sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Guia da segunda divisão: mais fácil ou mais difícil?

Na temporada passada, o Twente foi o único felizardo com acesso direto à Eredivisie, como campeão da segunda divisão. Agora, o vice-campeão também comemorará (Eric Verhoeven/Soccrates/Getty Images)

Se o Campeonato Holandês já começou (aliás, nesta sexta será aberta a segunda rodada da Eredivisie), este 9 de agosto marca o início da Eerste Divisie, a segunda divisão holandesa - ou falando o nome oficial do campeonato, a Keuken Kampioen Divisie, baseado na loja de móveis para cozinha que patrocina a liga. De certa forma, marca uma nova fase também no torneio. Afinal de contas, aparentemente, o caminho ficou mais fácil para chegar à primeira divisão. Mas pode ter ficado mais difícil, dependendo do ponto de vista.

Para quem acha que a trajetória rumo à Eredivisie ficou mais simples, há o que justifique tal opinião. Afinal, a partir desta temporada, são duas vagas diretas de acesso: o campeão da Eerste Divisie continua subindo diretamente, mas agora o vice-campeão também será promovido à primeira divisão. Faz sentido: se o vice-campeão em 2018/19 (Sparta Rotterdam) subiu via repescagem, e se o vice de 2017/18 (Fortuna Sittard) ganhou de presente a vaga direta - o campeão de então foi o Jong Ajax, a equipe B dos Ajacieden, que não subiria por razões óbvias -, é melhor já considerar que o segundo colocado da segunda divisão tem nível bom o suficiente para poder disputar a Eredivisie sem passar pela temível repescagem.

Aliás, a repescagem de acesso/descenso (temível não só pela dificuldade ou pela tensão, mas pelo regulamento complicado - já há um texto sobre ela aqui) também ficou um pouco mais simples de ser compreendida. Só um nome a vencerá e garantirá, ou manterá, a terceira vaga na primeira divisão. Pegando o que se disse no link citado há duas linhas, explique-se rapidamente: da 3ª à 38ª rodadas, a Eerste Divisie é dividida em quatro períodos. Os quatro "periodekampioenen" - literalmente, "campeões de período" em holandês - se garantem na repescagem, junto aos dois melhores colocados que não tenham sido "campeões de período" e ao 16º (antepenúltimo) colocado da Eredivisie. Aí, os seis que jogaram a segunda divisão se dividem em dois, para três decisões, em ida e volta. Os três classificados se unem ao egresso da Eredivisie que lutará para manutenção, e aí acontecerão as semifinais e finais pela vaga na divisão de elite. Ficou mais fácil, aparentemente.

Por outro lado, é possível dizer que a segunda divisão da Holanda também ficou mais difícil. Se há duas vagas diretas, a disputa por elas - e consequentemente, pelo título - será ainda mais árdua. Dos rebaixados da primeira divisão, o De Graafschap terá nomes bem vistos pela torcida (como o goleiro Hidde Jurjus e o zagueiro Ted van de Pavert) e outros que dão a técnica necessária (como o ponta-de-lança Youssef El Jebli e o atacante Ralf Seuntjens). No Excelsior, o técnico Ricardo Moniz, que chegara na reta final da temporada passada, ganhou um crédito de confiança - e se perdeu nomes como o zagueiro Jürgen Mattheij, mantém destaques como o meio-campista Luigi Bruins e o atacante Elias Mar Ómarsson. Além do rebaixamento, o NAC Breda perdeu vários destaques, e vive uma crise financeira, só podendo esperar de nomes como o meio-campista Mounir El Allouchi e o recém-chegado Finn Stokkers. Já o Roda JC, também tradicional, sofre com a crise financeira.

