segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Fichário: os jogos e os vídeos da 14ª rodada da Eredivisie

NEC 2x3 Cambuur (sexta-feira, 26 de novembro de 2021)

Local: De Goffert (Nijmegen)
Árbitro: Rob Dieperink
Gols: Jamie Jacobs, aos 17', Edgar Barreto, aos 31', Ali Akman, aos 36', Roberts Uldrikis, aos 52', e Alex Bangura, aos 66'
Jogo resumido: O NEC começou melhor, e mesmo saindo atrás, partiu para a virada ainda antes do intervalo. Só não contava com a eficiência ofensiva do Cambuur, que aproveitou falhas, virou o jogo e conseguiu quatro vitórias seguidas, pela primeira vez em sua história na primeira divisão

NEC
Mattijs Branderhorst; Bart van Rooij, Ivan Márquez (Ilias Bronkhorst, aos 87'), Cas Odenthal e Souffian El Karouani (Calvin Verdonk, aos 74'); Edgar Barreto (Dirk Proper, aos 85'), Lasse Schøne e Magnus Mattson (Ole Romeny, aos 85'); Jordy Bruijn (Javier Vet, aos 74'), Ali Akman e Elayis Tavsan. Técnico: Rogier Meijer
 
CAMBUUR
Sonny Stevens; Doke Schmidt, Calvin Mac-Intosch, Erik Schouten (Maxim Gullit, aos 70') e Alex Bangura; Robin Maulun (Mitchel Paulissen, aos 82'), Mees Hoedemakers e Nick Doodeman (Michael Breij, aos 58'); Issa Kallon, Roberts Uldrikis (Tom Boere, aos 58') e Jamie Jacobs (Jasper ter Heide, aos 82'). Técnico: Henk de Jong



Fortuna Sittard 1x4 Groningen (sábado, 27 de novembro de 2021)

Local: Fortuna Sittard Stadion (Sittard)
Árbitro: Jeroen Manschot
Gols: Mats Seuntjens, aos 25', Cyril Ngonge, aos 29', George Cox (contra), aos 42', Daleho Irandust, aos 51', Jorgen Strand Larsen, aos 80'
Jogo resumido: O Fortuna Sittard até começou demonstrando força. Mas o Groningen empatou rápido, virou ainda antes do intervalo, e com um a mais em campo, foi soberano

FORTUNA SITTARD
Yanick van Osch; Mickaël Tirpan (Ivo Pinto, aos 57'), Martin Angha, Roel Janssen e George Cox; Tesfaldet Tekie, Ben Rienstra (Andreas Samaris, aos 72') e Arijanet Ferati (Nigel Lonwijk, aos 61'); Zian Flemming, Mats Seuntjens e Tijjani Noslin (Deroy Duarte, aos 57'). Técnico: Sjors Ultee 

GRONINGEN
Peter Leeuwenburgh; Neraysho Kasanwirjo, Marin Sverko (Meijer, aos 90'), Wessel Dammers e Bart van Hintum (Elias Olsson, aos 90'); Mike te Wierik e Laros Duarte; Mohamed El Hankouri, Daleho Irandust e Cyril Ngonge; Jorgen Strand Larsen. Técnico: Danny Buijs


Zwolle 0x0 RKC Waalwijk (sábado, 27 de novembro de 2021)

Local: Mac³Park Stadion (Zwolle)
Árbitro: Joey Kooij
Jogo resumido: Não é à toa que as duas equipes sofrem nas últimas posições do campeonato: o jogo teve muito nervosismo e poucas emoções. O pênalti perdido por Redan simbolizou a tensão

ZWOLLE
Kostas Lamprou; Siemen Voet, Sam Kersten, Yuta Nakayama e Kenneth Paal (Luka Adzic, aos 15'); Rico Strieder, Mustafa Saymak (Thomas van den Belt, aos 88') e Dean Huiberts; Mees de Wit, Daishawn Redan (Gervane Kastaneer, aos 71') e Eliano Reijnders. Técnico: Dick Schreuder 

RKC WAALWIJK
Etiënne Vaessen; Juriën Gaari, Ahmed Touba, Dario van den Buijs, Melle Meulensteen e Ayman Azhil; Saïd Bakari, Vurnon Anita e Iliass Bel Hassani (Lennerd Daneels, aos 71'); Jens Odgaard e Michiel Kramer (Finn Stokkers, aos 81'). Técnico: Joseph Oosting


Willem II 0x1 Go Ahead Eagles (sábado, 27 de novembro de 2021)

Local: Willem II Stadion (Tilburg)
Árbitro: Laurens Gerrets
Gols: Boyd Lucassen, aos 47'
Jogo resumido: O Willem II ainda jogou melhor no começo da partida. Mas o Go Ahead Eagles foi reagindo, fez o gol, e segurou a vantagem graças à boa defesa que tem, para conseguir importante e surpreendente vitória

WILLEM II
Timon Wellenreuther; Leeroy Owusu, Nikos Michelis, Ulrik Jenssen e Derrick Köhn; Gorkem Saglam, Pol Llonch (Ringo Meerveld, aos 71') e Dries Saddiki (Godfried Roemeratoe, aos 80'); Ché Nunnely (John Yeboah, aos 80'), Kwasi Wriedt (Anargyros Kampetsis, aos 64') e Mats Köhlert (Max Svensson, aos 64'). Técnico: Fred Grim

GO AHEAD EAGLES
Warner Hahn; Boyd Lucassen, Gerrit Nauber, Justin Bakker e Mats Deijl; Jay Idzes e Luuk Brouwers; Martijn Berden (Zakaria Eddachouri, aos 71') (Frank Ross, aos 90' + 2), Ragnar Oratmangoen e Philippe Rommens (Cuco Martina, aos 90' + 2); Isac Lidberg (Jacob Mulenga, aos 71'). Técnico: Kees van Wonderen


Sparta Rotterdam 0x1 Ajax (domingo, 28 de novembro de 2021)

Local: Het Kasteel (Roterdã)
Árbitro: Jochem Kamphuis
Gols: Dusan Tadic, aos 36'
Jogo resumido: Por muito tempo, foi o de sempre: o Ajax com massiva posse de bola, mas dificilmente entrando numa defesa fechada. Uma hora, o espaço apareceu, Tadic marcou, e os Ajacieden não tiveram mais problemas pelo resto do jogo

SPARTA ROTTERDAM
Maduka Okoye (Benjamin van Leer, aos 24'); Dirk Abels, Michael Heylen, Bart Vriends, Tom Beugelsdijk e Mica Pinto; Giannis Masouras, Adil Auassar (Mario Engels, aos 73') e Bryan Smeets; Vito van Crooij e Emmanuel Emegha (Lennart Thy, aos 73'). Técnico: Henk Fräser
 
