domingo, 13 de outubro de 2019

Mais três pontos

Wijnaldum (8) evitou que a Holanda sofresse mais contra Belarus. Mas a vitória veio novamente sem brilho (EPA)

De novo, nas Eliminatórias da Euro 2020, a seleção da Holanda encarou um adversário fechado - que trouxe algum perigo nos contra-ataques. De novo, a maior qualidade individual dos jogadores holandeses acabou trazendo a vitória - agora, de maneira um pouco mais tranquila do que na quinta-feira, contra a Irlanda do Norte. E de novo, o triunfo veio sem o bom nível técnico que esta geração pode oferecer em campo. Mas a eficiência traz algo importante: a Laranja está muito perto da volta a uma grande competição. Falta pouco.

Pareceu que faltaria mais quando a partida começou no Estádio Dínamo. E nem deveria, uma vez que Ronald Koeman enfim fez o que muito se pede: escalou um time bastante ofensivo. No meio-campo, Donny van de Beek enfim começava como titular, no lugar de Marten de Roon. E no ataque, sem o lesionado e cortado Memphis Depay, Donyell Malen ganhava uma oportunidade para dar sequência à boa fase que vive em campo. Sem contar Quincy Promes, mais "agudo" do que Ryan Babel - e, por isso, iniciando entre os titulares na esquerda.

Porém, o que se viu no início da partida em Minsk foi preocupantemente parecido com o que se viu em Roterdã, há três dias: um time tocando e tocando, sem o mínimo espaço para chegar à grande área de Belarus - afinal, a defesa bielorrussa evitava deixar espaços para os lançamentos em profundidade. Além do mais, os anfitriões tinham um perigo adicional: eram mais perigosos nos contra-ataques, graças à força física de Denis Laptev, o único atacante. E às falhas frequentes de Matthijs de Ligt: o zagueiro segue lento, perdendo bolas - perdeu duas, aos 24'. No escanteio surgido logo depois, aos 26', o próprio Laptev deu o primeiro grande susto, num chute na pequena área, à direita de Jasper Cillessen.

Para piorar, a Laranja não criava chances. As únicas coisas "próximas" disso foram um toque de Van de Beek que tentou encobrir o goleiro Alyaksandr Gutor, aos 20' - e Gutor também evitou finalização de Promes, aos 31'. Aí, Georginio Wijnaldum foi o responsável por tranquilizar rapidamente as coisas. Pelo gol de cabeça que fez aos 32', após cruzamento de Promes. E pelo belíssimo segundo gol que marcou, aos 41', num chute de fora da área, que rumou ao ângulo esquerdo de Gutor, indefensável.

De Ligt foi constantemente pressionado pelos bielorrussos na tentativa de um contra-ataque - e às vezes, falhou (AFP)

E aí, a Holanda relaxou. Tanto que, já aos dez segundos da etapa final, Igor Stasevich deu um chute perigoso, que passou perto do gol. Mesmo em vantagem, o time visitante seguia perdendo bolas no meio-campo, seguia dando espaço para os contragolpes, seguia oferecendo aos bielorrussos a chance de um gol. Chance enfim aproveitada, aos 54', quando Dzyanis Polyakov cruzou, De Ligt abandonou cedo demais a jogada, Virgil van Dijk demorou para subir, e Stanislav Dragun cabeceou para fazer o gol de Belarus.

O temor de um empate só não foi mais real porque os próprios mandantes perderam o ritmo. Dali por diante, só mais uma chance concreta de gol: Stasevich, aos 59', num chute após roubar a bola de Daley Blind. Depois, a Holanda voltou a controlar o jogo. Sem brilhar, apenas trocando passes, vendo a entrada de Luuk de Jong para tentar reter a bola no ataque, até conseguindo algumas oportunidades valiosas para o terceiro gol - oportunidades perdidas: por Malen, aos 79', e por Wijnaldum, no último minuto.

De todo modo, a Holanda conseguiu. Mais três pontos, liderança mantida no grupo C das Eliminatórias. E bastam mais três pontos para se garantir na Euro. A única necessidade é manter a competitividade alta.

