sábado, 14 de abril de 2018

810 minuten: como foi a 31ª rodada da Eredivisie

Alireza sinaliza: três gols para o AZ, terceiro colocado - e querendo título para coroar ótimo ano (ANP/Pro Shots)
Heracles Almelo 0x3 AZ (sexta-feira, 13 de abril)

O Heracles começou o jogo tentando dificultar as coisas para o terceiro colocado do Campeonato Holandês. Mesmo que os visitantes de Alkmaar tivessem mais posse de bola, os mandantes chegavam à área com perigo. E eles tiveram sua grande chance aos 11'. Por sinal, num pênalti cuja falta foi bem semelhante à que o AZ cometera na rodada passada, contra o PSV: na área, numa cobrança de falta, Til agarrou Wout Droste, e o juiz Jochem Kamphuis não pestanejou em apontar a marca da cal. Mas o final da história foi diferente, para alegria dos visitantes de Alkmaar: Kuwas bateu, e o goleiro Marco Bizot pulou para o canto esquerdo, rebatendo a cobrança. Mesmo com o pênalti perdido, a pressão seguiu: aos 12', Brandley Kuwas chegou à área e finalizou - a bola bateu na mão de Stijn Wuytens, e houve quem pedisse outro pênalti.

Até que, finalmente, a maior posse de bola rendeu uma troca de passes bem feita - e o primeiro gol do AZ, aos 25'. Pela direita, Alireza mandou a bola em profundidade a Jonas Svensson. O lateral chegou à linha de fundo e tocou rasteiro. Vindo livre na grande área, Til dominou e arrematou na saída de Castro para balançar as redes no 1 a 0. E a esperteza logo rendeu o segundo gol, aos 30'. No meio-campo, pressionado por Til, Jamiro Monteiro precisou recuar a bola para a defesa. O zagueiro Dries Wuytens dominou para sair jogando, mas Weghorst foi vivaz: desarmou Wuytens e saiu com campo livre à frente, pela direita. Foi só cruzar, para o também livre Idrissi concluir, fazer 2 a 0 e encaminhar a vitória dos visitantes.

Bizot foi quem primeiro agiu: evitou que o Heracles se empolgasse, ao defender o pênalti de Kuwas no começo (Ronald Bonestroo/VI Images)
A partir de então, o time de Alkmaar teve várias oportunidades para ampliar. Aos 33', quando Idrissi deixou com Weghorst, que ajeitou para Fredrik Midtsjo chutar forte - e forçar Castro a rebater. Ou aos 36', quando o Wuytens do AZ (irmão do Wuytens do Heracles, por sinal) cabeceou e o goleiro Heraclied defendeu. Ou até aos 41', quando Weghorst escorou para fora a bola vinda de escanteio. O Heracles até começou reagindo no segundo tempo, com o chute de Peter van Ooijen que mandou a bola perto do gol, aos 48'. Mas os Alkmaarders logo retomaram o controle do rumo da partida. E confirmariam a vitória já encaminhada, com o mais bonito gol do jogo: aos 59', Weghorst deu a bola a Svensson, e o lateral direito a passou para Alireza. Coube ao iraniano se livrar da marcação com um giro, bater imediatamente no ângulo direito de Castro, da entrada da área, e entrar de vez na disputa para ser o goleador do campeonato - foi seu 15º gol, mesmo número de Hirving Lozano e um abaixo do líder no quesito, Fran Sol (Willem II).

Seguiram então oportunidades para que a vitória se transformasse em goleada. Aos 67', num chute de Alireza, por cima do gol. Ou duas finalizações - de Weghorst e de Svensson -, ambas impedidas por Castro em sequência, aos 69'. Ou nova tentativa do camisa 7 iraniano, à esquerda de Castro, aos 74'. Ou um cabeceio de Ron Vlaar, afastado em cima da linha por Sebastian Jakubiak aos 85'. Ou finalmente, a finalização de Weghorst por cima do gol, aos 88', após cruzamento de Vlaar. Nenhuma chance aproveitada. Sem problemas: a vitória do AZ foi tranquila, e só aumenta a confiança dos Alkmaarders rumo à final da Copa da Holanda, na próxima semana.

O Twente começou muito bem, mas um erro defensivo abriu o caminho para o ADO Den Haag virar o jogo sobre o lanterna (ANP/Pro Shots)
ADO Den Haag 2x1 Twente (sábado, 14 de abril)

Quando o jogo em Haia começou, pareceu que o Twente cumpriria muito bem a primeira de suas quatro dramáticas tarefas para tentar escapar da última posição - e do rebaixamento. Luciano Slagveer ajudou na maior mobilidade do ataque dos Tukkers, bem como o ótimo início de Adam Maher e Fredrik Jensen em campo. Caberia justamente a estes a jogada do primeiro gol, aos 13 minutos: Oussama Assaidi deu a bola a Maher, ele cruzou, e Jensen completou para as redes. Parecia tudo certo para os visitantes de Enschede.

Mas nos acréscimos do primeiro tempo, um erro mudou totalmente o rumo do jogo. No círculo central, Assaidi perdeu a bola para Lex Immers. E este tocou para Bjorn Johnsen, que arriscou de fora da área e empatou o jogo. Foi o suficiente para que, no segundo tempo, o time anfitrião ficasse mais seguro, diante de um Twente afetado. Até que, aos 75', Johnsen definiu a virada, com classe: um toque por cobertura, em cima do goleiro Joël Drommel. No abafa, os visitantes quase empataram com Jos Hooiveld. Porém, o Den Haag ficou com a vitória - e o Twente, com o rebaixamento cada vez mais provável.

O Heerenveen aguentou a pressão do VVV-Venlo, com pênalti perdido e tudo o mais. No final do jogo, foi recompensado: vitória (ANP/Pro Shots)
VVV-Venlo 0x2 Heerenveen (sábado, 14 de abril)

Fora de casa, o Heerenveen quase começou bem: Marco Rojas começou jogando e chegou a fazer gol, mas o juiz Dennis Higler o anulou, por falta de Reza Ghoochannejhad no começo da jogada. Mais eficiente foi o VVV, que teve um pênalti a seu favor aos 27 minutos, quando Pelle van Amersfoort derrubou Lennart Thy. Todavia, ao final dos onze metros estava a decepção: Clint Leemans cobrou, e Martin Hansen defendeu o chute - segundo penal perdido por Leemans em uma semana (já desperdiçara contra o Sparta Rotterdam).

Na etapa complementar, Moreno Rutten ainda fez os Venlonaren terem esperanças de vencer, ao mandar a bola no travessão. Mas a eficiência, então, passou para o lado dos visitantes da Frísia. Aos 69', Nemanja Mihajlovic cruzou, Daniel Hoegh desviou, e Reza para o gol completou: 1 a 0. Mais dez minutos, e Van Amersfoort confirmou o triunfo do Heerenveen num arremate de fora da área, deixando o time alviazul bem posicionado na busca por vaga na repescagem rumo à Liga Europa. No VVV-Venlo, a derrota pouco impactou: não há chance de repescagem, nem risco de queda.

O cartão vermelho de Kramer simbolizou o péssimo dia do Sparta - e o caminho tranquilo do Vitesse rumo à goleada (ANP/Pro Shots)
Vitesse 7x0 Sparta Rotterdam (sábado, 14 de abril)

Há quatro rodadas sem vitórias, com um técnico interino - Edward Sturing, substituindo Henk Fräser, demitido antecipadamente -, o Vitesse devia satisfações à sua torcida neste sábado. E começou a dá-las logo aos dois minutos de jogo, em grande estilo: aproveitando chute de Bryan Linssen que desviara na defesa, Thulani Serero arriscou um voleio e fez belíssimo gol no 1 a 0. Aos 18', o segundo gol foi tão bonito quanto o primeiro já fora: Roy Beerens veio da direita para o meio, driblando quatro jogadores, e finalizou com chute colocado no ângulo do goleiro Jannik Huth. Por sinal, o arqueiro do Sparta poderia ter ido melhor no 3 a 0, aos 29': após cruzamento, rebateu nos pés de Tim Matavz.

Se havia qualquer dúvida de que o Vitesse superaria o Sparta de modo humilhante, ela acabou no último minuto do primeiro tempo. Outra vez, num ato destemperado de Michiel Kramer: após disputa aérea de bola com Alexander Büttner, golpeou o lateral esquerdo no rosto, e levou diretamente o cartão vermelho do juiz Kevin Blom. Dick Advocaat tentou consertar a defesa (colocando Michel Breuer) e o ataque (com Fred Friday) no segundo tempo. Mas o Vites partiu para conseguir a maior goleada de sua história na Eredivisie. Aos 59', Linssen fez 4 a 0. Aos 72', Tim Matavz completou cruzamento de Mason Mount para o quinto gol. Mais cinco minutos, e Thomas Bruns, recém-entrado em campo, marcou o sexto. Finalmente, aos 82', em outro bonito voleio, Linssen fez seu segundo gol na partida, fechando um 7 a 0 até histórico, para tranquilizar a torcida em Arnhem. O Sparta só se alivia pela derrota do Twente...

O Excelsior (à direita) conseguiu tirar um ponto do Zwolle fora de casa - e se garantiu na Eredivisie em 2018/19 (ANP/Pro Shots)
Zwolle 1x1 Excelsior (sábado, 14 de abril)

Um bom resultado seria fundamental para os objetivos de ambos na temporada. E o Zwolle começou buscando mais esse bom resultado, a partir da primeira chance, aos 16', quando o arremate de Younes Namli saiu rente à trave. No minuto seguinte, o chute iria em gol - e que chute: Youness Mokhtar bateu colocado, de fora da área, mandando a esférica no ângulo do goleiro Ögmundur Kristinsson para fazer 1 a 0 com seu oitavo gol na Eredivisie. Mesmo sofrendo o gol, o islandês Kristinsson até salvou o Excelsior no primeiro tempo, em duas defesas numa mesma sequência (aos 38', espalmando primeiro a falta de Mustafa Saymak, e depois o cabeceio de Piotr Parzyszek).

Sorte dos Kralingers visitantes. Porque Kristinsson continuou os salvando, em nova defesa após tentativa de Parzyszek aos 52'. E principalmente, porque o juiz Christiaan Bax apitou pênalti de Kingsley Ehizibue em Levi Garcia, aos 57'. Mesmo com o arqueiro Diederik Boer tentando iludi-lo, Mike van Duinen foi preciso: bola num canto, goleiro no outro, 1 a 1. E se o empate ficou no placar pelo resto do jogo, o Excelsior pôde comemorar, mesmo sem a vitória: está matematicamente garantido na primeira divisão. Ao Zwolle, esperam-se três rodadas de dificuldades para manter o lugar na zona da repescagem pela Liga Europa - afinal, Vitesse, ADO Den Haag e Heerenveen seguem de muito perto.

