segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Mais presenças. Mais chegadas?

Antes mesmo de qualquer competição europeia começar nesta temporada 2021/22, os Países Baixos já podem ter boas perspectivas. Para começo de conversa, a boa campanha do Ajax na Liga Europa da temporada passada fez com que o país chegasse um pouco mais perto de Portugal, na classificação dos coeficientes europeus - a Holanda está na sétima posição dessa lista. E também porque desde a temporada 2007/08 a nação não tinha tantos clubes em fases de grupos de torneios europeus: todos os cinco neerlandeses disputando competições continentais chegaram às chaves (ainda que sendo eliminados em fases preliminares). Pelo menos no início, é inegável que a presença holandesa aumentou - até pelo início da Conference League, a Liga de Conferências, terceiro torneio de clubes no continente, criado especialmente para satisfazer nações sem tanta frequência nas fases decisivas de Liga dos Campeões, ou mesmo de Liga Europa. 

A partir disso é que vem uma espécie de obrigação. Certo, a Holanda melhorou na lista de coeficientes - até mesmo por agora serem descartados os resultados da temporada 2017/18, quando os clubes do país tiveram péssimos resultados (Ajax eliminado nas fases preliminares de Champions e Europa League, e o PSV também eliminado antes mesmo dos grupos nesta última). Mas se quiser continuar mais perto das cinco ligas mais visíveis da Europa - e mesmo superior a ligas de seu tamanho, como Portugal, Bélgica ou Rússia -, a Holanda não pode contar só com o Ajax, responsável por 87% dos pontos ganhos no coeficiente, nos últimos quatro anos. Até porque os Ajacieden já ficam na fase de grupos da Liga dos Campeões, a joia da coroa, há duas temporadas. A campanha marcante em 2018/19 fica mais e mais para trás, e é preciso que outros clubes façam boas campanhas, além do de Amsterdã.

Pelo menos a princípio, nos grupos que couberam aos times holandeses, parece possível. É ver como eles chegam - para Champions League, Europa League ou Conference League.

Liga dos Campeões

Já são duas temporadas de eliminações na fase de grupos da Liga dos Campeões. O Ajax caiu num grupo em que pode sonhar com a ida às oitavas de final - e será muito cobrado para isso (Reuters)

Ajax (lista de inscritos)

Embora ainda haja ecos saudosos da campanha em que o Ajax impressionou o mundo, indo às semifinais em 2018/19 (e só sendo eliminado praticamente no último lance do jogo de volta), o fato é que os Amsterdammers já têm um time quase totalmente diferente. Já há duas temporadas, são eliminados na fase de grupos - e isso até rendia perigos, com o clube caindo no pote 3 do sorteio dos grupos. Quis a sorte que os Ajacieden caíssem numa chave em que têm chances de classificação: mesmo com o Borussia Dortmund como franco favorito à liderança, há chances de disputa pela segunda vaga nas oitavas de final, com Sporting-POR e Besiktas-TUR. E o Ajax sabe: diante dessas boas possibilidades, a pressão pela classificação será grande. 

Há jogadores remanescentes da campanha de dois anos atrás: Noussair Mazraoui, Daley Blind, Dusan Tadic (mesmo perdendo espaço, Nicolás Tagliafico e David Neres também podem ajudar). Outros nomes experientes voltaram de lá para cá, como Maarten Stekelenburg e Davy Klaassen. O ataque continua forte, com nomes como Steven Berghuis, Sébastien Haller e Antony - tanta variedade que causa até dificuldades ao técnico Erik ten Hag na escalação. Sem contar os nomes vindos da base: Ryan Gravenberch puxa a fila, mas há Devyne Rensch, Jurriën Timber, Kenneth Taylor... ainda assim, o ritmo lento com que o Ajax voltou à temporada (mesmo quando vence no Campeonato Holandês, parece apenas jogar para o gasto) deixa a torcida desconfiada. Não há melhor chance para os Amsterdammers apresentarem suas capacidades do que vencerem o Sporting, fora de casa, logo na estreia, quarta-feira.

Liga Europa

A incompetência (e algumas fragilidades no grupo) impediram o PSV de chegar à fase de grupos na Liga dos Campeões. Será necessária toda a atenção para cumprir expectativas na Liga Europa, num grupo equilibrado (Getty Images)

PSV (lista de inscritos)

Passar facilmente por Galatasaray-TUR e Nordsjaelland-DIN, na segunda e terceira fases preliminares da Liga dos Campeões, ampliou na torcida dos Boeren a esperança de que era possível alcançar os grupos da Champions League. Na decisão da vaga, contra o Benfica, houve qualidades vistas, mesmo na derrota por 2 a 1 no jogo de ida, em Lisboa. Em Eindhoven, com estádio lotado (algo valioso, em tempos de pandemia), a expulsão de Lucas Veríssimo, ainda no primeiro tempo, ampliou a esperança de que era possível. Mas faltou atacante. Faltou aproveitar as chances. E o empate que deu a vaga aos benfiquistas decepcionou um pouco.

Decepção superada. Afinal de contas, o PSV provara que tinha um time capacitado: o bom começo de André Ramalho na zaga, a experiência de Marco van Ginkel e Davy Pröpper, a velocidade de Noni Madueke e Cody Gakpo, a habilidade de Mario Götze. Se faltavam opções de ataque, elas vieram na reta final da janela de transferências, com o empréstimo do brasileiro Carlos Vinícius. Além do mais, nomes que pareciam destinados a vendas, como Bruma ou Ritsu Doan, foram reabilitados no grupo do técnico Roger Schmidt. E há as revelações - Fodé Fofana, atacante, à frente. Como único time a ter quatro vitórias em quatro jogos no Campeonato Holandês, o PSV chega dando a impressão de que pode ir bem na Liga Europa. Precisará comprovar, no equilibrado grupo B em que está: Monaco-FRA e Real Sociedad-ESP têm times de nível parecido. A disputa será dura.

