domingo, 20 de dezembro de 2015

810 minuten: como foi a 17ª rodada da Eredivisie

Antes de passar a noite detido, Lestienne chorou e protagonizou história tocante na volta ao PSV (Joep Leenen/ANP)
Vitesse 5x1 Twente

O Twente tinha mais coisas com que se preocupar, além do jogo em si. Afinal, na mesma sexta passada, a prefeitura de Enschede decidiria sobre eventual ajuda no plano de reestruturação financeira do clube. Além disso, a própria fragilidade técnica da equipe dos Tukkers possibilitou um começo acelerado do Vitesse. Em dez minutos, os Arnhemmers já venciam por 2 a 0 (Valeri "Vako" Qazaishvili abriu o placar num cabeceio que pegou em seu cotovelo e enganou o goleiro Joël Drommel; num chute, Milot Rashica ampliou). Antes que a goleada se consumasse, o Twente até melhorou, criou algumas chances, e por fim Hakim Ziyech - quem mais? - diminuiu a vantagem dos mandantes, fazendo seu 10º gol naquela que talvez tenha sido sua última partida pelos Enschedese. Afinal, bastará qualquer oferta um pouco mais vantajosa aparecer em janeiro para o ponta-de-lança marroquino deixar o Grolsch Veste.

Só que a esperança tênue de que o Twente pudesse dificultar as coisas para os aurinegros acabou ainda no início do segundo tempo. Aos nove minutos, uma falha de Drommel causou o terceiro gol do Vites; o goleiro deixou a bola aérea que já defendera cair nos pés de Dominic Solanke. Aos doze, Rashica fez seu segundo no jogo, deixando o placar em 4 a 1. No final, aos 36 minutos, Dennis Oliynyk, vindo do banco, completou o resultado que confirmou a boa campanha do Vitesse no turno que se encerrava nesta rodada. Ao Twente, se fica a necessidade de trabalho duríssimo para sair da zona de repescagem/rebaixamento, sobrou pelo menos uma boa notícia: a prefeitura municipal aceitou participar da reestruturação financeira do clube, doando parte do dinheiro para a renegociação da dívida. Melhor que nada.

AZ 2x2 Utrecht

O jogo em Enschede teve dois (re)estreantes de destaque, mas apenas um deles poderia ter se notabilizado em campo. Pelo AZ, nove anos após deixar o clube onde cresceu futebolisticamente e três anos e meio após sair da Holanda rumo ao Aston Villa, Ron Vlaar jogou sua primeira partida em meio ano, após recuperar-se de lesão no joelho e assinar contrato com os Alkmaarders. Porém, mesmo suportando os 90 minutos, o zagueiro assumiu a falta de ritmo, após o jogo, à FOX Sports holandesa: "Foi pesado, mas não é de se estranhar, quando não se joga futebol em alto nível após seis meses e meio". E ainda assim, quase Vlaar saiu de campo celebrando a vitória: após conterem a pressão inicial do Utrecht, os donos da casa abriram o placar aos 26 minutos do primeiro tempo, em chute de Mattias Johansson.

Porém, os últimos dez minutos do segundo tempo trouxeram a emoção que os 80 anteriores não mostraram no AFAS Stadion. Para começar: aos 35 minutos, Robert Mühren chegou a fazer o segundo gol, mas o árbitro Bas Nijhuis anulou, alegando impedimento de Guus Hupperts na jogada. Eis que, aos 37, apareceu o outro (re)estreante: de cabeça, Ruud Boymans, vindo do banco e retornando ao Utrecht após um ano sofrendo com lesões, empatou a partida. Era só? Não: aos 40, Sébastien Haller confirmou mais uma vez porque o Utrecht já se prepara contra as ofertas por ele na janela de inverno para transferências, ao virar o jogo, marcando seu 11º gol pelo Campeonato Holandês. Mas nem assim os Utregs conseguiram comemorar a terceira vitória seguida: aos 46 minutos, nos descontos, o zagueiro Jeffrey Gouweleeuw converteu pênalti e definiu o 2 a 2 final. Enquanto o Utrecht vai para a pausa de inverno com um sentimento de ascensão, o AZ precisa de trabalho para buscar uma reação, após primeiro turno insípido.

PSV 3x2 Zwolle

Um jogo típico de Campeonato Holandês no Philips Stadion: as tantas falhas defensivas de um lado e de outro tornaram os 90 minutos agradáveis de se assistir. No princípio, agradáveis somente para o PSV. Jogando com muitos desfalques e improvisado num 4-4-2, o Zwolle cometeu erros primários no início, espaçando a linha de defesa. Sorte de Gastón Pereiro: aos sete minutos, o uruguaio foi esquecido pela marcação e pôde escorar livre e em posição legal para fazer 1 a 0. Aos 14, uma troca acelerada de passes com Davy Pröpper, na entrada da área, e Pereiro fez o segundo do jogo. Com boa e precoce vantagem, os Eindhovenaren afrouxaram a marcação no meio. Azar o deles: acelerando o contragolpe com Kingsley Ehizibue e Queensy Menig, o Zwolle começou a chegar. E teve as recompensas no fim da etapa inicial. Aos 39, Héctor Moreno colocou a mão na bola após cruzamento de Ehizibue. Pênalti claro, que Dennis Higler apitou e Bram van Polen converteu. Mais quatro minutos, mais um contra-ataque originado de passe longo, e Lars Veldwijk dominou a bola, entrou na área e bateu sem a menor chance para o goleiro Jeroen Zoet, completando 100 jogos pelos Boeren: 2 a 2.

E o início do segundo tempo mostrou que o Zwolle estava bem mais ofensivo, podendo até conseguir a virada. Somente por volta dos dez minutos é que o PSV achou o mapa da mina de que precisava: as bolas para a área, vindas das pontas. A aposta nessa jogada ficou clara primeiramente com a entrada de Luciano Narsingh, que substituiu (mal, aliás) o lesionado Jürgen Locadia. Mas o segundo substituto rendeu o momento mais tocante da rodada. Enfim reintegrado ao elenco dos Boeren, após receber licença do clube para recompor sua família após a perda dos pais em dois meses, o belga Maxime Lestienne entrou em campo no lugar de Jorrit Hendrix, fortalecendo o ataque, aos 28 minutos. Dois minutos bastaram: aos 30, Lestienne dominou um rebote de bola aérea na área e cruzou para Luuk de Jong fazer seu 13º gol no campeonato, retomando o isolamento na lista de goleadores. Mas se o gol fora de De Jong, o estádio e os próprios jogadores celebraram mais a volta e a felicidade de Lestienne, com o passe para o tento decisivo. O Zwolle até tentou depois disso, mas o PSV conseguiu manter a vitória que se tornou difícil. E que também representou um alento pessoal para Lestienne, choroso ao ouvir a torcida gritando seu nome no fim do jogo. E o triunfo não foi só comemorado por ele, como citou Phillip Cocu: "Comemoramos muito, e era visível como aquilo o tocou; um momento emocionante". Um grande impulso no ótimo momento que o PSV vive, fechando o turno na disputa pela ponta e classificado às oitavas de final da Liga dos Campeões. O brilho só ficou um pouco empanado pela confusão que rendeu algumas horas de detenção a Lestienne e Zoet, após discussão de rua (ambos foram multados pelo clube, mas perdoados).

Heracles 2x1 Groningen

Assim como na semana passada, contra o Vitesse, tratava-se de um jogo contra adversário direto para o Heracles. Vencer os Groningers significaria não só retomar a quarta posição tomada pelo Vitesse na sexta, mas também completar a ótima e surpreendente campanha no turno como "o melhor do resto", já que o trio de grandes se desgarra na briga pelo título. E foi o que os Heraclieden conseguiram, num jogo que teve falhas defensivas nos dois primeiros gols. O tento que abriu o placar em Almelo, aliás, foi o que esquentou a partida: aos 39 minutos do primeiro tempo, Dario Vujicevic devolveu errado a bola, nos pés de Bryan Linssen. E o atacante do Groningen bateu firme para fazer o 1 a 0 que não comemorou; afinal, Linssen defendeu o Heracles até a temporada passada, e revelou até que segue no grupo que o elenco dos Almelöers mantém no WhatsApp.

