quarta-feira, 29 de abril de 2020

Pieters Graafland, o melhor antes do melhor

Pieters Graafland foi o grande goleiro da Holanda entre as décadas de 1950 e 1960 (Arquivo ANP)

Certo, quando se fala em goleiros vindos da Holanda, o nome considerado melhor deles é Edwin van der Sar - e é uma escolha justificada. O que não quer dizer que nenhum outro arqueiro dos Países Baixos tenha sido marcante antes do atual diretor geral do Ajax. Vários nomes podem ser citados. Nos anos 1990, Ed de Goey; nos anos 1980, Hans van Breukelen; nos anos 1970, Piet Schrijvers, Jan van Beveren e até mesmo o discutível Jan Jongbloed... e um dos principais guarda-metas da história holandesa pré-Van der Sar, em clubes e seleções, faleceu nesta terça-feira, aos 86 anos: Eddy Pieters Graafland, o grande arqueiro da Holanda entre os anos 1950 e 1960.

A carreira de "Eddy PG", como ficou mais conhecido ao longo dos 20 anos de carreira, tinha tudo para ser extremamente ligada ao Ajax. Afinal, ele nasceu em Amsterdã, em 5 de janeiro de 1934, e já aos 11 anos de idade era sócio do clube - a idade mínima era 12 anos, é verdade, mas o pai possibilitou a "exceção", membro da direção Ajacied que era. Bastou: lá Pieters Graafland foi jogando, nas categorias de base. E lá chegou ao time principal, em 1950, jogando - e paralelamente desenvolvendo uma carreira na área audiovisual (o futebol na Holanda era amador até 1956).

Alto, Pieters Graafland foi ganhando carisma, ganhando espaço no time do Ajax... e viveu seu primeiro auge em 1957. Não só por ser titular absoluto do primeiro título holandês do clube de Amsterdã em dez anos, mas também por ter imposto no gol sua firmeza, sua calma, sua capacidade de defender pênaltis (sempre andava com um caderninho, trazendo batedores potenciais dos adversários e o canto em que preferiam bater). A ponto de também ganhar sua primeira chance na seleção holandesa, estreando num amistoso contra a Bélgica, em 28 de abril, naquele ano.

Na Laranja, o goleiro ainda demorou um pouco para assumir a titularidade, se alternando em seus primeiros anos de seleção com o veterano Frans de Munck. Mas em clubes, Pieters Graafland já provara seu valor. Valor tão grande que proporcionou uma das transferências mais faladas da história do futebol holandês, em 1958. Afinal de contas, mudar de Ajax para Feyenoord sempre será algo polêmico, em qualquer década. Será ainda mais falado se se trata da transferência mais cara da história do país. Foi exatamente o que aconteceu com Pieters Graafland: por 134 mil florins, maior quantia já gasta até então dentro do futebol holandês, o goleiro rumou do Ajax ao arquirrival Feyenoord, sem escalas.

Nos pênaltis ou na bola alta, Pieters Graafland (pulando à esquerda) foi soberano na meta do Feyenoord e da Laranja na década de 1960 (Arquivo ANP)

Se fracassasse, poderia ter sido o fim. Como o próprio Pieters Graafland celebrou, "foi só o começo: quando fui para lá, só tive momentos bons". Porque a virada de década - e os anos 1960 - marcaram sua melhor fase. No Feyenoord, foram quatro títulos holandeses (1960/61, 1961/62, 1964/65 e 1968/69) e duas Copas da Holanda (1964/65 e 1968/69 - configurando duas duplas coroas para o Stadionclub). Mais do que isso: sem Frans de Munck para disputar posição, "Eddy PG" assumiu de vez a titularidade do gol na seleção da Holanda. Em tempos nos quais a seleção ainda era de segundo escalão, esteve em momentos sofridos - como a queda para Luxemburgo, nas eliminatórias da Euro 1964. Ainda assim, Pieters Graafland era um dos titulares absolutos da Laranja naquela década, entre 1960 e 1966.

E mantinha boa dose de seu respeito, dentro e fora de campo. Aliás, um lado até influenciava o outro. Em 1962, o seu fã-clube oficial decidiu iniciar uma votação sobre qual havia sido o melhor jogador do Campeonato Holandês na temporada 1962/63. Outro nome foi o mais votado - o meio-campista Reinier Kreijermaat, colega de Pieters Graafland no Feyenoord -, mas a semente foi colocada ali. A partir de 1966, a emissora de tevê NOS e a revista Revu assumiram o comando da votação. E a eleição organizada pelo fã-clube do goleiro deu origem à premiação ao melhor jogador da temporada da Eredivisie. Por sinal, já aos 33 anos, em 1967, Pieters Graafland foi o primeiro goleiro a ser escolhido o melhor do Holandês - recebendo seu troféu ao lado de um novato Johan Cruyff, eleito a revelação daquela temporada, aos 20 anos.

O melhor jogador da Eredivisie em 1966/67 não foi Cruyff (à esquerda), foi Pieters Graafland (Arquivo ANP)

O tempo passou, e naturalmente Graafland foi decaindo. Parou com a seleção em 1967, após 47 jogos, abrindo espaço para a geração de Jan van Beveren, Piet Schrijvers e "Pim" Doesburg. No Feyenoord, a partir de 1968, foi cedendo a titularidade progressivamente a outro Eddy, o Treijtel (que seria terceiro goleiro da Holanda na Copa de 1974). Ainda assim, sua experiência era inquestionável e valiosa. A tal ponto que, quando o Feyenoord chegou à final da Copa dos Campeões em 1969/70, para enfrentar o Celtic, o técnico austríaco Ernst Happel nem se importou com a titularidade habitual de Treijtel: perguntou a Pieters Graafland, 36 anos então, se ele se intimidaria ao jogar a decisão. O já veterano pediu umas semanas para pensar, e mesmo com a esposa Teddy receosa, deu a resposta positiva a Happel. Pois bem: Eddy PG entrou, jogou, e na última partida de sua carreira, ajudou o Feyenoord a ser o primeiro clube dos Países Baixos a ser campeão europeu, em 6 de maio de 1970.