E há aqueles times que já estão na segunda divisão há algumas temporadas. Até por isso, andam cada vez mais sedentos pelo acesso. O Go Ahead Eagles já entra pressionado por sua torcida, depois da dramática perda da vaga na Eredivisie (contra o RKC, ganhava por 4 a 3 na repescagem, até os 88', e tomou a virada em casa nos acréscimos) Após uma temporada passada turbulenta, com três técnicos, o NEC vai para esta Eerste Divisie num clima de "agora ou nunca": um trio de técnicos (François Gesthuizen, Adrie Bogers e Rogier Meijer) terá de conduzir o time tricolor de Nijmegen ao acesso, com nomes como o zagueiro Rens van Eijden e o atacante Sven Braken. O Volendam ganha muitas apostas: o técnico Wim Jonk comandará um time promissor, com o atacante Zakaria El Azzouzi como destaque. Habituais nomes na repescagem das temporadas recentes, Almere City e MVV Maastricht seguem em busca do acesso: o time de Almere nunca esteve na Eredivisie, e a equipe de Maastricht já não a joga desde 2000.

Isso, sem contar os quatro times B de equipes da primeira divisão, que certamente darão tempo a jovens talentos, "preparados" para serem promovidos ao time principal. No Jong Ajax, os atacantes Lassina Traoré e Danilo Pereira (brasileiro, vindo da base do Santos) terão mais chances; no Jong PSV, as apostas principais irão para os atacantes Joël Piroe e Zakaria Aboukhlal; Jong AZ e Jong Utrecht também têm nomes que merecem atenção.

Por tudo isso, dá para dizer que a segunda divisão holandesa ficou mais difícil. Ou ficou mais fácil, por ter mais vagas diretas? A resposta começa a partir desta sexta.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Podia ser pior

O Ajax passou sérios apuros contra o PAOK, mas o empate em 2 a 2 garantido por Huntelaar dá a sensação de que garantir a vaga é bem possível na volta (AP)

Já no 2 a 2 contra o Vitesse, na estreia pelo Campeonato Holandês, o Ajax dava a impressão de que ainda está se aprontando, neste começo de temporada. E a impressão ficou mais forte (e alarmante) nesta terça-feira, com a estreia do time de Amsterdã na Liga dos Campeões. No jogo de ida da terceira fase preliminar (penúltima antes dos grupos), contra o PAOK, os Ajacieden tiveram três momentos ao longo dos 90 minutos. Ao cabo deles, pelo menos a sensação é de que o resultado poderia ter sido bem pior do que o empate em 2 a 2, que deixa boas chances para a volta no dia 13.

Está certo que a sensação poderia ter sido prolongada com uma vitória - Dusan Tadic até se queixou da falta de maturidade do Ajax, à FOX Sports holandesa. Porque os primeiros minutos de jogo no estádio Toumba, em Tessalônica, revelaram uma atuação promissora. Com Hakim Ziyech sendo eficiente no controle de bola e na criação de jogadas, tendo o auxílio dos avanços de Donny van de Beek e até de Nicolás Tagliafico, os Ajacieden evitavam o perigo dos contra-ataques do PAOK, time que tem neles sua grande opção ofensiva. E já aos 10', veio o gol, numa bola parada - Ziyech cobrou falta da direita, e o lateral Dimitris Giannoulis desviou acidentalmente, de cabeça, para as redes. Era a chance valiosa para os Godenzonen controlarem a partida a sel bel-prazer.

Mas se o Ajax atacava e controlava o jogo em Tessalônica, também deixava muitos espaços entre a defesa e o meio-campo. Pior: as lacunas nas laterais ofereciam espaço aos avanços do PAOK, necessários após o primeiro gol. Bastou a desvantagem para o time alvinegro da Grécia começar a chegar ao ataque com perigo. Aos 12', Diego Biseswar (holandês, ex-Feyenoord) arrematou de fora para a defesa de André Onana; aos 15', Joël Veltman evitou um arremate do brasileiro Léo Jabá na hora exata. Pela direita, com Veltman lento na lateral e Noussair Mazraoui escalado como uma tentativa, o citado Biseswar dava trabalho - exatamente como Léo Jabá fazia na direita. Na zaga Ajacied, se Perr Schuurs era cauteloso: Lisandro Martínez exagerava nas divididas.