Mas a vantagem do time do norte não durou dois minutos: Oussama Tannane lançou o ataque em profundidade aos 41, e Brahim Darri cruzou a Paul Gladon, que escapou da marcação de Hans Hateboer e empatou com o primeiro gol de sua carreira no time alvinegro. Então, os 45 minutos finais trouxeram erros no ataque dos mandantes: Gladon poderia ter feito o segundo gol, mas chutou em cima do goleiro Sergio Padt, enquanto o estreante Oussama Idrissou perdeu chance incrível. Mas o zagueiro Gino Bosz salvou o dia: filho de Peter Bosz, técnico do Vitesse (que estava vendo o jogo no estádio Polman), Gino cobrou falta perfeita no minuto final do tempo regulamentar e garantiu a vitória do Heracles para fechar bem o primeiro turno da maior surpresa do campeonato até aqui.

Excelsior 1x4 Cambuur

Bastava uma vitória para os Leeuwarders saírem da penúltima posição da Eredivisie, terminando 2015 com um pouco mais de otimismo. Eis que os visitantes conseguiram-na (têm 13 pontos, como o Twente, mas com maior saldo de gols). E conseguiram-na contando com o destaque de sempre para obter a goleada: no primeiro tempo, aos 34 minutos, Bartholomew Ogbeche abriu o placar contra o Excelsior. Pouco ofensivo na etapa inicial, o time mandante foi ao ataque a partir do segundo tempo: os atacantes Kevin Vermeulen e Nigel Hasselbaink entraram em campo, e os Kralingers passaram a atuar com três atacantes. E até criaram chances para empatarem: Tom van Weert cabeceou a bola na trave, já aos cinco minutos. Só que o abafa acabou, e o Cambuur aproveitou: aos 25 minutos, Ogbeche marcou pela segunda vez, e praticamente assegurou o primeiro triunfo dos auriazuis fora de casa em um ano (!). O meio-campista Jack Byrne fez 3 a 0, e ainda houve dois gols nos acréscimos do jogo: Jamiro Monteiro consolidou a goleada aos 46, e Vermeulen diminuiu para o time de Roterdã, aos 47. Importante resultado para o Cambuur ensaiar a continuação da reação após a pausa de inverno.

Willem II 3x2 Roda JC

Mais um jogo "de seis pontos" na rodada, entre dois times que não estão na zona da Nacompetitie/da queda, mas também não fugiram suficientemente do perigo. Mas ao contrário do que possa parecer, a partida em Tilburg não foi AGUERRIDA e ESTUDADA; foi tipicamente "holandesa", com gols aqui e ali pipocando das falhas da defesa. A primeira veio do zagueiro Frank van der Struijk, do Willem II; ele permitiu um contato mais forte com o atacante Tomi Juric, que caiu na área. Siemen Mulder marcou o pênalti, e Juric fez 1 a 0 para o Roda JC, aos seis minutos do primeiro tempo. Aí surgiu o destaque inesperado do jogo: aos 23 minutos, o zagueiro Dries Wuytens empatou para os Tricolores em chute baixo. E aos 35, Dries virou para os Tilburgers numa jogada fraternal: seu irmão Stijn Wuytens cruzou para a área, e o zagueiro fez 2 a 1 para os mandantes, de cabeça. Dois gols no mesmo jogo: nunca acontecera para Dries Wuytens.

Já no começo do segundo tempo, o Willem II pôde respirar um pouco mais: passe em profundidade de Erik Falkenburg, e Nick van der Velden tocou na saída do goleiro Benjamin van Leer para fazer 3 a 1. O que não quer dizer que a respiração deixou de ser ofegante: aos 24, no terceiro gol surgido em bola aérea na partida, o volante Rostyn Griffiths diminuiu novamente, e a pressão voltou. Poderia ter diminuído, com uma chance que Richairo Zivkovic perdeu nos acréscimos. Pelo menos, o Willem II manteve a vitória, e conseguiu seu quinto jogo de invencibilidade, abrindo cinco pontos em relação à zona perigosa. Não é muito, mas já dá para trabalhar sem a corda no pescoço durante a intertemporada. A preocupação ficou para o Roda JC, que caiu para a 15ª posição (primeira fora).

Heerenveen 0x4 ADO Den Haag

Nada como uma goleada para acalmar ânimos, ainda mais se ela vem fora de casa. A crise com a empresa chinesa United Vansen (e o mecenas Hui Wang) já foi acalmada quando se soube que o dinheiro prometido está a caminho das contas do clube de Haia. Mas era preciso vencer para afastar ainda mais a zona de repescagem/rebaixamento do caminho dos auriverdes. Pior: o time não teria o goleador Mike Havenaar, lesionado. Então, Henk Fräser decidiu colocar o Den Haag num 4-4-2, com Édouard Duplan e Ruben Schaken no ataque. Com a rapidez do meio-campo aproveitando péssimo dia do Heerenveen, cuja defesa tinha muitos espaços, a goleada no estádio Abe Lenstra ficou até fácil para os visitantes. Ela começou aos 21 minutos do primeiro tempo, quando Aaron Meijers foi lançado por Danny Bakker; livre de marcação, o lateral esquerdo chutou forte para fazer 1 a 0.

No segundo tempo, um passe em profundidade pegou o próprio Bakker livre para marcar o segundo dos Hagenaren já aos cinco minutos. Somente aí Foppe de Haan tentou alguma coisa no ataque, colocando o atacante Henk Veerman para aproveitar o jogo aéreo e protegendo mais a defesa com a entrada do volante Branco van den Boomen. Não deu certo: aos 19 minutos, o zagueiro Tom Beugelsdijk subiu para cabecear bola vinda de escanteio e marcar o terceiro gol. Finalmente, aos 46, ainda houve tempo de Kevin Jansen ratificar a goleada do ADO Den Haag e garantir um pouco mais de calma ao fim de ano em Haia, pondo fim à boa sequência do Fean sob o comando de Foppe de Haan.

NEC 3x1 Feyenoord 

Parecia que o Feyenoord seguiria o hábito saudável desta temporada: manter a regularidade contra os clubes médios ou pequenos, para conservar no mínimo a segunda posição, seguindo o arquirrival Ajax a par e passo na tabela. E o primeiro tempo exibiu essa eficiência do Stadionclub: a equipe suportou alguma pressão dos Nijmegenaren no estádio De Goffert, e aos poucos foi chegando mais ao ataque, principalmente com os avanços de Karim El Ahmadi e Tonny Trindade de Vilhena (justiça seja feita: os atacantes não foram bem). Até que aos 20 minutos, Vilhena cobrou falta perfeita, mandando a bola no ângulo oposto do goleiro Marco van Duin, marcando o primeiro gol de bola parada do Stadionclub pela Eredivisie desde março de 2014.  Aí veio o erro: mantendo a vantagem no início do segundo tempo, os Feyenoorders começaram pressionando. Bastou ao NEC aproveitar os tradicionais espaços da equipe de Roterdã pelas laterais para conseguir a virada.

Aos 15 minutos da etapa final, num contragolpe que contou com a lei da vantagem dada pelo árbitro Eric Braamhaar, Anthony Limbombe veio livre pela esquerda e tocou para o meio da área, na saída do goleiro Kenneth Vermeer. O volante Janio Bikel tocou mal e quase perdeu, mas a bola foi caprichosamente para o fundo da rede, decretando o 1 a 1. Mais cinco minutos, e uma falha defensiva de Sven van Beek (mais uma...) rendeu o segundo gol dos mandantes: aos 20, Van Beek tentou recuar de cabeça para Vermeer, mas a bola saiu fraca, Limbombe passou à frente do zagueiro e tocou na saída do goleiro para virar o jogo. Derrubado psicologicamente e apelando para infrutíferas bolas na área após Colin Kazim-Richards entrar em campo, o Feyenoord não trouxe mais perigo. E aos 40 minutos, após cruzamento na área, Christian Santos dominou a bola e fez seu 11º gol na atual temporada. Assim, os Nijmegenaren recuperaram-se do vexame da eliminação para o amador HHC nas oitavas de final da Copa da Holanda, na terça passada. Ao Feyenoord, que tropeçou novamente, resta recuperar-se na intertemporada para voltar com tudo já nas primeiras rodadas de 2016. 

