sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ajax é favorito ao título. Mas PSV é o melhor time

Unido, o Ajax foi mais pragmático na temporada. E está perto do título holandês (Olaf Kraak/ANP)

Este final de semana poderia ser o mais empolgante do futebol holandês de clubes em muito tempo. Desde 2010/11 não se via duas equipes disputando o título do Campeonato Holandês ponto a ponto até a última rodada. Sem contar que é inevitável lembrar a incrível rodada derradeira da temporada 2006/07 da Eredivisie, quando AZ, PSV e Ajax chegaram iguais em pontuação: enquanto os Alkmaarders eram derrotados pelo Excelsior (3 a 2), os rivais de Amsterdã e Eindhoven brigaram gol a gol durante suas partidas, para aumentarem o saldo – até que o PSV, com 5 a 1 no Vitesse, superou o Ajax no critério (50 a 49) e comemorou o terceiro título do tetracampeonato ganho entre 2005 e 2008.

Enfim, poderia ser um final de semana daqueles em que come-se, dorme-se, respira-se futebol na Holanda. Mas não será. Porque, embora Ajax e PSV estejam novamente iguais em pontos, como há nove anos (81), a vantagem dos Ajacieden no saldo de gols é bem mais confortável do que na temporada lembrada acima. Enquanto, antes da última rodada de 2006/07, o time da estação Strandsvliet tinha apenas um gol à frente no saldo (47 a 46), agora a vantagem está em seguros seis gols (60 de saldo, contra 54 dos Eindhovenaren). 

Além do mais, os adversários dos dois contendentes pela Eredivisieschaal oferecem cenários diferentes para as partidas do próximo domingo, ambas fora de casa. Os Boeren terão pela frente um Zwolle que ainda tem coisas a buscar: qualquer ponto pode representar aos Dedos Azuis a garantia de vaga nos play-offs por um lugar na Liga Europa. Já o Ajax enfrenta um De Graafschap que já está com o destino sacramentado: ficará na penúltima posição, e terá a chance de manter-se na elite via play-offs de acesso/descenso. 

Com um adversário mais relaxado, é bem plausível supor que os Godenzonen são mais favoritos à vitória, e que será dificílimo para o PSV conseguir uma goleada por sete gols de diferença sem que o rival marque contra o De Graafschap. Isto é: em condições normais, o esperado é que o Ajax receba a salva de prata no gramado do estádio De Vijverberg, na cidade de Doetinchem, usando o novo uniforme de visitante para a próxima temporada, e comemore assim o 34º título holandês de sua história. No estádio e em Amsterdã, já que a festa da vitória está marcada ainda para o domingo, num terreno próximo à Amsterdam Arena - ali, haverá nova cerimônia de entrega da taça, pelas mãos do ex-jogador Dick Schoenaker.

Será justo, pela melhora que a equipe de Amsterdã viveu nesta reta final de temporada. Se até a metade do campeonato, apenas Davy Klaassen e Riechedly Bazoer brilhavam, as ascensões vertiginosas de Arkadiusz “Arek” Milik e Amin Younes ajudaram demais os Amsterdammers. Klaassen continuou justificando plenamente o fato de ter a braçadeira de capitão e a camisa 10: continua direcionando as jogadas, liderando o time, criando a maioria dos ataques. E se fosse necessário, Bazoer chegava como “elemento-surpresa”, arriscando chutes de fora da área.

Mas a finalização andava capengando. Não anda mais. Com 12 gols marcados nos últimos dez jogos da Eredivisie, “Arek” Milik parece, enfim, cumprir as expectativas que justificaram a compra junto ao Bayer Leverkusen: pode-se dizer, até, que o desempenho crescente levou o polonês a converter-se em reserva imediato de Robert Lewandowski na seleção de seu país. De quebra, se antes parecia meio inconstante e até improdutivo na esquerda, agora Amin Younes aprendeu a usar o drible na hora certa. Some-se isso à velocidade e à capacidade de finalização naturais do alemão de ascendência libanesa, e o que se tem é um atacante que ajuda o time em horas difíceis. Como na 33ª e penúltima rodada: Younes teve duas assistências e um belo gol para converter um tenso 1 a 0 contra o Twente numa goleada por 4 a 0, no fim do jogo.

Sem contar que a eliminação vexaminosa na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões (e a atuação bem apagada na Liga Europa) ensinaram algumas coisas a Frank de Boer na proteção à defesa. Nas duas últimas rodadas, ele não pestanejou em sacar o ofensivo Bazoer, começando os jogos contra Heerenveen e Twente com o marcador incansável que é Thulani Serero. O que protegia mais a defesa, improvisada que estava com as ausências de Kenny Tete e Jaïro Riedewald: se não esbanjam talento, Mike van der Hoorn e Nick Viergever cumpriram seus papéis no miolo de zaga, enquanto Mitchell Dijks foi outro a crescer de produção, na lateral esquerda. Joël Veltman também não traz muitos problemas pela direita, e Jasper Cillessen é habitualmente seguro no gol.

Enfim, o Ajax que deverá ser campeão holandês é mais pragmático. Ainda assim, sofre com alguns erros defensivos, visíveis em partidas como o 2 a 2 contra o NEC (em casa) e, principalmente, o 2 a 2 contra o Utrecht – neste, só um pênalti inexistente marcado deu a chance do empate aos Ajacieden. Diferentemente do PSV, que perdeu o jogo que não podia perder (provou do próprio veneno: pragmaticamente, o Ajax fez 2 a 0 em Eindhoven), mas é, muito provavelmente, o melhor time holandês da temporada.

No PSV, Phillip Cocu protagonizou o milagre do título, em 2006/07. Espera o mesmo agora (Hollandse Hoogte)
Não só pela atuação honrosa na Liga dos Campeões – lembre-se, o PSV foi o time que mais se aproximou de eliminar (e mais dificultou as coisas para) o agora finalista Atlético de Madrid. Mas também por ser um time entrosado no 4-3-3. Por fazer contratações acertadíssimas e até ambiciosas (vindo por empréstimo, após sofrer com lesões em Chelsea, Milan e Stoke City, quem diria que Marco van Ginkel chegaria com tudo ao meio-campo, marcando oito gols em 12 jogos?). Por ter vários “pilares” experientes no time: Bruma, Guardado, Luuk de Jong. E por não deixar de lado a criação de talentos tão cara ao futebol holandês: Jeroen Zoet, Jorrit Hendrix e Jürgen Locadia que o digam. 

Além disso, Phillip Cocu mostra ser técnico promissor, ao saber ser ofensivo na hora necessária e defensivo se o jogo assim exige. Enfim, o Ajax tem uma tarefa mais fácil. Praticamente só depende de si para ser campeão holandês, novamente. Mas sabe: não poderá mais chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões e dar o vexame habitual. O PSV subiu um pouco o nível de exigência. E até serviu de exemplo.

De mais a mais, a festa de um “milagre” está pronta em Eindhoven (ocorreria na segunda, caso o título venha). Sem contar que o autor do "gol do título" do PSVem 2006/07 foi um certo Phillip Cocu. Hoje técnico, ele alertou: "O Ajax tem as melhores chances, mas coisas malucas já aconteceram". Milagres acontecem.

domingo, 1 de maio de 2016

810 minuten: como foi a 33ª rodada da Eredivisie

Fischer representa o alívio do Ajax: goleada num jogo tenso, e o título holandês está muito perto (ANP/Pro Shots)
Ajax 4x0 Twente (domingo, 1º de maio)

O Ajax começou o jogo com duas surpresas na escalação. A primeira era fortalecer a marcação mais veloz no meio-campo: Thulani Serero, novamente, tomou o lugar de Riechedly Bazoer entre os titulares, até porque poderia dar mais rapidez na saída de bola. No ataque, com Anwar El Ghazi lesionado, ao invés da opção por Lasse Schöne, experimentou-se escalar pela primeira vez o tcheco Vaclav Cerny, pela direita. Do resto, já se sabia: era vencer o Twente - de preferência, por uma grande margem - para manter a liderança do Campeonato Holandês, aproximando-se do título.