Logo o PAOK empatou, se valendo da rapidez nos contragolpes: aos 32', Biseswar passou a Giannoulis, que cruzou para Chuba Akpom completar. Mais seis minutos, e a virada: Léo Jabá cobrou falta, e o brasileiro Léo Matos se desvencilhou da marcação homem a homem para cabecear, livre na área. O caos defensivo no time de Erik ten Hag era visível, e faltou pouco para o 3 a 1: aos 40', Veltman tirou a bola na pequena área, enquanto o atacante Dimitrios Pelkas bateu para fora aos 43'. O intervalo vinha no melhor momento possível, porque o Ajax passava sérios apuros.

Léo Matos comemora a virada do PAOK: a pane defensiva do Ajax no fim do primeiro tempo quase inviabiliza a classificação (VI Images/Getty Images)
De fato, eles se resolveram na etapa final. Jogando no meio-campo, Daley Blind ajudou o Ajax a manter mais a posse de bola no campo de ataque, evitando os avanços do PAOK. A entrada necessária de Klaas-Jan Huntelaar (ainda no primeiro tempo, substituindo o lesionado e decepcionante Kasper Dolberg) fez com que a defesa do PAOK tivesse novas preocupações. E após o bom começo e o preocupante final no 1º tempo, o Ajax se assentou em campo. Ficou mais sereno, minorando os riscos de ver a classificação aos play-offs ficar praticamente impossível já no jogo de ida. Todavia, se as chances reapareceram, o gol do 2 a 2 só veio por acaso, aos 57': Van de Beek cruzou, o zagueiro Fernando Varela tentou tirar a bola com um chutão, mas esta ricocheteou em Huntelaar e foi para as redes. Típica mostra de como o camisa 9 Ajacied é goleador - foi seu 55º gol em competições europeias, 19º só pelo clube holandês.

Nos minutos finais, o Ajax ainda buscou o ataque, com as entradas de David Neres e Razvan Marin (deixado na reserva por ser supostamente menos qualificado na marcação do que Mazraoui). Mas ficou mesmo no placar o 2 a 2. Que deixou uma ponta de decepção em Erik ten Hag, conforme ele comentou à Ziggo Sport, emissora holandesa de televisão que mostrou o jogo: "É uma decepção, o jogo foi nosso no segundo tempo. Ainda não estamos prontos". De fato. Por outro lado, a pressão fica bem mais amena para tentar a vaga na Johan Cruyff Arena com um empate. Podia ser pior.

Liga dos Campeões - terceira fase preliminar (jogo de ida)

PAOK 2x2 Ajax

Local: Toumba (Tessalônica)
Data: 6 de agosto de 2019
Árbitro: Zlatko Vincic (Eslovênia)
Gols: Hakim Ziyech, aos 10', Chuba Akpom, aos 32', e Léo Matos, aos 39'; Klaas-Jan Huntelaar, aos 57'

PAOK
Alexandros Paschalakis; Léo Matos, José Ángel Crespo, Fernando Varela e Dimitrios Giannoulis; Léo Jabá (Miroslav Stoch), Anderson Esiti, Badr El Kaddouri e Diego Biseswar (Douglas); Dimitris Pelkas (Dimitris Limnios) e Chuba Akpom Técnico: Abel Ferreira

Ajax
André Onana; Joël Veltman, Perr Schuurs, Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico; Noussair Mazraoui (Razvan Marin), Donny van de Beek e Daley Blind; Hakim Ziyech (David Neres), Kasper Dolberg (Klaas-Jan Huntelaar) e Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Um jogo, um parágrafo, um vídeo: a 1ª rodada da Eredivisie

Zwolle 1x3 Willem II (sexta-feira, 2 de agosto)

No jogo que abriu o Campeonato Holandês da temporada 2019/20, o Willem II começou melhor: mesmo fora de casa, atacava mais. Porém, como sói acontecer no futebol da Holanda, uma falha defensiva foi cometida, e foi aproveitada: o goleiro Timon Wellenreuther saiu cedo demais de seu gol, e Lennart Thy aproveitou para fazer o primeiro gol desta Eredivisie, marcando 1 a 0 para o Zwolle aos 39'. Pelo menos, dois minutos depois, os visitantes de Tilburg também se valeram de um erro defensivo dos Zwollenaren para empatarem: Dennis Johnsen recuou a bola para o goleiro Xavier Mous, mas Vangelis Pavlidis interceptou e fez 1 a 1. A partir daí, o ritmo do jogo ficou à feição para o Willem II. No começo do segundo tempo (47'), uma cobrança de falta foi desviada acidentalmente por Clint Leemans: gol contra e virada. E aos 72', a dupla de ataque promissora completou a vitória: Ché Nunnely cruzou, e Pavlidis - o nome do jogo - escorou para garantir a vitória do Willem II.