AJAX
Remko Pasveer; Noussair Mazraoui, Jurriën Timber, Lisandro Martínez e Daley Blind (Nicolás Tagliafico, aos 87'); Ryan Gravenberch, Steven Berghuis e Edson Álvarez; David Neres, Danilo (Davy Klaassen, aos 80') e Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag


Twente 0x0 Feyenoord (domingo, 28 de novembro de 2021)

Local: De Grolsch Veste (Enschede)
Árbitro: Dennis Higler
Jogo resumido: No primeiro tempo, mais chutes do Feyenoord aqui, outros poucos do Twente ali, mas nenhum perigo. No segundo, os visitantes foram ao ataque em busca da vitória que os aproximaria da liderança, mas pararam na boa atuação do goleiro Unnerstall

TWENTE
Lars Unnerstall; Giovanni Troupée (Julio Pleguezuelo, aos 79'), Robin Pröpper, Mees Hilgers e Michal Sadilek; Ramiz Zerrouki, Michel Vlap (Jesse Bosch, aos 79') e Wout Brama (Jayden Oosterwolde, aos 86'); Daan Rots (Vaclav Cerny, aos 61'), Ricky van Wolfswinkel (Manfred Ugalde, aos 86') e Dimitris Limnios. Técnico: Ron Jans
 
FEYENOORD
Ofir Marciano; Marcus Pedersen (Lutsharel Geertruida, aos 82'), Gernot Trauner, Marcos Senesi e Tyrell Malacia; Fredrik Aursnes, Orkun Kökcü (Alireza Jahanbakhsh, aos 90' + 1) e Guus Til; Jens Toornstra, Bryan Linssen (Cyriel Dessers, aos 66') e Luis Sinisterra (Reiss Nelson, aos 66'). Técnico: Arne Slot


Utrecht 1x0 Heracles Almelo (domingo, 28 de novembro de 2021)

Local: De Galgenwaard (Utrecht)
Árbitro: Martin van den Kerkhof
Gol: Mats Knoester (contra), aos 90' + 3
Jogo resumido: Num jogo de pouquíssimas emoções, pelo menos o Utrecht buscou mais o gol. Perdeu a primeira chance, com o pênalti desperdiçado por Gustafson. Mas no fim do jogo, um gol contra resolveu

UTRECHT
Maarten Paes; Hidde ter Avest, Mike van der Hoorn, Mark van der Maarel e Django Warmerdam; Quinten Timber, Simon Gustafson e Adam Maher; Remco Balk, Anastasios Douvikas e Bart Ramselaar. Técnico: René Hake

HERACLES ALMELO
Janis Blaswich; Noah Fadiga (Navajo Bakboord, aos 58'), Marco Rente, Mats Knoester e Giacomo Quagliata; Lucas Schoofs, Luca de la Torre e Elias Sierra Cappeletti (Orestis Kiomourtzoglou, aos 63'); Ismaïl Azzaoui, Kaj Sierhuis e Delano Burgzorg. Técnico: Frank Wormuth


Heerenveen 1x1 PSV (domingo, 28 de novembro de 2021)

Local: Abe Lenstra (Heerenveen)
Árbitro: Allard Lindhout
Gols: Carlos Vinícius, aos 13', e Rami Al-Hajj, aos 73'
Jogo resumido: Após um começo de defesas superiores aos ataques, o PSV fez 1 a 0 e ficou tranquilo. Tão tranquilo que desperdiçou chances demais. Numa bola parada com rebote falho do goleiro, o Heerenveen surpreendeu com o empate

HEERENVEEN
Xavier Mous; Milan van Ewijk, Sven van Beek, Nick Bakker e Rami Kaib; Nicolas Madsen (Ibrahim Dresevic, aos 68'), Rodney Kongolo (Rami Al-Hajj, aos 46') e Joey Veerman; Filip Stevanovic (Benjamin Nygrén, aos 85'), Henk Veerman e Tibor Halilovic. Técnico: Johnny Jansen

PSV
Joël Drommel; Philipp Mwene, André Ramalho, Olivier Boscagli e Mauro Júnior (Armando Obispo, aos 75'); Ibrahim Sangaré e Erick Gutiérrez; Mario Götze e Ritsu Doan (Marco van Ginkel, aos 68'); Bruma e Carlos Vinicius (Yorbe Vertessen, aos 68'). Técnico: Roger Schmidt


Vitesse 0x0 AZ (domingo, 28 de novembro de 2021)

Local: GelreDome (Arnhem)
Árbitro: Danny Makkelie
Jogo resumido: Só mesmo o gol anulado do AZ, no fim do primeiro tempo (Pavlidis estava impedido) trouxe emoções a um jogo extremamente aborrecido

VITESSE
Markus Schubert; Danilho Doekhi, Riechedly Bazoer (Dominik Oroz, aos 60') e Jacob Rasmussen; Eli Dasa, Daan Huisman (Yann Gboho, aos 60'), Matus Bero (Toni Domgjoni, aos 46'), Sondre Tronstad (Patrick Vroegh, aos 60') e Maximilian Wittek; Loïs Openda (Million Manhoef, aos 84') e Thomas Buitink (Nikolai Baden Frederiksen, aos 60'). Técnico: Thomas Letsch 

AZ
Peter Vindahl; Pantelis Hatzidiakos, Sam Beukema, Bruno Martins Indi e Aslak Witry (Yukinari Sugawara, aos 80'); Fredrik Midtsjø, Jordy Clasie (Tijjani Reijnders, aos 76') e Owen Wijndal; Dani de Wit (Albert Gudmundsson, aos 68'), Vangelis Pavlidis (Zakaria Aboukhlal, aos 68') e Jesper Karlsson. Técnico: Pascal Jansen

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Grandes laranjas: Rep

Cabelos esvoaçantes, força física, gols, carisma: Johnny Rep foi uma das personalidades mais marcantes na Holanda de 1974 (e de 1978 também) (Getty Images)

Depois da eclosão internacional, com a geração dos anos 1970, vários atacantes da Holanda puderam ser chamados de "homem-gol" ao longo das últimas décadas. De Marco van Basten a Robin van Persie, passando por Dennis Bergkamp, Patrick Kluivert, Ruud van Nistelrooy, Klaas-Jan Huntelaar, até mesmo por Roy Makaay e Pierre van Hooijdonk, que não tiveram tanto espaço na seleção: goleadores são frequentes na história da seleção masculina dos Países Baixos. Muitos deles, com destaque em Copas do Mundo. Porém, a verdade é que nenhum dos citados acima fez tantos gols pela Laranja em Mundiais quanto o aniversariante do dia: Johnny Rep, 70 anos, o "bad boy" da geração vice-campeã mundial em 1974 e 1978.