Isso já começou aos quatro minutos do primeiro tempo, quando Arkadiusz "Arek" Milik cobrou falta que forçou o goleiro Nick Marsman a espalmar a bola para fora da área. Aos 10, perigo em outra cobrança de Milik: desta vez, Marsman espalmou para a linha de fundo. Todavia, se o Ajax jogava com toda a força ofensiva, com defesa adiantada e tudo o mais, também dava espaço ao Twente. Principalmente pela esquerda, onde o improvisado Kenny Tete (substituindo o suspenso Mitchell Dijks) sofria com Zakaria El Azzouzi.

Além disso, o PSV já ganhava do Cambuur. Um gol era mais do que necessário. E ele veio aos 37 minutos da etapa inicial: pela direita, Joël Veltman desarmou Hakim Ziyech e passou a Cerny. E o jovem tcheco dominou, ganhou de Stefan Thesker na corrida e chutou para fazer 1 a 0, aliviando o Ajax. Só que o jogo decisivo ainda não estava para festas. Prova disso foi o que se viu no minuto final da etapa inicial: Jerson Cabral superou Tete e chegou livre com a bola na área, mas bateu fraco para Jasper Cillessen defender sem problemas.

No segundo tempo, o ritmo seguiu o mesmo. Os Amsterdammers pressionando: aos 11, Nick Viergever apareceu de surpresa na área em rápido contra-ataque e completou chutando na trave, e aos 17, Amin Younes arrematou da esquerda, Marsman falhou ao tentar encaixar - e apenas pôde torcer para a falha não se consumar (a bola foi pela linha de fundo). E aos poucos, os visitantes de Enschede ameaçando empatar: aos 27, Ziyech arriscou chute de fora da área, forçando Cillessen a fazer ótima defesa, espalmando por cima da trave.

Todavia, justamente na fase que seria mais tensa, os Ajacieden relaxaram a torcida. Aos 35 minutos, Younes (o melhor da partida) cruzou da esquerda, e Mike van der Hoorn, vindo da defesa, cabeceou para as redes: era o 2 a 0 que afastava o perigo do empate. Ficaria melhor: logo após Van der Hoorn marcar, Viktor Fischer substituiu Cerny... e fez o terceiro gol aos 37, recebendo de Younes e chutando cruzado de pé direito, no canto defendido por Marsman. E coube a Younes transformar a vitória em goleada com belíssimo tento: aos 41, o alemão de ascendência libanesa mandou chute colocado no ângulo esquerdo.

Era a melhor vitória possível: goleada, sem sofrer gols. A vantagem de seis gols no saldo (+60, contra +54 do PSV) se mantinha. A sensação foi descrita pelo capitão Davy Klaassen, à FOX Sports holandesa: "Não vamos mais deixar escapar". A uma rodada do fim, a 34ª conquista da Eredivisie está na alça de mira. Mas ainda não está ganha, como alertou Van der Hoorn: "Tão perto e tão longe".

A comemoração de De Jong é a comemoração do PSV: agridoce. Tarefa cumprida, mas o título está distante (psv.nl)
PSV 6x2 Cambuur (domingo, 1º de maio)

Se a tarefa do Ajax era clara, a do PSV era até mais imperativa: ganhar, e por uma margem suficiente para encurtar a vantagem do Ajax no saldo de gols e aumentar as chances do bicampeonato. Ou seja: não restava muita coisa além de pressionar o lanterna Cambuur - adversário ideal para uma goleada, até por já ter sofrido 6 a 0 no primeiro turno. Resultado: a pressão no ataque veio desde o primeiro dos 90 minutos. Algo previsível até na escalação, com Marco van Ginkel e Adam Maher, dois meio-campistas bem ofensivos, entre os titulares. E por incrível que pareça, o Cambuur também tinha algo a tentar evitar: o rebaixamento direto à segunda divisão.

Já aos 15 minutos, o PSV tivera três ótimas chances de abrir o placar. Uma com Gastón Pereiro, aos dez minutos: o uruguaio completou escanteio e a defesa dos visitantes de Leeuwarden tirou em cima da linha. Nos cinco minutos seguintes, duas oportunidades para Luuk de Jong, em dois cabeceios. Finalmente, aos 15 minutos, veio o gol que estava demorando para sair: De Jong recebeu na área, dominou e passou a Van Ginkel, que tocou para o gol vazio, fazendo 1 a 0. Estava tudo dentro do que os Eindhovenaren pretendiam. Só que aos 18 minutos, um azar num escanteio deu o empate inesperado ao Cambuur: Xander Houtkoop dominou a bola vinda de córner, chutou, e o lateral Calvin Mac-Intosch desviou levemente. O suficiente para o goleiro Jeroen Zoet ficar sem ação: 1 a 1.

Mesmo com o gol sofrido, os mandantes nem se desesperaram. A superioridade técnica era clara, e os gols sairiam se o PSV jogasse com seriedade. Dito e feito: aos 27 minutos, Jetro Willems cruzou da esquerda, e De Jong marcou de cabeça o seu 24º gol na Eredivisie desta temporada, recolocando os Boeren na frente. Aos 38, em novo escanteio, a defesa do Cambuur tentou rebater, mas Pereiro tocou por último - toque fraco, mas suficiente para o 3 a 1. Com o Ajax pelejando pelo 1 a 0 em Amsterdã, a esperança crescia... mas tomou um balde de água fria com o segundo gol do Cambuur, aos 43, ainda antes do intervalo: o irlandês Jack Byrne correu com a bola em rápido contra-ataque, e bateu no ângulo direito de Zoet.

No segundo tempo, o jogo não mudou nem um pouco. O PSV era francamente superior: aos 14, quase veio o quarto gol, com Luciano Narsingh cabeceando para ótima defesa do goleiro Leonard Nienhuis. Dois minutos depois, Houtkoop bateu falta, e quase marcou. Finalmente, aos 18, uma falha de Nienhuis entregou o quinto gol aos PSV'ers: em bola perdida na área, o goleiro tentou dominar com os pés para impedir o escanteio. O domínio foi mal feito, e a bola ficou à feição para Maher dominar, esperar, e chutar no canto do arqueiro dos visitantes de Leeuwarden para fazer o quarto gol.

Aos 25, em primorosa cobrança de falta, Willems fez 5 a 2 para o PSV. Não estava tão longe: a diferença no saldo de gols se encurtara para quatro (57 para o Ajax, 53 para o PSV), e o Twente estava perto de empatar. Só que o Ajax fez 2 a 0, e animou-se para concluir a goleada final que conseguiu, mantendo a diferença em seis gols. Mesmo com a entrada de Jürgen Locadia em campo, tendo mais gente na área (Locadia até marcou, mas o gol foi anulado por impedimento), o PSV só conseguiu o gol nos acréscimos, aos 47: outra cobrança de falta bem aproveitada por Van Ginkel.

Em qualquer outra ocasião, um 6 a 2 animaria a torcida. Mas a goleada no Philips Stadion foi celebrada com aplausos lacônicos: com a vitória do Ajax, o bicampeonato do PSV ficou bem difícil. Restará ou vencer o Zwolle por sete gols de diferença, ou esperar tropeço do Ajax contra o De Graafschap. De qualquer modo, Philip Cocu ainda tenta mostrar ânimo nas declarações pós-jogo: "Ainda tenho a sensação de que podemos ser campeões". Pelo menos, isso. Já o Cambuur não tem mais consolo. Está condenado à última posição e diretamente rebaixado, como lamentou o capitão Erik Bakker: "Foi o resultado de toda a temporada, não fomos rebaixados por hoje".

