domingo, 11 de setembro de 2016

810 minuten: como foi a 5ª rodada da Eredivisie

Mais um de Dirk Kuyt, imitando Pogba na comemoração. E mais uma vitória do líder Feyenoord (Jeroen Putmans/VI Images)

AZ 2x0 Willem II (sábado, 10 de setembro)

Assim como definira o triunfo contra o NEC, na rodada passada, o iraniano Alireza Jahanbakhsh colocou os Alkmaarders no caminho do triunfo contra o Willem II. E de que maneira: aos 19', após falha do zagueiro Darryl Lachman na saída de bola, a sobra ficou com Alireza, que ajeitou com a perna direita e bateu com a esquerda, forte, no alto do gol defendido por Kostas Lamprou. Um belo gol, mas que não foi tão decisivo quanto se supunha. Por causa de três fatores notados no resto da partida.

Primeiro, porque o Willem II foi até mais ofensivo depois de ficar em desvantagem - tanto que Erik Falkenburg quase empatou, mandando a bola na trave aos 37'. Depois, porque o próprio Alireza deixou o campo ainda antes do intervalo, com algumas dores, sendo substituído pelo trinitário Levi García. Finalmente, porque o AZ continuou jogando para o gasto durante o segundo tempo. Só com a entrada do reforço Iliass Bel Hassani, aos 68', é que o time da casa cresceu ofensivamente. Assim, nos acréscimos (90' + 1), García assegurou a vitória com o segundo gol. Segue o caminho promissor.

Zwolle 1x1 Utrecht (sábado, 10 de setembro)

Depois de somente um ponto ganho em quatro rodadas, parecia que o Zwolle enfim conseguiria sua primeira vitória nesta temporada. Com um gol conseguido em meio a uma polêmica, é verdade: aos 12', Kevin Conboy, lateral esquerdo do Utrecht, ficou no chão, reclamando de um golpe na cabeça. O juiz Siemen Mulder deixou a jogada seguir, e a bola sobrou para Kingsley Ehizibue tocar na saída do arqueiro Robbin Ruiter, marcando seu segundo gol neste campeonato - Ehizibue já marcara o único tento do clube na Eredivisie, no empate por 1 a 1 com o NEC, pela primeira rodada.

Depois, até que os Utregs tentaram mais o empate. Principalmente graças aos dois atacantes: Richairo Zivkovic quase marcou numa jogada, e Sébastien Haller (ele ficou!) cabeceou a bola em cima do goleiro Mickey van der Hart. Só que os Zwollenaren se seguravam ao longo do segundo tempo, garantindo o triunfo esperado... até os descontos do segundo tempo (90' + 2!), quando o lateral Giovanni Troupée foi derrubado na área por Calvin Verdonk. E o desastre se consumou: pênalti na área, Verdonk expulso, e Haller converteu a cobrança para sacramentar o 1 a 1. Que não resolveu a vida de nenhuma das duas equipes, ainda à espera do primeiro triunfo na Eredivisie. Para o Zwolle, doeu mais.

Ramselaar teve a sua chance e aproveitou: abriu o caminho na fácil goleada do PSV (Broer van den Boom/VI Images)

NEC 0x4 PSV (sábado, 10 de setembro)

Com Santiago Arias e Andrés Guardado voltando cansados de seus compromissos por Colômbia e México nas eliminatórias da Copa de 2018, Phillip Cocu fez mudanças na escalação do jogo em Nijmegen: colocou Joshua Brenet na lateral direita, e deu a Bart Ramselaar a estreia no meio-campo. Pois bem: o resultado provou como o elenco do time de Eindhoven se garante em qualidade, sem que os reservas deixem o nível cair. Porque foi justamente Ramselaar quem abriu caminho para a vitória, rapidamente: já aos 4', Luuk de Jong lançou em profundidade, deixando o meio-campo livre para marcar o primeiro gol de uma passagem que pode dar muitos frutos aos Boeren.

Melhor: altamente concentrado em campo, o time de Eindhoven definiu o jogo em 24 minutos. Aos 10', De Jong cruzou, e Davy Pröpper fez o corta-luz, deixando Gastón Pereiro sem marcação para ampliar a vantagem. Mais dez minutos, e Brenet também deixou o seu, de cabeça, completando cruzamento de Pereiro. Finalmente, aos 24, Pröpper deu mais uma assistência: deixou De Jong livre para completar os 4 a 0. Mais importante do que a goleada que mantém o PSV nas primeiras posições foi, segundo Luuk de Jong, manter-se "concentrado" no segundo tempo, mesmo com o placar garantido. Nada mal para manter um certo otimismo, às vésperas da estreia na Liga dos Campeões, contra o Atlético de Madrid.

