomas Vermaelen; jogando adiantado como volante, John Heitinga; Wesley Sneijder, principal armador da equipe; e no ataque, Klaas-Jan Huntelaar prometendo o sucesso completo, junto do jovem Ryan Babel. Todos eles, titulares na base escalada pelo treinador Henk ten Cate.

E o AZ continuava sendo montado detalhada e pacientemente por Louis van Gaal. Na segunda temporada do treinador à frente dos Alkmaarders, o time já estava com alguns dos jogadores que se destacariam no histórico título holandês de 2008/09. Já estavam lá os volantes David Mendes da Silva, Demy de Zeeuw e Stijn Schaars; já estava no ataque Moussa Dembélé; já armava as jogadas o meio-campista belga Maarten Martens; Kew Jaliens já era o lateral direito. Some-se a isso algumas presenças úteis no time, como o zagueiro Barry Opdam, o atacante Shota Arveladze (sucesso na Eredivisie em seus tempos de Ajax) e, principalmente, outro atacante, Danny Koevermans, compensando com os gols marcados (22 ao todo) a falta de habilidade técnica. Só o gol sofria com a inconstância dos arqueiros; Khalid Sinouh e o jovem Boy Waterman se revezavam debaixo das traves.

E os três seguiam próximos na tabela. Na 23ª rodada, no primeiro encontro do returno entre dois candidatos ao título, o AZ derrotou o PSV em Eindhoven (3 a 2); na rodada seguinte, todos estavam separados por apenas dois pontos (PSV líder, com 55 pontos; Ajax com 54; AZ com 53). Aí, aparentemente, o PSV começou a disparar: abriu cinco pontos de vantagem na 26ª rodada, quando superaram o Groningen (1 a 0), enquanto Ajax e AZ ficaram num empate em um gol, no jogo direto. Com a derrota dos Ajacieden, vice-líderes, na rodada seguinte (0 a 1 para o Heerenveen, em Amsterdã), o PSV abria oito pontos. Tricampeonato garantido?

Não, porque a situação começou a mudar na 29ª rodada, a cinco do fim. Em 18 de março, ocorreu um jogo quase fundamental nos destinos daquela Eredivisie: no clássico entre PSV e Ajax, em Eindhoven, os Amsterdammers não tomaram conhecimento dos rivais, impondo 5 a 1 em pleno Philips Stadion - Huntelaar foi o destaque, com dois gols, e Sneijder ajudou com mais um na goleada, junto do espanhol Gabri e do dinamarquês Kenneth Perez. A vantagem dos Eindhovenaren na pontuação ainda estava em seguros cinco pontos (67 a 62, contra 60 do AZ), mas o espírito tinha virado. Tanto é que o PSV passou as duas rodadas seguintes sem vencer: empatou com o NAC Breda na 30ª rodada (1 a 1), e caiu para o NEC na 31ª (2 a 1). Essa derrota fez a vantagem que chegara a ser de oito pontos cair para dois. E a goleada do Ajax em Eindhoven colocara o saldo de gols na disputa do título.


Finalmente, a 33ª rodada (penúltima) construiu o cenário empolgante para a decisão sobre o campeão holandês. Enquanto vinham as vitórias de AZ (3 a 1 no Heerenveen, quarta vitória seguida) e Ajax (5 a 2 no Sparta Rotterdam), o PSV tropeçava de novo contra o Utrecht (1 a 1, em Utrecht). E as três equipes chegariam à última rodada com 72 pontos. Mais impressionante: o saldo de gols, primeiro critério de desempate, favorecia o AZ (saldo de 53, contra 47 do Ajax e 46 do PSV). Bastava vencer o desesperado Excelsior, na antepenúltima colocação, já condenado aos play-offs de acesso/descenso, e o AZ encerraria uma sequência de 26 anos só com o Trio de Ferro holandês se revezando no posto de campeão holandês.