O Willem II se agigantou, com o destaque de Ben Rienstra (21). Vencer o NAC Breda pode ajudar muito a garantir a permanência na Eredivisie (ANP/Pro Shots)
NAC Breda 1x2 Willem II (domingo, 15 de abril)

Se os dois times jogavam a possibilidade de encaminharem a salvação na Eredivisie, só o Willem II começou atento. Já aos quatro minutos de jogo, os visitantes de Tilburg fizeram 1 a 0: após bola alta, o goleiro Nigel Bertrams errou na saída, e Ben Rienstra completou para as redes. Porém, o NAC Breda buscou o empate ainda na etapa inicial: aos 29', Angeliño cobrou falta, e Arno Verschueren desviou para fazer 1 a 1. Mas dois reveses acabaram se impondo no caminho dos mandantes aurinegros em Breda. O primeiro, aos 39', foi a saída de Thierry Ambrose, lesionado, dando lugar a Rai Vloet. O segundo veio no minuto seguinte: cobrança de escanteio, Fran Sol ajeitou de cabeça, e Rienstra marcou de novo, recolocando o Willem II na frente do placar.

Bastou para que, na etapa complementar, o NAC buscasse o empate, como pudesse. Pablo Marí chutou por cima do gol aos 50', o goleiro Timon Wellenreuther impediu o chute desviado de Angeliño aos 65', Verschueren cabeceou rente à trave aos 72'. O Willem II, por sua vez, teve espaço para contragolpes - um deles, nos acréscimos, quase definiu a vitória, mas Eyong Enoh perdeu o gol. Ainda assim, os visitantes tricolores de Tilburg conseguiram os três pontos, no primeiro triunfo em Breda desde 2007, e estão quase salvos. O NAC Breda ainda sofre: está em 15º (primeira posição fora da zona de repescagem/rebaixamento), mas só quatro pontos acima do Roda JC.

O Groningen já garantiu a manutenção na primeira divisão, com a vitória. O Roda ainda se preocupará muito (Gerrit van Keulen/VI Images)
Groningen 2x1 Roda JC (domingo, 15 de abril)

Quando Ajdin Hrustic cobrou falta e forçou o goleiro Hidde Jurjus a espalmar a bola para fora, logo aos cinco minutos, ficou claro que o Groningen iria ser o time dominante no seu estádio - e que o Roda JC sofreria para manter a promissora sequência de três vitórias seguidas. Aos 15 minutos, isso se confirmou: Hrustic inverteu o jogo com Deyovaisio Zeefuik, e este tocou para o japonês Ritsu Doan fazer 1 a 0 para os Groningers, de fora da área. O Roda JC só arriscou qualquer coisa aos 33', num arremate de Tsiy William Ndenge, bem defendido por Sergio Padt. O único senão que poderia empanar o brilho dos mandantes do Norte holandês fora a lesão que tirou Mimoun Mahi de campo, aos 42'.

Mas foi justamente o substituto de Mahi que ampliou a vantagem dos mandantes alviverdes, já no segundo tempo: aos 49', após rebote de escanteio, Jesper Drost arriscou para o 2 a 0. O Roda JC parecia vencido, mas ganhou esperanças aos 70': também num pontapé de canto, Christian Kum mandou de voleio para as redes, marcando o gol de honra dos Koempels. Insuficiente para evitar a vitória que garantiu definitivamente o Groningen na primeira divisão em 2018/19 - e que ainda mantém o Roda na zona de repescagem/rebaixamento, quatro pontos acima do NAC Breda. Será um longo fim de campeonato para o time aurinegro de Kerkrade. Pelo menos, Twente, Sparta e NAC Breda também perderam...


Como sempre, Van Persie: classe na finalização, abrindo caminho para a vitória do Feyenoord (Pro Shots)
Feyenoord 3x1 Utrecht (domingo, 15 de abril)

No jogo que poderia encaminhar o dono da quarta posição na Eredivisie, o Utrecht começou pressionando. Jogando no campo de ataque, os Utregs tiveram a primeira possibilidade de gol, aos quatro minutos: um chute de Mateusz Klich mandou a bola rente à trave direita de Brad Jones. O Feyenoord, então, começou a buscar jogadas pelas pontas. Praticamente na primeira vez em que buscou o gol com elas, o conseguiu, aos sete minutos: Kevin Diks cobrou lateral mandando a bola diretamente para Jens Toornstra. Na linha de fundo, o meio-campista cruzou para o meio da área. E lá estava Nicolai Jorgensen para completar de voleio. Saiu meio desajeitado, mas mandou a bola nas redes, no contrapé do arqueiro David Jensen, para fazer 1 a 0. Mais eficiente nos raros avanços, o Stadionclub teve nova chance aos 24': Ridgeciano Haps cruzou da esquerda, Jorgensen desviou, mas Van Persie fracassou ao tentar completar: caiu após o choque com Willem Janssen.

O Utrecht, ao ter a bola nos pés, falhou aos 28': após bola alta de Mark van der Maarel, que encobriu Sven van Beek, Cyriel Dessers a dominou na área e ficou frente a frente com Brad Jones, na área. Mas o atacante belga preferiu tocar para o lado - Yassin Ayoub chegou atrasado, e a bola passou. Pelo menos, na chance seguinte para o gol, Dessers foi mais atento - e teve mais sorte. Aos 31', Klich passou a Sean Klaiber, que cruzou rasteiro. Dessers estava em completo impedimento, mas o bandeirinha deixou passar. E o atacante desviou para o gol vazio, empatando o jogo. A partir daí, o jogo ficou equilibrado. Então, só alguém tecnicamente capaz poderia ser decisivo.

O gol de Dessers (impedido) até alimentou as esperanças do Utrecht, mas o visitante só perturbou o Feyenoord no primeiro tempo (fcutrecht.nl)
Adivinhem quem o foi, no Feyenoord? Ele mesmo: Robin van Persie. Coube a ele, titular de novo, fazer 2 a 1 aos 43', com a classe que sempre teve: dominando a bola lançada por Van Beek e chutando cruzado para o gol, quase sem deixá-la cair. Não foram à toa os elogios de Giovanni van Bronckhorst após o jogo: "Ele sabe quando precisa dominar. Foi um gol de pura técnica e qualidade". No segundo tempo, os visitantes de Utrecht ainda tentaram trazer algum perigo, aos 50': Zakaria Labyad veio pela esquerda, chegou à linha de fundo, e cruzou, mas Haps tirou na pequena área. A sobra ficou para Klich arrematar da entrada da área, e aí Brad Jones defendeu.

Mas o Feyenoord controlava bem o jogo, sem correr lá muito perigo. Teve sua primeira oportunidade na etapa final aos 59', quando Toornstra cobrou falta perto da área, e David Jensen espalmou. E o Stadionclub encaminhou definitavamente a vitória aos 69', com o terceiro gol. Van Persie ajeitou na área, Jorgensen cruzou, e Sam Larsson subiu para cabecear e fazer o 3 a 1 que praticamente assegurou a quarta posição na temporada, oito pontos à frente do Utrecht superado. Se a vaga na Liga Europa não vier pelo título na Copa da Holanda, a ser decidida contra o AZ na semana que vem, pelo menos o time a conquistará via Eredivisie - salvando um pouco a temporada.

Na comemoração do gol de Luuk de Jong, o sonho realizado: time e torcida do PSV integrados na mesma festa. A festa do título holandês ganho em cima do Ajax (Pim Ras)
PSV 3x0 Ajax (domingo, 15 de abril)

O clássico que poderia decidir o campeonato começou equilibrado, com PSV e Ajax criando chances de gol. Logo aos nove minutos, Matthijs de Ligt tentou sair jogando, mas seu passe foi interceptado por Hirving Lozano, e o mexicano já deu a bola a Luuk de Jong, na entrada da área. Todavia, o arremate do camisa 9 foi prensado por Maximilian Wöber, e a bola saiu fraca, fácil para André Onana pegar. Aos 12', Hakim Ziyech dominou a bola nas redondezas da grande área, e chutou rasteiro. Jeroen Zoet precisou ir ao canto esquerdo para defender. Um minuto depois, Lozano superou a marcação de Nicolás Tagliafico, veio pela direita, cruzou, e Luuk de Jong escorou para defesa salvadora (mas involuntária) de Onana, que fechou o ângulo com o calcanhar. Depois, aos 17', Ziyech lançou de fora, David Neres ajeitou de cabeça, e Donny van de Beek tentou o voleio - mas pegou mal, e Zoet agarrou a bola. Mesmo num cenário ainda equilibrado, os Boeren começavam a aparecer mais. Aos 19', Lozano pegou a bola deixada por Santiago Arias, e bateu colocado. Onana foi ao canto esquerdo para defender.

Até que, numa jogada encaixada, aos 23', enfim o PSV começou a realizar seu sonho de garantir o título no clássico. Wöber falhou na saída de bola, e Steven Bergwijn ajeitou para Marco van Ginkel. O camisa 10 deixou a Lozano, que entrou na área e chutou cruzado. De Ligt ainda salvou na pequena área, mas a sobra foi aproveitada por Gastón Pereiro, que fez 1 a 0 - dos 30 gols que já fez na Eredivisie, era o sexto contra Ajax ou Feyenoord. Era um primeiro golpe. Mas o Ajax seguiu perigoso em busca do empate. Aos 32', este quase aconteceu: outro lançamento preciso de Ziyech encontrou Joël Veltman na direita da grande área. O lateral tocou, e Huntelaar chegou na pequena área. Só não empatou pela excelente defesa de Zoet: o camisa 1 saiu bem, fechou o ângulo e rebateu, até se chocando com o atacante Ajacied.

A partir da ótima defesa de Zoet na tentativa de Huntelaar, o PSV cresceu para entrar na rota da vitória e do título holandês (Pim Ras)
A partir de então, Luuk de Jong começou a tentar algumas finalizações. Quase marcou de cabeça aos 36' (a bola foi fraca, e Onana pegou) e aos 37' (no cabeceio, a bola desviou em De Ligt e em Schöne, e não faltaram pedidos de pênalti). Era um momento de pressão. E o PSV aproveitou de novo a chance, aos 38'. Pereiro deixou a bola com Brenet, o lateral veio veloz pela esquerda e cruzou. Luuk de Jong na área, de novo de cabeça, enfim conseguiu o final feliz: 2 a 0 e título encaminhado. Erik ten Hag tentou tornar o Ajax mais ofensivo logo que o intervalo terminou: tirou Wöber, colocando Siem de Jong e deixando o time no 3-4-3. Coube justamente ao meio-campista que acabara de entrar a primeira tentativa Ajacied, aos 47', mas Zoet defendeu. Depois, aos 52', Ziyech fez boa jogada individual pela direita, mas seu cruzamento foi interceptado por Schwaab, na pequena área.

