sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Guia do Campeonato Holandês - Parte III (o Trio de Ferro)

Chegou a hora. O mundo inteiro ansiava por este dia. Os atletas se prepararam com muita dedicação. E enfim, nesta sexta-feira, dia 5 de agosto, teve início a festa de abertura da 31ª edição dos Jogos Olímp... ops, desculpa! Tudo bem, os Jogos têm importância suficiente para merecerem atenção, mas aqui é espaço para falar de outra coisa que começa nesta sexta. Tudo bem, tem importância incomparavelmente menor do que os dias de competições no Rio, é um campeonato previsível, mas... às 15h, no estádio De Goffert, em Nijmegen, NEC e Zwolle empataram em 1 a 1, fazendo o primeiro jogo do Campeonato Holandês da temporada 2016/17, na 61ª edição de sua história.

E naquela que será a temporada comemorativa dos 60 anos da Eredivisie, não há muito mistério em relação aos favoritos à conquista da Eredivsieschaal, a salva de prata entregue ao campeão. Ou melhor, ao favorito: afinal de contas, pelos resultados na pré-temporada e pelo que aconteceu até agora na janela de transferências, dá para dizer que o PSV larga em boa posição para tentar o tricampeonato. Prova disso foi a atuação na Supercopa da Holanda, domingo passado: os Boeren dominaram o meio-campo no primeiro tempo, se deram até ao luxo de perder um pênalti, e ainda assim fizeram 1 a 0, com Davy Pröpper. Na etapa complementar, o Feyenoord melhorou, e até mereceu o empate. Ainda assim, foi insuficiente para evitar mais um título em Eindhoven: a 11ª conquista da Johan Cruyff Schaal, segunda consecutiva.

Se o Feyenoord viu que ainda precisa melhorar para alcançar o atual bicampeão nacional, o Ajax ganhou dois motivos para se animar. O primeiro, dentro de campo, foi a classificação até surpreendente aos play-offs por vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões, que deu tempo para que, pelo menos, o time se entrose com pressão um pouco menor rumo à fase inicial da liga holandesa e para os play-offs por vaga na fase de grupos da Champions, contra o promissor Rostov-RUS. O segundo motivo? Fica para o paragráfo do guia...

Enfim, sem maior perda de tempo, vamos à conclusão do guia da Eredivisie 2016/17, com as perspectivas do trio de grandes. Com o PSV destacado, em relação a Ajax (menos) e Feyenoord (mais).

Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Dirk Kuyt liderará um Feyenoord mais entrosado na busca do fim do jejum sem títulos na Eredivisie (Matty van Wijnbergen)
Feyenoord

Técnico: Giovanni van Bronckhorst
Destaque: Dirk Kuyt (atacante)
Fique de olho: Eric Botteghin (zagueiro), Tonny Trindade de Vilhena (meio-campista) e Steven Berghuis (atacante)
Temporada passada: 3º colocado
Copas europeias: Liga Europa (fase de grupos)
Objetivo: Título/vaga nas competições europeias
Principais chegadas: Brad Jones (G, NEC Nijmegen), Nicolai Jorgensen (A, Kobenhavn-DIN) e Steven Berghuis (A, Watford-ING)
Principais saídas: Calvin Verdonk (D, Zwolle), Lex Immers (M/A, Cardiff City-GAL), Anass Achahbar (A, Zwolle) e Jari Schuurman (A, Twente)

Depois de uma temporada irregular, a sensação é que o Feyenoord podia estar até pior. Bem ou mal, após a péssima sequência que impediu sonhar com um novo título da Eredivisie depois de 17 anos, o time de Roterdã se recompôs, reagiu e alcançou a terceira posição na liga. Mais: com o título da Copa da Holanda, primeira conquista depois de oito anos, o Stadionclub terá a chance de voltar à Liga Europa, na fase de grupos. E até terá direito à presença de torcedores nos jogos, mesmo depois da estupidez cometida por idiotas em Roma, nos jogos da segunda fase da Liga Europa em 2014/15.

E o técnico Giovanni van Bronckhorst terá à disposição um grupo de jogadores melhor entrosado. Na defesa, aparentemente, Eric Botteghin e Terence Kongolo ficarão estáveis no miolo de zaga; no meio, Vilhena chegou a cancelar negociações para renovar contrato e até anunciou que deixaria o Feyenoord, mas voltou atrás, renovou e tem tudo para ser o principal armador. No ataque, novamente não há segredos: líder da equipe, o capitão Kuyt tem presença certa, junto de Michiel Kramer e Eljero Elia.

Aliás, as poucas contratações que o clube fez foram promissoras. Se Kenneth Vermeer lesionou o tendão de Aquiles e não joga mais em 2016, foi uma aposta segura a contratação do goleiro australiano Brad Jones, experiente, de boa passagem pelo NEC. E trazer por empréstimo o atacante Steven Berghuis pode até dar mais espaço a ele, que se destacou nos amistosos recentes da seleção holandesa. Ressabiados, torcida e imprensa ainda acreditam menos no título. E o Feyenoord, de fato, ainda parece furos abaixo de Ajax e PSV – contra os de Eindhoven, na Supercopa da Holanda, Kuyt jogando no meio-campo mostrou-se um erro. Ainda assim, dá para pensar numa temporada mais regular e calma. Se não houver muitos pontos perdidos bobamente, quem sabe o sonho fica mais vivo...

Klaassen é visto pela torcida como o grande protagonista de um Ajax em reformulação (Maurice van Steen/VI Images)
Ajax

Técnico: Peter Bosz
Destaque: Davy Klaassen (meio-campista)
Fique de olho: Jaïro Riedewald (defensor, volante) e Mateo Cassierra (atacante)
Temporada passada: Vice-campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (disputando play-offs por vaga na fase de grupos)
Objetivo: Título
Principais chegadas: Danilho Doekhi (D, Excelsior), Davinson Sánchez (D, Atlético Nacional-COL), Heiko Westermann (D, Real Betis-ESP), [Sheraldo Becker (M, Zwolle)], [Lucas Andersen (M/A, Willem II)] e Mateo Cassierra (A, Deportivo Cali-COL)
Principais saídas: Ricardo van Rhijn (D, Club Brugge-BEL), Mike van der Hoorn (D, Swansea City-GAL), Leeroy Owusu (D, Excelsior), Django Warmerdam (D, Zwolle), Nicolai Boilesen (D, não renovou contrato), Queensy Menig (M, Zwolle), Lucas Andersen (M/A, Grasshopper-SUI), Viktor Fischer (A, Middlesbrough-ING), Zakaria El Azzouzi (A, Sparta Rotterdam) e Arkadiusz Milik (A, Napoli-ITA)

Há pouco tempo, a coluna comentou que seria interessante ver o Ajax nesta temporada. De fato, está sendo. Tanto pela maior variedade tática que o time de Amsterdã tenta mostrar sob Peter Bosz, quanto pela velocidade da montanha-russa que os Ajacieden já viveram, nem bem iniciada a temporada. Nos amistosos de pré-temporada, só uma vitória; no jogo de ida contra o PAOK, pela terceira fase preliminar da Liga dos Campeões, a novidade tática até foi elogiada (um 4-1-4-1, com Riedewald elogiado como volante), mas as falhas na defesa causaram um empate em Amsterdã: 1 a 1. Mais um golpe no ânimo da torcida, que esperava um vexame, como em 2015/16.

Desse desalento, as coisas mudaram um pouco. Não, o Ajax não jogou bem na volta, em Tessalônica, na quarta passada: sofreu o primeiro gol, e jogando num 3-5-2 pouco experimentado, com os laterais Kenny Tete e Mitchell Dijks avançando demais, os Amsterdammers sofreram muito com os contragolpes – principalmente com a lentidão do contratado Heiko Westermann, que estreava como titular. Porém, o PAOK não aproveitou as chances. O Ajax, sim. E de modo até dramático, com o gol de Davy Klaassen aos 43 minutos do segundo tempo, veio a vaga nos play-offs.

Tal cenário é imperfeito. Mas, pelo menos, dá mais tempo a Peter Bosz para trabalhar novas possibilidades táticas com o time que tem em mãos, mais os contratados: Davinson Sánchez, campeão da Libertadores com o Nacional de Medellín, poderá se entrosar com os companheiros – bem como Mateo Cassierra, outro colombiano, que já até foi útil contra o PAOK. Sem contar outra grande razão para otimismo: os 35 milhões de euros que o Napoli pagou ao Ajax pela contratação de Arkadiusz Milik. Valor inesperado (até porque Milik não mostrou valer tanto), mas muito bem vindo, que até oferece uma doce pergunta: gastar tudo num sonho possível, como Mario Balotelli parece ser, ou contratar mais para mais posições? Enfim, enquanto segue montando seu time, o Ajax já sabe: nem tudo está perdido. Ainda dá para fortalecer a equipe e tentar voltar a ganhar.