Vitesse 2x2 Ajax (sábado, 3 de agosto)

Em sua estreia, o atual campeão holandês começou com tudo: já aos três minutos, Donny van de Beek perdeu grande chance, chutando à queima-roupa para ótima defesa do goleiro Remko Pasveer. Mas na primeira vez que o Vitesse teve espaço para avançar, fez 1 a 0, aos 13': houve espaço pela direita, a bola foi cruzada, Matus Bero chutou na área, a bola desviou em Perr Schuurs e deixou o goleiro André Onana sem ação. Coube a Van de Beek solucionar: aos 30', em sobra de chute de Dusan Tadic, Hakim Ziyech cruzou e o camisa 6 completou para o empate do Ajax. Aí, o domínio Ajacied continuou, com avanço até da defesa (boas partidas de Schuurs e Lisandro Martínez). Mas no começo da etapa final, o Vites cresceu, foi mais ofensivo, e virou aos 55', numa bela jogada de Riechedly Bazoer. Restou ao Ajax continuar atacando. O empate poderia ter vindo aos 58', em uma sequência de chances - Ziyech bateu, Pasveer rebateu bem, e Razvan Marin chutou por cima. Só aos 75' veio o 2 a 2, com Tadic. As entradas de Quincy Promes e David Neres potencializaram os ataques do Ajax, mas Pasveer salvou o Vitesse.


Emmen 0x1 Groningen (sábado, 3 de agosto)

A rigor, o jogo em Emmen teve poucas emoções. A primeira chance de gol veio aos 19', dos donos da casa: Michael de Leeuw cabeceou por cima. Depois, aos 30', um cruzamento de Glenn Bijl ficou mais perigoso do que se pensava, e o goleiro Sergio Padt espalmou. Só então o Groningen se aprumou e passou a buscar mais o ataque. Principalmente na etapa complementar: aos 62', Ritsu Doan tabelou com Charlison Benschop (este entrara no intervalo, no lugar do lesionado Gabriel Gudmundsson), recebeu de volta e bateu para a defesa do goleiro Dennis Telgenkamp. Os Emmenaren responderam aos 67': Nikolai Laursen ficou cara a cara com Padt, e finalizou em cima do goleiro. Chance que faria falta. Porque, aos 87', quando já se esperava o 0 a 0, Ramon-Pascal Lundqvist lançou em profundidade, e o volante Ajdin Hrustic tocou com classe, encobrindo Telgenkamp para fazer o 1 a 0 da vitória no Groningen.



Twente 1x1 PSV (sábado, 3 de agosto)

O PSV até se assanhou aos três minutos, num chute forte de Denzel Dumfries, pego pelo goleiro Joël Drommel em dois tempos. Foi só, pelo menos no primeiro tempo em Enschede. Reestreando na primeira divisão, o Twente trouxe mais perigo, atacando pelas pontas e correndo muito. Assim veio o primeiro gol, aos 8', num belo chute cruzado e colocado do japonês Keito Nakamura. A partir daí, os Tukkers se esforçaram na defesa, sem dar espaço aos visitantes de Eindhoven. A situação só melhorou no segundo tempo, no mesmo modo: aproveitando mais as jogadas pelas pontas, com Dumfries (bom nome no jogo) ou Michal Sadílek. As entradas de Cody Gakpo e Mohammed Ihattaren potencializaram os ataques. Finalmente, aos 65', o gol de empate, num cruzamento que Dumfries cabeceou para as redes. Mas ficou nisso. E, de certa forma, enquanto o Twente se agrada, segue a pressão sobre os Boeren - em especial, sobre Hirving Lozano, que nem saiu do banco. Sairá?