Eliminatórias da Euro 2020
Belarus 1x2 Holanda
Local: Estádio Dínamo (Minsk)
Data: 13 de outubro de 2019
Árbitro: Tasos Sidiropoulos (Grécia)
Gols: Georginio Wijnaldum, aos 32' e aos 41'; Stanislav Dragun, aos 54'

Belarus
Alyaksandr Gutor; Aleh Veretilo, Alyaksandr Martynovich, Nikita Naumov e Dzyanis Polyakov; Yevgeny Yablonski; Yuri Kovalev (Maksym Skavysh), Stanislav Dragun, Igor Stasevich e Ivan Bakhar (Max Ebong); Denis Laptev (Yevgeny Shevchenko). Técnico: Mikhail Markhel

Holanda
Jasper Cillessen; Joël Veltman, Matthijs de Ligt, Virgil van Dijk e Daley Blind; Donny van de Beek (Marten de Roon), Georginio Wijnaldum e Frenkie de Jong; Steven Bergwijn (Ryan Babel), Donyell Malen e Quincy Promes (Luuk de Jong). Técnico: Ronald Koeman

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Mais sorte do que juízo

Luuk de Jong e o gol do alívio: Holanda escapou por muito pouco de uma decepção contra a Irlanda do Norte (BSR Agency)

Por um lado, é o que Memphis Depay disse após o fim do jogo em De Kuip: "Eu já disse: podemos nos recuperar, esta Laranja não desiste". De fato, de novo a seleção da Holanda foi valorosa e buscou uma vitória nos últimos momentos do jogo. Por outro lado, pelo que se viu em boa parte dos 90 minutos contra a Irlanda do Norte, em Roterdã, pelas Eliminatórias da Euro 2020, ainda está claro que a Oranje ainda tem sérias dificuldades de superar adversários que a deixam sem espaço em campo. Pior: ainda tem sérias dificuldades de se manter em alto nível durante toda uma partida. Só a capacidade individual fez com que chegasse a vitória que coloca os Países Baixos na rota da Euro.

A rigor, isso era até previsível. Nas entrevistas coletivas antes do jogo, o técnico Ronald Koeman já alertava que a Irlanda do Norte era "valente", uma "máquina de lutar". Aliás, o esforço gigante na defesa, no fechamento de espaços para os adversários, é um dos fatores que justifica o bom momento da seleção (vinda de uma participação na Euro 2016, esteve na repescagem das Eliminatórias da Copa de 2018). E foi justamente isso que se viu no primeiro tempo em De Kuip. Tentar o ataque, os norte-irlandeses não tentaram: apenas pressionavam a defesa holandesa, em busca de um erro. Então, Matthijs de Ligt tinha de tocar para Virgil van Dijk, que recuava para o goleiro Jasper Cillessen, que tentava o chutão para o ataque.

A Holanda tentava pelo alto, por baixo, mas a Irlanda do Norte sempre estava atenta na defesa (BSR Agency)
Acabavam-se aí as chances da Holanda conseguir algo, pelo menos durante o primeiro tempo. Porque os quatro defensores - e os cinco meio-campistas postados e compactados em frente à grande área - deixavam a Laranja sem espaços. Para piorar, Denzel Dumfries tinha dia ruim na lateral direita. Até houve uma "quase-chance" para os donos da casa em Roterdã: aos 27', numa jogada que teve chutes de Georginio Wijnaldum (a bola bateu em Stuart Dallas) e Daley Blind (bateu para fora). Ryan Babel e Memphis Depay até pegavam a bola em busca do chute. Mas arremate a gol, que fizesse trabalhar tanto Cillessen quanto Bailey Peacock-Farrell, o arqueiro da Irlanda do Norte, nada. Nem de um lado, nem do outro.

Para os visitantes, tudo bem: era um ponto valioso, que os mantinha na liderança do grupo C. Já para a Holanda, era muito ruim: freava o otimismo em torno desta geração, decepcionava a torcida, trazia de volta o perigo de precisar encarar a repescagem por uma vaga na Euro. Aos poucos, os espaços até apareceram. Assim como as chances: um chute de Wijnaldum após troca de passes de Ryan Babel e Steven Bergwijn aos 50', um desvio providencial de George Saville antes que Dumfries chegasse para cabecear, aos 53', um toque de Memphis Depay que Jonny Evans afastou na pequena área, aos 72'. A esta altura, já estavam em campo dois nomes que tornavam a Holanda um pouco mais dinâmica: Donny van de Beek, no meio, e Donyell Malen, no ataque.