Conference League

O AZ perdeu jogadores importantes. Fracassou ao tentar chegar à Liga Europa. Mas tem boas chances em seu grupo na Conference League (Getty Images)

AZ (lista de inscritos)

Pode um time fragilizado se dizer com sorte? Tendo em vista a situação do AZ, sim. O clube de Alkmaar vive situação de reformulação. Os grandes destaques dos últimos anos se foram: Marco Bizot, Teun Koopmeiners, Myron Boadu, Calvin Stengs. Nos play-offs da Liga Europa, ficou claro que algo faltava à equipe: houve chance de reverter a vantagem do Celtic no jogo de ida, mas mesmo com todo o esforço, os Alkmaarders viram o time escocês levar a vaga na LE em pleno AFAS Stadion. E o início inconstante no Campeonato Holandês indica que o técnico Marcel Jansen terá de gastar algum tempo à procura de uma equipe confiável, que volte a sonhar em desafiar os times grandes na Holanda como andou desafiando, antes e durante a pandemia. Só que o grupo D em que os Alkmaarders caíram na Conference traz adversários acessíveis, que podem ser superados: Cluj-ROM, Randers-DIN, Jablonec-TCH.

Dos destaques, ficaram o lateral esquerdo Owen Wijndal e o atacante Jesper Karlsson. Há nomes conhecidos que também formam uma base já relativamente entrosada: os zagueiros Timo Letschert e Bruno Martins Indi (agora, ficando em definitivo), os meio-campistas Fredrik Midtsjo e Dani de Wit. E o grego Vangelis Pavlidis é um reforço razoável para o ataque. Certo, ainda será necessário algum tempo até que o AZ atinja o seu pleno potencial. Mas tendo capacidade e melhorando em pontos fracos na temporada passada (a falta de pontaria, por exemplo), o time alvirrubro pode buscar a vaga na segunda fase. Mesmo enfraquecido.

Após um rápido susto, o Feyenoord se aprumou para chegar aos grupos da Conference League. Se continuar atento e intenso, pode ir às oitavas de final, num grupo equilibrado (ANP)

Feyenoord (lista de inscritos)

Bastaram as fases preliminares da Conference League acontecerem para a má impressão deixada pelo time de Roterdã na temporada passada se dissipar. Certo, o susto contra o Drita-KOS, enfrentado na segunda fase preliminar, foi grande: empate sem gols na ida, virada para 3 a 2 na volta (com o gol da vitória feito aos 89'). Mas dali para frente, só segurança: o Stadionclub passou com facilidade por Luzern-SUI (terceira fase preliminar) e Elfsborg-SUE (play-offs). Contra o time sueco, inclusive, a superioridade no jogo de ida foi tanta - 5 a 0 em De Kuip - que nem mesmo ser derrotado por 3 a 1 na volta assustou tanto.

O Feyenoord reanimou a torcida não só pelas classificações, mas também pelo estilo veloz no ataque, como se esperava do técnico Arne Slot: a perda de Steven Berghuis foi compensada pela chegada de Alireza Jahanbakhsh, pelo bom começo de Luis Sinisterra na ponta-esquerda, até pela ajuda que Guus Til tem dado nas chegadas vindas do meio-campo. Porém, a derrota recente para o Utrecht (Holandês) lembrou a torcida: o Feyenoord até melhorou, mas seu grupo ainda parece curto demais para as exigências da temporada. Correu-se para resolver isso na janela de transferências, com os empréstimos de Reiss Nelson e Cyriel Dessers para o ataque. Terão de provar seu valor num grupo equilibrado, o E: tanto Union Berlin-ALE quanto Slavia Praga-TCH são equipes capazes de se classificar. Não se pode descartar nem mesmo o Maccabi Haifa-ISR. Se o Feyenoord quer manter a confiança da torcida, superar essa chave será um bom augúrio.

O Vitesse já comemorou só por chegar à fase de grupos da Conference League (Pro Shots)

Vitesse (lista de inscritos)

Se o AZ deu sorte, o Vitesse deu azar. Nem tanto, é claro: só ter chegado aos grupos na Conference League já rende um dinheiro valioso para o clube de Arnhem. O que justificou em partes a comemoração grande do Vites pela vaga. O outro motivo de tanta celebração vista foi a dificuldade encarada desde a terceira fase preliminar. O Dundalk irlandês exigiu bastante, arrancando empate por 2 a 2 em Arnhem - só fora de casa o time aurinegro neerlandês se aliviou, fazendo 2 a 1 e indo decidir vaga na fase de grupos. O adversário era o Anderlecht-BEL, bem mais tradicional. Outra vez, classificação com fortes emoções: na ida, fora de casa, o Vitesse arrancava 3 a 2, mas tomou o empate nos acréscimos. Já na volta, em Arnhem, com a torcida apoiando, um grande dia de Maximilian Wittek (dois gols do ala esquerdo), vitória por 2 a 1 surpreendendo os Mauves, e a ida aos grupos.