VVV-Venlo 3x1 RKC Waalwijk (sábado, 3 de agosto)

O RKC Waalwijk era mais um clube que voltava a jogar pela Eredivisie. E sonhou com a vitória em pleno De Koel, em Venlo, quando abriu o placar aos 11 minutos: Anas Tahiri cobrou escanteio, e o zagueiro Hannes Delacroix cabeceou para as redes. Aí, entrou em ação o ataque do VVV-Venlo. Quase empatou no minuto seguinte, num chute de Johnatan Opoku defendido pelo goleiro Etiënne Vaessen. Mas no segundo tempo, os avantes do time de Venlo fizeram bem o serviço. Aos 51', num arremate no ângulo, Elia Soriano enfim igualou o placar. Mais dez minutos, Vaessen cometeu pênalti em Haji Wright, e Opoku cobrou para virar o jogo. Ainda houve alguma pressão dos visitantes de Waalwijk, mas um belo chute de Peter van Ooijen (este, meio-campista), no ângulo de Vaessen, aos 87', definiu o triunfo dos Venlonaren. O sonho do RKC durou pouco.


Heracles Almelo 0x4 Heerenveen (domingo, 4 de agosto)

Dois clubes muito afetados pela janela de transferências até agora - qual deles sofreria mais com a estreia em Almelo? A resposta veio rápida: já aos oito minutos, uma cobrança de falta do zagueiro Ibrahim Dresevic colocou o Heerenveen na frente - falta nem tão perigosa, mas na qual o goleiro Janis Blaswich falhou. Bastou para a torcida do Heracles já protestar, atirando ovos e até colocando um frango no gramado do estádio Polman, o que fez o jogo parar por alguns minutos. Mas quando ele voltou, o Fean seguiu marcando gols. Aos 17', Jordy Bruijn fez 2 a 0, num chute forte; e aos 28', Mitchell van Bergen desarmou o zagueiro Maximilian Rossmann para marcar o terceiro dos visitantes de Heerenveen. Pois é: no primeiro tempo, o jogo estava resolvido. No segundo tempo, apenas para constar, nos acréscimos, Chidera Ejuke (um reforço) confirmou a goleada do time da Frísia. Pelo visto, as perdas estão fazendo mais falta aos Heraclieden.



Feyenoord 2x2 Sparta Rotterdam (domingo, 4 de agosto)

Pouco antes da bola rolar, foi confirmado que Steven Berghuis, a estrela principal, renovara contrato com o Feyenoord até 2022. Isso, mais a estreia, animou o Stadionclub, que começou trazendo mais perigo no clássico de Roterdã. Orkun Kökcü quase marcou, duas vezes da entrada da área: aos 5', chutando na trave, e aos 28', mandando a bola rente à trave direita do goleiro Tim Coremans. Mas o Sparta sinalizou que a defesa do Feyenoord era frágil, aos 16', quando o zagueiro Jürgen Mattheij cabeceou à queima-roupa, para a defesa de Kenneth Vermeer. No segundo tempo, o sinal foi mais firme: aos 49', num contra-ataque, Bryan Smeets recuou e Mohamed Rayhi, mesmo com um chute lento, fez 1 a 0 para os Spartanen. Só restou ao Feyenoord atacar, com as entradas de Luciano Narsingh e Sam Larsson. Aos 60', Berghuis cabeceou na trave; e aos 66', enfim, ele empatou, escorando cruzamento de Ridgeciano Haps. Alívio? Nada disso: aos 74', mais um contra-ataque do Sparta, e mais um gol, com Lars Veldwijk. O time da casa redobrou a pressão em De Kuip. Tanto fez, que, aos 90' + 5, no lance final, Jeremiah St. Juste cruzou, e Larsson aliviou com o empate.


