quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Um positivo, dois negativos

Na semana passada, quando terminou a quinta rodada das fases de grupos dos torneios europeus, um leve otimismo tomou conta dos times holandeses. Afinal de contas, só pensar na hipótese de quatro clubes dos Países Baixos avançarem às fases eliminatórias - um na Liga dos Campeões, três na Liga Europa - já era agradável, ainda mais sendo um país cujas participações em competições continentais andavam decepcionando muito, há algumas temporadas. Assim como era temeroso pensar na hipótese de três dos neerlandeses (o PSV já chegava a esta última rodada classificado) caírem. Bem, entre o melhor e o pior dos cenários, houve uma leve desvantagem para o último. Primeiro, pela decepção do Ajax na Liga dos Campeões. Depois, porque, se o PSV mostrou categoria em seu grupo, AZ e Feyenoord decepcionaram por razões diferentes, em suas respectivas eliminações na Liga Europa.

As tantas chances perdidas no ataque e a fragilidade na defesa cobraram a eliminação como preço duro ao AZ. Nos minutos finais dos jogos, só para doer mais e aumentar as turbulências (ANP) 

Se é possível dizer que alguma delas doeu mais, foi a da equipe de Alkmaar. Precisando da vitória contra o Rijeka croata, para ter uma das vagas do grupo F na segunda fase, o time holandês cumpriu o que o técnico Pascal Jansen (sucessor do demitido Arne Slot) prometeu: pressão desde o início. Myron Boadu teve duas chances de cabeça, aos 11' - o goleiro Nevistic pegou - e aos 23' - para fora. Jesper Karlsson também perdeu uma chance, num arremate cruzado aos 29'. Aos 41', quem mandou a bola pela linha de fundo foi Yukinari Sugawara. E nos acréscimos', Nevistic agarrou uma cobrança de falta de Teun Koopmeiners. Se o Napoli "ajudava" o AZ ao vencer momentaneamente a Real Sociedad, a equipe holandesa precisava de uma vantagem para se pacificar de vez. O 0 a 0 era perigoso, porque do nada, o Rijeka podia mostrar eficiência nos raros avanços. 

Aos 53', isso se comprovou: um descuido da defesa do AZ (já desfalcada pela saída de Bruno Martins Indi) e Luka Menalo recebeu passe, ficou livre na área e tocou na saída de Marco Bizot para o 1 a 0 da equipe croata. Pior do que a desvantagem, foi o time da Holanda seguir perdendo chances - uma delas, de Albert Gudmundsson, aos 55', incrível (livre, na pequena área). Porém, aos 59', a salvação pareceu vir, com o chute preciso de Owen Wijndal que empatou o jogo. Com o Napoli mantendo sua vitória, a vaga parecia próxima, mesmo com alguns sustos da defesa. Todavia, o sofrimento aumentou aos 81', com a expulsão - um tanto exagerada - de Karlsson, num pé alto. O AZ teria de se segurar na defesa. Mas num espaço de poucos segundos, nada disso valeu a pena. Em Nápoles, aos 89', William José empatou a partida para a Real Sociedad - e isso já eliminaria os Alkmaarders de qualquer jeito. Mas o Rijeka ainda jogou sal na ferida aberta: quase simultaneamente, aos 90' + 3, após jogada de Tibor Halilovic pela esquerda, Ivan Tomecak ficou livre na pequena área para o 2 a 1 do Rijeka. A incompetência ofensiva do AZ cobrava seu preço, da maneira mais cruel possível. E, de certa forma, aumentava a turbulência aberta pela polêmica demissão de Arne Slot.

Não se esperava muito do Feyenoord contra o Wolfsberger - e de fato, o Stadionclub ficou longe da vitória que lhe daria a classificação na Liga Europa (BSR Agency)

Se o AZ decepcionou porque teve muitas chances para se tranquilizar e desperdiçou todas (até literalmente, em campo), o Feyenoord cumpriu, de certa forma, a expectativa pessimista que a torcida tinha sobre o que ele podia fazer contra o Wolfsberger austríaco, também fora de casa. O tom negativo já começava a partir de mais uma reclamação do técnico Dick Advocaat sobre a falta de reforços para o Stadionclub: "Não acho que o Feyenoord seja um clube do topo, no momento. Clube do topo escolhe quem quer comprar e compra, como o Ajax". E o pessimismo foi justificado pelo que se viu no gramado. Não que o Wolfsberger fosse amplamente superior. Mas estava mais no campo de ataque - e até mesmo criava chances (como num chute de Dario Vizinger, aos 7'). A única vez em que os visitantes de Roterdã foram mais ameaçadores foi aos 23', quando Jens Toornstra chegou à área e arrematou, para a defesa de Alexander Kofler.