E aí chegou o incrível 29 de abril de 2007 da última rodada, com os jogos sendo simultaneamente disputados. Nos primeiros sete minutos, o pêndulo do título ia para o AZ. Até que, no oitavo minuto do primeiro tempo, o atacante Andwelé Slory foi derrubado na área por Waterman; pênalti e cartão vermelho para o goleiro do AZ, substituído por Sinouh, que levou o gol no penal cobrado por Luigi Bruins. Ali começava uma via-crúcis para o time de Alkmaar: visivelmente nervoso, ainda foi buscar o empate duas vezes, mas não conseguiu conter a pressão dos Kralingers. O Excelsior venceu por 3 a 2, e conseguiria na Nacompetitie a manutenção na primeira divisão; o AZ teria de esperar mais uma temporada até a conquista sonhada e merecida em 2008/09.


Com o AZ "eliminado", Ajax e PSV passavam a se olhar. Enquanto o Ajax tinha de golear o Willem II, fora de casa, cabia ao então bicampeão holandês também marcar contra o Vitesse, num Philips Stadion apinhado de gente. E os Boeren começaram fazendo a parte deles: em dez minutos no primeiro tempo, já faziam 2 a 0 no Vites, com Alex (mais um gol de cabeça do zagueiro brasileiro) e Farfán. Aumentavam o saldo para 48, contra 47 do Ajax. Aí vieram duas duchas de água geladíssima nos Eindhovenaren. Primeiro, em seu próprio jogo: aos 13 minutos, Theo Janssen cobrou escanteio, Gomes tentou cortar e empurrou a bola para o próprio gol, numa falha incrível. O saldo de gols ficava igual ao do Ajax - 47 -, mas os Amsterdammers tinham mais gols (82 contra 72, àquela altura). E prontamente marcariam mais: aos 19 minutos da etapa inicial, um jovem Urby Emanuelson fez 1 a 0 para os Godenzonen contra o Willem II. No resto dos primeiros tempos dos jogos, o Ajax mantinha o maior saldo (48 contra 47), e ia conquistando mais um título holandês.


O cenário seguiu assim até os 14 minutos do segundo tempo de ambos os jogos: Farfán marcou o terceiro do PSV contra o Vitesse. Mais seis minutos, e Afellay fez 4 a 1 para os Boeren. Ali o título mudava de mãos: com 49 a 48 no saldo de gols, a Eredivisieschaal ia para Eindhoven. Assim ficou a situação por meros dois minutos: aos 22 minutos da etapa complementar, Huntelaar fez 2 a 0 para o Ajax. Saldo de gols igual de novo, Ajax campeão no número de gols pró, mais momentos de tensão no Philips Stadion. Até que, aos 32 minutos, em cobrança de escanteio, Phillip John William Cocu, já aos 36 anos, chuta para as redes e comemora. Era o quinto gol, a goleada sobre o Vitesse, o gol que recolocava o PSV à frente no saldo de gols (50 a 49).


O Ajax era o clube necessitado de um gol nos treze minutos finais. E aí partiu ao ataque. Num escanteio nos acréscimos, até Stekelenburg foi para a área. Mas a bola não entrou. E o PSV respirou, para explodir simultaneamente, com o tricampeonato holandês. A prova é a reação no Philips Stadion, acompanhando os minutos finais de Willem II x Ajax (terminou depois de PSV x Vitesse), no vídeo abaixo:

O tempo passou. Autor do "gol do título" em 2006/07, hoje Phillip Cocu está novamente no PSV, como treinador. E na entrevista coletiva antes do jogo deste domingo, lembrou que já viu coisas malucas acontecerem num campo de futebol. Poderia até acrescentar: por experiência própria. O Ajax, com a diferença controlada no saldo de gols, só precisa trabalhar para evitar a repetição de um filme triste. Que para o PSV, foi alegre. E essa mesma alegria é desejada ao final da rodada deste domingo, com a comemoração de um eventual bicampeonato.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ajax é favorito ao título. Mas PSV é o melhor time

Unido, o Ajax foi mais pragmático na temporada. E está perto do título holandês (Olaf Kraak/ANP)

Este final de semana poderia ser o mais empolgante do futebol holandês de clubes em muito tempo. Desde 2010/11 não se via duas equipes disputando o título do Campeonato Holandês ponto a ponto até a última rodada. Sem contar que é inevitável lembrar a incrível rodada derradeira da temporada 2006/07 da Eredivisie, quando AZ, PSV e Ajax chegaram iguais em pontuação: enquanto os Alkmaarders eram derrotados pelo Excelsior (3 a 2), os rivais de Amsterdã e Eindhoven brigaram gol a gol durante suas partidas, para aumentarem o saldo – até que o PSV, com 5 a 1 no Vitesse, superou o Ajax no critério (50 a 49) e comemorou o terceiro título do tetracampeonato ganho entre 2005 e 2008.