Tudo para descobrir que a situação será bem mais difícil do que se pensava. Porque, no grupo G em que caiu, há um favorito destacado: o Tottenham. Mesmo na disputa por outra vaga nas oitavas de final, o Rennes francês parece mais confiável do que o Vitesse. Ainda assim, há jogadores em quem a torcida pode apostar. Ainda que quisessem sair do clube na janela de transferências, tanto Riechedly Bazoer quanto Oussama Tannane ficaram em Arnhem. Nomes como o meio-campo Matus Bero e o atacante Loïs Openda podem ajudar. E alguns reforços já provaram valor, como o goleiro Markus Schubert, substituto de Remko Pasveer, agora no Ajax. Além do mais, na temporada passada, o Vitesse foi elogiado exatamente pela solidez que lhe rendeu ótimos resultados em campo: quarta colocação na Eredivisie, vice-campeonato na Copa da Holanda. Será necessário mais, para tentar outra surpresa e ir além. Menos por demérito do Vitesse do que por causa da sorte...

Fichário: os jogos e os vídeos da 4ª rodada da Eredivisie

Twente 1x0 Utrecht (sábado, 11 de setembro de 2021)

Local: De Grolsch Veste (Enschede)
Árbitro: Serdar Gözübüyük
Gol: Robin Pröpper, aos 90' + 1
Jogo resumido: A partida não chegou a ser acelerada, mas teve alternâncias e chances de gol, de parte a parte. O Utrecht foi mais perigoso no primeiro tempo; o Twente, no segundo. E Robin Pröpper deu o gol da vitória, no fim

TWENTE
Lars Unnerstall; Giovanni Troupée, Robin Pröpper, Mees Hilgers e Michal Sadílek; Ramiz Zerrouki, Michel Vlap (Jesse Bosch, aos 66') e Wout Brama (Caspar Staring, aos 86'); Daan Rots (Julio Pleguezuelo, aos 90' + 7), Ricky van Wolfswinkel (Manfred Ugalde, aos 66') e Dimitris Limnios (Virgil Misidjan, aos 66'). Técnico: Ron Jans

UTRECHT
Maarten Paes; Hidde ter Avest, Mike van der Hoorn, Willem Janssen e Django Warmerdam; Quinten Timber (Mimoun Mahi, aos 57'), Adam Maher e Simon Gustafson; Moussa Sylla, Anastasios Douvikas (Adrián Dalmau, aos 74') e Bart Ramselaar (Sander van de Streek, aos 74'). Técnico: René Hake


Zwolle 0x2 Ajax (sábado, 11 de setembro de 2021)

Local: Mac³Park Stadion (Zwolle)
Árbitro: Jeroen Manschot
Gol: Sébastien Haller, aos 29' e aos 67'
Jogo resumido: Durante o primeiro tempo, o Zwolle até causou alguns problemas ao Ajax, em contra-ataques perigosos. Mas os Ajacieden se valeram da posse de bola e de uma jogada: Steven Berghuis cruzou, Haller cabeceou, gol. A vitória veio assim

ZWOLLE
Kostas Lamprou; Bram van Polen, Sam Kersten, Siemen Voet e Mees de Wit; Eliano Reijnders (Elikia Mbinga, aos 68'), Rico Strieder e Thomas van den Belt; Daishawn Redan (Chardi Landu, aos 68'), Slobodan Tedic (Gervane Kastaneer, aos 68') e Kenneth Paal. Técnico: Art Langeler

AJAX
Remko Pasveer; Noussair Mazraoui, Jurriën Timber, Daley Blind e Devyne Rensch; Ryan Gravenberch, Steven Berghuis (Mohammed Daramy, aos 81') e Edson Álvarez; Antony (David Neres, depois do intervalo), Sébastien Haller e Dusan Tadic Técnico: Erik ten Hag


Cambuur 5x2 Go Ahead Eagles (sábado, 11 de setembro de 2021)

Local: Cambuur Stadion (Leeuwarden)
Árbitro: Danny Makkelie
Gols: Luuk Brouwers, aos 37', Tom Boere, aos 45' e aos 50', Marco Tol, aos 53', Jamie Jacobs, aos 56', e Tamas Kiss, aos 75'
Jogo resumido: Desde o começo, o Cambuur teve mais chances de gol. Tomou o 1 a 0 até inesperadamente. Mas aí, entre o intervalo e o começo do segundo tempo, Tom Boere levou o time para a virada - e os erros da defesa adversária foram aproveitados para que a goleada viesse

CAMBUUR
Sonny Stevens; Doke Schmidt, Calvin Mac-Intosch, Marco Tol (Maxim Gullit, aos 79') e Alex Bangura; Robin Maulun, Issa Kallon (Tamas Kiss, aos 69') e Mees Hoedemakers; Michael Breij (Mitchel Paulissen, aos 69'), Tom Boere e Jamie Jacobs (Filip Krastev, aos 79'). Técnico: Henk de Jong

GO AHEAD EAGLES
Warner Hahn; Mats Deijl, Gerrit Nauber, Justin Bakker e Bas Kuipers; Boyd Lucassen e Luuk Brouwers (Turan Tuzlacik, aos 83'); Martijn Berden (Philippe Rommens, aos 82'), Ragnar Oratmangoen (Giannis Botos, aos 57') e Ogechika Heil (Iñigo Córdoba, depois do intervalo); Isac Lidberg (Marc Cardona, aos 57'). Técnico: Kees van Wonderen


AZ 0x3 PSV (sábado, 11 de setembro de 2021)

Local: AFAS Stadion (Alkmaar)
Árbitro: Allard Lindhout
Gols: Olivier Boscagli, aos 14', Yorbe Vertessen, aos 69', e Ritsu Doan, aos 83'.
Jogo resumido: o time da casa até pressionou, em alguns momentos. Mas o belíssimo gol com que Boscagli abriu o placar deixou o PSV tranquilo no jogo. Foi só se resguardar na defesa, aproveitar os espaços nos contragolpes e vencer sem dar margem a questionamentos