Logo depois, porém, novamente o Wolfsberger trouxe perigo, num arremate de Vizinger que o goleiro Nick Marsman espalmou, aos 27'. Logo depois, o gol do time da casa: aos 31', Matthäus Taferner ganhou de Orkun Kökcü na área, tocou para o lado, e Dejan Joveljic ficou livre para o 1 a 0 na pequena área. De quebra, aos 34', Vizinger quase fez o segundo - Marsman defendeu seu chute. E o marasmo começou ali, se espalhando por todo o segundo tempo. Porque o Wolfsberger foi bem pouco ao ataque na etapa final, só tentando o gol em chutes esparsos de Eliel Peretz e Michael Liendl. E nem precisava se preocupar com a defesa, tal a inação ofensiva do Feyenoord. Só num voleio de Luis Sinisterra, aos 84', pego por Kofler, a equipe holandesa trouxe algum perigo. O erro de Nicolai Jorgensen aos 88' (na pequena área, o atacante dominou e... chutou alto e sem rumo a ponto da bola sair pela linha lateral) foi um símbolo apropriado para a desoladora atuação dos Rotterdammers no jogo de sua eliminação.

Malen pode ter brilhado com mais um gol, mas Piroe também se destacou no fim da goleada do classificado PSV (BSR Agency)

A rigor, o time holandês que melhor jogou na rodada final da fase de grupos da Liga Europa foi justamente o que não precisava: o PSV. Recebendo o já eliminado Omonia Nicósia em casa, os Boeren foram dominantes sobre os visitantes do Chipre. Só Donyell Malen teve duas boas chances, aos 4' e aos 22'. Logo depois, Philipp Max também teve sua oportunidade, defendida pelo Fabiano. E foram justamente esses dois destaques os artífices da jogada do primeiro gol, aos 34': Max cruzou, Malen concluiu na pequena área, fazendo seu sétimo gol no torneio. A única razão a se lamentar foi a lesão aparentemente séria no joelho de Richard Ledezma - o meio-campista norte-americano, nome certo no time B dos Eindhovenaren, ganhava mais uma chance entre os titulares.

Ainda assim, o PSV se deu ao luxo de poupar titulares como o próprio Malen, já com substituições após o intervalo. Teve sua superioridade intacta durante todos os 90 minutos. Ainda mais após os 63', quando Denzel Dumfries converteu o pênalti que ele mesmo sofrera do recém-entrado zagueiro Jan Lecjaks para o 2 a 0. Se a vitória já estava garantida, Joël Piroe pôde ganhar boas razões para se lembrar do jogo - afinal, nos acréscimos, o atacante marcou duas vezes em dois minutos para transformar o triunfo em goleada e se tornar mais um nome a fazer dois gols em sua estreia num torneio europeu.

Se AZ e Feyenoord deixaram a Holanda (Países Baixos) no déficit pela Liga Europa, pelo menos o PSV estará vivo na segunda fase, junto ao Ajax. Caberá a ambos aumentar o saldo que ficou ligeiramente deficiente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Decepção de novo

O de quase sempre para o Ajax: queda de forma em momentos decisivos da temporada, falta de alternativas táticas quando necessárias, mais uma decepção, cartão vermelho na Liga dos Campeões (ANP)

Quando o Ajax caiu para o Twente, sábado passado, na 11ª rodada do Campeonato Holandês, voltou a péssima sensação com que a torcida dos Amsterdammers já se acostuma: em dezembro, justamente na reta decisiva da primeira metade da temporada, a equipe ia fraquejar? Dias antes de um jogo decisivo, que poderia devolver a equipe às oitavas de final da Liga dos Campeões? Sim, ia. As ausências pesaram, novamente os Ajacieden tiveram seríssimas dificuldades contra um time que lhes impede de jogar como gostam (com velocidade, troca de passes, constantes chances de ataque)... e pela terceira temporada seguida, veio a eliminação na Liga dos Campeões, em plena Johan Cruyff Arena - e pela segunda temporada seguida, na fase de grupos.

A rigor, já no primeiro tempo ficou claro como o Ajax teria dificuldades para sobrepujar a Atalanta. Não era culpa de um ou outro jogador - até porque a principal novidade, Brian Brobbey, titular pela primeira vez na equipe profissional (no lugar do lesionado Lassina Traoré), fazia o que podia, tentando segurar a bola para poder fazer jogadas com quem viesse dos lados (Noussair Mazraoui ou Antony - Dusan Tadic apareceu pouco). Se havia algo a ser culpado, era a "filosofia tática" do Ajax. Que tem como seu "pecado original" jamais conseguir encontrar espaços para atacar quando o adversário está bem fechado.

E a Atalanta estava bem fechada. Com os constantes recuos de Marten de Roon e Remo Freuler para a defesa, eram até cinco jogadores impedindo espaços para chutes de fora, ou mesmo para jogadas do Ajax pelo lado. O máximo que se fazia eram cruzamentos - constantemente repelidos por Berat Djimsiti (fez isso aos 15') e Cristian Romero (aos 24', o argentino tirou bola na pequena área). De quebra, mesmo que nem precisasse da vitória, o time italiano tinha espaços para contra-atacar. E mesmo que não trouxesse perigo nem chutasse a gol, até que a Dea assustava mais. Fez isso aos 19', numa triangulação: Alejandro "Papu" Gómez lançou, Duván Zapata (outra atuação útil) ajeitou, De Roon finalizou para fora. 

Estreando entre os titulares do Ajax, Brobbey fez o que podia, mesmo sem muito espaço. E deu azar, precisando sair no intervalo (ANP)

Para piorar o perigo da armadilha em que o Ajax caía, Brobbey sofreu com um lance inesperado, ainda antes do intervalo: aos 42', num choque triplo, foi atingido involuntariamente por Nicolás Tagliafico e caiu grogue no chão. O jovem e corpulento atacante até se recompôs. Até teve uma finalização, a única do Ajax no primeiro tempo: nos acréscimos, completou cruzamento de Antony, para a defesa do goleiro Pierluigi Gollini. Mas não voltaria para o segundo tempo, substituído por Quincy Promes. No começo da etapa complementar, até que deu certo: o Ajax teve mais a presença de Tadic no ataque, mostrou mais volúpia com a bola nos pés. Mas o espaço continuou faltando.

E faltava por várias razões: a gradual queda de Promes em campo, a má atuação de Ryan Gravenberch, a falta de espaços que a Atalanta deixava para que Davy Klaassen se adiantasse ou fizesse lançamentos em profundidade, a incapacidade do Ajax em trazer perigo nas raras bolas aéreas, a dificuldade dos atacantes de ficarem com a bola nos pés. Houve apenas uma situação em que "a jogada do Ajax encaixou": aos 75', quando Promes passou a Antony, este deu a Jurgen Ekkelenkamp, e ele ajeitou de calcanhar para Klaassen finalizar, exigindo boa defesa de Gollini. Mas foi só. De resto, a Atalanta não só continuava tranquila, como voltava a ter espaços para contra-atacar. Aí, ajudava bastante Matteo Pessina, retendo a bola na frente e servindo de ajuda para "Papu" Gómez e Zapata.

A rigor, quando Gravenberch levou o cartão vermelho (aos 79', por acertar o rosto de "Papu" Gómez, levou o segundo amarelo), já ficava cada vez mais claro que outra decepção viria para o Ajax na Liga dos Campeões. Mas Luis Muriel, substituto de Zapata, estava à espreita para tentar o gol que consolidaria a atuação segura da Atalanta. Era só haver um espaço para aproveitar a chance. E ele veio aos 85', no passe em profundidade de Remo Freuler, após ganhar dividida de Ekkelenkamp. Muriel fez o que sabe: chegar à área, driblar o goleiro, fazer o gol. 

O gol que deu a todos que acompanham o Ajax a certeza de que seus erros crônicos, seu apego por vezes exagerado a uma filosofia de jogo, as infelicidades desta temporada (lesões, falta de forma física) o condenariam à Liga Europa. Mais do que isso: a certeza de que, de fato, a falta de competência rendia uma punição merecida ao time de Amsterdã. Chances para marcar gols contra Liverpool e Atalanta, houve. Mas o time não as aproveitou. Só ganhou as duas do Midtjylland. De resto, no duro, foi só mais um capítulo no museu de grandes decepções que o Ajax vive. De novo.

Liga dos Campeões - fase de grupos - Grupo D

Ajax 0x1 Atalanta

Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Data: 9 de dezembro de 2020
Árbitro: Carlos del Cerro Grande (Espanha)
Gols: Luis Muriel, aos 85'

Ajax
André Onana; Noussair Mazraoui, Perr Schuurs, Lisandro Martínez (Jurriën Timber) (Edson Álvarez) e Nicolás Tagliafico (Klaas-Jan Huntelaar); Ryan Gravenberch, Zakaria Labyad (Jurgen Ekkelenkamp) e Davy Klaassen; Antony, Brian Brobbey (Quincy Promes) e Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag

Atalanta
Pierluigi Gollini; Rafael Tolói, Cristián Romero e Berat Djmsiti; Hans Hateboer, Marten de Roon, Remo Freuler e Robin Gosens (José Luis Palomino); Alejandro "Papu" Gómez e Matteo Pessina; Duván Zapata (Luis Muriel). Técnico: Gian Piero Gasperini

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Um jogo, um parágrafo, um vídeo: a 11ª rodada da Eredivisie

Sparta Rotterdam 2x1 Emmen (sexta-feira, 4 de dezembro)

Começando a renascer após um início péssimo de temporada, o Sparta Rotterdam rondou mais o gol do lanterna Emmen - incluindo até bola de Sven Mijnans no travessão, aos 18'. Mas o 1 a 0 dos Spartanen só saiu meio por acidente, aos 21': Glenn Bijl recuou mal a bola alta, e Deroy Duarte tocou para o gol. No fim do primeiro tempo, uma leve esperança para o Emmen: aos 43', o chute de Caner Cavlan exigiu boa defesa do goleiro Maduka Okoye. No começo do segundo tempo, a esperança ficou mais intensa: em escanteio aos 52', Michael de Leeuw completou, a bola desviou em Miguel Araujo e entrou para o 1 a 1. Mas o principal símbolo da reação do Sparta na temporada resolveu a vitória de uma maneira irretocável: Abdou Harroui se valeu de mais um belo chute, no ângulo, aos 58', para o 2 a 1 que estabilizou o time de Roterdã no meio da tabela. O lanterna Emmen ainda espera a primeira vitória.


RKC Waalwijk 3x2 VVV-Venlo (sábado, 5 de dezembro)

Com um empate e uma vitória nas últimas duas rodadas, o RKC Waalwijk chegava para a rodada com esperanças. Comprovadas no começo: o time da casa criou mais chances, e afinal fez 1 a 0 aos 30', com Finn Stokkers. Aí, os visitantes de Venlo se valeram do principal destaque: Georgios Giakoumakis. Convertendo o pênalti aos 35' - mão de Paul Quasten na bola, após escanteio -, o grego se isolou como o goleador do campeonato no momento, com sua 10ª bola na rede. No início do segundo tempo, ficou melhor ainda para os Venlonaren: de cabeça, aos 51', Vito van Crooij virou o jogo. Mas o melhor piorou bruscamente para o VVV logo depois: aos 55', o zagueiro Roy Gelmi foi expulso. Estava dada a senha para a pressão do RKC Waalwijk. Que conseguiu o êxito parcial com o empate de Ahmed Touba - chute com desvio, aos 75'. E teve o êxito total com a segunda virada, para 3 a 2, no chute forte de Lennerd Daneels aos 87'. Após um começo preocupante, o RKC está perto do meio da tabela.


Fortuna Sittard 3x2 Willem II (sábado, 5 de dezembro)

Mesmo em má fase, o Willem II tinha tudo para se impor diante do Fortuna Sittard, penúltimo colocado, certo? Errado: a eficiência dos mandantes nas chances ofensivas foi exemplar. Aos 9', no primeiro avanço do Fortuna, 1 a 0 - Lisandro Semedo completou o cruzamento de George Cox. Depois, a equipe auriverde se segurou contra os ataques dos visitantes de Tilburg. No segundo avanço, aos 30', bola alta, e Sebastian Polter foi derrubado por Jan-Arie van der Heijden: pênalti, Polter bateu, 2 a 0. E aos 44', um chute de Zian Flemming, com desvio, virou o 3 a 0 do Fortuna. O Willem II até criava - Ché Nunnely quase diminuíra, aos 30' -, mas nada de furar a defesa dos mandantes. Que ficaram ainda mais defensivos no segundo tempo. Até demais: aos 67', um chute de Vangelis Pavlidis diminuiu a vantagem. E o temor de um empate aumentou mais quando Van der Heijden diminuiu para 3 a 2, aos 87'. Mas o Fortuna Sittard se esforçou. E teve o prêmio: sua primeira vitória nesta Eredivisie.


Ajax 1x2 Twente (sábado, 5 de dezembro)

O Ajax bem que tentou se impor - já aos 3', Quincy Promes (no lugar do lesionado David Neres) chutou por cima. Porém, o Twente se mostrou bem postado na defesa, graças aos recuos de Wout Brama, formando uma linha de cinco marcadores. No ataque, Queensy Menig trazia perigo pela esquerda. Até que Menig chegou ao gol, aos 22', chutando em diagonal após boa subida do zagueiro Julio Pleguezuelo ao ataque. Só aí os Ajacieden foram ao ataque: Promes (aos 29'), Ryan Gravenberch (36'), Dusan Tadic (43')... quase todas as tentativas, agarradas por Joël Drommel. Para piorar, Lassina Traoré foi mais um lesionado - Brian Brobbey veio para o seu lugar. No começo do segundo tempo, o Twente voltou a assustar, com Vaclav Cerny e Danilo finalizando perto do gol. Mas o Ajax respondeu, com Antony, aos 56'. Aí, num pênalti de Brama em Zakaria Labyad aos 59', veio a chance do empate - e Tadic a aproveitou para o 1 a 1. Parecia a senha de mais tranquilidade. Que durou pouco: André Onana teve de trabalhar em chutes de Menig (62') e Danilo (67'). Os contra-ataques dos visitantes de Enschede eram mais perigosos. Até que, aos 84', em ótima jogada individual, Menig fez o gol de uma merecida vitória do Twente. Que aqueceu o campeonato. 


Zwolle 2x1 Vitesse (sábado, 5 de dezembro)

Com Riechedly Bazoer de volta após cumprir suspensão, o Vitesse começou o jogo no seu estilo, com três zagueiros. Jogando melhor. E rapidamente conseguindo o gol: logo aos 7', Oussama Darfalou fez 1 a 0. Porém, vantagem garantida, o Vites voltou à defesa para se resguardar. E o Zwolle começou a buscar o empate, com muitas chances - a maior delas, aos 43', quando Remko Pasveer defendeu bem o chute de Mike van Duinen. Sofrendo mais, o Vitesse começou o segundo tempo de volta ao ataque, acertando a trave duas vezes (Darfalou aos 48', de calcanhar, Loïs Openda aos 54', com desvio do goleiro Michael Zetterer). Porém, pouco depois, mais um cartão vermelho prejudicou os visitantes de Arnhem: aos 64', Idrissa Touré foi expulso. Na falta originada, jogada ensaiada, e Jesper Drost empatou, aos 66'. Finalmente, aos 74', Matus Bero derrubou Van Duinen na área, o juiz marcou pênalti, e Van Duinen virou o jogo. O Vitesse poderia ter subido à liderança, mas apenas amargou a frustração.


Feyenoord 0x0 Heracles Almelo (domingo, 6 de dezembro)

Com cinco jogadores na defesa - Giacomo Quagliata começou jogando na lateral esquerda -, o Heracles Almelo deixou claro que aguardaria os ataques do Feyenoord. Suas únicas tentativas no primeiro tempo vieram com Lucas Schoofs, aos 11', e Rai Vloet, aos 17'. Mas o Feyenoord respondeu mais forte ainda: aos 21', Jens Toornstra lançou, Nicolai Jorgensen ajeitou, e o voleio de Tyrell Malacia mandou a bola ao travessão. Logo depois, aos 24', Jorgensen ficou livre após lançamento longo, mas concluiu em cima do goleiro Janis Blaswich. No segundo tempo, o "ataque contra defesa" ficou ainda mais forte com a expulsão de Sinan Bakis, aos 66'. O Feyenoord teve mais atacantes em campo, com as entradas de Steven Berghuis (começou no banco, poupado) e até do jovem Marouan Azarkan. Mas continuou desperdiçando chances de gol. Blaswich espalmou o arremate de Orkun Kökcü aos 69'; Azarkan teve o domínio de bola impedido aos 85'; e nos acréscimos, Robin Pröpper evitou gol de Toornstra em cima da linha. Novamente, o Stadionclub tropeçou pela ineficiência.


AZ 1x2 Groningen (domingo, 6 de dezembro)

O abalo pela demissão inesperada e drástica do técnico Arne Slot era compreensível no AZ. Ainda assim, os Alkmaarders foram superiores ao Groningen no começo. A primeira chance foi aos 19', com Myron Boadu. Pouco depois, aos 21', o gol, numa jogada já previsível do time de Alkmaar: em escanteio, Bruno Martins Indi desviou, e Teun Koopmeiners completou de cabeça. Em desvantagem, o Groningen foi mais ao ataque - Ahmed El Messaoudi tentou aos 30'. Mas o lance que mudou o destino da partida só veio no segundo tempo: a expulsão de Fredrik Midtsjo, aos 57', deixando o AZ com dez em campo. Óbvio, os Groningers aumentaram a pressão. Até bola no travessão houve, aos 66', com Patrik Joosten. Mas foi El Messaoudi o nome da virada dos visitantes. Aos 69', ele desviou levemente um chute colocado de Joosten para o 1 a 1; e aos 74', ele arrematou da entrada da área para o 2 a 1. Não bastasse a derrota, o AZ ainda teve Martins Indi expulso, aos 85'. Mais um trauma.


Utrecht 1x1 ADO Den Haag (domingo, 6 de dezembro)

Ainda que o Utrecht esteja numa temporada decepcionante, sua situação é melhor do que a do Den Haag. E os Utregs comprovaram isso no primeiro tempo, criando mais chances de gol - com uma finalização estilosa de Mimoun Mahi como a mais perigosa delas. O ímpeto ofensivo do time da casa foi fortalecido no segundo tempo, com a entrada de Adrián Dalmau. E logo aos 48', veio o gol: numa sobra de escanteio rebatido, Mahi mandou a bola à área, e o zagueiro Justin Hoogma chutou forte para o 1 a 0. Parecia a abertura de uma vitória tranquila. Mas Dalmau acabou virando o "bode expiatório" do Utrecht: o atacante levou um cartão amarelo aos 56' (falta em Pascu), levou o segundo aos 69' (derrubou Kees de Boer), e foi expulso. Em vantagem numérica, o Den Haag foi com tudo em busca do empate. E conseguiu: aos 78', Michiel Kramer desviou cruzamento para o 1 a 1. Mais uma decepção para o Utrecht - e, se a situação do time de Haia segue difícil, pelo menos veio um ponto na rodada.


Heerenveen 2x2 PSV (domingo, 6 de dezembro)

O Heerenveen até criou a primeira chance - com Henk Veerman, logo aos 2'. Teve outra grande oportunidade aos 21', novamente com Henk Veerman. Mas o PSV logo impôs sua superioridade. Chegou pela primeira vez quando Olivier Boscagli quase fez um golaço, aos 21'. E finalmente, aos 28', fez 1 a 0 no Fean, em finalização classuda de Mario Götze. A vitória parecia garantida, e os visitantes de Eindhoven se resguardaram até demais. Senha dada para a pressão do Heerenveen em busca do empate. Que afinal veio, aos 69', com Henk Veerman - seu 10º gol na temporada. Diante de um PSV cansado, com vários destaques substituídos, o time da casa pressionou mais... e teve a virada, aos 78', numa bela jogada de Mitchell van Bergen. Já nos acréscimos, Ulysses Llañez quase ampliou. Fez falta, pois, no minuto seguinte, 90' + 2, Joël Piroe salvou o PSV. Que prendeu a respiração de novo, no fim frenético de jogo: Ibrahim Sangaré cometera pênalti, e chegou a ser expulso. Mas o VAR apontou impedimento de Henk Veerman na origem. Pênalti e expulsão revogados, ponto dos Boeren salvo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Quase nada mal

Na quinta rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, havia desafios à vista para todos os holandeses participantes da Liga Europa desta temporada. O PSV poderia até ficar em boas condições no grupo E, o AZ tinha possibilidades no grupo F, o Feyenoord poderia turbinar suas perspectivas no grupo K... mas tudo isso só aconteceria se todos eles vencessem suas partidas. Nem sempre isso aconteceu. Ainda assim, mesmo com alguns motivos para lamentações aqui e ali, um deles garantiu sua vaga na segunda fase da competição. E os outros dois ainda dependem só de suas forças para fazerem o mesmo.

O AZ só tem a lamentar o pênalti perdido por Koopmeiners: mostrou qualidades contra o Napoli, e aumentou a confiança na classificação à segunda fase da Liga Europa (ANP)

Talvez nenhum outro time tenha tantos motivos para lamentar sua sorte na rodada quanto o AZ. E nem parecia que isso ocorreria no primeiro tempo contra o Napoli: se Albert Gudmundsson já teve boa chance com apenas alguns segundos de jogo (o goleiro David Ospina pegou), uma desatenção da defesa já bastou para o cruzamento de Di Lorenzo encontrar Dries Mertens livre. E o belga desviou precisamente: aos 6', os visitantes da Itália já faziam 1 a 0. Para piorar, a equipe de Alkmaar era impedida de mostrar sua velocidade ofensiva habitual, com a ótima partida que faziam nomes como Kalidou Koulibaly, na zaga, e Tiemoué Bakayoko, no meio-campo, ambos sempre se antecipando nas jogadas. Com isso, os Alkmaarders só tiveram duas chances dignas do nome (o chute de Zakaria Aboukhlal espalmado por Ospina aos 28', e o desvio de cabeça de Pantelis Hatzidiakos, por cima do gol, aos 44'). Como se não bastasse, o Napoli continuou assustando nos contragolpes.

Que diferença em relação ao segundo tempo. Já no começo, Calvin Stengs teve grande chance para o empate, aos 52'. No minuto seguinte, veio o 1 a 1: Aboukhlal cobrou escanteio, Teun Koopmeiners chutou, e Bruno Martins Indi completou para mais um gol seu em bola parada nesta temporada. Foi a senha para o AZ, aí sim, engrenar no ataque. Tanto Stengs quanto Aboukhlal trouxeram problemas às laterais do Napoli, a bola rondava a área... e a chance definitiva para a virada veio aos 60', quando Aboukhlal sofreu pênalti de Bakayoko. Mas aí, o capitão Koopmeiners - dos melhores cobradores de pênalti do futebol holandês - perdeu quando não podia: bateu mal, facilitando o serviço de Ospina na defesa. Pelo menos, no restante do jogo, se sofreu atrás (Andrea Petagna teve duas grandes chances, aos 76' e 86', e errou nas duas), o AZ seguiu valente no ataque. Provou seu valor ao Napoli. E mesmo que Koopmeiners tenha amargado seu erro ("A culpa é minha", lamentou à FOX Sports holandesa após o jogo), mesmo que esteja na terceira posição do grupo F, mesmo que tenha de vencer o Rijeka na Croácia para ir à segunda fase da Liga Europa... provou sua capacidade para fazer tudo isso na próxima quinta.

O PSV fez por merecer o gol que Malen marcou - e que já garantiu a classificação à segunda fase (Getty Images)

Na Espanha, jogando contra o Granada, o PSV fez o contrário do AZ. Desde o começo da partida em Los Cármenes, os visitantes de Eindhoven pressionaram bem mais, contando com Philipp Max (outra boa atuação), Cody Gakpo e Donyell Malen - que perdeu grande chance, aos 24', em chute que passou à direita do goleiro Rui Silva. Nem mesmo a saída de mais um lesionado, Noni Madueke, ainda no primeiro tempo, diminuiu o ímpeto dos Boeren. Que tiveram o merecido prêmio por tanta insistência aos 38', numa jogada já conhecida agradavelmente pela torcida: Max cruzou da esquerda, Malen completou, gol, 1 a 0. Vantagem valiosa no grupo E, provando, aliás, a importância de Malen na campanha, até o momento (quatro gols só na fase de grupos, mais dois na 3ª fase preliminar). Só seria necessária no segundo tempo a atenção que o PSV não teve em outras partidas da campanha - a começar pela própria derrota para o Granada na estreia, em pleno Philips Stadion.

Pois bem, o PSV até seguiu atacando no começo da etapa complementar - Denzel Dumfries exigiu boa defesa de Rui Silva, aos 55. Mas, aos poucos, foi proteger a vantagem na defesa. E o Granada passou a assustar mais. Aí entrou alguma sorte dos Boeren. No chute que Yangel Herrera perdeu aos 64', mandando a bola à esquerda do gol de Yvon Mvogo; na boa defesa do próprio goleiro suíço, aos 67' (Herrera tentou de novo), nas boas chances que tanto Darwin Machís quanto Roberto Soldado perderam. Se só Eran Zahavi teve oportunidade para o segundo gol, numa bicicleta aos 66', o PSV mostrou competência ao se aguentar. E beneficiado pela inesperada vitória do lanterna Omonia Nicósia sobre o PAOK, teve a vaga garantida, ainda que na segunda posição do grupo E. Poderá receber o Omonia na última rodada, em Eindhoven, sem pressão alguma.

Um certo azar, aliado à incompetência, renderam mais uma derrota do Feyenoord em casa (ANP)

A pressão fica toda para o Feyenoord. Que era até igual ao Dinamo Zagreb, durante a maior parte do primeiro tempo: nenhuma das duas equipes tentava muita coisa em De Kuip - e quando tentava, a defesa do adversário impedia. Mas se houve uma vítima do destino em Roterdã, foi o Stadionclub. Primeiro, na lesão muscular que tirou Bryan Linssen do jogo aos 30'. Depois, com a sequência de problemas nos acréscimos, que tinham três minutos. Justamente aos 45' + 3, Uros Spajic disputou a bola pelo alto, e involuntariamente foi acertado na testa. Sangrando pelo impacto, o zagueiro sérvio saiu de campo (foi substituído no intervalo). Na falta da sequência, Lirim Kastrati tentou na primeira vez - Nick Marsman defendeu -, e na sequência sofreu o pênalti que Bruno Petkovic converteu para o 1 a 0.

Os fatos fortuitos prejudicaram o Feyenoord. Mas não há desculpas para a incapacidade defensiva que o time apresentou no começo do segundo tempo. Foi o bastante para, numa rápida triangulação, o Dinamo Zagreb fazer 2 a 0 (Petkovic ajeitou, Arijan Ademi cruzou, Lovro Majer girou e completou para o gol, aos 53') e garantir a classificação e a liderança do grupo K. Só restou a reclamação justa de Tyrell Malacia na saída de campo, sobre as lesões que vitimam os Rotterdammers. E o tom firme do técnico Dick Advocaat: "Faltou sorte e qualidade. Mas vamos esquecer isto rápido". Sobrou até para Spajic: "Ele devia ter saído de campo só numa maca. É nessas horas que se deve ter mais profissionalismo". 

Ainda assim, mesmo com todos esses reveses, o Feyenoord tem chances de se classificar. Mais chances ainda têm o AZ. E o PSV está garantido. Mesmo com só uma vitória de neerlandês nesta quinta rodada, quase nada mal.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Só um erro

Liverpool e Ajax faziam um jogo equilibrado. Até que Onana errou, lamentou, e os Ajacieden também, enquanto os Reds comemoraram (Reuters)

O time atual do Ajax pode até nem estar tão pronto assim, como parecia estar já na fase de grupos de 2018/19. Mas era um time capacitado para dificultar a vida do Liverpool, na quinta rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões - até pela onda de lesões que vitima os Reds (eram sete titulares desfalcando a equipe da casa em Anfield). E, de fato, o Ajax até fez frente ao time inglês, numa partida equilibrada. Daquelas em que só um erro define o vencedor. E ele saiu do lado Ajacied, com a falha de André Onana que abriu o caminho para os Reds vencerem por 1 a 0, garantindo o primeiro lugar e a classificação do grupo D. 

Até esse erro, o Ajax começou a partida mais ameaçado. Com Edson Álvarez escalado, até inesperadamente, no meio-campo, a postura ficava clara: ter mais cuidados defensivos, para evitar os rápidos ataques do Liverpool. Algo semelhante até ao primeiro jogo entre ambos, quando Daley Blind foi escalado no meio-campo. Pelo menos no começo, não deu muito certo: o time da casa conseguiu ter espaço perto da área para trocar passes e arriscar chutes. Principalmente com Curtis Jones, que passou perto do gol duas vezes - aos 2', num chute rasteiro que Onana pegou, e aos 6', quando mandou a bola na trave.

Mas aos poucos, a defesa do Ajax se acertou - principalmente Perr Schuurs, em partida segura. No meio, Davy Klaassen começou a ser importante nos ataques. Tanto por acelerar os passes - principalmente para a esquerda, onde Nicolás Tagliafico avançava bastante -, quanto por ele mesmo chegar à área e finalizar. Foi assim que, mesmo numa jogada irregular, cabeceou para a defesa do goleiro Caoimhin Kelleher (substituto do lesionado Alisson), aos 21'. E como Klaassen, outros fizeram. Alguns menos, como David Neres ou Dusan Tadic. Outros mais, como Mazraoui (fez Kelleher espalmar seu chute para escanteio aos 32') ou Ryan Gravenberch (mandou a bola acima do gol, nos acréscimos).

No começo do segundo tempo, o Ajax perdeu muitas chances de gol - a mais perigosa delas fez David Neres lamentar muito (EPA)

No começo do segundo tempo, sabendo que tinha capacidades de perturbar o Liverpool, o Ajax voltou mais acelerado no ataque. E vieram as chances: Klaassen cabeceou à direita de Kelleher aos 50' (num cruzamento de David Neres, bem no começo da etapa final), o próprio David Neres chutou na rede pelo lado de fora aos 54' (num lance em que Tadic aparentou estar impedido), e finalmente, a sequência que poderia ter deixado o Ajax na frente, aos 57': o chute em diagonal de Mazraoui rebatido por Kelleher, e a sobra que Neres mandou na trave.

Já no minuto seguinte, aliás, veio a punição pelos erros de finalização - e, de certa forma, uma punição ao erro de julgamento de Onana: ao sair antecipadamente do gol, o arqueiro camaronês achou que a bola cruzada por Neco Williams sairia, e que ninguém conseguiria alcançá-la. Jones percebeu que não sairia. Conseguiu alcançá-la - e quase sem ângulo, tocou para o gol vazio, no 1 a 0. A partir daí, foi o que quase sempre se vê quando o Ajax está em desvantagem: pressão em busca do empate, não só nas jogadas, mas na quantidade de gente no ataque (até pelas entradas de Klaas-Jan Huntelaar e Lassina Traoré). E riscos na defesa, mais vulnerável aos contra-ataques do Liverpool. Que trazia perigo, com Mohamed Salah. E que até ficou mais perto do gol, em lances como a bola na trave que Roberto Firmino mandou aos 84' - numa recuperação de Onana, que evitou parcialmente o gol antes, ao desviar na bola. Perigo mesmo, no duro, os Amsterdammers só trouxeram aos 88', no cabeceio de Huntelaar que Kelleher espalmou, evitando o empate.

Ficou no placar a derrota - primeira do Ajax fora de casa pela Liga dos Campeões, após 11 jogos. Custou caro: afinal, com o ponto que conseguiu no empate com o Midtjylland, a Atalanta poderá ir a Amsterdã sabendo que a igualdade no confronto direto da última rodada lhe bastará para ir às oitavas da Liga dos Campeões. Os Ajacieden terão de ganhar. No entanto, até pelo que mostrou no gramado de Anfield (e pelo que tem mostrado nesta Liga dos Campeões), a equipe neerlandesa deixa duas coisas claras. Uma para o seu bem: pela qualidade de seu ataque, tem plenas condições de vencer na Johan Cruyff Arena e se classificar. Outra, para o seu mal: correrá muitos riscos para tentar isso. A ver o lado que ficará preponderante, na próxima semana.

Liga dos Campeões - fase de grupos - Grupo D

Liverpool 1x0 Ajax

Local: Anfield Road (Liverpool)
Data: 1º de dezembro de 2020
Árbitro: Tobias Stieler (Alemanha)
Gol: Curtis Jones, aos 58'

Ajax
André Onana; Noussair Mazraoui (Klaas-Jan Huntelaar), Perr Schuurs, Daley Blind (Lisandro Martínez) e Nicolás Tagliafico; Ryan Gravenberch, Davy Klaassen e Edson Álvarez (Zakaria Labyad); Antony, Dusan Tadic e David Neres (Lassina Traoré). Técnico: Erik ten Hag

Liverpool
Caoimhin Kelleher; Neco Williams, Joël Matip, Fabinho e Andrew Robertson; Jordan Henderson, Georginio Wijnaldum e Curtis Jones; Mohamed Salah (Rhys Williams), Sadio Mané e Diogo Jota (Roberto Firmino). Técnico: Jürgen Klopp