O azar do goleiro Lamprou foi a sorte do abraçado Achahbar: gol, vitória e terceiro lugar garantido ao Feyenoord (feyenoord.nl)
Willem II 0x1 Feyenoord (domingo, 1º de maio)

Com a vaga na Liga Europa já garantida (o título da Copa da Holanda, na semana passada, deu a vaga na fase de grupos do torneio continental), o Feyenoord nem se importou muito com as ausências do lesionado Dirk Kuyt e do suspenso Michiel Kramer. Se havia interesse, era do Willem II: uma vitória dos Tricolores em casa, junto a um tropeço do Excelsior, significaria a manutenção na Eredivisie em 2016/17. Mas o desinteresse do Stadionclub e o nervosismo dos mandantes tornaram a partida em Tilburg bem monótona.

Só um fator fortuito mudou o resultado: aos doze minutos do segundo tempo, Anass Achahbar - substituto de Kramer - arriscou chute fraco de fora da área, e o goleiro Kostas Lamprou falhou, com um soco insuficiente na bola para evitar o 1 a 0 do Feyenoord. Não bastasse o título da copa, a vitória garantiu a terceira posição aos Rotterdammers no Campeonato Holandês. Giovanni van Bronckhorst pôde comemorar o fim tranquilo de temporada ("Foi uma ótima semana para nós", exultou "Gio" na coletiva pós-jogo). E o Willem II sofrerá por mais uma rodada: está na zona de repescagem, e ficou um ponto atrás do Excelsior.

Essa foto não é repetida: Janssen cobra pênalti e marca para o AZ. Hoje foi contra o De Graafschap (ANP/Pro Shots)
AZ 4x1 De Graafschap (domingo, 1º de maio)

Jogando fora de casa, o De Graafschap também olharia para Eindhoven: se o Cambuur cometesse o CRIME e vencesse o PSV, os Superboeren precisariam superar o AZ para se manter na Eredivisie. Talvez por isso, o ótimo começo dos visitantes: aos sete minutos da etapa inicial, um chute forte de Mark Diemers mandou a bola no ângulo, decretando o 1 a 0. Mas o temor do AZ durou pouco: aos 14 minutos, Ridgeciano Haps sofreu pênalti, e Vincent Janssen bateu seguramente para marcar seu 26º gol na temporada. Aí, os Alkmaarders se relaxaram, e encaminharam o triunfo ainda no primeiro tempo.

Aos 22, em tabela com Joris van Overeem, Haps dominou a bola e virou o jogo; e aos 40, após lançamento em profundidade, o iraniano Alireza Jahanbakhsh ampliou. No segundo tempo, Van Overeem ainda ratificou a goleada, fazendo o 66º gol do AZ no campeonato (marca que não era alcançada desde o título em 2008/09). E o AZ terá vantagem no confronto direto contra o Utrecht, na última rodada, pelo quarto lugar que dá vaga direta na Liga Europa: tem três pontos de vantagem para os Utregs - em 5º lugar -, e quatro gols de frente no saldo. Com a derrota do rebaixado Cambuur, o De Graafschap também se aliviou: ainda poderá tentar ficar na Eredivisie via play-offs. E o técnico Jan Vreman animou o PSV, que espera o jogo do time de Doetinchem na última rodada: "Vamos buscar a vitória contra o Ajax".

Vitesse 1x3 Utrecht (domingo, 1º de maio)

Num jogo entre duas equipes que passaram o returno circulando pela zona dos play-offs pela Liga Europa, o Vitesse sabia que tinha mais contas a prestar à sua torcida, pelas decepções que causara durante boa parte da temporada. Assim, o Vites fez um primeiro tempo bem melhor: não só seguro na defesa (que contava com os novatos Julian Lelieveld, lateral direito de 18 anos, e Thomas Oude Kotte, zagueiro de 19), mas ativo no ataque. O primeiro gol até demorou: aos 30 minutos, Lewis Baker cobrou falta, a defesa dos Utregs falhou ao tentar cortar, e o zagueiro Guram Kashia fez 1 a 0. Antes, Dominic Solanke já poderia até ter aberto o placar para os mandantes aurinegros.

Só na etapa final o Utrecht impôs sua regularidade maior na temporada. Já aos dois minutos, Sébastien Haller quase marcou, mas o goleiro Eloy Room mandou o chute do francês para escanteio; no escanteio subsequente, Haller tentou o gol de bicicleta, mas a bola passou por cima. A entrada de Ruud Boymans só aumentou a força ofensiva dos visitantes. E a virada veio, na parte final do jogo: Nacer Barazite empatou aos 29, escorando cruzamento de Christian Kum da direita. Aos 40, Boymans virou o jogo; e aos 43, o zagueiro Ramon Leeuwin fez o 3 a 1 fora de casa que, no mínimo, garantiu o Utrecht nos play-offs (o time ainda tem chances de garantir vaga direta na Liga Europa, caso vença o AZ e elimine os quatro gols de desvantagem no saldo). Ao Vitesse, que novamente abateu sua torcida, resta vencer e torcer por tropeços de NEC e Groningen na última rodada.

Heracles 1x1 ADO Den Haag (domingo, 1º de maio)

Até curioso: mesmo que o Heracles estivesse em casa, e tivesse um estilo bem mais técnico de jogo, a partida no estádio Polman, em Almelo, foi bem desanimada por boa parte do seu decorrer. Tanto é que foi o último dos nove jogos da rodada a sair do 0 a 0: somente aos 23 minutos do segundo tempo o placar foi aberto. E o gol foi do Den Haag: Giovanni Korte dominou a bola e passou a Édouard Duplan, que finalizou livre para fazer 1 a 0. Porém, os Heraclieden continuaram pressionando mais, e tiveram o prêmio no fim: aos 43 minutos, Paul Gladon (vindo do banco no instante anterior, em lugar de Iliass Bel Hassani) dominou passe de Ramon Zomer e fez o gol decisivo, que garantiu o time de Almelo nos play-offs por um lugar na Liga Europa 2016/17. Merecidamente.

Heerenveen 1x2 Groningen (domingo, 1º de maio)

No último jogo em casa do ícone Foppe de Haan à frente do Heerenveen, após seu retorno temporário para treinar o clube, a torcida esperava poder comemorar algo. E Sam Larsson indicava que ela teria as razões desejadas para isso: aos 20 minutos, o atacante sueco deixou os anfitriões na frente do placar no "Clássico do Norte", em jogada individual. Só que os Groningers se animaram e reagiram rapidamente: já aos 26 minutos, Oussama Idrissi empatou o jogo. E no segundo tempo, aos sete minutos, o esloveno Albert Rusnák arrematou da entrada da área, para fazer 2 a 1, frustrar os donos da casa e manter o Groningen com boas chances de alcançar os play-offs por Liga Europa: o time foi à oitava colocação, última da região de classificação, um ponto acima do NEC - e enfrentará em casa o Heracles, já garantido na Nacompetitie pela competição continental.

Excelsior 2x2 Zwolle (domingo, 1º de maio)

Em busca de se garantir na zona da Nacompetitie por Liga Europa, o Zwolle procurou a vitória mais cedo do que o Excelsior, até mais desesperado (afinal, tenta escapar ponto por ponto da repescagem contra o rebaixamento, em disputa com o Willem II). Com a maior qualidade técnica que têm, os Zwollenaren começaram pressionando, com um cabeceio de Sheraldo Becker. Mais alguns minutos, e conseguiram o gol: aos 15 minutos, Lars Veldwijk recebeu a bola, livrou-se da marcação de Henrico Drost com um giro e chutou no canto oposto ao do goleiro Tom Muyters.