Enfim, poderia ser um final de semana daqueles em que come-se, dorme-se, respira-se futebol na Holanda. Mas não será. Porque, embora Ajax e PSV estejam novamente iguais em pontos, como há nove anos (81), a vantagem dos Ajacieden no saldo de gols é bem mais confortável do que na temporada lembrada acima. Enquanto, antes da última rodada de 2006/07, o time da estação Strandsvliet tinha apenas um gol à frente no saldo (47 a 46), agora a vantagem está em seguros seis gols (60 de saldo, contra 54 dos Eindhovenaren). 

Além do mais, os adversários dos dois contendentes pela Eredivisieschaal oferecem cenários diferentes para as partidas do próximo domingo, ambas fora de casa. Os Boeren terão pela frente um Zwolle que ainda tem coisas a buscar: qualquer ponto pode representar aos Dedos Azuis a garantia de vaga nos play-offs por um lugar na Liga Europa. Já o Ajax enfrenta um De Graafschap que já está com o destino sacramentado: ficará na penúltima posição, e terá a chance de manter-se na elite via play-offs de acesso/descenso. 

Com um adversário mais relaxado, é bem plausível supor que os Godenzonen são mais favoritos à vitória, e que será dificílimo para o PSV conseguir uma goleada por sete gols de diferença sem que o rival marque contra o De Graafschap. Isto é: em condições normais, o esperado é que o Ajax receba a salva de prata no gramado do estádio De Vijverberg, na cidade de Doetinchem, usando o novo uniforme de visitante para a próxima temporada, e comemore assim o 34º título holandês de sua história. No estádio e em Amsterdã, já que a festa da vitória está marcada ainda para o domingo, num terreno próximo à Amsterdam Arena - ali, haverá nova cerimônia de entrega da taça, pelas mãos do ex-jogador Dick Schoenaker.

Será justo, pela melhora que a equipe de Amsterdã viveu nesta reta final de temporada. Se até a metade do campeonato, apenas Davy Klaassen e Riechedly Bazoer brilhavam, as ascensões vertiginosas de Arkadiusz “Arek” Milik e Amin Younes ajudaram demais os Amsterdammers. Klaassen continuou justificando plenamente o fato de ter a braçadeira de capitão e a camisa 10: continua direcionando as jogadas, liderando o time, criando a maioria dos ataques. E se fosse necessário, Bazoer chegava como “elemento-surpresa”, arriscando chutes de fora da área.

Mas a finalização andava capengando. Não anda mais. Com 12 gols marcados nos últimos dez jogos da Eredivisie, “Arek” Milik parece, enfim, cumprir as expectativas que justificaram a compra junto ao Bayer Leverkusen: pode-se dizer, até, que o desempenho crescente levou o polonês a converter-se em reserva imediato de Robert Lewandowski na seleção de seu país. De quebra, se antes parecia meio inconstante e até improdutivo na esquerda, agora Amin Younes aprendeu a usar o drible na hora certa. Some-se isso à velocidade e à capacidade de finalização naturais do alemão de ascendência libanesa, e o que se tem é um atacante que ajuda o time em horas difíceis. Como na 33ª e penúltima rodada: Younes teve duas assistências e um belo gol para converter um tenso 1 a 0 contra o Twente numa goleada por 4 a 0, no fim do jogo.

Sem contar que a eliminação vexaminosa na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões (e a atuação bem apagada na Liga Europa) ensinaram algumas coisas a Frank de Boer na proteção à defesa. Nas duas últimas rodadas, ele não pestanejou em sacar o ofensivo Bazoer, começando os jogos contra Heerenveen e Twente com o marcador incansável que é Thulani Serero. O que protegia mais a defesa, improvisada que estava com as ausências de Kenny Tete e Jaïro Riedewald: se não esbanjam talento, Mike van der Hoorn e Nick Viergever cumpriram seus papéis no miolo de zaga, enquanto Mitchell Dijks foi outro a crescer de produção, na lateral esquerda. Joël Veltman também não traz muitos problemas pela direita, e Jasper Cillessen é habitualmente seguro no gol.