ADO Den Haag 2x4 Utrecht (domingo, 4 de agosto)

A eliminação precoce e até vexatória para o Zrinjski Mostar-BOS, na Liga Europa, perturbava o Utrecht antes da estreia na Eredivisie - e até teve uma vítima: o goleiro David Jensen, contestado antes, perdeu definitivamente a vaga de titular para Maarten Paes. Pelo menos no começo, de nada adiantou. O ADO Den Haag logo fez 2 a 0: aos 21', em bela cobrança de falta de Aaron Meijers, e aos 25', em cabeceio de Erik Falkenburg. Aí começou a aparecer Gyrano Kerk. Aos 36', o atacante do Utrecht chutou no travessão, a bola bateu nas costas do goleiro Robert Zwinkels, e entrou para o primeiro gol dos Utregs. E aos 45', Kerk aproveitou sobra de chute de Sander van de Streek para fazer 2 a 2. Por seu lado, o técnico John van den Brom mudava sem cerimônia: colocara Issah Abass ainda no primeiro tempo, e já no começo da etapa final pôs Nick Venema no ataque. O prêmio veio aos 52': num escanteio, o zagueiro Emil Bergström cabeceou, a bola desviou em Lex Immers e entrou para a virada. Aos 63', Venema ainda fez 4 a 2, confirmando uma vitória para reanimar o Utrecht.


AZ 4x0 Fortuna Sittard (domingo, 4 de agosto)

Um dos destaques do AZ nos útimos dois anos já é passado: o meio-campista Guus Til está em Moscou, acertando sua transferência para o Spartak Moscou. Um pouco por isso, um pouco pela forte defesa do Fortuna Sittard, o primeiro tempo em Alkmaar foi fraco, tendo como único momento notável a homenagem das duas torcidas ao ex-jogador Fernando Ricksen, atualmente com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) em fase terminal, internado num hospital. Mas na etapa complementar, em 15 minutos, os Alkmaarders tinham resolvido o jogo. Aos 53', Ron Vlaar desviou escanteio e fez 1 a 0. Mais dois minutos, Mark Diemers errou um recuo, e Myron Boadu aproveitou passando para Oussama Idrissi marcar o segundo do AZ. Finalmente, aos 59', Calvin Stengs cruzou para o próprio Boadu marcar o terceiro. Só para abrilhantar mais, aos 83', o lateral Yukinari Sugawara fez o quarto, em sua estreia na Eredivisie. A vida segue para o AZ, com ou sem Guus Til.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Guia da Eredivisie 2019/20: o começo do domínio isolado?

O Ajax fez festa na temporada 2018/19, após cinco anos de jejum. Quem será capaz de evitar a repetição da festa - e não só neste Campeonato Holandês 2019/20? (VI Images/Getty Images)

Quando se comenta sobre o Campeonato Holandês, é habitual citar que só Ajax, PSV e Feyenoord podem sonhar com o título - em que pese o "hiato" vivido há uma década, quando ganharam a Eredivisie AZ (2008/09) e Twente (2009/10). Ao longo desta década, o estereótipo parece ter encurtado: em que pese o histórico título do Feyenoord em 2016/17, saindo de uma fila de 18 anos, parece que a disputa da Eredivisieschaal se tornou privativa entre Ajax e PSV. Pois bem: pelas ocorrências na pré-temporada e pelas perspectivas que se veem, o Campeonato Holandês 2019/20 - que começa nesta sexta-feira, às 15h de Brasília, com Zwolle e Willem II se enfrentando - pode iniciar uma fase em que o Ajax despontará como o grande, talvez único, favorito efetivo ao título.

Faz parte de uma intenção: o desejo manifesto do diretor de futebol Marc Overmars é fazer do Ajax "o Bayern da Holanda". Por isso o clube superou seus desacertos nos últimos três anos para uma temporada 2018/19 que terminou quase perfeita, com a "dupla coroa" (campeonato e copa) - só não foi perfeita por certos três gols de Lucas Moura. Por isso, novamente o Ajax mostra força no mercado de transferências - principalmente, ao tirar do Sevilla Quincy Promes, que tinha mercado em centros mais competitivos do futebol europeu (mais ou menos o mesmo motivo pelo qual Dusan Tadic foi trazido do Southampton, antes da temporada passada). Por isso, em campo, a equipe se esforça para manter seus destaques - e os que saem, como Frenkie de Jong ou Matthijs de Ligt, já saem por quantias que permitem ao Ajax fazer investimentos e manter seu poderio no futebol da Holanda. Por tudo isso, a temporada começou bem, com o título ganho inquestionavelmente na Supercopa da Holanda. Nada grande, mas mantém o domínio.