Carreira encerrada nos campos, carismático que era, Pieters Graafland seguiu sua vida na área de negócios. De quebra, mostrou um tesouro que colecionara ao largo da carreira de jogador: amante da área audiovisual, com uma câmera portátil, o ex-goleiro filmara eventos esportivos importantes no país ao longo dos anos 1950 e 1960 - parte do arquivo foi doada à televisão holandesa, e exibida em 2003. Além do mais, conseguira o feito de se fazer respeitado tanto no Ajax quanto no Feyenoord. Principalmente em Roterdã, é verdade: os vários títulos lá conquistados o transformaram num ídolo do Stadionclub. E ele sabia disso, como celebrou certa vez: "Quando eu leio agora notícias da época, é que eu me dou conta: vivi tempos de auge, no Feyenoord e na seleção".

Está certo, Edwin van der Sar é quase inquestionável como maior goleiro a ter saído da Holanda. Mas outros fizeram por merecer reconhecimento no país. Eddy Pieters Graafland foi um desses "melhores" antes do melhor.

Eddy Pieters Graafland
Data de nascimento: 5 de janeiro de 1934, em Amsterdã
Morte: 28 de abril de 2020
Clubes: Ajax (1950 a 1958) e Feyenoord (1958 a 1970)
Seleção: 47 jogos e 73 gols sofridos, entre 1957 e 1967

sábado, 25 de abril de 2020

O fim triste e a desordem

O diretor geral Mark Rutte mostrou ar triste desde antes da reunião com os clubes. Simbolizou bem as trapalhadas que encerraram a temporada 2019/20 do futebol nos Países Baixos (ANP)

Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, após o então primeiro-ministro inglês Neville Chamberlain assinar o Pacto de Munique com Adolf Hitler, um acordo de não-agressão mútua, Winston Churchill cunhou as célebres palavras que se tornariam verdade: "Entre a desonra e a guerra, você escolheu a desonra, e terá a guerra". Claro que definir os destinos de um campeonato de futebol é algo muito menos grave (embora em meio a um cenário, sim, grave, como o cenário em que a pandemia do novo coronavírus colocou o planeta). Entretanto, o modo como a federação holandesa resolveu as coisas para a primeira e a segunda divisão na temporada 2019/20 faz crer: entre um fim triste, arrastado, e a desordem, ela escolheu a desordem - e terá um fim triste, o que é bem pior.

E a postura da federação holandesa já era negativa, antes mesmo da reunião desta sexta, em videoconferência com os 36 clubes (18 da Eredivisie, 18 da Eerste Divisie - a segunda divisão). Num pronunciamento na terça passada, o premiê Mark Rutte anunciou que a Holanda ficaria sem eventos públicos, no mínimo, até 1º de setembro. Depois, na quinta, a UEFA flexibilizou sua postura aos países filiados na quinta - quem quisesse, poderia cancelar sua liga sem prejuízo das vagas nas competições continentais ou mesmo ameaças de sanções. E a KNVB partiu para o encontro cibernético já sabendo: viria chumbo grosso. O diretor esportivo Mark Rutte reconheceu, falando à imprensa nesta sexta: "É um dia muito negativo, nunca aconteceu na história do futebol profissional. Não temos regulamentos ou jurisprudências a nos ajudar. Uma coisa é certa: não há solução que vá agradar a todos. Aqui e ali teremos de evitar tristezas e situações dolorosas". 

De fato: num cenário de exceção como o atual, jamais haveria solução que contentasse completamente a todos. Porém, até pelo estatuto da entidade - que prevê a decisão final apenas e tão somente para o Departamento de Futebol Profissional -, esperava-se mais peso da federação. Que, no entanto, preferiu dividir a responsabilidade com os clubes: deixou a eles a opção de votos para as duas decisões necessárias. Nem tanto para a parte de cima na tabela: com a recomendação da UEFA, já se imaginava que as vagas em competições europeias seriam distribuídas em função da posição na tabela quando o campeonato parou. Mas, sim, para a parte de baixo: haveria rebaixamento/promoção?

Era a senha para o desastre: clubes como o Ajax já haviam se colocado a favor do encerramento simples do campeonato (houve até conversa dizendo que o Ajax pensava em deixar a Eredivisie caso ela seguisse). Heerenveen e PSV, pela vez deles, nem queriam muita discussão - Cees Roozemond, diretor geral do clube da Frísia, disse que "não podia definir o destino de um co-irmão", enquanto Toon Gerbrands, diretor-geral dos Eindhovenaren, disse que "sequer votou". Já os diretamente interessados - Utrecht, Willem II em cima; Fortuna Sittard, ADO Den Haag e RKC Waalwijk abaixo - queriam saber quais seus destinos.

Numa votação já desorganizada (a caixa de mensagens de um dirigente estava lotada, atrasando o processo), o resultado foi: 16 clubes querendo o rebaixamento/acesso, 9 em neutralidade e 9 contrários às quedas/promoções. Aí veio a pior decisão: arbitrariamente, a federação holandesa colocou neutros e contrários no mesmo balaio. 18 a 16: nada de rebaixamento, nada de acesso, nada de campeões na Eredivisie e na segunda divisão da temporada 2019/20.