Somente no segundo tempo a busca do Excelsior pelo gol resolveu as coisas: aos 16 minutos, após confusão na área, Tom van Weert completou de calcanhar, empatando com um bonito gol. O jogo se acelerou aí, e o Zwolle contra-atacou com êxito: após cruzamento, Veldwijk ajeitou para Queensy Menig bater forte de fora da área e fazer 2 a 1. Ainda assim, os Kralingers pressionaram e empataram de novo: aos 35 minutos, de cabeça, Daan Bovenberg fez o gol salvador. Pelo menos até a próxima rodada, o time de Roterdã está fora da zona da Nacompetitie, um ponto acima do Willem II, derrotado pelo Feyenoord. Para garantir a permanência na elite em 2016/17, os Kralingers precisam vencer o já rebaixado Cambuur. Ao Zwolle, um empate contra o PSV em casa dá a vaga nos play-offs.

O mecenas Frits Schrouff comemora com os jogadores do Roda JC: virada e garantia na Eredivisie (ANP/Pro Shots)
NEC 1x2 Roda JC (domingo, 1º de maio)

Nem é o caso de dizer que o Roda JC estivesse seriamente ameaçado pelo rebaixamento. Mas seguro morreu de velho, e o desconfiado ainda está vivo. Portanto, uma vitória contra o NEC, fora de casa, era fundamental: afinal, eliminaria de vez qualquer perigo de queda ou repescagem contra ela. O começo do jogo em Nijmegen não deu muitas esperanças. Aos 25 minutos, Navarone Foor fez 1 a 0 contando com a sorte: o zagueiro Ard van Peppen tentou cortar cruzamento, chutou a bola em cima de Foor, e ela foi direto para as redes. Depois, aos 40, Christian Santos teve a chance de ampliar num pênalti, mas sua cobrança foi defendida pelo goleiro Benjamin van Leer.

E aí, o Roda JC se animou. A ponto de empatar, antes mesmo do intervalo: aos 45 minutos, Tom van Hyfte bateu de longe e fez bonito gol. Na etapa final, o ânimo não cessou: aos dois minutos, Rydell Poepon completou escanteio, de cabeça, e virou o jogo. Confirmada, a vitória que livrou definitivamente os Koempels foi celebrada pelo dono do clube, Frits Schrouff. Que deu a mostra da felicidade: "Eu disse a eles: 'rapazes, amanhã o dia é de folga para eles'". Fizeram por onde receber o prêmio, sem dúvida.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O que a Pro League tem que a Eredivisie não tem?

Quando Ajax e Anderlecht se enfrentaram em 2011 pela Liga Europa, Eredivisie estava melhor; agora, a situação é outra (Paul Vreeker/Getty Images)

Até pela proximidade fronteiriça, Holanda e Bélgica são rivais históricos quando o assunto é futebol. E é óbvio que o momento é mais favorável para o país de Jan Ceulemans, Eddy Merckx e da Stella Artois. Primeiramente, porque enquanto a Oranje apenas verá a Euro 2016 pela tevê (de holandês, na França, só o quinteto de arbitragem formado pelo juiz Bjorn Kuipers e os auxiliares Sander van Roekel, Erwin Zeinstra, Pol van Boekel e Richard Liesveld), a seleção belga é cotada para fazer outra campanha razoável num grande torneio, voltando à Euro após 16 anos.


Segundo, e mais importante, porque a tabela de coeficientes da UEFA indica realidades diferentes para os dois países. Não será na próxima, mas tudo leva a crer que a partir de 2017/18, a não ser que os holandeses participantes de Liga dos Campeões e Liga Europa façam campanhas muito boas, a Eredivisie perderá sua vaga direta na fase de grupos da Liga dos Campeões, ao passo que a Pro League manterá o lugar que obteve desde a temporada 2013/14.

E no entanto, a reta final das duas ligas mostram rumos semelhantes. Na Holanda, houve a pausa, no final de semana passado, para a final da copa nacional - lembrando a coluna passada, o Feyenoord conseguiu a consolação, conquistando o título ao fazer 2 a 1 no Utrecht. Agora, empatados nos 78 pontos, PSV e Ajax jogarão simultaneamente na penúltima rodada da Eredivisie, neste domingo, tentando vencer o adversário (PSV contra o Cambuur, Ajax contra Twente) e olhando para o saldo de gols do oponente na disputa do título (o saldo do Ajax é maior: 56 contra 50 do PSV).

O equilíbrio não é menor no Campeonato Belga: no hexagonal final, uma sequência de duas derrotas do Club Brugge (e três vitórias do Anderlecht) quase colocou os Mauves na liderança. Só que a quinta rodada do hexagonal mudou tudo: os Azuis-e-Negros fizeram 5 a 0 no Zulte Waregem, enquanto o time de Parc Astrid foi surpreendido pelo KV Oostende, caindo por 4 a 2. Isso, sem contar o Gent: em busca do bicampeonato, os Búfalos se reanimam e já estão há três partidas sem perder (um empate e duas vitórias). Agora, a cinco rodadas do fim do hexagonal, o Brugge lidera, com 41 pontos, enquanto Gent e Anderlecht estão iguais nos 38 pontos - o Gent é o vice-líder, por ter encerrado a fase regular já na segunda posição.

Isto é: os campeonatos das duas nações vizinhas são inegavelmente equilibrados. Todavia, fica a pergunta: por que o futebol belga aparenta estar numa fase mais pujante do que o holandês? Fora a óbvia superioridade dos Diabos Vermelhos no momento atual, o momento da Jupiler Pro League pode indicar alguns caminhos. O primeiro deles é a maior flexibilidade tática que as equipes belgas mostram. Azar holandês: em tempos de rememorar a importância imorredoura de Johan Cruyff no estilo que o país tem de jogar, fica difícil não compreender a opção persistente pelo lado ofensivo, pelo 4-3-3, pelos times jogando com pontas abertos etc.

No Campeonato Belga, a variedade de esquemas já é algo mais historicamente aceito. Algo mostrado no esquema com que os líderes do hexagonal final vão a campo. O Club Brugge jogam num 4-2-3-1, com fluidez ofensiva; no 4-1-4-1 do Anderlecht, a fluidez fica no meio-campo (Steven Defour tanto pode jogar mais atrás, como volante, como pode ser o principal criador das jogadas de ataque, como é mais frequente); no Gent, o 3-4-2-1 fortalece mais a defesa, como se viu na boa campanha pela Liga dos Campeões.

Se a falta de prática com esquemas mais defensivos vitima bastante o futebol holandês, outro fator que o país perdeu e o vizinho/rival ganhou foi o hábito de dar oportunidades a jogadores de outros países, para que ali se desenvolvam. Basta notar os destaques dos candidatos ao título belga. No Anderlecht, o italiano Stefano Okaka Chuka se consolidou no ataque; o Club Brugge é quem mais aposta nos “estrangeiros” – dos zagueiros holandeses (Stefano Denswil e Bram Nuytinck) ao atacante uruguaio/brasileiro Felipe Gedoz, passando pelo ponta-esquerda colombiano José Izquierdo; o Gent é a única exceção, tendo apenas o meia brasileiro Renato Neto como destaque.

Mas apesar dos pesares, o futebol holandês pode dizer que ainda tem uma superioridade. Até previsível: se se fechou mais aos estrangeiros, também dá um destaque mais imediato aos talentos nativos. Por exemplo: nem Dennis Praet, nem Youri Tielemans são destaques absolutos na campanha do Anderlecht, mesmo que sejam promessas belgas. Já o Ajax permite que Davy Klaassen ou Riechedly Bazoer ganhem espaço no time de cima a ponto de merecerem as convocações de Danny Blind na seleção holandesa. Coisa que não acontece muito sob Marc Wilmots na seleção belga: as últimas novidades nas convocações limitam-se ao zagueiro Bjorn Engels, titular no Club Brugge, e a Laurent Depoitre, atacante titular do Gent. E ainda assim, nenhum deles tem lugar garantido entre os 23 que irão à Euro. 