PSV já ganhou um título no começo desta temporada (a Supercopa). Espera terminá-la com outro (a Eredivisie) (ANP)
PSV

Técnico: Phillip Cocu
Destaque: Luuk de Jong (atacante)
Fique de olho: Jorrit Hendrix (meio-campista)
Temporada passada: Campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Objetivo: Título
Principais chegadas: Hidde Jurjus (G, De Graafschap), Daniel Schwaab (D, Stuttgart-ALE), Pablo Rosario (D/M, Almere City), [Rai Vloet (M, Cambuur)] e [Marcel Ritzmaier (M, NEC)].
Principais saídas: Jeffrey Bruma (D, Wolfsburg-ALE), Stijn Schaars (M, Heerenveen), [Marco van Ginkel (M, Chelsea-ING)] e [Maxime Lestienne (A, Al Arabi-QAT)]

Se o otimismo rumo à temporada já estava grande no PSV (dentro do possível para um time holandês, claro), a situação ficou até melhor nesta semana que passou. Afinal de contas, o título da Supercopa da Holanda mostrou o que já se supunha: a equipe de Eindhoven segue bem entrosada, e impõe seu nível técnico naturalmente em campo. Não impressionou a conquista da Johan Cruyff Schaal, muito menos impressionaria um bom começo no Campeonato Holandês. É fato: hoje, a equipe de Eindhoven caminha esperançosa, favorita destacada ao tricampeonato nacional.

De única mudança na equipe que conquistou o bicampeonato em 2015/16, só a saída de Bruma rumo ao Wolfsburg. Sem problemas: não só Nicolas Isimat-Mirin pode tranquilamente jogar ao lado do mexicano Héctor Moreno (aliás, já jogaram juntos na temporada passada), mas também foi providencial a contratação do zagueiro alemão Schwaab – que até jogou na Supercopa da Holanda. Mesmo se houver a esperada saída de Jetro Willems (disse ter propostas de Inglaterra e Espanha), Joshua Brenet também já está suficientemente experimentado na lateral esquerda que Willems ainda ocupa.

No meio-campo, além da presença experiente de Andrés Guardado, Jorrit Hendrix surpreendeu positivamente: volante marcador, após ficar fora do fim da temporada por uma lesão, Hendrix não só não perdeu um minuto dos jogos de pré-temporada, como também mostrou protagonismo contra o Feyenoord, na Supercopa da Holanda: constantemente avançou ao ataque – como continua fazendo Davy Pröpper, aliás. Na frente, o de sempre: Luciano Narsingh e Jürgen Locadia criam pelas pontas, enquanto cabe a Luuk de Jong fazer os gols esperados. Deu certo em 2015/16. Pelo visto, continua dando certo. O que dá a sensação de que o PSV pode continuar dominando o futebol holandês.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 05.08.2016. Atualizada)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Guia do Campeonato Holandês - Parte II (quem sonha com a Europa)

Já é reconhecida há muito tempo a fragilidade do futebol holandês. E as competições continentais têm sido o principal símbolo dela. Basta lembrar a questão dos coeficientes da UEFA: a Holanda pena no 10º lugar, correndo sérios riscos de perder a vaga direta na fase de grupos da Liga dos Campeões a partir da temporada 2018/19 (apenas os 12 primeiros do ranking têm vagas diretas nas chaves). Certo, os resultados dos jogos da terceira fase preliminar de Liga dos Campeões e Liga Europa trouxeram algum alívio: afinal, Ajax e AZ ajudaram ao eliminar dois times de um concorrente direto, a Grécia. Como se sabe, o Ajax superou o PAOK rumo aos play-offs da LC; e o AZ fez 2 a 1 no PAS Giannina, nesta quinta, avançando para tentar um lugar na fase de grupos da LE.

Ainda assim, não alivia. Porque tudo indica que alguns países seguirão à espreita, para aproveitarem as eliminações (previsíveis) dos holandeses: Turquia, Suíça e República Tcheca são exemplos. Além do mais, o nível técnico do Campeonato Holandês também não faz crer que Ajax e AZ cheguem às fases de grupos - e faz duvidar que o PSV repita o ótimo desempenho da temporada passada, quando quase fez frente ao futuro vice-campeão Atlético de Madrid. E o método de dar chances para conquistar vaga nas fases preliminares via play-offs também não tem agradado: afinal, o Heracles, classificado da temporada 2015/16, já caiu na Liga Europa, cedendo a vaga ao Arouca, de Portugal, após dois empates (1 a 1 em Almelo, 0 a 0 em Arouca). O mesmo tinha acontecido com o Vitesse, ganhador dos play-offs em 2014/15 e eliminado pelo Southampton-ING já na terceira fase preliminar da Liga Europa, na temporada passada. E com o Groningen, que teve um lugar na Liga Europa via play-offs da Eredivisie 2013/14 - e caiu para o Aberdeen-ESC já na segunda fase preliminar do torneio continental, na edição da temporada 2014/15...

Obviamente, tais derrotas prejudicam muito o coeficiente holandês. A ponto de membros importantes da imprensa holandesa dedicada a esportes já sugerirem o fim dos play-offs que a Eredivisie oferece por um lugar na Liga Europa (após fim da temporada regular, quarto lugar contra sétimo, sexto contra quinto, e os vencedores definem a vaga). Após ver a eliminação do Heracles, Willem Vissers, repórter e colunista do jornal De Volkskrant, colocou no Twitter: "Você ganha uma única chance para jogar um torneio europeu, e atua assim... parem com os play-offs, de alguma forma. Que os melhores após as 34 rodadas tenham a vaga nas fases preliminares da Liga Europa". Repórter do diário De Telegraaf, Mike Verweij fez uma enquete na mesma mídia social, indagando os seguidores sobre a opinião a respeito dos play-offs pelo lugar na Liga Europa. Até o momento em que estas linhas são escritas, 90% dos seguidores de Verweij são contrários.

De fato, a oposição faz sentido. Afinal, são clubes demais que ficam na zona do limbo da Eredivisie, e que podem chegar às competições continentais mesmo sem terem tanta qualidade técnica - por outro lado, deixando quase intocado o "trio de ferro" na disputa do título nacional. Até por isso, esta segunda parte do guia do Espreme a Laranja para o Campeonato Holandês 2016/17 traz nove clubes, ao invés dos seis habituais. Somente o decorrer da temporada ditará quais clubes escorregarão para as posições inferiores, quais ficarão no limbo, e quais sonharão com a Europa. Via play-offs...

Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Recuperado da arritmia cardíaca que o tirou da temporada passada, o atacante Oosterwijk certamente verá aumentada sua importância caso Ziyech deixe o Twente (Laurens Lindhout Fotografie/VI Images)
Twente

Técnico: René Hake
Destaque: Jari Oosterwijk (atacante)
Fique de olho: Enes Ünal (atacante)
Temporada passada: 13º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa/escapar do rebaixamento
Principais chegadas: [Stefan Thesker (D, Greuther Fürth-ALE)], [Kyle Ebecilio (M, ADO Den Haag)], [Shadrach Eghan (M, Stabaek-NOR)], Dylan Seys (A, Club Brugge-BEL), Yaw Yeboah (A, Manchester City-ING) e Enes Ünal (A, Manchester City-ING)
Principais saídas: [Bruno Uvini (D, Napoli-ITA)], Georgios Katsikas (D, não renovou contrato), Robbert Schilder (D, não renovou contrato), Felipe Gutiérrez (M, Real Betis-ESP), [Thomas Agyepong (A, Manchester City-ING)], [Oskar Zawada (A, Wolfsburg-ALE)], [Zakaria El Azzouzi (A, Ajax)] e Jerson Cabral (A, Bastia-FRA)

Por pouco, muito pouco, o clube de Enschede não deixou a divisão de elite para afundar rumo às divisões inferiores. Afinal de contas, graças à situação financeira aflitiva, os Tukkers poderiam ter cassada a licença profissional, tendo de recomeçar na Derde Divisie (a quarta divisão, amadora). E a federação holandesa já amenizara na punição definitiva: o Twente teria a licença “emprestada”, mas seria rebaixado à segunda divisão. A decisão desagradou demais, além de desorganizar o organograma para esta temporada. Mas, pelo menos, era uma punição aos malfeitos que a direção fizera no clube. Só que os comandantes interinos correram atrás... e, surpreendentemente, conseguiram revogar a punição. E assim a equipe confirmou a permanência na elite – já obtida em campo, é verdade.

Não bastasse toda a antipatia que o Twente hoje atrai no futebol holandês (afinal, precisou apelar para escapar da justa sanção e continuar na Eredivisie), o técnico René Hake terá de trabalhar quase “do zero”. Afinal, as dívidas forçaram o clube a se desfazer de quem pudesse render algum dinheiro. Gutiérrez e Cabral já deixaram o Grolsch Veste; e o destaque Hakim Ziyech certamente sairá assim que algum clube chegar com uma oferta entre 10 e 15 milhões de euros (palavras do diretor técnico Jan van Halst) - aliás, a boataria já mencionou interesse de muitos clubes pelo meio-campista marroquino. Quem estava emprestado, já voltou ao clube de origem. Pelo menos, o técnico René Hake conhece os novatos que o clube criou. Resta a ele pensar uma nova base a partir deles (como o atacante Jari Oosterwijk) e dos reforços (emprestados, como o atacante Enes Ünal, ou comprados, como o zagueiro Stefan Thesker). Não será fácil: o Twente faz pré-temporada medíocre, e viverá tempos de reconstrução. Ficar no meio da tabela já será grande coisa.