O gol de Magennis poderia ter sido um tremendo prêmio para o esforço norte-irlandês. Faltou aguentar no fim... (Simon Stacpoole/Offside/Offside via Getty Images)

Justamente quando eles entraram, também veio para a Irlanda do Norte um atacante: Josh Magennis, substituindo Kyle Lafferty no ataque. Magennis seria o único norte-irlandês na frente, à espera de uma chance que pudesse aproveitar. E ela apareceu: aos 75', quando uma bola cruzada foi mal rebatida tanto por De Ligt quanto por Daley Blind. Dallas pegou na direita da grande área, quase sem ângulo. Mas passou por Blind, cruzou, e Magennis estava no meio da pequena área, livre, para cabecear e fazer 1 a 0. Parecia o gol de uma vitória gigante da Irlanda do Norte - e o gol que preconizava um imenso vexame da seleção masculina holandesa, sem perder em De Kuip desde 2000, sem empatar desde 2007. Tudo pela incompetência em escapar da marcação norte-irlandesa.

O desespero fez a Holanda se mexer. No "abafa" puro e simples, como ficou claro pela entrada de Luuk de Jong, no lugar de Dumfries. Cansada, a Irlanda do Norte tinha os espaços abertos. Num deles, Memphis Depay recebeu a bola de Bergwijn na área e tocou cruzado, de bico, para empatar, aos 80'. Foi a senha para a pressão quase irrespirável da Holanda nos minutos finais. Parecia que não daria certo - aos 85', livre na área após cruzamento de Memphis, Malen cabeceou para fora. Mas a insistência, ainda que desorganizada, teve sucesso nos acréscimos, com o gol de Luuk de Jong aos 90' + 1, aproveitando bola solta, e o de Depay, dois minutos depois, resolvendo de vez a vitória aliviante.

Por linhas tortas, de modo torturante, a Holanda conseguiu ficar perto da Euro 2020, líder do grupo C que é agora (12 pontos, como Irlanda do Norte e Alemanha, mas superior no confronto direto com os alemães, vice-líderes). Vencer Belarus fora de casa, no domingo, deixará a classificação por um ponto. Mas o cenário positivo só chegou porque, de novo, a Laranja teve mais sorte do que juízo.

Eliminatórias da Euro 2020
Holanda 3x1 Irlanda do Norte
Local: De Kuip (Roterdã)
Data: 10 de outubro de 2019
Árbitro: Benoît Bastien (França)
Gols: Josh Magennis, aos 75', Memphis Depay, aos 80' e aos 90' + 4, e Luuk de Jong, aos 90' + 1

Holanda
Jasper Cillessen; Denzel Dumfries (Luuk de Jong), Matthijs de Ligt, Virgil van Dijk e Daley Blind; Marten de Roon (Donny van de Beek), Georginio Wijnaldum e Frenkie de Jong; Steven Bergwijn, Memphis Depay e Ryan Babel (Donyell Malen). Técnico: Ronald Koeman

Irlanda do Norte
Bailey Peacock-Farrell; Michael Smith, Craig Cathcart, Jonny Evans e Shane Ferguson; Paddy McNair, Corry Evans (Tom Flanagan), Steven Davis, George Saville (Jordan Thompson) e Stuart Dallas; Kyle Lafferty (Josh Magennis). Técnico: Michael O'Neill

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Para afastar os medos

Sorrisos e tranquilidade: a seleção da Holanda segue assim. Mas tem dois jogos em que a vitória é fundamental. Até para manter isso (BSR Agency)
Está certo, a pessoa que lê os escritos neste blog já sabe que a seleção masculina da Holanda voltou a ser minimamente respeitada, que há talentos inegáveis na Laranja, que a vitória contra a Alemanha na rodada passada das Eliminatórias da Euro 2020 foi mais uma prova de força, que houve o vice-campeonato na Liga das Nações (é pouca coisa, mas é alguma coisa)... mas ainda não dá para dizer, com certeza e segurança totais, que "a Holanda voltou" - coisa já escrita aqui, precipitadamente. Isso só poderá ser dito sem contestação quando a Oranje retornar a um grande torneio. E a vaga na Euro ficará mais próxima caso ela vença seus jogos pela qualificação, nestas datas FIFA, contra Irlanda do Norte (nesta quinta, em Roterdã) e Belarus (no próximo domingo, em Minsk).