Até por isso, alguns jogadores belgas até acham espaço no futebol do país vizinho para despontarem em suas carreiras. As presenças certas na seleção da Bélgica mostram isso: Jan Vertonghen, Thomas Vermaelen, Toby Alderweireld (todos surgidos no Ajax), Nacer Chadli (despontou no Twente), Dries Mertens (começou a ganhar espaço com as atuações por Utrecht e PSV), Moussa Dembélé (cresceu futebolisticamente ao atuar pelo AZ)...

Assim, não se estranha o cenário indicado pela relação dos 500 jogadores mais importantes da atualidade, feita na edição de março da revista “World Soccer”: há mais belgas do que holandeses (20 contra 14), mas também há mais gente que atua na Eredivisie do que na Pro League (18 a 11). Por tudo isso, embora a fase atual seja difícil e indique problemas que só serão resolvidos a médio prazo, o Campeonato Holandês ainda atrai mais atenções do que o Belga. Por isso, no domingo, a atenção ainda recairá mais sobre a disputa de PSV e Ajax pela Eredivisieschaal. Pelo menos, por enquanto.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Copa da Holanda: o prêmio ou a consolação

Final da Copa da Holanda pode premiar reação do Feyenoord sob Van Bronckhorst. Ou ótimo trabalho de Ten Hag no Utrecht (ANP/Pro Shots)
A disputa pelo título do Campeonato Holandês é o que se sabe: Ajax e PSV quase igualados. A duas rodadas do fim, os times têm a mesma pontuação (78), e os Amsterdammers só lideram a Eredivisie pelo melhor saldo de gols (56 contra 50). Mas embora tenham uma defesa mais irregular que a dos Boeren, é inegável que o título está bem mais perto do clube da estação Bijlmer Arena. E isso foi visto nos sorrisos dos jogadores e do técnico Frank de Boer, após a vitória contra o Heerenveen, fora de casa, na quarta passada (2 a 0). Contudo, neste final de semana a disputa na liga terá uma pausa, um respiro antes de seu final. 

Tudo para a decisão da Copa da Holanda, a KNVB Beker, a ser decidida em jogo único neste domingo, em De Kuip, o estádio do Feyenoord. E o Stadionclub, enfim, poderá voltar a ganhar um troféu diante de sua torcida; sem ganhar nenhum título desde 2007/08 (quando conquistou a copa, sobre o Roda JC), o clube de Roterdã decide o torneio nesta temporada, enfrentando o Utrecht. E mesmo com a campanha razoável na Eredivisie (Feyenoord em 3º, Utrecht em 5º), a grandeza de ambos dentro do futebol holandês é que dá a medida da importância que o possível título teria, além da vaga na fase de grupos da Liga Europa.

Para o Utrecht, além de também quebrar um tabu (o clube não ganha nada desde 2003/04, quando conquistou não só a Copa, mas também a Supercopa da Holanda), o troféu seria o prêmio para o nível técnico elogiável mostrado pela equipe nesta temporada. Para o Feyenoord, se for um prêmio, será de consolação. Claro, o troféu da KNVB Beker será comemorado. Mas também não era bem o objetivo principal dos Feyenoorders quando o período 2015/16 começou: este era, claro, acabar com o jejum que irá para 17 anos sem títulos do Campeonato Holandês. De todo modo, justiça seja feita: alimentar a sala de troféus no próximo domingo também confirmaria uma melhora notória nas atuações do Feyenoord, após a sequência lamentável de nove jogos sem vitória (sete derrotas e dois empates), que dizimou as esperanças do fim do tabu na Eredivisie, entre o fim de 2015 e o começo deste ano.

No meio da crise, Dick Advocaat foi trazido pelo clube para ser um “conselheiro” de Giovanni van Bronckhorst. Não faltou quem dissesse que aquilo seria uma punhalada nas costas do técnico “de fato”, que logo seria trocado pelo veterano Advocaat... mas o fato é que o “Pequeno General” deu toques pontuais a “Gio”, e poucas vezes apareceu nos treinos. E outro fato é que o Feyenoord melhorou após a assessoria de Advocaat: veio uma sequência de seis vitórias seguidas, que fez o time afastar o temor de cair pelas tabelas, mantendo a terceira posição.

E algumas mudanças táticas ajudaram visivelmente o Feyenoord a recuperar a confiança (além das vitórias, claro). A defesa, que não estava muito regular, enfim ganhou a definição da dupla de zaga (Eric Botteghin e Sven van Beek), acalmando o setor. E Dirk Kuyt teve sua importância já enorme ampliada na equipe: não só seguiu jogando no ataque, mas começou até a ser recuado para o meio-campo em algumas partidas, ajudando na criação. E... deu certo. Não só abriu espaço para as atuações razoáveis de Jens Toornstra ou Bilal Basaçikoglu pela ponta direita, mas também ajudou o meio-campo a segurar mais a bola. O que facilitou o trabalho de Karim El Ahmadi na marcação, mais veloz do que com Marko Vejinovic; e também faz com que Tonny Trindade de Vilhena possa chegar ao ataque, como “elemento-surpresa”.

Nas rodadas mais recentes da Eredivisie, todavia, vieram os alertas. A defesa ainda continua lenta, e foi envolvida tanto pelo ataque do Groningen quanto pelo do Heracles Almelo. O ataque funcionou bem, e evitou derrotas, mas os dois empates (1 a 1 com o Groningen, 2 a 2 com o Heracles) deixaram claro: há falhas a serem corrigidas. É o discurso corrente no elenco às vésperas da final. Elia alertou: “Não podemos ter um momento sequer de desatenção”; Van Bronckhorst pediu: “Agora, foco total na final da copa”.

E Kuyt sintetizou, na entrevista coletiva desta quinta, toda a razão da importância do título: “A final da copa determinará se nossa temporada teve algum sucesso ou se o fracasso foi total”. Seja como for, sabe-se que o clube ainda tem coisas a melhorar. Tanto é que o boato corrente é de que os diretores de futebol (Martin van Geel) e geral (Eric Gudde) entregarão seus cargos após o jogo de domingo, Feyenoord campeão ou não, sucumbindo às críticas e protestos da torcida.

Para o adversário do Feyenoord na final, a conquista significará a coroação da aposta em Erik ten Hag como técnico – e do bom rendimento de muita gente no time titular. Quando Ten Hag chegou, no meio de 2015, vindo da equipe B do Bayern Munique, o desejo da direção era claro: tornar o estilo de jogo dos Utregs mais “agradável” (o blog até comentou sobre isso). E isso aconteceu, sem a menor dúvida. Para tanto, ajudou muito a evolução clara de mais jogadores, notável principalmente nesta segunda metade da temporada.

Se Sébastien Haller continua sendo garantia de gols no ataque, a evolução de Ruud Boymans também é notável após sua lesão: com nove gols em 17 jogos, tornou-se o segundo maior goleador dos Utregs na temporada, sabendo fazer o papel de “referência” até com melhor resultado do que Haller. Se Yassin Ayoub começou a sofrer um pouco com as lesões no meio-campo, Nacer Barazite segue muito bem, chegando frequentemente ao ataque. Na marcação, Bart Ramselaar e o capitão Willem Janssen (outro recuperado de lesão) cumprem muito bem o papel no meio-campo, enquanto Timo Letschert tornou-se zagueiro seguro a ponto de merecer convocação para a seleção holandesa, nos últimos amistosos. A ausência do goleiro Robbin Ruiter (fratura na mão) é minorada pela manutenção do nível que o reserva Filip Bednarek tem conseguido.