Excelsior 3x1 Heracles Almelo (sábado, 10 de setembro)

Após a goleada sofrida para o Feyenoord, havia duas semanas, conseguiria o Excelsior se recompor para dar prosseguimento ao seu início elogiável no Campeonato Holandês? Apenas 22 minutos de jogo foram necessários para responder "sim". Antes mesmo do cronômetro marcar um minuto, os Kralingers já estavam com 1 a 0 no placar do estádio Woudestein: Nigel Hasselbaink fez a jogada, e ajeitou para o lateral direito Khalid Karami bater forte, mandando a bola às redes. Aos 19', Ryan Koolwijk fez 2 a 0 numa jogada parecida: o meio-campista Luigi Bruins deixou a bola, e Koolwijk chutou no ângulo. Finalmente, aos 22', um rápido contra-ataque, e o atacante angolano Fredy completou para o terceiro gol dos mandantes. Derrubado pelo início veloz do Excelsior, o Heracles só deu sinal de vida aos 66', com Vincent Vermeij marcando o gol de honra, aproveitando rebote. Passou em branco: a vitória já estava garantida para a equipe de Roterdã.

Heerenveen 3x1 Twente (sábado, 10 de setembro)

Só por ser a primeira partida após a saída de Hakim Ziyech, era de se esperar um certo ar de ressaca no Twente. O que aconteceu no estádio Abe Lenstra, em Heerenveen, só ampliou isso. Porque se a primeira boa chance de gol da partida veio pelos visitantes (Jari Oosterwijk chutou para fora, perto do gol), o Heerenveen já converteu a sua oportunidade em gol: aos 33', o lateral direito Stefano Marzo cruzou, e Reza "Gucci" Ghoochannejhad desviou na primeira trave, de cabeça, fazendo 1 a 0. Sam Larsson quase ampliou antes do fim do primeiro tempo, mas ficou nisso.

Pior: a história se repetiu na etapa complementar. O Twente quase empatou logo depois do intervalo, com o zagueiro Peet Bijen cabeceando para fora; e o Heerenveen aproveitou a jogada imediatamente seguinte para fazer 2 a 0, com Larsson chutando de primeira a bola vinda de novo cruzamento feito por Marzo, aos 66'. Os Tukkers tiveram uma compensação aos 78', com o meio-campista Bersant Celina (vindo no final da janela recém-encerrada) diminuindo o placar para 2 a 1, só que a expulsão do lateral direito Hidde ter Avest, no minuto final, dilapidou qualquer esperança de empate. O tiro de misericórdia foi dado pelo segundo gol de "Gucci", fazendo 3 a 1 aos 92', completando um jogo em que o Twente teve as chances, mas o Heerenveen fez os gols.

Feyenoord 3x1 ADO Den Haag (domingo, 11 de setembro)

Este domingo começou a semana mais marcante do Feyenoord em muito tempo. Na quinta, o Stadionclub receberá o Manchester United, na estreia de ambos pela Liga Europa; domingo que vem, o clássico contra o PSV, em Eindhoven, pela sexta rodada. Mas já neste 11 de setembro, havia um compromisso importante para o líder do Campeonato Holandês. Afinal, vencido o adversário citadino Excelsior, vinha aí o ADO Den Haag, que também não tinha derrotas na temporada (três vitórias, um empate). Pois a vitória do Feyenoord - quinta em cinco rodadas, configurando o único clube a ter 100% nesta Eredivisie - foi até mais fácil do que se vira contra o Excelsior.

No começo do jogo, o que mais marcou foi um simpaticíssimo gesto: a torcida visitante jogou bonecos de pelúcia para as crianças vindas do Sophia Kinderziekenhuis, hospital infantil de Roterdã, que assistiam ao jogo. Voltando a ele: os gols até demoraram. Mas quando vieram, em um minuto os Feyenoorders já tinham 2 a 0 no placar. Aos 33', Jens Toornstra cruzou para a área, e Dirk Kuyt completou; o goleiro Ernestas Setkus ainda rebateu, mas a sobra ficou com o próprio Kuyt, que deixou nas redes - e comemorou imitando Paul Pogba (segundo o próprio Kuyt disse à FOX Sports holandesa, para agradar ao filho aniversariante, fã do meio-campo francês). Mais 71 segundos, e veio o segundo do time treinado por Giovanni van Bronckhorst. De novo, com uma assistência de Toornstra: após driblar o volante Tom Trybull, o camisa 28 lançou Nicolai Jorgensen. Mesmo impedido, a jogada seguiu, e o atacante dinamarquês tocou para as redes.

Na etapa complementar, o Den Haag tentou contragolpear, com a entrada de Mike Havenaar (adoentado, o japonês começara no banco). Ainda assim, a pressão do time de Haia nem surtiu muito efeito, e um gol de honra só veio aos 86': vindo do banco de reservas, Ludcinio Marengo completou um cruzamento, Brad Jones rebateu, e o próprio Marengo bateu de primeira para fazer o gol. Sem problemas: nos acréscimos (90' + 4), Karim El Ahmadi fez o terceiro do Feyenoord. A semana começou muito bem em De Kuip. Como terminará?

Groningen 1x1 Sparta Rotterdam (domingo, 11 de setembro)

O Groningen começara a temporada esperando repetir a regularidade vista na parte final de 2015/16, quando conseguiu superar maus momentos e tentar uma vaga na Liga Europa, via play-offs. Por enquanto, só decepções: antes desta quinta rodada, ainda não vencera. Até por isso, tentou o ataque desde o começo do jogo no Noordlease Stadion. Já nos primeiros minutos, Bryan Linssen teve uma oportunidade de gol, e o zagueiro Samir Memisevic cabeceou a bola na trave. Finalmente, aos 11', o merecido tento dos Groningers: falha do Sparta ao rebater um escanteio, e Mimoun Mahi tocou para o 1 a 0. Que não durou por muito tempo: em rápido contragolpe aos 18', Zakaria El Azzouzi saiu livre na cara do goleiro Sergio Padt para dar o empate aos Spartanen.