Ajax 2x1 De Graafschap

"Não, não posso estar alegre. Quando você é eliminado da copa nacional e também não avança na Liga Europa, seguramente não dá para ficar feliz. Estamos na frente na liga, e isso é o mais importante. Mas só dá para ter segurança no final." Frank de Boer analisou assim, laconicamente, a primeira metade da temporada do Ajax, falando ao site do clube. Restava, pelo menos, tentar encerrar 2015 com uma vitória respeitável sobre o lanterna da Eredivisie, com a Amsterdam Arena lotada. Bem, ganhar, o Ajax ganhou. Mas seguiu desagradando sua torcida. Durante boa parte do primeiro tempo, repetiu os mesmos erros vistos ao longo desta temporada 2015/16; a falta de eficiência no toque de bola, a falta de engenho para criar jogadas capazes de derrubar fortes defesas como a do De Graafschap. Somente numa jogada de bola parada veio o gol, aos 26 minutos: Nemanja Gudelj cobrou, e Arkadiusz Milik cabeceou bem para fazer 1 a 0. Depois, o goleiro dos Superboeren, Hidde Jurjus, fez boas defesas nas outras chances.

Mas o espaço para contra-ataques foi aberto. Resultado: o De Graafschap aproveitou uma falha da defesa Ajacied para empatar, aos 38 minutos. Ted van de Pavert chutou, Jaïro Riedewald rebateu mal e a bola ficou à feição para o húngaro Kristoffer Vida igualar o placar. Claro, desagradou bastante a torcida dos Amsterdammers. Que só reagiram no segundo tempo: os lados do ataque ganharam mais velocidade com Viktor Fischer e a entrada de Vaclav Cerny na vaga de Anwar El Ghazi (hoje, mal em campo). E foi pelo lado que enfim saiu a jogada do gol da vitória - talvez, o mais bonito da rodada. Fischer cruzou, a zaga visitante rebateu e Riechedly Bazoer arrematou de voleio, no canto de Jurjus, de fora da área, aos 25 minutos. No resto do jogo, o Ajax ainda criou alguns contragolpes perigosos. E embora tenha precisado segurar a pressão do time de Doetinchem, conseguiu os três pontos e a manutenção da liderança isolada até janeiro. E foi só. A vitória não esconde: até a 18ª rodada, primeira do returno, haverá muito trabalho para retomar um nível aceitável de jogo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

ADO Den Haag: a conta também pode chegar

Hui Wang e Gao Hongbo: duas histórias mal contadas no ADO Den Haag (Laurens Lindhout/VI Images)
A história da decadência do Twente já foi explicitada e explicada nesta coluna, há duas semanas. E como a Trivela noticiou na terça-feira, a federação holandesa já definiu as punições ao clube de Enschede: a cassação provisória (ainda) da licença profissional dos Tukkers, condenando-o a três temporadas de ausência de competições continentais, além do pagamento de multa. Houve quem opinasse que as sanções da KNVB poderiam ter sido mais duras, mas o fato é que elas já foram decretadas, e podem até endurecer. 

Porém, ainda há outro clube do Campeonato Holandês que pode ver más condutas de sua direção colocarem o futebol de campo num caminho muito perigoso: o ADO Den Haag. Por enquanto, a crise em campo está controlada: a ligeira reação das últimas rodadas – até com vitória sobre o Feyenoord – levou o Den Haag ao 12º lugar. Ainda assim, o time de Haia chegou a ficar oito rodadas sem vencer nesta temporada da Eredivisie; e na Copa da Holanda, caiu logo em sua primeira partida, na segunda fase, para o amador Genemuiden (3 a 3, vitória por 3 a 1 nas cobranças de pênalti).

Não era o que se esperava quando foi anunciada a venda do clube para a United Vansen, empresa chinesa de marketing esportivo, em janeiro deste ano, após negociações arrastadas. Afinal de contas, o mecenas Hui Wang chegou prometendo um aporte de 8 milhões de euros nos auriverdes. De quebra, é justo dizer que os atacantes contratados têm nível razoável para os padrões da Eredivisie. Não à toa, Ruben Schaken, Mike Havenaar e Édouard Duplan são considerados os melhores jogadores da equipe até agora (principalmente o atacante nipônico).

Só que o tempo passou, e as primeiras rachaduras começam a colocar a parceria a perigo. Tudo por causa de uma pergunta simples: cadê o dinheiro? Após investir em algumas contratações, a United Vansen fechou a torneira sem explicações à diretoria, retardando o cumprimento das promessas feitas sobre o pagamento da dívida do clube. Das três parcelas do débito, apenas uma foi paga. O que coloca o ADO Den Haag sob perigo de ser colocado na temida “categoria 1” da pirâmide da KNVB, com os clubes que estão na pindaíba.

Pior: no início do mês, o diretor geral do clube, Jan Willem Wigt, revelou que Hui Wang anda fugindo das satisfações necessárias. Falando ao site da revista Voetbal International, Wigt descreveu: “Tudo isso aborrece muito, e coloca a relação [entre clube e empresa] sob pressão. A comunicação está abertamente ruim, e não houve reuniões até agora. O porquê dele se comportar assim? Já me fiz essa pergunta centenas de vezes. A única resposta que consigo supor é que ele não tem dinheiro, de resto, seguem os palpites”. Depois, o diretor ainda alertou, referindo-se à reunião dos acionistas do clube, nesta sexta: “18 de dezembro é uma data crucial”.

A torcida também comungou das indagações de Wigt. A Haagse Bluf, associação de torcedores do clube (não confundir com torcida organizada), divulgou carta aberta a Hui Wang, no dia 9 passado. E nela as indagações já eram mais incisivas: “17 de julho de 2014! Uma data que nós, como torcedores do ADO Den Haag, nunca esqueceremos. Naquele dia tivemos nosso primeiro encontro, e você revelou os planos que tinha. Contratações, uma colocação melhor na tabela, competições continentais, tudo isso nos entusiasmou. E agora? Agora houve uma entrevista coletiva na qual soubemos que há problemas na liquidez do ADO Den Haag porque os pagamentos não chegam”.

Só aí Hui Wang se dispôs a falar. Entrevistado pela emissora de tevê NOS, o chinês explicou a razão dos pagamentos da dívida do clube ainda não terem sido feitos: “Os problemas são consequência de um mal entendido cultural. Ainda precisamos nos acostumar. Pagamentos do exterior passam por uma série de procedimentos. Isso leva a um atraso. Os torcedores do ADO Den Haag não precisam se preocupar”. Contudo, sobrou uma resposta de Wang no mesmo tom de alerta à diretoria: “Também é necessário que o ADO trabalhe mais como uma empresa, que gere mais renda a partir de si”.

Pelo menos, ficara prometida a presença de Wang na reunião desta sexta. Pois bem, ficara: na terça passada, seu filho, Terry, informou que o empresário tem um importante congresso organizado pela federação chinesa, e sua presença em Haia fica inviabilizada. Wang até disse que está completamente aberto para a marcação de uma nova reunião com os acionistas. Todavia, está claro que a confiança na relação entre ADO Den Haag e United Vansen se esvai dia a dia.

A bem da verdade, em outros setores do clube ela já andava cambaleando. Basta falar sobre a até hoje estranha chegada de Gao Hongbo ao clube. O treinador chinês, que passou pela seleção asiática entre 2009 e 2011 (e estava no Jiangsu Guoxin-Sainty), foi trazido para ser uma espécie de “assessor” de Henk Fräser. Embora não seja um auxiliar técnico propriamente dito, serviria para trocar experiências e conhecimentos com Fräser – pelo menos foi o que informou o assessor de imprensa do ADO, Ronald van der Geer. 