O crescimento do Utrecht quase foi comprovado na rodada retrasada do Holandês: o time vencia o Ajax até os 44 minutos do segundo tempo, quando um pênalti muito duvidoso (no mínimo) deu o 2 a 2 final, impedindo que os Utregs fossem o único time a ter vencido os Ajacieden em casa e fora na Eredivisie. Já concentrados para a final, houve a derrota para o De Graafschap nesta rodada (2 a 0), mas quase ninguém ligou. Willem Janssen resumiu: “Desde o momento em que chegamos à final, a cidade toda acompanha. Queremos vencer no domingo. Para muitos de nós, é a grande chance do primeiro título na carreira. E por isso vamos nos esforçar”.

E as frases de Kuyt e Janssen resumiram bem o que significa a final da Copa da Holanda. Para o Utrecht, um prêmio; para o Feyenoord, uma razoável consolação.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 22 de abril de 2016)

quinta-feira, 21 de abril de 2016

810 minuten: como foi a 32ª rodada da Eredivisie

A comemoração do Ajax num dos gols de Milik: a alegria no olhar do time que sabe faltar pouco para garantir o título holandês (ANP/Pro Shots)

Groningen 1x0 Roda JC (terça-feira, 19 de abril)

Empatar com o Feyenoord, fora de casa, já aumentara um pouco o combalido ânimo do Groningen antes do jogo desta terça. Mas vencer a partida desta terça-feira, abrindo a 32ª rodada do Campeonato Holandês, poderia significar bem mais: poderia significar a manutenção das chances de alcançar os play-offs por vaga na Liga Europa. Isso, contra um Roda JC que precisava se recuperar da derrota para o PSV, até para não realimentar os perigos dormentes de cair na zona de repescagem/rebaixamento. No primeiro tempo, os Groningers não fizeram muita coisa: somente as ocasiões de gol vindas dos pés de Jesper Drost e Oussama Idrissi. Já os visitantes de Kerkrade só tiveram boa chance aos 26 minutos, com cabeceio de Kristoffer Peterson, forçando boa defesa do goleiro Sergio Padt.

O marasmo foi suficiente para que se decidisse aumentar a força ofensiva na etapa final, com a entrada em campo do reserva Alexander Sorloth, já após o intervalo. Assim, enquanto o atacante norueguês servia de referência, atraindo os marcadores dos Koempels, os pontas dos Groningers começaram a criar mais jogadas. E ambos estariam na jogada do gol, aos 22 minutos: Idrissi cruzou, o zagueiro Arjan Swinkels rebateu, e Albert Rusnák aproveitou a sobra para chutar. Seu arremate ainda resvalou em Tom van Hyfte, deixando o arqueiro Benjamin van Leer sem ação para evitar o 1 a 0. Rusnák ainda perdeu um pênalti, no fim do jogo, aos 43 minutos. Ainda assim, o Groningen não sofreu mais para manter a vitória que o segura a dois pontos da zona dos play-offs. E o Roda JC, que se achava já salvo da zona de perigo, está apenas cinco pontos acima dela. Convém não bobear.

PSV fez sua parte e venceu Vitesse. É o que resta, além de esperar que o Ajax erre (Maurice van Steen/VI Images)
PSV 2x0 Vitesse (terça-feira, 19 de abril)

Do mesmo modo que encaminhou rapidamente sua vitória contra o Roda JC, na rodada passada, o PSV também não demorou muito para se impor contra o Vitesse. Aliás, pode-se dizer até que os Boeren tiveram alguns de seus melhores momentos na temporada durante os primeiros minutos do jogo contra o Vites. Nem mesmo a ausência do lesionado Jorrit Hendrix diminuiu o poderio e o entrosamento do time da casa, que poderia ter aberto o placar até mais rapidamente: já aos dez minutos do primeiro tempo, Jeffrey Bruma abriu o placar, mas o juiz Pieter Vink anulou o gol, por impedimento (de fato, existente). No meio-campo, o veterano Stijn Schaars substituiu o titular Hendrix, formando um trio de ex-jogadores do adversário no setor, com Marco van Ginkel e Davy Pröpper. 

E seria um jogador que esteve nos Arnhemmers até a temporada passada a abrir o placar, aos 12 minutos: Pröpper recebeu a bola de Santiago Arias (de volta após a suspensão), entrou na área pela direita e bateu colocado, no ângulo oposto, marcando um bonito gol. E no resto da etapa inicial, os Eindhovenaren controlaram a vantagem sem correr riscos - o que lhes era conveniente, mas decepcionava, pelo bom nível apresentado. No princípio do segundo tempo, mais uma chance para o gol foi perdida: aos oito minutos, Pröpper quase marcou pela segunda vez, mas chutou por cima.

Pior: aos poucos, o Vitesse começou a chegar mais perto da área de defesa. Não criou muito: o único momento de mais perigo foi um chute de Milot Rashica, aos 18 minutos, bloqueado pela defesa. Ainda assim, convinha resolver logo o jogo - até porque as chances para tanto continuavam sendo desperdiçadas: aos 21, Van Ginkel recebeu ótimo passe de Arias e saiu na cara do goleiro Eloy Room, que fez ótima defesa. De quebra, o ataque do PSV tinha desacelerado: as jogadas só saíam pela direita, com Luciano Narsingh. Assim, aos 24 minutos, Phillip Cocu fez a primeira alteração, tirando Jurgen Locadia (atuação discreta) para colocar em campo Maxime Lestienne.

E bastou a primeira jogada do belga em campo para vir o gol que tranquilizou o PSV: aos 26 minutos, Lestienne recebeu passe pela esquerda, dominou a bola e entrou na área já sendo empurrado por Kevin Diks. O atacante caiu, o pênalti claro foi marcado, e Luuk de Jong bateu com segurança para fazer seu 23º gol no Campeonato Holandês. Só então o Vitesse quase marcou, em duas boas chances: aos 31, Marvelous Nakamba arrematou da entrada da área, forçando a primeira boa defesa de Jeroen Zoet no jogo. E, no último lance da partida, aos 48, Diks quase aproveitou a bola solta por Zoet após escanteio para marcar, mas chutou para fora. E o PSV comemorou uma vitória como as que precisa, nesta reta final: ganhando sem sofrer gols. É o possível, para continuar esperando um erro do Ajax.

O De Graafschap comemora a proximidade da garantia na repescagem contra o rebaixamento; salvação temporária (ANP/Pro Shots)
Utrecht 0x2 De Graafschap (quarta-feira, 20 de abril)

Por mais que sua campanha nesta Eredivisie seja altamente promissora, o Utrecht não disfarçou: sua cabeça já está no próximo domingo, quando disputará a final da Copa da Holanda, em De Kuip (estádio fixo para a decisão da KNVB Beker), contra o Feyenoord. Prova disso foi entrar em campo poupando três titulares: o zagueiro Mark van der Maarel, o volante Bart Ramselaar e o atacante Nacer Barazite (destaque na boa atuação contra o Ajax, na rodada passada). Ainda assim, os destaques dos Utregs estavam lá: Sébastien Haller, Ruud Boymans, Andreas Ludwig etc.

O que não impediu o De Graafschap de ser mais ofensivo no primeiro tempo em Utrecht. Graças a Vincent Vermeij: já aos quatro minutos, o atacante dos Superboeren chutou de longe, mandando a bola no travessão. Aos 15, na área, Vermeij cabeceou por cima da meta defendida por Filip Bednarek. Finalmente, aos 38 minutos, veio a vantagem merecida dos visitantes: Bryan Smeets cobrou falta, o zagueiro Ted van de Pavert desviou, e Vermeij completou de cabeça para as redes.