Pelo resto do jogo, Groningen e Sparta criaram chances e mais chances pela vitória. Ainda no primeiro tempo, Memisevic desviou na primeira trave, exigindo ótima defesa do goleiro dos visitantes, Roy Kortsmit, no reflexo; pelo Sparta, Loris Brogno cabeceou à queima-roupa exigindo intervenção rápida de Padt, e uma falta cobrada pelo meio-campista Ryan Sanusi foi na trave. Na etapa final, veio a grande oportunidade para os Kasteelheren virarem o jogo: de novo um contra-ataque, e de novo El Azzouzi saiu livre para o arremate. Encobriu o goleiro, mas antes que a bola entrasse, Hans Hateboer tirou em cima da linha. E o placar ficou mesmo no 1 a 1, deixando gosto amargo na torcida anfitriã.

Go Ahead Eagles 2x0 Roda JC (domingo, 11 de setembro)

Jogando novamente em casa, o Go Ahead Eagles novamente teve um pênalti para tentar encaminhar sua primeira vitória no campeonato - como já tivera contra o Ajax. Aliás, um pênalti discutido: aos 25', em jogada aérea, o galês Simon Church tocou com a mão na bola, e o juiz Ed Janssen apontou seguro para a marca da cal, mesmo sob protestos dos jogadores do Roda JC. Como Leon de Kogel perdera a cobrança na rodada passada, abrindo caminho para o triunfo do Ajax, desta vez o batedor foi Kevin Brands. E o meio-campista aproveitou: bola nas redes do goleiro Benjamin van Leer, e 1 a 0 para os aurirrubros em Deventer.

No resto da partida, até pela baixa qualidade técnica das duas equipes, as emoções foram poucas. A bem da verdade, voltaram só no final: aos 89', Darren Maatsen definiu a vitória dos mandantes, aproveitando o tiro de meta cobrado pelo goleiro Theo Zwarthoed para dominar a bola e bater de fora da área. Comemoração para o GAE, com seu primeiro triunfo, que o afastou mais da zona de repescagem/rebaixamento. Exatamente onde segue o Roda JC, ainda somente com empates (três) e derrotas (duas) no Campeonato Holandês.

Ziyech já foi elogiável na estreia pelo Ajax: cruzou para o gol de Viergever, que definiu o jogo (ANP/Pro Shots)

Ajax 1x0 Vitesse (domingo, 11 de setembro)

Por mais que o técnico Peter Bosz houvesse alertado que o reforço Hakim Ziyech ainda precisava se acostumar ao estilo de jogo do Ajax, não havia como prescindir do meio-campista marroquino. E lá foi ele, escalado entre os titulares para o jogo na Amsterdam Arena - com o camaronês André Onana ainda como titular, já que Tim Krul termina a recuperação de grave lesão no joelho. Desde o princípio, o Ajax mandou em casa contra o Vitesse. Nos primeiros dez minutos, duas chances (uma em chute de Nemanja Gudelj, aos 5'; outra, em arremate de Amin Younes, aos 7') exigiram boas defesas do goleiro Eloy Room. Depois, aos 16', após o juiz Richard Liesveld marcar tiro livre indireto na área após recuo irregular a Room, Gudelj teve a chance, mas chutou muito por cima do gol.

Ou seja: ofensivamente, o Ajax pressionava os visitantes. E a defesa estava tranquila contra um inapetente ataque do Vites. Só faltava o gol, que estava demorando. Afinal, aos 55', ele veio. E quem ajudou nele? Justamente o personagem de quem todos esperavam: Ziyech. Foi dele a cobrança de falta que mandou a bola para a área, onde o zagueiro Nick Viergever cabeceou forte, fazendo o gol decisivo. Aos 67', levantando demais o pé na canela de Joel Veltman, o zagueiro Arnold Kruiswijk foi expulso e deixou o Vitesse com dez. A vitória dos Ajacieden estava garantida - e podia até ter sido ampliada aos 89', quando Anwar El Ghazi (substituto de Younes) tocou para fora. Mesmo assim, serviu para o time de Amsterdã manter-se perto dos líderes: com dez pontos, está junto de ADO Den Haag e AZ na tabela. E valeu também pela razoável estreia de Ziyech.



sábado, 10 de setembro de 2016

Mercado razoável

Ziyech (de frente) foi bem recebido pelo Ajax (Louis van de Vuurst/Ajax.nl)

Por mais que esteja distante dos bilhões circulando nas transferências envolvendo clubes do Campeonato Inglês (e por Espanha, França, Itália e Alemanha), o Campeonato Holandês notou que também não tem valor tão baixo assim. Pelo menos, foi o que revelou a janela de transferências recém-encerrada. De acordo com dados oficiais da Fifa, via sistema de registro da entidade, fora as supracitadas ligas – mais a segunda divisão inglesa, em sexto lugar -, a Eredivisie apareceu na tabela de renda obtida com vendas de atletas: com 150 jogadores negociados, pingaram 128,1 milhões de dólares, somados, nos cofres dos 18 clubes da primeira divisão holandesa.