Mais um jovem talentoso

O começo da carreira de Rep foi como tantos outros jogadores de sua geração - e das posteriores. Os primeiros passos no futebol foram dados num clube das redondezas - no caso, o ZFC, de sua cidade natal, onde ele começou em 1960, ainda na infância. E lá Rep começou a se habituar a jogar no ataque: tanto no meio da área quanto, principalmente, na ponta-direita, que virou sua posição preferencial. Bastou para Rep já ter sua primeira experiência para valer aos 16 anos, jogando no time principal do amador ZFC, que estava então na Tweede Divisie (a terceira divisão dos Países Baixos). 

Bastou mais ainda para que logo o jovem chamasse a atenção do Ajax, em 1969, antes mesmo de começar a fase adulta da carreira. O atacante rumou para os times de base Ajacieden naquele ano, esperou... e estreou na equipe de cima num ambiente desejável para todo jovem: um time dominante, em ótima fase, cheio de grandes jogadores. Era este o Ajax em 1971: recém-consagrado campeão europeu pela primeira vez, com nomes como Ruud Krol, Johan Neeskens, Johan Cruyff, Sjaak Swart... e, em 29 de agosto de 1971, no 1 a 1 contra o Sparta Rotterdam (terceira rodada do Campeonato Holandês 1971/72), aquele passava a ser o time de Johnny Rep, também.

O ponta dos gols importantes brilha em 1974

Ao lado de Johan Neeskens, Rep simbolizava a juventude promissora na época do que se convencionou chamar "Gloria Ajax". Aliás, a sua primeira temporada completa como titular do time de Amsterdã seria, talvez, a mais fulgurante daquela fase: em 1971/72, Tríplice Coroa completa - bicampeão europeu, campeão da Eredivisie e da Copa da Holanda. De quebra, ainda levando a Supercopa da Holanda, e, numa rara ocasião em que os Ajacieden aceitaram disputar o Mundial Interclubes, também o título intercontinental, contra o Independiente-ARG.

Rep segura a taça da Copa dos Campeões: no terceiro título seguido do Ajax, ele marcou o único gol da final, se confirmando como o "galo de ouro" dos gols decisivos (Nationaal Archief/ANP)

Mesmo jogando como ponta-esquerda, num time que circulava tanto pelo campo, Rep costumava ter espaço livre para aparecer no meio da área e finalizar. Foi assim, inclusive, que criou uma fama alvissareira e ganhou um apelido: "Het Goudhaantje", o "galo de ouro", aquele que sempre aparecia para fazer gols decisivos em partidas importantes. Provas? Bem, Rep foi autor de dois gols nos 3 a 0 do Ajax sobre o Independiente, na final do Mundial Interclubes. Mais decisivo ainda: na final da Copa dos Campeões de 1972/73, lá estava ele para cabecear e fazer o único gol contra a Juventus-ITA, rendendo o tricampeonato europeu aos Amsterdammers.

A velocidade e o senso goleador já bastaram para Rep ter as primeiras chances na seleção masculina da Holanda. Como que comprovando a capacidade para fazer gols, mesmo sem ter nisso sua principal utilidade no time, ele estreou na Laranja balançando as redes em seu primeiro jogo - vitória por 3 a 2 sobre a Espanha, num amistoso em 2 de maio de 1973. E o que mostrava no Ajax também foi suficiente para o "Anjo Loiro" (outro apelido de Rep) não só ser convocado para a Copa de 1974, mas chegar a ela como titular.

Se a Holanda impressionou na Copa de 1974, Rep foi um dos principais responsáveis por isso: ninguém marcou mais gols do que ele naquela equipe - 4 (Masahide Tomikoshi)


Titularidade comprovada logo na histórica estreia da Laranja naquela campanha, os 2 a 0 sobre o Uruguai: numa atuação ofensiva como poucos estavam acostumados no mundo do futebol, Rep mostrou presença de área (previsível, para um atacante alto e magro). Mostrou coragem - era daqueles atacantes que até preferia a disputa com os zagueiros. E o mais importante de tudo: mostrou gols - foram dele as duas bolas na rede dos uruguaios. Rep marcou mais dois gols naquela campanha: um nos 4 a 1 contra a Bulgária, na fase de grupos, outro nos 4 a 0 diante da Argentina, na segunda fase daquela Copa. Jogando todos os 90 minutos de todas as sete partidas holandesas naquela histórica participação, o atacante saiu daquela Copa como um dos principais atacantes do país. Isso, sem ser o "centroavante" de preferência, vindo da ponta-esquerda para o meio, aproveitando os espaços que Johan Cruyff e Rob Rensenbrink, os outros atacantes, abriam...

Queda na Espanha, doce vida na França - e a coragem na Copa de 1978

Mas o tempo passava, a época do "Gloria Ajax" se acabava, Johan Cruyff já tinha aberto a "porta de saída" em 1973, Johan Neeskens seguiu por ela logo após a Copa de 1974... e Rep também quis uma oportunidade em outro país. Ela surgiu em 1975. Também na Espanha. Mas não seria no Barcelona, onde Cruyff era a figura central e centralizadora, secundada por Neeskens: o Valencia foi o destino do atacante. Que até teve bons números (55 jogos, 22 gols), formou um trio de ataque que fez alguma fama na torcida dos Ches (Rep era um dos "Três Mosqueteiros", com Mario Kempes e o paraguaio Carlos Díaz)... mas, nas palavras do holandês, foi a pior fase de sua carreira. Tanto que, em 1975, ele sequer fez partidas pela seleção. E em 1976, apareceu pouco pela Laranja: só três partidas - numa delas, é verdade, um gol, contra a Bélgica, nas quartas de final da Euro (cuja fase final Rep jogou pouco: só a semifinal, contra a Tchecoslováquia, na qual foi substituído aos 67').

O problema foi solucionado em 1977. Contratado pelo Bastia, Rep reabriu um filão para jogadores holandeses, sendo o primeiro de sua geração a ir se experimentar na França. De certa forma, a escolha não poderia ter sido melhor. Desde os tempos de Ajax, Rep se notabilizava como o "bad boy" da geração "Laranja Mecânica" - aliás, desde criança, como a mãe comentou numa entrevista de época ("Quando ele era jovem, já era muito diferente dos outros. Todo mundo voltava da escola andando na calçada. Johnny, não: ele voltava pulando pelos telhados. Ele sempre estava brincando fora de casa, indo se aventurar, com amigos ou sozinho"). Já como jogador, nem mesmo se casar aos 21 anos fez com que Rep escapasse de histórias, verdadeiras ou não, sobre seu gosto pela vida noturna.