Sim, torcedores do Willem II foram às ruas para festejarem a vaga na Liga Europa (Jan van Eijndhoven)

Claro, bastou para o começo das revoltas. Principalmente do Utrecht, o grande prejudicado: estava perto de uma disputa por vaga na Liga Europa (fosse pela final da Copa da Holanda em que enfrentaria o Feyenoord, fosse pelos play-offs), e viu as duas vagas caírem no colo de Feyenoord e Willem II. Torcedores dos Utregs queimaram camisas da seleção, em represália contra a KNVB; o presidente Frans van Seumeren anunciou em nota que o clube vai à Justiça e à UEFA querendo mudar o rumo das coisas (e segundo advogados, com certa chance de sucesso). O AZ, mesmo na Liga dos Campeões - segundo colocado que era -, também se disse desapontado com uma resolução que, indiretamente, privilegiou o Ajax. Mesmo o Feyenoord, na Liga Europa, sequer comemorou: "Ainda é cedo demais, e nada está decidido", se acautelou o diretor Mark Koevermans. Só o Willem II comemorou a vaga na Liga Europa: alguns torcedores até ousaram ir às ruas em Tilburg, dentro dos carros, para festejarem a reaparição dos Tricolores num torneio europeu, a primeira desde 2005/06.

Na parte de baixo da tabela, a mesma coisa: alívio nos "salvos" ADO Den Haag e RKC Waalwijk, ira no Cambuur, líder da segunda divisão - o técnico Henk de Jong falou na "maior vergonha da história do esporte holandês". E o Ajax, que "terminou" líder pelo saldo de gols, saiu pela tangente: o diretor geral Edwin van der Sar mordeu e assoprou com um "é chato terminar assim, mas é compreensível".

Talvez, o melhor resumo de tudo que se viu tenha vindo da boca de Adriaan Visser, o presidente do Zwolle - 15º colocado, o primeiro salvo na Eredivisie, com ou sem interrupção: "Ainda bem que nosso clube estava fora do circo". Um circo montado pela incompetência da KNVB, a federação holandesa. Que escolheu a desordem, sem considerar possibilidades de encerramento em campo (ainda que fragilizadas pela incerteza da pandemia) - e teve um fim triste e forçado para a temporada 2019/20.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Um jogo, um parágrafo, um vídeo: a 26ª rodada da Eredivisie

Fortuna Sittard 1x1 Zwolle (sexta-feira, 6 de março)

Num jogo entre dois times tentando escapar da repescagem de acesso/descenso, se fosse pelo primeiro tempo em Sittard, o Zwolle poderia ter saído com uma grande vantagem: os "Dedos Azuis" visitantes tiveram boas chances com Vito van Crooij (aos 7', tocou a bola por cima do gol), Gustavo Hamer (aos 26', cobrança de falta forte) e Mike van Duinen (aos 40', chegou livre à área, mas finalizou em cima do goleiro Alexei Koselev). Após ouvir vaias na saída para o intervalo, o Fortuna Sittard é que melhorou, sendo mais ofensivo e rápido na partida. E desta vez, o time auriverde teve a recompensa: aos 71', Mark Diemers bateu, o goleiro Michael Zetterer deixou a bola escapar, e George Cox fez o 1 a 0 do Fortuna na sobra. Parecia o gol da vitória, mas de novo, os Zwollenaren foram buscar no final, graças a um pênalti tolo. Aos 90', num bate-rebate na área, Clement foi empurrado por Tesfaldet Tekie. O juiz ouviu o VAR, reviu o lance, marcou o pênalti, e Lennart Thy converteu: 1 a 1. O Zwolle saiu com um ponto valioso para seguir na Eredivisie.



AZ 4x0 ADO Den Haag (sábado, 7 de março)

Simpatia do AZ com o Den Haag, só no ato de ceder ingressos de graça à torcida visitante de Haia, retribuindo o fato do clube ter cedido o seu estádio, enquanto o AFAS Stadion de Alkmaar estava fechado. Porque qualquer esperança de surpresa do time auriverde acabou logo aos 13', quando Laurens de Bock agarrou Dani de Wit na área: pênalti, e o resultado foi o previsível quando Teun Koopmeiners cobra - bola na rede, AZ 1 a 0. Mais seis minutos, e já vinha o 2 a 0 dos Alkmaarders, com Owen Wijndal batendo forte, no alto, à queima-roupa, sem ângulo, para seu primeiro gol pelo clube. O time da casa fazia o que queria do adversário: quase 80% de posse de bola, chances de ampliar (como Oussama Idrissi, aos 40', ou já na etapa final, com Tom Beugelsdijk freando o chute de Myron Boadu na hora certa). Mas no final, a vitória virou a goleada que o AZ merecia. Aos 84': Koopmeiners cobrou falta perfeita para o 3 a 0; e aos 89', Ferdy Druijf aproveitou rebote do goleiro Luuk Koopmans para fechar o placar. Empatado em pontos com o Ajax, segue o sonho do AZ.