Com todos os protagonistas deixando o NEC, caberá a gente como o meio-campista Gregor Breinburg tentar evitar queda brusca (necnijmegen.nl)
NEC

Técnico: Peter Hyballa
Destaque: Gregor Breinburg (meio-campista)
Fique de olho: Mohamed Rayhi (atacante)
Temporada passada: 10º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Joris Delle (G, Lens-FRA), Robin Buwalda (D, ADO Den Haag), Dario Dumic (D, Brondby-DIN), Michael Heinloth (D, Paderborn-ALE), Stefan Mauk (M, Adelaide United-AUS), Quincy Owusu-Abeyie (A, sem clube) e Reagy Ofusu (A, Grösig-AUT)
Principais saídas: Hannes Thór Halldórsson (G, Randers-DIN), Brad Jones (G, Feyenoord), [Todd Kane (D, Chelsea-ING)], [Lucas Woudenberg (D, Feyenoord)], Abdul Bai Kamara (D, Sparta Rotterdam), Rens van Eijden (D, AZ), Navarone Foor (M, Vitesse), Marcel Appiah (M, não renovou contrato), Anthony Limbombe (A, Club Brugge-BEL) e Christian Santos (A, Alavés-ESP)

A temporada passada terminou com um indisfarçável tom de decepção para o NEC. Empurrado pelos gols de Christian Santos, a equipe de Nijmegen terminara o primeiro turno na zona de play-offs por vaga na Liga Europa. De quebra, atuar em De Goffert, o estádio do NEC, era algo temível: só os três grandes holandeses tiveram melhor desempenho do que o clube nas primeiras 17 rodadas da Eredivisie 2015/16. Mas veio o returno, e com ele, as crises: o técnico Ernest Faber perdeu-se na armação da defesa, Santos entrou em rota de colisão com a diretoria, a irregularidade cresceu nos resultados... e o time perdeu o lugar nos play-offs. O pior é que a preparação para a atual temporada mostra que a má fase pode ter uma sequência devastadora. 

Nas transferências, vários destaques deixaram o clube (Halldórsson, Brad Jones, Kane, Foor, Limbombe e Santos), e os que chegaram não passam de apostas – como o atacante ganense Quincy Owusu-Abeyie, 30 anos, uma Copa do Mundo e uma infinidade de clubes no currículo, mas que já não jogava desde fevereiro de 2015. O novo técnico, o alemão Peter Hyballa, também não se sobressaiu. De quebra, os amistosos de pré-temporada trouxeram derrotas na maioria – algumas dessas derrotas, até vexatórias, como um 5 a 1 para o Achilles’29 (segunda divisão holandesa). Espera-se que as coisas entrem nos eixos quando os jogos começarem para valer. Senão, ficará difícil acreditar no NEC.

Sam Larsson e Luciano Slagveer oferecem confiança no ataque do Heerenveen, dando esperança de uma temporada mais regular (ANP/Pro Shots)

Heerenveen

Técnico: Jurgen Streppel
Destaque: Sam Larsson (atacante)
Fique de olho: Luka Zahovic (atacante)
Temporada passada: 12º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Stijn Schaars (M, PSV), Jordy Bruijn (M, Ajax) e Reza “Gucci” Ghoochannejhad (A, Charlton Athletic-ING)
Principais saídas: Maarten de Fockert (G, VVV-Venlo) e Joey van den Berg (M, Reading-ING)

O clube da Frísia não deu muitas razões para orgulho com a temporada passada. Sofrendo com a crise que destituiu a diretoria antiga, o Fean começou com muitas derrotas, precisou trocar de técnico... e viveu a maior parte do campeonato de 2015/16 em clima de manutenção. Pelo menos, comandado interinamente pelo ícone Foppe de Haan, o time se organizou o suficiente para permanecer longe de zonas mais perigosas, garantindo um ambiente tranquilo para recomeçar nesta Eredivisie. De quebra, alguns jogadores ainda se destacaram, como o goleiro Erwin Mulder e o atacante Sam Larsson. Pelo menos neste começo, tudo leva a crer que o clube das camisas alviazuis com folhas vermelhas de lírio terá um ano bem mais regular. 

Primeiramente, porque o técnico escolhido para iniciar um novo trabalho pode dar certo, se receber tempo: Jurgen Streppel teve esse tempo no Willem II (com uma queda de divisão no meio!), e conseguiu devolvê-lo à elite, deixando saudades em Tilburg – isso, com a equipe precisando disputar a repescagem para escapar do rebaixamento! Depois, os reforços contratados realmente chegam para ser titulares. Que o digam o experiente volante Schaars, com passagem pela seleção holandesa (esteve no grupo vice-campeão mundial em 2010), que tem plenas condições de ocupar no meio-campo a lacuna deixada por Van den Berg. Ou o iraniano “Gucci” Ghoochannejhad, com a Copa de 2014 e experiências holandesas passadas no currículo, voltando ao país para ser mais uma opção de ataque. Além disso, o elenco não sofreu alterações substanciais na janela de transferências. E há talentos que podem, enfim, ter uma grande chance, como o esloveno Luka Zahovic, filho do ex-meia Zlatko Zahovic. Assim, se o Heerenveen é um clube “médio”, dá para esperar que, pelo menos em 2016/17, fique na metade superior da tabela, não na inferior.

Entre empréstimos e saídas, o meio-campista Nijland segue no Zwolle. E é um dos sustentáculos da sólida base tática da equipe (ANP/Pro Shots)
Zwolle

Técnico: Ron Jans
Destaque: Stefan Nijland (meio-campista)
Fique de olho: Anass Achahbar (atacante)
Temporada passada: 8º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Ted van de Pavert (D, De Graafschap), Django Warmerdam (D, Ajax), Calvin Verdonk (D, Feyenoord), Hachim Mastour (M, Milan-ITA), Queensy Menig (M, Ajax) e Anass Achahbar (A, Feyenoord)
Principais saídas: Boy de Jong (G, não renovou contrato), Bart van Hintum (D, Gaziantepspor-TUR), Thomas Lam (D/M, Nottingham Forest-ING), [Ouasim Bouy (M, Juventus-ITA)], [Sheraldo Becker (M, Ajax)] e Lars Veldwijk (A, Nottingham Forest-ING)

Há várias temporadas, acredita-se que o clube de Zwolle já terminou seu conto de fadas, e que é hora de viver a queda. Pois bem, se o apogeu já passou, os Zwollenaren também não caíram tanto assim. Após os históricos títulos de 2013/14 (Copa da Holanda) e 2014/15 (Supercopa da Holanda), havia a tarefa de tornar-se um time pequeno com resultados de time “médio”: isto é, ficar no meio da tabela, sonhando com lugar nos play-offs por vaga na Liga Europa. Tem sido exatamente o que aconteceu com a equipe. Além do mais, o técnico Ron Jans mostra habilidade para contornar as perdas e seguir fazendo uma base com tática sólida (4-2-3-1 com força na marcação).

Além do mais, essas perdas na janela de transferências ainda são poucas. Difícil de ser reposta com a mesma qualidade, só mesmo a saída de Lars Veldwijk, que retornou ao Nottingham Forest após empréstimo, deixando o grupo de jogadores sem um atacante que sirva para ser o principal finalizador na frente. De resto, os reforços mantêm o nível técnico do Zwolle semelhante ao que já era: Ted van de Pavert tem condições de emplacar na zaga, e Anass Achahbar terá no clube alviazul a oportunidade e a sequência de jogos que raramente teve no Feyenoord. Os empréstimos também indicam que o time virou um lugar receptivo para jovens de equipes maiores - vide os empréstimos da base do Ajax (Warmerdam e Menig), e até do Milan (Mastour). A pré-temporada foi mediana, mas é possível fazer outra vez uma campanha razoável e tranquila. Poder, o Zwolle pode.

Após fracassos em Inglaterra e Espanha, Van Wolfswinkel tenta reabilitar a carreira no Vitesse, onde começou (ANP/Pro Shots)
Vitesse

Técnico: Henk Fraser
Destaque: Valeri “Vako” Qazaishvili (atacante)
Fique de olho: Nathan (meio-campista) e Ricky van Wolfswinkel (atacante)
Temporada passada: 9º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Principais chegadas: Michael Tornes (G, Odense-DIN), Lewis Baker (M, Chelsea-ING), Nathan (M, Chelsea-ING), Navarone Foor (M, NEC), Abiola Dauda (A, Heart of Midlothian-ESC) e Ricky van Wolfswinkel (A, Norwich City-ING)
Principais saídas: Piet Velthuizen (Hapoel Haifa-ISR), Kevin Diks (D, Fiorentina-ITA), [Isaiah Brown (M, Chelsea-ING)], Renato Ibarra (M/A, América-MEX), Dennis Oliynyk (A, não renovou contrato) e [Dominic Solanke (A, Chelsea-ING)]

Entre os clubes que decepcionaram na temporada 2015/16 do Campeonato Holandês, talvez o Vitesse tenha sido o causador de maior desapontamento. No turno, era um time atraente e ofensivo, disputando ponto a ponto com o Heracles Almelo a quarta colocação – isto é, o honroso posto de “melhor do resto”. Na pausa de inverno, houve a saída repentina do técnico Peter Bosz. E o time da cidade de Arnhem fraquejou. A indefinição tática do substituto de Bosz, Rob Maas, irritou a torcida; A defesa ficou mais frágil, e o ataque perdeu a velocidade que tinha. Resultado: do sonho com a vaga direta na Liga Europa, o Vites caiu para a realidade dura de ficar fora até dos play-offs. Pelo menos, o recomeço parece fundamentado. Poucos nomes podiam ser melhores para se ter como técnico do que Henk Fraser: afinal, ele se notabilizou no ADO Den Haag exatamente por dar mais segurança à defesa, para dela formar uma base sólida de onze jogadores.