AZ
Peter Vindahl; Aslak Witry, Pantelis Hatzidiakos, Bruno Martins Indi e Owen Wijndal (Yukinari Sugawara, aos 71'); Fredrik Midtsjo, Dani de Wit e Jordy Clasie (Ernest Poku, aos 81'); Jesper Karlsson (Tijjani Reijnders, aos 81'), Vangelis Pavlidis (Albert Gudmundsson, aos 67') e Zakaria Aboukhlal (Hakon Evjen, aos 71'). Técnico: Pascal Jansen

PSV
Joël Drommel; Philipp Mwene, André Ramalho, Armando Obispo e Philipp Max; Marco van Ginkel (Erick Gutiérrez, aos 61') e Olivier Boscagli (Jordan Teze, aos 86'); Noni Madueke (Bruma, aos 55'), Mario Götze e Cody Gakpo (Yorbe Vertessen, aos 62'); Eran Zahavi (Ritsu Doan, aos 55'). Técnico: Roger Schmidt


NEC 0x0 Willem II (domingo, 12 de setembro de 2021)

Local: De Goffert (Nijmegen)
Árbitro: Pol van Boekel
Jogo resumido: A expulsão do goleiro Brondeel, logo aos 15', fez com que o NEC fosse bem mais ofensivo. Mas a defesa do Willem II resistiu a tudo. Quarto goleiro do grupo dos visitantes, Connor van der Berg entrou na fogueira e fez boas defesas. O empate teve gosto de vitória para os visitantes

NEC
Mattijs Branderhorst; Bart van Rooij, Iván Márquez, Cas Odenthal e Souffian El Karouani; Lasse Schöne, Mikkel Duelund (Magnus Mattson, aos 60') e Dirk Proper (Thomas Beekman, aos 79'); Jonathan Okita, Ali Akman (Ole Romeny, aos 79') e Jordy Bruijn (Elayis Tavsan, aos 60'). Técnico: Rogier Meijer

WILLEM II
Jorn Brondeel; Leeroy Owusu, Freek Heerkens, Ulrik Jenssen e Derrick Köhn (Mark Svensson, aos 54'); Pol Llonch, Gorkem Saglam (Connor van der Berg, aos 17') e Dries Saddiki; Ché Nunnely (Anargyros Kampetsis, aos 68'), Kwasi Wriedt (Nikos Michelis, depois do intervalo) e Mats Köhlert (Emil Bergström, aos 68'). Técnico: Fred Grim


Sparta Rotterdam 3x1 Fortuna Sittard (domingo, 12 de setembro de 2021)

Local: Het Kasteel (Roterdã)
Árbitro: Erwin Blank
Gols: Bryan Smeets, aos 21', Lennart Thy, aos 29', Mats Seuntjens, aos 49', e Emmanuel Emegha, aos 73'
Jogo resumido: Num ótimo dia de Sven Mijnans (dois passes para gol) e, principalmente, de Bryan Smeets (um belo gol para abrir o placar), o Sparta superou o Fortuna com relativa facilidade para ter sua primeira vitória na Eredivisie

SPARTA ROTTERDAM
Maduka Okoye; Dirk Abels, Bart Vriends, Tom Beugelsdijk e Mica Pinto (Giannis Masouras, aos 85'), Mohammed Osman (Kenzo Goudmijn, aos 85') e Adil Auassar; Sven Mijnans (Emmanuel Emegha, aos 63'), Bryan Smeets (Laurent Jans, aos 75') e Vito van Crooij (Aaron Meijers, aos 75'); Lennart Thy. Técnico: Henk Fräser

FORTUNA SITTARD
Yanick van Osch; Mickaël Tirpan (Nigel Lonwijk, aos 71'), Martin Angha, Roel Janssen (Ivo Pinto, depois do intervalo) e George Cox (Toshio Lake, depois do intervalo); Zian Flemming, Tesfaldet Tekie (Samy Baghdadi, aos 69') e Ben Rienstra (Bassala Sambou, depois do intervalo); Emil Hansson, Mats Seuntjens e Deroy Duarte. Técnico: Sjors Ultee


Groningen 1x1 Heerenveen (domingo, 12 de setembro de 2021)

Local: Euroborg (Groningen)
Árbitro: Rob Dieperink
Gols: Tibor Halilovic, aos 19', e Cyril Ngonge, aos 68'
Jogo resumido: Mesmo fora de casa, o Heerenveen abriu o placar, e mostrou porque está logo abaixo dos ponteiros, na parte de cima da tabela. O Groningen teve de se esforçar para buscar o empate no "Dérbi do Norte"

GRONINGEN
Peter Leeuwenburgh; Mike te Wierik, Neraysho Kasanwirjo e Marin Sverko (Bart van Hintum, depois do intervalo); Mohamed El Hankouri, Tomas Suslov, Laros Duarte (Daniël van Kaam, aos 75') e Bjorn Meijer (Daleho Irandust, depois do intervalo); Cyril Ngonge, Michael de Leeuw (Romano Postema, depois do intervalo) e Patrick Joosten (Paulos Abraham, aos 65'). Técnico: Danny Buijs

HEERENVEEN
Erwin Mulder; Milan van Ewijk, Sven van Beek, Ibrahim Dresevic e Lucas Woudenberg; Nicolas Madsen, Tibor Halilovic e Joey Veerman; Benjamin Nygrén (Filip Stevanovic, aos 80'), Henk Veerman (Arjan van der Heide, aos 65') e Siem de Jong. Técnico: Johnny Jansen