Rep já gostava da boa vida desde os tempos de Ajax. Chegando à França para jogar no Bastia, se divertiu fora de campo (aqui, com a cantora Jeanne Manson) sem se esquecer de atuar bem dentro 

E a França foi território perfeito para Rep recuperar as suas duas facetas. Fora de campo, costumeiramente aparecia ao lado de mulheres - até mesmo em capas de revista, como a Onze Mondial - e aproveitava a vida em boates da Córsega, a ilha onde fica Bastia. Em campo, com seus gols, Rep levou o Bastia a uma das grandes temporadas de sua história em 1977/78. Nem tanto pelo desempenho no Campeonato Francês, mas principalmente pela chegada à final da Copa da UEFA, na qual o clube azul caiu justamente para um clube holandês, o PSV. Pelo menos, a temporada já serviu para Rep se restabelecer como bom atacante. Eleito melhor estrangeiro jogando na França em 1977/78, ele já retomara um lugar na seleção, fazendo dois gols nos três jogos em que participou, nas eliminatórias da Copa de 1978. 

Rep brilhou menos na Copa de 1978, mas alguns gols seus ajudaram a Holanda em mais um vice-campeonato (AFP)

Quando chegou o Mundial propriamente dito, Rep já era novamente titular da Holanda. Jogando mais centralizado, foi nome fundamental num momento turbulento da campanha laranja na Argentina: na fase de grupos, fez um gol salvador na derrota por 3 a 2 para a Escócia - mesmo perdendo, a Laranja foi à segunda fase, pelo melhor saldo de gols. Na estreia pela segunda fase, Rep já fez dois nos 5 a 1 neerlandeses sobre a Áustria, vitória que catapultou a equipe para rumar a mais uma final de Copa. Nela, Rep só jogou 58 minutos, mas teve pelo menos uma boa chance de balançar as redes, no primeiro tempo. No todo, mostrou a coragem de sempre. Tanto dentro de campo, sem fugir de divididas com zagueiros, como fora, ao falar abertamente depois da final da Copa: "Não sentimos falta de Cruyff. E o senhor Rensenbrink se comportou como uma galinha medrosa. Nenhum time é campeão do mundo com covardes". Tinha moral para tanto: com os três gols marcados em 1978, Rep se tornava o holandês com mais gols em Copas do Mundo - lembrando que a marca ainda é dele.

Em clubes, Rep seguiu muito bem. Teve até mais um colega holandês no Bastia: o zagueiro Wim Rijsbergen chegou para a temporada 1978/79. Todavia, com boa parte dos jogadores vice-campeões da Copa da UEFA deixando o clube da Córsega pouco a pouco, Rep também continuou seu caminho. No melhor clube da França naquele período: o Saint-Étiënne, ao qual chegou em 1979. Nos Verdes, Rep virou titular absoluto do ataque. Tendo mais atrás a dupla Michel Platini e Jean-François Larios para criar jogadas, o atacante viveu uma grande fase na carreira, coroada com o título francês em 1980/81. Fora de campo, Rep curtia a vida até a ponto de ousar na música: gravou um compacto simples, com a canção "Hey Johnny".
Se Platini (à esquerda) era o ídolo, Rep ainda era o goleador: ambos foram a dupla que simbolizou o título francês do Saint-Étienne em 1980/81 (Onze Mondial)

O bom momento vivido no Saint-Étiënne contrabalançou a decadência lenta na seleção holandesa. Já a partir de 1979, Rep perdeu espaço na Laranja. Ainda foi à Euro 1980, marcou mais um gol nela (na derrota por 3 a 2 para a Alemanha), mas a queda na fase de grupos sinalizava que a geração dos anos 1970 perdia o brilho. Em meio a problemas pessoais, incluindo exagero em álcool, Rep simbolizava muito dessa queda, mesmo ainda abaixo dos 30 anos de idade. E a derrota para a França, na última rodada das eliminatórias da Copa de 1982, tirando os neerlandeses do Mundial, foi também a última das 42 partidas de Rep pela seleção. Até poucos gols marcados (12). Mas muitos deles, decisivos.

Na volta à Holanda, mais piadas

Rep ficou no Saint-Étiënne até 1983. Com a idade chegando, fez o que boa parte dos colegas de geração fazia: voltou à Holanda, para passagens mais discretas. Mas até nelas, ele deu um jeito de se sobressair. Primeiro, no Zwolle: o atacante defendeu os "Dedos Azuis" na temporada 1983/84, junto a outro contemporâneo que estava encerrando a carreira, o goleiro Piet Schrijvers - e fazendo alguns gols: cinco, nos 32 jogos em que atuou. Depois, no Feyenoord: mesmo com toda a história no Ajax, Rep chegou ao Stadionclub em 1984. Fez parte de um grupo que terminou a Eredivisie por duas temporadas seguidas na terceira posição. 

Rep (ajoelhado) ainda teve uma passagem no Feyenoord, na reta final da carreira (Pro Shots)

Rep ainda fez brincadeiras, quando pôde. Uma delas, lembrou com bom humor ao jornalista David Winner, no livro Brilliant Orange: num jogo pelo Feyenoord, um dos bandeirinhas era John Blankenstein (1949-2006), homossexual assumido e militante. Titular no ataque, Rep teve vários impedimentos apontados. Num deles, gritou do meio do campo para Blankenstein: "Olhe aqui, Jan: se você marcar mais um impedimento meu, eu não vou pagar aquele boquete que eu te prometi no fim do jogo". O próprio Blankenstein explodiu numa gargalhada.

Enfim, em 1986, deixando o Feyenoord, Rep fez apenas mais cinco partidas no Haarlem, até encerrar a carreira, no começo de 1987. Se teve aparições em campo aqui e ali depois (era atacante na seleção master da Holanda que veio ao Brasil em 1990, sendo vice-campeã da Copa do Craque, também intitulada "Copa Zico"), Rep não chegou a seguir uma carreira de treinador, comandando apenas equipes amadoras. Mas seguiu circundando o meio do futebol - frequenta a Johan Cruyff Arena sempre que pode, por exemplo. Tem sua fama mantida nos livros (foi tema de duas biografias). E ainda mantém o ar jovial que o faz desdenhar do fato de se tornar septuagenário, conforme brincou ao ser entrevistado pelo jornal Algemeen Dagblad: "Bah, idade é só um número..."