Contribuíram para isso os altos números gastos em gente como Arkadiusz Milik - com bônus, 34 milhões de euros (repita-se, a maior transferência da história do Ajax); Jasper Cillessen, com 13 milhões de euros gastos nele pelo Barcelona; e Vincent Janssen, que só foi para o Tottenham quando este deixou 22,1 milhões na mesa do AZ. Assim, esse dinheiro colaborou para o cenário que os clubes têm em vista para o resto da Eredivisie, a partir da 5ª rodada a ser disputada neste fim de semana. Quem busca o título – ou, pelo menos, competições continentais -, poderá sonhar com isso: ficou com um grupo de jogadores cuja qualidade é elogiável, para os padrões do futebol holandês.

Até mesmo o Ajax, amuado por mais um vexame passado nas fases preliminares da Liga dos Campeões, parece mais otimista. Nem tanto pelo resultado da 4ª rodada (3 a 0 no Go Ahead Eagles), mas principalmente por ter gasto dinheiro generoso, enfim, num reforço respeitável. Que nem era previsto: aparentemente, os Ajacieden contentar-se-iam com o empréstimo de Tim Krul para o gol, a vinda do veterano Heiko Westermann para a zaga e as apostas em Davinson Sánchez (também defesa), Mateo Cassierra e Kasper Dolberg (estes, para o ataque). Até por isso, o clube de Amsterdã anunciara que não tentaria mais contratar Hakim Ziyech.

Nada como um dia após o outro. Bastaram duas coisas para mudar de ideia: cair sem pena nem glória para o Rostov-RUS nos play-offs da Liga dos Campeões, e ver Ziyech despedir-se do Twente com mais uma prova do tamanho da importância que teve pelo clube de Enschede nas últimas temporadas (dois gols nos 3 a 1 dos Tukkers sobre Sparta Rotterdam). A decisão foi tomada: o Ajax voltou com tudo para tentar trazer o meio-campista do Twente.

E mesmo com uma ofensiva de última hora do Swansea, Ziyech tomou o caminho da Amsterdam Arena, por 11 milhões de euros. Não entrará de imediato: o técnico Peter Bosz alertou que “primeiro ele precisa saber de cor e salteado o nosso estilo de jogo”. Mas assim que o fizer, certamente o agora camisa 22 do Ajax promete dar boa ajuda a Davy Klaassen na criação das jogadas. Se der certo, é homem para ser titular absoluto.

Siem de Jong chega a um PSV já bastante entrosado - enfim, com o irmão Luuk como companheiro (Joep Leenen/ANP)

Se a contratação de Ziyech turbinou mais as expectativas do Ajax, antes abúlico, no Campeonato Holandês, o PSV confia na manutenção do grupo de jogadores como seu principal trunfo. Havia muito tempo, um clube campeão holandês – no caso, bicampeão – não passava relativamente incólume pelo mercado de transferências. Pois bem: de perdas, o time de Eindhoven só contabilizou a venda de Jeffrey Bruma ao Wolfsburg. Cogitavam-se as vendas de Jetro Willems e Luciano Narsingh, mas eles ficarão, no mínimo, mais seis meses em De Herdgang, o centro de treinamentos do clube.

Como se não bastasse, houve a útil contratação de Siem de Jong, mais uma opção de ataque, emprestado pelo Newcastle - enfim, atuará junto do irmão Luuk de Jong num clube. Aliás, além de Luuk, ainda seguem à disposição de Phillip Cocu Santiago Arias, Jorrit Hendrix, Davy Pröpper, Andrés Guardado, Jürgen Locadia, Gastón Pereiro... não só o tricampeonato é uma possibilidade das mais plausíveis, tamanho o entrosamento, como dá para pensar em campanha digna no grupo D da Liga dos Campeões – e quem sabe, em algo a mais na Liga Europa. Talvez, o atual dono da Eredivisie só não imponha mais seu favoritismo pelo tropeço na rodada passada: em casa, com um jogador a mais em campo desde os 32 minutos do 1º tempo, pênalti perdido e tudo o mais, os Boeren empataram sem gols com o Groningen. Assim, só um clube ficou com aproveitamento total (quatro jogos, quatro vitórias) no Campeonato Holandês.

Justamente o terceiro time do tripé de grandes holandeses: o Feyenoord. Que também pode comemorar a janela de transferências. Não só manteve no grupo a única perda potencial que parecia previsível (Tonny Vilhena chegara até a anunciar que deixaria o clube, mas renovou por mais um ano), mas já tinha trazido reforços que estão sendo muito úteis ao time. Para repor a lacuna aberta pela lesão que afastou Kenneth Vermeer do gol, veio o australiano Brad Jones, que ficou 296 minutos sem sofrer gols nas quatro primeiras rodadas; o dinamarquês Nicolai Jorgensen foi aposta certa no meio do ataque, empurrando Michiel Kramer para a reserva; e se Eljero Elia lesionou o ombro, Steven Berghuis foi prontamente trazido por empréstimo do Watford-ING para ser sombra de Elia e manter o ritmo que o torna titular da seleção. Com um time regular, “só” falta o clube de Roterdã vencer a desconfiança (justa) sobre o mau hábito de morrer na praia.