RKC Waalwijk 1x2 Vitesse (domingo, 12 de setembro de 2021)

Local: Mandemakers Stadion (Waalwijk)
Árbitro: Jochem Kamphuis
Gols: Danilho Doekhi, aos 8', Saïd Bakari, aos 27', e Yann Gboho, aos 54'
Jogo resumido: Não foi por sair na frente do placar que o Vitesse conseguiu a segunda vitória na temporada com facilidade. Os visitantes de Arnhem tiveram de buscar o resultado com dureza

RKC WAALWIJK
Etienne Vaessen; Juriën Gaari, Melle Meulensteen, Ahmed Touba e Alexander Büttner (Achraf El Bouchataoui, aos 87'); Ayman Azhil (Lennerd Daneels, aos 71'), Richard van der Venne (Iliass Bel Hassani, aos 71') e Vurnon Anita; Saïd Bakari, Michiel Kramer e Jens Odgaard. Técnico: Joseph Oosting

VITESSE
Markus Schubert; Danilho Doekhi, Enzo Cornelisse e Tomas Hajek (Oussama Tannane, depois do intervalo); Eli Dasa, Yann Gboho (Daan Huisman, aos 59'), Toni Domgjoni (Patrick Vroegh, aos 59'), Sondre Tronstad e Maximilian Wittek; Loïs Openda (Nikolai Baden Frederiksen, aos 73') e Oussama Darfalou (Jacob Rasmussen, aos 89'). Técnico: Thomas Letsch


Feyenoord 2x1 Heracles Almelo (quarta-feira, 1º de dezembro de 2021)

Local: De Kuip (Roterdã)
Árbitro: Bas Nijhuis
Gols: Sinan Bakis, aos 15', e Luis Sinisterra, aos 45' + 7 e aos 70'
Jogo resumido: Com um gol anulado e ficando atrás no placar logo depois, o Feyenoord sofreu diante da defesa fechada do Heracles Almelo (ainda mais após a lesão de Azzaoui, aparentemente grave). Mas de tanto insistir, veio a virada e a chegada à vice-liderança

FEYENOORD
Ofir Marciano; Lutsharel Geertruida, Gernot Trauner, Marcos Senesi e Tyrell Malacia; Fredrik Aursnes, Orkun Kökcü (Jens Toornstra, aos 56') e Guus Til; Alireza Jahanbakhsh (Reiss Nelson, aos 80'), Bryan Linssen (Cyriel Dessers, aos 56') e Luis Sinisterra (Marcus Pedersen, aos 86'). Técnico: Arne Slot

HERACLES ALMELO
Janis Blaswich; Navajo Bakboord (Noah Fadiga, aos 80'), Marco Rente, Mats Knoester e Giacomo Quagliata; Ismaïl Azzaoui (Bilal Basaçikoglu, aos 24')), Orestis Kiomourtzoglou, Luca de la Torre e Delano Burgzorg; Sinan Bakis e Kaj Sierhuis (Lucas Schoofs, aos 60'). Técnico: Frank Wormuth

terça-feira, 7 de setembro de 2021

O horizonte se abriu

A atuação de Memphis Depay mereceu aplausos. Que podem ser estendidos à seleção da Holanda como um todo: contra a Turquia, goleada para comprovar a capacidade da equipe (Pro Shots)

A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) tinha chegado à encruzilhada. O jogo contra a Turquia, na sexta rodada das eliminatórias da Copa de 2022, era daqueles que definem rumos: enfrentando a líder do grupo G da qualificação, ou a Laranja se impunha e provava que é um time capacitado para estar na Copa, ou voltava a sombra das decepções que tanto deixaram a torcida calejada, nos últmos anos. Pois bem: em campo, como deve ser, a Oranje dizimou as desconfianças. Foi o que a torcida quis ver em Amsterdã: um time ofensivo, vivaz, que não descansou em nenhum dos 90 minutos. Imposição cravada na forma de uma goleada inapelável nos turcos: 6 a 1, indo à liderança do grupo, aumentando muito as esperanças de retornar a um Mundial.

E as esperanças nem demoraram muito para florescerem: bastaram 59 segundos de bola rolando na Johan Cruyff Arena, para as qualidades aparecerem numa jogada bem encaixada. A velocidade de Denzel Dumfries nas chegadas pela direita. A colaboração de Steven Berghuis nas jogadas ofensivas, vista em mais um cruzamento. A classe de Memphis Depay, na tabela com Davy Klaassen. E a segurança do próprio Klaassen, que coroou a jogada com o chute cruzado, que bateu na trave antes do 1 a 0. Se houvesse qualquer dúvida do entendimento primoroso entre Klaassen e Memphis no jogo, ele se acabou com a jogada mais bonita ainda do 2 a 0, aos 16': Depay passou, Klaassen devolveu de calcanhar, e o atacante completou com chute cruzado.

Não que a Turquia estivesse amedrontada: os visitantes buscavam tentar equilibrar na força física, avançavam ao menor sinal de fragilidade da defesa holandesa, tentavam arremates de fora da área (como Orkun Kökcü tentou, aos 10'). Mas a Holanda simplesmente não dava espaço. Quando tinha a bola, se mexia, ia para o ataque, acelerava as jogadas. Quando não fazia o gol, fazia o goleiro Ügürcan Çakir trabalhar, em chutes da entrada da área - como Depay fez, aos 22'. O pênalti em Klaassen, aos 37', coroado com a cavadinha de Memphis Depay para o terceiro gol, deixou claro como a equipe da casa dominou as ações, num primeiro tempo como não se via dos neerlandeses havia muito tempo. E a expulsão de Çaglar Soyüncü - segundo cartão amarelo aos 44', após derrubar Memphis - simbolizou como a Turquia estava atordoada diante de um anfitrião tão imperioso.