John Nicolaas "Johnny" Rep
Data de nascimento: 25 de novembro de 1951, em Zaandam
Clubes: Ajax (1971 a 1975), Valencia-ESP (1975 a 1977), Bastia-FRA (1977 a 1979), Saint Étienne-FRA (1979 a 1983), Zwolle (1983 e 1984), Feyenoord (1984 a 1986) e Haarlem (1986 e 1987)
Seleção: 42 jogos e 12 gols, entre 1973 e 1981

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Fichário: os jogos e os vídeos da 13ª rodada da Eredivisie

PSV 2x0 Vitesse (sábado, 20 de novembro de 2021)

Local: Philips Stadion (Eindhoven)
Árbitro: Bas Nijhuis
Gols: Ibrahim Sangaré, aos 19', e Bruma, aos 30'
Jogo resumido: Com eficiência nas (bonitas) finalizações, o PSV superou a onda de lesões em seu grupo para vencer os visitantes de Arnhem com facilidade, já encaminhando o triunfo no 1º tempo

PSV
Joël Drommel; Philipp Mwene, André Ramalho, Olivier Boscagli e Mauro Júnior; Mario Götze, Ibrahim Sangaré, Erick Gutiérrez e Bruma (Yorbe Vertessen, aos 74'); Ritsu Doan (Davy Pröpper, aos 90') e Carlos Vinícius (Maxi Romero, aos 85'). Técnico: Roger Schmidt
 
VITESSE
Markus Schubert; Danilho Doekhi, Riechedly Bazoer (Romaric Yapi, aos 80') e Jacob Rasmussen; Eli Dasa (Oussama Darfalou, aos 80'), Matus Bero, Sondre Tronstad e Maximilian Wittek; Nikolai Baden Frederiksen (Daan Huisman, aos 46'), Thomas Buitink (Julian von Moos, aos 46') e Loïs Openda. Técnico: Thomas Letsch


Sparta Rotterdam 0x1 Twente (sábado, 20 de novembro de 2021)

Local: Het Kasteel (Roterdã)
Árbitro: Edwin van de Graaf
Gol: Ricky van Wolfswinkel, aos 82'
Jogo resumido: Até que o gol demorou. Mas no geral, desde o começo, o time visitante controlou o ritmo da partida, e tinha mais chances do que o Sparta. Vitória merecida do Twente

SPARTA ROTTERDAM
Maduka Okoye; Giannis Masouras (Vito van Crooij, aos 85'), Bart Vriends, Tom Beugelsdijk e Mica Pinto (Kenzo Goudmijn, aos 85'); Dirk Abels, Adil Auassar (Mohammed Osman, aos 85'), Bryan Smeets e Sven Mijnans (Aaron Meijers, aos 67'); Lennart Thy e Emmanuel Emegha (Mario Engels, aos 74'). Técnico: Henk Fräser

TWENTE
Lars Unnerstall; Giovanni Troupée, Robin Pröpper, Mees Hilgers (Julio Pleguezuelo, aos 84') e Michal Sadílek; Ramiz Zerrouki (Michel Vlap, aos 64'), Wout Brama e Jayden Oosterwolde; Daan Rots (Vaclav Cerny, aos 83'), Ricky van Wolfswinkel e Dimitris Limnios (Denilho Cleonise, aos 90' + 2). Técnico: Ron Jans


AZ 1x1 NEC (sábado, 20 de novembro de 2021)

Local: AFAS Stadion (Alkmaar)
Árbitro: Jeroen Manschot
Gols: Jordy Bruijn, aos 9', e Zakaria Aboukhlal, aos 90' + 2
Jogo resumido: O NEC saiu na frente ainda durante o começo do jogo. E o AZ passou o resto dos noventa minutos tentando o empate. No último lance da partida, conseguiu

AZ
Peter Vindahl; Yukinari Sugawara (Aslak Witry, aos 77'), Pantelis Hatzidiakos (Sam Beukema, aos 83'), Bruno Martins Indi e Owen Wijndal; Fredrik Midtsjø (Hakon Evjen, aos 64'), Dani de Wit e Jordy Clasie; Albert Gudmundsson (Tijjani Reijnders, aos 64'), Vangelis Pavlidis (Zakaria Aboukhlal, aos 83') e Jesper Karlsson. Técnico: Pascal Jansen 

NEC
Mattijs Branderhorst; Bart van Rooij, Iván Márquez, Cas Odenthal e Souffian El Karouani; Edgar Barreto (Dirk Proper, aos 72'), Lasse Schøne e Magnus Mattson (Calvin Verdonk, aos 83'); Jonathan Okita, Ali Akman (Pedro Ruiz, aos 64') e Jordy Bruijn (Javier Vet, aos 72'). Técnico: Rogier Meijer


Heracles Almelo 3x1 Fortuna Sittard (sábado, 20 de novembro de 2021)

Local: Erve Asito/Polman (Almelo)
Árbitro: Danny Makkelie
Gols: Ismaïl Azzaoui, aos 6' e aos 30', Zian Flemming, aos 9', e Kaj Sierhuis, aos 67'
Jogo resumido: Após um começo mais frenético, o Heracles se valeu do ótimo dia de seu ataque (personificado em Azzaoui) para acertar as finalizações e conseguir triunfo importante

HERACLES ALMELO
Janis Blaswich; Noah Fadiga, Marco Rente, Mats Knoester e Ruben Roosken; Lucas Schoofs, Luca de la Torre e Elias Sierra Capelletti (Martin Laursen, aos 67'); Ismaïl Azzaoui (Orestis Kiomourtzoglou, aos 87'), Kaj Sierhuis (Sinan Bakis, aos 87') e Delano Burgzorg. Técnico: Frank Wormuth

FORTUNA SITTARD
Yanick van Osch; Mickaël Tirpan (Justin Lonwijk, aos 74'), Martin Angha, Roel Janssen e George Cox; Tijjani Noslin (Emil Hansson, aos 80'), Tesfaldet Tekie, Ben Rienstra (Deroy Duarte, aos 74') e Arijanet Ferati (Toshio Lake, aos 74'); Zian Flemming e Mats Seuntjens. Técnico: Sjors Ultee


Go Ahead Eagles 0x1 Groningen (domingo, 21 de novembro de 2021)

Local: De Adelaarshorst (Deventer)
Árbitro: Sander van der Eijk
Gol: Jorgen Strand Larsen, aos 50'
Jogo resumido: No primeiro tempo, mesmo com o Go Ahead Eagles se insinuando aqui e ali, o Groningen buscou muito mais o gol. Bastou ser eficiente para achá-lo, já no começo do segundo tempo, e controlar tranquilamente a partida.