Já não é o mesmo cenário do PSV. Durante algum tempo, o clube de Eindhoven sabia lidar bem com seu orçamento - grande, mas menor que o do Ajax. No meio desta década, a dupla que comandava o clube de Eindhoven (o diretor geral Toon Gerbrands e o diretor esportivo Marcel Brands) sabia antecipar possíveis saídas, buscando reposições de qualidade e promovendo os jovens mais talentosos. Há um ano, Brands se foi para o Everton-ING. Só nesta pré-temporada se teve dimensão do impacto da perda para os Boeren: saíram Luuk de Jong, Angeliño e Daniel Schwaab, sem que viessem nomes prontos para serem titulares. 

Restou ao técnico Mark van Bommel usar nomes inesperados (como o zagueiro Derrick Luckassen, recém-retornado de empréstimo ao Hertha Berlim e já titular da zaga) ou fazer improvisações (Michal Sadílek na lateral esquerda, Steven Bergwijn no meio-campo) para tentar começar bem a temporada e se consertar no decorrer dela. Deu errado: as quedas na Supercopa da Holanda e na Liga dos Campeões já colocam o vice-campeão holandês sob pressão, aparentemente menos capaz de fazer frente ao Ajax do que na temporada passada.

O Feyenoord, então, vive tempos de reformulação: muitos símbolos saíram (Tonny Vilhena, Robin van Persie, Giovanni van Bronckhorst), alguns novatos apareceram, mas a impressão é que o clube de Roterdã centrará esforços na construção do novo centro de treinamentos e no ambicioso projeto da Feyenoord City, estádio/complexo que substituirá De Kuip, de abertura prevista para 2024 - esperando que os boatos de possibilidade de investimento por parte de empresários norte-americanos se confirmem. 

Mais incapazes ainda de buscar o título parecem os clubes médios. É claro que AZ, Utrecht e Vitesse podem tirar algum ponto dos três grandes (ou até mesmo vencê-los) numa rodada ou noutra do campeonato. Mas raramente mostram regularidade e confiabilidade para sonharem com algo mais. Groningen e Heerenveen, antes habituados a dividirem o espaço com os três médios citados, andam perdidos em problemas internos. E o resto dos clubes do Campeonato Holandês se preocupa, antes de mais nada, com a própria sobrevivência.

O Ajax se preocupa com isso: aceita de bom grado sugestões adotadas para aumentar o nível técnico da Eredivisie. A partir desta temporada, haverá o rebaixamento direto de dois clubes, haverá o "acordo de cavalheiros" proibindo que um clube da primeira divisão tire um jogador das categorias de base de outro, haverá o acordo em que os participantes de competições europeias cedem 5% da renda da UEFA para divisão entre clubes menores. Entretanto, são paliativos. Que parecem cada vez mais insuficientes para evitar que o Ajax "descole" do Campeonato Holandês e entre numa "super-elite" europeia. Pior: sabe-se lá se os Ajacieden terão capacidade para repetirem as façanhas da temporada passada, o que inviabilizaria a entrada do clube de Amsterdã na fechada "super-elite".

Por tudo isso, a Eredivisie começa com uma pergunta: quem poderá parar o Ajax? Não só nesta temporada: nas próximas. É o que será visto por quem tiver interesse no Campeonato Holandês - novamente transmitido pelos canais ESPN. Para tentar ajudar a responder, o Espreme a Laranja falou sobre cada um dos dezoito clubes do campeonato, nos textos abaixo. Curta!

Guia da Eredivisie 2019/20: Zwolle

Alguns nomes chegaram, outros saíram... e o destaque Lennart Thy precisará se sobressair no Zwolle para evitar outra temporada de altos e baixos (VI Images/Getty Images)
Prins Hendrik Ende Desespereert Nimmer Combinatie - PEC Zwolle