Malen foi impetuoso com a bola nos pés. Simbolizou uma Laranja que não descansou um minuto sequer, acuando a Turquia e construindo goleada inquestionável (ANP)

Tentou-se uma mudança do lado dos visitantes, com Ozan Tufan vindo a campo para tentar acelerar as jogadas (Hakan Çalhanoglu foi neutralizado por Frenkie de Jong e Stefan de Vrij), e Ozan Kabak tentaria fechar o espaço irremediavelmente aberto pela expulsão de Soyüncü. Pelo menos no começo, até que a Turquia melhorou - Yilmaz enfim teve uma chance, aos 48'. Mas a Holanda também teve mudanças nela - a entrada de Teun Koopmeiners, enfim ganhando uma chance substancial. E continuou igual, como indicou o 4 a 0 aos 54', feito por um Memphis Depay imparável, confirmando o excelente início de temporada.

Koopmeiners cuidou da proteção à defesa, fazendo bem o que Frenkie de Jong já fazia. E as outras entradas também melhoraram a Laranja: Guus Til mostrou movimentação no meio-campo, e a confiança com a bola nos pés fez Donyell Malen chegar constantemente à área. Quem continuava em campo também seguia buscando o gol - como Berghuis, que chutava a gol vez por outra (como aos 62'). Até mesmo o goleiro Justin Bijlow aparecia bem, uma vez, aos 68', num chute de Cengiz Ünder. Curiosamente, o segundo tempo foi terminando como o primeiro começara: uma Holanda ofensiva, encurralando a Turquia. Resultou em mais dois gols: o passe milimétrico de Koopmeiners para Til fazer 5 a 0, aos 80', e a impetuosidade de Malen o premiando com o sexto, no último minuto.

A volúpia neerlandesa em campo ficou notável até na lamentação geral do time com o gol de honra turco, surgido numa desatenção entre Bijlow e Van Dijk (ainda com algo de ritmo e tempo de bola a recuperar). Mas qualquer traço de condenação seria injusto, diante de uma seleção que deu o passo que faltava. Tendo Letônia, Gibraltar e Montenegro, os três adversários mais fracos do grupo, nas próximas três rodadas, a sensação é de que o horizonte se abriu para a Holanda. Após turbulências, a rota da Copa aparentemente foi encontrada.

Eliminatórias para a Copa de 2022 - Europa
Holanda 6x1 Turquia
Data: 7 de setembro de 2021
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Juiz: Daniele Orsato (Itália)
Gols: Davy Klaassen, a 1', Memphis Depay, aos 16', aos 37' e aos 54', Guus Til, aos 80', Donyell Malen, aos 90', e Cengiz Ünder, aos 90' + 1

Holanda
Justin Bijlow; Denzel Dumfries (Devyne Rensch, aos 71'), Stefan de Vrij, Virgil van Dijk e Tyrell Malacia; Georginio Wijnaldum (Guus Til, aos 61'), Frenkie de Jong (Teun Koopmeiners, depois do intervalo) e Davy Klaassen (Ryan Gravenberch, aos 71'); Steven Berghuis, Memphis Depay e Steven Bergwijn (Donyell Malen, aos 61'). Técnico: Louis van Gaal

Turquia
Ugurcan Çakir; Kaan Ayhan, Merih Demiral, Çaglar Soyüncü e Mert Müldür; Okay Yokuslu e Orkun Kökcü (Ozan Tufan, depois do intervalo); Cengiz Ünder, Hakan Çalhanoglu (Halil Dervisoglu, aos 86') e Kenan Karaman (Ozan Kabak, depois do intervalo); Burak Yilmaz (Kerem Aktürkoglu, aos 65'). Técnico: Senol Günes

sábado, 4 de setembro de 2021

Ânimo com ajustes a fazer

Memphis Depay começou a indicar o caminho. E a Holanda superou Montenegro para dar boas expectativas (AP)

Após o empate contra a Noruega trazer pulgas atrás da orelha de torcida e imprensa que acompanham a seleção masculina da Holanda (Países Baixos), era necessária, pelo menos, uma atuação convincente contra Montenegro, nas eliminatórias da Copa de 2022. Pois bem: ela demorou, mas afinal veio. A goleada por 4 a 0, em Eindhoven, deixou claro que a Laranja está em boas condições na disputa (equilibrada) pela vaga direta no Mundial. No entanto, aqui e ali, ficaram alguns ajustes a serem feitos, antes da partida altamente decisiva de terça: contra a Turquia, líder do grupo G, em Amsterdã. Se serve de ânimo, a equipe dos Países Baixos deixou claro: tem plenas condições de passar pelo grande desafio daqui a três dias.

Preocupou no começo, é verdade. Na entrevista pós-jogo à emissora NOS, o técnico Louis van Gaal reconheceu: "Parecíamos nervosos, estressados". Talvez porque o roteiro fosse o mesmo visto na quarta-feira passada: uma Holanda com muita posse de bola, mas lenta, sem condições aparentes de superar um adversário muito compactado. Sem a bola, Montenegro recuava com defensores e meio-campistas muito próximos, diminuindo os espaços - e até assustou um pouco num desvio de Milutin Osmajic, aos 6'. A coisa só começou a melhorar para a Oranje quando os laterais participaram mais das jogadas - Denzel Dumfries na direita (mais), o estreante Tyrell Malacia na esquerda (um pouco menos).