Mas qualquer perspectiva de reação que o Ajax ainda tivesse se acabou aos 54', com o 3 a 0 do PSV. Pereiro deixou a bola a Arias, que cruzou da direita. De Ligt ainda rebateu, mas Bergwijn dominou, se livrou de Siem de Jong e bateu no canto direito de Onana, para o 3 a 0 que sacramentou o título. Total e irremediavelmente superado em campo, o Ajax só teve mais duas chances, ambas com David Neres. Aos 66', o brasileiro recebeu a bola de Schöne, driblou Schwaab e arrematou colocado, à direita de Schöne. E o camisa 7 quase diminuiu de novo aos 73', ao tabelar com Kasper Dolberg (substituto de Huntelaar) e chegar à pequena área com a bola, mas Zoet saiu do gol e agarrou.

Contudo, a última impressão dos visitantes de Amsterdã seria negativa: pela primeira vez em sua história no Campeonato Holandês, o Ajax teve duas expulsões num jogo. Aos 79', Tagliafico acertou o tornozelo de Lozano e recebeu o vermelho do juiz Danny Makkelie. Mais quatro minutos, e Siem de Jong fez ainda mais feio: pontapé por trás em Arias, e mais um vermelho direto. Àquela altura, a torcida do PSV nem ligava. Já se envolvia em algo muito melhor. Algo que logo envolveria também os jogadores, logo quando veio o apito final de Makkelie, exatamente aos 90', sem acréscimos: a festa do título. Festa justa para um merecido campeão holandês, que conquistou o título como sonhava: em seu estádio, superando categoricamente um dos principais rivais. Incontestável.

Legenda é necessário? (ANP/Pro Shots)

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Rumos diferentes para o "clássico final"

Luuk de Jong, Hendrix e Lozano já sabiam: a esfuziante virada sobre o AZ deixou o PSV perto de ganhar o título no clássico contra o Ajax, para confirmar a virada (Tom Bode/VI Images)
Quando a temporada 2017/18 começou, tanto Ajax quanto PSV foram responsáveis por dois dos maiores vexames que o futebol holandês vivenciou nesta década, em relação aos clubes. Por mais vergonhas que o país tenha vivido nos torneios continentais (e viveu), ver a equipe de Eindhoven cair para o Osijek-CRO já na terceira fase preliminar da Liga Europa era desalentador – tanto quanto ver os Ajacieden, menos de cem dias após decidirem a Liga Europa contra o Manchester United, caírem na 3ª fase preliminar da Liga dos Campeões (para o Nice-FRA) e nos play-offs da Liga Europa (para o Rosenborg-NOR). No final da temporada, só o PSV parece ter aprendido a lição. Por isso, pode ser campeão holandês na 32ª rodada, neste final de semana, caso vença justamente... o clássico contra o Ajax, neste domingo, em casa.

E os Boeren só chegaram à situação atual – liderança absolutamente confortável no Campeonato Holandês, com sete pontos de vantagem em relação ao Ajax – porque a equipe soube aguentar o solavanco e se acertar com as mudanças decorrentes dele. Por nível técnico (como no caso das quedas de Luuk de Jong e Gastón Pereiro) ou por necessidade (no caso das saídas de Andrés Guardado e Davy Pröpper), o treinador Phillip Cocu precisou fazer o time voltar a jogar como dera certo, no bicampeonato de 2015 e 2016: cuidar coletivamente da defesa, apostando em rápidos contra-ataques.

Demorou um pouco para que tais medidas dessem certo. Mesmo com um primeiro turno quase perfeito (só duas derrotas em dezessete jogos), o time ainda mostrava fragilidades. Ao mesmo tempo, engrenava paulatinamente no campeonato. Para isso colaboravam as ótimas atuações de Santiago Arias, na lateral direita; a melhor fase que Jürgen Locadia viveu na carreira, enfim tendo a oportunidade para ser goleador; e a fulgurante aparição de Hirving Lozano, desde o começo da temporada provando merecer cada centavo gasto para trazê-lo após disputa com clubes cujas propostas eram até maiores. E algumas vitórias obtidas nos minutos finais davam motivação extra, ao revelarem como este PSV nunca, jamais, em tempo algum desistia da vitória.

A intertemporada no início deste ano mostrou: as falhas podiam até ser individuais, mas a força coletiva dos Boeren as compensava plenamente. Locadia foi liberado para o Brighton sem dramas: afinal, tanto Luuk de Jong já parecia mais tranquilo para retomar seu posto de “homem-gol” quanto os novatos já estavam a postos para colaborar (nas figuras de Sam Lammers, Albert Gudmundsson e Mauro Júnior, todos aprovados na Florida Cup). A mesma coisa ocorria na marcação, com oriundos dos times de baixo enfim sendo mais utilizados no time de cima – casos de Pablo Rosario e Armando Obispo, ora na zaga, ora no meio-campo.

Nem sempre dava certo, claro. Periodicamente o PSV recebia e recebe críticas, por seu estilo altamente recuado – e às vezes até as mereceu, como na derrota por 3 a 0 para o Ajax, ainda no primeiro turno. Sem contar as falhas renitentes da defesa, só compensadas pelas atuações que têm feito de Jeroen Zoet o melhor goleiro da Eredivisie. Tudo isso ficou muito claro numa mancha que a campanha sempre haverá de ter: os 5 a 0 do Willem II fora de casa, há quatro rodadas. Só que a garra, o entrosamento que se formou, a vontade de provar alguma coisa superou todos esses percalços. Tudo isso exemplificado na rodada passada: perdendo por 2 a 0 para o AZ, fora de casa, já na etapa final, o PSV foi atrás e conseguiu a virada para 3 a 2, que o colocou diante de um cenário apoteótico, como preconizou Luuk de Jong, 11 gols no campeonato, símbolo da reação na temporada: “Fechar a questão contra o Ajax, em casa, naturalmente é o cenário dos sonhos”.

Esbanjando cada vez mais técnica, Ziyech é uma das únicas e últimas esperanças do Ajax para ainda tentar o título (René Bouwman)
Mas se o PSV confiará no poder coletivo para que seus destaques se sobressaiam – Marco van Ginkel, Lozano, Luuk de Jong – e rendam mais uma Eredivisieschaal, o Ajax terá de apostar no cenário inverso. Numa temporada que começou e está terminando caótica, cada vez mais os Amsterdammers têm uma sensação: só o talento individual poderá evitar a derrota e a perda do título no clássico a ser realizado no Philips Stadion. Porque é exatamente este talento que evitou a perda mais precoce do título.

Também por fatores externos variados – como o drama de Abdelhak “Appie” Nouri, ou a inesperada inconstância no banco de reservas, graças à briga que levou à saída de Peter Bosz e o mau trabalho de Marcel Keizer -, os Ajacieden tiveram uma temporada para se esquecer. Nem mesmo a torcida parece entusiasmada com as chances de título que ainda restam. E não há como culpá-la: vindo a partir do returno, o técnico Erik ten Hag dá a impressão de que só em 2018/19 poderá fazer um time à sua imagem e semelhança, como fez no Utrecht. Por enquanto, parece apenas fazer o que pode, evitando maiores danos. Nem sempre consegue. A defesa do Ajax mostra muito mais fragilidade do que na temporada passada, como provou a derrota para o Vitesse (3 a 2, há cinco rodadas) e o fato de também há cinco rodadas o clube sempre sair vazado de campo. 

As vitórias, embora aconteçam, chegam até a surpreender. Foi o caso da virada para o 2 a 1 sobre o Groningen, há dois finais de semana: os Amsterdammers saíram atrás, tiveram um pênalti contrário, foram piores tecnicamente, mas chegaram aos gols em contra-ataques, no segundo tempo – um deles, aos 43 minutos. E mesmo quando se consegue o triunfo, ele surge a muito custo, pela dificuldade que o ataque tem para superar defesas fechadas. Foi assim na rodada anterior, com o 1 a 0 sobre o Heracles Almelo. Somente Erik ten Hag ainda mantém alguma esperança ("Precisamos frustrar aquela festa [do PSV], e faremos isso", prometeu o técnico na entrevista coletiva). Então, como o Ajax ainda consegue vencer? Por causa do talento de seus jogadores para definir resultados adversos e buscar viradas (foram oito vezes nesta temporada em que o time precisou mudar um resultado adverso no Campeonato Holandês). 

Talento personificado em Hakim Ziyech: cada vez melhor no meio-campo, líder de passes para gol na temporada (13), o marroquino é o mais regular jogador do clube da estação Bijlmer Arena, e parece já ter atingido aquele status em que se é grande demais para a Eredivisie. O mesmo acontece com Matthijs de Ligt, talvez o único ponto de segurança em uma zaga que tem sofrido ultimamente – embora se deva destacar o crescimento de produção de André Onana, no gol. No ataque, se David Neres anda mais coletivo e menos brilhante do que no primeiro turno, Justin Kluivert enfim aproveita a chance que tem, mostrando regularidade e destaque, parecendo querer provar seu desejo quase declarado: uma transferência para o exterior. Ainda há a capacidade técnica de Donny van de Beek, auxiliando bem no meio-campo. Por último, mas não menos importante, a experiência de Klaas-Jan Huntelaar, fazendo aquilo para o que foi contratado: gols (12 – é o goleador do Ajax na Eredivisie). E Lasse Schöne, sempre perigoso nas cobranças de falta.

O PSV aprendeu sua lição, baseado no coletivo. O Ajax aposta na qualidade individual para surpreender, manter as remotas esperanças de título e salvar a temporada. O cenário está colocado para se ver o que acontecerá no clássico que finalizará a 31ª rodada – e pode finalizar a Eredivisie.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 15 de abril de 2018)

segunda-feira, 9 de abril de 2018

810 minuten: como foi a 30ª rodada da Eredivisie

O Willem II teve mais um gol de Fran Sol, mas o Excelsior foi atrás da virada, para voltar a vencer em casa (Pro Shots)
Excelsior 2x1 Willem II (sexta-feira, 6 de abril)

Parecia que o Willem II conseguiria um ótimo resultado no jogo de abertura da rodada. Não só pelo retrospecto ruim do Excelsior em casa, mas porque novamente Fran Sol se apresentou na hora que o time de Tilburg precisava dele: o espanhol completou para as redes o cruzamento de Fernando Lewis. E não só fez 1 a 0, mas também se converteu como o espanhol que mais gols marcou na história da Eredivisie: 16, superando os 15 de Manuel Torres Sánchez pelo Twente em 1981/82 - o que, não menos importante, manteve Fran Sol no topo dos goleadores da Eredivisie.