Vitesse 1x0 Twente (sábado, 7 de março)

Durante algum tempo, o jogo em Arnhem foi bastante equilibrado nas chances de gol. Do lado do Vitesse, aos 9', Nouha Dicko cabeceou na trave. Depois, aos 13', o Twente atacou - Noa Lang chutou bonito, também na trave, e o goleiro Remko Pasveer evitou o gol no rebote. Já nas lesões, o Vitesse levou azar: Riechedly Bazoer (de novo titular) teve de dar lugar a Jay-Roy Grot logo aos 32', e num choque de cabeças com Giovanni Troupée, Patrick Vroegh levou a pior, sendo substituído por Yassin Oukili só quatro minutos depois. E o Twente seguia ameaçando - no primeiro tempo, com Haris Vuckic perdendo chance no último minuto, e no segundo, aos 57', com Noa Lang concluindo fraco. Mas num jogo equilibrado, quem pudesse definir precisava aparecer. E Grot apareceu: aos 70', o atacante vindo fez toda a jogada - o Twente reclamou de falta dele em Peet Bijen - e terminou com um belo chute, fazendo o 1 a 0 da vitória do Vitesse, seguro na zona da repescagem da Liga Europa. Já o Twente teme: três derrotas seguidas, só um ponto acima da repescagem de acesso/descenso.



Emmen 3x0 VVV-Venlo (sábado, 7 de março)

Mesmo que o VVV-Venlo viesse de oito partidas sem perder e até tivesse uma chance - Christian Kum bateu, aos 18', fraco -, o Emmen impunha o domínio habitual em seu estádio. Nem mesmo a saída precoce de Michael de Leeuw, aos 22', por lesão, afetou os Emmenaren. Que já podiam ter abert o placar aos 29', quando Michael Chacón fez o goleiro Thorsten Kirschbaum, do VVV, trabalhar bem. Na etapa final, porém, o Emmen afinal conseguiu os gols. O primeiro, aos 49', foi bonito: em jogada individual, Nikolai Laursen se girou e finalizou colocado. Aos 57', Sergio Peña fez toda a jogada, e cruzou para Marko Kolar completar rumo ao 2 a 0. Já na reta final do jogo, aos 74', Laursen marcou o terceiro, completando cruzamento de Lorenzo Burnet. O de sempre: mais uma vitória em casa, na notável campanha que o Emmen faz em seu De Oude Meerdijk. 



Heerenveen 1x3 Ajax (sábado, 7 de março)

Diante da crise deflagrada, a vitória se tornava indispensável para o Ajax - com o estreante Jurriën Timber na zaga. E ela correu riscos, porque o Heerenveen rondou mais o gol no começo. Começou aos 13' (falta de Hicham Faik, na rede pelo lado de fora) e continuiu aos 20' (jogada individual de Chidera Ejuke, concluída com chute que André Onana espalmou). Os Ajacieden até cresceram aos 33' (Quincy Promes bateu, e o goleiro Filip Bednarek pegou) e aos 37' (Bednarek pegou duas em sequência: um chute de Dusan Tadic e um cabeceio de Lassina Traoré). Mas na sequência, Ejuke finalizou em diagonal, e Onana evitou o gol com o calcanhar. E aos 45', Alen Halilovic perdeu gol incrível, dominando cruzamento de Ejuke com a canela, com o gol vazio, na pequena área. Ainda assim, momentos como a discussão rápida e dura entre Sergiño Dest e Tadic demonstravam a tensão no Ajax. Tensão que seguia na etapa final: se Traoré quase fez aos 54', Joey Veerman mandou a bola na trave para o Heerenveen, aos 56'. Mas aí, Tadic foi ao resgate. No minuto seguinte, o sérvio fez 1 a 0, tocando na saída de Bednarek após falha de Faik na área; e aos 60', em escanteio cobrado, Nicolás Tagliafico escorou e Tadic fez 2 a 0. E aos 63', Traoré tentou finalizar, foi impedido por Bednarek, mas ainda tocou para Promes marcar o terceiro gol. O Ajax se aliviava: nem mesmo o belo gol de Mitchell van Bergen (chute colocado aos 67') impediria a vitória e a manutenção da liderança.



Utrecht 5x1 Sparta Rotterdam (domingo, 8 de março)

Certo, a irritação da torcida com a derrota do Utrecht para o lanterna RKC Waalwijk, na rodada passada, já fora bem diminuída com a vitória sobre o Ajax e a vaga na final da Copa da Holanda. Ainda assim, os Utregs deviam uma boa atuação contra o Sparta. E ela demorou. O primeiro gol, por exemplo, só veio no fim do primeiro tempo: aos 42', Sean Klaiber cruzou, e Bart Ramselaar dominou para o chute forte que estufou as redes. Contudo, o que parecia ser uma vitória suada logo virou uma goleada no segundo tempo. Aos 50', Adrián Dalmau se consagrou: enfim titular de novo, após sofrer com lesões, o espanhol fez 2 a 0. Mais um minuto, e o Utrecht já tinha 3 a 0: Simon Gustafson marcou, aproveitando passe de Leon Guwara e falha da defesa do Sparta. E aos 59', a parceria Klaiber-Ramselaar rendeu mais um gol: o ala direito cruzou, o meio-campista fez 4 a 0 de cabeça. Coube a Klaiber, ainda, o gol mais bonito do jogo - aos 72', um chute de fora da área. No fim, o Utrecht ainda teve um gol de Kristoffer Peterson anulado por impedimento, aos 80' - e de quebra, Joël Piroe fez o gol de honra do Sparta, aos 89'. Tudo bem: a ameaça de crise é passado no Utrecht.