Merece destaque ainda o AZ. Se perdeu na janela de transferências quem esperava perder (além de Janssen, deixou Alkmaar o meio-campista Markus Henriksen, rumo ao Hull City), o quarto colocado da temporada passada foi certeiro, enfraquecendo justamente o Heracles Almelo, o outro clube pequeno/médio holandês que se destacara na Eredivisie passada. Para o lugar de Janssen, chegou o atacante Wout Weghorst; e repondo a vaga aberta pela saída de Henriksen, veio de Almelo o meio-campista Iliass Bel Hassani. Dois jogadores que têm tudo para entrarem bem na equipe já montada e entrosada, com fase de grupos da Liga Europa à frente.

Enfim, por mais que o nível técnico siga nivelado por baixo e por menores que sejam os valores, o Campeonato Holandês tem o que comemorar nesta janela de transferências. Agora, cabe aos times comprovarem as expectativas.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 9 de setembro de 2016)

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Meio vazio. Para ficar meio cheio

Sneijder ao resgate: ele apareceu para dar um ponto à Holanda nas eliminatórias (ANP)

Dependendo do ponto de vista, convencionou-se falar que um copo pode estar "meio cheio" ou "meio vazio": otimistas prefeririam ver a primeira alternativa, ao passo que os pessimistas sempre veriam o vazio da situação. Foi exatamente essa a sensação mista que tomou conta de torcida e imprensa holandesas, após o empate por 1 a 1 da Laranja contra a Suécia, em Solna, na estreia de ambas as seleções pelo grupo A das eliminatórias europeias da Copa de 2018. 

Justo. Afinal de contas, por mais que o ataque da Oranje tenha criado até mais chances do que se viu no amistoso contra a Grécia (e já tinha sido promissor então), as falhas de posicionamento tático na defesa seguem como a principal dor de cabeça que o técnico Danny Blind tem a resolver. O primeiro tempo foi prova disso: a mudança que Blind pai fez no meio-campo deu certo. Feito titular, Davy Klaassen apareceu bem na armação das jogadas - e até avançando ao ataque. E jogando pela esquerda do trio de ataque, Wesley Sneijder atuou até melhor do que no amistoso da quinta passada: novamente, o capitão da Oranje teve velocidade na troca de passes.

Assim, durante a maior parte dos primeiros 45 minutos de jogo no Estádio da Amizade, os visitantes laranjas pressionaram mais a equipe da casa. Começando aos 6', com Klaassen, que recebeu ótimo passe de Kevin Strootman em profundidade e chutou em cima do goleiro Robin Olsen, dos grandes destaques da partida. Olsen apareceu novamente com destaque depois, aos 16', quando Klaassen cabeceou para sua defesa. Enfim, ficou claro que o meio-campista do Ajax aparecia com bem mais frequência e velocidade do que Georginio Wijnaldum - discreto no jogo.

Porém, era só a Suécia pegar na bola para que a velha lentidão holandesa na recomposição defensiva aparecesse. Começou a acontecer na parte final do primeiro tempo. E bastou uma falha, aos 42', para o castigo deixar a nu a velha fragilidade: rápido ataque sueco - em que houve reclamação de que Jeffrey Bruma pusera a mão na bola -, Strootman falhou no domínio, e Virgil van Dijk estava fora de lugar, perdendo a sobra. Valeu a esperteza de Marcus Berg para roubar a bola do volante holandês, e mais ainda a sua capacidade de encobrir o goleiro Jeroen Zoet para fazer 1 a 0. Era injusto? Até era. Mas a Holanda também não tinha muito do que reclamar.

E o segundo tempo fazia crer que o mesmo cenário do amigável de Eindhoven seria visto: bolas aéreas a granel - a primeira delas, Van Dijk cabeceou em cima de Robin Olsen aos 52' -, troca de passes infrutíferos para vencer o compacto 4-4-2 sueco pensado pelo técnico estreante Janne Andersson, uma alteração precoce que parecia desesperada - Bas Dost no lugar de Wijnaldum, mandando a equipe para um 4-4-2 com dois avantes altos... até que coube a Sneijder sair novamente ao resgate, como já fez tantas vezes com a Oranje. Aos 67', aproveitando rebote de Olsen em chute de Daryl Janmaat - boa jogada individual -, o meio-campista marcou seu 30º gol pela seleção (sétimo maior goleador no histórico, empatado com Robben), em sua 123ª partida (sete atrás do recordista Edwin van der Sar). E novamente, mostrou porque ainda não se pode prescindir dele...

O gol de Sneijder devolveu o otimismo à Laranja. Que começou, enfim, a transformar a posse de bola maior em chances, como havia algum tempo não acontecia. Mesmo que a Suécia tenha ido ao ataque, com a entrada do atacante Emir Kujovic, as chances eram laranjas. Fossem em bolas aéreas (como num cabeceio de Quincy Promes aos 71'), fossem em chutes de longe (como Sneijder tentou aos 75'), enfim voltava a superioridade vista no início da partida em Solna. Que quase foi premiada de um modo delicioso: nos acréscimos, Dost chegou a mandar a bola para as redes de cabeça, mas o juiz italiano Daniele Orsato anulou o gol, julgando (compreensivelmente) que o camisa 22 deslocara o zagueiro Victor Lindelöf na jogada.