Enfim, o Ajax que deverá ser campeão holandês é mais pragmático. Ainda assim, sofre com alguns erros defensivos, visíveis em partidas como o 2 a 2 contra o NEC (em casa) e, principalmente, o 2 a 2 contra o Utrecht – neste, só um pênalti inexistente marcado deu a chance do empate aos Ajacieden. Diferentemente do PSV, que perdeu o jogo que não podia perder (provou do próprio veneno: pragmaticamente, o Ajax fez 2 a 0 em Eindhoven), mas é, muito provavelmente, o melhor time holandês da temporada.

No PSV, Phillip Cocu protagonizou o milagre do título, em 2006/07. Espera o mesmo agora (Hollandse Hoogte)
Não só pela atuação honrosa na Liga dos Campeões – lembre-se, o PSV foi o time que mais se aproximou de eliminar (e mais dificultou as coisas para) o agora finalista Atlético de Madrid. Mas também por ser um time entrosado no 4-3-3. Por fazer contratações acertadíssimas e até ambiciosas (vindo por empréstimo, após sofrer com lesões em Chelsea, Milan e Stoke City, quem diria que Marco van Ginkel chegaria com tudo ao meio-campo, marcando oito gols em 12 jogos?). Por ter vários “pilares” experientes no time: Bruma, Guardado, Luuk de Jong. E por não deixar de lado a criação de talentos tão cara ao futebol holandês: Jeroen Zoet, Jorrit Hendrix e Jürgen Locadia que o digam. 

Além disso, Phillip Cocu mostra ser técnico promissor, ao saber ser ofensivo na hora necessária e defensivo se o jogo assim exige. Enfim, o Ajax tem uma tarefa mais fácil. Praticamente só depende de si para ser campeão holandês, novamente. Mas sabe: não poderá mais chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões e dar o vexame habitual. O PSV subiu um pouco o nível de exigência. E até serviu de exemplo.

De mais a mais, a festa de um “milagre” está pronta em Eindhoven (ocorreria na segunda, caso o título venha). Sem contar que o autor do "gol do título" do PSVem 2006/07 foi um certo Phillip Cocu. Hoje técnico, ele alertou: "O Ajax tem as melhores chances, mas coisas malucas já aconteceram". Milagres acontecem.

domingo, 1 de maio de 2016

810 minuten: como foi a 33ª rodada da Eredivisie

Fischer representa o alívio do Ajax: goleada num jogo tenso, e o título holandês está muito perto (ANP/Pro Shots)
Ajax 4x0 Twente (domingo, 1º de maio)

O Ajax começou o jogo com duas surpresas na escalação. A primeira era fortalecer a marcação mais veloz no meio-campo: Thulani Serero, novamente, tomou o lugar de Riechedly Bazoer entre os titulares, até porque poderia dar mais rapidez na saída de bola. No ataque, com Anwar El Ghazi lesionado, ao invés da opção por Lasse Schöne, experimentou-se escalar pela primeira vez o tcheco Vaclav Cerny, pela direita. Do resto, já se sabia: era vencer o Twente - de preferência, por uma grande margem - para manter a liderança do Campeonato Holandês, aproximando-se do título.

Isso já começou aos quatro minutos do primeiro tempo, quando Arkadiusz "Arek" Milik cobrou falta que forçou o goleiro Nick Marsman a espalmar a bola para fora da área. Aos 10, perigo em outra cobrança de Milik: desta vez, Marsman espalmou para a linha de fundo. Todavia, se o Ajax jogava com toda a força ofensiva, com defesa adiantada e tudo o mais, também dava espaço ao Twente. Principalmente pela esquerda, onde o improvisado Kenny Tete (substituindo o suspenso Mitchell Dijks) sofria com Zakaria El Azzouzi.

Além disso, o PSV já ganhava do Cambuur. Um gol era mais do que necessário. E ele veio aos 37 minutos da etapa inicial: pela direita, Joël Veltman desarmou Hakim Ziyech e passou a Cerny. E o jovem tcheco dominou, ganhou de Stefan Thesker na corrida e chutou para fazer 1 a 0, aliviando o Ajax. Só que o jogo decisivo ainda não estava para festas. Prova disso foi o que se viu no minuto final da etapa inicial: Jerson Cabral superou Tete e chegou livre com a bola na área, mas bateu fraco para Jasper Cillessen defender sem problemas.