Entretanto, Hongbo chegou a Haia com o jornal De Telegraaf lembrando de acusações de corrupção sobre o treinador, que teria dado ao presidente da federação chinesa um laptop e milhares de euros para suborná-lo, em troca do cargo de técnico no Xiamen Hongshi. Nada foi provado, e um ex-técnico holandês que conheceu Hongbo na China, Arie Schans, foi enigmático: “Em todo jogo com um atleta que foi comandado por mim, este me dá um presente. Se é corrupção? Posso lhe garantir: aqui diariamente se presenteiam os outros. No futebol, no voleibol, em negócios”. Ainda assim, por seu contato próximo com Hui Wang, por algum tempo Hongbo foi acusado de conspirar pela queda de Fräser. Até agora, o treinador do ADO segue no cargo, com a ligeira reação.

O problema é que ninguém sabe até onde vão as evasivas de Hui Wang, e qual é o grau de uma eventual mentira do chinês. E isso já começa a irritar alguns personagens importantes da história do clube. Ícone do Den Haag (nasceu em Haia e teve duas passagens pelo clube, como jogador), Dick Advocaat já começou com as críticas: “Ainda antes de eu ir para o Sunderland, conversamos em Schiphol [aeroporto de Amsterdã]. Ele tinha ideias fantásticas, então. Alcançar o top 5 [da Eredivisie], jogar competições europeias em dois anos, e investir quinze milhões em dois anos. Tudo maravilhoso, mas até agora nada de concreto foi realizado”. Finalmente, o treinador ainda sugeriu: "Talvez seja melhor que alguns empresários de Haia tragam algum dinheiro para comprar o clube. E com Rob Jansen [agente de jogadores], Kees Jansma [jornalista] e os advogados Wim Nam e Harro Knijff, teríamos uma união admirável de gente que realmente conhece a cidade".

A verdade é que o prazo de Hui Wang vai se esgotando. E o ADO Den Haag espera poder se recuperar para que minore o perigo de seguir pela via-crúcis que arranha o Twente.

(Coluna originalmente publicada na Trivela, em 18 de dezembro de 2015)

domingo, 13 de dezembro de 2015

810 minuten: como foi a 16ª rodada da Eredivisie

Ayoub comemora vitória do Utrecht: três grandes tropeçaram na rodada (Gerrit van Keulen/VI Images)
Heerenveen 2x1 Excelsior

"Não temos medo, porque Foppe está aqui." Assim cantava a torcida do Heerenveen antes da partida no estádio Abe Lenstra, homenageando o grande técnico de sua história, novamente no comando da equipe. Mas os 90 minutos mostraram que o temor não era necessário nem mesmo se o técnico dos frísios fosse outro: o Fean não teve o menor problema contra o Excelsior. Tendo como destaque o atacante Henk Veerman, substituto do suspenso Mitchell te Vrede, o time chegava com tranquilidade ao ataque. O gol do zagueiro Kenny Otigba, aos 22 minutos do primeiro tempo, desviando escanteio, até demorou. Na etapa final, num chute sinuoso em que houve falha do goleiro Tom Muyters, Sam Larsson ampliou para os alviazuis. Nos acréscimos, Jeff Stans ainda descontou para os Kralingers, de pênalti. Mas era tarde para evitar a quarta vitória do Heerenveen sob o comando de Foppe de Haan, que fez o time começar a chegar na disputa pelos play-offs por Liga Europa. E a torcida não temerá nada por um tempo mais longo do que o esperado: afinal, Foppe acertou-se com a diretoria e seguirá como técnico até o fim da temporada. 

ADO Den Haag 1x1 Willem II

O primeiro jogo do sábado já foi atrapalhado pelo clima invernal que já se aproxima da Holanda, com muito vento e muita chuva em Haia. Mais um fator a dificultar, em campo, uma semana já dificílima para o Den Haag fora dele, com a séria crise na parceria com a empresa chinesa United Vansen. A vitória até poderia ter acontecido para os mandantes: afinal, aos 33 minutos do segundo tempo, após mais um passe de Édouard Duplan (com sete assistências, é o líder do quesito no Campeonato Holandês), Kevin Jansen chutou, a bola resvalou no zagueiro Jordens Peters e enganou o goleiro Kostas Lamprou. Porém, na etapa complementar, a dureza da defesa dos Hagenaren foi punida. Se no primeiro tempo o zagueiro Tom Beugelsdijk já escapara de ser expulso, após uma dura falta que só ficara no amarelo, aos nove minutos da etapa final o lateral direito Dion Malone foi expulso pelo árbitro Allard Lindhout, ao puxar Lucas Andersen na área, em chance clara de gol. Pênalti, que Nick van der Velden converteu, empatando para o Willem II. E ficou nisso, graças às condições de jogo em Haia, que só pioraram com o decorrer do segundo tempo.

Cambuur 3x1 NEC

Entre maio de 1993 e janeiro de 1994, o Cambuur ficara exatas 20 partidas sem vencer pela Eredivisie. Era o recorde negativo sem vitórias da história dos Leeuwarders na Eredivisie, que poderia ser igualado em caso de revés contra o NEC. Felizmente para a torcida, a equipe da casa reverteu as más expectativas que tem merecido, e conseguiu enfim a sua primeira vitória na temporada 2015/16. E se houve um destaque supremo para a vitória até surpreendente sobre os Nijmegenaren, foi exatamente o jogador de quem a torcida dos auriazuis mais espera: o atacante nigeriano Bartholomew Ogbeche. Ele abriu o placar ainda no primeiro tempo, aos vinte minutos, desviando cobrança de escanteio. E também recolocou o Cambuur na frente, já no segundo tempo (quatro minutos), de novo completando córner de Xander Houtkoop - por sinal, quem cometera o gol contra que empatara o jogo, também num tiro de canto, desviado acidentalmente. E aos 21 minutos, o NEC viu a derrota ser confirmada com requintes de crueldade: Houtkoop chutou, e um desvio justamente em seu maior destaque na temporada (o atacante Christian Santos) deixou vendido o goleiro Marco van Duin, assegurando o triunfo do Cambuur. Que ainda segue na penúltima posição, mas abriu alguma vantagem para o lanterna De Graafschap. E afastou a marca aziaga que ameaçava a equipe.

PSV 1x1 Roda JC

"Eu não estou mais eufórico. E após este empate em casa, definitivamente a euforia acabou." Assim o técnico Phillip Cocu comentou à FOX Sports holandesa, após o tropeço que pode distanciar um pouco os Eindhovenaren dos dois ponteiros. Nada mais correto. Afinal de contas, após a festa da terça com a merecida classificação às oitavas de final da Liga dos Campeões, esperava-se uma atuação bem elogiável no Philips Stadion. Não foi o que aconteceu: a torcida assistiu a uma partida excessivamente truncada e até chata, principalmente no primeiro tempo, por culpa de ambas as equipes. No PSV, o ataque entregou-se facilmente à compactada defesa dos Koempels, e raramente criava chances no toque de bola - tanto que até Jorrit Hendrix, volante de origem, tinha de avançar para ajudar. Já o Roda JC, se conseguia retardar o jogo graças ao defensivo 4-2-3-1 com que Darije Kalezic escalou a equipe (e a boa atuação da defesa, principalmente do zagueiro Gibril Sankoh), também não criava coisa que valesse no ataque: apenas o atacante Tomi Juric tentava algo. As vaias no final dos primeiros 45 minutos foram merecidas.