Tal anticlímax influiu nas declarações lamuriosas dos jogadores ao deixarem o campo. Perguntado se estava feliz pelo ponto conseguido contra um adversário provavelmente direto na disputa por uma vaga, Sneijder negou: "Feliz? Eu queria era mais do que um ponto. Ao ver como jogamos, só um time merecia a vitória, e éramos nós. Deveríamos ter vencido, mesmo com o gol injustamente anulado". Danny Blind também reclamou da decisão do juiz à NOS, emissora holandesa: "O juiz ficou no meio do nosso caminho". A verdade é que as palavras mais sensatas vieram de Strootman, também à NOS, reconhecendo a falha no gol de Marcus Berg: "Foi um erro inacreditável de minha parte. A culpa é minha por termos perdido dois pontos aqui. Não posso falar de outras falhas, a minha já é suficiente".

Por tudo isso, dá para supor que a Holanda viu o empate como um copo "meio vazio" - Vincent Janssen descreveu: "Parece que saímos daqui sem ponto algum". Ainda assim, com falhas defensivas e tudo, podia ter sido bem pior para a seleção holandesa. Até porque a França, equipe considerada favorita, também tem do que se queixar, graças ao surpreendente empate sem gols com Belarus. Diante das desconfianças que a Oranje causa atualmente, talvez seja melhor ver o copo meio vazio. Só assim virá o foco para as correções técnicas e táticas que podem fazê-lo ficar meio cheio.

Ficha do jogo

Eliminatórias para a Copa de 2018 - Europa
Suécia 1x1 Holanda
Data: 6 de setembro de 2016
Local: Estádio da Amizade (Friends Arena), em Solna
Juiz: Daniele Orsato (Itália)
Gols: Marcus Berg, aos 42'; Wesley Sneijder, aos 67'

Suécia
Robin Olsen; Mikael Lustig, Victor Lindelöf, Andreas Granqvist e Oscar Wendt; Marcus Rohdén (Emir Kujovic, aos 76'), Alexander Fransson, Oscar Hiljemark e Emil Forsberg; John Guidetti (Christoffer Nyman, aos 64') e Marcus Berg (Jimmy Durmaz, aos 87'). Técnico: Janne Andersson

Holanda
Jeroen Zoet; Daryl Janmaat, Jeffrey Bruma, Virgil van Dijk e Daley Blind; Georginio Wijnaldum (Bas Dost, aos 66'), Kevin Strootman e Davy Klaassen; Quincy Promes (Steven Berghuis, aos 78'), Vincent Janssen e Wesley Sneijder. Técnico: Danny Blind

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Continue a jogar

Equipe feminina do Twente foi um bálsamo para o clube em 2015/16: campeã da Eredivisie (fctwente.nl)

A ausência no torneio olímpico de futebol feminino é um caso daqueles clássicos em que se fica pensando no "e se...". Afinal de contas, por um gol as Leoas Laranjas perderam a chance de viajarem ao Rio de Janeiro, no quadrangular europeu disputado em março. Os devaneios sobre as perspectivas só aumentam quando vem a lembrança de que a Suécia, dona da vaga, hoje se gaba honrosamente de ter a medalha de prata no peito. Além do mais, estar nos Jogos Olímpicos aumentaria a sensação já presente de que, na Holanda, o futebol feminino tem alguma perspectiva, por menos popularidade que tenha.

Prova dessa perspectiva é a segunda temporada seguida de independência da Eredivisie Vrouwen, a versão feminina do Campeonato Holandês, iniciada nesta sexta. Com a presença de um clube a mais (o amador Achilles '29 agora tem uma equipe de mulheres), o regulamento também foi mudado: ao invés do formato de liga visto em 2015/16, em que sete times se enfrentavam em 24 rodadas - cada time enfrentou seus concorrentes por quatro vezes -, agora cada um dos oito participantes enfrentará seus competidores por três vezes, totalizando 21 rodadas. Terminadas elas, os quatro melhores da tabela farão um quadrangular final para definir o campeão holandês de futebol feminino.

Talvez isso seja melhor para o Ajax. Se o clube de Amsterdã já viveu um final traumático na Eredivisie masculina, perdendo o título na rodada derradeira, as coisas não foram melhores na versão feminina: as Ajacieden lideravam até a penúltima rodada, quando tinham um confronto direto contra o Twente. Eis que a equipe de Enschede aprontou: fez 1 a 0, e igualou sua pontuação, mas tendo um maior saldo de gols. E ambos venceram os compromissos na última rodada, mas a vantagem gigante das Tukkers no critério mencionado de desempate (+58 contra +35) deu a elas a salva de prata para comemorar o título. 