No segundo tempo, o ritmo seguiu o mesmo. Os Amsterdammers pressionando: aos 11, Nick Viergever apareceu de surpresa na área em rápido contra-ataque e completou chutando na trave, e aos 17, Amin Younes arrematou da esquerda, Marsman falhou ao tentar encaixar - e apenas pôde torcer para a falha não se consumar (a bola foi pela linha de fundo). E aos poucos, os visitantes de Enschede ameaçando empatar: aos 27, Ziyech arriscou chute de fora da área, forçando Cillessen a fazer ótima defesa, espalmando por cima da trave.

Todavia, justamente na fase que seria mais tensa, os Ajacieden relaxaram a torcida. Aos 35 minutos, Younes (o melhor da partida) cruzou da esquerda, e Mike van der Hoorn, vindo da defesa, cabeceou para as redes: era o 2 a 0 que afastava o perigo do empate. Ficaria melhor: logo após Van der Hoorn marcar, Viktor Fischer substituiu Cerny... e fez o terceiro gol aos 37, recebendo de Younes e chutando cruzado de pé direito, no canto defendido por Marsman. E coube a Younes transformar a vitória em goleada com belíssimo tento: aos 41, o alemão de ascendência libanesa mandou chute colocado no ângulo esquerdo.

Era a melhor vitória possível: goleada, sem sofrer gols. A vantagem de seis gols no saldo (+60, contra +54 do PSV) se mantinha. A sensação foi descrita pelo capitão Davy Klaassen, à FOX Sports holandesa: "Não vamos mais deixar escapar". A uma rodada do fim, a 34ª conquista da Eredivisie está na alça de mira. Mas ainda não está ganha, como alertou Van der Hoorn: "Tão perto e tão longe".

A comemoração de De Jong é a comemoração do PSV: agridoce. Tarefa cumprida, mas o título está distante (psv.nl)
PSV 6x2 Cambuur (domingo, 1º de maio)

Se a tarefa do Ajax era clara, a do PSV era até mais imperativa: ganhar, e por uma margem suficiente para encurtar a vantagem do Ajax no saldo de gols e aumentar as chances do bicampeonato. Ou seja: não restava muita coisa além de pressionar o lanterna Cambuur - adversário ideal para uma goleada, até por já ter sofrido 6 a 0 no primeiro turno. Resultado: a pressão no ataque veio desde o primeiro dos 90 minutos. Algo previsível até na escalação, com Marco van Ginkel e Adam Maher, dois meio-campistas bem ofensivos, entre os titulares. E por incrível que pareça, o Cambuur também tinha algo a tentar evitar: o rebaixamento direto à segunda divisão.

Já aos 15 minutos, o PSV tivera três ótimas chances de abrir o placar. Uma com Gastón Pereiro, aos dez minutos: o uruguaio completou escanteio e a defesa dos visitantes de Leeuwarden tirou em cima da linha. Nos cinco minutos seguintes, duas oportunidades para Luuk de Jong, em dois cabeceios. Finalmente, aos 15 minutos, veio o gol que estava demorando para sair: De Jong recebeu na área, dominou e passou a Van Ginkel, que tocou para o gol vazio, fazendo 1 a 0. Estava tudo dentro do que os Eindhovenaren pretendiam. Só que aos 18 minutos, um azar num escanteio deu o empate inesperado ao Cambuur: Xander Houtkoop dominou a bola vinda de córner, chutou, e o lateral Calvin Mac-Intosch desviou levemente. O suficiente para o goleiro Jeroen Zoet ficar sem ação: 1 a 1.