Somente aí os Utregs passaram a atacar mais, com a entrada em campo de Ramselaar (bom na saída de bola, convertendo o 3-5-2 inicial num 4-3-3). No começo da etapa final, inclusive, Smeets tirou em cima da linha uma bola cabeceada por Ramon Leeuwin. Depois, Ludwig cobrou falta, e a bola passou perto. Enquanto isso, o De Graafschap segurava-se na defesa, contando com as intervenções decisivas do goleiro Hidde Jurjus. E num dos raros contra-ataques, aos 14 minutos do segundo tempo, veio o segundo gol: o lateral direito Nathaniel Will mandou a bola na cabeça de Vermeij, que marcou de novo na partida, confirmando a vitória que aumentou para quatro pontos a vantagem do clube de Doetinchem em relação ao lanterna Cambuur. Só pela proximidade de evitar o rebaixamento direto, a comemoração já foi grande.

Zwolle 2x0 NEC (quarta-feira, 20 de abril)

Se precisava da vitória para apagar as memórias da dura goleada sofrida para o AZ fora de casa, na rodada passada, o Zwolle não poderia ter atuado melhor do que fez. Diante do NEC, os Zwollenaren foram o que se chama na Holanda de "heer en meester": senhores e donos do jogo, não deram a menor chance ao adversário. Jogando de laranja (para já celebrar o Koningsdag, feriado real holandês, em 27 de abril), os "Dedos Azuis" abriram o placar com um belíssimo gol, aos 17 minutos do primeiro tempo: da esquerda, Sheraldo Becker dominou, cortou, chutou, e a bola foi no ângulo esquerdo do goleiro Brad Jones. Aos 27, Queensy Menig ampliou contando com a sorte: não só o árbitro Edwin van de Graaf deixou seguir a partida após suposta falta do Zwolle, como o chute de Menig desviou no volante Janio Bikel antes de entrar.

A apatia dos visitantes de Nijmegen era tamanha que o técnico Ernest Faber gastou duas alterações antes mesmo dos 40 minutos da etapa inicial: dois atacantes (Mihai Roman e Joey Sleegers) entraram em campo. De nada adiantou: o Zwolle seguiu superando facilmente os Nijmegenaren no segundo tempo. A grande chance do terceiro gol veio com Ouasim Bouy, que cabeceou na trave. Só aos 25 minutos o goleiro Kevin Begois (substituto do suspenso Van der Hart) precisou trabalhar. O 2 a 0 ficou até barato, e os mandantes conseguiram um recorde (cinco vitórias seguidas em casa - nunca acontecera na história do Zwolle pela Eredivisie) e ainda se fortaleceram na zona de classificação dos play-offs para a Liga Europa, ao vencerem um adversário direto e subirem à sétima posição. Com Feyenoord e Utrecht, à frente na tabela, podendo chegar à Liga Europa via título da Copa da Holanda, até o oitavo lugar passaria a servir para os Zwollenaren - e para o NEC, em 8º.

Defesa do Feyenoord sofreu um pouco com Heracles. Ficou a lição para a final da Copa da Holanda (feyenoord.nl)
Heracles Almelo 2x2 Feyenoord (quarta-feira, 20 de abril)

Também pensando bem mais na final da Copa da Holanda, o Feyenoord teve mudanças entre os titulares no jogo disputado sobre a grama sintética do Polman Stadion, em Almelo. Para começo de conversa, Dirk Kuyt foi poupado; ficou no banco, enquanto Bilal Basaçikoglu começou jogando na direita do ataque. Eric Botteghin também deu seu lugar no time, para Terence Kongolo recuperar algum ritmo de jogo após voltar de lesão. E por fim, Karim El Ahmadi abriu espaço para Marko Vejinovic, no meio-campo.

A princípio, até parecia dar certo, já que a primeira chance de gol na partida foi dos Feyenoorders: aos seis minutos, Miquel Nelom cruzou da esquerda e Jens Toornstra escorou, para defesa segura de Bram Castro. Desde então, o Heracles é que tomou conta do jogo: um bom dia de Iliass Bel Hassani na criação de jogadas, com bons lançamentos, possibilitou aos atacantes trazerem perigo constante. Assim saiu o gol dos Heraclieden, aos 12 minutos: Bel Hassani lançou a bola ainda do campo de defesa, Jaroslav Navratil ajeitou e passou a Robin Gosens, que vinha pela esquerda, entrou na grande área e chutou por baixo do guarda-metas Kenneth Vermeer para abrir o placar.

E por boa parte da etapa inicial, o Stadionclub seguiu estéril no ataque, concentrando excessivamente as ações na direita. O perigo vinha em ações individuais - como aos 29 minutos, quando Toornstra chutou de fora da área, para Castro espalmar a bola pela linha de fundo. Na primeira jogada pela esquerda em muito tempo, veio o empate: aos 39, Eljero Elia fez jogada individual, passou pela marcação e cruzou para Michiel Kramer chutar e marcar seu 14º gol na Eredivisie 2015/16. Aí o Feyenoord se animou, e até poderia ter virado aos 41, em chute de Sven van Beek, novamente espalmado por Castro. Só que a defesa do Feyenoord ainda sofreria um bocado com o ataque fisicamente forte dos Almelöers. Que voltariam à frente logo aos cinco minutos do segundo tempo: Peter van Ooijen (que acabara de entrar no lugar de Bel Hassani) cobrou escanteio, e Wout Weghorst cabeceou para marcar pela 12ª vez no campeonato, fazendo 2 a 1.

Todavia, aos oito minutos, quase veio o rápido empate: Mike te Wierik acossou Kramer, que caiu na área, fazendo o juiz Danny Makkelie marcar seu segundo pênalti polêmico seguido nas rodadas recentes. Mas Vejinovic bateu e Castro defendeu no canto direito. Restou ao Feyenoord fortalecer a pressão, com a entrada de Kuyt. E o segundo gol veio, enfim, aos 28 minutos: Van Beek lançou da defesa, o lateral direito Wout Droste falhou ao tentar recuar, e Elia passou à frente para chutar e fazer o 2 a 2. Um empate que manteve o Feyenoord na terceira posição - mas mostrou falhas defensivas que precisam de correção antes da final da Copa da Holanda, no próximo domingo.

Excelsior 0x2 Twente (quarta-feira, 20 de abril)

Jogar fora de casa nem era o maior problema do Twente. Difícil mesmo era ter como desfalques somente os dois destaques do clube na armação de jogadas: o chileno Felipe Gutiérrez (lesionado) e, acima de tudo, Hakim Ziyech (suspenso). Assim, não impressiona que os primeiros 45 minutos no estádio Woudestein, em Roterdã, tenham sido tão desanimados. Foram apenas duas chances de gol, uma para cada equipe. Para o Excelsior, Kevin Vermeulen quase marcou, ao receber passe em profundidade e ficar livre diante do goleiro, mas seu domínio foi mal feito, e a bola ficou com o arqueiro do Twente, Nick Marsman. A chance do Twente foi ainda maior: aos 36 minutos, o zagueiro Jürgen Mattheij derrubou Jerson Cabral na área. Pênalti apitado, e Cabral cobrou, na ausência do batedor oficial, Ziyech. Bateu no canto esquerdo, e o goleiro Tom Muyters salvou o Excelsior, defendendo a cobrança.

No segundo tempo, mesmo com as entradas de Torgeir Borven e Chinedu Ede no ataque, os visitantes de Enschede sofriam com a falta de poder criativo no meio-campo. Aí, o destino facilitou mais as coisas: aos 37 minutos, após derrubar Cabral, Mattheij levou o segundo cartão amarelo e foi expulso. Bastaram três minutos, e os Tukkers enfim conseguiram o gol, num arremate do próprio Cabral. Finalmente, no último minuto do tempo regulamentar, Stefan Thesker cruzou a bola da esquerda, e Zakaria El Azzouzi cabeceou para fazer 2 a 0, firmando o Twente na 13ª posição - e aprofundando o temor da Nacompetitie contra o rebaixamento para os Kralingers, derrotados novamente.