Um título que merece aplausos. Afinal de contas, com a aflitiva situação que lhe deixou ameaçadíssimo de ser punido com o rebaixamento no futebol masculino, o Twente teve de tirar investimentos de onde podia e não podia. Porém, ao contrário do que se pensa, quem sofreu com isso primeiro foram os times juvenis - até porque a equipe B (Jong Twente) desistiu de disputar a Eerste Divisie (segunda divisão masculina). A direção confiou na equipe feminina, que respondeu com a conquista da Eredivisie Vrouwen.

Além de representar um bálsamo num ano dificílimo da história do clube vermelho, as jogadoras também deram outra pista para notar como o futebol feminino holandês vive certa evolução, aos trancos e barrancos. Dois dos maiores destaques da equipe treinada por Arjan Veurink representam uma mudança de geração, até em termos de seleção holandesa. Desde 2005 defendendo a Laranja, possivelmente a melhor jogadora holandesa na histórica participação pela Copa do Mundo de 2015, a meio-campista Kirsten van de Ven capitaneou o Twente na campanha premiada - e anunciou o fim da carreira profissional logo depois, aos 31 anos. Sem problemas: principal goleadora da Eredivisie feminina em 2015/16, com 20 gols, a atacante Jill Roord (19 anos) também esteve na Copa, e é esperança certa para a Oranje treinada por Arjan van der Laan.

Oranje feminina não conseguiu chegar aos Jogos Olímpicos. Mas otimismo segue (KNVB Media)

Pois é: uma nova geração vai assumindo o lugar das veteranas, que param de jogar aos poucos, até por terem outra carreira para lhes prover o que o futebol feminino ainda não rende, financeiramente. No caso do Twente, Van de Ven (que chegou até a jogar um torneio amistoso internacional pela seleção, no Brasil, em dezembro de 2010) e Roord simbolizam essa transição. Pelo Ajax, também parou a zagueira Petra Hogewoning, antiga capitã da Oranje, destaque na primeira aparição importante da seleção holandesa (a semifinal na Eurocopa feminina de 2009). Sem problemas: o Ajax também revelou a meio-campista Tessel Middag, já titular da seleção, e agora atuando pelo Manchester City.

Mesmo nas figuras mais midiáticas da seleção, essa transição é clara: se a admirada volante Anouk Hoogendijk já se direciona para o fim da carreira, já pede passagem a sucessora Sherida Spitse. Se Manon Melis, maior goleadora da seleção feminina (55 gols, entre 2005 e 2016), já se retirou das convocações para a Laranja, Vivianne Miedema vai crescendo para enfim se tornar a protagonista de fato - já o é de direito, apenas aos 20 anos, já atuando pelo time feminino do Bayern Munique. 

Aliás, o fato de Miedema atuar no futebol alemão também exibe certa integração da Holanda com centros mais avançados no futebol feminino. Seja na própria Alemanha; seja na Suécia, onde joga a meio-campista Lieke Martens, colega de Marta no Rosengard; seja na ascendente Premier League, onde estão a supracitada Middag, a goleira titular Sari van Veenendaal (Arsenal) e a atacante Shanice van de Sanden (Liverpool). Paralelamente, aos poucos chegam jogadoras espanholas e inglesas para a Eredivisie feminina.

Definitivamente, não é à toa que, mesmo ainda em crescimento, sem atrair muito interesse, a Holanda cresce. Neste setembro, enfrentará os Estados Unidos (dia 18, em amistoso na Geórgia). Ganhou uma posição no ranking da FIFA (12º). Atual campeão, o Twente já garantiu vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões feminina. Tudo isso deixa a Holanda esperando que seu futebol feminino desponte em 2017, ao sediar a Eurocopa das mulheres. Quem sabe uma boa campanha torne mais fácil para que as holandesas continuem a jogar, alcançando Alemanha, França, Inglaterra...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Falta (e falha) atrás

Janssen (nº 9) foi promissor no ataque. Mas a defesa de Zoet e Bruma (último à direita) falhou. E a Holanda decepcionou (Koen van Weel/ANP)

Já se disse aqui que a seleção holandesa - cuja renovação está quase completa - tem, sim, jogadores de alguma qualidade, que podem levar a Laranja à Copa do Mundo de 2018. As vitórias contra Polônia e Áustria, em amistosos, indicavam uma tímida evolução, o nascimento de um esboço de time. O começo do amistoso desta quinta, em Eindhoven, contra a Grécia, também mostrava algumas razões para esperança, principalmente no setor de ataque. Mas... a defesa pôs tudo a perder, com suas desatenções - também cometidas pelo meio-campo, é justo dizer. Por elas, aconteceu a derrota por 2 a 1, tão desalentadora que parece ter colocado tudo de volta à estaca zero na Oranje.

O pior é que os primeiros minutos de jogo no Philips Stadion (após cinco anos distante da cidade do PSV) indicavam mais uma atuação promissora. Claro, a Grécia jogava como a maioria das pessoas esperava que ela jogasse: um 4-5-1 extremamente compactado, com Kostas Mitroglou isolado na frente, tentando encurtar os espaços. Só que os jogadores holandeses conseguiram vencer a fechada equipe helênica treinada pelo alemão Michael Skibbe, graças a algo que já se via aos poucos: uma troca mais rápida de passes no ataque. E essa aceleração na posse de bola também fazia crescer o desempenho de alguns jogadores. 