Feyenoord 2x0 Willem II (domingo, 8 de março)

Até que o Willem II começou o jogo encurtando os espaços do Feyenoord em De Kuip - e tentando coisas como um chute cruzado de Vangelis Pavlidis, aos 7' (Justin Bijlow pegou, após desvio). Mas aos poucos, os espaços apareceram para os Feyenoorders. Já aos 17', após cruzamento de Rick Karsdorp, Ridgeciano Haps chutou na diagonal, sem muito rumo. Já Róbert Bozeník assustou mais aos 23': arriscou da esquerda, quase sem ângulo, para fora. Até que Jens Toornstra fez 1 a 0 bonito, aos 30': um cruzamento de Tyrell Malacia, e o meio-campista finalizou de primeira, se antecipando. Mais cinco minutos, Dries Saddiki interceptou a bola com a mão, o juiz Pol van Boekel marcou pênalti, e Steven Berghuis cobrou perfeitamente para seu 15º gol no campeonato. Com a vantagem segura no placar, o Feyenoord diminuiu o ritmo na etapa final. Serviu para o Willem II crescer um pouco no começo dela - Pavlidis cruzou perigosamente aos 47' (Bijlow pegou), e aos 63', numa jogada individual, Mats Köhlert passou a Mike Trésor Ndayishimiye, que completou na rede pelo lado de fora. Mas ficou nisso: o Feyenoord reagiu, e a vitória poderia ter sido maior - Bozeník perdeu cruzamento na pequena área aos 77', e Luciano Narsingh desperdiçou duas chances valiosas (aos 83', mandou a bola rente à trave, e aos 89', completou em cima do goleiro Timon Wellenreuther). Mas o triunfo estava garantido. Já são 13 jogos sem o Feyenoord perder na liga. Onde vai parar a reação?



Heracles Almelo 4x2 RKC Waalwijk (domingo, 8 de março)

O primeiro tempo em Almelo foi uma montanha-russa. O Heracles teve grande chance com um pênalti, aos 5' (Delano Burgzorg derrubou Jurriën Gaari), mas o goleador Cyriel Dessers mandou a cobrança na trave. Já o RKC, quando teve o seu pênalti (aos 14', mão de Dario van den Buijs na bola), aproveitou: Clint Leemans fez 1 a 0. Os Católicos de Waalwijk haviam vencido os Heraclieden no primeiro turno, e o sonho aumentou mais: enquanto Mauro Júnior perdeu grande chance aos 19', os visitantes fizeram 2 a 0 aos 28', com Anas Tahiri. Porém, o sonho também virou cinzas em questão de minutos. Van den Buijs diminuiu para 2 a 1 logo aos 30', de cabeça, e Silvester van der Water aproveitou falha do zagueiro Hannes Delcroix para empatar aos 34'. E bastou: na etapa final, o bom ataque do Heracles definiu a parada nos contra-ataques. Aos 52', Mauro Júnior passou, Dessers fez o corta-luz, e Van der Water virou o placar. Burgzorg perdeu chance incrível aos 60' (na pequena área, com gol vazio, chutou no travessão), mas consertou com o gol que confirmou a vitória, aos 66'.



Groningen 0x1 PSV (domingo, 8 de março)

O Groningen mostrou alguma capacidade ofensiva aos 7': em cobrança de escanteio, Ko Itakura completou, e Denzel Dumfries evitou o gol na pequena área. Logo depois, em falta na esquerda, Mohamed El Hankouri cobrou, para o goleiro Lars Unnerstall rebater. Aí, o PSV se impôs decisivamente. Aos 15', Ricardo Rodríguez (outra boa atuação) bateu de fora da área, e o arqueiro Sergio Padt espalmou para escanteio. E no minuto seguinte, o gol dos visitantes de Eindhoven: Jorrit Hendrix lançou, e Denzel Dumfries dominou e chutou na diagonal para fazer seu sétimo gol na Eredivisie. Invejável, e quase ficou mais ainda aos 25': em falta cobrada para área, com falha da defesa, Dumfries finalizou na pequena área, e Mike te Wierik evitou o gol. O Groningen só voltou a dar sinal de vida no segundo tempo, a partir dos 48', quando El Hankouri cabeceou para fora (a torcida pediu pênalti, não dado). Na reta final, cansado, Ricardo Rodríguez pediu para sair. Foi a senha para a pressão final dos Groningers em busca do empate em casa. Aí, Unnerstall mostrou por quê virou titular do PSV: foram pelo menos três ótimas defesas do alemão (aos 72', num chute colocado de El Hankouri; aos 74', quando Ajdin Hrustic bateu de fora da área, após passe de Deyovaisio Zeefuik; e aos 80', em tentativa de Ahmed El Messaoudi, com a bola ainda quicando no gramado). E o PSV saiu de Groningen com a vitória que mantém suas minúsculas chances de título.

terça-feira, 3 de março de 2020

Para experimentar... e ganhar

O ar do quarteto Roord-Van de Sanden-Spitse-Van de Donk deixa claro: ganhar é importante, mas o torneio amistoso é encarado tranquilamente para a Holanda. Intenção maior é experimentar algumas novas caras (AFP)

A impressão agradável que a seleção feminina da Holanda deixou na Copa do Mundo, ano passado, faz com que seja grande a expectativa sobre o que as Leoas Laranjas podem fazer no torneio amistoso da França, iniciado nesta quarta - com a estreia laranja contra o Brasil, em Valenciennes, às 15h de Brasília. Expectativa talvez maior do que os objetivos claros para o quadrangular com Brasil, Canadá e França. Claro, ganhá-lo será bom, será uma mostra de que a equipe continua confiável. No entanto, um objetivo tão importante quanto as vitórias serão as experiências feitas com vistas aos jogos contra Kosovo e Estônia, em abril, pelas Eliminatórias da Euro 2021, e para o próprio torneio olímpico.