Cidade: Zwolle
Estádio: Mac³Park (capacidade para 13.250 torcedores)
Apelidos: Zwollenaren, Dedos Azuis (em holandês, "Blauwvingers")
Títulos: nenhum, no Campeonato Holandês (uma Copa da Holanda e uma Supercopa da Holanda)
Patrocínio: Molecaten (empresa organizadora de acampamentos)
Técnico: John Stegeman
Destaque: Lennart Thy (meio-campista/atacante)
Fique de olho: Xavier Mous (goleiro)
Brasileiros no grupo de jogadores: nenhum
Temporada passada: 13º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/meio de tabela
Amistosos de pré-temporada:
29 de junho - FC Dalfsen 0x11 Zwolle
2 de julho - Hattem 0x8 Zwolle
5 de julho - Emmen 1x1 Zwolle
9 de julho - Zwolle 2x2 PAOK-GRE
16 de julho - ZAC 1x7 Zwolle
19 de julho - Zwolle 4x1 Cambuur
27 de julho - Zwolle 1x0 Asteras Tripolis-GRE
Principais chegadas: [Mike Hauptmeijer (G, Achilles '29)], Xavier Mous (G, Cambuur), Michael Zetterer (G, Werder Bremen-ALE), Sai van Wermeskerken (D, Cambuur), Etiënne Reijnen (D, Maccabi Haifa-ISR), [Kenneth Paal (D, PSV)], Thomas Bruns (M, Vitesse)Dennis Johnsen (M/A, Ajax), Mustafa Saymak (M, Rizespor-TUR), Reza Ghoochannejhad (APOEL-CHP) e Iliass Bel Hassani (A, AZ)
Principais saídas: Diederik Boer (G, encerrou a carreira), Mickey van der Hart (G, Lech Poznan-POL), Kingsley Ehizibue (D/A, Köln-ALE), Sepp van den Berg (D, Liverpool-ING), [Ouasim Bouy (M, Leeds United-ING)], [Denis Genreau (M, Melbourne City-AUS)], Younes Namli (M, Krasnodar-RUS), Clint Leemans (M/A, RKC Waalwijk) e Stanley Elbers (A, RKC Waalwijk)
Valor de mercado: 15,75 milhões de euros (via Transfer Markt)
Orçamento: 13,5 milhões de euros (via Voetbal International)


Legenda
Jogador (posição, clube)
Transferência definitiva
[Transferência definitiva após empréstimo]
Empréstimo
[retorno de empréstimo]

Ainda um clube pequeno (embora até Copa da Holanda já tenha ganho), o Zwolle tem cada vez mais dificuldades em seu projeto de se consolidar na primeira divisão, sofrendo com inconstâncias. Na temporada retrasada do Campeonato Holandês, rondou a zona da repescagem da Liga Europa durante boa parte da campanha, mas as atuações no returno foram tão ruins que custaram o lugar nas rodadas finais. Na passada, os "Dedos Azuis" sofreram demais no turno, ameaçados de rebaixamento. Só a chegada do técnico Jaap Stam (e o crescimento de produção de nomes como Kingsley Ehizibue, Lennart Thy e Mike van Duinen) fizeram com que o time subisse algumas posições, se cuidasse mais e, aos trancos e barrancos, garantisse mais uma temporada na Eredivisie. Mas os problemas seguem.

Ao mesmo tempo que foi decisivo na permanência do Zwolle, Jaap Stam preferiu aceitar a aposta do Feyenoord em seu nome, indo para um desafio maior como treinador do Stadionclub. John Stegeman veio do Go Ahead Eagles (segunda divisão), e comandará nos Zwollenaren um time que perdeu muitos destaques - Ehizibue, o zagueiro Sepp van den Berg (jovem que viu o cavalo selado chamado "proposta do Liverpool" chamando, e montou nele, indo para os Reds), o meio-campista Younes Namli (foi tão bem na criação de jogadas que a proposta do Krasnodar russo foi irrecusável). Entretanto, chegaram nomes que talvez ajudem. No gol, posição que sofreu com altos e baixos nas temporadas anteriores, estará Xavier Mous, bem pelo Cambuur na segunda divisão - e o alemão Michael Zetterer terá dois anos de empréstimo para desafiá-lo. Na lateral, Sai van Wermeskerken terá a missão de equilibrar apoio e marcação. E no ataque, Bel Hassani vem do AZ para ser titular. Com os remanescentes de qualidade (Thy, Van Duinen, Stanley Elbers), o Zwolle espera mais sossego. Precisa dar isso à sua torcida.