O segundo tempo começou no mesmo ritmo. Melhor para o Roda JC. E ainda mais agradável ficou para os amarelos após seis minutos: em jogada rápida, o meio-campista Tom van Hyfte deu rápido passe de calcanhar a Edwin Gyasi, iludindo não só a defesa do PSV, mas também o auxiliar, que não viu claro impedimento de Gyasi. Este aproveitou, cruzou para a pequena área, Juric desviou, e a bola bateu em Joshua Brenet, indo para as redes. Era o gol de abertura do placar, que poderia dar a vitória ao time de Kerkrade, após 14 rodadas. Só aí os Boeren foram ao ataque, com as entradas de Adam Maher (tornando o meio mais ofensivo ao substituir Hendrix) e Steven Bergwijn (no lugar de Gastón Pereiro, apagado na partida). E o empate ainda demorou: veio aos 29 minutos, após cruzamento de Andrés Guardado que Davy Pröpper cabeceou para o gol. Depois, o PSV martelou em busca da virada, com jogadas aéreas, enquanto o Roda retardou o jogo o quanto pôde. Mas mesmo essa pressão teve mais vontade do que técnica, e os Eindhovenaren tropeçaram de novo. Por sinal, a equipe já perdeu 13 pontos na temporada, em 16 rodadas; em TODA a temporada passada, foram 14 pontos perdidos. O alerta estava dado, e foi relembrado por Phillip Cocu: "A diferença dos times acima da gente é que eles são mais constantes e não desperdiçam tantos pontos contra times da parte de baixo da tabela". Só corrigindo esse erro é que o PSV poderá se aproximar mais do bicampeonato.

Twente 2x1 De Graafschap

O Twente espera ansiosamente o que virá nesta semana que começa: nos próximos dias, a prefeitura de Enschede informará se ajudará a abater a dívida, e a KNVB dará o veredito sobre a legalidade do vínculo descoberto com o fundo de investimentos Doyen (um julgamento negativo pode até tirar a licença profissional do clube). Enquanto isso, precisava ganhar do De Graafschap, lanterna da Eredivisie, para não dificultar ainda mais sua situação na atual temporada. E conseguiu. A duríssimas penas, porque o bom começo dos Tukkers no jogo do Grolsch Veste recebeu uma cachoeira de água fria aos 29 minutos do primeiro tempo: novamente titular, o goleiro Nick Marsman cometeu pênalti sobre Nathan Kabasele e recebeu o cartão vermelho do árbitro Ed Janssen. Restou queimar a primeira alteração para o arqueiro Joël Drommel entrar em campo. E aos 31 minutos, Drommel até defendeu a cobrança de Cas Peters, mas o angloescocês Andrew Driver aproveitou o rebote e colocou os Superboeren na frente.

Ficava a pergunta: e agora, quem poderia defender o Twente? Como sempre, usando o uniforme vermelho (ou "colorado"?), Hakim Ziyech disse "eu". E o marroquino novamente se sobressaiu: logo aos 34 minutos, cobrou falta que Joachim Andersen desviou de cabeça para empatar a partida. Nada menos do que a 33ª assistência de Ziyech nos 42 gols que o Twente marcou em 2015, juntando o returno de um campeonato e o turno de outro. No segundo tempo, emoção de um lado (Peters até marcou, mas teve o gol anulado por suposto empurrão de Kabasele) e de outro (o atacante Jerson Cabral chutou na trave). Mas no último minuto, em contra-ataque, quem finalizou? Ziyech, marcando o nono dos 17 gols do time nesta Eredivisie. Ao dar a vitória aos Tukkers após cinco rodadas, o camisa 10 confirmou: é o único raio de sol que se vê nos tempos nebulosos vividos atualmente no Grolsch Veste.

Utrecht 1x0 Ajax

A pressão sobre os Ajacieden era clara antes do jogo no estádio De Galgenwaard. Enquanto o PSV conseguira a classificação sonhada para as oitavas de final da Liga dos Campeões, os Amsterdammers amargavam a eliminação na Liga Europa, mostrando falta de eficiência assustadora contra o Molde-NOR: tocavam e tocavam a bola, sem chegar à grande área para os arremates. Num jogo em que não teriam o apoio da torcida (dizendo-se incapaz de garantir a segurança, a prefeitura de Utrecht proibiu a entrada de adeptos visitantes no Galgenwaard), os Godenzonen precisariam dar satisfações técnicas. Não deram. Mesmo com a mudança de esquema para o 3-4-3, e mesmo com a volta de Anwar El Ghazi e Riechedly Bazoer aos titulares, o Ajax seguiu com um irritante marasmo na frente: apenas dois chutes a gol em noventa minutos!

Por sua vez, o Utrecht até teve mais volume ofensivo: Sébastien Haller marcou um gol anulado por impedimento (existente), enquanto Nacer Barazite e Yassin Ayoub chegavam com perigo do meio-campo. Entretanto, também não deu um trabalho notável a Jasper Cillessen no gol. Ainda assim, a maior vontade dos Utregs foi premiada aos 42 minutos do segundo tempo: numa bola longa para a área, Haller desviou, o lateral direito Bart Ramselaar fez o pivô, e Ayoub entrou de trás chutando cruzado e rasteiro, mandando a bola no canto de Cillessen para garantir o único gol do jogo. Enquanto os mandantes vão se garantindo na metade superior da tabela, Frank de Boer aproveitou para fazer duas críticas em uma, após o fim do jogo: "Se a gente não consegue criar chances, por que não seguramos o 0 a 0?". É fato: o Ajax terá um trabalho monumental a fazer na intertemporada de janeiro, em Belek, na Turquia. 

Zwolle 2x1 AZ


Nove minutos. Bastou esse tempo para os Dedos Azuis se imporem em casa contra o AZ, conquistando a vitória que os mantém próximos do topo. Isso porque o começo do primeiro tempo até mostrou mais perigo por parte dos Alkmaarders: o zagueiro Jeffrey Gouweleeuw chegou até a mandar uma bola na trave. Todavia, aos 35 minutos, uma lesão no tornozelo tirou de combate o armador paraguaio Celso Ortiz. No minuto seguinte, um passe em profundidade de Ouasim Bouy encontrou Queensy Menig livre para chutar e marcar o primeiro gol de sua carreira no Campeonato Holandês. Motivado pela vantagem e mais rápido nos ataques, o Zwolle conseguiu ampliar ainda antes do apito final, com Kingsley Ehizibue também balançando as redes pela primeira vez na Eredivisie. Nos últimos 45 minutos, bastou aos Zwollenaren controlar a vantagem contra os Alkmaarders. Que até conseguiram um gol no minuto final de jogo, com Muamer Tankovic. Mas sofreram mais uma derrota que lhes consolida como a grande decepção do campeonato até agora, enquanto o Zwolle vai fazendo mais uma boa campanha.

Feyenoord 1x1 Groningen

Visando dar mais rapidez à equipe para aproveitar os contragolpes, Giovanni van Bronckhorst escalara no meio-campo inicial Jens Toornstra, que voltou a começar uma partida jogando, após três meses. E a derrota do Ajax abrira caminho para o Feyenoord conseguir alcançar o arquirrival em pontos, na primeira posição do Holandês. No começo, isso pareceu bem possível: o Stadionclub criou chances nos primeiros minutos, principalmente com Eljero Elia. Todavia, logo o Groningen foi se impondo: afinal, a rapidez está mais entranhada no estilo de jogo dos nortistas. E assim a equipe da casa aproveitou-se da tradicional deficiência defensiva dos Rotterdammers pelos lados para abrir o placar, aos 25 minutos: o lateral direito Hans Hateboer superou Terence Kongolo, cruzou, e Hedwiges Maduro desviou de cabeça para a trave. No rebote, com o gol vazio, Michael de Leeuw marcou. Foi o ponto de virada para o crescimento dos alviverdes, que até poderiam ter feito mais gols na etapa inicial.