Vincent Janssen dava razões para otimismo: não só servia de referência na frente, mas também voltava para fazer jogadas com os meio-campistas. Por sinal, no meio, Georginio Wijnaldum assumia papel importante de liderança técnica: criava jogadas, e até avançava para finalizar - mais do que Wesley Sneijder, que apenas ajudava com rapidez no toque. Enquanto isso, Kevin Strootman cuidava da proteção à defesa com a eficiência e a dedicação que todos esperam (e a seleção precisa) dele. Sem contar as pontas, onde Steven Berghuis e - principalmente - Quincy Promes ajudavam Janssen. Por tudo isso, a Holanda começou melhor. Merecia as chances criadas, como chutes de Sneijder (aos 8', em chute travado defendido pelo goleiro Orestis Karnezis) e Wijnaldum (aos 13', de longe). E mereceu, enfim, o primeiro gol, aos 14': o zagueiro Stelios Manolas saiu mal e entregou a bola nos pés de Berghuis. Este deu a Janssen, que driblou outro defensor na linha de fundo, cruzou na pequena área, e a bola bateu em Wijnaldum, autor "sem querer" do 1 a 0.

Era o cenário perfeito: com o gol sofrido, a compactação da Grécia estava ferida. Os visitantes estavam forçados a avançar. Porém, aí também se abriu algum espaço no meio-campo, com Strootman sobrecarregado. De quebra, a linha de quatro marcadores já dava mostras de uma temerária e excessiva falha de posicionamento: algumas inversões gregas de jogo deixavam os atacantes livres. Na primeira chance da "Ethniki" (a seleção grega), aos 21, Kostas Fortounis arrematou de fora da área, e forçou Jeroen Zoet a fazer boa defesa, em mais uma chance recebida como titular da Laranja. Na segunda, aos 29', as falhas não tiveram perdão: passe errado de Sneijder, Fortounis dominou e inverteu com Vassilis Torosidis. O capitão grego cruzou, Joël Veltman - escalado como lateral direito - falhou ao não seguir Mitroglou, e o atacante ficou livre para empatar, de cabeça. Mais uma falha de Veltman... e também de Jeffrey Bruma, que não se antecipou na zaga.

A partir daí, o jogo ficou moroso demais em grande parte do tempo. E isso continuou no segundo tempo, até pelas quatro alterações que a Grécia fez - três delas já no intervalo, uma por lesão (Fortounis teve dores no tornozelo aos 55', e deu lugar a Giannis Gianniotas). Aos poucos, Danny Blind também foi mudando o time, com alterações duplas - entraram Davy Pröpper e Jorrit Hendrix, depois Luciano Narsingh e Davy Klaassen. E parecia que a partida caminhava para um empate. Já seria decepcionante, mas pelo menos a defesa holandesa ia se mantendo. Além do mais, dava para testar alguns jogadores que começaram bem a temporada, como o estreante Hendrix, que poderia usar na Oranje o entrosamento que esbanja com Pröpper no PSV.

A situação atual da Oranje merece o olhar duro de Van Basten, ainda auxiliar - e das reclamações de Danny Blind (Photo News)

Isso, até os 74'. Porque mais uma desatenção rendeu o gol da vitória para a Grécia: quando o meio-campo e ataque ainda se reagrupavam após as entradas de Klaassen e Narsingh, dois minutos antes, Jeffrey Bruma tentou dar um carrinho para trás contra um grego. Falha decisiva: com a defesa holandesa desguarnecida, Mitroglou ficou livre com a bola. Chegou à área, chutou cruzado, Zoet também falhou (rebateu para o meio da área), e Gianniotas confirmou a virada no placar. Mais uma derrota. Para a Grécia, lanterna de seu grupo nas eliminatórias da Euro 2016, com derrotas para Ilhas Faroe e Luxemburgo. O quinto revés da Laranja sob o comando de Danny Blind, em onze partidas - o quarto SEGUIDO em terras holandesas. 

Nada bom. E pior ainda quando se nota que o técnico holandês apela para outros modos táticos mais no desespero do que como algo pensado - algo comprovado com a entrada de Bas Dost em lugar de Jetro Willems, aos 80', configurando um 3-4-3 estranho e improvisado. A torcida puniu com as justas vaias ao final do jogo, e Sneijder reconheceu as falhas à SBS6, emissora holandesa de tevê: "Após fazermos 1 a 0, devíamos ter matado o jogo. Perdemos essa chance. Nós demos espaço. Dar os gols de presente como demos, neste nível, é inaceitável". A Zoet, restou lamentar, também à SBS6: "Poderia ter sido um bom dia para mim".

Pelo menos, foram mais lúcidos do que Daley Blind, que sugeriu: "Precisamos confiar no que mostramos durante o primeiro tempo. Sim, este jogo foi uma decepção. Mas se perdermos agora e ganharmos da Suécia, todo mundo fica feliz de novo". Eis o problema: com tanta desatenção defensiva, dá para pensar que a Holanda terá dificuldades até contra uma equipe sueca desfalcada definitivamente de várias estrelas. Na frente, até há perspectivas, de fato. Mas falta confiança (e sobram falhas) atrás.