E mesmo com a saída de alguns titulares (Diks, Ibarra e Solanke são as mais sentidas), o grupo de jogadores ainda tem protagonistas capazes de dar coesão entre a ofensividade dos tempos de Bosz e os maiores cuidados de agora: o goleiro Eloy Room e o zagueiro Guram Kashia lideram a defesa, e cabe a Valeri Qazaishvili e Milot Rashica se responsabilizarem pela maioria das jogadas de ataque. A ligação do clube com o Chelsea ainda rendeu a renovação do empréstimo de Nathan e Lewis Baker, que ganham segunda chance após um começo apagado. Ainda há a volta de Ricky van Wolfswinkel, tentando reencontrar o bom futebol no clube onde começou a carreira, após grossa decepção em vários lugares. Enfim, depois da grande decepção, o Vitesse faz uma reformulação tentando preservar os êxitos. Quem sabe dê certo.

Rápido com a bola nos pés, o eslovaco Rusnák está consolidado como destaque do Groningen (ANP/Pro Shots)
Groningen

Técnico: Ernest Faber
Destaque: Albert Rusnák (meio-campista/atacante) e Jesper Drost (meio-campista)
Fique de olho: Tom van Weert (atacante)
Temporada passada: 7º colocado 
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Principais chegadas: [Tom Hiariej (D, Cambuur)], [Martijn van der Laan (D, Cambuur)], [Ruben Yttegaard Jensen (M, Kaiserslautern-ALE), [Yoëll van Nieff (M, Excelsior)], Tom van Weert (A, Excelsior) e Niccolò Pozzebon (A, Juventus-ITA)
Principais saídas: Lorenzo Burnet (D, Slovan Bratislava-ESQ), Rasmus Lindgren (D/M, BK Häcken-SUE) e Michael de Leeuw (A, Chicago Fire-EUA)

Por mais decepcionante que a temporada passada tenha sido para o time do norte holandês, foi possível encerrá-la com a aliviante sensação de que podia ter sido ainda pior. O recomeço no returno fora tão caótico que ali mesmo o técnico Erwin van de Looi anunciou que sairia ao final da temporada. Curiosamente, ali se acertaram as coisas: Van de Looi deixou de fazer tantas alterações nas escalações, os protagonistas se firmaram na equipe, e houve uma ascensão na parte final do Campeonato Holandês, permitindo alcançar os play-offs por um lugar na Liga Europa. Aí, veio uma grossa decepção: tendo vencido o jogo de ida por 2 a 1, os Groningers tinham o 1 a 0 e o lugar na decisão da vaga continental em mãos. Tomaram a virada no fim do tempo normal, e sofreram a goleada na prorrogação.  Ainda assim, o trauma foi minorado pela sensação de que o trabalho rumo a esta temporada vindoura já tinha começado. 

E tinha começado bem, com a contratação do técnico Ernest Faber, de trabalho razoável no NEC – e, antes, auxiliar de Phillip Cocu no título nacional do PSV em 2014/15. E as contratações também foram relativamente acertadas: se o destaque Michael de Leeuw deixou o Groningen, desgostoso com as vezes em que foi para o banco, foi contratado o razoável Tom van Weert, um dos únicos destaques do frágil Excelsior. Plenamente capaz de ser uma boa opção num ataque onde há tanto jogadores velozes (Rusnák, Mimoun Mahi, Jarchinio Antonia) quanto finalizadores (Bryan Linssen, Alexander Sorloth). Na marcação, a dupla de volantes formada por Simon Tibbling e Hedwiges Maduro já tem certo entrosamento, e o goleiro Sergio Padt se revelou confiável. Os resultados da pré-temporada têm sido bons, e é possível que o Groningen novamente alcance os play-offs pela Liga Europa. Desta vez, sem solavancos, espera-se.

Revelação na temporada passada, o promissor meio-campista Ramselaar terá de assumir protagonismo se Utrecht continuar perdendo jogadores importantes (ANP/Pro Shots)
Utrecht

Técnico: Erik ten Hag
Destaque: Nacer Barazite (meio-campista/atacante) e Sébastien Haller (atacante)
Fique de olho: Bart Ramselaar (meio-campista)
Temporada passada: 6º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Principais chegadas: [Kristoffer Peterson (A, Roda JC)]
Principais saídas: Filip Bednarek (G, De Graafschap), Christian Kum (D, Roda JC), Timo Letschert (D, Sassuolo-ITA), [Ruben Ligeon (M, Ajax)], Mark Diemers (M, De Graafschap), [Louis Nganioni (A, Lyon-FRA)] e Ruud Boymans (A, Al Shabab-UAE)

Na temporada passada, após um período de adaptação ao novo técnico e seu estilo tático, de mais bola no chão e troca de passes, o Utrecht viveu alguns períodos em que podia ser considerada a equipe mais agradável de ser vista no Campeonato Holandês, tendo em vista o critério técnico. E isso fez com que despontassem nos Utregs alguns jogadores promissores: o zagueiro Timo Letschert, o volante Bart Ramselaar... e principalmente o atacante Sébastien Haller, que se firmou em 2015/16 como um dos melhores de sua posição na Eredivisie, no momento. Decididamente, não foi à toa que o time do estádio Galgenwaard garantiu vaga nos play-offs pela Liga Europa. E a bem da verdade, a perda do lugar no torneio continental para o Heracles Almelo teve lá sua surpresa (embora tenha sido merecida, no fim das contas). Mas esse crescimento visto principalmente no returno está tendo seu preço: poucos clubes holandeses estão sendo tão atingidos na janela de transferências como o Utrecht. 

Boymans, experiente, era parceiro valioso para Haller no ataque, mas foi seduzido pelo dinheiro do Al Shabab emiratense; Christian Kum transferiu-se para o Roda JC sem que muito esforço fosse feito para segurá-lo; e o goleiro reserva Bednarek aproveitou bem suas chances na parte final da temporada anterior, após a lesão do titular Robbin Ruiter, para conseguir a chance de ser titular no De Graafschap. E não parou por aí: principal zagueiro, Letschert foi para o Sassuolo-ITA, enquanto Haller segue cobiçado, devendo sair assim que houver oferta polpuda e satisfatória. Com todas as perdas, restará a quem ficar (Ruiter, Mark van der Maarel, Yassin Ayoub, Willem Janssen, Nacer Barazite, Patrick Joosten) manter a técnica como característica principal, ajudando a manutenção do promissor trabalho de Erik ten Hag. Pelo menos, os resultados de pré-temporada são razoáveis: uma vitória sobre o Borussia Mönchengladbach aqui, um empate com o Espanyol ali... e assim se remonta a equipe.

Bel Hassani tem a tarefa de provar, junto dos companheiros de Heracles, que a ótima campanha da temporada passada não foi acaso (ANP/Pro Shots)
Heracles Almelo

Técnico: John Stegeman
Destaque: Iliass Bel Hassani (meio-campista)
Fique de olho: Brandley Kuwas e Jaroslav Navrátil (atacantes)
Temporada passada: 5º colocado
Copas europeias: Liga Europa (já eliminado na 3ª fase preliminar, pelo Arouca-POR)
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Principais chegadas: Robin Pröpper (D, De Graafschap), Sander Thomas (A, Zwolle), Daryl van Mieghem (A, Excelsior), Vincent Vermeij (A, De Graafschap) e Brandley Kuwas (A, Excelsior)
Principais saídas: Gino Bosz (D, Cambuur) e Wout Weghorst (A, AZ)

Pouco se esperava do Heracles na temporada passada, até pelo sufoco passado em 2014/15 para se livrar do rebaixamento. Até por isso, a equipe da cidade de Almelo protagonizou uma agradável surpresa. No primeiro turno, empurrada pela velocidade no ataque e pelo estilo de jogo insinuante de Iliass Bel Hassani e Oussama Tannane, os Heraclieden conseguiram até vencer o futuro bicampeão PSV. No returno, a saída de Tannane fez com que a equipe tivesse de se reorganizar ofensivamente. Conseguiu: com os gols de Wout Weghorst e Bel Hassani se destacando na armação das jogadas, o time alvinegro superou a irregularidade, conseguiu um lugar nos play-offs pela vaga na Liga Europa e coroou 2015/16 garantindo a primeira participação de sua história em torneios continentais.

Talvez seja demais pedir que isso seja repetido. Ainda assim, dá para esperar que os Almelöers façam uma Eredivisie relativamente tranquila. Se Wout Weghorst deixou o clube, o técnico John Stegeman tem agora duas opções para variar o estilo do ataque. Raro destaque no Excelsior, Brandley Kuwas deverá trazer mais velocidade pelas pontas, onde já estão Brahim Darri e Paul Gladon, enquanto Daryl van Mieghem e Vincent Vermeij disputarão o lugar no centro do ataque com o tcheco Navrátil. Na defesa, já entrosada e sem perdas na janela de transferências, vale a contratação de Robin Pröpper (irmão de Davy, meio-campo do PSV), que talvez possa despontar num time sem tanta fragilidade como o De Graafschap. Se Bel Hassani seguir no meio-campo, o time-base do Heracles ficará quase intacto. E assim talvez faça um papel razoável, mesmo sem surpresas.