GO AHEAD EAGLES
Warner Hahn; Boyd Lucassen, Gerrit Nauber, Joris Kramer e Mats Deijl; Luuk Brouwers, Philippe Rommens (Justin Bakker, aos 79'), Ragnar Oratmangoen e Giannis Botos (Martijn Berden, aos 59'); Iñigo Córdoba e Isac Lidberg (Jacob Mulenga, aos 79'). Técnico: Kees van Wonderen 

GRONINGEN
Peter Leeuwenburgh; Neraysho Kasanwirjo, Wessel Dammers, Marin Sverko e Bart van Hintum; Laros Duarte (Mike te Wierik, aos 84') e Daleho Irandust (Patrick Joosten, aos 85'); Mohamed El Hankouri, Michael de Leeuw e Tomas Suslov; Jorgen Strand Larsen. Técnico: Danny Buijs


Feyenoord 4x0 Zwolle (domingo, 21 de novembro de 2021)

Local: De Kuip (Roterdã)
Árbitro: Martin van den Kerkhof 
Gols: Bryan Linssen, aos 6' e aos 31', Luis Sinisterra, aos 9', Guus Til, aos 35'
Jogo resumido: Nem a mudança de técnico melhorou a situação do lanterna Zwolle: em 35 minutos, um Feyenoord fluente e veloz com a bola construiu a goleada e garantiu a vitória. O segundo tempo foi só uma formalidade

FEYENOORD
Justin Bijlow; Marcus Pedersen (Lutsharel Geertruida, aos 67'), Gernot Trauner, Marcos Senesi e Tyrell Malacia; Fredrik Aursnes, Guus Til (João Teixeira, aos 82') e Orkun Kökcü; Jens Toornstra (Alireza Jahanbakhsh, aos 67'), Bryan Linssen (Cyriel Dessers, aos 66') e Luis Sinisterra (Reiss Nelson, aos 67'). Técnico: Arne Slot
 
ZWOLLE
Kostas Lamprou; Rav van den Berg, Sam Kersten, Yuta Nakayama e Kenneth Paal; Dean Huiberts (Tijjani Reijnders, aos 46'), Mustafa Saymak (Thomas van den Belt, aos 61') e Rico Strieder; Luka Adzic (Gervane Kastaneer, aos 61'), Slobodan Tedic (Mark Pabai, aos 46') e Mees de Wit. Técnico: Dick Schreuder


Heerenveen 2x1 Willem II (domingo, 21 de novembro de 2021)

Local: Abe Lenstra (Heerenveen)
Árbitro: Serdar Gözübüyük
Gols: Ché Nunnely, aos 69', Filip Stevanovic, aos 70', Nick Bakker, aos 76'
Jogo resumido: O Heerenveen teve um jogador expulso já aos 22' (Musaba). Ainda atacou no primeiro tempo, mas logo teve de cuidar mais da defesa, até que o Willem II abriu o placar. Mas o time da casa mostrou coragem, teve competência e virou, inesperada e elogiavelmente

HEERENVEEN
Xavier Mous; Milan van Ewijk, Ibrahim Dresevic, Nick Bakker e Rami Kaib (Lucas Woudenberg, aos 46'); Nicolas Madsen (Rodney Kongolo, aos 46'), Tibor Halilovic e Joey Veerman; Anthony Musaba, Henk Veerman e Filip Stevanovic (Rami Al Hajj, aos 85'). Técnico: Johnny Jansen

WILLEM II
Timon Wellenreuther; Leeroy Owusu, Max Svensson (Ringo Meerveld, aos 64'), Ulrik Jenssen e Derrick Köhn (Miquel Nelom, aos 64'); Godfried Roemeratoe, Nikos Michelis e Dries Saddiki (John Yeboah, aos 83'); Ché Nunnely (Gorkem Saglam, aos 83'), Kwasi Wriedt e Mats Köhlert. Técnico: Fred Grim


RKC Waalwijk 0x5 Ajax (domingo, 21 de novembro de 2021)

Local: Mandemakers (Waalwijk)
Árbitro: Allard Lindhout
Gols: Sébastien Haller, aos 17' e aos 83', Steven Berghuis, aos 42' e aos 57', Jurriën Timber, aos 74'
Jogo resumido: Bem que o RKC Waalwijk tentou se proteger, no começo. Mas após dois jogos amargando 0 a 0, o ataque do Ajax voltou a funcionar no Campeonato Holandês. E a goleada foi segura

RKC WAALWIJK
Etienne Vaessen; Juriën Gaari, Shaun Adewoye, Ahmed Touba, Melle Meulensteen e Luuk Wouters (Lennerd Daneels, aos 76'); Saïd Bakari (Iliass Bel Hassani, aos 61'), Vurnon Anita e Sebbe Augustijns; Michiel Kramer (Finn Stokkers, aos 76') e Jens Odgaard. Técnico: Joseph Oosting 

AJAX
Remko Pasveer; Noussair Mazraoui, Jurriën Timber (Perr Schuurs, aos 79'), Lisandro Martínez e Daley Blind; Ryan Gravenberch (Davy Klaassen, aos 60'), Steven Berghuis (Zakaria Labyad, aos 79') e Edson Álvarez; Antony (David Neres, aos 70'), Sébastien Haller e Dusan Tadic (Mohamed Daramy, aos 70'). Técnico: Erik ten Hag


Cambuur 2x1 Utrecht (domingo, 21 de novembro de 2021)

Local: Cambuurstadion (Leeuwarden)
Árbitro: Dennis Higler
Gols: Roberts Uldrikis, aos 23', Moussa Sylla, aos 32', e Jamie Jacobs, aos 55'
Jogo resumido: O Cambuur se mostrou bem mais intenso do que o Utrecht em campo, e conseguiu a terceira vitória seguida, embalando uma excelente campanha - 7º lugar, a dois pontos justamente dos Utregs

CAMBUUR
Sonny Stevens; Doke Schmidt, Erik Schouten, Calvin Mac-Intosch e Alex Bangura; Mitchel Paulissen (Michael Breij, aos 46'), Mees Hoedemakers e David Sambissa (Maxim Gullit, aos 90'); Issa Kallon, Roberts Uldrikis e Jamie Jacobs (Jasper ter Heide, aos 86'). Técnico: Henk de Jong

UTRECHT
Maarten Paes; Hidde ter Avest, Mark van der Maarel, Willem Janssen e Django Warmerdam; Quinten Timber (Mimoun Mahi, aos 80'), Joris van Overeem e Bart Ramselaar; Moussa Sylla (Remco Balk, aos 80'), Anastasios Douvikas e Othman Boussaid (Sander van de Streek, aos 69'). Técnico: René Hake

terça-feira, 16 de novembro de 2021

A volta! Por baixo...