Foi exatamente o que a treinadora Sarina Wiegman comentou à emissora NOS, na segunda-feira de apresentação das 24 convocadas antes da viagem à França: "É uma ótima chance para desenvolvermos o time, tentarmos coisas". E foi exatamente com essas intenções que ela convocou quatro jogadoras pouco habituais nas convocações. O quadrangular na França será a oportunidade para que possam despontar a zagueira Lynn Wilms, do Twente; a lateral Aniek Nouwen, do PSV; e as atacantes Ashleigh Weerden, também do Twente, e Joëlle Smits, do PSV.

Por sinal, Nouwen é a primeira tentativa de Sarina para resolver um problema inexistente durante a Copa: quem será a lateral direita das Leoas Laranjas em Tóquio? Afinal, Van Lunteren, a titular no vice-campeonato mundial, deixou a seleção no fim do ano passado, preferindo se focar somente no Ajax. Sua reserva imediata, Liza van der Most, estava pronta para ocupar a posição, mas uma séria lesão no joelho tirou Van der Most da temporada - e muito provavelmente, dos Jogos Olímpicos. À NOS, Wiegman reconheceu: "É um desafio. É tentar mexer aqui e ali, até as coisas darem certo de novo". Assim como também reconheceu que "não esperava" ver a goleira e capitã Sari van Veenendaal, de atuações estupendas na Copa, na reserva do Atlético de Madrid.

Após a lesão renitente no pé, Lieke Martens está otimista (BSR Agency)

Se umas foram, outras voltaram. E outras importantes. Enfim recuperada dos problemas no joelho após cirurgia, Stefanie van der Gragt retornou às convocações - e imediatamente deverá voltar ao miolo de zaga, para a parceria com Anouk Dekker. E retornando bem ao Barcelona após a cirurgia no pé que tanto a atrapalhou durante a Copa, Lieke Martens já mostrou nas palavras o quanto está entusiasmada para voltar a jogar vestindo laranja: "Estou com muita vontade. É muito bom ver as meninas de novo". Falando ao jornal De Telegraaf nesta terça, Martens se lembrou dos problemas que o dedo do pé operado lhe causava: "Foi um período duro, eu sentia dores em todo jogo. Mesmo quando andava normalmente pela cidade, sentia um incômodo. Estou feliz que tenha acabado. Eu me sinto bem, já joguei partidas: no começo vinha do banco, e agora estou começando como titular". Começando bem, vale lembrar: foram dois gols pelo Barcelona, nas últimas semanas do Campeonato Espanhol feminino.

E entre preocupações e confianças (Vivianne Miedema, titularíssima no ataque, já tem 14 gols em 12 jogos pelo Arsenal, na Women Super League inglesa), a seleção feminina da Holanda está confiante e tranquila. Mesmo a ameaça do coronavírus, preocupando a Europa, é monitorada com calma, como Sarina Wiegman comentou: "Ouvimos conselhos do RIVM (instituto de saúde pública) e do comitê olímpico holandês. Recebemos a recomendação de evitarmos abraços, talvez até recusar presentinhos como bichos de pelúcia. E se alguém se sentir mal, terá imediatamente um quarto isolado".

Assim, o torneio amistoso é encarado de modo até feliz, numa França que tão boas lembranças deixou às Leoas Laranjas em 2019. Sarina Wiegman celebra: "Jogaremos contra seleções que também estarão nos Jogos Olímpicos. E se perdermos, não haverá consequências". Exatamente por isso, a treinadora deu a certeza: "Ganhar é legal, mas quero experimentar acima de tudo". As experiências serão ainda mais aceitas em caso de vitórias...

segunda-feira, 2 de março de 2020

Um jogo, um parágrafo, um vídeo: a 25ª rodada da Eredivisie

Willem II 3x1 Groningen (sexta-feira, 28 de fevereiro)

Impossível esperar alto nível técnico, diante do gramado castigado pela chuva em Tilburg. Mas aos poucos, o Willem II começou a se impor. O primeiro gol já poderia ter vindo aos 18', quando o zagueiro Jordens Peters cabeceou, para o goleiro Sergio Padt salvar o Groningen com boa defesa. Porém, uma falha do próprio Padt ajudou os Tricolores a chegarem ao 1 a 0, aos 27': o tiro de meta foi curto, Bart van Hintum perdeu a bola para Damill Dankerlui, e este cruzou para Ché Nunnely fazer 1 a 0. Mas o protagonista da partida ainda apareceria: Vangelis Pavlidis. Aos 39', ele voltou a marcar na Eredivisie, após 786 minutos, fazendo 2 a 0 após cruzamento de Gorkem Saglam (pela primeira vez, titular no Willem II). Já no segundo tempo, Mats Köhlert fez 3 a 0 após um rápido contra-ataque, aos 64', completando cruzamento de Pavlidis. O Groningen só comemorou o gol de honra de Ahmed El Messaoudi, aos 74'. E o Willem II voltou a vencer, após dois jogos.



ADO Den Haag 0x0 Heracles Almelo (sábado, 29 de fevereiro)

Dois tempos distintos de dois times em momentos também distintos. Na primeira etapa, um Heracles motivado após a vitória sobre o Ajax teve mais possibilidade de passar à frente do placar. Aos 11', Mohammed Osman arriscou chute forte, mas o goleiro Luuk Koopmans pegou; aos 29', Cyriel Dessers quase marcou seu 16º gol no campeonato, mas chutou na rede pelo lado de fora; e aos 44', Delano Burgzorg forçou Koopmans a trabalhar de novo, com seu chute. No segundo tempo, um Den Haag cada vez mais desesperado com o perigo do rebaixamento (a torcida até parou um treino durante a semana), o lado ofensivo só foi despertado com a entrada de Crysencio Summerville. Aos 61', Omar Bogle teve seu gol impedido pela defesa de Janis Blaswich, e o goleiro alemão do Heracles ainda evitou o gol de Lex Immers, defendendo com os pés, aos 68'. Mas o time da casa perdeu um nome nos acréscimos - Shaquille Pinas, expulso -, e o 0 a 0 ficou (muito) pior para o ADO Den Haag, já seis pontos atrás da 16ª posição, a da repescagem. No penúltimo lugar, a queda já parece próxima.