Para sorte da seleção dos homens dos Países Baixos, segue tudo bem nela. A base dos 23 convocados traz os nomes habituais, Ronald Koeman faz um razoável trabalho como técnico, todos os jogadores estão em forma para as partidas contra norte-irlandeses e bielorrussos. Mais importante de tudo, talvez: a confiança está em alta. Tão em alta que Koeman já apregoou, na entrevista coletiva da segunda-feira passada: as próximas convocações podem trazer algumas novidades, como esta já trouxe, com um atacante a mais. "Talvez possamos mudar mais jogadores entre uma partida e outra, o que fizemos menos nos últimos tempos. Acho que temos uma seleção comparável às de muitos outros países. Em especial, com a dos melhores países. Isso também ocorre pelo fato de termos muitos nomes na frente, que se desenvolvem, que conseguem mais criatividade e velocidade no jogo deles, tornando [o time] mais perigoso com isso". 

Koeman também antecipou que os nomes em destaque simultâneo podem até entrar em convocações futuras: "Geralmente trabalhamos com um grupo fixo. Mas se alguém embalar, estar imparável, eu também abrirei caminho para ele". Foi o que aconteceu com Donyell Malen: nome que ajudou demais na vitória sobre a Alemanha, o atacante do PSV e goleador atual do Campeonato Holandês foi convocado de novo. Pode ser o que acontecerá com nomes como Sergiño Dest, lateral direito que vem se destacando no Ajax, e que ganhava espaço nas seleções dos Estados Unidos... até uma reunião que o treinador da seleção holandesa mencionou: "Eu e Nico-Jan Hoogma [diretor técnico da federação] conversamos com ele. Não prometi nada, mas comuniquei, da minha maneira, que vejo futuro para ele dentro da seleção da Holanda". Outro desses é Mohamed Ihattaren, meio-campista que vem crescendo no PSV. Além dos nomes da seleção sub-21: Justin Kluivert - que pediu convocação -, Calvin Stengs, Myron Boadu...

Ronald Koeman já sabe o time que deseja escalar. Confia nele. Mas pede cuidado (Pro Shots)
Um outro nome holandês que vem se destacando provém uma das raras contestações ao trabalho de Koeman: Wout Weghorst. Alguns perguntaram: por que o atacante, em bom momento no ataque do Wolfsburg, segue de fora das convocações? Enfim, o treinador justificou. Com poucas palavras: "Se eu preciso forçar mais no ataque, acho Luuk [de Jong] melhor nisso do que Weghorst". Logo depois, amenizou: "Mas é verdade que ele [Weghorst] está bem, marcando muitos gols, não posso ignorar. Precisa continuar fazendo isso, e também mostrar que melhorou como um todo, não se preocupando só com os gols".

É a única contestação que perturba um pouco o time titular. Jasper Cillessen ainda é contestado no gol, após algumas falhas no Valencia? Koeman dá de ombros: "Se eu for reagir a cada crítica dos comentaristas de televisão, melhor parar". Matthijs de Ligt ainda está inconstante demais na Juventus? O próprio tenta acalmar as desconfianças: "Já posso dizer que estou mais acostumado [em relação às primeiras partidas], mas ainda posso melhorar. Você anda na corda bamba, vá bem ou vá mal. Infelizmente, é a vida de um zagueiro. Tento aprender com meus erros".

De todo modo, a Holanda está bem. Confiante, como o próprio Koeman pediu que seja para os jogos: "No geral, precisamos mostrar nossa superioridade e pressioná-los". Tão confiante que o técnico sempre tenta colocar um alerta - principalmente para o jogo desta quinta em De Kuip, contra a Irlanda do Norte, que ainda sonha com uma das vagas diretas à Euro. Primeiro, o técnico alertou que os norte-irlandeses são "uma máquina de lutar", em razão do conhecido esforço do adversário em campo. Depois, repreendendo algumas desatenções nos treinos em Zeist: "Eu vi alguns momentos em que as coisas não foram boas. Por uma preparação curta, por cansaço. Sim, talvez por presunção também". E deixando claro que, se a Holanda é favorita, precisará entrar com todo o gás para justificar isso: "Demos aos jogadores toda a informação possível sobre o jogo. Mas eles precisam estar atentos".