Mesmo com a saída de Vincent Janssen, o AZ provou com a classificação na Liga Europa: segue bem, e tem condições de fazer ótimo papel na Eredivisie (az.nl)
AZ

Técnico: John van den Brom
Destaque: Markus Henriksen (meio-campista)
Fique de olho: Joris van Overeem (meio-campista) e Wout Weghorst (atacante)
Temporada passada: 4º colocado
Copas europeias: Liga Europa (classificado para os play-offs por vaga na fase de grupos)
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa/vaga direta na Liga Europa
Principais chegadas: Rens van Eijden (D, NEC), Mats Seuntjens (M, NAC Breda), Wout Weghorst (A, Heracles Almelo), [Guus Hupperts (A, Willem II)] e Fred Friday (A, Lillestrom-NOR)
Principais saídas: Thom Haye (M, Willem II), Jan Wuytens (M, rescindiu contrato), Celso Ortiz (M, Monterrey-MEX), Achille Vaarnold (A, não renovou contrato) e Vincent Janssen (A, Tottenham Hotspur-ING)

No turno da edição passada da Eredivisie, a decepção com o AZ foi tão grande quanto a empolgação que a mesma equipe trouxe no returno. Com praticamente o mesmo elenco, os Alkmaarders cresceram vertiginosamente de produção nas 17 rodadas finais. Talvez, graças a apenas três mudanças tão sutis quanto fundamentais: a volta de Ron Vlaar ao clube, deixando a zaga mais tranquila; a qualidade (pouco notada, até subestimada) do norueguês Markus Henriksen na criação de jogadas; e o estado de graça em que entrou Vincent Janssen, que entrou em 2016 com apenas seis gols marcados e chegou à metade do ano com 27 gols (e o título de goleador da Eredivisie), chances aproveitadas na seleção holandesa e uma oportunidade no Tottenham para provar se é mesmo uma esperança digna de apostas.

O AZ perdeu seu grande destaque na arrancada de 2015/16. Foi só, até agora. Foi só, e é tudo? Claro que não, como prova a classificação na Liga Europa. Certo, Thom Haye e Celso Ortiz eram até utilizados com certa frequência, e poderiam ter ficado, mas eram reservas, a princípio. Além do mais, mesmo com boatos ligando-o ao futebol italiano (principalmente ao Torino), Henriksen segue em Alkmaar. E John van den Brom tem à disposição vários jogadores para lhe ajudarem a manter o bom nível técnico. Na defesa, Vlaar segue como líder do elenco, e o lateral esquerdo Ridgeciano Haps pode subir; no meio, caso Henriksen saia, Joris van Overeem e Mats Seuntjens estão a postos; e mesmo que não seja um primor de técnica, Wout Weghorst tem tudo para seguir fazendo gols, como fazia no Heracles. Resta à equipe ter apenas mais constância desde o começo do campeonato. Porque, se não dá para brigar com o trio de ferro e sonhar com a repetição do título de 2008/09, o AZ pode, sim, repetir a boa dose da temporada anterior. Tem talento para isso.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 29 de julho de 2016. Atualizada)

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Guia do Campeonato Holandês - Parte I (quem quer escapar da queda)

A dois dias de começar, o Campeonato Holandês da temporada 2016/17 terá mais mudanças fora de campo do que dentro. Primeiro, a federação holandesa instituiu a regra de que as equipes terão 12 reservas no banco, ao invés dos cinco anteriores, para “desenvolver os jogadores mais jovens”. Na segunda passada, outra alteração: os times terão de padronizar seus gramados. Todos jogarão em campos com 105m de comprimento e 68 metros de largura – segundo o diretor técnico da KNVB, Jelle Goes, são medidas “mundialmente aceitáveis”.

Dentro do gramado, a indicação é de um cenário muito parecido com o de temporadas passadas (e, cá entre nós, de futuras). Relativamente inalterado em relação ao time que conquistou o bicampeonato em 2015/16, o PSV se destaca como favorito ao tri - até porque o Ajax indica que ainda precisa melhorar, mesmo classificado para os play-offs por vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões. O Feyenoord renova as esperanças de acabar com o jejum que já dura 17 anos, com uma equipe que teve algumas contratações - mas ainda precisa de ajustes, já que o esquema usado na decisão da Johan Cruijff Schaal, a Supercopa da Holanda, não agradou. Jogando como armador, Dirk Kuyt não conseguiu criar muitas jogadas. E o time de Roterdã acabou caindo para o PSV, que conquistou a Supercopa pela 11ª vez (segunda consecutiva), ao fazer 1 a 0, com Davy Pröpper. 

De resto, o AZ tentará provar que resistirá à saída de Vincent Janssen; entre os clubes médios, Heerenveen, Groningen, Vitesse e NEC tentarão reagir e superar o surpreendente Heracles. Mas o Espreme a Laranja começará o guia da temporada 2016/17, pelas seis equipes que apenas visam escapar da repescagem e/ou do rebaixamento. Segue, então, a primeira das três partes da apresentação da 61ª edição da história da Eredivisie (celebrando o aniversário de 60 anos).

Transmissões: os canais ESPN seguem exibindo as partidas (um jogo por final de semana - talvez nenhum, dependendo da grade), bem como o serviço on demand da emissora, o Watch ESPN (aí, sim, três jogos por fim de semana, dos três grandes).

Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Com seus gols, De Kogel ajudou o Go Ahead Eagles a se recuperar e voltar à primeira divisão (gaeagles.nl)
Go Ahead Eagles

Técnico: Hans de Koning
Destaque: Leon de Kogel (atacante)
Fique de olho: Teije ten Den (atacante)
Temporada passada: 5º colocado da segunda divisão (promovido na repescagem, ao superar o De Graafschap)
Copas europeias: nenhuma
Principais chegadas: Sander Fischer (D, Excelsior), Kevin Brands (M, NAC Breda), Joey Suk (M/A, NAC Breda), Sam Hendriks (A, Ajax) e Henrik Ojamaa (A, Wacker Innsbruck-AUT)
Principais saídas: Bart Vriends (D, Sparta Rotterdam), Jeffrey Rijsdijk (M, Almere City) e Nick de Bondt (A, De Treffers)

A volta rápida do clube de Deventer à primeira divisão do futebol holandês foi até surpreendente. Afinal, em fevereiro, o clube pelejava para se manter entre os clubes que iriam aos play-offs de acesso/descenso, e os resultados irregulares forçaram a demissão do técnico Dennis Demmers (que já estivera na campanha da queda na Eredivisie, em 2014/15). Após um tempo sob o comando de interinos, chegou o técnico Hans de Koning. Que aprumou o time suficientemente, a ponto de conseguir colocá-lo na Nacompetitie, disputando uma vaga de acesso. 

Seria difícil já no duelo da segunda fase, quando o Kowet encarou o VVV-Venlo. A vaga na decisão do acesso veio a duras penas, com um 2 a 2 fora de casa após vencer na ida, em seu estádio. Aí, ficou ainda mais difícil: o GAE tinha pela frente um esforçado De Graafschap, que conseguira a chance da salvação após parecer condenado na Eredivisie. Pois as “Águias” surpreenderam: fizeram 4 a 1 na ida, praticamente encaminhando a promoção à elite, após apenas um ano. E agora, mesmo perdendo um importante jogador no zagueiro Bart Vriends, conseguiram razoáveis contratações – principalmente com os meias Brands e Suk. Tendo superado o Excelsior num amistoso de pré-temporada, quem sabe o clube de nome simpático consiga ficar mais tempo.

Verhaar virou referência na equipe do Sparta Rotterdam. E assim deverá continuar (Pro Shots)
Sparta Rotterdam

Técnico: Alex Pastoor
Destaque: Thomas Verhaar (atacante)
Fique de olho: Ryan Sanusi (meio-campista) 
Temporada passada: Campeão da segunda divisão
Copas europeias: nenhuma
Principais chegadas: Bart Vriends (D, Go Ahead Eagles), Abdul Bai Kamara (D, NEC), Craig Goodwin (M, Adelaide United-AUS), David Mendes da Silva (M, sem clube) e Zakaria El Azzouzi (A, Ajax)
Principais saídas: Christian Supusepa (D, não renovou contrato), Huseyin Dogan (M, não renovou contrato), Giovanni Hiwat (A, Helmond Sport), [Sherjill MacDonald (A, Westerlo-BEL)] e Johan Voskamp (A, RKC Waalwijk)

É comum, na segunda divisão holandesa, haver uma equipe que se destaque a partir da metade do campeonato, para partir célere rumo ao título – e consequentemente, ao acesso direto à Eredivisie. Foi o caso do Sparta: desde 2010/11 fora da primeira divisão, enfim a equipe de Roterdã conseguiu um time bem focado e entrosado, que se sobressaiu quando precisava para garantir o título e o retorno, após cinco anos. E as perspectivas para a reestreia na primeira divisão são boas. Afinal de contas, a base da equipe promovida na temporada passada continua a mesma. 