Com maior participação de Steven Berghuis, novamente titular mesmo após críticas na quarta, as jogadas saíram. E as chances também: Memphis Depay quase fez aos 18' e aos 29' (este, após falha dos zagueiros), Davy Klaassen - novamente chegando bem à área - cabeceou no travessão aos 32', Cody Gakpo (outra boa atuação) teve o gol evitado pelo goleiro Matija Sarkic aos 33'. Se foi impossível fazer o gol em jogadas com bola rolando, um pênalti deu conta disso: aos 38', agarrado por Dusan Lagator na área, Memphis Depay sofreu pênalti. E ele mesmo bateu bem, no ângulo do lado oposto ao de Sarkic, para enfim fazer 1 a 0. Era o alívio de que a Holanda precisava. Alívio que poderia ter ficado maior logo aos 40', quando Memphis quase coroou outra boa atuação, num chute que passou perto.

O alívio ficou ainda mais necessário no começo do segundo tempo. Porque a Holanda indicou algumas desatenções na zaga. Começou com o erro de Georginio Wijnaldum aos 48', perdendo a bola para Stefan Mugosa. Teve outra vez com o recuo ainda pior de Malacia, aos 56', quase arruinando sua estreia. Se nada disso causou problemas à Holanda, foi por demérito dos atacantes (Mugosa perdeu as duas chances) - e por mérito de Justin Bijlow, que pegou o arremate aos 48', consertaria outra falha defensiva (Matthijs de Ligt e Stefan de Vrij, aos 70' - Virgil van Dijk ficou no banco) defendendo a tentativa de Mugosa e se consolidaria como um goleiro confiável para a torcida.

Um passe para o segundo gol, um golaço para fechar o placar: Gakpo só aumentou as boas impressões sobre ele na seleção (Pro Shots) 

Se o meio-campo pecava por demorar na continuação das jogadas (ainda mais Wijnaldum, em má atuação), pelo menos o trio de atacantes causava problemas à equipe montenegrina. Berghuis quase marcou por duas vezes, aos 50' e aos 53'. Wijnaldum também forçou Sarkic a trabalhar, aos 61'. E no minuto seguinte, Gakpo ajeitou para Memphis Depay fazer 2 a 0. Já amenizava um pouco a tensão em Eindhoven. E logo após Bijlow salvar o chute de Mugosa aos 70', Wijnaldum completou triangulação inesperada (Memphis roubou a bola e passou, Berghuis ajeitou) para fazer 3 a 0. 

Aí, sim, a Holanda ficou bem em Eindhoven. Tão bem que Gakpo tirou um sorriso do rosto de Van Gaal ao fazer 4 a 0 com um belo chute colocado, acertando o ângulo esquerdo de Sarkic. E nada mais poderia dar errado para a Laranja, que se animou merecidamente com a goleada. Mas que tem ajustes a fazer antes do jogo contra a Turquia. Este, sim, turbinará o otimismo com a chance de estar na Copa - ou abalará novamente as expectativas. 

A seleção masculina neerlandesa chegou à encruzilhada - e precisa superá-la. Mostrou condições disso.

Eliminatórias para a Copa de 2022 - Europa
Holanda 4x0 Montenegro
Data: 4 de setembro de 2021
Local: Philips Stadion (Eindhoven)
Juiz: Jesús Gil Manzano (Espanha)
Gols: Memphis Depay, aos 38' e aos 62', Georginio Wijnaldum, aos 73', Cody Gakpo, aos 76'

Holanda
Justin Bijlow; Denzel Dumfries, Stefan de Vrij, Matthijs de Ligt e Tyrell Malacia; Georginio Wijnaldum (Marten de Roon, aos 73'), Frenkie de Jong (Guus Til, aos 83') e Davy Klaassen; Steven Berghuis, Memphis Depay e Cody Gakpo (Steven Bergwijn, aos 77'). Técnico: Louis van Gaal

Montenegro
Matija Sarkic; Marko Vesovic (Marko Vukcevic, aos 51'), Stefan Savic (Marko Simic, depois do intervalo), Darko Tomasevic e Risto Radunovic; Adam Marusic (Sead Haksabanovic, aos 63'), Aleksandar Scekic, Dusan Lagator e Milutin Osmajic; Drasko Bozovic (Marko Raickovic, aos 63') e Stefan Mugosa. Técnico: Miodrag Radulovic

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

A Holanda errou, a sorte consertou

A Holanda passou algum sufoco contra a Noruega, mas conseguiu o empate. E as circunstâncias a ajudaram a manter condição razoável nas eliminatórias da Copa. Mas nem sempre se pode contar com isso (Pro Shots)

A seleção masculina da Holanda (Países Baixos) sabia: tinha de fazer a sua parte para respirar um pouco, nas eliminatórias europeias da Copa de 2022. Ainda mais pegando a Noruega, uma das adversárias na disputa pela vaga, fora de casa, Novamente, a Laranja fraquejou: entre um ataque com bons momentos e a lentidão preocupante na zaga, saiu com empate por 1 a 1. Seria um erro, ao qual ela não poderia se dar o direito. Mas o ponto ganho ajudava a manter, pelo menos, a segunda posição do grupo G. E a notícia do empate da Turquia (líder do grupo) com Montenegro, em casa, ampliou a sensação: novamente, o destino ajudou a Oranje a seguir muito viva na disputa.