O segundo tempo começou no mesmo ritmo, mas enfim a intenção inicial de Van Bronckhorst deu certo: num rápido contra-ataque aos quatro minutos, Toornstra chegou pela direita, cruzou rasteiro e Dirk Kuyt desviou para empatar, com a bola ainda batendo em Hateboer antes de entrar. Não era só o 13º gol de Kuyt nesta temporada da Eredivisie, trazendo-o de volta à liderança dos goleadores, junto de Luuk de Jong; era o 84º gol do nativo de Katwijk pelo Feyenoord, igualando-o a Peter Houtman como quarto maior artilheiro da história do clube. Mas qualquer hipótese de pressão ofensiva do time de Roterdã foi anulada aos sete minutos: empurrando Jesper Drost na entrada da área, como último homem, Jan-Arie van der Heijden foi expulso. Aí, a defesa foi recomposta: Kongolo foi para a zaga, e Miquel Nelom entrou na lateral esquerda, substituindo Michiel Kramer, que já não vinha atuando bem. No resto da partida, o que se viu foi o Groningen tentando atacar com a bola no pé, enquanto cabia a Elia puxar contragolpes - num deles, quase Tonny Trindade de Vilhena virou o jogo. Depois, as entradas de Bilal Basaçikoglu e Colin Kazim-Richards ainda tentaram dar mais referências ao ataque. Mas o que ficou no placar foi o empate que impediu os Feyenoorders de dividirem a ponta do campeonato com o Ajax.

Heracles Almelo 1x1 Vitesse

Um dos jogos mais promissores da rodada. Afinal, jogariam no estádio Polman, em Almelo, dois dos times que mostram o estilo mais agradável de jogo neste Campeonato Holandês. De quebra, havia ainda o fator da disputa direta: em quarto lugar, com 26 pontos, o Heracles precisava conter o avanço dos Arnhemmers, que estavam um ponto atrás; logo, o ultrapassariam em caso de vitória fora de casa. O que talvez tenha influído na baixa qualidade técnica dos primeiros 45 minutos, quando o que se viu foi mais cuidado defensivo do que ataques de parte a parte. Mas o segundo tempo compensou a falta de emoções da etapa inicial. Começando com o Heracles, que foi pressionando mais o goleiro Eloy Room, forçado a fazer pelo menos uma grande defesa (aos 19 minutos, em chute de Iliass Bel Hassani). Mas no minuto seguinte, Oussama Tannane reapareceu: tendo caído de produção há algumas rodadas, o grande destaque dos Heraclieden na temporada chutou forte e rasteiro de fora da área para abrir o placar.

E aí, os anfitriões ampliaram a pressão, com os jogadores de meio-campo - principalmente Bel Hassani - ajudando frequentemente o trio de ataque. Foi o azar dos Almelöers: o Vitesse também tem uma força ofensiva considerável, afinal. E num rápido contra-ataque, o Vites conseguiu o empate: Valeri "Vako" Qazaishvili fez sua quarta assistência na temporada, deixando Milot Rashica livre para empatar, aos 30 minutos. Aí, voltaram os cuidados para evitar a derrota. E com a igualdade final, o saldo do Heracles foi um pouco maior. Afinal, o time de Almelo segue na quarta posição, com 27 pontos, enquanto o Vitesse perdeu a chance de falar grosso e segue na zona dos play-offs por Liga Europa, disputando ponto a ponto com NEC, Groningen e Zwolle. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Comemoração... e preocupação

´PSV superou nervosismo em campo para garantir classificação elogiável na Champions (Olaf Kraak/ANP)
Quando o árbitro espanhol David Fernández Borbalán apitou o fim do jogo entre PSV e CSKA Moscou, no Philips Stadion, em Eindhoven, nesta terça-feira, pela última rodada do grupo B da Liga dos Campeões, a explosão de alegria foi notável, na torcida e entre os jogadores dos Boeren. Na verdade, notável em todo o futebol holandês: clubes como NEC e Heerenveen parabenizaram os Eindhovenaren pela classificação às oitavas de final, via perfis oficiais no Twitter. Era uma massagem no ego, após o vexame da seleção e temporadas invariavelmente decepcionantes nas competições continentais.

É de se lamentar que o futebol holandês, dono de seis títulos europeus, "apenas" comemore passar às oitavas de final. Mas diante da mudança de paradigma por que ele passa nas últimas décadas, é compreensível. Afinal de contas, desde a temporada 2006/07 não havia holandeses "passando do inverno" na maior  e mais tradicional competição europeia. Sem contar os ganhos que isso traz no coeficiente da UEFA - que podem retardar uma perda de vaga direta na Champions, algo cada vez mais provável. E ainda há o lado financeiro: os resultados da fase de grupos e a classificação renderão ao PSV 22,5 milhões de euros, no total.

Tudo bem quando termina bem, certo? Errado. Afinal de contas, como um dos 16 classificados, algum objetivo o PSV precisa mostrar na temporada, agora que falou grosso. E a atuação vista contra o time russo mostrou que, se tem qualidades técnicas inegáveis, a equipe holandesa ainda sofre com uma certa falta de poder de decisão nas horas mais cruciais. Falta de poder de decisão que, aliás, ainda lhe coloca no terceiro lugar do Campeonato Holandês, um ponto atrás do Feyenoord, exatamente pelos tropeços contra times pequenos.

E foi exatamente isso que vitimou os PSV'ers no Philips Stadion, na terça. Até pelo fato do "Exército Vermelho" não ter mais o que fazer na Liga dos Campeões, desde o princípio o 4-3-3 velho de guerra de Phillip Cocu criou mais chances em campo. Não só com o trio de atacantes (Gastón Pereiro, Luuk de Jong e Jürgen Locadia), mas também com Davy Pröpper e Jorrit Hendrix: vindos do meio-campo, chegavam com a bola dominada, criavam jogadas... enfim, foram talvez os dois melhores da partida.

Isso se traduziu em maior posse de bola, e mais perigo no ataque. Mas o avanço excessivo dos laterais - principalmente Héctor Moreno, improvisado na esquerda - possibilitou vários contragolpes perigosos do CSKA. E graças ao ponta-de-lança Ahmed Musa e ao atacante Seydou Doumbia, as finalizações também davam o que trabalhar ao goleiro Jeroen Zoet. O desastre só não aconteceu porque Jeffrey Bruma teve atuação estupenda: seguro no miolo de zaga, foi quem mais desarmou (duas vezes), mais interceptou (oito vezes) e mais carrinhos na bola (seis) deu em campo.

Só que o segundo tempo foi ampliando essa tensão em campo. O CSKA Moscou até queria ganhar, mas não haveria muito problema em caso de derrota, pois o pior já acontecera; o PSV precisava vencer, se quisesse avançar independentemente do que ocorria em Wolfsburg x Manchester United (o empate temporário por 2 a 2 ajudava, até). E essa necessidade visivelmente enervou os Boeren.

Aí, Joshua Guilavogui cometeu gol contra, empatando o jogo para os Diabos Vermelhos. E quase ao mesmo tempo, foi marcado o pênalti para o CSKA Moscou, aos 31 minutos. Inexistente, a bem da verdade: Zoran Tosic mal foi alcançado pelo carrinho de Andrés Guardado, mas caiu na área e iludiu o árbitro, que deu o cartão ao mexicano - e também a Luuk de Jong, que reclamou. Sergei Ignashevich bateu, fez 1 a 0 e deu a impressão de que a falta de firmeza e de eficiência do PSV seria punida duramente, por menos que o United merecesse avançar.

Aí, só restava o abafa. E no rebote de uma falta cruzada para a área, Hendrix devolveu a bola para a área, o CSKA formou mal a linha de impedimento, e Luuk de Jong empatou já aos 33 minutos. Esse gol salvou as coisas: afinal, permitiu recuperar rápido o ânimo após o baque de ficar atrás. No entanto, a tranquilidade só veio com o belíssimo gol de Pröpper, completando de primeira o pivô de Locadia para justificar por que foi tirado do Vitesse para a temporada 2015/16: justamente numa de suas qualidades, avançar ao ataque, fez o gol da vitória, aos 41 minutos do segundo tempo. 

