sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O sonho acabou

A derrota para o Rosenborg escancarou as razões de preocupação para o Ajax de Veltman (Pim Ras)

Saber olhar as coisas em perspectiva é uma característica valiosa no jornalismo. Característica que esta coluna, definitivamente, não possui. Pela terceira vez numa temporada recém-começada, ela falará do Ajax, mostrando certa irregularidade de opiniões. Porque, em junho, o assunto foi a saída de Peter Bosz – e a forte impressão de que tal fato acabava com a fase “iluminada” do clube da estação Bijlmer Arena. Em julho, acontecidas todas as turbulências da pré-temporada, o empate fora de casa, no jogo de ida contra o Nice, pela terceira fase preliminar da Liga dos Campeões, mostrara uma equipe dedicada, capaz de se recuperar dos baques. E este texto voltará ao começo. Porque o sonho acabou: aparentemente, o Ajax voltou à fase ruim que sonhava deixar para trás.

A volta contra o Nice, em 2 de agosto, já deixara uma decepção incômoda. Na Amsterdam Arena (Johan Cruyff Arena a partir de 25 de outubro), os Amsterdammers repetiram uma história vista há muitos e muitos anos. Engoliram ofensivamente o adversário, criaram chances, jogaram bem, até colocaram a bola na rede... mas os descuidos com a defesa custaram caro: no final do jogo – 34 minutos do segundo tempo -, um contra-ataque rápido dos visitantes do Mediterrâneo rendeu belo passe de calcanhar de Jéan Michaël Séri, o gol de Vincent Marcel, o empate em 2 a 2 e a classificação dos Aiglons, pelos gols fora de casa.

Era duro não poder contar, novamente, com o dinheiro da Liga dos Campeões. Ainda assim, voltar à Liga Europa mantinha as coisas no lugar – sem contar que o início do Campeonato Holandês já estava no horizonte. Pois bem: o que se vê hoje é um Ajax preocupadíssimo, que se atrapalhou no planejamento para a temporada. Resultado fora de campo: as ofertas de transferência vêm, e o clube não tem nem alternativas para as posições, que dirá reforços contratados. Resultado dentro de campo: estreia com vexame na Eredivisie (2 a 1 para o Heracles Almelo – primeira vitória dos Heraclieden sobre o Ajax na liga desde 1965!), e a queda para o Rosenborg em casa, na ida dos play-offs da Liga Europa (1 a 0), aumentando o temor de que, assim como o PSV, os Amsterdammers também passarão a temporada fora de competições continentais.

Até parece curiosa tal situação muito próxima da crise, apenas 86 dias após o Ajax ter sonhado com um título continental, na final da Liga Europa. Todavia, as situações se avolumaram – e até o momento, foram pessimamente conduzidas pelo triunvirato formado por Edwin van der Sar (diretor geral), Marc Overmars (diretor de futebol) e Dennis Bergkamp (espécie de diretor técnico). Para começar, vale lembrar rapidamente: Peter Bosz só saiu porque seus métodos iam de encontro ao pensamento da comissão técnica do clube, liderada por Bergkamp e sempre ciosa de manter as tradições do Ajax: 4-3-3, troca de passes, o estilo quase suicida de tão ofensivo. Antes que a diferença de ideias se aprofundasse, Bosz preferiu aceitar a proposta do Borussia Dortmund.

Marcel Keizer foi promovido do Jong Ajax (equipe B), para comandar um grupo com vários membros conhecidos: André Onana, Matthijs de Ligt, David Neres, Justin Kluivert. Além do mais, dos titulares na temporada passada, haviam saído apenas Davy Klaassen e Bertrand Traoré. Situação tranquila, certo? Errado. Porque, no planejamento para a temporada, o Ajax se desfez com excessiva facilidade de jogadores que poderiam ser úteis, mesmo sem a titularidade. Casos claros são Kenny Tete e Jaïro Riedewald: o lateral direito e o zagueiro haviam perdido espaço sob Peter Bosz, mas poderiam retomá-lo. Que nada: foram respectivamente despachados para Lyon e Crystal Palace, deixando os titulares Joël Veltman e De Ligt sem reservas imediatos.

Habituado aos cânones táticos do Ajax, Marcel Keizer foi promovido do time B - mas peleja para arrumar o time (Louis van de Vuurst/Ajax.nl)

O erro ficou ainda mais sério e claro a partir da semana passada, quando foi revelado o interesse concreto do Tottenham na contratação de Davinson Sánchez. Inicialmente, o Ajax nem quis conversa. Mas o zagueiro colombiano ficou a fim de se transferir, após conversas com Mauricio Pochettino. E se era dinheiro que os Godenzonen queriam, os Spurs colocaram na mesa: 40 milhões de euros, no que foi a maior venda da história da Eredivisie. Sánchez foi afastado do jogo contra o Heracles Almelo, sábado passado. A solução foi deslocar Nick Viergever da lateral esquerda para a zaga – e na canhota, à força, reabilitar Mitchell Dijks, que voltara de empréstimo do Norwich City e sequer era considerado como nome para ficar no grupo, durante a pré-temporada.

Com a falta de preparação, não podia dar certo. E não deu. A virada do Heracles no sábado passado começou a mostrar isso. E a indecisão ficou ainda mais clara na derrota para o Rosenborg pela Liga Europa, com a repetição da velha rotina. O Ajax teve mais posse de bola, buscou mais o ataque (principalmente com Amin Younes, pela esquerda), esbarrou numa defesa bem postada... e a defesa deixou espaços mortais atrás. Um contra-ataque, mau posicionamento – e erro de Veltman, no tempo de bola, após tiro de meta do goleiro André Hansen -, e a bola ficou à feição para Samuel Adegbenro chutar e fazer o gol da vitória da equipe norueguesa, no final do jogo (32 minutos do segundo tempo). Quatro jogos oficiais do Ajax na temporada: dois empates, duas derrotas.

Claro, as críticas vieram tão logo Craig Thomson apitou o fim do jogo. Em seu perfil no Twitter, o jornalista Willem Vissers tascou: “Típico caso de relaxo: deixar um técnico inexperiente com um grupo incompleto. Vergonhoso”. Torcedor do Ajax e ex-colaborador da Opta, Martijn Hillhorst foi ainda mais virulento: “Jogo importante, e no banco você tem [o meia Carel] Eiting, [o zagueiro Deyovaisio] Zeefuik e [o zagueiro Damil] Dankerlui. Nenhum deles jogou sequer pela Eredivisie. Sabe-se que agosto é um mês crucial na temporada, e esse é seu grupo”. 

À emissora de tevê Ziggo Sport, Hakim Ziyech alfinetou: “Sim, acho [necessárias contratações]. Um defensor, um meio-campista e um atacante. É melhor começar a temporada com um elenco o mais completo possível. É duro ver que eles [os diretores] não aprenderam com seus erros”. Para piorar, a mudança de cenário pode levar à saída de mais gente que prometera a Peter Bosz não deixar Amsterdã. Sánchez foi o primeiro. E há riscos de defecções de Onana, Dolberg e do próprio Ziyech, por mais que Marc Overmars prometa que "ninguém mais sai".

O Ajax até ganha muito dinheiro com suas vendas, agora. Mas continua ficando para trás do mesmo jeito.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 18 de agosto de 2017)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

810 minuten: como foi a 1ª rodada da Eredivisie

Dessers terminou a temporada passada marcando gols pelo NAC Breda. E começou deixando dois pelo Utrecht (fcutrecht.nl)

ADO Den Haag 0x3 Utrecht (sexta-feira, 11 de agosto)

No jogo inaugural deste Campeonato Holandês, o ADO Den Haag pareceu bem mais perto do primeiro gol do que os visitantes: com apenas dois minutos de bola rolando em Haia, Sheraldo Becker ficou frente a frente com o goleiro David Jensen, após bola vinda de disputa aérea, mas Jensen defendeu. Sorte do Utrecht. Que teria mais sorte ainda aos 15': Gyrano Kerk bateu, o goleiro Robert Zwinkels desviou com os pés e a bola bateu na trave, sobrando para o impedido Cyriel Dessers fazer 1 a 0. A posição irregular de Dessers passou em branco para o juiz Ed Janssen, e foi do atacante belga o primeiro gol da Eredivisie na temporada 2017/18.

O gol foi a senha para o crescimento do Utrecht no jogo. Os visitantes começaram a dominar, enquanto o ADO Den Haag tentou segurar na base das faltas (algumas violentas, como a que tirou Anouar Kali do jogo ainda antes do intervalo). Sem sucesso, porque os Utregs fizeram 2 a 0 logo no começo do segundo tempo, numa jogada de contratados: aos 54', Urby Emanuelson cruzou e Sander van de Streek cabeceou para o gol. Os mandantes voltaram a atacar mais em busca do gol, chegando mais perto aos 66', quando Tom Beugelsdijk cabeceou na trave. Porém, com espaço para os contragolpes, o Utrecht chegou ao 3 a 0 aos 81', com Dessers coroando os bons começos - o seu e o dos próprios Utregs, que não venciam pela estreia num Campeonato Holandês desde 2009.

Hirving Lozano já mostrou a que veio: o mexicano abriu o caminho para a vitória do PSV, num bom jogo (ANP)
PSV 3x2 AZ (sábado, 12 de agosto)

O primeiro momento notável no Philips Stadion envolveu uma lamentável infelicidade: logo aos 5', Calvin Stengs, 19 anos, atacante que despontara no AZ durante o play-off pela Liga Europa e já começava como titular, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho (está fora da temporada), deixando o campo de maca, às lágrimas, e dando lugar a Dabney dos Santos. Após a comoção pelo azar de Stengs, já se teve mostras do equilíbrio que seria regra no jogo. O AZ atacou aos 9', num chute perigoso de Alireza Jahanbakhsh, que passou perto do gol defendido por Jeroen Zoet. O PSV respondeu aos 12': Jürgen Locadia deixou a Marco van Ginkel, que bateu cruzado para a defesa de Marco Bizot.

A partir de então, os Boeren rumaram para o gol, com mais troca de passes. Aos 14', Steven Bergwijn arriscou, a bola bateu em cima de Ron Vlaar e ficou à feição na área para Hirving Lozano. Porém, o estreante mexicano chutou torto, para fora. Aos 16', numa rápida triangulação, Van Ginkel deixou a Santiago Arias, que cruzou para o meio da área. Sem ninguém para finalizar, Jonas Svensson afastou pela linha de fundo. Porém, no contra-ataque seguinte que teve, o AZ é que abriu o placar, aos 18'. Wout Weghorst veio pela direita, cruzou rasteiro, a bola passou por todos que estavam na área, até ficar nos pés de Dabney dos Santos (justamente o substituto de Stengs). Dabney chutou no canto esquerdo de Zoet para o 1 a 0.

Restava ao PSV continuar buscando o empate, para não aumentar a nascente crise. Aos 30', Steven Bergwijn tentou pela primeira vez, chutando a bola na rede pelo lado de fora. Se ele não conseguiu na primeira, Lozano o fez na segunda chance: quase na sequência, recebeu de Van Ginkel pela esquerda, avançou livre, cortou para o meio da área livrando-se de Vlaar e chutou no canto esquerdo de Bizot para fazer 1 a 1, no seu primeiro gol defendendo os Boeren. E Lozano só não fez o segundo, aos 36', após ser lançado em profundidade por Pereiro, porque após driblar Bizot e concluir, Jonas Svensson tirou pela linha de fundo. No minuto seguinte, mais uma chance: livre com a bola,  o mexicano apelidado "Chucky" chutou forte no travessão. O AZ só reapareceu aos 43', quando Jahanbakhsh chutou colocado e acertou a trave esquerda de Zoet.

Maradona e Gullit se abraçam na tribuna do Philips Stadion. E devem ter gostado do que viram (ANP/Pro Shots)
O equilíbrio seguiu no segundo tempo. Logo aos 48', os Eindhovenaren se valeram de um fator surpresa: Pereiro surpreendeu para virar o jogo. Partindo do meio-campo, o uruguaio driblou Thomas Ouwejan com uma meia-lua, pegou a bola já na área e bateu forte. A bola passou por baixo de Bizot, e era o 2 a 1 dos mandantes no Philips Stadion. No entanto, convinha não ignorar os avanços perigosos dos visitantes de Alkmaar - até porque Joshua Brenet, atormentado por Alireza na esquerda, saiu ainda no primeiro tempo por opção técnica do técnico Phillip Cocu, dando lugar a Kenneth Paal. O alerta veio aos 52': Dabney dos Santos fez a jogada e deixou Weghorst na cara do gol, mas o atacante chutou para fora. E o perigo voltou aos 60', quando um cruzamento de Marko Vejinovic foi levemente desviado por Guus Til, forçando Zoet a se esticar para espalmar.

Os mandantes só se tranquilizaram mais aos 76', com o terceiro gol. Jorrit Hendrix cruzou para a área, Pereiro cabeceou, Bizot rebateu, e Van Ginkel estava a postos para aproveitar e fazer 3 a 1. Placar resolvido? Que nada: quatro minutos depois, Jahanbakhsh foi derrubado na área, Bjorn Kuipers marcou o pênalti, e Weghorst cobrou no meio do gol. 3 a 2: a insegurança voltava ao Philips Stadion. Mas o jogo terminou mesmo com a vitória do PSV, num jogo atraente, merecedor das ilustres presenças que teve: Diego Maradona e Ruud Gullit.

Tissoudali fez bonito gol e homenageou Nouri, na boa estreia do VVV-Venlo (ANP/Pro Shots)

VVV-Venlo 3x0 Sparta Rotterdam (sábado, 12 de agosto)

Um pouco (bem pouco) mais habituado à Eredivisie do que o promovido VVV-Venlo, o Sparta Rotterdam tivera mais chances de abrir o placar durante todo o primeiro tempo. A mais concreta dessas chances dos visitantes viera numa bola cabeceada por Dalibor Volas contra o travessão defendido por Lars Unnerstall. Porém, aos 44', o inesperado fez uma surpresa agradável para o time de Venlo: Clint Leemans arriscou chute de longe, e o goleiro Roy Kortsmit "aceitou", deixando a bola passar para o 1 a 0.

Se Kortsmit falhou no primeiro gol, nada teve a fazer quando o VVV fez 2 a 0, logo no começo do segundo tempo: aos 48', Tarik Tissoudali recebeu a bola já matando no peito antes de concluir bonito. Após um tempo atordoado, o Sparta até pressionou depois, mas encontrou uma barreira respeitável nas boas defesas do goleiro Lars Unnerstall. Para piorar, aos 84' os Kasteelheren ficaram com um a menos: Julian Chabot recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O caminho ficou aberto para o terceiro gol dos mandantes em De Koel, aos 90' + 2, novamente com Leemans. Vencer por 3 a 0 logo na primeira partida da temporada de volta: nada mal para um recém-promovido...

Com essa o Ajax não contava: o Heracles conseguiu o empate repentinamente e cresceu para vencer o jogo (ANP/Pro Shots)
Heracles Almelo 2x1 Ajax (sábado, 12 de agosto)

O Ajax chegou para sua estreia na liga com mais um impacto inesperado do destino: horas antes do jogo na grama sintética do estádio Polman, em Almelo, o técnico Marcel Keizer anunciou que Davinson Sánchez ficaria fora até do jogo, com a justificativa de que os jogadores precisariam ter "100% de foco" - claro, em referência à transferência quase certa do zagueiro colombiano para o Tottenham. Só restou deslocar Nick Viergever para a zaga, enquanto Mitchell Dijks, antes considerado peso morto no grupo ao voltar do empréstimo ao Norwich City, virava titular.

Seja como for, o eventual peso da ausência de Sánchez não foi sentido. Apostando na posse de bola - em algumas jogadas pelas pontas -, os visitantes de Amsterdã começaram chegando aos 8', num chute de Hakim Ziyech, para fora. O Heracles apostou nos contra-ataques. E quase se deu bem em sequência: aos 9', Brandley Kuwas foi lançado, driblou Viergever e finalizou cruzado, forçando André Onana a espalmar para fora. Na cobrança do escanteio seguinte, Jeff Hardeveld chutou acima do gol. Depois, aos 17', Brahim Darri fez jogada individual, chegou à grande área, cortou para a direita e arrematou para Onana defender no susto, quase soltando a bola.

Só então os Amsterdammers voltaram a se impor em campo. Aos 23', em rápida jogada, Donny van de Beek recebeu passe de Kasper Dolberg (de calcanhar), chegou em boa posição à grande área e chutou para boa defesa de Bram Castro, espalmando pela linha de fundo. No minuto seguinte, o próprio Dolberg foi quem arriscou, mas Castro agarrou a bola de novo. O goleiro belga do Heracles apareceria novamente com destaque mais três vezes: aos 33' (chute de Justin Kluivert), aos 39' (espalmando para fora chute de Van de Beek), aos 41' (segurando firme tentativa de Ziyech) e no lance final do primeiro tempo, em batida cruzada de Dijks.

Kuwas (segurando a bola) chamou a responsabilidade: fez o passe para o gol de empate e marcou ele mesmo o da virada (Harry Broeze/heracles.nl)
Com 77 por cento de posse de bola, o Ajax impunha seu velho estilo. Ficou ainda mais perto do gol logo no começo da etapa complementar: aos 50', Dijks chegou às proximidades da área com a bola e chutou cruzado, sem chances para Castro, mandando a bola na trave. Finalmente, o gol merecido, aos 56'. Amin Younes foi o "autor prático": o alemão fez toda a jogada pela esquerda, passou por dois jogadores e cruzou rasteiro para o meio da área. Sobrou a Hakim Ziyech a melhor parte do trabalho: finalizar com gosto, estufando as redes de Castro, fazendo 1 a 0.

Após abrir o placar, o Ajax seguia dominando a posse de bola e o jogo. Mas repentinamente, num contra-ataque despretensioso, veio o empate do Heracles. Se Younes fizera o trabalho quase sozinho no gol do Ajax, coube a Kuwas criar a chance para o empate dos Heraclieden: aos 66', o ponta cruzou da esquerda, e Paul Gladon teve só o trabalho de escorar para fazer o 750º gol da história do clube na primeira divisão.

E aí, o cenário mudou por completo. Animados, os Heraclieden começaram a pressionar a defesa dos visitantes, em contragolpes e chutes - como aos 67', em arremate de Peter van Ooijen, que Onana defendeu. Assustado, o Ajax até tentou fortalecer o ataque, com as entradas de Frenkie de Jong e Klaas-Jan Huntelaar, mas só trouxe perigo aos 72', quando Younes arriscou e Castro espalmou. Finalmente, a motivação dos donos da casa teve um prêmio: aos 82', Kuwas puxou outro contra-ataque pela direita, arriscou chute forte e mandou no ângulo direito de Onana, fazendo o belo gol do 2 a 1 da vitória. Os visitantes ainda tentaram o empate - e perderam chance incrível aos 90' + 2, quando Castro rebateu cobrança de falta de Ziyech e Huntelaar, com o gol vazio, chutou para fora. O apito final rendeu vitória histórica: desde 1965 o Heracles Almelo não vencia o Ajax pelo Campeonato Holandês. Mais uma dor de cabeça para os Ajacieden.

Matavz começou bem na tarefa de ser o homem-gol do Vitesse: deixou o dele contra o NAC Breda (ANP/Pro Shots)

Vitesse 4x1 NAC Breda (sábado, 12 de agosto)

Desde antes da temporada começar, o Vitesse já era merecedor de atenção, pelo time que mostrou condições de fazer uma boa campanha na Eredivisie. Não precisou de mais do que dois minutos de jogo para comprovar isso, no GelreDome de Arnhem: Alexander Büttner recebeu a bola de Tim Matavz, e cruzou sob medida para Thomas Bruns chegar à frente e marcar seu primeiro gol oficial com a camisa do Vites. Aos 20', mais um contratado para esta temporada ampliou, em outra jogada de conjunto. Milot Rashica lançou, Matavz escorou, e Bryan Linssen para as redes mandou: 2 a 0.Tinha acabado? Que nada. Diante de um visitante atordoado, Matavz enfim fez o dele, aos 32', completando cruzamento de Rashica.

Somente no segundo tempo, já com desvantagem de três gols, é que o time de Breda começou a buscar mais o gol de honra. Na primeira grande chance, Paolo Fernandes chutou nas mãos do goleiro Remko Pasveer; na segunda, aos 69', enfim veio o gol de honra da equipe do sul holandês, com Thierry Ambrose completando de cabeça um cruzamento de Manu García. Antes que os visitantes se empolgassem, porém, Rashica confirmou a goleada aos 77', num chute quase sem ângulo. De fato, o Vitesse parece com tudo para fazer um bom papel neste campeonato.

A defesa começou assustando no Zwolle. Mas a virada para a vitória começou justamente com um zagueiro, Marcellis (Henry Dijkman/VI Images)
Zwolle 4x2 Roda JC (domingo, 13 de agosto)

Diante do que se viu nos primeiros 45 minutos do jogo no estádio em Zwolle, parecia que o time da casa queria assustar a torcida. Com atuação ruim da defesa, o Roda JC não tinha a menor dificuldade de chegar perto do gol. Jorn Vancamp já perdera ótima chance, cara a cara com Diederik Boer, antes de Simon Gustafson justificar o empréstimo do Feyenoord já em sua estreia oficial pelos Koempels, fazendo 1 a 0 aos 22', aproveitando erro dos Zwollenaren na saída de bola. Erro semelhante quase rendeu o segundo gol do Roda, quando Philippe Sandler recuou sem olhar para o gol, e Boer teve de correr para evitar o desastre, perto da linha. Com essas desatenções, é até surpreendente que o Zwolle tenha empatado, ainda, aos 45' + 1. Mais impressionante ainda que tenha sido um zagueiro: Dirk Marcellis, de cabeça.

Tranquilizado no intervalo pela igualdade, o Zwolle voltou a campo mais concentrado no segundo tempo. E não demorou para virar o jogo: aos 53', Bram van Polen recebeu livre pela esquerda, cruzou, e Adil Auassar cometeu gol contra ao desviar contra o patrimônio. Ainda houve mais um susto: aos 66', após pênalti de Van Polen, Gustafson bateu para o 2 a 2. Todavia, aí vieram os erros do goleiro do Roda JC, Hidde Jurjus (que até vinha jogando bem). Aos 66', saindo cedo demais do gol, Jurjus possibilitou que Mustafa Saymak o encobrisse para o 3 a 2; e aos 76', poderia ter defendido o chute de Van Polen que deu números finais e aliviou, afinal, a torcida no Mac³Park Stadion.

O Feyenoord de Berghuis (à esquerda) e Diks sofreu um pouco, mas afinal garantiu o mais importante contra o Twente: a vitória (ANP/Pro Shots)
Feyenoord 2x1 Twente (domingo, 13 de agosto)

O campeão da Eredivisie começou a defender seu título sem o goleiro titular: com dores nas costas, Brad Jones cedeu lugar ao jovem Justin Bijlow, de 18 anos (o reserva imediato, Kenneth Vermeer, também está machucado). E no começo do jogo em De Kuip, quem mais teve de trabalhar foi o guarda-metas do Stadionclub. Aos 4', o Twente teve a primeira chance num chute de Danny Holla, para fora. Logo depois, aos 7', Holla tabelou com Oussama Assaidi, recebeu de volta e passou a Fredrik Jensen, que tentou tocar para o gol, mas teve no caminho Bijlow, que fechou o ângulo e evitou a chance.

Sem muito espaço para tocar a bola (e nem muita rapidez, diga-se de passagem), apostando demais nas jogadas pela direita, o Feyenoord só começou a chegar aos 22': após troca veloz de passes, mas quando Steven Berghuis recebeu de Tonny Vilhena na área, pisou na bola e perdeu a jogada. No minuto seguinte, na primeira jogada pela esquerda a ter êxito, o Feyenoord fez 1 a 0. Berghuis inverteu o jogo e encontrou Jean-Paul Boëtius livre. O camisa 7 dominou a bola, veio pela canhota e cruzou rasteiro. Na primeira trave, Nicolai Jorgensen se antecipou à marcação para fazer o que sabe: gol.

Na frente, o atual campeão holandês passara a controlar o jogo, tendo a bola e criando chances para acelerar um jogo que vinha monótono - como aos 35', quando Vilhena recuou a Jan-Arie van der Heijden, que chutou para a defesa do goleiro Jorn Brondeel. Contudo, aos 37', assim como sofrera o gol repentinamente, do nada o Twente também empatou. Após cobrança de falta, a bola passou sobre a área e parou com Hidde ter Avest, pela esquerda. Ele cruzou, a zaga da casa rebateu, e Jensen aproveitou a sobra num bonito chute, de bate-pronto, no ângulo de Bijlow, para o 1 a 1. Surpreendido, o time da casa só pôde tentar passar à frente de novo em chutes de Boëtius, aos 39', e Ridgeciano Haps, aos 44'.

A vitória foi do Feyenoord, mas Jensen (no alto) mereceu destaque, pelo belo gol de empate (Frank Hillen/fctwente.nl)
No primeiro minuto do segundo tempo, os dois times tentaram rapidamente o gol, em cruzamentos (Nikola Gjorgiev, para o Twente) ou chutes de longe (Berghuis, para o Feyenoord). Mas a partida ficou novamente amarrada: só num momento de sorte os Feyenoorders quase marcaram - aos 55', Berghuis cruzou da direita e Jens Toornstra escorou em cima de Brondeel. O goleiro do Twente voltou a aparecer aos 58', defendendo facilmente o cabeceio de Kevin Diks. Mas aos 60', não houve o que fazer para Brondeel: Toornstra mandou a bola para a área numa falta, e Berghuis completou firme com a testa para o 2 a 1 que recolocou o Feyenoord na frente. E somente uma oportunidade fortuita do Twente (aos 89', Isaac Buckley-Ricketts quase empatou, chutando por cima do gol na pequena área) ameaçou perturbar a vitória do clube de Roterdã em sua estreia.

El Azzouzi marcou na vitória do Excelsior, e pôde fazer mais uma homenagem a Nouri (Pro Shots)
Willem II 1x2 Excelsior (domingo, 13 de agosto)

Como se escrevera aqui no guia do Campeonato Holandês, o Excelsior se livrara do rebaixamento com facilidade inesperada em 2016/17. Ainda assim, com tantas perdas importantes na janela de transferências (Fredy, Nigel Hasselbaink, Khalid Karami), ficava a dúvida sobre a capacidade dos Kralingers para fazer um bom começo. Pois ela foi vista na visita ao Willem II. Em casa, o time de Tilburg atacava mais, e quase chegou ao gol com duas tentativas de Fran Sol, aos 8' e aos 24'. Porém, numa bola parada, o Excelsior abriu o placar, aos 29': Hicham Faik cobrou falta, Milan Massop cabeceou, e o goleiro Timon Wellenreuther se atrapalhou, empurrando a bola para a própria meta.

Se tivesse tal eficiência no segundo tempo, o time de Roterdã poderia sonhar com uma vitória na estreia. Pois teve: aos 52', um lançamento de Ryan Koolwijk deixou Zakaria El Azzouzi livre para ampliar a vantagem do Excelsior - e ser mais um a homenagear "Appie" Nouri na comemoração do gol. O Willem II não se rendeu, e conseguiu o merecido gol aos 65': Daniel Crowley cruzou, Koolwijk rebateu errado, e Fran Sol conferiu a sobra para as redes. Ainda assim, os visitantes seguraram a vitória. Tiveram até chance de ampliar (Stanley Elbers mandou bola no travessão aos 89'). E começam prometendo tempos mais tranquilos.

Mahi converte um dos dois pênaltis em que fez gol no emocionante clássico contra o Heerenveen (Erwin Otten/fcgroningen.nl)

Groningen 3x3 Heerenveen (domingo, 13 de agosto)

O "Dérbi do Norte" começou animado - e terminaria ainda mais. Na verdade, a animação do começo foi só para o Heerenveen, que já fez 1 a 0 aos cinco minutos: Lucas Woudenberg cruzou, a bola passou pela área e foi pega por Denzel Dumfries, que cruzou novamente, para Morten Thorsby enfim fazer o gol - que motivou uma alteração bizarra: ao comemorar, o goleiro titular Warner Hahn deslocou o ombro, tendo de dar lugar ao reserva Wouter van den Steen. Pelo menos, o domínio dos visitantes da Frísia continuou: Thorsby quase marcou de cabeça, aos 30', e finalmente Reza "Gucci" Ghoochannejhad deixou o 2 a 0 no placar, aos 40', completando outro passe de Dumfries.

Mas o Groningen não desistiu e começou a ir atrás do empate tão logo o segundo tempo começou: já aos 53', Lars Veldwijk driblou dois zagueiros e finalizou para seu primeiro gol oficial pelo novo clube. A pressão seguiu num pênalti não dado (Mimoun Mahi foi puxado por Joost van Aken aos 56', mas o juiz Pol van Boekel nem quis saber), continuou na entrada de mais um atacante (Tom van Weert) e se concretizou no 2 a 2: aos 82', Woudenberg fez pênalti em Jesper Drost, o juiz enfim apitou, e Mahi converteu a cobrança. Porém, a ducha de água fria pareceu ser definitiva aos 86', quando Thorsby fez 3 a 2 para o Heerenveen. Mas outro pênalti salvou os Groningers da derrota em casa: Van Aken puxou Veldwijk, e Mahi bateu o penal marcado para completar o final animado. Do jogo e da rodada: desde 1995 uma primeira rodada de Campeonato Holandês não tinha tantos gols (foram 37).

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Guia do Campeonato Holandês - Parte II (os prováveis de cima)

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 11 de agosto de 2017)

Já começou. Nesta sexta, o Utrecht abriu a temporada 2017/18 do Campeonato Holandês como encerrara a anterior: impondo respeito, com uma categórica vitória por 3 a 0 sobre o ADO Den Haag, fora de casa. Contudo, é difícil (para não dizer impossível) escapar do prognóstico de que o título é assunto apenas para os três grandes: Ajax, PSV e Feyenoord.

Aliás, é possível dizer que o atual campeão holandês também se recompôs a tempo, para poder defender o título da Eredivisie nesta temporada 2017/18. E o próprio Ajax, mesmo vitimado por incidentes inesperados (a demissão de Peter Bosz e a fatalidade com Abdelhak Nouri), parece pronto para competir seriamente pela Eredivisieschaal.

Quem despencou de vez na crise foi o PSV: a vexatória eliminação na Liga Europa pode ter dado início a uma série de saídas, que indicam continuação de uma reformulação já com a temporada iniciada. Pode até dar certo no final, mas as turbulências do começo dificilmente indicam isso.

Ainda assim, dá para notar preparação em pelo menos três clubes médios. AZ, Utrecht e o próprio Vitesse se prepararam bem para a temporada que se iniciou nesta sexta. Talvez seja um deles o mais apto a roubar a cena neste Campeonato Holandês, cuja apresentação se conclui nesta segunda parte do guia. E cuja transmissão de televisão no Brasil, novamente, ficará a cargo dos canais ESPN, nos clássicos - as partidas "normais" serão exibidas no Watch ESPN, serviço on demand da emissora.

Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]



Jorgensen segue no Feyenoord. E o atual dono da Eredivisieschaal segue preparado para tentar o bicampeonato (feyenoord.nl)

Feyenoord

Cidade: Roterdã
Estádio: De Kuip (capacidade para 51.137 torcedores)
Apelidos: Stadionclub (em holandês, "o clube do estádio" - referência a De Kuip, considerado o mais tradicional estádio do país); Feyenoorders; Rotterdammers
Títulos: 15 Campeonatos Holandeses (merecem citação um título mundial, uma Copa dos Campeões, duas Copas da UEFA e 12 Copas da Holanda)
Patrocínio: Qurrent (empresa de energia renovável)
Técnico: Giovanni van Bronckhorst
Destaque: Nicolai Jorgensen (atacante)
Fique de olho: Tonny Vilhena (meio-campista) e Eric Botteghin (zagueiro)
Brasileiros no elenco: Eric Botteghin (zagueiro)
Temporada passada: Campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Objetivo: Título
Principais chegadas: Kevin Diks (D, Fiorentina-ITA), Jeremiah St. Juste (D, Heerenveen), Ridgeciano Haps (D, AZ), Sofyan Amrabat (M, Utrecht), [Steven Berghuis (A, Watford-ING)] e Jean-Paul Boëtius (A, Basel-SUI)
Principais saídas: Warner Hahn (G, Heerenveen), Rick Karsdorp (D, Roma-ITA), Terence Kongolo (D, Monaco-FRA), Lucas Woudenberg (D, Heerenveen), Marko Vejinovic (M, AZ), Simon Gustafson (M, Roda JC), Dirk Kuyt (A, encerrou a carreira) e Eljero Elia (A, Basaksehir-TUR)

Pronto. Acabou. Após 18 anos, enfim o Feyenoord saberá novamente o que é defender um título no Campeonato Holandês. Pelo menos no começo da preparação, era possível se preocupar com o que o Stadionclub ofereceria à sua torcida – embora a lua-de-mel esteja longe de acabar. Três dias após ser o nome do jogo do título em 2016/17, contra o Heracles Almelo, Dirk Kuyt encerrou a carreira; Eljero Elia preferiu o dinheiro do futebol turco no Basaksehir; e a defesa foi muito atingida com as perdas de Rick Karsdorp e Terence Kongolo. Todavia, a atuação da diretoria na janela de transferências foi a suficiente para repor bem as perdas (claro, levando-se em conta o nível técnico do futebol holandês).

Nas laterais, Kevin Diks e Ridgeciano Haps oferecem velocidade; o jovem Jeremiah “Jerry” St. Juste é promissor reserva para a intocável dupla Eric Botteghin-Jan-Arie van der Heijden; a mesma coisa ocorre com Sofyan Amrabat, boa alternativa para Tonny Vilhena e Karim El Ahmadi no meio-campo; e Jean-Paul Boëtius está pronto para ocupar o lugar deixado por Elia. De quebra, a manutenção definitiva de Steven Berghuis no grupo facilita o entrosamento – bem como a permanência de outros destaques do título (Eric Botteghin, Vilhena, El Ahmadi, Nicolai Jorgensen, Jens Toornstra). Enfim, se nada disso talvez seja suficiente para boa campanha na Liga dos Campeões, o Feyenoord parece pronto para tentar manter o domínio doméstico.


Ajax ainda leva Nouri na lembrança. Mas parece pronto para a temporada (Louis van de Vuurst/Ajax.nl)
Ajax

Cidade: Amsterdã
Estádio: Amsterdam Arena (a partir de 25 de outubro, Johan Cruyff Arena - capacidade para 53.502 torcedores)
Apelidos: Godenzonen (em holandês, "os filhos dos deuses" - apelido dado desde o time campeão europeu em 1994/95, pela torcida, como se o Ajax fosse escolhido pelos deuses para ser o representante do bom futebol no mundo); Ajacieden (nome dado a torcedores e jogadores do clube); Amsterdammers
Títulos: 33 Campeonatos Holandeses (merecem citação dois títulos mundiais, quatro Copas/Ligas dos Campeões, 1 Copa da UEFA e 18 Copas da Holanda)
Patrocínio: Ziggo (empresa de telecomunicações)
Técnico: Marcel Keizer
Destaques: Hakim Ziyech (meio-campista) e Kasper Dolberg (atacante)
Fique de olho: Klaas-Jan Huntelaar (atacante)
Temporada passada: Vice-campeão
Copas europeias: Liga dos Campeões (eliminado pelo Nice-FRA na terceira fase preliminar) e Liga Europa (enfrentará Rosenborg-NOR nos play-offs)
Objetivo: Título
Principais chegadas: Benjamin van Leer (G, Roda JC), Kostas Lamprou (G, Willem II), Luis Orejuela (D, Deportivo Cali-COL), [Mitchell Dijks (D, Norwich City-ING)], [Django Warmerdam (D/M, Zwolle)], [Queensy Menig (M/A, Zwolle)] e Klaas-Jan Huntelaar (A, Schalke 04-ALE)
Principais saídas: Diederik Boer (G, Zwolle), Kenny Tete (D, Lyon-FRA), Heiko Westermann (D, Austria Viena-AUT), Jaïro Riedewald (D, Crystal Palace-ING), Thulani Serero (M, Vitesse), Davy Klaassen (M, Everton-ING), Richairo Zivkovic (A, KV Oostende-BEL), Zakaria El Azzouzi (A, Excelsior) e [Bertrand Traoré (A, Chelsea-ING)]

Finalista da Liga Europa, time entrosado, terminando o campeonato passado tecnicamente ascendente, cheio de jovens promissores... o futuro pertencia ao Ajax, era o que parecia quando a temporada 2016/17 se encerrou. Aí, vieram os fatos inesperados. Primeiro, uma discordância de rumos quanto a métodos de treinamento e estilos de jogo abreviou a permanência de Peter Bosz nos Godenzonen: antes que o racha com a comissão técnica liderada por Dennis Bergkamp ficasse maior e mais sério, ele aceitou a proposta do Borussia Dortmund. Depois, já nos treinos de pré-temporada na Áustria, a fatalidade que transformou a vida de Abdelhak Nouri – obviamente abalando todo o grupo de jogadores.

Mas era preciso continuar. E continuar sem uma das figuras mais marcantes do Ajax em campo, nos últimos anos: o capitão Davy Klaassen, que enfim deu o salto que merecia na carreira. Além do mais, gente como Kenny Tete e Jaïro Riedewald (reservas, mas que poderiam oferecer algo caso necessário) foi descartada. Ficava a dúvida: o que faria Marcel Keizer, técnico promovido do Jong Ajax, com o time? Pelas respostas vistas contra o Nice, na Liga dos Campeões, o cenário é misto. Seguem as fragilidades defensivas, que custaram o sonho do lugar na grande competição europeia de clubes.

Ainda assim, à primeira vista, a base do time que Keizer tem é quase a mesma. Seguem no time Davinson Sánchez, Matthijs de Ligt, Lasse Schöne, Hakim Ziyech, Kasper Dolberg. Donny van de Beek mostrou estar pronto para ocupar o lugar deixado por Klaassen. As promessas Justin Kluivert e David Neres deverão protagonizar disputa interessante pela vaga na direita. Marcel Keizer pediu reforços na defesa – e eles vão chegando (o colombiano Luis Orejuela foi o primeiro). E se Dolberg tropeçar na juventude, Klaas-Jan Huntelaar é nome experimentadíssimo, cheio de vontade para agarrar a chance onde já foi ídolo. O Ajax está se remontando, como em 2016/17. Mas parece num estágio avançado para reagir e ser o grande adversário do Feyenoord. Precisa. Até porque, bem ou mal, já são três anos sem títulos...

Van Ginkel voltou ao PSV já se tornando capitão. Mas sabe que equipe terá muito trabalho (ANP)
PSV

Cidade: Eindhoven
Estádio: Philips Stadion (capacidade para 36.500 torcedores)
Apelidos: Boeren (em holandês, "fazendeiros" - referência ao grande número de fazendas e áreas verdes na região onde fica Eindhoven); Eindhovenaren (nativos de Eindhoven) 
Títulos: 23 Campeonatos Holandeses (merecem destaque 1 Copa dos Campeões, 1 Copa da UEFA e 9 Copas da Holanda)
Patrocínio: Energie Direct (empresa fornecedora de energia)
Técnico: Phillip Cocu
Destaques: Jeroen Zoet (goleiro) e Marco van Ginkel (meio-campista)
Fique de olho: Bart Ramselaar (meio-campista)
Temporada passada: 3º colocado
Copas europeias: Liga Europa (eliminado na terceira fase preliminar, pelo Osijek-CRO)
Objetivo: Título/vaga nas competições continentais
Principais chegadas: Derrick Luckassen (D, AZ), [Marcel Ritzmaier (D, Go Ahead Eagles)], Marco van Ginkel (M, Chelsea-ING), [Adam Maher (M, Osmanlispor-TUR)], Mauro Junior (M, Desportivo Brasil) e Hirving Lozano (A, Pachuca-MEX)
Principais saídas: Remko Pasveer (G, Vitesse), Hidde Jurjus (G, Roda JC), Menno Koch (D, NAC Breda), Héctor Moreno (D, Roma-ITA), Jetro Willems (D, Eintracht Frankfurt-ALE), Andrés Guardado (M, Real Betis-ESP), Davy Pröpper (M, Brighton & Hove Albion-ING), Rai Vloet (M, NAC Breda), [Siem de Jong (A, Newcastle-ING)] e [Oleksandr Zinchenko (A, Manchester City-ING)]

Reformulação? Ora bolas, e qual clube não passa por ela de vez em quando? Se o próprio PSV dependeu de uma dessas, no meio da década, para a reação que levou o clube ao bicampeonato em 2015 e 2016, por que não passar de novo? Esse foi o pensamento que levou a torcida e a diretoria a se desfazer de velhos conhecidos, apostando em novidades. Prova disso foi o que se viu na zaga: Héctor Moreno foi liberado sem a menor dificuldade, abrindo espaço para a contratação promissora de Derrick Luckassen, muito bem no AZ em 2016/17. E a liberação de Jetro Willems foi boa para todas as partes, encerrando clara estagnação na carreira do lateral esquerdo.

O problema é que a reformulação parece ter sido feita sem cuidado, apenas para satisfazer o desejo de abrir espaço para jogadores da base. O grande exemplo está no meio-campo. Mesmo atrapalhado por lesões, o volante Jorrit Hendrix mostra grande capacidade na marcação e certo espírito de liderança. Além do mais, é cria do PSV. Com Bart Ramselaar também sendo merecedor de confiança – e o novo empréstimo de Marco van Ginkel, que outra vez chegou para o returno e outra vez ganhou destaque na equipe -, os Boeren não pestanejaram em ceder Andrés Guardado ao Real Betis, sem muito drama.

Mas a eliminação inominável contra o Osijek, na Liga Europa, revelou: ainda falta muito ao time, para se refazer. Principalmente no ataque, que não tem nenhum jogador acima de qualquer suspeita. Locadia foi perturbado por lesões; Luuk de Jong há muito não é mais a garantia de gols que já foi, e nem impõe respeito (tanto que perdeu a braçadeira de capitão para Van Ginkel, antes mesmo da temporada começar); Gastón Pereiro não consegue “explodir”; Sam Lammers e a contratação Hirving Lozano são apostas. Para piorar, a falta do dinheiro das competições europeias já causa consequências. A venda rápida de Davy Pröpper ao Brighton foi uma delas. Talvez Luuk de Jong também viva o mesmo caso (interessa ao Hannover 96). E os Eindhovenaren chegam à Eredivisie sem um rumo na reformulação. Cenário nada recomendável. A ver se o time chega a algum lugar.

Dessers começou bem a temporada. O Utrecht também (Tom Bode Multimedia/VI Images)
Utrecht

Cidade: Utrecht
Estádio: De Galgenwaard (capacidade para 23.750 torcedores)
Apelido: Utregs
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (3 Copas da Holanda e 1 Supercopa da Holanda)
Patrocínio: Zorg van de Zaak (empresa de auxílio profissional)
Técnico: Erik ten Hag
Destaque: Gyrano Kerk (atacante)
Fique de olho: Urby Emanuelson (lateral esquerdo/meio-campista) e Cyriel Dessers (atacante)
Temporada passada: 4º colocado 
Copas europeias: Liga Europa (enfrentará o Zenit-RUS, nos play-offs)
Objetivo: vaga direta na Liga Europa/vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Nick Marsman (G, Twente), Dario Dumic (D, NEC), Urby Emanuelson (D/M, Sheffield Wednesday-ING), Anouar Kali (M, Willem II), Bilal Ould-Chikh (A, sem clube), Simon Makienok (A, Palermo-ITA), Lukas Görtler (A, Kaiserslautern-ALE) e Cyriel Dessers (A, NAC Breda)
Principais saídas: Robbin Ruiter (G, Sunderland-ING), Jeff Hardeveld (D, Heracles Almelo), Wout Brama (M, Central Coast Mariners-AUS), Sofyan Amrabat (M, Feyenoord), Nacer Barazite (M, Malatyaspor-TUR), [Richairo Zivkovic (A, Ajax)] e Sébastien Haller (A, Eintracht Frankfurt-ALE)

À primeira vista, os Utregs entram enfraquecidos na temporada. Destaques pontuais do grupo comandado por Erik ten Hag foram perdidos. No gol, mesmo recuperado da séria concussão sofrida no fim de 2016, Robbin Ruiter desejava sair – e foi atendido; entre uma partida e outra do duelo contra o Valletta, de Malta, na Liga Europa, Wout Brama foi negociado; mais séria foi a perda repentina de Nacer Barazite, que também quis deixar o clube; e acima de tudo, a torcida demorará a se acostumar com um time sem Sébastien Haller, o jogador estrangeiro com mais gols na história do Utrecht. Se serve de consolo, os reforços também são grandes o suficiente para que o time continue sendo um dos mais atraentes do futebol holandês, pelo estilo tático mais variado que apresenta.

A defesa seguirá entrosada, sem perdas entre os titulares na linha de quatro zagueiros – e mesmo o dinamarquês David Jensen, titular no gol desde o returno, é seguro a ponto de até já ser convocado para a seleção de seu país. No meio-campo, Anouar Kali tem tudo para dar na armação das jogadas a qualidade que Barazite dava – sem contar a experiência de Urby Emanuelson, enfim com chances para refazer a carreira. No ataque, Gyrano Kerk já era preparado para se tornar titular, e Cyriel Dessers, herói do acesso do NAC Breda na repescagem, se encaixa rapidamente no time (a ponto de ter feito o primeiro gol da Eredivisie). E por enquanto, Yassin Ayoub fica no clube, após ter considerada como certa uma transferência para o Bursaspor-TUR. Assim como o campeão Feyenoord, o Utrecht sofreu perdas sérias – mas foi rápido e preciso para se refazer e seguir com nível aceitável. Nem mesmo o sonho encerrado de repatriar Wesley Sneijder faz falta.

Bruns (à direita) terá a função de criar os ataques do Vitesse (vitesse.nl)
Vitesse

Cidade: Arnhem
Estádio: GelreDome (capacidade para 21.248 torcedores)
Apelidos: Vites, Arnhemmers 
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda) 
Patrocínio: Swoop (revendedora de eletrônicos usados)
Técnico: Henk Fräser
Destaque: Milot Rashica (atacante)
Fique de olho: Thomas Bruns (meio-campista)
Temporada passada: 5º colocado
Copas europeias: Liga Europa (fase de grupos)
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Remko Pasveer (G, PSV), Fankaty Dabo (D, Chelsea-ING), Thulani Serero (M, Ajax), Thomas Bruns (M, Heracles Almelo), Charlie Colkett (M, Chelsea-ING), Bryan Linssen (A, Groningen), [Mukhtar Ali (A, Chelsea-ING)], Tim Matavz (A, Augsburg-ALE) e Luc Castaignos (A, Sporting-POR)
Principais saídas: [Kevin Diks (D, Fiorentina-ITA)], Kelvin Leerdam (D/M, Seattle Sounders-EUA), Marvelous Nakamba (M, Club Brugge-BEL), [Lewis Baker (M, Chelsea-ING)], [Nathan (M, Chelsea-ING)], Valeri Qazaishvili (A, San Jose Earthquakes-EUA) e Ricky van Wolfswinkel (A, Basel-SUI)

Eis aí um caso de equipe que não só não perdeu muito com a janela de transferências, mas também se reforçou eficientemente para o nível técnico (baixo) do Campeonato Holandês. “Como assim? O Vitesse perdeu Ricky van Wolfswinkel!” De fato, o herói do título da Copa da Holanda, líder técnico do elenco, deverá fazer alguma falta – assim como Lewis Baker, destaque no meio-campo (que até merecia uma aposta no grupo principal do Chelsea). Alguns jogadores que saíram também tinham utilidade, como “Vako” Qazaishvili ou Marvelous Nakamba. Mas... oras, para quê serve a parceria oficiosa do Vitesse com o Chelsea? Exatamente para esses casos: ceder jogadores que possam ganhar ritmo de jogo em Arnhem. Os casos da vez são o lateral direito Fankaty Dabo e o meio-campista Charlie Colkett, ambos titulares na decisão da Supercopa da Holanda.

De mais a mais, de nada adiantaria a relação próxima com os Blues se a diretoria não buscasse contratações precisas. Foi o caso no gol: com Eloy Room pensando na saída, o experiente Remko Pasveer chegou do PSV. No meio-campo, Thomas Bruns, destaque do Heracles Almelo, terá respaldo para criar as jogadas. Para marcar, ainda no meio, Thulani Serero é tão esforçado (e tem tanta velocidade) quanto Nakamba. E no ataque, para suprir a falta de Van Wolfswinkel, há dois atacantes experimentados em Eredivisie: Tim Matavz, mais goleador, e Luc Castaignos, tentando se recuperar na carreira. Sem contar os destaques que continuam. Na zaga, o ídolo Guram Kashia; no ataque, Milot Rashica. Essa mescla de permanências com reforços que conhecem a Eredivisie, mais a “cota Vit-Chelsea”, pode valer outra boa temporada. Mais um time que merece atenção.

Stengs é a grande aposta de um AZ que pouco mudou (az.nl)
 AZ

Cidade: Alkmaar
Estádio: AFAS (capacidade para 17.023 torcedores)
Apelido: Alkmaarders
Títulos: 2 Campeonatos Holandeses
Patrocínio: AFAS (empresa desenvolvedora de softwares)
Técnico: John van den Brom
Destaque: Wout Weghorst (atacante)
Fique de olho: Calvin Stengs (atacante)
Temporada passada: 6º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Marco Bizot (G, Racing Genk-BEL) e Marko Vejinovic (M, Feyenoord)
Principais saídas: [Tim Krul (G, Newcastle-ING)], Sergio Rochet (G, Sivasspor-TUR), Fernando Lewis (D, Willem II), Derrick Luckassen (D, PSV), Ridgeciano Haps (D, Feyenoord) e Muamer Tankovic (A, Hammarby-SUE)

Sabe-se que o AZ é um dos clubes médios mais tradicionais do futebol holandês – junto do Twente, talvez só esteja abaixo do Trio de Ferro. Até por isso, o time de Alkmaar sempre mostra equipes promissoras, com algumas revelações. Até por isso também, a decepção causada pela campanha em 2016/17: embora o sexto lugar não seja de se envergonhar, era possível voltar à Liga Europa – até para apagar a memória de outro ponto baixo do ano passado, a eliminação vexatória para o Lyon. Então, o que a diretoria fez? Continuar apostando no que já é conhecido.

O grupo continua praticamente o mesmo, a não ser em posições nas quais reforços eram indispensáveis. Cite-se como exemplo o gol: com a previsível devolução de Tim Krul ao Newcastle, Marco Bizot foi bom reforço trazido do Racing Genk. De resto, são os mesmos protagonistas: Ron Vlaar como o capitão experiente na zaga, Joris van Overeem se encarregando de criar no meio-campo (tendo o auxílio de Marko Vejinovic, presente no histórico título de 2008/09, emprestado pelo Feyenoord), Wout Weghorst responsável pelos gols, Alireza Jahanbakhsh acelerando o jogo na ponta – e a promessa em Calvin Stengs, que se destacou no play-off pela Liga Europa. Um voto de confiança foi dado. Caberá aos jogadores do AZ – e ao técnico John van den Brom – justificá-lo.

Odegaard (à direita) terá de aparecer mais em seu segundo semestre no Heerenveen (Andy Zuidema Fotografie/VI Images)
Heerenveen

Cidade: Heerenveen
Estádio: Abe Lenstra (capacidade para 26.100 torcedores)
Apelido: Fean (corruptela de "Hearrenfean", nome do time no idioma frísio - falado na província de Frieslândia, onde fica a cidade de Heerenveen), Frísios, Time da Frísia, "De Superfriezen" ("os superfrísios")
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Patrocínio: Groenleven (empresa de energia renovável)
Técnico: Jürgen Streppel
Destaques: Sam Larsson (atacante) e Reza Ghoochannejhad (atacante)
Fique de olho: Martin Odegaard (meio-campista)
Temporada passada: 9º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Warner Hahn (G, Feyenoord), [Maarten de Fockert (G, VVV-Venlo)], Denzel Dumfries (D, Sparta Rotterdam), Lucas Woudenberg (D, Feyenoord) e Marco Rojas (M, Melbourne Victory-AUS)
Principais saídas: Erwin Mulder (G, Swansea-ING), Maarten de Fockert (G, Go Ahead Eagles), Stefano Marzo (D, Lokeren-BEL), [Shay Facey (D, Manchester City-ING)], Jeremiah St. Juste (D, Feyenoord), [Wout Faes (D, Anderlecht-BEL)], Lucas Bijker (D, Cádiz-ESP), Younes Namli (M, Zwolle), Branco van den Boomen (M, FC Eindhoven) e Luciano Slagveer (A, Lokeren-BEL)

Isso já foi falado na análise da temporada, mas merece ser ressaltado: diante do começo fulgurante no primeiro turno, o Heerenveen decepcionou no returno. Foi o penúltimo colocado, considerando-se apenas as 17 rodadas finais da temporada regular. E nem mesmo a presença de bons jogadores no ataque evitou a decepção entre os torcedores, na província da Frísia. Mas se a mudança viesse, ela seria principalmente na defesa, com a saída de destaques do setor (Erwin Mulder, Stefano Marzo, Jeremiah St. Juste...).


Foi o que ocorreu. Se Mulder era um dos goleiros mais confiáveis do Campeonato Holandês, Warner Hahn enfim ganha espaço para comprovar se irá além de uma promessa. Na lateral direita, Denzel Dumfries traz maiores porte físico e segurança na defesa. De resto, a única novidade é a vinda do meio-campista neozelandês Marco Rojas, presente na Copa das Confederações. E os destaques seguem os mesmos: Reza “Gucci” Ghoochannejhad, Stijn Schaars para a marcação no meio-campo, Arber Zeneli na ponta-de-lança – e, por enquanto, Sam Larsson (o atacante sueco quer sair do clube, mas até agora nada concreto). E Martin Odegaard segue sendo aposta, em seu segundo ano de empréstimo pelo Real Madrid. Só se espera que a regularidade seja maior.

Mahi chama a responsabilidade no Groningen (Peter Lous/VI Images)

Groningen

Cidade: Groningen
Estádio: Noordlease (capacidade para 22.550 torcedores)
Apelido: Groningers, "Trots van het Noorden" (em holandês, "Orgulho do Norte")
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda)
Patrocínio: Payt (empresa de softwares)
Técnico: Ernest Faber
Destaque: Mimoun Mahi (atacante)
Fique de olho: Sergio Padt (goleiro) e Ritsu Doan (meio-campista)
Temporada passada: 8º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Mike te Wierik (D, Heracles Almelo), Django Warmerdam (D/M, Ajax), Todd Kane (D, Chelsea-ING), Ritsu Doan (M, Gamba Osaka-JAP) e Lars Veldwijk (A, Kortrijk-BEL)
Principais saídas: Stefan van der Lei (G, Willem II), Tom Hiariej (D, Central Coast Mariners-AUS), [Jason Davidson (D, Huddersfield Town-ING)], Desevio Payne (D, Excelsior), Hedwiges Maduro (M, Omonia Nicosia-CHP), Simon Tibbling (M, Brondby-DIN) e Bryan Linssen (A, Vitesse)

Entre os médios que sonham em surpreender, o time alviverde vive numa corda bamba. Quase nunca sofre com ameaças de rebaixamento ou mesmo de repescagem de acesso/descenso. Ainda assim, os Groningers ainda parecem distantes de um salto rumo a posições até melhores, como já fazem AZ, Vitesse e Utrecht. Até difícil compreender o porquê disso, já que o time tem jogadores talentosos, como o atacante Mimoun Mahi. De todo modo, a equipe recomeça sua tentativa do salto supracitado.


Reforçou a defesa com o zagueiro Mike te Wierik e o lateral Django Warmerdam, para proteger o goleiro Sergio Padt, um dos melhores da Holanda (a ponto de já ser convocado para a seleção). A aposta no desconhecido japonês Ritsu Doan surpreende. Gente que já não tinha mais para onde ir no clube foi liberada, como Hedwiges Maduro e Simon Tibbling. Ainda assim, só o início da temporada revelará mais concretamente quais são as reais perspectivas do Groningen: o meio ou a parte posterior da tabela.

Armenteros comemorando um gol que marcou: a torcida do Heracles espera por essa cena (Peter Lous/VI Images)

Heracles Almelo

Cidade: Almelo
Estádio: Polman (capacidade para 12.080 torcedores)
Apelidos: Heraclieden, Almelöers 
Títulos: 2 Campeonatos Holandeses, conquistados antes da era profissional
Patrocínio: Asito (empresa de limpeza)
Técnico: John Stegeman
Destaque: Samuel Armenteros (atacante)
Fique de olho: Brandley Kuwas (atacante)
Temporada passada: 10º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: vaga nos play-offs pela Liga Europa
Principais chegadas: Harm Zeinstra (G, Cambuur), Dries Wuytens (D, Willem II), Jeff Hardeveld (D, Utrecht), Jamiro Monteiro (M, Cambuur), Sebastian Jakubiak (M, SV Rödinghausen-ALE) e Paul Gladon (A, Wolverhampton Wanderers-ING)
Principais saídas: Justin Hoogma (D, Hoffenheim-ALE), Mike te Wierik (D, Groningen), Robin Gosens (D/M, Atalanta-ITA), Mark-Jan Fledderus (M, encerrou carreira) e Thomas Bruns (M, Vitesse)

A rigor, os Heraclieden só tinham uma preocupação neste começo de temporada: a defesa. Quase todos os destaques do setor saíram do clube: Justin Hoogma, Mike te Wierik, Robin Gosens (o goleiro Bram Castro quase saiu – estava acertado com o Racing Genk, mas problemas posteriores melaram a transferência). Por isso, a preocupação maior foi com reforços para a parte de trás. Eles vieram, e podem preencher as lacunas abertas.


O zagueiro Dries Wuytens já tem ritmo de jogo, pela titularidade no Willem II, enquanto Jeff Hardeveld será titular na lateral esquerda. De resto, o clube de Almelo tem condição de seguir tranquilo na Eredivisie. Mesmo com as perdas no meio-campo (Mark-Jan Fledderus e Thomas Bruns), os remanescentes (Reuven Niemeijer, Peter van Ooijen) podem manter o nível razoável. E no ataque, o alívio está na permanência de Samuel Armenteros, cujos gols já ajudaram muito o Heracles – e podem continuar ajudando, se ele seguir em Almelo (quer sair, para um centro maior do futebol, pensando em possível ida à Copa do Mundo caso a Suécia se classifique).


Parte das várias mudanças do Twente para esta temporada, Tom Boere treina para ser a referência no ataque (Ron Jonker/fctwente.nl)
Twente

Cidade: Enschede
Estádio: De Grolsch Veste (capacidade para 30.205 torcedores)
Apelido: Tukkers (gíria para nativos do Twenthe, região da província de Overijssel onde fica a cidade de Enschede)
Títulos: 1 Campeonato Holandês
Patrocínio: Pure Energie (empresa fornecedora de energia)
Técnico: René Hake
Destaque: Hidde ter Avest (lateral esquerdo)
Fique de olho: Tom Boere (atacante) e Danny Holla (meio-campista)
Temporada passada: 7º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Jorn Brondeel (G, Lierse-BEL), Haris Vuckic (Newcastle-ING), Alexander Laukart (M, Borussia Dortmund-ALE), Danny Holla (M, Zwolle), Isaac Buckley-Ricketts (A, Manchester City-ING) e Tom Boere (A, FC Oss)
Principais saídas: Nick Marsman (G, Utrecht), Sonny Stevens (G, Go Ahead Eagles), Kamohelo Mokotjo (M, Brentford-ING), Mateusz Klich (M, Leeds United-ING), [Bersant Celina (M/A, Manchester City-ING)], [Yaw Yeboah (A, Manchester City-ING)] e [Enes Ünal (A, Manchester City-ING)]

Estes têm sido anos estranhos para o Twente. Em 2015/16, o rebaixamento inicial, como punição da federação por maquiar balanços financeiros – e a surpreendente revogação posterior. Ficando na Eredivisie pela porta dos fundos, esperava-se uma equipe desesperada, apenas querendo a permanência na primeira divisão. Até porque ela não poderia querer mais nada: mesmo se terminasse na zona do play-off por vaga na Liga Europa, não poderia disputá-lo, punido que foi (três anos sem disputar competições continentais). Porém, de onde menos se esperava, o Twente fez bonito. Não só pelo digno sétimo lugar, mas também pelas boas atuações de alguns jogadores – Enes Ünal foi apenas o maior destaque.


Porém, entre uma temporada e outra, a necessidade de reformulação financeira para cobrir o rombo no cofre se fez sentir novamente. Dois dos grandes destaques técnicos do ataque (Ünal e Bersant Celina) eram emprestados do Manchester City – e foram obviamente devolvidos. Três protagonistas que pertenciam ao time (Nick Marsman, Kamohelo Mokotjo e Mateusz Klich) foram vendidos a preço baixo. E René Hake terá o mesmo dever da temporada passada: fazer papel digno com um time de jovens e alguns mais velhos. Ficam as apostas em gente como o goleiro Jorn Brondeel e os atacantes Isaac Buckley-Ricketts e Tom Boere (este, goleador da segunda divisão holandesa na temporada passada). Vivendo como um “café com leite” – pode participar, mas sem perspectiva a não ser escapar do rebaixamento -, repetir a temporada passada já será  um grande feito.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Guia do Campeonato Holandês - Parte I (os prováveis de baixo)

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 4 de agosto de 2017. Revista e ampliada)

O despertador de uma nova temporada já toca no futebol holandês. Aliás, já tocou no final de semana passado: a Supercopa da Holanda abriu os trabalhos, quando Vitesse (campeão da Copa da Holanda) e Feyenoord definiram a Johan Cruyff Schaal em De Kuip. O uso do "árbitro de vídeo" no gol do Vitesse chamou a atenção (lembre-se: os jogadores do Vites reclamavam de pênalti, a sequência da jogada revelou gol impedido de Nicolai Jorgensen, e só aí o juiz Danny Makkelie foi conferir - anulou o gol e marcou o penal que Alexander Büttner conferiu para o 1 a 1 do tempo normal). Ainda assim, a festa foi do Feyenoord, que ganhou nos chutes da marca fatal - 4 a 2 - e comemorou mais um troféu.

O retorno da temporada tinha tudo para ser um momento de celebração no futebol holandês, mais falado do que a média no final da temporada passada. Pela relativa novidade que foi o final do calvário Feyenoorder na Eredivisie, com o título após 18 anos de jejum. Mas principalmente, pela surpreendente chegada do Ajax à final da Liga Europa. Enfim: era momento de se ter esperança. Mas o tempo passou. O sonho foi acabando aos poucos. A lua-de-mel da torcida do Feyenoord irá longe, mas clube já se reforçou e parece pronto para a temporada. 

O problema é notar que, para outros clubes, a hora de acordar para o novo ano parece não ter chegado. O Ajax até fez isso à força, com o lamentável incidente que vitimou para sempre Abdelhak Nouri. E até teve esperanças de seguir sonhando com a Liga dos Campeões. Mas a invencível tendência à ingenuidade e à ofensividade cobraram seu preço, com um gol tardio sofrido e a eliminação pelos gols fora de casa. Talvez nem adiante criticar o Ajax, que parece querer isso, parece não desejar largar seu “DNA ofensivo”. 

De todo modo, foi melhor essa eliminação honrosa do que a vergonha inominável que o PSV cometeu contra o Osijek-CRO, na terceira fase preliminar da Liga Europa, ao perder duas partidas (e merecendo perdê-las, ao contrário do Ajax, que fez o que podia nos jogos equilibrados contra o Nice). Só mesmo o Utrecht compensou nas competições europeias, ao superar arbitragem danosa - validou um gol em impedimento – para superar o Lech Poznan-POL nos gols fora de casa. 

Assim, o futebol holandês de clubes se prepara para a temporada com a incômoda sensação de que a carruagem relativamente bonita do final de 2016 voltou a ser a insípida abóbora de sempre. Só resta começar este tradicional guia, com os clubes que têm como principal objetivo apenas a tranquilidade na tabela.

Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

O NAC Breda agradece a permanência do promissor Manu García. O Manchester City também, para vê-lo ganhando ritmo (Maurice van Steen/VI Images)
NAC Breda

Cidade: Breda
Estádio: Rat Verlegh (capacidade para 19.000 torcedores)
Apelido: "A pérola do sul" (em holandês, "De Parel van het zuiden")
Títulos: 1 Campeonato Holandês (em 1921, antes da fase profissional da Eredivisie)
Patrocínio: CM (empresa de telecomunicações corporativas)
Técnico: Stijn Vreven
Destaque: Manu García (atacante)
Fique de olho: James Horsfield (meio-campista)
Temporada passada: 5º colocado da segunda divisão (promovido na repescagem, ao superar o NEC)
Copas europeias: nenhuma 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Nigel Bertrams (G, Willem II), Menno Koch (D, PSV), Angeliño (D, Manchester City-ING), Pablo Marí (D, Manchester City-ING), Rai Vloet (M, PSV), James Horsfield (M, Manchester City-ING), Thomas Agyepong (M, Manchester City-ING) e Manu García (A, Manchester City-ING)
Principais saídas: [Jorn Brondeel (G, Lierse-BEL)], Danny Verbeek (A, Den Bosch), Cyriel Dessers (A, Utrecht)

Você simpatiza com o Manchester City? Talvez fosse bom prestar atenção aos jogos do NAC Breda – de volta à divisão de elite holandesa, após dois anos de ausência -, para talvez ver futuros jogadores dos Citizens. Afinal de contas, a parceria da “Pérola do Sul” com o clube inglês é oficial. E como a equipe aurinegra andava precisando, muitos novatos foram cedidos pelo primo rico para ganharem ritmo de jogo na Eredivisie. Dois deles, os emprestados Thomas Agyepong e Manu García, já haviam sido muito úteis na campanha do acesso em 2016/17 – e ganharam mais um ano em Breda. Podem ganhar ainda mais espaço no ataque, porque o principal destaque na repescagem (Cyriel Dessers, autor de sete gols nos quatro jogos que valeram a promoção) se foi rumo ao Utrecht. Assim como outro atacante, Giovanni Korte.

Da frente para trás, quem veio do City foi para ficar em definitivo no NAC: o meio-campista James Horsfield, que terá a função primordial de armar o jogo, enquanto Rai Vloet, vindo do PSV, será o principal marcador. Outros emprestados pelo time de Eindhoven, o goleiro Nigel Bertrams e o zagueiro Menno Koch, terão a função de estruturar a defesa. E assim, num híbrido de PSV e Manchester City, o NAC Breda tem a missão de evitar o bate-e-volta, mantendo a longa tradição que tem na Eredivisie (antes de cair, haviam sido 15 anos na elite). 

O VVV-Venlo subiu, contratou gente, mas o destaque não muda: Ralf Seuntjens, em quem a torcida confia para ver gols (Pro Shots)
VVV-Venlo

Cidade: Venlo
Estádio: De Koel (capacidade para 8.000 torcedores) - também chamado "Seacon Stadion", pelo patrocínio do clube
Apelido: Venlonaren
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (1 Copa da Holanda, em 1958/59)
Patrocínio: Seacon (empresa de logística)
Técnico: Maurice Steijn
Destaque: Ralf Seuntjens (atacante)
Fique de olho: Lennart Thy (atacante)
Temporada passada: Campeão da segunda divisão
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Lars Unnerstall (G, Fortuna Düsseldorf-ALE), Leroy Labylle (D, MVV Maastricht), Lennart Thy (A, Werder Bremen-ALE) e Tarik Tissoudali (A, Le Havre-FRA)
Principais saídas: [Maarten de Fockert (G, Heerenveen)], Cendrino Misidjan (D, não renovou contrato) e [Joey Sleegers (M, NEC)]

Mesmo após ser rebaixado, em 2012/13, o time de Venlo seguiu fazendo campanhas regulares na segunda divisão. Em 2014/15 e 2015/16, inclusive, chegou à repescagem de acesso, mas fracassou. Pois bem: enfim com um time apropriado para a segunda divisão, os aurinegros dominaram a Eerste Divisie na temporada passada, e conseguiram o merecido título – e, claro, o retorno à divisão de elite. E pelo menos neste começo, o VVV sonha em concretizar a tarefa da permanência com mais facilidade.

Para começo de conversa, os jogadores fundamentais na campanha do acesso continuam à disposição do técnico Maurice Steijn, em sua maioria – e mesmo a saída do goleiro De Fockert (emprestado pelo Heerenveen) foi plenamente reposta pelo alemão Lars Unnerstall. A defesa continua entrosada, com Jerold Promes, Nils Röseler e Roel Janssen. E no ataque, não bastasse Ralf Seuntjens (garantia de gols nos tempos de segunda divisão), merecem atenção o reforço Lennart Thy, emprestado pelo Werder Bremen, e o habilidoso Johnatan Opoku. Além do mais, vencer a Real Sociedad num amistoso de pré-temporada já leva a crer que a preparação está bem adiantada. Enfim, se não cometer ousadias, o VVV tem time capaz de encarar de igual para igual seus concorrentes na disputa contra o rebaixamento. Para um clube pequeno da Holanda, é algo promissor.

A torcida do Roda JC espera temporada mais regular, e Rosheuvel será importante na busca disso (Pro Shots)
Roda JC

Cidade: Kerkrade
Estádio: Parkstad Limburg (capacidade para 19.979 torcedores)
Apelido: Koempels (gíria da região de Kerkrade, significando "camarada" ou "amigo" - corruptela do alemão "kumpel"), "Orgulho do Sul" (em holandês, "Trots van het zuiden")
Títulos: nenhum Campeonato Holandês (2 Copas da Holanda)
Patrocínio: Mascot (produtora de uniformes de trabalho)
Técnico: Robert Molenaar
Destaque: Mikhail Rosheuvel (atacante)
Fique de olho: Hidde Jurjus (goleiro) e Simon Gustafson (meio-campista)
Temporada passada: 17º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Hidde Jurjus (G, PSV), Filip Kurto (G, Excelsior), Simon Gustafson (M, Feyenoord) e Mario Engels (A, Werder Bremen-ALE)
Principais saídas: Benjamin van Leer (G, Ajax), Marcos Gullón (M, não renovou contrato), [Abdul Ajagun (M, Panathinaikos-GRE)] e Tom van Hyfte (A, Beerschot-BEL)

Já há algumas temporadas, o Roda flerta com o perigo do rebaixamento. E diante de um fim de temporada tão turbulento quanto o da passada, conseguir a manutenção foi quase um milagre. O roteiro para a queda estava escrito. Novamente, contratações de baciada na intertemporada; um mecenas que prometeu mundos e fundos, mas está detido em Dubai (o suíço-russo Aleksandr Korotaev); terminar a temporada regular em penúltimo lugar; um técnico que acertou sua saída antes mesmo do fim do campeonato, e antecipou-a em plena repescagem de acesso/descenso (Yannis Anastasiou, rumo ao Kortrijk belga)... e mesmo com tudo isso depondo contra, os Koempels conseguiram superar o MVV Maastricht e manter o lugar na Eredivisie.

O mais impressionante: pelo menos aparentemente, os reforços do time de Kerkrade foram mais pontuais e aumentaram o nível técnico da equipe, para os padrões do futebol holandês. Nem tanto pelo técnico: Robert Molenaar está acostumado com equipes da segunda divisão holandesa. Mas sim pelos jogadores. Emprestado pelo PSV, Hidde Jurjus pode ser considerado um dos mais promissores goleiros holandeses da atualidade, e terá espaço para ganhar ritmo de jogo. A mesma coisa com Simon Gustafson: o meio-campista sueco, que perdeu importância no Feyenoord, pode aproveitar seu empréstimo para exibir novamente a capacidade de armar e também finalizar. Mesmo com algumas saídas importantes (principalmente, Benjamin van Leer e Tom van Hyfte), o Roda JC ganhou mais condições técnicas para, quem sabe, fazer a torcida respirar mais. Precisa.

Com mais saídas na pré-temporada, cresce a importância de Craig Goodwin para evitar sofrimentos ao Sparta (ANP)
Sparta Rotterdam

Cidade: Roterdã
Estádio: Het Kasteel (capacidade para 11.026 torcedores)
Apelido: Kasteelheren (em holandês, "Donos do Castelo" - referência ao nome do estádio, "o castelo" em holandês)
Títulos: 6 Campeonatos Holandeses (apenas um na era profissional, em 1958/59)
Patrocínio: Centric (empresa que desenvolve softwares)
Técnico: Alex Pastoor
Destaque: Craig Goodwin (meio-campista)
Fique de olho: Mathias Pogba (atacante)
Temporada passada: 15º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Alexandro Craninx (G, Real Madrid-ESP), Julian Chabot (D, RB Leipzig-ALE), Franck-Yves Bambock (M, Huesca-ESP), George Dobson (M, West Ham-ING),  e Dalibor Volas (A, NK Celje-ESN)
Principais saídas: Denzel Dumfries (D/M, Heerenveen), Rick van Drongelen (D, Hamburgo-ALE), Florian Pinteaux (D, não renovou contrato), David Mendes da Silva (M, encerrou carreira), Iván Calero (M, Elche-ESP), [Martin Pusic (A, Midtjylland-DIN)], Mathias Pogba (A, rescindiu contrato) e [Jerson Cabral (A, Bastia-FRA)]

Na temporada passada, o Sparta viveu um fim de temporada dramático. A rigor, pode-se se dizer que só não disputou a repescagem de acesso/descenso porque o Roda JC conseguia estar em situação ainda pior e o NEC viveu uma queda brusca e sem escalas no returno. Porém, dá para dizer que o time de Roterdã precisou demais da ajuda de alguns jogadores. Principalmente no ataque, onde Martin Pusic fez gols salvadores. E se os fez, foi só pelo auxílio de gente como Mathias Pogba, Loris Brogno, Craig Goodwin, Denzel Dumfries etc.

Pois bem, muitos dos que ajudaram já não estão mais no Sparta, como Pusic, Dumfries e até o lateral esquerdo Rick van Drongelen (cuja transferência para o Hamburgo teve algo de surpreendente). Nem mesmo Mathias Pogba ficou: o irmão mais velho de Paul rescindiu o contrato, descontente com a reserva. Assim, restará aos “Donos do Castelo” apostarem tanto em quem já conhecem (Goodwin, Brogno, Thomas Verhaar, Paco van Moorsel) quanto nos raros reforços, como o atacante Dalibor Volas. Parece pouco para evitar, de novo, sofrimento na fuga da zona de repescagem/rebaixamento.