Falando em estar vivo, a vivacidade do ataque dos Países Baixos impressionou positivamente nos primeiros minutos. Van Gaal optou por um meio-campo ofensivo, com Davy Klaassen começando ao lado de Georginio Wijnaldum. Mas nem foi isso o que deu razões para otimismo: foi a velocidade do trio de atacantes. Principalmente de Cody Gakpo: em sua segunda partida pela seleção, a primeira como titular, o atacante teve boas chances aos 5', num cabeceio, e aos 9'. Tudo isso contribuía para encurralar a Noruega em seu campo de defesa. Se bem que fazia parte da estratégia do time da casa: apostar nos contra-ataques. Afinal, para finalizá-los, havia um dos melhores atacantes do mundo: Erling Haaland.

Diante de uma defesa que se revelou lenta, Haaland deu sinal de que poderia aproveitar isso. Teve o trabalho ainda mais facilitado pelos espaços na esquerda: titular na lateral direita neerlandesa, Jurriën Timber deixava espaços demais atrás de si, nos quais Jens Petter Hauge jogava bem. O destaque da Noruega quase aproveitou isso aos 16': superou Virgil van Dijk (ainda um pouco fora de ritmo) na corrida, chutou, e só o goleiro estreante Justin Bijlow evitou o gol. Mas aos 20', pouco depois de um escanteio, seu bom posicionamento o colocou em condições. Com a linha de impedimento desorganizada, Van Dijk, Gakpo e Stefan de Vrij foram devagar para tentar evitar o chute de Haaland. E ele fez o que se espera dele: 1 a 0. Iniciava-se uma boa fase da Noruega no jogo. 

Ah, a Noruega só jogava na base dos contra-ataques? Ela pode: afinal, ela tem Erling Haaland. Nem três defensores impediram que o atacante abrisse o placar em Oslo (EPA)

A Laranja ficou acuada. Talvez um pouco nervosa. Nem Frenkie de Jong nem Wijnaldum conseguiam retomar o ritmo do jogo. Os espaços do começo da partida haviam desaparecido. E do nada, quando até parecia mais próximo o segundo gol norueguês (com boas atuações de Hauge e Mohamed Elyounoussi), veio o empate que tranquilizou. Numa triangulação rápida, como devia ser: Steven Berghuis ajeitou, Wijnaldum cruzou, Klaassen marcou o 100º gol de uma seleção holandesa com Van Gaal como treinador. Ainda antes do intervalo, fazer isso era o melhor dos sinais.

Até porque, com Donyell Malen vindo para o ataque após o intervalo, a rapidez no ataque voltou a ser vista quando o segundo tempo começou em Oslo. Com posse de bola, de novo os visitantes encurralavam a Noruega. Tanto em cabeceios (Van Dijk, aos 53') quanto em chutes (Memphis Depay, aos 52', e Malen, aos 61'), os Países Baixos mantinham a posse de bola com consistência, pareciam perto da virada. Mas Haaland apareceu de novo para lembrar que aquilo era estratégia da Noruega, não medo: num contra-ataque, aos 65', o atacante da camisa 23 tirou De Vrij da jogada com uma finta, e acertou a trave de Bijlow. 

Para sorte da Holanda, a nova ofensiva norueguesa também não durou muito. Para sorte ainda maior, em outro jogo do grupo G entre competidores por vaga na Copa, a Turquia tomou o empate de Montenegro, em casa, no último lance do jogo (2 a 2). De quebra, Denzel Dumfries - vindo a campo nos últimos minutos, numa rara alteração de Van Gaal (só duas) - quase virou o jogo, também no momento derradeiro em Oslo. E ao fim e ao cabo, a situação terminou como tinha começado: a Holanda na segunda posição da chave na qualificação, pelo melhor saldo de gols, tendo duas partidas em casa pela frente, contra adversários diretos - Montenegro no sábado, Turquia na terça-feira.

A sorte ajudou. Mas a Holanda continuou errando: na lentidão de sua defesa contra o respeitável Haaland, na inconstância do ataque (se Malen e Gakpo foram razoáveis, Memphis Depay foi discreto), na falta de alterações de Van Gaal. Pelo menos, vêm dias de treino para o técnico conhecer mais o grupo. O erro permitido foi nesta quarta. Daqui por diante, se quiser ficar bem na disputa pelo primeiro lugar e a vaga direta na Copa, a Holanda precisa vencer. Nem sempre se pode contar com a sorte.

Eliminatórias para a Copa de 2022 - Europa
Noruega 1x1 Holanda
Data: 1º de setembro de 2021
Local: Ullevaal (Oslo)
Juiz: Szymon Marciniak (Polônia)
Gols: Erling Haaland, aos 20', Davy Klaassen, aos 36'

Noruega
André Hansen; Marcus Holmgren Pedersen (Julian Ryerson, aos 59'), Stefan Strandberg, Andreas Hanche-Olsen e Birger Meling; Morgen Thorsby e Mathias Normann (Patrick Berg, aos 68'); Martin Odegaard, Mohamed Elyonoussi e Jens Petter Hauge (Mats Moller Daehli, aos 59'); Erling Haaland. Técnico: Stale Solbakken

Holanda
Justin Bijlow; Jurriën Timber (Denzel Dumfries, aos 90' + 2), Stefan de Vrij, Virgil van Dijk e Daley Blind; Georginio Wijnaldum, Frenkie de Jong e Davy Klaassen; Steven Berghuis (Donyell Malen, depois do intervalo), Memphis Depay e Cody Gakpo. Técnico: Louis van Gaal