Nenhum dos destaques deixou Het Kasteel, o estádio do Sparta. O atacante Thomas Verhaar, um dos goleadores da segunda divisão passada, segue vestindo a camisa dos Kasteelheren (“donos do castelo”) – assim como Loris Brogno, seu colega na frente, e os meio-campistas Ryan Sanusi e Paco van Moorsel, principais armadores das jogadas. As contratações de Bart Vriends (para a zaga) e do experiente David Mendes da Silva (para o meio-campo) só aumentam a boa sensação de que a marcação também se fortaleceu. De quebra, sob o 4-3-3 bem treinado por Alex Pastoor, o Sparta já teve bons resultados na pré-temporada, como o empate com o Groningen. Voltar à Eredivisie para ficar é algo possível, se o nível técnico se mostrar aceitável em campo.

O Willem II de Erik Falkenburg não teve razões para comemorar em 2015/16. Espera mais tranquilidade (Toin Damen/ANP)
Willem II

Técnico: Erwin van de Looi
Destaque: Erik Falkenburg (meio-campista)
Fique de olho: Bartholomew Ogbeche (atacante)
Temporada passada: 16º colocado, manteve-se na Eredivisie ao vencer o NAC Breda na Nacompetitie (repescagem)
Copas europeias: nenhuma 
Principais chegadas: [Matthijs Branderhorst (G, MVV Maastricht)], Thom Haye (M, AZ), Elmo Lieftink (M, Vitesse), Jari Schuurman (A, Feyenoord) e Fran Sol (A, Villarreal-ESP)
Principais saídas: Frank van der Struijk (D, não renovou contrato), Rochdi Achenteh (D/M, não renovou contrato), Robbie Haemhouts (M, NAC Breda), Robert Braber (M, Helmond Sport), [Guus Hupperts (M/A, AZ)], [Lucas Andersen (A, Ajax)], [Andy Kawaya (A, Anderlecht-BEL)], Nick van der Velden (A, Dundee United-ESC), Terell Ondaan (A, Excelsior) e Adam Nemec (A, não renovou contrato)

A rigor, o Willem II viveu uma temporada surpreendentemente decepcionante em 2015/16. Em tese, não era time para sofrer com a ameaça de rebaixamento. Mas não mostrou técnica razoável dentro de campo, além de sofrer com as atuações inseguras de alguns jogadores. E enfim, mesmo tendo um grupo de jogadores (um pouco, bem pouco) mais qualificado, teve de superar a repescagem, a duras penas, para se segurar na Eredivisie. Todavia, passou por problemas: perdeu vários jogadores de certa importância, como Lucas Andersen e Terell Ondaan, titulares no ataque. Ainda assim, os Tricolores parecem mais animados do que outros clubes da parte de baixo da tabela. 

Quando nada, porque o técnico Erwin van de Looi recebeu opções consideravelmente razoáveis para o nível técnico da Eredivisie – o volante Thom Haye, constante no AZ, é um bom exemplo. Além do mais, o melhor jogador do time, Falkenburg, segue no clube de Tilburg. E livre de lesões, o atacante nigeriano Bartholomew Ogbeche pode se consolidar como o goleador que falta. Para terminar, entre os resultados na pré-temporada, figura um inapelável 8 a 1 no De Graafschap, outro clube holandês que teve de encarar (sem sucesso) a repescagem. Um indício de que o Willem II pode muito bem evitar os sustos do campeonato passado, se o entrosamento não demorar.


Ryan Koolwijk volta ao Excelsior, para tentar liderar uma equipe que há muito tempo corre risco (sbvexcelsior.nl)
Excelsior

Técnico: Mitchell van der Gaag
Destaque: Ryan Koolwijk (meio-campista)
Fique de olho: Kevin Vermeulen (atacante)
Temporada passada: 15º colocado
Copas europeias: nenhuma
Principais chegadas: Jeffry Fortes (D, Dordrecht), Leeroy Owusu (D, Ajax), Ryan Koolwijk (M, Trencin-ESQ), Anouar Hadouir (M/A, Moghreb Tétouan-MAR), [Carlo de Reuver (A, Helmond Sport)], Terell Ondaan (A, Willem II) 
Principais saídas: Danilho Doekhi (D, Ajax), Daan Bovenberg (D, encerrou carreira), Sander Fischer (D, Go Ahead Eagles), [Yoëll van Nieff (D, Groningen)], Rick Kruys (M, encerrou carreira), Jeff Stans (M, NAC Breda), Adil Auassar (M, Roda JC), Tom van Weert (A, Groningen), Brandley Kuwas (A, Heracles Almelo) e Daryl van Mieghem (A, Heracles Almelo) 

O Excelsior já é ameaçado pelo rebaixamento há pelo menos duas temporadas – e ainda não aprendeu as lições necessárias numa situação assim. Basta dizer que, tanto no Campeonato Holandês passado quanto no retrasado, ficou em 15º lugar, apenas uma posição acima da zona de repescagem/rebaixamento. E seguia com uma defesa insegura, e um ataque excessivamente dependente de alguns jogadores – no caso da temporada passada, dependente de Brandley Kuwas e Tom van Weert.

Pois bem, agora não há mais como depender de ambos, que deixaram o clube. Assim como Stans e Auassar, que ainda tentavam ajudar no ataque, e o experiente Sander Fischer, na defesa. Resta ao técnico novo, Mitchell van der Gaag (substituindo Alfons “Fons” Groenendijk, dispensado ao fim da temporada), formar um time completamente novo. Alguns reforços até ajudam, como o razoável volante Koolwijk e o atacante Ondaan, bem no Willem II. Só que os resultados de pré-temporada fazem prever um ano difícil: já houve derrota até para o Go Ahead Eagles. Um susto foi pouco, dois já foram demais... o terceiro é a queda?

Em meio a menos e mais precisas contratações, Van Hyfte ganhou a chance de liderar meio-campo do Roda JC (Jeroen Putmans/VI Images)
Roda JC

Técnico: Yannis Anastasiou
Destaque: Tom van Hyfte (meio-campista)
Fique de olho: Mikhail Rosheuvel (atacante)
Temporada passada: 14º colocado
Copas europeias: nenhuma
Principais chegadas: Yves de Winter (G, Sint Truiden-BEL), Martin Milec (D, Standard Liège-BEL), Roel Brouwers (D, Borussia Mönchengladbach-ALE), Christian Kum (D, Utrecht), Abdul Ajagun (M, Panathinaikos-GRE),  [Jens van Son (M, Fortuna Sittard)], Nestoras Mytidis (A, AEK Larnaca-CHP), Dani Schahin (A, Mainz-ALE), Adil Auassar (A, Excelsior), [Mitchel Paulissen (A, VVV-Venlo)] e Mikhail Rosheuvel (A, Cambuur)
Principais saídas: Henk Dijkhuizen (D, não renovou contrato), Arjan Swinkels (D, Beerschot-BEL), Jordy Buijs (D, Pandurii-ROM), [Georgi Zhukov (M, Standard Liège-BEL)], Ugur Inceman (M, Eskisehirspor-TUR), Hicham Faik (M, não renovou contrato), Tomi Juric (A, Luzern-SUI), [Mike van Duinen (A, Fortuna Düsseldorf-ALE)], [Kristoffer Petersson (A, Utrecht)], Maecky Ngombo (A, Fortuna Düsseldorf-ALE) e Rydell Poepon (A, Boluspor-TUR)

Na temporada passada, o Roda JC só minorou o sufoco que passou quando fez contratações para todos os gostos na pausa de inverno, após péssimas atuações no primeiro turno. Algumas delas deram certo, principalmente no meio-campo (Marcos Gullón, Inceman) e no ataque (Van Duinen, Ngombo), e o clube da cidade de Kerkrade conseguiu manter-se na primeira divisão, mesmo sem brilho algum. E a diretoria reconheceu que o projeto para o campeonato fora desorganizado: tanto que demitiu o técnico Darije Kalezic, após discordâncias quanto ao rumo do futebol do clube. Assim, os Koempels chegam para 2016/17 tentando algo diferente. 

Várias das caras que chegaram para o returno e evitaram o rebaixamento na Eredivisie passada (Van Duinen, Ngombo, Juric, Faik, Poepon) já deixaram o clube. E as contratações, se foram em menor número, também parecem mais precisas: Christian Kum, Adil Auassar e Mikhail Rosheuvel têm nível técnico aceitável e chegam para ser titulares – bem como o defensor Roel Brouwers, que volta ao clube em que começou a carreira após nove anos no Borussia Mönchengladbach. Se tiverem sucesso no time aurinegro, e se o técnico Yannis Anastasiou desenvolver bem o trabalho, a temporada será mais sossegada do que as anteriores.