Zwolle 4x3 Vitesse (sábado, 29 de fevereiro)

O começo foi animado. Na primeira chance de gol do time da casa, 1 a 0: aos 6', Mike van Duinen ajeitou, Daan Huiberts passou, e Gustavo Hamer completou com um chute cruzado. O Vitesse respondeu no minuto seguinte, e empatou: Yuta Nakayama falhou ao tentar recuar, e a bola ficou à feição para Tim Matavz fazer 1 a 1. E os visitantes de Arnhem cresceram no jogo: eram chances de Armando Obispo (cabeceio, aos 21') e Matavz (cabeceio aos 30', bem espalmado pelo goleiro Michael Zetterer). A virada merecida veio com um golaço, aos 33': de fora da área, Oussama Tannane mandou a bola ao ângulo direito de Zetterer. Em riscos na liga, o Zwolle foi à frente no segundo tempo: já aos 52', Hamer cobrou falta sinuosa, rebatida no susto. A entrada de Reza Ghoochannejhad aumentou a pressão. Enfim, aos 74', o 2 a 2: Pelle Clement aproveitou sobra e passou a Kenneth Paal, que bateu por baixo de Pasveer. E a partida ficou lá e cá, animadíssima, tendo o clímax no final. Aos 89', cruzamento, a bola bate no braço de Eli Dasa, e o pênalti é para o Zwolle: Reza bate bem, virada, 3 a 2. Decidido? Nada disso: o jogo recomeça, falta perto da área aos 90' + 2, Tannane cobra, e um desvio tira as chances de Zetterer pegar: 3 a 3. Seria um desastre para o Zwolle... mas no escanteio do minuto seguinte, na última chance do jogo, Clement fez 4 a 3, de cabeça. Vitória extasiante dos Zwollenaren, que subiram uma posição na tabela.



VVV-Venlo 0x0 Fortuna Sittard (sábado, 29 de fevereiro)

Num jogo entre dois times tentando fugir do incômodo da zona de repescagem/rebaixamento, era de se esperar maior nervosismo e poucas chances. Foi o que aconteceu em boa parte do primeiro tempo, com o VVV se aproximando do gol apenas numa cobrança de falta de Thomas Bruns, aos 28'. Entretanto, com o fim dos primeiros 45 minutos, o Fortuna Sittard se mexeu mais - e as redes quase foram balançadas nos acréscimos, num cabeceio de Amadou Ciss. Na etapa final, os Venlonaren se assustaram aos 65', quando a bola bateu no braço do zagueiro Christian Kum e o juiz Danny Makkelie parou o jogo - mas Makkelie julgou que não fora pênalti. Seguiu a partida, Oussama Darfalou e Jerome Sinclair criaram chances para os mandantes de Venlo, mas o placar terminou sem gols. Melhor para o VVV-Venlo: bem ou mal, ainda está invicto com o técnico Hans de Koning. O Fortuna Sittard teve o que lamentar: a vitória do Zwolle o empurrou para a posição de repescagem.



Twente 2x3 Heerenveen (sábado, 29 de fevereiro)

O começo frenético de jogo, com chances de parte a parte, teve o Heerenveen premiado com um gol: Alen Halilovic (titular de novo) chutou aos 4', e o goleiro Joël Drommel deu o rebote para Hicham Faik fazer 1 a 0. Bastou para, enfim, os mandantes imporem a superioridade no estádio Abe Lenstra. Mesmo com o Twente ousando aqui e ali, o Fean chegou mais perto do gol - com Chidera Ejuke, por exemplo, fazendo Drommel defender bem aos 45'. Tão logo começou o segundo tempo, a vitória do Heerenveen pareceu se definir. Aos 48', Halilovic lançou, e Ejuke passou pelos dois zagueiros do Twente (Peet Bijen e Julio Pleguezuelo) para concluir e marcar o segundo. Mais sete minutos, e outro rebote de Drommel possibilitou o 3 a 0: Ejuke bateu, o goleiro rebateu, e Joey Veerman marcou. Aos 59', Veerman quase chegou a marcar o quarto. Só que quando era inesperado, o Twente reagiu. Aos 64', Sven Botman empurrou Bijen na área, o juiz Joey Kooij reviu o vídeo e marcou o pênalti que Vuckic conferiu. Aos 72', Lindon Selahi diminuiu mais: 3 a 2. Mas a reação dos Tukkers ficou nisso.




RKC Waalwijk 2x1 Utrecht (domingo, 1º de março)

Após Richard van der Venne arriscar chute para o RKC Waalwijk, aos 11', o Utrecht mandou no primeiro tempo. Gradualmente, os Utregs se aproximaram do gol: Kristoffer Peterson quase fez aos 17', o chute de Sander van de Streek foi afastado em cima da linha aos 22', e finalmente Gyrano Kerk abriu o placar aos 24'. O RKC buscou o empate ainda no primeiro tempo - Sylla Sow, aos 38', em bola que o goleiro Jeroen Zoet tirou com os pés -, mas o domínio dos visitantes diante do lanterna continuou. Até a surpreendente reta final. Aos 69', Sow fez jogada individual, e resolveu com um chute no alto para empatar o jogo. E aos 76', Darren Maatsen foi esperto para virar o jogo: aproveitou desencontro entre o zagueiro Leon Guwara e Zoet para se meter no meio da jogada, tocar e fazer o 2 a 1 da quarta vitória dos Católicos de Waalwijk na temporada da Eredivisie. Mais uma decepção do Utrecht no campeonato, rumo às semifinais da Copa da Holanda, no meio da semana.