Só que o início promissor dos visitantes tricolores foi por água abaixo aos 26 minutos da etapa inicial. Na zaga, Darryl Lachman dominou a bola, mas permitiu que Mike van Duinen a roubasse e fosse à área. Lachman o empurrou, o juiz Edwin van de Graaf marcou o pênalti, expulsou o zagueiro, e Luigi Bruins cobrou bem para fazer 1 a 1. Foi a senha para o Excelsior crescer. A virada poderia ter vindo ainda na etapa inicial, aos 44', mas Konstantinos Tsimikas tirou a bola em cima da linha. No segundo tempo, já no primeiro minuto, não houve salvação: Khalid Karami cruzou, Stanley Elbers desviou, e veio a virada para a primeira vitória dos Kralingers em casa no ano de 2018.

Angeliño (à esquerda) e Ambrose comandam a comemoração do NAC Breda: outra vitória, e a salvação fica mais perto (Pro Shots)
NAC Breda 1x0 Vitesse (sábado, 7 de abril)

Na teoria, esperava-se uma resposta do Vitesse, após a derrota em casa para o Roda JC na rodada anterior. Na prática, desde o começo do jogo em Breda, o time anfitrião revelou superioridade. Já aos nove minutos criou chance, com Thierry Ambrose chutando para fora. Aos 15', Sadiq Umar foi quem teve a grande oportunidade, após cobrança de falta de Angeliño, mas finalizou muito acima do gol. Só aos 35' a mira do NAC foi correta - contando com uma ajuda da sorte: Angeliño cobrou outro tiro livre, a bola desviou na barreira e enganou o goleiro Jeroen Houwen, indo para as redes. Era o 1 a 0.

A melhor e mais esforçada atuação da "Pérola do Sul" seguiu no segundo tempo: já aos 52', Mounir El Allouchi até fez gol, mas este foi anulado, por impedimento do meio-campista ao desviar o chute de Paolo Fernandes. Apático em campo, o Vites só tentou algo aos 70', quando Angeliño evitou o gol de Mason Mount em cima da linha, e aos 73', quando Thomas Buitink mandou a bola na trave. De resto, o NAC Breda seguiu concentrado, para garantir outra vitória importante em busca da permanência na Eredivisie. No Vitesse, já há quatro partidas sem vencer, ficam dúvidas sobre eventual antecipação da saída do técnico Henk Fräser.

A comemoração de Van Ginkel, após o terceiro gol, foi tão empolgante quanto a reação do PSV: a três pontos do título (ANP)
AZ 2x3 PSV (sábado, 7 de abril)

Jogando com cinco homens na defesa - Ricardo van Rhijn e Ron Vlaar entraram na zaga -, o AZ se protegeu mais. Para poder fazer o que sabe de melhor, contra o PSV líder: atacar. Logo aos sete minutos, quase marcou. Alireza Jahanbakhsh ganhou a dividida com Joshua Brenet, chegou à área pela direita e cruzou, na saída de Jeroen Zoet. A bola bateu em Daniel Schwaab, e sobrou para Teun Koopmeiners, no meio da área - mas o zagueiro do PSV teve agilidade para se levantar e estender a coxa, evitando na pequena área o gol do AZ. Pouco depois, em escanteio, Weghorst cabeceou à queima-roupa, e Luuk de Jong afastou a bola. Ainda aos 9', Van Rhijn chutou por cima do gol. O PSV só achou algum espaço para chegar aos 14', quando Hirving Lozano recebeu a bola na direita, chegou à área, mas finalizou acima do gol de Marco Bizot.

Um minuto depois, o gol dos Boeren ficou mais próximo: Joshua Brenet cruzou da esquerda, Luuk de Jong escorou para o meio, e Bart Ramselaar completou por cima, em grande chance perdida. Aos 18', Luuk de Jong chegou a colocar a esférica no filó do AZ, mas o lance foi corretamente anulado - o atacante estava impedido. Só então, os Alkmaarders retornaram, com chutes de Guus Til (23') e Jonas Svensson (34'), ambos para fora. Mas os visitantes de Eindhoven deixaram uma última impressão mais forte na etapa inicial. Aos 38', Lozano alçou a bola à área em cobrança de falta. E Luuk de Jong, mesmo desequilibrado pela marcação de Vlaar, desviou cruzado, mandando a bola vagarosamente à trave de Bizot (houve quem alegasse pênalti do experiente zagueiro).

Weghorst poderia ter sido o herói do AZ, com seus dois gols e outra ótima atuação. Mas o PSV... (Stanley Gontha)
No começo do segundo tempo, outra vez Luuk de Jong ficou próximo de simbolizar a eficiência do PSV - e outra vez a arbitragem o frustrou: aos 48', após cruzamento de Lozano, o camisa 9 escorou para as redes na saída de Bizot - mas estava impedido, e de novo o gol foi anulado. Mas o AZ voltou ao ataque da melhor maneira possível: já deixando a bola nas redes. Aos 53', Alireza lançou em profundidade, e Til já pegou a bola entrando na área. Santiago Arias ainda impediu a finalização, mas a bola sobrou para Weghorst bater forte, no gol vazio após a saída de Zoet, e fazer 1 a 0. Começava o melhor momento dos mandantes no jogo. Ofensivos, tentaram aos 60', num chute de Alireza, por cima do gol. Mais um minuto, e em rápido contra-ataque, o domínio Alkmaarder foi consolidado com o 2 a 0. Fredrik Midtsjo desviou de cabeça para Alireza. O iraniano teve caminho livre pela direita, e cruzou para a área. No outro lado, estava Weghorst, para finalizar como gosta: cabeceio sobre Zoet, na segunda trave, e bola nas redes. Jogo acabado? Não para o PSV, que começou a tentar. Aos 65', Bizot rebateu após falta cobrada para a área. Aos 73', Marco van Ginkel cobrou escanteio, Luuk de Jong ajeitou na área, e Gastón Pereiro entrou completando na pequena área para excelente defesa de Bizot, evitando o gol com a perna.

Aí, começou a reação marcante. Aos 74', a bola parada foi do outro lado, mas aí deu certo. Van Ginkel mandou a bola para a área, Pereiro dominou na esquerda e finalizou em diagonal, no canto esquerdo de Bizot, para fazer o primeiro gol dos Boeren. E a sorte começou a andar do lado de Eindhoven. Numa jogada aparentemente controlada pela defesa do AZ, uma falha incrível de Bizot rendeu o empate, aos 76'. O goleiro recebeu a bola num recuo de Jan Wuytens, mas permitiu que Lozano chegasse num carrinho para a dividida. Resultado: bola indo vagarosamente para as redes, e o 2 a 2 consumado. Parecia pouco? Pois bem, então que se consumasse a virada impensável, aos 80'. Num escanteio, Vlaar agarrou De Jong na área, e Kevin Blom marcou o pênalti. Van Ginkel partiu e cobrou: bola na esquerda, Bizot na direita, e comemoração eletrizada de time e torcida para o 3 a 2. Mais emoção ainda? Não faltou. Aos 83', Van Rhijn chegou a marcar, mas Kevin Blom anulou, por impedimento quase imperceptível. E a expulsão de Vlaar - aos 89', por puxar Lozano em contra-ataque sendo último homem - foi o ponto final das tentativas do AZ, para evitar a empolgante virada. Ao PSV, a semana demorará a passar antes do esperado clássico contra o Ajax, que pode confirmar seu título.

Alívio de Jurjus: o Roda JC teve a vitória sob risco, mas a conseguiu, e ainda pode ficar na Eredivisie sem repescagem (Pro Shots/rodajckerkrade.nl)
Roda JC 3x2 Zwolle (sábado, 7 de abril)

Após os triunfos sobre NAC Breda e Vitesse, o Roda JC entrou em campo para ampliar esperanças até de garantir permanência direta na Eredivisie. E começou muito bem o serviço para mantê-las: já aos 3', Simon Gustafson lançou Donis Avdijaj, e o atacante emprestado pelo Schalke 04 bateu colocado para o 1 a 0 dos Koempels. Mais cinco minutos, e Gustafson foi quem finalizou para o segundo gol, completando cruzamento de Mikhail Rosheuvel. Aos 24', Avdijaj chegou a colocar a bola nas redes pela terceira vez, mas o juiz Bjorn Kuipers anulou, por impedimento.

Azar do Roda. Porque, apenas um minuto depois, em falta, Younes Namli surpreendeu o goleiro Hidde Jurjus, cobrando no canto aberto e diminuindo a vantagem. Ognjen Gnjatic (chute para fora aos 35') e Dani Schahin (cabeceio rente à trave, aos 38') quase marcaram. No segundo tempo, os mandantes seguiram criando chances, sem aproveitá-las. Poderiam ter tido o castigo aos 85': Sepp van den Berg deixou a bola para Queensy Menig empatar a partida. Mas não tiveram: aos 87', Rosheuvel completou à queima-roupa para extasiar a torcida aurinegra da casa. Três vitórias consecutivas, e quatro pontos atrás do NAC Breda: ainda é possível para o Roda JC.

O Sparta Rotterdam já se via lamentando uma derrota de virada. Mühren foi o salvador, nos dez minutos finais (Gerrit van Keulen/VI Images)
Sparta Rotterdam 3x2 VVV-Venlo (sábado, 7 de abril)

Novamente, o Sparta viveu um dia de altos e baixos dentro de campo. Começou no alto: aos 4', Paco van Moorsel mandou a bola na trave. E aos 19', Soufyan Ahannach deu a vantagem merecida, completando para o gol após cruzamento de Frederik Holst. Quando o goleiro Jannik Huth defendeu o pênalti de Clint Leemans, aos 40' (Lennart Thy sofrera falta), dava para acreditar que a sorte estava do lado dos "Donos do Castelo". Aí vieram os baixos para desmentir. Começando pelo empate, aos 43': o próprio Leemans arrematou, e Huth falhou ao tentar defender.

Só para aumentar o drama que o penúltimo colocado da Eredivisie vive, o VVV-Venlo já virou logo no início dos 45 minutos finais: aos 52', Leemans cobrou falta, a bola desviou na barreira, e era a virada dos visitantes de Venlo. Torino Hunte e Romeo Castelen tiveram chances de assegurar a vitória dos Venlonaren, e a crença era de que o Sparta não escaparia. Até os 81'. Aí, Robert Mühren se converteu no herói da vez: empatou, em chute da entrada da área. E Mühren completou sua saga ao virar para 3 a 2 no último minuto, após Michiel Kramer escorar. E o time de Roterdã segue com a esperança acesa na "segunda chance" da repescagem, quatro pontos acima da última posição.

ADO Den Haag fizeram um jogo equilibrado em todos os sentidos: gols, disputas pela bola, chances criadas... (ANP/Pro Shots)
Utrecht 3x3 ADO Den Haag (domingo, 8 de abril)

De tantas chances criadas, é impressionante que os gols no estádio Galgenwaard só tenham começado a saír no fim do primeiro tempo. Houve possibilidades de um lado e de outro. Aos 4', Zakaria Labyad tentou encobrir o goleiro Indy Groothuizen (substituto do lesionado Robert Zwinkels), mas a bola saiu baixa. E aos 15', Thijmen Goppel cruzou, para o cabeceio de Nasser El Khayati mandar a esférica perto do gol. Assim seguiu o ritmo acelerado, com chances de parte a parte. Até os 43', quando Sander van de Streek acertou o alvo: com um chute forte, colocou o Utrecht na frente.

Na etapa complementar, o Den Haag é que voltou bem mais preciso. Logo aos 54', o empate: Bjorn Johnsen driblou Ramon Leeuwin e mandou a bola no ângulo de Groothuizen. Os Utregs pressionaram com bolas na trave, na sequência (aos 65', Mateusz Klich e Labyad). Mas os visitantes de Haia fizeram 2 a 1, aos 69', com Tom Beugelsdijk marcando de cabeça. Só não comemoraram mais porque, aos 73', quem cabeceou para o gol foi Gyrano Kerk, empatando de novo. E os acréscimos revelaram a emoção final. Primeiro, aos 90', Elson Hooi pareceu dar a vitória aos Den Haag, com o 3 a 2. Mas só pareceu: aos 90' + 4, Labyad enfim marcou o gol que tanto tentara, completando a partida mais animada da rodada.

Van Weert apareceu para marcar de novo. E o Groningen saiu com um ponto contra o Heerenveen (ANP/Pro Shots)
Heerenveen 1x1 Groningen (domingo, 8 de abril)

Mesmo atingido pelas lesões que tiraram Martin Odegaard e Stijn Schaars do resto da temporada, o Heerenveen se refez delas do melhor jeito possível: buscando a vantagem e sendo superior no primeiro tempo. Foi assim aos quatro minutos, quando o arremate de Arber Zeneli saiu fraco demais. Foi melhor aos 30', quando o cabeceio de Michel Vlap forçou Sergio Padt a fazer ótima defesa. E aos 31', Vlap fez o que a torcida na Frísia desejava: completou o cruzamento de Denzel Dumfries com um chute colocado e preciso, fazendo 1 a 0.

Até ali, o Groningen mal aparecera no campo de ataque. E mal apareceria até os 43 minutos, quando Ajdin Hrustic tentou de longe, para a defesa do arqueiro Martin Hansen. Só que na volta do intervalo, o time visitante contou com a eficiência de Tom van Weert: na terceira finalização nas últimas três rodadas, mais um gol para a conta do atacante, aos 55', de cabeça, após Mimoun Mahi mandar a bola para a área. Van Weert teve mais duas chances para a virada - numa delas, aos 68', até acertou a trave. Mas ficou mesmo no placar o empate em um gol, que mantém o Groningen em 13º, ainda acima da zona de repescagem/rebaixamento - com chances de encaminhar a salvação contra o Roda JC.

O toque sutil de calcanhar de Jorgensen deu o toque final na vitória do Feyenoord - e aprofundou a depressão do Twente (Pro Shots)
Twente 1x3 Feyenoord (domingo, 8 de abril)

No estágio atual da temporada, só vitórias salvam o Twente da última posição e do consequente rebaixamento. E os Tukkers iniciaram pressionando na marcação (pressionando tanto que Tom Boere levou o amarelo mais rápido da temporada, aos nove segundos de jogo). Chances de gol viriam aos seis minutos, quando Stefan Thesker completou escanteio de cabeça, e Tonny Vilhena evitou o gol em cima da linha. O Feyenoord foi aparecendo aos poucos - começando num chute de Steven Berghuis, para fora, aos 8'. Mas a eficiência dos visitantes de Roterdã foi bem maior. Aos 18', da esquerda, Ridgeciano Haps inverteu o jogo com Jens Toornstra. Este dominou, começou a jogada trazendo a bola para o meio, dominou-a de volta após um primeiro passe ser rebatido pela defesa, tabelou com Nicolai Jorgensen e recebeu de volta. E de Toornstra a bola partiu para a área, chegando para o voleio de Jean-Paul Boëtius. Saiu meio desajeitado, mas tomou o caminho desejado: as redes de Joël Drommel, no 1 a 0 do Feyenoord.

O Stadionclub parecia ter tomado o jogo nas mãos. Mas o perderia só quatro minutos depois, graças a mais um erro de Brad Jones na saída de bola, nesta temporada. Após recuo, o goleiro australiano ficou com a esférica nos pés, na área, esperando opções de jogada. Escolheu uma, deu o passe... e a bola foi interceptada por Adam Maher. Jones saiu desesperado tentando evitar o gol, mas o meio-campista do Twente foi rápido e tocou para o gol vazio, empatando o jogo. O erro do arqueiro quase foi compensado já aos 24': Toornstra cobrou falta, e Sven van Beek desviou de cabeça, para Drommel salvar o Twente, rebatendo a bola. Mas a equipe de Enschede conseguiu equilibrar a partida. E teve a chance da virada com Oussama Assaidi, aos 40', mas o atacante demorou demais ajeitando a bola antes de chutar - quando chutou, já haviam três defensores à sua frente, e a bola bateu num deles (Van Beek).

O Twente se esforçou, empatou, criou chances para virar no segundo tempo... mas cada vez mais a queda está perto (Pro Shots)
O começo da etapa final seguiu com tentativas das duas equipes. Aos 53', o Twente buscou o gol da virada: em cobrança de falta, Thesker desviou com a cabeça, mas a bola saiu à esquerda de Brad Jones. Aos 56', o Feyenoord respondeu: Toornstra apareceu pela direita, cruzou rasteiro, e Jorgensen chegou livre à pequena área. Só que o dinamarquês escorou o cruzamento por cima do gol, em grande chance desperdiçada. Aí, houve um momento de mais pressão dos mandantes no Grolsch Veste. Aos 62', Drommel cobrou tiro de meta, e a bola foi até a área. Lá, ficou quicando até Boere tentar o domínio. Não conseguiu: Brad Jones dominou e a tirou. Cinco minutos depois, Adnane Tighadouini recebeu nas proximidades da área, e arriscou de média distância, mas Jones pegou.

Na sequência, o Feyenoord é que teve a chance num chute rasteiro. E a aproveitou. Aos 67', Berghuis dominou a bola na direita, tabelou com Karim El Ahmadi, e arrematou num chute colocado, com a bola ainda batendo na trave de Drommel antes de entrar, consumando o 2 a 1. E qualquer esperança que o Twente tivesse para minorar sua aflição acabou aos 75', com o terceiro gol do Feyenoord. Novamente, com Berghuis começando a jogada: o camisa 19 tabelou com Robin van Persie, entrou na área, tocou para o meio, e El Ahmadi ajeitou para o toque de calcanhar de Jorgensen, na pequena área, mandando a bola lentamente para as redes - e assegurando a sequência de um fim tranquilo de campanha na Eredivisie. Ao Twente (que teve última chance em chute de Assaidi defendido por Jones, aos 88'), segue o drama. Com poucas chances de final feliz.

David Neres completa para fazer 1 a 0. E mantém o Ajax com as remotas esperanças antes do "clássico" contra o PSV (Louis van de Vuurst/Ajax.nl)
Ajax 1x0 Heracles Almelo (domingo, 8 de abril)

Nestas rodadas, só resta ao Ajax uma coisa: vencer, para esperar tropeços do PSV. Na Amsterdam Arena, o time da casa tentou fazer isso desde os quatro minutos, quando teve a primeira grande chance de gol: David Neres fez jogada individual pela direita, cruzou, e Donny van de Beek completou de primeira, na trave esquerda do goleiro Bram Castro. Depois, aos 13', Justin Kluivert passou da esquerda, Hakim Ziyech fez o corta-luz, e Lasse Schöne arriscou de fora da área, forçando Castro a espalmar para fora. O miolo de zaga do Heracles trabalhou aos 20': David Neres tabelou com Rasmus Kristensen, e o lateral dinamarquês cruzou. Porém, Wout Droste conseguiu afastar a bola na pequena área, impedindo o complemento do atacante brasileiro. Só aos 28 minutos os Heraclieden deram algum trabalho aos defensores: num rápido contra-ataque, Jaroslav Navrátil deu a bola a Brandley Kuwas, mas o atacante bateu muito acima do gol de André Onana.

Mas o Ajax já reapareceu aos 31 minutos: David Neres chegou com a bola pela direita, cruzou, mas o arremate de Klaas-Jan Huntelaar saiu fraco, e a defesa pôde tirá-lo pela linha de fundo. Aos 34', mais um susto, quando Kuwas mandou a bola para a área em cobrança de falta, mas Onana saiu bem do gol e espalmou. E seguiu a pressão. Aos 37', dois lances em sequência: no primeiro, após troca de passes, a bola foi parar com Kristensen, que acertou a trave com seu chute, na entrada da área. A jogada seguiu, e Kluivert terminou arrematando da entrada da área, para Castro fazer outra intervenção, espalmando. Finalmente, aos 39', Schöne cobrou falta com o perigo habitual - e na primeira trave, Matthijs de Ligt desviou pouco acima do travessão, trazendo perigo.

Na única vez que o Heracles buscou o gol, Onana saiu para afastar a bola (ANP/Pro Shots)
Ziyech deu a primeira estocada do Ajax no segundo tempo - um chute de fora da área, por cima do gol. Aos 51', mais uma amostra de como o time da casa tinha a bola mas não tinha espaço: Kluivert ficou com a esférica dentro da área, ajeitando-a até chutar. Não achou lugar, deixou a pelota com Van de Beek, e este finalizou rasteiro, em cima de um defensor. Mas se não estava dando certo pelo chão, o Ajax chegou ao gol necessário pelo alto, aos 63'. No caso, com um cruzamento primoroso de Ziyech, da esquerda. David Neres entrou no meio da área, e de primeira, completou para o filó adversário.

Mais tranquilos, os Amsterdammers tiveram oportunidades até de ampliarem. Aos 70', David Neres roubou a bola na direita da grande área, cruzou rasteiro, e Justin Kluivert completou no contrapé, por cima do gol. O brasileiro apareceu de novo aos 78', deixando com Kluivert na área - e o camisa 45 dominou e bateu, para ótima defesa de Castro, espalmando por cima do gol. A última possibilidade veio aos 86', quando Siem de Jong desarmou Sebastian Jakubiak na meia-lua, e deixou a bola para Huntelaar chutar muito por cima da meta. Mesmo com essas chances perdidas, o Ajax conseguiu manter os três pontos. E a desvantagem para o PSV estará em sete pontos no clássico da próxima rodada. Os Ajacieden já sabem: irão a Eindhoven como franco-atiradores. Só o brilho individual dos destaques pode evitar a perda do título para o rival, justamente no confronto direto. De todo modo, o Ajax segue tendo apenas uma obrigação: vencer.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Emoção de sobra

O Fortuna Sittard mantém a turbulência do lado de fora do campo: está perto do título e do retorno à primeira divisão (Gerrit van Keulen/VI Images)
Na primeira divisão do Campeonato Holandês, o PSV já se prepara timidamente para a festa do título que se aproxima (timidamente por causa de razões que serão explicadas no final deste texto). Então, acabou-se a emoção que o futebol holandês possa ter para oferecer em 2017/18? Muito longe disso. Porque, na segunda divisão, também restando apenas cinco rodadas, Fortuna Sittard, Jong Ajax e NEC protagonizam uma disputa pelo título – e pelo consequente acesso direto – como havia tempos a Eerste Divisie não via. Apenas um ponto separa as três equipes.

A equipe B Ajacied está na terceira posição, com 64 pontos e saldo de gols menor do que o time de Nijmegen, rebaixado na temporada passada, atual ocupante da segunda posição, com pontuação igual. E ambos estão abaixo do Fortuna Sittard, que viu a sorte lhe sorrir há duas rodadas, na sexta passada: não só viu derrotas dos adversários diretos – no “clássico dos times B”, o Jong PSV fez 3 a 0 no Jong Ajax, enquanto o NEC sucumbiu ao FC Eindhoven (3 a 2) -, mas cumpriu sua tarefa ao golear o Almere City (4 a 1) para voltar à primeira colocação. E a situação se manteve como tal na 33ª rodada, ocorrida na segunda passada, quando todos venceram. O NEC fez 3 a 0 no Telstar; o Jong Ajax superou o Dordrecht (3 a 2); e o Fortuna também ostentou 3 a 0, no Helmond Sport.

Conseguir a liderança na reta final, ainda que longe de ser definitiva, é bastante surpreendente para o Fortuna. Não pelo clube ter vivido uma ascensão vertiginosa: como a coluna citou no fim de janeiro, já então o time auriverde de Sittard estava presente na disputa pela liderança, sonhando com a volta à Eredivisie após 16 anos. Porém, coincidentemente, naquela semana a equipe fora derrotada pelo Dordrecht (3 a 0). E o nigeriano Sunday Oliseh, ainda técnico, já começara a pedir mais apoio da diretoria – o que incluía contratações.

Foi o início da fase mais turbulenta que o Fortuna Sittard viveu em sua campanha. Primeiro, porque no começo de fevereiro, alguns jornais e sites divulgaram suposta demissão de Oliseh, por suas declarações criticando a diretoria. O clube rapidamente desmentiu – e, de fato, o ex-jogador seguiu comandando a equipe. Mas estava claro que o clima era o pior possível entre as partes. Seguiram-se mais dois jogos sem vitória. E aí, sim, não só Oliseh foi demitido, no meio de março, como o conflito se tornou aberto.

O nigeriano deu a primeira estocada, à revista Voetbal International: “Eu não queria continuar. Não queria fazer parte de práticas ilegais”. O clube – leia-se o proprietário Isitan Gün – quis ouvir quais eram tais práticas. E levou o ex-comandante à Justiça Comum holandesa, onde ambas as partes estão até agora. Em audiência acalorada no dia 20 de março, Oliseh acusou o clube de pagar irregularmente jogadores e treinadores; Gün vociferou contra os métodos e comportamentos do técnico. O veredito veio nesta sexta: a comissão independente decidiu que a razão estava com o Fortuna Sittard, e Oliseh ficou sem direito a indenização pela demissão.

Em meio a tal tormenta, parece incrível que o português Cláudio Braga, que passou de técnico dos juvenis a interino do principal sem escalas, conseguisse blindar a equipe. Blindou. Paralelamente, os destaques voltaram a se sobressair, em figuras como Finn Stokkers e Lisandro Semedo. E mesmo após a demissão, o Fortuna se manteve próximo da primeira posição. Está invicto desde então, com três empates e sete vitórias. Na última, como já dito, retomou a liderança. Não que as dificuldades tenham cessado. Longe disso – no supracitado triunfo contra o Almere City, o clube perdeu um dos destaques na campanha, o atacante Djibril Dianessy, fora da temporada após romper o ligamento cruzado anterior. Mas está claro que o sonho do retorno à Eredivisie segue muito vivo.

Assim como segue vivo para o NEC, também disputando firmemente a liderança. Como ocorreu com outros campeões da segunda divisão, o clube de Nijmegen tenta retornar rapidamente à primeira divisão com a mesma base que sofreu o rebaixamento. Ainda seguem no time treinado por Pepijn Lijnders o goleiro Joris Delle, o zagueiro Wojciech Golla, o volante Janio Bikel, o atacante Mohamed Rayhi. Uma contratação até inesperada – Anass Achahbar, que era promissor no Feyenoord – também tem mostrado talento: é o goleador da equipe na temporada.

Além do mais, jovens que eram apenas promessas em 2016/17 já amadureceram suficientemente para tomarem conta de suas posições e se destacarem na campanha. É o caso do meio-campista Ferdi Kadioglu e do atacante Arnaut Groeneveld. Todavia, um hábito da segunda divisão holandesa bem conhecido de brasileiros tem perturbado a campanha: a ausência de paralisação do campeonato nas datas Fifa. Há três rodadas, com Kadioglu e Groeneveld na seleção holandesa sub-21, o NEC tropeçou contra o De Graafschap (1 a 1). A derrota para o FC Eindhoven devolveu a ponta ao Fortuna Sittard. E agora, os Nijmegenaren apenas esperam tropeços – possíveis – do primeiro colocado.

E o terceiro colocado da Eerste Divisie poderia estar muito tranquilo na disputa. Afinal, o Jong Ajax não será promovido caso seja campeão, por motivos óbvios. Porém, a temporada decepcionante da equipe principal coloca uma certa pressão na equipe B dos Amsterdammers. Pressão que às vezes prejudica, como na derrota para o Jong PSV. De mais a mais, os jogadores às vezes sofrem com o vai-e-volta entre o banco do time de cima e a titularidade absoluta na equipe B. É o caso de vários jogadores: Luis Orejuela, Noussair Mazraoui, Carel Eiting e, acima de tudo, Mateo Cassierra, goleador da equipe na temporada. Além do mais, até pelo investimento que o Ajax faz em sua base (muito mais alto que o dos rivais, obviamente), considera-se que ganhar a segunda divisão seria um 
certo prêmio de consolação. E perdê-la, mais uma decepção.

Está certo que Fortuna Sittard e NEC, mesmo perdendo o título, continuariam na disputa pelo acesso – afinal, como “campeões de período”, estão garantidos na repescagem. Ainda assim, a mobilização na disputa pelo título da segunda divisão os faz esquecer tal possibilidade. Afinal, viria o acesso direto junto da taça. E a ansiedade da reta final foi expressa justamente por quem tem menos “obrigação” de ser campeão: Michael Reiziger, técnico do Jong Ajax. “Está uma competição legal. E está surpreendente, todo mundo pode perder pontos”. Após a 34ª rodada ser jogada nesta sexta, a vitória do Jong Ajax sobre o NEC (2 a 0) fortaleceu o time de Amsterdã - e também o Fortuna, que venceu o Go Ahead Eagles (1 a 0) e segue na ponta. Mas quem garante que isso durará?


Se há um time que pode impedir o sonho apoteótico do PSV, é o AZ, com a dupla Alireza-Weghorst (Tom Bode/VI Images)
PSV: a decisão antes da decisão

Sete pontos à frente do Ajax, com cinco rodadas para o final do Campeonato Holandês: a torcida do PSV já esfrega as mãos pensando em comemorar o título. Se tudo der certo para os Boeren, a comemoração seria deliciosa: precisando de duas vitórias, os três pontos decisivos viriam justamente no clássico contra o vice-líder de Amsterdã, na 31ª rodada, no próximo dia 15. Aí mora o perigo. Porque, antes do clássico, neste sábado, a partida da 30ª rodada traz justamente uma visita contra... o AZ, terceiro colocado. E não será nada fácil vencer a equipe altamente ofensiva e rápida que vem de Alkmaar.

Seja nas laterais, com Jonas Svensson e Thomas Ouwejan; no meio, com Guus Til e Teun Koopmeiners; no ataque, com Alireza Jahanbakhsh, Wout Weghorst e Oussama Idrissi; as opções ofensivas não faltam a John van den Brom. E a organização tática dá aos Alkmaarders franca superioridade sobre a maioria dos rivais – como provou o fácil 3 a 0 sobre o ADO Den Haag, na rodada passada. Não à toa, o AZ chega à final da Copa da Holanda pela segunda temporada consecutiva. Menos à toa, sonha até com o vice-campeonato – desvantagem ainda reversível de cinco pontos, para o Ajax, que será enfrentado na penúltima rodada. Menos à toa ainda foi ver alguns destaques (o goleiro Marco Bizot, Til, Weghorst) lembrados por Ronald Koeman na convocação da seleção.

Se há algum álibi com que os Eindhovenaren podem contar, é o péssimo retrospecto do AZ na temporada contra os grandes. Ao enfrentar o Feyenoord, o mais decepcionante do trio, foram duas derrotas – incluindo aí um 4 a 0 em plena Alkmaar. Contra o Ajax, numa partida que poderia dar a vice-liderança, fez-se o 1 a 0, mas foi tomada a virada. E contra o PSV, na primeira rodada, o AZ até saiu na frente, mas levou o 3 a 2. Ainda assim, num momento decisivo da temporada, e diante de um time elogiável tecnicamente (nem que seja para chegar na Liga Europa e passar vexame – quem esquece os 7 a 1 do Lyon?), o PSV precisa de atenção. Afinal, ainda há esta decisão contra o AZ antes da sonhada “decisão” contra o Ajax.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 6 de abril de 2018)

terça-feira, 3 de abril de 2018

810 minuten: como foi a 29ª rodada da Eredivisie

Parzyszek sai comemorando após a esperteza no segundo gol: Zwolle foi rápido para definir a vitória (Henry Dijkman/VI Images)
Zwolle 2x0 Sparta Rotterdam (sábado, 31 de março)

Com apenas dois minutos, o Zwolle já se colocou no bom caminho da vitória: Kingsley Ehizibue começou a jogada, Younes Namli cruzou sob medida e Youness Mokhtar completou para o primeiro gol dos mandantes. Impacto tão considerável que Piotr Parzyszek quase ampliou a vantagem dos Zwollenaren logo depois (chutou em cima do goleiro Jannik Huth). O que não quer dizer que o Sparta se abateu com a desvantagem. Os visitantes de Roterdã tiveram ótima chance aos 29': Thomas Verhaar finalizou, o goleiro Diederik Boer rebateu, e Michiel Kramer errou o rebote.

O segundo tempo começou como o primeiro: com o Zwolle assustando. Aos 54', um cruzamento de Ryan Thomas que parecia despretensioso foi mandar a bola no travessão de Huth. E o goleiro alemão, por sinal, foi o bode expiatório da jogada do segundo gol, aos 64': trocava passes com os zagueiros Sander Fischer e Julian Chabot, até um toque curto demais ser interceptado por Parzyszek, que completou. A partir daí, o Zwolle se assenhorou da partida, e pôde comemorar a sua primeira vitória no campeonato desde 6 de fevereiro. Ao Sparta, voltou o temor do rebaixamento direto. Até pelo que ocorreria com o Roda JC.

O entusiasmo de Vansteenkiste e Schahin na comemoração se justifica: ninguém esperava a surpresa do Roda (Broer van den Boom/VI Images)
Vitesse 0x3 Roda JC (sábado, 31 de março)

E o que ocorreria com o Roda JC? Muitos esperavam uma derrota para o Vitesse, em Arnhem. Só que os Koempels se agigantaram para conseguir uma vitória importante na disputa para, pelo menos, tentar se salvar na repescagem de acesso/descenso. O Vites começara com algumas oportunidades - como um cabeceio de Guram Kashia, com a defesa do goleiro Hidde Jurjus, aos 21' -, mas na primeira chance que tiveram, aos 24', os visitantes de Kerkrade já colocaram a esférica no filó adversário: Jannes Vansteenkiste cruzou e Dani Schahin completou de cabeça para marcar seu primeiro gol desde 28 de janeiro. De quebra, aos 34', Donis Avdijaj quase fez o segundo, mas mandou para fora.

O Vitesse? Depois de ficar atrás no placar, só tentou algo num arremate de Mason Mount, para fora, ainda durante o primeiro tempo. Saiu para o intervalo debaixo de fortes vaias no Gelredome de Arnhem. E já aos 57', o técnico Henk Fräser decidiu tirar a aposta que fizera no ataque, Luc Castaignos, trazendo de volta o titular Tim Matavz. Não dera e não daria certo. Aos 70', o Roda JC é que faria 2 a 0: Simon Gustafson lançou em profundidade, e desta vez Avdijaj conferiu. Mais dez minutos, e Schahin foi premiado com o segundo gol do dia, confirmando um triunfo extremamente valioso para o Roda - e decepcionante para o Vitesse, que sonhava em chegar perto da quarta posição, mas se vê ainda em perigo até de não garantir sua vaga na repescagem por Liga Europa.


A torcida já se assanha: mais uma vitória, o PSV segue líder absoluto, e a perspectiva de garantir a conquista no clássico contra o Ajax é cada vez mais palpável (ANP/Pro Shots)
PSV 5x1 NAC Breda (sábado, 31 de março)

No começo, o NAC Breda até tentou ousar em Eindhoven. Aos 4', por exemplo, Sadiq Umar saiu com a bola, e chegaria bem à área para o chute, não fosse o desarme providencial de Daniel Schwaab, na hora certa. Foi a senha para o PSV começar a dominar. Aos 6', Santiago Arias deixou a bola com Marco van Ginkel, e da entrada da área, o camisa 10 arrematou para a defesa do goleiro Nigel Bertrams. O chute de Bart Ramselaar, aos 10', foi mais perigoso: ao invés de agarrar, Bertrams o espalmou para a linha de fundo. Aos 19', Steven Bergwijn arriscou sozinho, em chute de fora - e para fora. Dois minutos depois, Luuk de Jong cabeceou à queima-roupa, em cima de Bertrams, na pequena área - embora desequilibrado ao ser segurado por Pablo Marí, verdade.

Aos 28', na falta de uma, foram duas chances: primeiro com o chute de Jorrit Hendrix, mandando a bola no travessão, e na sequência com o arremate baixo de Bergwijn, que Bertrams mandou para escanteio.Mas só numa bola parada é que veio o gol, aos 37'. Outra vez, Pablo Marí agarrou Luuk de Jong na área - mas desta vez foi mais acintoso, o juiz Pol van Boekel marcou o pênalti, e Van Ginkel bateu no canto direito de Bertrams, deslocando o goleiro para fazer 1 a 0. O placar poderia ter sido ampliado já aos 44', até: Arias subiu sozinho em escanteio, cabeceando fortemente a bola. Mas Bertrams pegou em cima da linha.

Sadiq Umar foi o monstro e o médico para o NAC Breda: cometeu gol contra, mas trouxe certo perigo e até fez gol (Maurice van Steen/VI Images)
Tão logo o segundo tempo começou, o NAC Breda tentou mostrar que não estava morto: aos 47', Sadiq Umar cruzou da esquerda, e a bola sobrou na área com Thierry Ambrose, livre. Mas Jeroen Zoet foi perfeito: saiu bem, fechou o ângulo e pegou firme a finalização do atacante francês. Um cruzamento de Jorrit Hendrix, no minuto seguinte, já normalizou as coisas. Depois, Van Ginkel quase fez de cabeça aos 52', completando escanteio. Aos 58', foi a vez de Hirving Lozano forçar Bertrams a espalmar para escanteio, numa tentativa de fora. E no escanteio da sequência, veio o segundo gol: Lozano cobrou, Daniel Schwaab cabeceou, a bola desviou em Sadiq Umar e tirou as chances de defesa do arqueiro - e o atacante nigeriano do NAC Breda recebeu, "contra", o crédito do 2 a 0 dos Boeren. Porém, coube justamente a Sadiq Umar devolver alguma esperança aos visitantes de Breda, com o gol que marcou aos 64' - contando com a "ajuda" de Joshua Brenet: o recuo do lateral esquerdo a Zoet foi curto demais, o atacante interceptou a bola e tocou na saída do goleiro para fazer.

Todavia, após um período de chances esparsas aqui e ali, foram os Eindhovenaren que encaminharam o resultado. Luuk de Jong fez 3 a 1 aos 76', dominando a bola após escanteio e a concluindo no canto esquerdo. Sadiq Umar ainda tentou um último chute, aos 80', mas outro gol contra transformou a vitória praticamente garantida dos Eindhovenaren em goleada: Bergwijn veio pela esquerda, cruzou, e o caminho da bola até as redes foi encurtado pelo desvio acidental na cabeça de Karel Mets, em mais um gol contra no 4 a 1. Imediatamente após participar do segundo gol contra do jogo, Bergwijn deu lugar a Gastón Pereiro. E foi o uruguaio que marcou o quinto gol, aos 84', num chute colocado, no canto direito de Bertrams. Estava consolidada a goleada. E apenas um tropeço contra o AZ, fora de casa, na próxima rodada, impedirá o PSV de ter o cenário ideal para garantir o título: em casa, no clássico contra o Ajax, daqui a duas semanas.

De fato, motivos não faltaram para o sorriso no AZ: atuação imperiosa contra o ADO Den Haag (ANP/Pro Shots)
ADO Den Haag 0x3 AZ (sábado, 31 de março)

O AZ já sabe: no mínimo, já tem a terceira posição do campeonato praticamente garantida. E jogou em Haia como o time seguro que normalmente tem sido na temporada. Já aos 18', começou a garantir a vitória contando com dois de seus principais destaques: Alireza Jahanbakhsh cruzou, e Wout Weghorst completou para as redes (como de costume nesta temporada). Aos 26', já poderia ter vindo o segundo, mas Guus Til chutou para fora. Tudo bem: aos 30', em estonteante troca de passes, Jonas Svensson passou a Weghorst, este fez o pivô, Oussama Idrissi bateu de longe, a bola desviou, e era o 2 a 0 dos visitantes de Alkmaar.

Se ainda houvesse qualquer dúvida do time que sairia ganhador, Alireza acabou com ela aos 43', completando cruzamento de Teun Koopmeiners para o 3 a 0. No segundo tempo, mesmo já apenas administrando a vitória, o AZ até teve chances, vez por outra - como aos 53', num chute forte de Weghorst bem defendido por Robert Zwinkels. Já o ADO Den Haag só teve leves esperanças de ter o gol de honra em tentativas de Bjorn Johnsen e Lex Immers. Passou longe de fazê-lo - e passou longe de impedir mais um estupendo dia do AZ, que ainda sonha até com o vice-campeonato. Aliás, o vice-líder Ajax é que conta com o time de Alkmaar para perturbar o PSV, na próxima rodada.

A chuva foi tão forte quanto as emoções entre Willem II e Utrecht. E o golaço de bicicleta do ajoelhado Tsimikas foi a maior delas (ANP/Pro Shots)
Willem II 3x2 Utrecht (sábado, 31 de março)

Talvez para compensar o tanto de chuva que caiu em Tilburg - tanta que até houve dúvidas se o jogo aconteceria -, Willem II e Utrecht fizeram um jogo extremamente animado. Nem parecia que seria assim, já que os Utregs visitantes dominaram a parte inicial. Aos 8', Sander van de Streek até marcara, mas o gol foi anulado por falta prévia de Gyrano Kerk durante a jogada. Então, substituto do lesionado Yassin Ayoub, Urby Emanuelson disse a que veio por duas vezes. Foi dele o cruzamento para Kerk fazer 1 a 0, aos 19'. E foi dele o passe para o fortíssimo chute de Van de Streek, resultando num belo segundo gol aos 31'. Vitória garantida para os visitantes? O Willem II mostrou que não, com uma reação vertiginosa. E merecida, pelos belos gols.

Aos 39', Thom Haye - que não ficará para a temporada 2018/19 - diminuiu com cobrança de falta perfeita. Mais dois minutos, e o que Konstantinos Tsimikas fez para empatar foi melhor ainda: uma bicicleta para ninguém botar defeito. Já no segundo tempo, aos 50', Fran Sol recebeu passe de Mohamed El Hankouri e, com um toque sutil, pespegou mais um gol para sua conta - o 15º na temporada, que o torna o artilheiro momentâneo do campeonato. Com as entradas de Lukas Görtler e Cyriel Dessers, o Utrecht foi à frente para buscar o empate. Ganhou esperanças ao ficar com um homem a mais aos 77' (Freek Heerkens agarrou Dessers e foi expulso). Mas o Willem II segurou a virada, a vitória e três pontos que aumentam a esperança de ficar diretamente na primeira divisão.

Tentar contra o VVV-Venlo, o Twente até tentou. Mas gol, que é bom e cada vez mais necessário... (ANP/Pro Shots)
VVV-Venlo 0x0 Twente (domingo, 1º de março)

Os olhos de quem viu o jogo em Venlo estavam no Twente - e em como o lanterna da Eredivisie se sairia após a demissão de Gertjan Verbeek. Bem, nada mudou muito. Sob o comando do interino Marino Pusic, os Tukkers tiveram oportunidades com Tom Boere (rebote para fora, aos 11'), Fredrik Jensen (chute agarrado pelo goleiro Lars Unnerstall, aos 17') e Danny Holla (que bateu pouco acima do gol, aos 22'). O VVV-Venlo se redimiu aos 26': Clint Leemans cobrou falta com precisão, e o goleiro Joël Drommel foi buscar a bola, em grande defesa. Mas as emoções no primeiro tempo ficaram nisso.

O segundo tempo foi um pouco mais animado. Já aos 49', o Twente teve uma de suas grandes chances: Adnane Tighadouini chutou, e Unnerstall ainda desviou na bola antes dela atingir a trave - no rebote, novamente Tom Boere perdeu. Depois, após tabelar com Luciano Slagveer, Fredrik Jensen completou num chute baixo, e o goleiro alemão do VVV-Venlo novamente fez intervenção decisiva. Pararam aí as chances de ambas as equipes. E ficou mesmo o 0 a 0 que mantém difícil a vida do Twente - afinal, a vitória do Roda JC aumentou a distância para três pontos.

Bastaram três minutos, abertos com o gol de Thorsby (à direita). E o Heerenveen segurou a vitória (ANP/Pro Shots)
Heracles Almelo 1x2 Heerenveen (domingo, 1º de março)

O Heracles até vinha tentando trazer perigo, por meio de chutes de média e longa distância. Contudo, em três minutos, o Heerenveen encaminhou sua vida na partida. Aos 37', Arber Zeneli cobrou escanteio, e Morten Thorsby desviou levemente para fazer 1 a 0. Mais três minutos, e uma boa jogada de ataque dos visitantes da Frísia terminou com Reza Ghoochannejhad sendo derrubado por Robin Pröpper na área. Ed Janssen marcou o pênalti, e o próprio Reza queria bater, mas o capitão Stijn Schaars deu a bola a Zeneli. O kosovar justificou a escolha: cobrança precisa para o 2 a 0.

No intervalo, o técnico John Stegeman fortaleceu o ataque dos Heraclieden, com as entradas de Lerin Duarte e Paul Gladon. Aos 50', inclusive, Gladon chegou a marcar, mas o gol foi anulado. Depois, aos 63', Kristoffer Peterson teve a chance para marcar, mas tocou por cima da meta defendida por Martin Hansen. Três minutos depois, Peterson voltou a tentar, Hansen rebateu, e Brandley Kuwas tocou por cima. Mesmo tentando, o gol de honra dos mandantes veio só nos acréscimos, com Gladon. Sorte do Heerenveen, que comemorou sua primeira vitória fora de casa após sete partidas.



Até Huntelaar marcar, o Ajax não tivera motivo nenhum para alegria. Mas ele fez, garantiu a vitória de virada e fez o vice-líder rir por último (ANP/Pro Shots)
Groningen 1x2 Ajax (domingo, 1º de março)

Os Groningers começaram o jogo com franca superioridade. Evitavam a troca de passes do Ajax, mantinham a posse de bola, eram bem mais rápidos no ataque - principalmente pela direita, com Ritsu Doan e Deyovaisio Zeefuik. O Ajax ainda tentou num chute de Justin Kluivert, à direita do gol de Sergio Padt, aos 11'. Mas os mandantes do norte estavam bem melhores em campo. E aos 14', veio o merecido gol: Mahi mandou a bola rasteira para a área, da esquerda, e Van Weert se antecipou à marcação de Matthijs de Ligt para completar, bem no alto, sem chances para Onana sequer se mexer a tempo de evitar o 1 a 0. Enquanto só Joël Veltman, De Ligt e Nicolás Tagliafico tinham tempo e espaço para terem a bola no campo de defesa, os anfitriões pressionavam. Poderia ter ficado pior ainda aos 24': após erro de Lasse Schöne na saída de bola, Juninho Bacuna a deixou com Mahi, na área. O marroquino tentar devolvê-la, e Veltman impediu com o braço, levando o cartão amarelo. Prontamente, Kevin Blom marcou o pênalti.

Aí apareceu o primeiro "salvador" do Ajax: André Onana. O goleiro camaronês pulou no canto direito e espalmou a cobrança rasteira de Mahi, em ótima defesa para evitar o segundo gol. Mas nem mesmo escapar da desvantagem ampliada deixou o Ajax mais ligado no jogo. Chances para os visitantes de Amsterdã no primeiro tempo, só aos 30', num cabeceio de Rasmus Kristensen bem defendido por Padt. Sorte do Groningen, que teve mais oportunidades de gol. Como aos 37', num cruzamento de Doan que passou por baixo de Onana e só não entrou por leve desvio do arqueiro. Ou já no minuto seguinte - um escanteio, e Mahi desviou na pequena área, para o camisa 1 Ajacied pegar firme. Ou aos 40', quando Onana rebateu chute de Bacuna. O primeiro tempo terminou deixando a dúvida: como o Groningen estava ganhando só de 1 a 0, diante de um Ajax apático na frente (só Justin Kluivert tentava algo) e inseguro atrás?

O Groningen criou chances, teve pênalti a favor, jogou melhor por boa parte da peleja... mas parou em Onana (ANP/Pro Shots)
A torcida do vice-líder continuou tendo sérios motivos para preocupação no começo da etapa final. Aos 48', Bacuna chegou até a fazer gol, anulado por impedimento (justo). Aos 50', Mahi bateu de fora da área para Onana encaixar a bola em seus braços. No Ajax, seguia o marasmo: sem espaço para sair da defesa, sem bola para jogadas no ataque. Só aos 53' os Amsterdammers começaram a ter possibilidades de gol - precisamente, num chute de Hakim Ziyech, para fora. Na sequência, só para mostrar qual o melhor time, Bacuna quase marcou - a bola foi em cima de Veltman, e depois Onana saiu para impedir. Nem a entrada de Siem de Jong, no lugar de Schöne, havia alterado muito as coisas. Até os 64'. Do nada, dois dos destaques ofensivos Ajacied enfim acharam espaço. Ziyech cruzou da direita, Kluivert cabeceou do lado oposto na saída de Padt, e o Ajax inesperadamente fazia 1 a 1.

Igualdade no placar, parecia que nela o resultado ficaria. O Ajax seguiu sem pressionar muito - tentou apenas em arremates de Nicolás Tagliafico (aos 68') e Ziyech (aos 72'), ambos para fora. Com menos espaço - e menos volúpia ofensiva, também -, o Groningen só trouxe perigo aos 73', num chute colocado de Mahi, que saiu à esquerda do gol. Tagliafico apareceu de novo, num cabeceio aos 82', mas nada. E como que piorando a situação Ajacied, Veltman levou seu segundo cartão amarelo aos 86', sendo expulso de campo. Mas de repente, não mais que de repente, quando tudo levava a crer num empate que deixaria ainda pior a situação do Ajax, veio o inacreditável: a virada. Aos 89', David Neres segurou a bola na direita. Cruzou-a para Huntelaar, que ajeitou para Kluivert. O camisa 45 cruzou de novo para o veterano, que dominou no meio da área, bateu e fez. 2 a 1, para incredulidade no estádio Noordlease. O Ajax segue na disputa. A última que morre, essas coisas.



Pelo menos isso: ao golear Excelsior, Feyenoord ganha respiro na quarta posição (Pro Shots)
Feyenoord 5x0 Excelsior (domingo, 1º de março)

O bom retrospecto fora de casa do Excelsior (quarto melhor visitante) nesta temporada até poderia assustar o Feyenoord no começo do clássico da cidade. Mas o susto durou pouquíssimo: já aos dois minutos, Jean-Paul Boëtius chutou, perto da trave direita do goleiro Theo Zwarthoed. Mais dois minutos se passaram, e o próprio Boëtius abriu o caminho da vitória para o time da casa em De Kuip: Jens Toornstra passou a bola, Tonny Vilhena fez o corta-luz, e o camisa 7 bateu colocado, no canto esquerdo de Zwarthoed, para o 1 a 0. As jogadas ofensivas se avolumavam. Na sequência, Toornstra cruzou baixo, e Zwarthoed ainda conseguiu pegar. No minuto seguinte, o mesmo meio-campista arrematou de voleio após um cruzamento de Ridgeciano Haps, mandando a esférica bem acima do gol. O Excelsior? Só apareceu aos 10', num cruzamento de Mike van Duinen, que Brad Jones pegou sem problemas.

Mantendo a posse de bola, o Feyenoord só precisava criar mais jogadas para impor a clara superioridade diante do rival citadino. Uma possibilidade foi na bola parada: aos 18', Steven Berghuis cobrou falta, e a bola só foi parar na linha de fundo, espalmada por Zwarthoed. Aos poucos, os cruzamentos foram sendo a opção preferencial, sendo repelidos principalmente pelo zagueiro Wout Faes. Até que, aos 27', Boëtius foi preciso: mandou a bola na cabeça de Toornstra, que apenas desviou a bola, sozinho, para as redes, fazendo 2 a 0. Estava fácil para o Stadionclub, e mais fácil ficaria a partir dos 42'. Em outro desarme no meio, Karim El Ahmadi deu a bola a Berghuis. De novo o ponta chegou até à área pela direita sem ninguém marcá-lo forte, mandou a bola para o meio, e lá estava Vilhena para dominar e concluir no canto direito de Zwarthoed, marcando o terceiro gol.

Já aos quatro minutos de jogo, Boëtius brilhou: abriu o placar com o que seria o gol mais bonito da goleada (Pro Shots)
Na etapa complementar, continuou muito fácil. El Ahmadi poderia ter marcado aos 49', num voleio - mas pegou pessimamente na bola, e ela veio fraca para Zwarthoed. A sorte poderia ter dado um "empurrão" aos 52': Berghuis cruzou, e Faes desviou acidentalmente - Zwarthoed evitou o gol contra graças ao bom posicionamento. Mais um minuto, e Berghuis teve seu chute desviado para fora. Finalmente, aos 55', o quarto gol, numa jogada que mesclou beleza e aceleração. Beleza no toque de letra dado por Vilhena, iniciando a jogada no meio-campo. Aceleração no toque rápido de El Ahmadi, no círculo central. E também na corrida de Berghuis, com a bola dominada, até chutar nas proximidades da área, no canto direito, balançando as redes.

A partir de então, o jogo passou a ter ritmo de treino. A entrada de Sofyan Amrabat, no lugar de Vilhena, foi apenas para evitar que o alquebrado Excelsior superasse o meio-campo. Depois, Sam Larsson e Bilal Basaçikoglu ganharam algum tempo de jogo no ataque. A torcida já festejava mais as brincadeiras com as bolas que iam à arquibancada do que o próprio jogo. Pelo menos, aos 76', a sorte rendeu o 5 a 0: Basaçikoglu cruzou, e o zagueiro Jordy de Wijs desviou para o filó, cometendo gol contra. Estava fechado o placar que deu um respiro ao Feyenoord, agora três pontos à frente do Utrecht. É o que resta, à espera da final da Copa da Holanda, para salvar a temporada.