Mesmo com o gol sofrido, os mandantes nem se desesperaram. A superioridade técnica era clara, e os gols sairiam se o PSV jogasse com seriedade. Dito e feito: aos 27 minutos, Jetro Willems cruzou da esquerda, e De Jong marcou de cabeça o seu 24º gol na Eredivisie desta temporada, recolocando os Boeren na frente. Aos 38, em novo escanteio, a defesa do Cambuur tentou rebater, mas Pereiro tocou por último - toque fraco, mas suficiente para o 3 a 1. Com o Ajax pelejando pelo 1 a 0 em Amsterdã, a esperança crescia... mas tomou um balde de água fria com o segundo gol do Cambuur, aos 43, ainda antes do intervalo: o irlandês Jack Byrne correu com a bola em rápido contra-ataque, e bateu no ângulo direito de Zoet.

No segundo tempo, o jogo não mudou nem um pouco. O PSV era francamente superior: aos 14, quase veio o quarto gol, com Luciano Narsingh cabeceando para ótima defesa do goleiro Leonard Nienhuis. Dois minutos depois, Houtkoop bateu falta, e quase marcou. Finalmente, aos 18, uma falha de Nienhuis entregou o quinto gol aos PSV'ers: em bola perdida na área, o goleiro tentou dominar com os pés para impedir o escanteio. O domínio foi mal feito, e a bola ficou à feição para Maher dominar, esperar, e chutar no canto do arqueiro dos visitantes de Leeuwarden para fazer o quarto gol.

Aos 25, em primorosa cobrança de falta, Willems fez 5 a 2 para o PSV. Não estava tão longe: a diferença no saldo de gols se encurtara para quatro (57 para o Ajax, 53 para o PSV), e o Twente estava perto de empatar. Só que o Ajax fez 2 a 0, e animou-se para concluir a goleada final que conseguiu, mantendo a diferença em seis gols. Mesmo com a entrada de Jürgen Locadia em campo, tendo mais gente na área (Locadia até marcou, mas o gol foi anulado por impedimento), o PSV só conseguiu o gol nos acréscimos, aos 47: outra cobrança de falta bem aproveitada por Van Ginkel.

Em qualquer outra ocasião, um 6 a 2 animaria a torcida. Mas a goleada no Philips Stadion foi celebrada com aplausos lacônicos: com a vitória do Ajax, o bicampeonato do PSV ficou bem difícil. Restará ou vencer o Zwolle por sete gols de diferença, ou esperar tropeço do Ajax contra o De Graafschap. De qualquer modo, Philip Cocu ainda tenta mostrar ânimo nas declarações pós-jogo: "Ainda tenho a sensação de que podemos ser campeões". Pelo menos, isso. Já o Cambuur não tem mais consolo. Está condenado à última posição e diretamente rebaixado, como lamentou o capitão Erik Bakker: "Foi o resultado de toda a temporada, não fomos rebaixados por hoje".

O azar do goleiro Lamprou foi a sorte do abraçado Achahbar: gol, vitória e terceiro lugar garantido ao Feyenoord (feyenoord.nl)
Willem II 0x1 Feyenoord (domingo, 1º de maio)

Com a vaga na Liga Europa já garantida (o título da Copa da Holanda, na semana passada, deu a vaga na fase de grupos do torneio continental), o Feyenoord nem se importou muito com as ausências do lesionado Dirk Kuyt e do suspenso Michiel Kramer. Se havia interesse, era do Willem II: uma vitória dos Tricolores em casa, junto a um tropeço do Excelsior, significaria a manutenção na Eredivisie em 2016/17. Mas o desinteresse do Stadionclub e o nervosismo dos mandantes tornaram a partida em Tilburg bem monótona.

Só um fator fortuito mudou o resultado: aos doze minutos do segundo tempo, Anass Achahbar - substituto de Kramer - arriscou chute fraco de fora da área, e o goleiro Kostas Lamprou falhou, com um soco insuficiente na bola para evitar o 1 a 0 do Feyenoord. Não bastasse o título da copa, a vitória garantiu a terceira posição aos Rotterdammers no Campeonato Holandês. Giovanni van Bronckhorst pôde comemorar o fim tranquilo de temporada ("Foi uma ótima semana para nós", exultou "Gio" na coletiva pós-jogo). E o Willem II sofrerá por mais uma rodada: está na zona de repescagem, e ficou um ponto atrás do Excelsior.

Essa foto não é repetida: Janssen cobra pênalti e marca para o AZ. Hoje foi contra o De Graafschap (ANP/Pro Shots)
AZ 4x1 De Graafschap (domingo, 1º de maio)

Jogando fora de casa, o De Graafschap também olharia para Eindhoven: se o Cambuur cometesse o CRIME e vencesse o PSV, os Superboeren precisariam superar o AZ para se manter na Eredivisie. Talvez por isso, o ótimo começo dos visitantes: aos sete minutos da etapa inicial, um chute forte de Mark Diemers mandou a bola no ângulo, decretando o 1 a 0. Mas o temor do AZ durou pouco: aos 14 minutos, Ridgeciano Haps sofreu pênalti, e Vincent Janssen bateu seguramente para marcar seu 26º gol na temporada. Aí, os Alkmaarders se relaxaram, e encaminharam o triunfo ainda no primeiro tempo.

Aos 22, em tabela com Joris van Overeem, Haps dominou a bola e virou o jogo; e aos 40, após lançamento em profundidade, o iraniano Alireza Jahanbakhsh ampliou. No segundo tempo, Van Overeem ainda ratificou a goleada, fazendo o 66º gol do AZ no campeonato (marca que não era alcançada desde o título em 2008/09). E o AZ terá vantagem no confronto direto contra o Utrecht, na última rodada, pelo quarto lugar que dá vaga direta na Liga Europa: tem três pontos de vantagem para os Utregs - em 5º lugar -, e quatro gols de frente no saldo. Com a derrota do rebaixado Cambuur, o De Graafschap também se aliviou: ainda poderá tentar ficar na Eredivisie via play-offs. E o técnico Jan Vreman animou o PSV, que espera o jogo do time de Doetinchem na última rodada: "Vamos buscar a vitória contra o Ajax".

Vitesse 1x3 Utrecht (domingo, 1º de maio)

Num jogo entre duas equipes que passaram o returno circulando pela zona dos play-offs pela Liga Europa, o Vitesse sabia que tinha mais contas a prestar à sua torcida, pelas decepções que causara durante boa parte da temporada. Assim, o Vites fez um primeiro tempo bem melhor: não só seguro na defesa (que contava com os novatos Julian Lelieveld, lateral direito de 18 anos, e Thomas Oude Kotte, zagueiro de 19), mas ativo no ataque. O primeiro gol até demorou: aos 30 minutos, Lewis Baker cobrou falta, a defesa dos Utregs falhou ao tentar cortar, e o zagueiro Guram Kashia fez 1 a 0. Antes, Dominic Solanke já poderia até ter aberto o placar para os mandantes aurinegros.

Só na etapa final o Utrecht impôs sua regularidade maior na temporada. Já aos dois minutos, Sébastien Haller quase marcou, mas o goleiro Eloy Room mandou o chute do francês para escanteio; no escanteio subsequente, Haller tentou o gol de bicicleta, mas a bola passou por cima. A entrada de Ruud Boymans só aumentou a força ofensiva dos visitantes. E a virada veio, na parte final do jogo: Nacer Barazite empatou aos 29, escorando cruzamento de Christian Kum da direita. Aos 40, Boymans virou o jogo; e aos 43, o zagueiro Ramon Leeuwin fez o 3 a 1 fora de casa que, no mínimo, garantiu o Utrecht nos play-offs (o time ainda tem chances de garantir vaga direta na Liga Europa, caso vença o AZ e elimine os quatro gols de desvantagem no saldo). Ao Vitesse, que novamente abateu sua torcida, resta vencer e torcer por tropeços de NEC e Groningen na última rodada.

Heracles 1x1 ADO Den Haag (domingo, 1º de maio)

Até curioso: mesmo que o Heracles estivesse em casa, e tivesse um estilo bem mais técnico de jogo, a partida no estádio Polman, em Almelo, foi bem desanimada por boa parte do seu decorrer. Tanto é que foi o último dos nove jogos da rodada a sair do 0 a 0: somente aos 23 minutos do segundo tempo o placar foi aberto. E o gol foi do Den Haag: Giovanni Korte dominou a bola e passou a Édouard Duplan, que finalizou livre para fazer 1 a 0. Porém, os Heraclieden continuaram pressionando mais, e tiveram o prêmio no fim: aos 43 minutos, Paul Gladon (vindo do banco no instante anterior, em lugar de Iliass Bel Hassani) dominou passe de Ramon Zomer e fez o gol decisivo, que garantiu o time de Almelo nos play-offs por um lugar na Liga Europa 2016/17. Merecidamente.