Mike Havenaar é o grande destaque. Mas Dennis van der Heijden merecerá atenção, na primeira temporada completa que fará pelo ADO Den Haag (ANP Pro Shots)
ADO Den Haag

Técnico: Zeljko Petrovic
Destaque: Mike Havenaar (atacante)
Fique de olho: Dennis van der Heijden (atacante)
Temporada passada: 11º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/vaga nos play-offs por Liga Europa
Principais chegadas: Ernestas Setkus (G, Sivasspor-TUR), Thomas Meissner (D, MSV Duisburg-ALE), José San Román (D, Huracán-ARG), Tom Trybull  (D/M, Greuther Fürth-ALE) e [Gervane Kastaneer (A, FC Eindhoven)]
Principais saídas: Martin Hansen (G, Ingolstadt-ALE), Gianni Zuiverloon (D, não renovou contrato), Robin Buwalda (D, NEC) Timothy Derijck (D/M, Zulte Waregem-BEL), Vito Wormgoor (D, não renovou contrato), [Kyle Ebecilio (M, Twente)] e Thomas Kristensen (M, Brisbane Roar-AUS)

Se o ADO Den Haag terminou a temporada passada num confortável 11º lugar – nada de se comemorar, mas tranquilamente distante da zona de repescagem/rebaixamento -, então, por que colocá-lo entre os clubes que têm como missão evitar as últimas posições da tabela? Apenas e tão somente porque o clube auriverde da cidade de Haia talvez enfrente algumas dificuldades de readaptação. Afinal de contas, algumas coisas mudaram. Mais motivado pelas melhores condições de trabalho, o técnico Henk Fraser se foi rumo ao Vitesse; na defesa, as perdas da janela de transferência foram o goleiro Martin Hansen (autor do marcante gol contra o PSV, na Eredivisie passada), o lateral direito Zuiverloon e o zagueiro Wormgoor. Todos titulares. Sem contar o cenário interno, com a desconfiança contínua sobre o chinês Hui Wang, dono do clube.

Agora, o técnico montenegrino Zeljko Petrovic terá de remontar parte do setor, com os reforços que chegaram, como o zagueiro argentino San Román e o goleiro lituano Setkus. Para facilitar seu trabalho, pelo menos, os destaques do Den Haag em 2015/16 seguem no clube. Tanto no meio-campo, com Danny Bakker cuidando da marcação e Mathias Gehrt armando as jogadas, quanto (e principalmente) no ataque, onde segue bem o trio formado por Édouard Duplan, Mike Havenaar e Ruben Schaken – sem contar o promissor Dennis van der Heijden, que acabou de jogar o Europeu sub-19 pela seleção. Caso a defesa acompanhe rápido o entrosamento já existente no meio e na frente, e o mecenas Hui Wang não desapareça novamente da vida do clube, o ADO Den Haag evitará tranquilamente o rebaixamento, de novo. E até poderá aspirar a coisas maiores.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 22.07.2016. Atualizada)

domingo, 17 de julho de 2016

Preparado para o que der e vier

Com vitórias na pré-temporada, PSV se apronta com tranquilidade (PSV Media)

Na semana passada, esta coluna comentava sobre as perspectivas de mudança no Ajax. Sob o comando do técnico Peter Bosz, com um elenco ainda sem grandes alterações, os Ajacieden tentam se tornar uma equipe que retome - de certo modo, até mantenha - a atratividade ofensiva, mas com maior segurança na defesa. Os resultados obtidos nos amistosos de pré-temporada, até agora, indicam necessidade de ainda mais treinos: uma derrota (4 a 3 para o Liefering, time da segunda divisão da Áustria, ainda durante os treinos na cidade austríaca de Mayrhofen) e um empate (2 a 2 com o AFC, clube amador da terceira divisão holandesa).

Pois bem, o PSV também sofreu poucas mudanças em seu elenco. Quase nada aconteceu ainda no elenco dos Boeren. E mesmo que acontecesse, o ambiente no atual bicampeão holandês esbanja tranquilidade. Até porque os resultados nas partidas de preparação têm sido positivos. Bem, nem todos: na sexta passada, houve uma derrota para o Queens Park Rangers (1 a 0), em jogo realizado com portões fechados – a prefeitura de Driel, cidade holandesa onde o PSV começou os treinamentos para a próxima temporada, temia por confrontos entre torcedores das duas equipes. Ainda assim, já houvera uma vitória anterior: 3 a 1, contra o VV Dongen, da quarta divisão holandesa. Na quarta passada, com a delegação do clube holandês já na Suíça, mais uma vitória: 2 a 1 sobre o Saint Etienne. E neste sábado, outro triunfo por 2 a 1, desta vez contra o Sion-SUI.

Por mais que resultados de pré-temporada signifiquem pouquíssima coisa, o fato de apenas Bruma ter deixado o clube até agora possibilita a Phillip Cocu trabalhar com vários jogadores que já conhece. E desde já, o trabalho tem sido duro e focado para a próxima temporada. A tal ponto que Andrés Guardado teve negada a esperada liberação para que fosse um dos três jogadores acima de 23 anos no grupo mexicano que disputará o torneio olímpico de futebol masculino no Rio de Janeiro. Embora não tenha jogado nenhuma partida amistosa, Guardado já voltou aos treinamentos, mesmo após lamentar à ESPN mexicana: “O PSV não me permitiu realizar meu sonho”.

Além do mais, Cocu não descarta do elenco nem mesmo jogadores cujas permanências são incertas para 2016/17: exemplos disso são o volante Stijn Schaars e o atacante Florian Jozefzoon, que estão treinando com o elenco, na cidade suíça de Verbier, sem saber se ficarão no clube (e dificilmente ficarão). De mais a mais, já são experimentadas opções na zaga para ocupar a vaga aberta pela saída de Jeffrey Bruma – a principal e mais previsível delas, Nicolas Isimat-Mirin, lesionou-se ainda nos primeiros treinos. 

Para a sorte do PSV, há vários defensores à espera de uma chance. Como o alemão Daniel Schwaab, reforço recém-chegado do Stuttgart. E principalmente, há dois jovens vindos da base: Jordy de Wijs, já no elenco desde 2015/16, e Menno Koch, que retornou do empréstimo ao NAC Breda. De Wijs e Koch são dois símbolos de uma pretensão pública da diretoria do clube: dar espaço maior a jogadores egressos da base no elenco principal. Assim como o atacante Steven Bergwijn: mesmo disputando com a seleção holandesa o Europeu sub-19, Bergwijn já renovou contrato com os Eindhovenaren até 2021.

Essa intenção de dar mais espaço à base foi expressa por Marcel Brands, diretor geral do clube, à revista Voetbal International: “Os garotos começam com um contrato pequeno. O segundo já é melhor. E quando assinamos o primeiro, eu já digo a eles: ‘Não se preocupem muito com o dinheiro, agora. Você consegue uma chance, se desenvolve, e se tudo der certo o dinheiro vem’. Foi o que aconteceu com gente como Memphis [Depay], Jürgen [Locadia] e Jorrit [Hendrix]”. Essa preparação da base, mais a capacidade que o PSV mostra para fazer contratações criteriosas e precisas, são a chave para aproveitar a ótima situação interna do clube.

Basta dizer que, atualmente, graças à ajuda do grupo de patrocinadores que auxilia a infraestrutura, há em caixa 30 milhões de euros – quantia invejável, para os padrões do futebol holandês. É isso que permite sonhar, por exemplo, com a manutenção do emprestado Marco van Ginkel, que deu muito certo no returno de 2015/16, mas já voltou ao Chelsea (e será observado por Antonio Conte antes da decisão sobre sua permanência em Stamford Bridge). Ou com a contratação do português Bruma, meio-campista do Galatasaray, caso Van Ginkel não volte. Sem contar que a boa situação financeira abre espaço até para contratações repentinas, mas acertadas. Foi o caso de Hidde Jurjus: destaque no rebaixado De Graafschap, o goleiro acertou sua ida para Eindhoven na sexta, após a lesão do terceiro goleiro, Luuk Koopmans. Ágil debaixo das traves, constante na seleção sub-21, Jurjus disputará a vaga de reserva imediato de Jeroen Zoet com o veterano Remko Pasveer.

O bom funcionamento do organograma do PSV também ajuda na preparação para as eventuais saídas. A bem da verdade, apenas uma alteração fundamental foi vista: a saída de outro Bruma – o zagueiro Jeffrey, que tomou o caminho do Wolfsburg por 13,5 milhões de euros. De resto, o elenco segue o mesmo. Ainda assim, há algumas perspectivas de saída. Mesmo que a probabilidade maior seja sua continuação no clube que reergueu sua carreira, Luuk de Jong já olha com carinho para uma volta a um maior centro europeu, como sinalizou seu agente, Louis Laros: “Sempre houve interesse nele, e não é diferente agora. Fala-se de tudo, mas não estamos em negociação. A única coisa concreta é o desejo do PSV em renovar o contrato dele”.

Quem também cogita a saída é Locadia, que deseja voltar a atuar na sua posição principal, dentro da área: “É algo a se pensar, estou ficando velho. Veja o exemplo de Vincent Janssen: num ano, ele conseguiu a chance de jogar como finalizador, e foi para um ótimo clube. Também é meu sonho”. E também há a preparação para Jetro Willems e Luciano Narsingh, outros dois que aspiram à saída: caso não se transfiram nesta janela de transferências, os contratos de ambos (que duram apenas um ano) serão renovados, até para reajustar a multa rescisória e dar mais dinheiro ao PSV caso venha a negociação esperada. No entanto, Willems já disse que abandonou as negociações com o Monaco, e aumentou a chance de ficar em De Herdgang, o centro de treinamentos do clube de Eindhoven.