Final feliz: a decisão contra a Noruega foi tensa durante a maior parte dos 90 minutos, mas afinal a Holanda fez os gols, fez o que precisava, e voltará à Copa do Mundo (Pim Ras)

Era para De Kuip estar lotado nesta terça-feira, quando a seleção masculina da Holanda (Países Baixos) enfrentasse a Noruega, na última rodada das eliminatórias da Copa de 2022. O bloqueio parcial imposto pelo governo do país, para conter a nova onda de infecções pelo coronavírus, fez com que o estádio ficasse sem público. Cenário até mais apropriado para uma partida com mais tensão do que brilho. Partida na qual a Holanda foi só um pouco melhor do que no infeliz 2 a 2 contra Montenegro. Pelo menos, foi o suficiente para a Laranja conseguir o que precisava e desejava: vitória, e garantia do retorno a um Mundial, após oito anos de ausência.

Desde o princípio de jogo, ficou claro que o ritmo seria o habitual num jogo da Oranje: posse de bola massiva do time da casa, diante de uma Noruega retraída. Por um lado, havia melhoras inegáveis. A intensidade era maior, o ritmo do time era mais acelerado. Além do mais, nos raríssimos espaços que os visitantes cediam na defesa, os pontas escalados tentavam criar jogadas. Arnaut Danjuma buscava dribles na esquerda - e teve até uma finalização, aos 26', chutando colocado para fora. Mas principalmente, Steven Bergwijn era veloz na direita. E cruzava bolas: como aos 13' e aos 28', ambos completados pela cabeça de Memphis Depay, ambos defendidos pelo goleiro Orjan Nyland. Aliás, a direita era o lugar preferencial para as tentativas da Holanda: além de Bergwijn, Denzel Dumfries e Davy Klaassen também apareciam bastante por ali. Sem contar Memphis Depay: além dos cabeceios supracitados, houve ainda um belo voleio do camisa 10, aos 40', também defendido por Nyland. 

Porém, mesmo com essas melhoras, mesmo com as ameaças nulas da Noruega (nenhum chute a gol no primeiro tempo), a Holanda também não impressionava. Era só um pouco mais segura do que fora contra Montenegro. Apenas cuidava de manter o empate. Era compreensível: afinal, mesmo com a vitória sobre os montenegrinos (2 a 1), a Turquia precisaria vencer por 13 ou mais gols de diferença se quisesse o primeiro lugar do grupo.  Mas também era muito arriscado: por mais que a igualdade fosse um placar seguro para a Laranja, qualquer erro poderia colocar os visitantes na frente em De Kuip. Erro que poderia surgir numa jogada exageradamente previsível: a troca de passes entre Virgil van Dijk, Matthijs de Ligt (substituto do lesionado Stefan de Vrij) e Jasper Cillessen (o goleiro escolhido para substituir o também machucado Justin Bijlow). Era para manter a posse de bola. Dava certo. Mas qualquer erro...

À frente, Bergwijn sai para comemorar o gol que coroou ótima atuação. Atrás, desfocado, Daley Blind ajoelhava: era o fim da tensão (Pro Shots)

Erro que certamente a Noruega tentaria forçar. Não só com quem já estava em campo (Martin Odegaard, Mohamed Elyounoussi, Alexander Sorloth), mas com quem entrou no intervalo, como Jens Petter Hauge e Kristian Thorstvedt - que tentou um chute aos 55'. Ainda assim, no fio da navalha, a Holanda mantinha o controle. Na tribuna em que estava sentado, numa cadeira de rodas (após o acidente ciclístico sofrido no domingo), Louis van Gaal gostava do que via - "Já no intervalo, eu os parabenizei por estarem seguindo o plano de jogo", revelou o técnico na coletiva de imprensa. Mas ficava a tensão, num jogo ruim: e se algo desse errado?

Não só não deu, como aos poucos os espaços apareceram para a Holanda. De novo, nos cruzamentos de Bergwijn. Primeiro, aos 65', Danjuma completou para fora; aos 77', Memphis Depay tentou duas vezes - a primeira foi rebatida, a segunda também saiu. Curiosamente, só numa jogada de troca de passes é que veio o gol indicador do alívio. Daley Blind (bem melhor nesta terça) passou a Memphis, este deu a bola a Danjuma, que ajeitou para Bergwijn bater como todo atacante gosta: chute forte, seco, para estufar a rede e fazer 1 a 0. Não bastasse isso, Bergwijn ainda coroou sua atuação como melhor do jogo puxando o contra-ataque do último gol, já nos acréscimos, apenas servindo Memphis Depay para que ele se tornasse um dos goleadores das eliminatórias europeias, marcando seu 12º gol na campanha.

Foi uma atuação apenas protocolar da Holanda. Se houve volta à Copa, foi uma volta por baixo, não por cima. Pela porta dos fundos. Mas isso não importava muito, como o capitão Van Dijk lembrou após o jogo, à emissora NOS: "O que importava era o resultado". Então, era o típico caso de "tudo bem quando acaba bem". E acabou bem. Com a vaga no Mundial.

Eliminatórias para a Copa de 2022 - Europa
Holanda 2x0 Noruega
Data: 16 de novembro de 2021
Local: De Kuip (Roterdã)
Juiz: Clément Turpin (França)
Gols: Steven Bergwijn, aos 84', e Memphis Depay, aos 90' + 1

Holanda
Jasper Cillessen; Denzel Dumfries, Matthijs de Ligt, Virgil van Dijk e Daley Blind; Georginio Wijnaldum, Frenkie de Jong e Davy Klaassen (Marten de Roon); Steven Bergwijn, Memphis Depay e Arnaut Danjuma (Nathan Aké). Técnico: Louis van Gaal

Noruega
Orjan Nyland; Marcus Pedersen (Thomas Olsen), Stefan Strandbergh, Andreas Hanche-Olsen e Birger Meling; Martin Odegaard, Mathias Normann (Stian Gregersen), Morten Thorsby (Kristian Thorstvedt) e Ola Solbakken (Jens Petter Hauge) (Joshua King); Alexander Sorloth e Mohamed Elyounoussi. Técnico: Stale Solbakken

domingo, 14 de novembro de 2021

Quem confia?