Quase simultaneamente, o gol de Naldo em Wolfsburg definiu a vitória contra o Manchester United. A vaga nas oitavas estava garantida, e a torcida comemorou balançando as bandeirolas da cidade de Eindhoven. O espírito de ter superado um gigante europeu como o clube inglês para conseguir a segunda vaga foi resumido numa frase de Hendrix: "Dinheiro não é tudo no futebol". E também se lembrou: ao saber equilibrar bem base (Zoet, Locadia, Hendrix) e compras baratas (Bruma, Moreno, Guardado, Pröpper, Luuk de Jong), o PSV conseguira em uma temporada o que o Ajax, pró-base, não conseguira nas cinco anteriores: passar da fase de grupos.

Mas a preocupação, ainda que eclipsada pela vitória, está aí. Com o cartão amarelo, Luuk de Jong estará suspenso para o primeiro jogo das oitavas de final, em fevereiro ("Eu lamento, devia ter me lembrado antes", comentou o atacante à imprensa após o jogo). E agir nervosamente em jogos decisivos pode ampliar a já clara desvantagem em relação a rivais mais fortes, por mais que eles até sejam desejados ("Eu espero o Barcelona", comentou Joshua Brenet). 

No entanto, de fato, o mais correto atualmente é fazer como Phillip Cocu - que deu inegável salto na incipiente carreira de técnico, ao formar um time consciente e consistente, superando as perdas na janela de transferências. Após o jogo, o ex-volante - que estava na campanha de 2006/07, seu último ano nos Eindhovenaren como jogador - foi indagado na entrevista coletiva sobre seus possíveis adversários nas oitavas. E indagou: "Posso comemorar um pouquinho, antes?". O PSV tem todo o direito, de fato. Mereceu.


domingo, 6 de dezembro de 2015

810 minuten: como foi a 15ª rodada da Eredivisie

O gol de Hendrix no último minuto enlouqueceu a torcida do PSV em Arnhem (Peter Lous/ANP) 
AZ 0x1 ADO Den Haag

Tentando reagir em casa após a dura derrota para o PSV, os Alkmaarders tentaram fortalecer o meio-campo, com mais gente ofensiva: no 4-3-1-2 escalado, só o volante Markus Henriksen tinha características primordiais mais defensivas. Mais conservador, o Den Haag aproveitou: já aos  nove minutos do primeiro tempo, Danny Bakker recebeu passe de Roland Alberg e chutou para marcar o primeiro gol do time visitante. E no resto do jogo, embora tentasse até chutar mais e tivesse mais posse de bola, os AZ'ers não trouxeram muito perigo ao goleiro Martin Hansen. E sem jogar retrancados, os Hagenaren conseguiram controlar o ritmo, obtendo vitória importante para se afastarem da zona de repescagem/rebaixamento. Já a equipe de Alkmaar, após ensaiar uma reação, volta a encarar o fato de que é uma das decepções da temporada no Campeonato Holandês.

Excelsior 1x1 Twente

Com cinco derrotas nos últimos jogos, e com a crise definitivamente aprofundada pelo vazamento do contrato com o fundo de investimentos Doyen, o Twente visitou Roterdã procurando uma vitória. Não a conseguiu. Aliás, se uma equipe dominou mais o jogo, foi a da casa. O primeiro tempo mostrou mais chances do Excelsior, que teve mais volume ofensivo de jogo, com Brandley Kuwas funcionando bem na armação de jogadas, servindo os atacantes Daryl van Mieghem e Tom van Weert - e este abriu o placar, aos 38 minutos do primeiro tempo. Na etapa complementar, os Kralingers seguiram mantendo a tranquilidade no campo, até que... quem apareceu? Sim, ele, o único motivo de alegria do Twente na temporada: Hakim Ziyech. Aos 30 minutos, o meio-campista aproveitou recuo errado de Jeff Stans, driblou o goleiro Tom Muyters e decretou o empate, marcando seu oitavo gol na temporada (mais da metade do número de gols da equipe no Holandês, 15). Todavia, mesmo que o empate lhes tenha sido "presenteado", isso não aliviou muito a situação dos Tukkers: o clube segue na 16ª posição. Ao Excelsior, restou lamentar uma vitória quase certa, que foi por água abaixo por causa de uma desatenção.

De Graafschap 0x1 Utrecht

Após conseguirem a primeira vitória neste Campeonato Holandês, os Superboeren receberam o Utrecht em casa. E num primeiro tempo de muitas jogadas ofensivas, o último colocado do torneio até teve a primeira chance, num chute perigoso do atacante Cas Peters. Todavia, aos poucos a maior qualidade técnica dos visitantes foi aparecendo. E bastou um lance de mais eficiência para marcarem o gol: numa triangulação, Patrick Joosten cruzou para Nacer Barazite, e o ponta-de-lança apenas escorou para o volante Rico Strieder chutar colocado e abrir o placar, aos 34 minutos. Ainda antes do intervalo, Barazite teve ótima chance para ampliar, mas o goleiro Hidde Jurjus fez ótima defesa. Já no segundo tempo, o De Graafschap lançou-se ainda mais ao ataque: entraram em campo o atacante Nathan Kabasele e o meio-campista Karim Tarfi (autor do gol do triunfo contra o Cambuur). Mas os Utregs não sofreram para segurar o resultado. Nem mesmo a expulsão do zagueiro Mark van der Maarel, aos 29 minutos, pelo segundo cartão amarelo, tornou o "abafa" dos mandantes mais perigoso. E o Utrecht voltou à parte de cima da tabela: na oitava posição, pretende entrar na disputa por vaga nos play-offs. Já o De Graafschap... depois da bonança, voltou à tempestade.

Vitesse 0x1 PSV

Seguramente, um dos melhores e mais agradáveis jogos não só da rodada, mas de toda a Eredivisie 2015/16 até agora. Com dois times ofensivos, que aproveitavam bem os espaços dos adversários, não faltaram chances de gol. A primeira veio logo no início: após jogada de Santiago Arias, Gastón Pereiro recebeu do lateral direito colombiano e chutou a bola na trave. Pois o Vites não se intimidou e criou outras possibilidades, começando com o ucraniano Dennis Oliynyk: ele driblou Jeffrey Bruma e bateu cruzado e colocado, para grande defesa de Jeroen Zoet - que estava precisando disso, após correr sério risco de gol por uma péssima saída com os pés (defeito que já não surpreende nele, aliás). Depois, outro atacante dos Arnhemmers, Dominic Solanke, bateu para mais uma defesa do arqueiro dos Eindhovenaren. Aí, foi a vez de Jürgen Locadia bater para boa defesa de Room. Finalmente, o ponta-de-lança Valeri "Vako" Qazaishvili arriscou de fora da área, a bola resvalou em Héctor Moreno e encobriu Zoet, mas foi na rede pelo lado de fora.

O segundo tempo seguiu no mesmo diapasão. O PSV começou com uma grande oportunidade (cabeceio de Moreno, para ótima defesa de Room), mas depois os aurinegros mostraram mais volume ofensivo: as entradas do meia Lewis Baker e do atacante Milot Rashica ampliaram as opções de ataque, o zagueiro Maikel van der Werff chutou de perto para mais uma boa intervenção de Zoet, e o albanês Rashica perdeu gol sozinho, cara a cara com o goleiro dos Boeren, após contra-ataque. Num jogo tão equilibrado, errar significaria perder. E o Vitesse errou, logo aos 45 minutos do segundo tempo: num contra-ataque rápido, o volante Jorrit Hendrix chutou forte para fazer 1 a 0. Não só garantia a vitória e a invencibilidade de oito jogos, mas também um recorde: foi o 42º jogo seguido em que o time de Eindhoven marcou na Eredivisie, superando os 41 de Ajax e Twente. Apesar do triunfo, os Boeren saíram com a pressão do Vitesse tendo servido de prevenção para melhorar a defesa, antes do duelo decisivo da próxima terça, contra o CSKA Moscou, pela Liga dos Campeões. Foi o que comentou Phillip Cocu à FOX Sports holandesa: "Ter marcado no finzinho foi sorte para o nosso lado, não podemos mais cometer falhas no campeonato". E os Arnhemmers mostraram ter time para emplacar uma vaga nos play-offs por lugar na Liga Europa, ou até para superar o Heracles. Enfim, jogo bom da parte de quem ganhou e quem perdeu.