Sem Falkenburg, Fran Sol liderará o Willem II na técnica. Mostrou capacidade para fazê-lo (Gerrit van Keulen/VI Images)
Willem II

Cidade: Tilburg 
Estádio: Koning Willem II (capacidade para 14.500 torcedores)
Apelidos: Tilburgers, Tricolores
Títulos: 3 Campeonatos Holandeses
Patrocínio: Tricorp (produtora de uniformes profissionais)
Técnico: Erwin van de Looi
Destaque: Fran Sol (atacante)
Fique de olho: Daniel Crowley (meio-campista)
Temporada passada: 13º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Timon Wellenreuther (G, Schalke 04-ALE), Stefan van der Lei (G, Groningen), Fernando Lewis (D, AZ), Bartek Urbanski (M, Legia Varsóvia-POL), Daniel Crowley (M, Arsenal-ING) e Pedro Chirivella (M, Liverpool-ING)
Principais saídas: Nigel Bertrams (G, NAC Breda), Kostas Lamprou (G, Ajax), Dries Wuytens (D, Heracles Almelo), Dico Koppers (D, Zwolle), Pele van Anholt (D, Los Angeles Galaxy-ING), Derick Tshimanga (D, OH Leuven-BEL), Funso Ojo (M, Scunthorpe United-ING), Anouar Kali (M, Utrecht), Erik Falkenburg (M, não renovou contrato) e [Obbi Oularé (A, Watford-ING)]

É possível colocar o Willem II no mesmo caso do Zwolle: uma equipe que tinha grupo e nível técnico suficiente para não ter passado tanto sufoco nas últimas rodadas de 2016/17. Seja como for, o clube da cidade de Tilburg foi mais competente para se salvar com menos drama. Até porque tinha jogadores capazes de assumir a responsabilidade técnica. Ao longo da temporada passada, ogadores como Kostas Lamprou (dos melhores goleiros da Eredivisie passada), Erik Falkenburg, Fran Sol e Thom Haye ajudaram bastante na conquista de resultados bons aqui e ali.

De certa forma, as várias vendas dos Tricolores na janela de transferências provaram como o time não era de se jogar fora. Por exemplo: Lamprou, Wuytens, Koppers e Kali foram para equipes maiores no cenário holandês. O problema é que, agora sim, os Tilburgers estão enfraquecidos. Restará ao técnico Erwin van de Looi tentar remontar uma espinha dorsal com os bons que ficaram, como Fran Sol e Haye, junto das caras novas, como o goleiro alemão Timon Wellenreuther ou Daniel Crowley e Pedro Chirivella, cedidos por gigantes ingleses e já com tempo de jogo na Eredivisie (Crowley em definitivo, Chirivella por empréstimo). Será um desafio considerável. Mas se conseguir cumpri-lo, o Willem II pode se manter novamente na primeira divisão.

No meio da reformulação por que o Zwolle passa, o retorno do experiente goleiro Diederik Boer dá confiança à torcida (peczwolle.nl)
Zwolle

Cidade: Zwolle
Estádio: Mac³Park (capacidade para 13.250 torcedores)
Apelidos: Zwollenaren, Dedos Azuis (em holandês, "Blauwvingers" - 
Títulos: nenhum, no Campeonato Holandês (uma Copa da Holanda e uma Supercopa da Holanda)
Patrocínio: Molecaten (empresa organizadora de acampamentos)
Técnico: John van’t Schip
Destaque: Ryan Thomas (atacante)
Fique de olho: Younes Namli (meio-campista)
Temporada passada: 14º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Diederik Boer (G, Ajax), Dico Koppers (D, Willem II), Erik Bakker (M, Cambuur), Younes Namli (M, Heerenveen) e Piotr Parzyszek (A, De Graafschap)
Principais saídas: Ted van de Pavert (D, NEC), [Django Warmerdam (D/M, Ajax)], Danny Holla (M, Twente), [Queensy Menig (M/A, Ajax)], Anass Achahbar (A, NEC) e [Nicolai Brock-Madsen (A, Birmingham City-ING)]

Em 2016/17, o Zwolle passou mais sustos do que devia. Algumas peças mudaram, mas os Zwollenaren tinham a obrigação de mostrar um desempenho tão sólido quanto o de temporadas passadas. Pelo menos, no segundo turno, alguns jogadores cresceram de produção (com destaque para Queensy Menig e Nicolai Brock-Madsen), e alguns resultados pontuais e positivos conseguiram manter a equipe na Eredivisie. Todavia, estava claro: algo precisava mudar. Não era necessariamente o técnico, mas mesmo assim Ron Jans preferiu deixar o clube, após quatro anos comandando o time e fazendo os “Dedos Azuis” darem vários passos adiante no projeto do presidente Adriaan Visser – transformar o Zwolle numa equipe média dentro do futebol holandês. Emprestados, Menig e Brock-Madsen também deixaram o clube. Assim como vários outros. 

Poderia parecer que o ex-jogador John van’t Schip, o novo técnico, teria terra arrasada para começar a trabalhar. Mas aí veio a notável habilidade da direção para buscar jogadores encostados em clubes grandes/médios, ou de clubes pequenos. Prova disso foi a volta do experiente goleiro Diederik Boer, que teve dois anos no Ajax e agora continuará a bela história que tem no clube em que começou (com 339 jogos entre 2001 e 2014, Boer é o segundo jogador a atuar mais na história do Zwolle). Na linha, Younes Namli, subutilizado no Heerenveen, terá espaço para armar o jogo, junto a Stef Nijland. E se o 4-2-3-1 comum precisa de uma referência de ataque para funcionar, a terá em Piotr Parzyszek, experimentado na segunda divisão holandesa. Enfim, de novo, o Zwolle parece pronto para causar dores de cabeça a clubes maiores. A não ser que decepcione.

Com a bola nos pés, Koolwijk dá alguma segurança ao Excelsior (ANP/Pro Shots)
Excelsior

Cidade: Roterdã
Estádio: Van Donge & De Roo (capacidade para 4.000 torcedores)
Apelido: Kralingers (referência a Kralingen, bairro de Roterdã onde o clube fica)
Títulos: nenhum
Patrocínio: DSW (seguradora de saúde)
Técnico: Mitchell van der Gaag
Destaques: Ryan Koolwijk (meio-campista)
Fique de olho: Zakaria El Azzouzi (atacante)
Temporada passada: 12º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Desevio Payne (D, Groningen), [Wout Faes (D, Anderlecht-BEL)], Lorenzo Burnet (D, Slovan Bratislava-ESQ), Ali Messaoud (A, Vaduz-LIE), [Zakaria El Azzouzi (A, Ajax)] e Jinty Caenepeel (A, FC Eindhoven)
Principais saídas: [Warner Hahn (G, Feyenoord)], Khalid Karami (D, não renovou contrato), Bas Kuipers (D, ADO Den Haag), Terell Ondaan (A, não renovou contrato), Nigel Hasselbaink (A, Kiryat Simona-ISR) e Fredy (A, Belenenses-POR)

Parecia que o Excelsior iria ter dificuldades, novamente, para escapar do rebaixamento em 2016/17. Mas o time de Roterdã mostrou evolução no ataque, conseguiu resultados até surpreendentes (o Feyenoord que o diga...), e alcançou a manutenção com maior facilidade do que se esperava. Porém, a pré-temporada e a janela de transferências revelaram a necessidade de remontar o time para o técnico Mitchell van der Gaag. Dois dos principais personagens da campanha passada, Nigel Hasselbaink e Khalid Karami, já não estão mais no clube do bairro de Kralingen. Assim como o zagueiro Bas Kuipers.

A sorte do treinador (e da torcida) é que os contratados parecem ter capacidade de manter o nível técnico mediano do Excelsior. No ataque, merecem atenção Zakaria El Azzouzi (novamente emprestado pelo Ajax, habilidoso na ponta) e Jinty Caenepeel (boas atuações pelo FC Eindhoven, na temporada passada da segunda divisão). A defesa ganhou opções para substituir Karami, tanto com Desevio Payne quanto com Lorenzo Burnet. Some-se a isso quem permaneceu e é capaz de dar alguma técnica (Ryan Koolwijk, Jurgen Mattheij), e quem sabe outra vez, o Excelsior possa ter sucesso ao buscar uma temporada mais calma.

Num ADO Den Haag sempre sob risco de confusão, cabe a Duplan se manter como destaque da equipe auriverde (ANP)

ADO Den Haag

Cidade: Haia
Estádio: Cars Jeans (capacidade de 15.000 espectadores)
Apelido: Hagenaren, Den Haag
Títulos: 2 (na fase amadora do Campeonato Holandês)
Patrocínio: Cars Jeans
Técnico: Alfons “Fons” Groenendijk
Destaque: Édouard Duplan (atacante)
Fique de olho: Dennis van der Heijden (atacante)
Temporada passada: 11º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento
Principais chegadas: Bas Kuipers (D, Excelsior), Nick Kuipers (D, MVV Maastricht), Lex Immers (M, Cardiff City-GAL), [Ludcinio Marengo (A, Go Ahead Eagles)], [Dennis van der Heijden (A, Volendam)] e Elson Hooi (A, Vendsyssel-DIN)
Principais saídas: Ernestas Setkus (G, Hapoel Haifa-ISR), Tom Trybull (D/M, não renovou contrato), Kevin Jansen (M, NEC), [Nasser El Khayati (M, Queens Park Rangers-ING)], Mike Havenaar (A, Vissel Kobe-JAP) e Ruben Schaken (A, não renovou contrato)

O desespero foi grande. Num certo momento da temporada, pensou-se até que o ADO Den Haag cairia, tal era a desordem fora de campo – e o desespero dentro dele. Mas um novo técnico chegou, os jogadores passaram a se dedicar mais, os resultados vieram, e o clube de Haia passou a viver um período de armistício interno. Tanto pela manutenção na Eredivisie, que acalmou a torcida, quanto pela presença maior do mecenas chinês Hui Wang, dando ao Conselho Deliberativo (e aos adeptos) a esperança de que estará mais continuamente perto do Den Haag, de que não sumirá. Nem seu dinheiro.

Pelo menos por enquanto, segue a esperança de dias mais tranquilos. Primeiro, por causa da janela de transferências. Se gente importante na reação deixou o clube (El Khayati, Havenaar, Schaken), a torcida tem razão para ficar contente com o retorno de Lex Immers, ídolo dela. E Elson Hooi tem nível técnico suficiente para o futebol holandês. Em segundo lugar, os resultados de pré-temporada foram satisfatórios: vários amistosos contra clubes amadores, um jogo na China, outro contra o MVV Maastricht... e o Den Haag só venceu. Além do mais, a manutenção de gente como Tom Beugelsdijk e Wilfred Kanon (na zaga) e Édouard Duplan (no ataque) dá a esperança de que este ano não será igual àquele que passou. Pelo menos até a próxima briga entre diretoria e mecenato no clube...