Enfim, se o Ajax peleja na sua reformulação após um fim traumático de temporada, o PSV segue em céu de brigadeiro. Mesmo se mais perdas vierem, o clube parece preparado para supri-las. E parece preparado também para tentar exercer um domínio semelhante ao da década passada, quando foi tetracampeão entre 2004/05 e 2007/08. Algo bem possível, pelo que se vê.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 15 de julho de 2016)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Será curioso ver o Ajax

A cara de Peter Bosz mostra bem as dificuldades do Ajax na pré-temporada, para se reerguer do trauma (Soenar Chamid/VI Images)

Mesmo que conquistasse o título do Campeonato Holandês na temporada passada, o Ajax passava a impressão de estar prestes a sofrer uma profunda reformulação. Parecia um time “manjado”, sem alternativas de jogo que não fossem o 4-3-3 tradicional com que o técnico Frank de Boer comumente escalava a equipe Ajacied, com ênfase nas pontas. Era até notável, pelas performances apagadas nas competições continentais, como faltava ao time de Amsterdã a consistência tática que, por exemplo, o PSV exibiu de sobra.

Se o cenário pedia alteração mesmo em caso de título, a traumática perda da Eredivisie na última rodada tornou-a praticamente obrigatória. Foi até patético ver como os Amsterdammers se desmancharam, mental e taticamente, após tomar o inesperado gol de empate do De Graafschap, na última rodada; enquanto o PSV cumpria a tarefa e vencia o Zwolle, a pressão do Ajax se resumia a mandar bolas cruzadas para a área, esperando por um cabeceio salvador do zagueiro Mike van der Hoorn, saído do banco exatamente para isso. Ou de um lampejo individual de Anwar El Ghazi, também vindo dos reservas. 

Mas tudo fracassou, a Eredivisie terminou com o bicampeonato do PSV, e Frank de Boer demorou apenas alguns dias para anunciar sua saída do Ajax. E o traumático final rendeu críticas até de ex-comandados. Caso de Arkadiusz Milik: em junho, antes ainda de disputar a Eurocopa pela Polônia, ao diário De Telegraaf, o atacante criticou sua saída de campo contra o De Graafschap, para dar lugar a El Ghazi: "Após a alteração, eu quis ir direto para os vestiários, mas não podia deixar meus colegas na mão. Por que ele escolheu Van der Hoorn e El Ghazi? Não são atacantes de área. Eu realmente achava que podia ajudar minha equipe. Se daria certo, não sei. Mas, na minha cabeça, já me vi fazendo o gol da vitória contra o De Graafschap".

Desde então, a equipe de Amsterdã entrou num cenário misterioso. E até diferente de momentos passados. Não há muitas negociações em curso envolvendo membros do elenco, a saída dos destaques não é cogitada, nem mesmo há a expectativa real de vender revelações. Há até boatos: um interesse plantado sobre Anwar El Ghazi aqui, o fracassado interesse do Napoli em Davy Klaassen ali, havia expectativa sobre a saída de Milik acolá (o polonês ficará)... mas de real, por enquanto, nada.

O que só torna maior a curiosidade a respeito das perspectivas do trabalho que Peter Bosz terá para fazer em Amsterdã. Afinal de contas, no primeiro turno da temporada passada, Bosz fez do Vitesse um dos times mais agradáveis de se assistir no Campeonato Holandês. Partindo do 4-3-3, contava com a fluidez na troca de posições entre os jogadores para alterar constantemente o esquema (que era mais um 4-3-1-2, no fim das contas) e manter a defesa segura.

Para que se tenha uma ideia da boa fase: em matéria do site Catenaccio.nl, o Vitesse era apontado como o único time holandês da atualidade que jogava algo parecido com o Futebol Total – mais parecido, até, do que a seleção do país. Encurtar espaços? O Vitesse encurtava. Marcar por pressão? Também. Trocar posições? Sim, como escrito acima. Um homem no meio-campo como eixo da criação de jogadas? Confere. Tudo isso resultava numa boa campanha do clube de Arnhem – que desmoronou logo após a saída do técnico, ficando fora até dos play-offs por vaga na Liga Europa.

Até por esse estilo ofensivo, Bosz (ex-atacante, que esteve no elenco holandês que disputou a Euro 1992) recebeu a aposta do Maccabi Tel Aviv, que o contratou inesperadamente no início deste ano, na pausa de inverno que vivia o futebol holandês. Não houve sucesso: afinal, não só os Amarelos viram o tricampeonato israelense interrompido pelo título do Hapoel Be’er Sheva, como nem mesmo a Copa do Estado de Israel serviu de consolo – mais um vice-campeonato, com a derrota para o Maccabi Haifa.

Mesmo assim, o time ofereceu certos atrativos técnicos na rápida passagem de Bosz. Além do mais, o técnico era homem de confiança do diretor técnico do Maccabi Tel Aviv, que vem a ser um tal de Jordi Cruyff. Muito próximo ao filho de Johan (que até teve algumas conversas com Bosz e Jordi, enquanto pôde), foi fácil abrir caminhos no Ajax e reverter o peso de ter se destacado no arquirrival Feyenoord enquanto jogava. E foi ancorado na recomendação de um pesadíssimo sobrenome na história Ajacied que o treinador aproveitou a cláusula de liberação do Maccabi em caso de proposta vinda da Holanda, deixou a capital israelense e chegou à Amsterdam Arena.

E desde o começo, Bosz sabe o que precisa fazer. Aliás, falou isso em entrevista nesta semana, ao canal oficial de vídeos do Ajax: “Já me sinto em casa. Antes de mais nada, quero o título holandês, mas também o da Copa da Holanda, além de chegar o mais longe possível nas competições europeias”. Neste último ponto – em que o PSV mostrou que o futebol holandês não pode mais se conformar com eliminações na primeira fase -, Bosz ainda foi cauteloso: “Ainda dependemos do sorteio, só em 15 de julho saberemos contra quem jogaremos [na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões]”.

O mais curioso é que, de fato, com a chegada de Bosz, há a indicação de algumas mudanças. A primeira delas: ter a bola nos pés será item de primeira necessidade. Menos correria, mais sabedoria. Quando nada, porque Thulani Serero, volante veloz na marcação, já foi liberado para procurar outro clube. Ou então, porque Van der Hoorn, zagueiro que tem no porte físico sua grande qualidade (além do jogo aéreo, fracassado na traumática última rodada da Eredivisie passada), já tomou o caminho do Swansea – enquanto o Ajax espera a chegada de Davinson Sánchez, que segue titular na zaga do Nacional de Medellín (time que joga com ênfase na... posse de bola).

Aliás, as chegadas de Sánchez e de outro colombiano - Mateo Cassierra, atacante do Deportivo Cali – indicam que, além de olhar para sua sempre frutífera base, o Ajax deseja ver além de mercados europeus para reforçar o elenco. Talvez seja seguir o exemplo do PSV, de vitoriosas experiências em mercados alternativos. E talvez também se torne um hábito da nova fase no organograma do futebol do clube.

Após três anos “ganhando experiência” na direção de marketing, Edwin van der Sar chegou onde se pretendia que ele chegasse após a reestruturação interna, no início desta década: na direção geral do clube. Junto do colega de geração Marc Overmars (que segue como diretor de futebol, de contrato renovado após ser cogitado pelo Everton), caberá ao ex-goleiro conter as críticas que recebeu vez por outra, sobre um comportamento omisso e incompetente. E ambos terão um importante aliado em Dennis Bergkamp, que assumiu de vez seu caráter mais “intelectual” no futebol do clube: embora siga como auxiliar do treinador, deixará de ficar no banco de reservas (até porque não quer ser treinador) para trabalhar mais no planejamento da equipe.

E a equipe? Por enquanto, seguirá muito semelhante ao que foi em 2015/16. Klaassen segue como capitão, e deverá ter Nemanja Gudelj e Riechedly Bazoer novamente como parceiros. Levemente cogitado pelo Everton num certo momento, Jasper Cillessen segue indiscutível como goleiro titular. Voltando da Eurocopa, Milik até teve boas atuações defendendo a Polônia, mas não a ponto de ser cobiçado fervorosamente continente afora, e anunciou que ficará no Ajax. E definitivamente recuperados de suas lesões, Kenny Tete e Jaïro Riedewald são nomes certos na zaga titular.

Sem contar as promessas da base, sempre frutífera em se tratando de De Toekomst, a escola do clube. As apostas da vez são o zagueiro Matthijs de Ligt, capitão da seleção holandesa que disputou o Europeu sub-17, e dois jogadores já vistos na temporada passada, o meio-campista Donny van de Beek e o atacante Vaclav Cerny (Van de Beek sequer foi liberado para disputar o Europeu sub-19 pela seleção holandesa). Há ainda jovens que vieram de fora, como o atacante Kasper Dolberg, experimentado como titular por Bosz enquanto Milik jogava a Euro. E gente que receberá a enésima aposta, como Richairo Zivkovic, cujo comportamento o levou a ter vida curta no empréstimo ao Willem II.

Com os trabalhos de pré-temporada já transcorrendo na cidade austríaca de Mayrhofen, Bosz pede atenção total. A ponto de ter segurado Amin Younes, barrando a convocação do atacante alemão para o torneio olímpico de futebol masculino. Pelos resultados nos amistosos, ainda é necessário muito trabalho: uma derrota (4 a 3 para o Liefering, da segunda divisão austríaca, sábado passado) e um empate (2 a 2 com o AFC, clube amador de Amsterdã, na terceira divisão holandesa). E há a ansiedade sobre qual será o adversário reservado pelo sorteio da terceira fase preliminar da Liga dos Campeões. E a obrigação de tentar se recompor rapidamente a ponto de desafiar o PSV. Será curioso ver como o Ajax começará a temporada, em meio às desconfianças de sua capacidade.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 8 de julho de 2016)