Ajax 5x2 Heerenveen

Uma partida típica do Ajax dentro do Campeonato Holandês. No início, com a marcação bem alta, no meio-campo, o Heerenveen conseguiu segurar o líder da Eredivisie por precisamente 12 minutos. Quando começou a troca de passes, um belo corta-luz de Viktor Fischer possibilitou que Davy Klaassen fizesse o um-dois com o próprio Fischer, que entrou na área livre e fez 1 a 0. Bastou: a marcação do time da Frísia afrouxou, os Ajacieden impuseram-se com maior posse de bola, começaram a trocar passes... e não demorou para abrirem 3 a 0 de vantagem no placar, incluindo belo gol de Amin Younes, driblando vários defensores em uma jogada individual. Na etapa final, a situação dos Amsterdammers era tão tranquila que não se duvidou da vitória nem quando Arkadiusz "Arek" Milik perdeu um pênalti. Nem mesmo quando duas falhas defensivas renderam os gols do Fean. Na primeira falha, aos três minutos, Joël Veltman perdeu a disputa de corpo com Mitchell te Vrede, que invadiu livre a área e tocou na saída de Jasper Cillessen. Na segunda, aos 33, a falha começou com Veltman, cujo recuo veio forte demais, e terminou com Cillessen, cuja reposição bisonha de bola foi direto nos pés de Te Vrede, que tocou para o gol vazio. Mas aí, já não havia mais problema: antes do segundo gol dos frísios, em outras duas trocas aceleradas de passes, Fischer fizera o seu segundo gol na partida, e Klaassen marcara o quinto do Ajax. Que segue líder tranquilo do campeonato, graças a uma atuação como outras: a rapidez no ataque compensando as falhas da defesa.

Willem II 3x0 Cambuur

Num jogo direto entre duas equipes que precisam escapar o quanto antes da proximidade da zona de repescagem/rebaixamento, não foi difícil para os Tricolores conseguirem rapidamente a vantagem. Já aos 12 minutos do primeiro tempo, após cruzamento para a área, o lateral Guus Joppen cabeceou na segunda trave, no contrapé do goleiro Harm Zeinstra, e abriu o placar para o Willem II. Com a falta de qualidade técnica do Cambuur, o jogo transcorreu insípido, sem muitas chances de gol. Bom para os Tilburgers, que controlaram a vantagem que já tinham no placar até a parte final da partida. Aí, aos 35 minutos do segundo tempo, num chute algo fortuito, Erik Falkenburg fez 2 a 0. E no minuto final do tempo regulamentar, de falta, Stijn Wuytens definiu os 3 a 0 que deram mais respiro ao Willem II, agora em 15º lugar, quatro pontos à frente da zona de rebaixamento. Ao Cambuur, que segue sem vitórias na Eredivisie, fica o perigo crescente da lanterna: a vantagem para o De Graafschap segue em apenas dois pontos.

Feyenoord 3x0 Heracles

3 a 0. Vitória fácil do Feyenoord? Sim e não. Sim, porque o Stadionclub criou mais chances durante os 90 minutos. Não, porque caiu excessivamente nas provocações dos Heraclieden, o que tornou o jogo em De Kuip mais tenso do que propriamente bom. Tanto é que o primeiro gol Feyenoorder saiu num lance que teve alguma sorte: aos 31 minutos do primeiro tempo, da esquerda, Eljero Elia lançou bola para a área, ela passou, ninguém completou, bateu na trave e entrou, por mais que o goleiro Bram Castro tenha tentado tirá-la. Depois de fazer 1 a 0, o Feyenoord até forçou Castro a fazer duas boas defesas (numa delas, em chute de Simon Gustafson, a bola ainda bateu caprichosamente na trave). Só que o mesmo problema de outros jogos se repetiu: a abertura excessiva de espaço nas costas dos laterais. Por ali o Heracles começou a crescer no jogo. Principalmente no segundo tempo: não foram raras as vezes em que Oussama Tannane ou Iliass Bel Hassani apareceram pelos lados e iniciaram jogadas que quase resultaram no empate. Além do mais, a batalha "psicológica" entre a zaga do Heracles e os atacantes do Feyenoord (principalmente o temperamental Michiel Kramer) começou a dar pistas de que "cenas lamentáveis" viriam.

E dois exemplos dessas características da etapa final decidiram o jogo. O primeiro: aos 35 minutos, em rápido contragolpe, Tannane perdeu gol sozinho na área, com espaço para chutar e empatar. O segundo: aos 37, Dirk Kuyt dominou perto da área, e levou um pontapé do zagueiro Ramon Zomer. O árbitro Bas Nijhuis chegou e deu o amarelo a Zomer. Mas este tinha o nariz sangrando por causa de... um "semicotovelaço" recebido de Kramer, em jogada imediatamente anterior. Kramer o provocou de novo após o cartão, e Zomer agarrou o pescoço do atacante Feyenoorder, na frente de Nijhuis, que não vira as provocações do camisa 31 dos Rotterdammers. Resultado: Kramer em campo, e Zomer recebendo o vermelho direto, saindo de campo com a camisa e o nariz ensanguentados. E quando a falta enfim foi cobrada, já aos 38 minutos, bola na cabeça de Kuyt, e ele fez seu 12º gol na temporada, desafogando o time da casa. Com o Heracles reduzido a dez homens em campo, foi fácil para o Feyenoord conseguir o terceiro gol, aos 43, com Kramer finalizando após passe de Gustafson, em contragolpe veloz. Valeu pela vitória que mantém a equipe treinada por Giovanni van Bronckhorst na vice-liderança, a três pontos do Ajax. E que começa a restringir a disputa do título ao Trio de Ferro: afinal, foi aberta uma distância de oito pontos entre PSV e Heracles, que segue em 4º lugar.

NEC 2x2 Zwolle

Um jogo de momentos bem distintos em Nijmegen. Durante o primeiro tempo, o Zwolle só não garantiu a vitória por perder muitas chances de gol. De resto, os Dedos Azuis foram bem melhores. Jogando nos contra-ataques, a equipe visitante fez 1 a 0 com o zagueiro australiano Trent Sainsbury, que marcou de cabeça o primeiro gol de sua carreira na Eredivisie (embora já defenda o Zwolle desde 2013). Depois, Lars Veldwijk aproveitou falha do defensor Wojciech Golla, dominou e encobriu o goleiro Marco van Duin para ampliar a vantagem. Na etapa complementar, os Nijmegenaren decidiram reagir, após só terem dois chutes a gol nos primeiros 45 minutos. E valeram-se de um lance de sorte para voltarem ao jogo: aos oito minutos, o goleiro Kevin Begois saiu mal do gol em cruzamento (como na semana passada, contra o Ajax...), e Janio Bikel completou o córner de cabeça para as redes. A animação e o volume ofensivo dos donos da casa cresceram, até que Anthony Limbombe empatou aos 27 minutos, em belíssimo chute de fora da área. Daí por diante, meio cansado pelo esforço, o NEC voltou a abrir espaços para o Zwolle, que até teve boa chance de voltar à frente com Veldwijk. Mas ficou o empate, que manteve ambos em boa condição na metade superior da tabela. 

Roda JC 0x0 Groningen

Havia algum tempo que a liga holandesa não via um jogo... chato. Na acepção da palavra: sem grandes chances, sem pressão de um lado, sem muitas emoções. Foi exatamente o que aconteceu no jogo em Kerkrade, que fechou a rodada. O Roda criou algumas coisas apenas em parte do primeiro tempo; no segundo, os Groningers tentaram mais chutes a gol. Mas nenhum desses momentos tornou-se algo regular, e o empate sem gols traduziu bem a monotonia vista em campo. Azar dos visitantes, que poderiam ter tomado o quarto lugar do derrotado Heracles Almelo em caso de vitória