Se estiverem, o caminho estará andado para superar Irlanda do Norte e Belarus. E para entrar de vez na rota da classificação da Euro 2020, afastando os medos - pequenos, mas ainda existentes - de que uma crise possa voltar à seleção masculina holandesa.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Um jogo, um parágrafo, um vídeo: a 9ª rodada da Eredivisie

Groningen 3x0 RKC Waalwijk (sexta-feira, 4 de outubro)

No começo do jogo, o RKC Waalwijk ainda teve algumas esperanças de enfim vencer no campeonato: Stanley Elbers, aos 12', e Dylan Vente, aos 14', quase deixaram os Católicos na frente. Só que a esperança começou a virar pó aos 21': Ajdin Hrustic cobrou falta, e o zagueiro Mike te Wierik colocou o Groningen na frente, de cabeça. Aos 38', a vantagem foi ampliada: após jogada do lateral direito Deyovaisio Zeefuik, Charlison Benschop fez 2 a 0. Dali por diante, o RKC só voltou a dar sinal de vida aos 63', num chute de Clint Leemans. Mas o time da casa logo restabeleceu a verdade do que se viu em campo: aos 78', Gabriel Gudmundsson definiu o placar. O time de Waalwijk segue com uma campanha altamente preocupante: em nove jogos, só um ponto - desde 2010/11 um lanterna da Eredivisie não começava tão mal a liga.



Heracles Almelo 2x0 Emmen (sábado, 5 de outubro)

No começo do jogo, Cyriel Dessers já poderia ter aberto o placar para o Heracles: aos 3', ficou frente a frente com o goleiro Dennis Telgenkamp, mas este evitou o gol ao tirar a bola com um carrinho. Depois, aos 22', quase Joey Konings abriu o placar para os mandantes. O 1 a 0 demorou, mas enfim chegou aos 31', também com Dessers: Silvester van der Water cruzou, e o atacante belga ficou livre com um escorregão do zagueiro Keziah Veendorp, completando para as redes. O Emmen só teve leve chance de empatar aos 43', mas o lateral Glenn Bijl chutou para fora. E os Heraclieden seguiram dominando na etapa complementar. Domínio que ficou claro com o segundo gol, aos 59': Lennart Czyborra cruzou, e Veendorp cometeu gol contra ao escorar à sua própria meta. O time de Almelo teve chances de ampliar, e começa a se recuperar de um começo irregular: já ocupa o 7º lugar na liga.



Sparta Rotterdam 2x1 Twente (sábado, 5 de outubro)

Eram dois clubes vindos da segunda divisão, que tiveram bom começo nesta Eredivisie. Mas no primeiro tempo, só o Sparta mostrou ataque digno da fama em Het Kasteel: fez o goleiro Joël Drommel, do Twente, trabalhar muito - por exemplo, em cabeceios de Jurgen Mattheij (aos 10') e Ragnar Ache (aos 35'). Os Spartanen tiveram a compensação merecida logo após o intervalo: aos 48', Mohamed Rayhi passou de primeira para Halil Dervisoglu fazer 1 a 0 - gol na quarta rodada seguida para Halil. Mas não houve muito tempo para comemorar: já aos 51', após uma bola cruzada bater nele, Calvin Verdonk aproveitou e empatou para o Twente. E o jogo esquentou, com chances da casa (Lars Veldwijk, aos 75') e fora (Emil Berggreen, aos 73'). Na reta final, dois momentos decisivos: aos 84', após rever falta a pedido do VAR, o juiz Jeroen Manschot deu cartão vermelho ao lateral Julio Pleguezuelo. E aos 88', num belíssimo chute, Bryan Smeets fez o gol(aço) da vitória do Sparta.



Vitesse 2x1 Utrecht (sábado, 5 de outubro)

A partida em Arnhem era importantíssima - para o Vites, vencer seria se manter perto dos líderes; para os Utregs, chegar definitivamente às primeiras posições. E os visitantes começaram avançando. Só que Oussama Tannane, do Vitesse, seria o protagonista da primeira etapa. Para o bem: aos 9', Tannane cobrou escanteio, e Max Clark cabeceou para fazer o 1 a 0 dos anfitriões. E para o mal: aos 33', o meia/atacante torceu o joelho numa dividida, e teve de ser substituído. O Vitesse sentiu, e o Utrecht aproveitou: aos 38', num forte chute de fora da área, Adam Maher empatou o jogo. Os visitantes terminaram o 1º tempo melhores (quase viraram com Sander van de Streek), e começaram o 2º tempo também assim. Mas o Vitesse foi à frente a partir dos 65', num cabeceio perigoso de Bryan Linssen. E uma infelicidade do goleiro Maarten Paes, do Utrecht, deu o gol da vitória que manteve o time aurinegro de Arnhem perto dos líderes: aos 68', Clark chutou, Tim Matavz desviou, e Paes ficou "com as penas do frango" na mão - a bola passou por baixo das pernas. Faz parte do jogo...