Mesmo jogando mal, a Holanda conseguia aproveitar a ajuda do destino, e garantia lugar na Copa. Mas as falhas tiveram punição cruel contra Montenegro. E a tensão aumentou (ANP)

O destino estava ajudando. Antes mesmo da seleção masculina da Holanda (Países Baixos) entrar em campo pelas eliminatórias da Copa de 2022, a Noruega - principal concorrente por vaga no Mundial - apenas empatara com a Letônia (0 a 0). Se ganhasse de Montenegro, a Laranja garantiria um lugar no torneio. Mesmo jogando mal, o time holandês conseguia isso. Todavia, os erros causaram o pior efeito possível, na pior hora possível: nos dez minutos finais, os montenegrinos empataram. E a Oranje fracassou ao tentar antecipar sua tarefa. Terá mesmo de decidir um lugar na Copa contra os noruegueses, na próxima terça, sem público em De Kuip. De certa forma, escolheu passar pelo drama.

A bem da verdade, tal escolha já estava delineada desde que a partida em Podgorica começou. Porque os neerlandeses tinham seríssimas dificuldades em criar jogadas contra um time da casa muito bem compactado: compensava ausências como as de Stevan Jovetic e Adam Marusic com cinco na defesa e quatro no meio-campo, fechando espaço para tabelas. De quebra, alguns nomes tinham má atuação - principalmente pelo lado direito, onde Denzel Dumfries deixava muitos espaços, e Donyell Malen não conseguia ser rápido nas tabelas. Restava a Virgil van Dijk e Stefan de Vrij, a dupla de zaga, trocarem passes - e quando erravam, Montenegro estava a postos para assustar. Como aos 17': Van Dijk e o goleiro Justin Bijlow se desacertaram, e Vladimir Jovovic chutou na rede pelo lado de fora.

A Oranje só se aliviou porque, aos 25', Marko Jankovic derrubou Davy Klaassen exatamente na linha de entrada da área. Como fora na vitória holandesa sobre os montenegrinos (4 a 0 em Eindhoven), Memphis Depay abriu o placar chutando da marca da cal. E aí, a Holanda pôde respirar um pouco mais - quase Arnaut Danjuma (de atuação esforçada, pelo menos) fez 2 a 0, aos 36', chutando rente à trave. Mas mesmo em vantagem, os visitantes continuavam com lentidão exagerada. E os anfitriões alertavam, como em perigoso chute de Jankovic que Bijlow espalmou, aos 39'.

Se a Holanda queria ficar um pouco mais tranquila, precisava de um gol. Ele veio, num dos raros momentos em que o time circulou a bola com velocidade: aos 54', Danjuma inverteu a jogada, Dumfries cruzou, Memphis finalizou de letra para o 2 a 0 (seu 37º gol pela seleção masculina, igualando Dennis Bergkamp e Arjen Robben como o quarto maior goleador da história dela). Aí, e só aí, a Holanda experimentou alguma tranquilidade. Saíram nomes como Frenkie de Jong, com dores leves no tornozelo, e Georginio Wijnaldum, também sem forma total após o mal estar do meio de semana. Em três minutos, já na reta final, Steven Bergwijn (76') e Denzel Dumfries (78') chutaram para  Stefan Savic bloquear, além de Stefan de Vrij cabecear para fora. Mesmo lenta, a Holanda já parecia até se sentir na Copa. Poucas coisas poderiam dar errado.

Memphis Depay fez o possível: com dois gols, avançou na lista de goleadores históricos da seleção. O que não quer dizer que sua atuação foi perfeita (Getty Images)

Mas deram. Porque, mesmo na frente do placar, a  Holanda seguia lenta e preciosista demais, sem intensidade. Porque tanto Teun Koopmeiners quanto Ryan Gravenberch, substitutos respectivos de Wijnaldum e De Jong no ataque, deixavam espaços. E porque Montenegro foi ao ataque com algumas alterações, acelerando o jogo. Isso começou a ser visto aos 82', quando Ilija Vukovic (um reserva que entrara) escapou da marcação de Koopmeiners, driblou Bijlow e diminuiu a vantagem. Impacto que pesou para os holandeses. Eles precisariam se cuidar mais. Não o fizeram. Aos 86', o castigo: cruzamento da esquerda, após mais uma falha defensiva de Dumfries. Desatenção e lentidão de Daley Blind na área. E Nikola Vujnovic, outro avante vindo da reserva, o superou e cabeceou, para o empate.

A soma de todas as falhas holandesas tinha um duro castigo. Tão repentino que Louis van Gaal assumia "não poder explicar" o que acontecera nos últimos dez minutos. Se a pressão antes destas rodadas das eliminatórias era tranquila, ela se tornara subitamente recheada de desconfianças. Certo: falando friamente, a situação da Holanda ainda tem boas possibilidades. Em De Kuip, na terça, bastará a vitória sobre a Noruega para estar na Copa. Nem mesmo o empate é ruim: para tomar a primeira posição do grupo G, neste caso, a Turquia precisaria reverter uma desvantagem de 13 gols no saldo (+23 da Holanda contra +10), ao pegar Montenegro.

Mas depois de uma queda tão repentina, depois de tanta inconstância... quem confia na Holanda?

Eliminatórias para a Copa de 2022 - Europa
Montenegro 2x2 Holanda
Data: 13 de novembro de 2021
Local: Gradski Stadion/Podgoricom (Podgorica)
Juiz: Carlos del Cerro Grande (Espanha)
Gols: Memphis Depay, aos 25' e aos 54', Ilija Vukotic, aos 82', e Nikola Vujnovic, aos 86'

Montenegro
Matija Sarkic; Marko Vukcevic, Igor Vujacic, Stefan Savic, Zarko Tomasevic (Milos Raickovic) e Risto Radunovic; Vladimir Jovovic (Nikola Vujnovic), Marko Jankovic (Drasko Bozovic), Milutin Osmajic e Sead Haksabanovic (Ilija Vukotic); Uros Djurdjevic (Fatos Beciraj). Técnico: Miodrag Radulovic

Holanda
Justin Bijlow; Denzel Dumfries, Stefan de Vrij (Matthijs de Ligt), Virgil van Dijk e Daley Blind; Georginio Wijnaldum (Teun Koopmeiners), Frenkie de Jong (Ryan Gravenberch) e Davy Klaassen; Donyell Malen (Steven Bergwijn), Memphis Depay e Arnaut Danjuma (Noa Lang). Técnico: Louis van Gaal