Heerenveen 0x2 Ajax (quarta-feira, 20 de abril)

Quem tem (sistema defensivo irregular), tem medo. Não foi à toa que Frank de Boer decidiu preparar melhor a marcação do Ajax, ainda que o Heerenveen esteja absolutamente inconstante nesta temporada. Riechedly Bazoer ficou no banco, dando lugar no meio-campo ao marcador incansável que é o sul-africano Thulani Serero. Não convinha dar chance nenhuma ao azar contra o time da Frísia: além de jogar em casa, ele conta com um trio de ataque rápido pelas pontas (com os suecos Arber Zeneli e Sam Larsson) e as confiáveis finalizações de Mitchell te Vrede. Com o PSV nos calcanhares, vencer era obrigatório para os visitantes de Amsterdã.

E mesmo que o jogo no estádio Abe Lenstra tenha começado truncado, os primeiros lances de ataque confirmaram as expectativas. Sam Larsson era constantemente perigoso, e criou jogada aos 18 minutos, cruzando da direita para Te Vrede cabecear e exigir ótima defesa de Jasper Cillessen. Só aí o Ajax, ainda parado no ataque, começou a aparecer, graças a Davy Klaassen. O camisa 10 não só criava as jogadas, mas também aparecia para concluir algumas delas - como aos 21 minutos, quando escorou cruzamento de Mitchell Dijks (opção ofensiva cada vez melhor) para o goleiro do Heerenveen, Erwin Mulder, agarrar. Ainda faltava a outra opção segura do Ajax no ataque: Arkadiusz Milik. E "Arek" começou a dar o ar de sua graça aos 34, quando desviou fracamente cruzamento de Serero, mandando a bola rente à trave ainda assim.

Após o 0 a 0 dos primeiros 45 minutos, os Ajacieden sabiam: precisavam continuar no ataque contra um Heerenveen de defesa e meio-campo compactados, e precisavam de mais rapidez (tanto que Anwar El Ghazi entrou após o intervalo, no lugar de Lasse Schöne). Aos 10, quase deu: Amin Younes cruzou e Milik quase fez. Finalmente, aos 12, a sorte apareceu de novo por um pênalti: Dijks mandou da esquerda, a bola bateu na mão de Kenny Otigba dentro da área, e Serdar Gözübüyük apontou a marca da cal. Duvidoso, até polêmico, mas dependente dos critérios do árbitro do que o penal inexistente contra o Utrecht. Milik, então, repetiu a dose do domingo passado: cobrou e converteu. 12º gol do polonês nos últimos nove jogos do Ajax, seu 20º nesta Eredivisie.

E tudo ficou à feição para os Godenzonen resolverem o jogo. O Heerenveen foi ao ataque tentando empatar, e abriu espaço para os contragolpes. Não demorou muito e, aos 19, Dijks alçou a bola na área da esquerda, não houve mão no caminho, e Milik completou para o gol, deixando sua marca pela 21ª vez no campeonato. E não haveria mais como impedir a vitória fora de casa, contra um adversário sempre traiçoeiro. Vitória que levou o Ajax de volta à liderança, empatado em pontos com o PSV (78), mas com maior saldo de gols (56 contra 50). A não ser por uma goleada dos de Eindhoven nas duas últimas rodadas, o título holandês está muito perto de voltar à Amsterdam Arena. O time comemorou, e Frank de Boer reconheceu que está perto: "Não falo em porcentagem de chances, mas não acho que vamos deixar escapar".

ADO Den Haag 1x2 AZ (quinta-feira, 21 de abril)

Num primeiro tempo sem muita animação, o AZ, geralmente ofensivo, foi discreto. A ponto de só ter aberto o placar num contragolpe: após atacar pela esquerda, o meio-campista Aaron Meijers demorou para voltar. E deixou livre o espaço para Dabney dos Santos vir, driblar o zagueiro Tom Beugelsdijk e chutar para fazer 1 a 0, aos 21 minutos do primeiro tempo. Pelo menos, Beugelsdijk corrigiu o erro da melhor maneira possível: empatou o jogo aos 32, completando falta de Édouard Duplan com um cabeceio para as redes. Então, o Den Haag melhorou no jogo, e até poderia ter virado aos 37: uma testada forte de Timothy Derijck foi bem defendida pelo arqueiro dos visitantes, Sergio Rochet.

A pressão seguiu na etapa complementar: aos nove minutos, Joris van Overeem evitou a virada dos mandantes de Haia, ao tirar em cima da linha bola vinda de um cabeceio de Danny Bakker. Até que outro contragolpe, aos 20, recolocou os Alkmaarders na frente: Ben Rienstra fez passe em profundidade, Markus Henriksen escapou da linha de impedimento e ficou livre para tocar no canto esquerdo do goleiro Martin Hansen, fazendo 2 a 1. Mantendo o triunfo, o AZ segue até com remotas esperanças de chegar à terceira posição e garantir vaga direta na Liga Europa: em quarto lugar, está a quatro pontos do Feyenoord. Para o ADO Den Haag, as esperanças remotas são para os play-offs pela LE: o time auriverde está a cinco pontos do NEC.

Cambuur 1x1 Willem II (quinta-feira, 21 de abril)

Dizem que desgraças nunca vêm sozinhas. Pois bem, o Cambuur viveu isso no jogo contra o Willem II. Já com a dificílima tarefa de sair da última posição e evitar o rebaixamento (eram cinco pontos de distância para o De Graafschap quando a partida começou em Leeuwarden), o time auriazul começou com tudo no ataque. Já aos seis minutos do primeiro tempo, uma chance, em chute de Kevin van Veen que o goleiro Kostas Lamprou defendeu. Todavia, aos oito, o primeiro revés: o zagueiro Martijn van der Laan teve de sair, com dores no joelho, substituído por Calvin MacIntosch.

As chances continuavam: aos 15 minutos, Vytautas "Vytas" Andriuskevicius teve o gol vazio após falhas de Lamprou e do lateral esquerdo Guus Joppen, mas chutou para fora. Finalmente, aos 24, veio o gol merecido: Jack Byrne cruzou, e Jamiro Monteiro Alvarenga cabeceou para fazer 1 a 0. O azar dava uma trégua aos Leeuwarders. Para recrudescer pouco depois. Primeiro, aos 27, Jordens Peters empatou para o Willem II, chutando a bola após escanteio; depois, aos 36, machucado, o atacante Jergé Hoefdraad deu lugar a Sander van de Streek; mais três minutos, e Kevin van Veen foi o lesionado, saindo para Xander Houtkoop. O Cambuur usara as três alterações antes do fim do primeiro tempo - não acontecia no Campeonato Holandês desde 2001!

Pior: no segundo tempo, nem mesmo a pressão do Cambuur era problemática para a defesa dos visitantes tricolores. Somente aos 30 minutos veio um lance digno de menção, num chute de Byrne que Lamprou defendeu. Depois, Van de Streek exigiu boa defesa do goleiro dos Tilburgers. E aos 44, Lamprou quase falhou, mas conseguiu defender novo arremate de Byrne. E ficou no placar o 1 a 1, que fez o Willem II ganhar um ponto após seis derrotas seguidas, saindo da zona de repescagem/rebaixamento. E que deixou a desvantagem do Cambuur para o De Graafschap em quatro pontos. Dificilmente o clube de Leeuwarden escapará da última posição e da queda direta - até porque o adversário da 33ª rodada é "só" o PSV...