Heerenveen 1x0 Zwolle (sábado, 5 de outubro)

Até que o Zwolle conseguiu equilibrar as coisas no começo do jogo contra o Heerenveen. Mas perdeu um jogador importante aos 33', quando o volante Gustavo Hamer se lesionou, precisando dar lugar ao estreante Destan Bajselmani. O Fean foi melhorando, e teve o prêmio no último lance do primeiro tempo: aos 45', Mitchell van Bergen tabelou com Jens Odgaard, saiu na cara do goleiro Xavier Mous e fez 1 a 0 para os mandantes. Que poderiam até ter ampliado no segundo tempo: Odgaard finalizou na trave aos 64', o zagueiro Darryl Lachman quase cometeu gol contra aos 78', o zagueiro Ibrahim Dresevic quase marcou a favor aos 81' (cabeceio por cima do gol). Mas os anfitriões mantiveram a vantagem, e tiveram o que comemorar. Após cinco meses, uma vitória em casa pelo Campeonato Holandês; e segunda vitória seguida nesta temporada de Eredivisie.



ADO Den Haag 0x2 Ajax (domingo, 6 de outubro)

Houve algumas tentativas do ADO Den Haag: logo no primeiro minuto em Haia, por exemplo, um cruzamento rasteiro fez a bola passar reto por Michiel Kramer na pequena área. Mas na primeira chance de gol que o Ajax teve, aos 10', já fez 1 a 0 - Ziyech veio com a bola até a entrada da área, e tocou para Klaas-Jan Huntelaar completar, na saída do goleiro Luuk Koopmans. Por falar nele, Koopmans fez algumas grandes defesas: a melhor delas, aos 36', quando o lateral Milan van Ewijk errou, Quincy Promes veio livre e passou a Ziyech, que chutou para o arqueiro do Den Haag desviar e evitar o gol. Mas se a primeira etapa ainda teve equilíbrio (incluindo chance de Kramer empatar, aos 27'), o segundo tempo foi bastante... chato. O Ajax apenas fazia o tempo passar; o Den Haag até buscava o empate - chegou perto num chute de Bilal Ould-Chikh, aos 81', para fora -, mas tinha pouca qualidade para tanto. Até que, aos 86', num contra-ataque, Donny van de Beek trouxe a bola até as redondezas da grande área, deixou-a com Ziyech, e este colocou David Neres na cara do gol, para o brasileiro fazer 2 a 0. Um triunfo burocrático. Mas o Ajax lidera, pelo maior saldo de gols.



Fortuna Sittard 4x2 Feyenoord (domingo, 6 de outubro)

O Fortuna Sittard já teve o sinal de que seria seu dia com 1min39s de jogo: Bassala Sambou cruzou, e Felix Passlack ajeitou de calcanhar para Amadou Ciss, sozinho, fazer 1 a 0 no Feyenoord. O golpe foi forte, e o Stadionclub só reagiu aos 13': Steven Berghuis cobrou escanteio, e Eric Botteghin completou de voleio, com o goleiro Alexei Koselev evitando o gol. Aos 18', Sam Larsson chutou, perto do gol. Finalmente, aos 27', o empate: Ridgeciano Haps arriscou de fora, a bola desviou no zagueiro Cian Harries e tirou as chances de defesa de Koselev. Aí o Fortuna se valeu do péssimo dia da defesa Feyenoorder. Ainda no 1º tempo, aos 34', Passlack teve liberdade para cruzar da direita; Ciss, para cabecear e marcar o (seu) segundo. Aos 43', após falta, a bola ficou com os auriverdes, e Harries ampliou: 3 a 1. E com apenas alguns segundos de etapa final, a bola foi cruzada para Sambou, também sozinho, cabecear para o 4 a 1 do Fortuna. O Feyenoord se recompôs com o segundo gol - Berghuis, aos 66', aproveitando rebote. Quase marcou aos 81', quando Luis Sinisterra cabeceou na trave. Mas o Fortuna Sittard comemorou a primeira vitória na Eredivisie. E que vitória...