Heerenveen 1x2 Groningen (domingo, 1º de maio)

No último jogo em casa do ícone Foppe de Haan à frente do Heerenveen, após seu retorno temporário para treinar o clube, a torcida esperava poder comemorar algo. E Sam Larsson indicava que ela teria as razões desejadas para isso: aos 20 minutos, o atacante sueco deixou os anfitriões na frente do placar no "Clássico do Norte", em jogada individual. Só que os Groningers se animaram e reagiram rapidamente: já aos 26 minutos, Oussama Idrissi empatou o jogo. E no segundo tempo, aos sete minutos, o esloveno Albert Rusnák arrematou da entrada da área, para fazer 2 a 1, frustrar os donos da casa e manter o Groningen com boas chances de alcançar os play-offs por Liga Europa: o time foi à oitava colocação, última da região de classificação, um ponto acima do NEC - e enfrentará em casa o Heracles, já garantido na Nacompetitie pela competição continental.

Excelsior 2x2 Zwolle (domingo, 1º de maio)

Em busca de se garantir na zona da Nacompetitie por Liga Europa, o Zwolle procurou a vitória mais cedo do que o Excelsior, até mais desesperado (afinal, tenta escapar ponto por ponto da repescagem contra o rebaixamento, em disputa com o Willem II). Com a maior qualidade técnica que têm, os Zwollenaren começaram pressionando, com um cabeceio de Sheraldo Becker. Mais alguns minutos, e conseguiram o gol: aos 15 minutos, Lars Veldwijk recebeu a bola, livrou-se da marcação de Henrico Drost com um giro e chutou no canto oposto ao do goleiro Tom Muyters.

Somente no segundo tempo a busca do Excelsior pelo gol resolveu as coisas: aos 16 minutos, após confusão na área, Tom van Weert completou de calcanhar, empatando com um bonito gol. O jogo se acelerou aí, e o Zwolle contra-atacou com êxito: após cruzamento, Veldwijk ajeitou para Queensy Menig bater forte de fora da área e fazer 2 a 1. Ainda assim, os Kralingers pressionaram e empataram de novo: aos 35 minutos, de cabeça, Daan Bovenberg fez o gol salvador. Pelo menos até a próxima rodada, o time de Roterdã está fora da zona da Nacompetitie, um ponto acima do Willem II, derrotado pelo Feyenoord. Para garantir a permanência na elite em 2016/17, os Kralingers precisam vencer o já rebaixado Cambuur. Ao Zwolle, um empate contra o PSV em casa dá a vaga nos play-offs.

O mecenas Frits Schrouff comemora com os jogadores do Roda JC: virada e garantia na Eredivisie (ANP/Pro Shots)
NEC 1x2 Roda JC (domingo, 1º de maio)

Nem é o caso de dizer que o Roda JC estivesse seriamente ameaçado pelo rebaixamento. Mas seguro morreu de velho, e o desconfiado ainda está vivo. Portanto, uma vitória contra o NEC, fora de casa, era fundamental: afinal, eliminaria de vez qualquer perigo de queda ou repescagem contra ela. O começo do jogo em Nijmegen não deu muitas esperanças. Aos 25 minutos, Navarone Foor fez 1 a 0 contando com a sorte: o zagueiro Ard van Peppen tentou cortar cruzamento, chutou a bola em cima de Foor, e ela foi direto para as redes. Depois, aos 40, Christian Santos teve a chance de ampliar num pênalti, mas sua cobrança foi defendida pelo goleiro Benjamin van Leer.

E aí, o Roda JC se animou. A ponto de empatar, antes mesmo do intervalo: aos 45 minutos, Tom van Hyfte bateu de longe e fez bonito gol. Na etapa final, o ânimo não cessou: aos dois minutos, Rydell Poepon completou escanteio, de cabeça, e virou o jogo. Confirmada, a vitória que livrou definitivamente os Koempels foi celebrada pelo dono do clube, Frits Schrouff. Que deu a mostra da felicidade: "Eu disse a eles: 'rapazes, amanhã o dia é de folga para eles'". Fizeram por onde receber o prêmio, sem dúvida.