PSV 1x1 Feyenoord (domingo, 1º de março)

No primeiro clássico do dia, o embalado Feyenoord logo se impôs: aos 6', Steven Berghuis cobrou falta, e Róbert Bozeník desviou, na rede pelo lado de fora. Mais dois minutos, e numa triangulação, Orkun Kökcü passou, Ridgeciano Haps (no ataque) cruzou, Berghuis completou, e o goleiro Lars Unnerstall agarrou. Os mandantes de Eindhoven só chegaram ao ataque com perigo aos 11': Ricardo Rodríguez cruzou, e Denzel Dumfries cabeceou perto do gol. De resto, o Stadionclub dominava. O destaque Kökcü arriscava: aos 31', chutou para Unnerstall rebater. E aos 33', veio o gol merecido dos visitantes de Roterdã: num escanteio cobrado, Eric Botteghin cabeceou, e a bola encobriu todos até as redes. Apagado na frente, o PSV precisava reagir no clássico. Fez isso logo que o 2º tempo começou: aos 47', Jorrit Hendrix lançou, Ryan Thomas ajeitou, e Cody Gakpo bateu na diagonal, no canto esquerdo, para o 1 a 1. Os Boeren cresceram, com chances de Mohamed Ihattaren (59') e Sam Lammers (bom voleio, aos 66'). Só que o Feyenoord reagiu a partir dos 68': Berghuis bateu cruzado, e Unnerstall rebateu - Haps ainda cruzou. Unnerstall seria ainda mais decisivo aos 71': fez grande defesa, no reflexo, após desvio de Bozeník. O Stadionclub ainda se queixou de pênalti aos 74': Dumfries subiu e sua mão desviou na bola, mas o jogo seguiu, após debate entre o juiz e o VAR. Depois, aos 80', um desvio de Marcos Senesi, de cabeça, para fora, foi a última chance de um clássico equilibrado. E o Feyenoord, bem ou mal, segue com mais esperanças, ainda na sequência invicta.



Sparta Rotterdam 5x1 Emmen (domingo, 1º de março)

Se o Emmen impõe muito respeito em casa, nos jogos fora quase sempre volta derrotado. E a chance disso acontecer em Roterdã aumentou demais logo com o primeiro gol do Sparta, aos quatro minutos: o zagueiro Michael Heylen tentou recuar a bola, errou, e deixou Patrick Joosten livre para fazer 1 a 0. Os Emmenaren insistiram - Luka Adzic até mandou a bola na trave, aos 20', mas os Spartanen encaminharam a vitória em três minutos, depois disso. Aos 29', Mohamed Rayhi fez 2 a 0, com belo gol; e aos 32', Bart Vriends cabeceou para marcar o terceiro gol do time da casa. Que controlou o resto da partida, e nem se assustou muito quando o Emmen diminuiu, com Michael de Leeuw, aos 54'. Até porque, na reta final do jogo, a vitória virou goleada. Aos 81', Miguel Araujo, zagueiro do Emmen, cometeu gol contra, desviando de cabeça após escanteio; e aos 86', Abdou Harroui completou para a maior vitória do Sparta Rotterdam na temporada, aproximando a permanência na Eredivisie.



Ajax 0x2 AZ (domingo, 1º de março)

O Ajax até assustou, aos 2': Quincy Promes (de novo titular) bateu, e Dusan Tadic desviou, mas o goleiro Marco Bizot evitou o gol. Pouco depois, o AZ teve a chance, e aproveitou: aos 4', Daley Blind errou saída de bola, dando-a a Fredrik Midtsjo, que passou para Myron Boadu entrar na área e fazer 1 a 0, com seu 14º gol na Eredivisie. Só restava aos Ajacieden insistirem em buscar o ataque - e quase sempre fracassarem, diante da atuação perfeita da defesa dos Alkmaarders. A única chance digna de nota foi um cabeceio de Tadic, aos 30'. De resto, o AZ até esteve mais perto do gol. Por duas vezes, André Onana salvou os mandantes na Johan Cruyff Arena: aos 22', bloqueando conclusão de Midtsjo após contra-ataque, e aos 45', evitando que Boadu completasse o cruzamento de Calvin Stengs - sem contar chute de Dani de Wit aos 34', para fora. No segundo tempo, seguiu-se a mesma coisa: o Ajax tentando, sem achar espaço, e o AZ sendo perigoso nos contra-ataques. Quase marcou aos 54': Oussama Idrissi driblou Sergiño Dest, bateu, e Onana evitou o gol com os pés. Aos 64', então, a bola até foi às redes, com Idrissi, mas o juiz Serdar Gözübüyük anulou o gol após ouvir o VAR - Boadu tocara com o braço,no começo da jogada. Aí, o Ajax se animou - Bizot trabalhou num chute de Blind, aos 71', e num cabeceio de Tagliafico, aos 73'. No minuto seguinte, porém, o AZ foi novamente eficiente: Idrissi completou lançamento de Teun Koopmeiners, tocando por cobertura, para garantir a vitória que igualou a pontuação à do Ajax. E pôs fogo na disputa do título.