PSV 4x1 VVV-Venlo (domingo, 6 de outubro)

O VVV-Venlo até assustou no comeo: aos 8', Tobias Pachonik cruzou para a área, Haji Wright completou, e o goleiro Robbin Ruiter (substituto do lesionado Jeroen Zoet) rebateu. Mas o PSV logo ficou com a posse de bola - 80% no primeiro tempo! -, e começou a criar chances. Aos 17', após tabelar com Donyell Malen, Michal Sadílek bateu, e o arqueiro Thorsten Kirschbaum espalmou. E aos 34', houve uma sequência de chances: primeiro Ritsu Doan, depois Esteban Gutiérrez. Na etapa complementar, os Boeren continuaram pressionando. Até que, aos 61', num contra-ataque, veio o alívio: Denzel Dumfries lançou, Steven Bergwijn dominou a bola na área, driblou duas vezes o zagueiro Steffen Schäfer, tocou cruzado para o 1 a 0 (e homenageou Mohamed Ihattaren, ausente pela morte do pai). Aos 65', Bergwijn "retribuiu": cruzou para Dumfries fazer o segundo, de cabeça. E aos 70', veio o esperado gol de Malen, completando passe de Cody Gakpo para marcar seu nono gol nesta Eredivisie. O VVV até conseguiu seu gol, num bonito voleio de Pachonik, aos 73'. Mas a ampla superioridade dos mandantes de Eindhoven foi confirmada aos 86': Gakpo passou, Malen chutou, gol.



Willem II 1x1 AZ (domingo, 6 de outubro)

O AZ começou melhor fora de casa, terceiro colocado da Eredivisie que é. Teve uma boa chance com Dani de Wit, aos 17'. E logo fez 1 a 0 aos 22': Dries Saddiki derrubou Myron Boadu na área, o juiz marcou o pênalti, e Teun Koopmeiners cobrou com a precisão habitual. Parecia que tudo daria certo para os visitantes de Alkmaar. Só que o Willem II mostrou que não seria bem assim: aos 31', Marios Vrousai lançou em profundidade, e Mats Köhlert finalizou para fazer 1 a 1, vazando a meta do goleiro Marco Bizot após 388 minutos. E os Tricolores pressionaram ainda mais em busca da virada, no segundo tempo: o atacante Mike Trésor Ndayishimiye saiu do banco para o jogo, e a meta de Bizot foi pressionada. Foi bola na trave do próprio Ndayishimiye (63'), era chute de Vangelis Pavlidis bloqueado (64')... e finalmente, aos 86', Owen Wijndal cometeu pênalti. Era a hora da virada dos Tilburgers. Mas Pavlidis perdeu o pênalti. E o AZ se salvou, embora tenha ficado um pouco mais longe de PSV e Ajax - e tenha perdido Boadu, expulso por um empurrão nos acréscimos.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Maturidade

Van de Beek retrata o alívio do Ajax: o time de Amsterdã mostrou que também vence bem "sabendo sofrer" (Twitter)

O estereótipo - geralmente baseado em fatos repetidos com certa frequência - diz que o Ajax só sabe jogar ofensivamente. Que só sabe e gosta de vencer de uma maneira: impondo seu estilo sobre o do adversário, trocando passes, pressionando a marcação adversária desde o começo. Pois bem: nesta quarta-feira, o time de Amsterdã deu saudável prova de maturidade, neste sentido. Porque nem precisou dominar o Valencia, em pleno Mestalla. Sofreu até demais. E ainda assim, foi eficiente para chegar ao 3 a 0 que o deixa em boa situação para os jogos contra o Chelsea, em Amsterdã e Londres, que decidirão seu destino na Liga dos Campeões.

A rigor, até que demorou para o Ajax sofrer na cidade de Valência. Porque qualquer pressão que o time da casa pudesse exercer foi resfriada pelo tremendo gol de Hakim Ziyech, outra vez mostrando sua grande habilidade: só ela permitiu que o marroquino chutasse de longe, acertando o ângulo direito para fazer 1 a 0 já aos oito minutos de jogo - com falha de posicionamento do adiantado Jasper Cillessen, é verdade.

