quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Parada obrigatória: Emmen

O voo de Glenn Bijl, na vitória sobre o ADO Den Haag, representa o sonho do Emmen: ficar na primeira divisão é possível (ANP/Pro Shots)

Posição: 13º colocado, com 17 pontos
Técnico: Dick Lukkien
Time-base: Scherpen; Klok (Gronsveld), Veendorp, Bakker, Siekman e Cavlan; Bannink, Bijl e Chacón; Arias e Jansen
Maior vitória: Emmen 2x0 NAC Breda (12ª rodada)
Maior derrota: PSV 6x0 Emmen (9ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado na segunda fase, pelo Odin'59
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Anco Jansen (atacante), com 4 gols
Destaque: Glenn Bijl (meio-campista)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Descontada a óbvia inferioridade em relação ao trio de ferro, até que o estreante na primeira divisão holandesa está sendo elogiável. Demonstrando esforço e alguma ousadia, mostra condições de resistir e conseguir a permanência - que já seria um "título"
Fará intertemporada em... Estepona, balneário na Espanha

Talvez como com nenhum outro time do Campeonato Holandês se possa dizer isso: o Emmen não tem outro objetivo além de escapar do rebaixamento. Para um time que estreia na primeira divisão holandesa, nem seria lógico pensar em algo diferente. Por tudo isso, é possível dizer: o clube alvirrubro está fazendo um papel melhor do que o esperado. Está na metade inferior da tabela, sim. Sempre que enfrentou os três grandes, foi goleado: 5 a 0 para o Ajax (3ª rodada), 6 a 0 para o PSV (9ª rodada), 4 a 1 para o Feyenoord (15ª rodada - esta última goleada foi até maior do que a partida sugeria). Mas passa longe de ser o "saco de pancadas" que se pensava, antes da Eredivisie começar.

De certa forma, isso já ficou claro logo na primeira rodada, quando o Emmen surpreendeu o ADO Den Haag, fazendo 2 a 1 fora de casa. E ao longo das 17 primeiras rodadas desta temporada, o time mostrou que não era tão frágil assim ousando para cima de equipes mais experimentadas e tradicionais na Eredivisie. Por exemplo, vencendo o Utrecht - 2 a 1, na quinta rodada. Ou também vencendo o NAC Breda, no primeiro triunfo em casa de sua história na elite - 2 a 0, na 12ª rodada. A zona de repescagem/rebaixamento seguia como um perigo próximo: por algumas rodadas, o clube chegou a cair para a 16ª posição. Todavia, o Emmen conseguia retomar firmeza em campo para conseguir subir alguns lugares na tabela.

E conseguia porque, em alguns setores, o técnico Dick Lukkien tem visto jogadores úteis a ajudarem o time. No gol, o jovem Kjell Scherpen sofre com a falta de agilidade causada pelos seus 2,02m de altura, mas impõe respeito suficiente para ser titular, apesar de ter apenas 18 anos. A defesa já está bem entrosada, e tem veloz válvula de escape no lateral esquerdo Caner Cavlan. No meio-campo, além de saber sair bem com a bola, Glenn Bijl ainda é bom nos chutes de fora da área. E no ataque, Anco Jansen traz movimentação - e Michael de Leeuw, que está chegando, já mostrou que sabe fazer gols nos tempos de Groningen. Tem sido suficiente para o Emmen sonhar com a permanência na primeira divisão. Para o novato da Eredivisie, seria quase como um título.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Citricultura: as canções da seleção holandesa

Se a seção sobre cultura do futebol holandês começou aqui no blog com as apresentações das músicas e das canções ligadas aos clubes do país, nada mais esperado que ela continue com o mesmo assunto no segundo texto, mas com a seleção laranja como destaque. E se o assunto é seleção, nada mais natural do que começar pelo hino nacional da Holanda - "Het Wilhelmus" ("O Guilherme", falando do príncipe Guilherme de Nassau), tornado hino holandês desde 1932, com a letra datando de 1570 e a música, uma variante de outra melodia do começo do século XVII. Não é um hino tão marcante quanto "A Marselhesa" (França), "Deutschland über alles" (Alemanha) ou o "Inno di Mameli" (Itália), mas é sempre cantado a plenos pulmões por torcedores e jogadores. Com uma letra muito maior, só a primeira estrofe é cantada antes dos jogos - como aqui, antes do jogo contra a Eslováquia, pela Copa de 2010:


Wilhelmus van Nassouwe, ben ik van Duitse bloed (Guilherme de Nassau eu sou, de sangue alemão)
Den vaderland getrouwe, blijf ik tot in den dood (À terra natal continuarei fiel, até a morte)
Een prinse van Oranje, ben ik vrij onverweerd (Um príncipe de Oranje eu sou, livre e destemido)
Den Koning van Spanje heb ik altijd geëerd (O rei da Espanha sempre honrei)

Com relação às arquibancadas, como sói acontecer, torcedores holandeses são mais criativos no visual do que nos cânticos: só há o "Holland!" ou "Aanvalluh!" (corruptela de "Aanvallen!" - em holandês, "ataquem"). Criações musicais ficam mais para fora do campo. E aí, fica até curioso: em geral, as criações musicais para apoiar a Laranja estão muito mais ligadas às Eurocopas do que às Copas do Mundo.

Ainda assim, uma das primeiras canções feitas para apoiar uma seleção numa Copa foi holandesa. Já em 1934, segunda Copa da história e primeira participação do país num torneio assim, anos antes de Johan Cruyff pensar em nascer, o cantor Willy Derby (1886-1944) celebrava a estreia em “Wij gaan naar Rome” (“Nós vamos a Roma”), celebrando a viagem rumo à Itália, país-sede. O refrão da letra (aqui, na íntegra) já mostrava otimismo nos talentos do país:


We gaan naar Rome, we gaan naar Rome (Nós vamos a Roma, nós vamos a Roma)
Bep Bakhuys doelpunt daar voor twee (Bep Bakhuys fará dois gols)
We gaan naar Rome, we gaan naar Rome (Nós vamos a Roma, nós vamos a Roma)
En Vente neemt z’n kanjers mee (E [Leen] Vente está levando seu brilho)
En Mijnders, Wels zóógoed als Smit (E [Kees] Mijnders, [Frank] Wels são tão bons quanto [Kick] Smit)
Die juichen om de beurt: Hij zit! (Eles comemoram de fora: ele fez!)
Als echte jongens, als ferme jongens (Como jovens de verdade, jovens firmes)
Hollandsche jongens van Jan de Wit (Jovens holandeses, de Jan de Wit)

Em 1950, nasceu mais um sucesso da torcida holandesa para a seleção. O músico Jan de Cler, empregado da rádio KRO, criou "Hup Holland Hup”, canção para ser cantada durante as transmissões das partidas da Laranja. Nas décadas seguintes, ela chegou a ser deixada de lado. Mas isso durou até 1988: nas transmissões da NOS, emissora pública holandesa de televisão, para os jogos da Eurocopa que a Holanda venceria, o humorista e cantor Freek de Jonge reabilitou "Hup Holland Hup". Bastou: desde então, vários torcedores holandeses têm a letra na ponta da língua, pedindo força à seleção - usando para isso o leão, mascote do país.


Hup, Holland hup (Vai, Holanda, vai)
Laat de leeuw niet in z'n hempie staan (Não deixe o leão ficar de cuecas) 
Hup, Holland hup (Vai, Holanda, vai)
Trek het beessie geen pantoffels aan (Não coloque pantufas no animalzinho) 
Hup, Holland hup (Vai, Holanda, vai)
Laat je uit 't veld niet slaan (Não se deixe ser derrotada) 
Want de leeuw op voetbalschoenen (Porque o leão de chuteiras) 
Durft de hele wereld aan (Ousa dominar todo o mundo) 

E o título daquela Euro 1988 rendeu aos adeptos da seleção batava mais um sucesso eterno. André Hazes (1951-2004), um dos cantores mais populares da história holandesa, usou a melodia da canção de domínio público “Auld Lang Syne” (aqui, a “Valsa da Despedida”) para o refrão de “Wij houden van Oranje” (“Nós amamos a Laranja”). Foi hit absoluto nas rádios holandesas após a conquista da Euro. E continua sendo hit da torcida, até hoje:


Nederland, oh, Nederland (Holanda, oh, Holanda)
Jij bent een kampioen (Você é uma campeã)
Wij houden van Oranje (Nós amamos a laranja)
Om zijn daden en zijn doen (Por suas façanhas e seus feitos)

18 anos depois, antes da Copa de 2006, com Hazes já falecido, "Wij houden van Oranje" foi reabilitada. Pelo menos, o refrão dela: a família autorizou que o rapper holandês Ali B. usasse a voz de André para sua recriação da canção, com vistas ao Mundial (aqui, a letra). Outra vez, foi sucesso: às vésperas da Copa na Alemanha, foi a segunda música mais escutada na Holanda. Teve clipe e tudo o mais:


Mais tarde, a Euro 2008 trouxe outro êxito que entrou para o repertório futebolístico da seleção, em Copas ou Euros: “Viva Hollandia”, do cantor Wolter Kroes. Talvez, a letra que melhor retrate o clima de um grupo holandês de torcedores. Até por isso, também virou comum no repertório da torcida:


We zijn er weer bij en dat is prima (Estamos aí de novo, e isso é maravilhoso)
Viva Hollandia (Viva Holanda)
We houden van het leven de liefde en de lust (Amamos a vida, o amor e o luxo)
We feesten door tot ‘s avonds laat nog lang niet uitgeblust” (Fazemos festa até tarde da noite e ninguém fica cansado)

E periodicamente, as criações para embalar a torcida holandesa em Copas ou Eurocopas continuam. Em 2010, a Copa da África do Sul teve uma de suas características transformada em hit para a campanha do bicampeonato: "Vuvuzela", da dupla Gebroeders Ko ("Ik toeter mijn speakers eruit/Wat een geluid!" - "Eu estouro meus altofalantes/Que barulho!"). E se a campanha da Euro 2012 foi decepcionante, pelo menos rendeu um clipe engraçado. Veja abaixo "Ben je ook voor Nederland?" ("Você também torce pela Holanda?"), parceria de Wolter Kroes, Yes-R e Ernst Daniël Smid, usando a melodia do "Baile dos Passarinhos" - sim, a do "passarinho quer dançar" que Gugu Liberato popularizou no Brasil. Não deixa de ser engraçado ver Sneijder, Robben e cia. interagindo com... pintinhos de plástico, mascotes daquela campanha na Euro.

Parada obrigatória: Excelsior

O gol de Omarsson contra o VVV-Venlo foi uma das razões que davam esperança ao Excelsior. Mas com a defesa fraca, a queda está sendo perigosa (ANP/Pro Shots)
Posição: 14º lugar, com 16 pontos
Técnico: Adrie Poldervaart
Time-base: Stevens; Fortes, Mattheij, Matthys e Burnet; Schouten, Messaoud (Haspolat) e Koolwijk; Mahmudov (El Hamdaoui/Edwards), Omarsson e Bruins
Maiores vitórias: NAC Breda 0x2 Excelsior (1ª rodada) e Excelsior 2x0 Vitesse (9ª rodada)
Maior derrota: Excelsior 1x7 Ajax (12ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado na primeira fase, pelo NEC
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Ali Messaoud (meio-campista), com 5 gols
Destaques: Ali Messaoud (meio-campista) e Elias Mar Omarsson (atacante)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento/ficar no meio da tabela
Avaliação: A princípio, o Excelsior não tem um time tão ruim assim. No entanto, se continuar com a defesa fragílima como está neste momento da temporada, será difícil escapar das três últimas posições
Fará intertemporada em... Alhaurin, na Espanha, de 6 a 11 de janeiro

Se alguns times sobem, outros descem. É o caso do Excelsior, pelo menos nas rodadas derradeiras de 2018 na Eredivisie. Não que o começo do clube de Roterdã tenha sido excepcional, longe disso: a equipe sempre ficou no começo da metade inferior da tabela, entre o 13º e o 8º lugar (melhor posição a que chegou, na 9ª rodada). Mas, bem ou mal, mostrava alguma capacidade técnica para perturbar os adversários do mesmo nível. Capacidade que vinha, principalmente, do meio-campo e do ataque escalados pelo técnico Adrie Poldervaart - estreante, pois era preparador físico e foi promovido, embora já viesse em preparação pessoal.

Poldervaart teve à disposição nomes como o velho e bom Ryan Koolwijk, com quem a torcida dos Kralingers já está acostumada na marcação e na saída de bola, no meio-campo. Entre algumas alterações, o setor ficou acostumado com Jerdy Schouten tentando ser mais marcador, enquanto Ali Messaoud disparava para ajudar o ataque, com velocidade. A mesma velocidade dada pelo atacante islandês Elias Mar Omarsson, que também mostrou força física - ambas as qualidades serviram para que ele fizesse um bonito gol contra o VVV-Venlo, na 7ª rodada, partindo do próprio campo para só parar nas redes. Além do mais, opções como Luigi Bruins (outro conhecido dos adeptos) e o veterano Mounir El Hamdaoui davam alguma confiança. E resultados como a vitória sobre o Vitesse, na 9ª rodada, davam a impressão de que ficar no meio da tabela seria até mais fácil do que se pensava.

Só que a defesa tornou tudo difícil. Da 10ª rodada por diante, ela mostrou uma fragilidade tão grande que faz até lembrar um time amador. Basta citar as atuações dignas de pena contra Ajax (7 a 1 sofridos em casa) e PSV (6 a 0, em Eindhoven): por mais que sejam os dois "pontos fora da curva" no Campeonato Holandês, a resistência da defesa do Excelsior foi ridícula, dando espaços vastos nas pontas. Mais alarmantes ainda foram outras derrotas, como os 4 a 1 para o De Graafschap e o 3 a 3 com o Utrecht, após estar vencendo por 3 a 0. E a sequência de três derrotas seguidas nas últimas rodadas do primeiro turno deixaram o Excelsior não só em posição perigosa na tabela, mas também com a pior defesa do campeonato (45 gols sofridos). Urge melhorar, mostrar mais firmeza na marcação. Senão, a queda será ainda mais incontrolável do que já parece.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Parada obrigatória: Groningen

O primeiro turno do Groningen foi difícil, e Ritsu Doan foi um dos únicos pontos positivos. Pelo menos, as coisas parecem melhorar (Getty Images)
Posição: 15º lugar, com 15 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols em relação a Zwolle e NAC Breda)
Técnico: Danny Buijs 
Time-base: Padt; Zeefuik, Te Wierik, Chabot e Handwerker; Doan, Memisevic, Reis e Warmerdam; Mahi e Mendes Moreira
Maior vitória: Groningen 5x2 NAC Breda (14ª rodada)
Maior derrota: Vitesse 5x1 Groningen (1ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado na primeira fase, pelo Twente
Competição europeia: nenhuma
Artilheiro: Mimoun Mahi (atacante), com 5 gols 
Destaque: Ritsu Doan (meio-campista)
Objetivo do início: meio de tabela/vaga nos play-offs pela Liga Europa
Avaliação: O começo foi tão desesperador - e tão azarado - que o time do norte holandês temeu seriamente pelo rebaixamento. O medo não acabou, mas o esforço e algumas boas atuações dão a impressão de que o time tem capacidade para subir rumo a posições mais seguras
Fará intertemporada em... Alemanha, de 8 a 11 de janeiro

Quando o campeonato começou, o Groningen desejava melhorar, em relação à difícil temporada 2017/18 que teve. Aconteceu exatamente o oposto: as rodadas iniciais foram terríveis para os Groningers. De "Orgulho do Norte" (seu apelido), não havia quase nada: apenas uma vitória, um empate e nove derrotas, nas onze primeiras rodadas. A torcida seguia deixando clarões no estádio durante as partidas em casa. E até mesmo alguns jogadores que mantinham a solidez em meio às turbulências andaram enfrentando alguns problemas. Foi o caso do goleiro Sergio Padt, titular absoluto: por uma noite detido, após discussão com policial num trem, Padt perdeu a braçadeira de capitão e o posto de terceiro goleiro da seleção holandesa nas convocações do técnico Ronald Koeman.

Até mesmo partidas em que o Groningen não merecia perder acabavam com desvantagem para o time. Foi o caso do jogo contra o PSV: o time abriu o placar, foi compacto na marcação, ofereceu dificuldades ao líder da Eredivisie. Aí, aos 43 minutos do segundo tempo, numa arrancada veloz pela direita, o lateral Denzel Dumfries fez 2 a 1 e levou a vitória para Eindhoven. Parecia até injustiça com um time que teve pelo menos dois jogadores notáveis: o meio-campo japonês Ritsu Doan, cada vez mais desenvolto e rápido na criação (até demonstrando mais habilidade), e Mimoun Mahi, livre de alguns problemas disciplinares para se manter como principal nome na hora de fazer os gols - com alguma ajuda de Mateo Cassierra, verdade. Era esperado pensar que a crise se aprofundaria, que o técnico Danny Buijs seria demitido em seu primeiro trabalho profissional... enfim, era esperado pensar todas essas coisas que só pioram a situação.

Mas a direção optou por manter Buijs - e por alterar a si própria, até porque o diretor geral Hans Nijland anunciou a saída do clube, após muito tempo. A torcida apoiou, com faixas como "Wij staan achter jullie" (em holandês, "estamos apoiando vocês"). As atuações de Doan e Mahi melhoraram. A marcação no meio-campo ficou mais forte, com o zagueiro Samir Memisevic e o lateral Django Warmerdam sendo adiantados. As vitórias começaram a vir: foram três, nas últimas rodadas do turno. Com alguns empates, a sequência serviu para tirar o Groningen da zona de repescagem/rebaixamento. E alguns reforços já adiantados, por empréstimo - o meio-campo Thomas Bruns, os atacantes Iliass Bel Hassani e Kaj Sierhuis -, dão plena razão para pensar que o Groningen pode continuar subindo no returno. Se NAC Breda e Zwolle sonham com a reação, o Groningen já a começou.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Parada obrigatória: Zwolle

O Zwolle teve no primeiro turno o desânimo estampado por Van den Berg (em primeiro plano). Mudou para tentar melhorar no returno (Henry Dijkman/VI Images)
Posição: 16º lugar, com 15 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)
Técnico: John van't Schip (até a 16ª rodada), Gert-Peter de Gunst (interino, na 17ª rodada) e Jaap Stam (a partir da 18ª rodada)
Time-base: Van der Hart (Boer); Ehizibue (Van Polen), Lam, Van den Berg e Paal; Dekker, Namli e Hamer (Leemans); Flemming; Van Crooij e Van Ooijen
Maiores vitórias: Zwolle 2x0 Excelsior (8ª rodada) e De Graafschap 0x2 Zwolle (14ª rodada) 
Maior derrota: Zwolle 1x4 Ajax (14ª rodada)
Copa da Holanda: eliminado nas oitavas de final, pelo AZ
Competição europeia: nenhuma
Artilheiros: Mike van Duinen e Vito van Crooij (atacantes), ambos com 4 gols 
Destaque: Mike van Duinen (atacante)
Objetivo do início: vaga nos play-offs pela Liga Europa/meio de tabela
Avaliação: a fragilidade defensiva e a inconstância renderam um turno ruim, e sinalizaram fim de linha para o trabalho do técnico John van't Schip. A ver se o meio de tabela ainda pode ser alcançado
Fará intertemporada em... Mijas, balneário na Espanha, de 3 a 9 de janeiro

Quando a temporada começou, o Zwolle já tinha com que se preocupar. Havia um objetivo: escapar de uma campanha terrível como a do segundo turno em 2017/18, quando o clube só venceu três partidas, perdeu 13, e decaiu após atuações agradáveis no turno, terminando por ficar fora até da repescagem por vaga na Liga Europa. Para tanto, os "Dedos Azuis" teriam de se recompor sem boa parte dos destaques. O auxiliar técnico Dwight Lodeweges, o zagueiro Philippe Sandler, o meio-campista Younes Mokhtar, os atacantes Piotr Parzyszek e Stef Nijland: todos eles deixaram o clube. Restaria ver se os remanescentes (e as novidades, como o atacante Mike van Duinen e o meio-campo Clint Leemans) conseguiriam melhorar o time, ainda sob o comando de John van't Schip.

Não conseguiram. Porque os Zwollenaren formaram um time irregular. Ora os temores aumentaram - como nas três primeiras rodadas, com três derrotas. Ora, a esperança renascia - como entre a sexta e a oitava rodadas, com duas vitórias e um empate. Todavia, a defesa penava: lesões renitentes no joelho levaram Dirk Marcellis, experiente e firme na espinha dorsal do Zwolle, a anunciar o fim da carreira. Restou jogar aos leões o jovem Sepp van den Berg, 17 anos. Ainda houve uma lesão do lateral direito e capitão Bram van Polen; uma punição disciplinar ao reserva Darryl Lachman, que foi rebaixado ao time B; e até entre os goleiros, a irregularidade imperou - Diederik Boer, quase um estandarte do clube, começou mal a temporada, cedeu lugar a Mickey van der Hart, mas algumas falhas deste devolveram a vaga ao arqueiro de 38 anos.

O ataque foi pior ainda: penou pela falta de efetividade. Apenas 14 bolas na rede: só o De Graafschap marcou menos gols no Campeonato Holandês. Jogando em casa, o time foi o pior do campeonato: nas nove partidas no Mac³Park Stadion, só uma vitória. E não houve como segurar o técnico John van't Schip após o 5 a 0 para o AZ, nas oitavas de final da Copa da Holanda. A reta final do primeiro turno na Eredivisie foi péssima: um empate e três derrotas - a última, já sob o comando do interino Gert-Peter de Gunst. Pensar na repescagem pela Liga Europa só será possível em caso de uma reação irresistível, logo que o returno comece. Se o caso é de "um passo de cada vez", o Zwolle deve pensar no meio da tabela. A ver se o trabalho do novo técnico, Jaap Stam, emplaca já na intertemporada.