Todavia, após o impacto do gol, o Valencia se recompôs. E começou a melhorar. Principalmente pelas laterais: tanto Sergiño Dest quanto Nicolás Tagliafico deram muito espaço. Sem os recuos de Ziyech e Quincy Promes para ajudar, os Ches começaram a trazer perigo pelos lados, com Gonçalo Guedes, Ferrán Torres e Rodrigo Moreno. Volta e meia, o Valencia tinha mais gente nos contragolpes, passando com facilidade por Lisandro Martínez e Edson Álvarez. Forçados a trabalhar, os defensores do Ajax começavam a levar cartões amarelos - como Joël Veltman. E veio a chance que poderia virar o jogo, quando Álvarez cometeu pênalti sobre Jaume Costa, aos 23'.

Só que ela não virou o jogo, porque Dani Parejo cobrou pessimamente, mandando a bola muito acima do gol de André Onana. Ainda assim, o Valencia seguiu tentando. Quase fez com Maxi Gómez, aos 33'. Porém, Onana novamente apareceu com destaque. E na chance seguinte, o Ajax mostrou seu lado eficiente, pouco visto nos últimos tempos: praticamente na segunda vez que teve a bola no ataque, o time de Amsterdã fez 2 a 0 - de Dusan Tadic para Donny van de Beek, deste para Promes, de Promes para o gol. O espaço dado pelo miolo de zaga do Valencia era aproveitado da melhor maneira possível para os Ajacieden.

Ferrán Torres (à direita) foi quem mais trouxe perigo, vindo do Valencia - que até fez por merecer melhor sorte (AFP)
Só que o time visitante sabia, por causa de uma lição duramente aprendida nas semifinais da Liga dos Campeões passada, que uma vantagem de dois gols nada significava. O Valencia continuava melhor, com mais posse de bola, rondando mais a área de ataque. Terminou assim o primeiro tempo, com bola na trave de Rodrigo Moreno aos 38', e começou assim o segundo. A bem da verdade, só não empatou nos primeiros minutos da etapa complementar porque Onana fez duas defesas incríveis em sequência - aos 47', num bate-pronto de Ferrán Torres, e aos 49', num cruzamento em que a bola bateu em Rodrigo, resvalou em Daley Blind e forçou o goleiro camaronês a se esticar todo.

Chances para o Ajax, nisso tudo? Só um chute de Ziyech (mais um!) na trave, aos 42'. Se quisesse manter sua vantagem inalterada, era bom que o time holandês tentasse manter a bola no ataque, segurasse mais a jogada. Foi o que aconteceu, com o decorrer do segundo tempo. Van de Beek, Promes, Ziyech e Tadic começaram a controlar o jogo. As jogadas começaram a sair. E veio, enfim, o terceiro gol tranquilizador, aos 67', em uma parceria já vista algumas vezes: Tadic deixou Van de Beek livre, o camisa 6 completou, gol.

Aí, sim, o Ajax pôde se dar ao luxo do preciosismo que às vezes mostra - foi assim logo após o 3 a 0, quando Van de Beek perdeu boa chance do quarto gol, aos 70'. Tudo bem: a vitória já estava praticamente garantida, deixando a equipe de Amsterdã na liderança do grupo H da Liga dos Campeões, com seis pontos. Se a vitória contra o Lille mostrara o Ajax ofensivo de sempre, nesta quarta a equipe deixou uma saudável impressão: aprendeu a também vencer só com eficiência, sem brilho. Numa só palavra: mostrou maturidade. Ela valerá contra o Chelsea.

Liga dos Campeões - fase de grupos

Valencia 0x3 Ajax

Local: Mestalla (Valência)
Data: 2 de outubro de 2019
Árbitro: Daniele Orsato (Itália)
Gols: Hakim Ziyech, aos 8', Quincy Promes, aos 34', e Donny van de Beek, aos 67'

Valencia
Jasper Cillessen; Daniel Wass, Ezequiel Garay, Gabriel Paulista e Jaume Costa; Francis Coquelin (Thierry Correia), Dani Parejo, Ferrán Torres (Denis Cheryshev) e Gonçalo Guedes; Rodrigo Moreno e Maxi Gómez (Lee Kang-in). Técnico: Albert Celades

Ajax
André Onana; Sergiño Dest, Joël Veltman, Daley Blind e Nicolás Tagliafico; Edson Álvarez e Lisandro Martínez; Quincy Promes (David Neres), Donny van de Beek (Siem de Jong) e Hakim Ziyech (Klaas-Jan Huntelaar); Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag