quinta-feira, 31 de março de 2022

Nada mal

A seleção da Holanda ainda tem muito a fazer, e o empate contra a Alemanha indicou isso. Assim como indicou que a Laranja também está num bom caminho (Pro Shots/Stanley Gontha)


A seleção masculina da Holanda já causara boa impressão na vitória sobre a Dinamarca. Mas era um desafio até abaixo do que veio nesta terça-feira: a Alemanha, rival preferencial da Laranja, historicamente superior a ela no retrospecto, também numa ascensão consistente (os alemães tinham somente vitórias sob o comando de Hans-Joachim "Hansi" Flick). E de fato, a Mannschaft de tantas histórias contra a Oranje foi melhor durante parte do jogo. Mas a equipe neerlandesa cresceu em Amsterdã, mostrou qualidades, e embora não tenha vencido, o empate em 1 a 1 deixou a boa impressão de que a Holanda está num caminho promissor.

No começo do que foi um amistoso tremendamente equilibrado, tanto neerlandeses quanto alemães tiveram boas chances. Se a Oranje tentou num cabeceio forte de Teun Koopmeiners, os germânicos foram até mais ousados, num chute de Leroy Sané, na rede pelo lado de fora. E se a dona da casa tinha rapidez com a bola nos pés - algo comprovado pela grande chance de Donyell Malen (titular desta vez), superando Antonio Rüdiger e chutando para fora aos 35' -, a Alemanha ficava mais com a esférica. Mais do que isso: aproveitava os óbvios espaços que vinham pelas laterais, com dois nomes holandeses ofensivos como Denzel Dumfries, na direita, e Tyrell Malacia, na esquerda.

E aí, as chances tedescas se avolumaram. Já havia o citado chute de Sané (boa atuação), Jamal Musiala era opção constante na esquerda, tanto Thilo Kehrer quanto David Raum também faziam boas jogadas pelas pontas... e havia Thomas Müller. Que comprovou o quanto ainda é confiável para a Alemanha ao fazer 1 a 0, no minuto final do primeiro tempo, completando com chute forte o cruzamento de Musiala. Era um reconhecimento de que, aos poucos, os germânicos acuaram a Holanda no campo de defesa. E se ela não fizesse nada na etapa final, poderia ver a vitória da arquirrival em casa, de novo.

No primeiro tempo, após equilíbrio, a Alemanha terminou dominando a Holanda - e no meio de jovens como Musiala, coube a Thomas Müller, velho e confiável conhecido, o gol (Matthias Koch/IMAGO)

Van Gaal até fez, colocando Georginio Wijnaldum (novamente iniciando na reserva - não acontecia em dois jogos seguidos desde 2017) no lugar de Koopmeiners. Porém, ainda não era o bastante: se a defesa tinha alguma segurança, com Virgil van Dijk impondo a liderança de sempre e o goleiro Mark Flekken mais seguro no jogo com os pés, "Gini" desacelerava demais os avanços holandeses, facilitando as coisas para os alemães. Tal problema só foi consertado com as duas entradas seguintes, de Davy Klaassen e, principalmente, Steven Bergwijn.

Pois é: outra vez, o atacante do Tottenham jogou muito bem. Entrosou-se com Memphis Depay, acelerou o ataque, e foi premiado ao marcar o gol do empate, completando triangulação - belo lançamento de Frenkie de Jong (grande segundo tempo), e ajeitada de Dumfries. Foi o sinal para a Holanda mostrar a saudável tendência ofensiva já vista contra a Dinamarca: pressionando a Alemanha, mantendo a bola, impondo velocidade. Assim Memphis Depay causou o mais polêmico lance do jogo, aos 73': derrubado por Kehrer na área, viu o juiz Craig Pawson marcar o pênalti. Para ser dissuadido disso pelo VAR, graças a um toque de Kehrer na bola logo após derrubar o camisa 10 holandês - iludindo (ou indicando) que o alemão não tivera a intenção de acertar Memphis.

A Holanda poderia ter ganho, como Van Gaal indicou na entrevista pós-jogo. Mas o resultado não fez falta - nem mesmo em termos de sorteio da Copa do Mundo, uma vez que Portugal garantiu vaga e será cabeça-de-chave. Ficou mais a utilidade da Laranja começar a experiência que seu treinador tanto queria, com três zagueiros. E os amistosos passaram a sensação de que há um caminho possível fora do 4-3-3, ou com ele apenas como opção. Se a intenção era testar o time laranja contra dois adversários fortes da Europa, o resultado não foi nada mal. E até aumenta perspectivas para como a situação estará em novembro.

Amistoso
Holanda 1x1 Alemanha
Data: 29 de março de 2022
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Juiz: Craig Pawson (Escócia)
Gols: Thomas Müller, aos 45' + 1, e Steven Bergwijn, aos 68'

Holanda
Mark Flekken; Matthijs de Ligt, Virgil van Dijk e Daley Blind; Denzel Dumfries, Frenkie de Jong, Teun Koopmeiners (Georginio Wijnaldum, aos 46') e Tyrell Malacia (Nathan Aké, aos 74'); Steven Berghuis (Davy Klaassen, aos 58'); Memphis Depay e Donyell Malen (Steven Bergwijn, aos 58')Técnico: Louis van Gaal

Alemanha
Manuel Neuer; Thilo Kehrer (Benjamin Henrichs, aos 79'), Antonio Rüdiger e Nico Schlotterbeck; David Raum (Christian Günter, aos 86'), Ilkay Gündogan, Kai Havertz (Julian Brandt, aos 69') e Jamal Musiala (Florian Neuhaus, aos 69'); Leroy Sané (Julian Draxler, aos 86') e Thomas Müller; Timo Werner (Lukas Nmecha, aos 80'). Técnico: Hans-Dieter "Hansi" Flick

sábado, 26 de março de 2022

Um jogo agradável

A Holanda ganhou, jogou até melhor do que se pensava... mas o maior motivo de comemoração foi a volta de Eriksen à seleção da Dinamarca. Abrilhantada com um gol. Não há destaque maior (ANP)

Antes do amistoso entre Holanda e Dinamarca, neste sábado, em Amsterdã, o jornal Algemeen Dagblad estampou na capa de seu caderno de esportes o que se esperava: "Uma noite agradável". Noite na Europa ou tarde no Brasil, de fato, ela veio. Por muitos motivos. O nível técnico que as duas exibiram em campo; uma seleção holandesa melhor do que se esperava, com intensidade e algumas ótimas atuações; e acima de tudo, o retorno de Christian Eriksen à seleção dinamarquesa, 287 dias depois da dramática parada cardiorrespiratório na Euro 2020 - melhor de tudo, um retorno com gol, um retorno para mostrar que Eriksen continua sendo, como já era, a referência técnica desta seleção danesa. A vitória foi da Laranja, por 4 a 2. Mas todos tiveram razão para comemorar na Johan Cruyff Arena.

O primeiro motivo foi destinado à seleção da casa. Aos poucos, a Oranje exibiu intensidade e fluidez até inesperadas para um time que ainda está se acostumando a atuar com três zagueiros. Com Teun Koopmeiners e Frenkie de Jong avançando (e bloqueando avanços da Dinamarca), com Steven Berghuis sendo um bom "camisa 10" como já vem sendo no Ajax, com Steven Bergwijn justificando a opção de Louis van Gaal por sua escalação ("Ele sempre joga bem comigo", justificou o técnico no pré-jogo), com Daley Blind como opção constante na esquerda, a Holanda dominou plenamente o ataque. Comprovou isso nas primeiras chances - chutes de Bergwijn, aos 11', e Memphis Depay, aos 13', ambos defendidos por Kasper Schmeichel. Na terceira, cabeceio de Bergwijn aos 16', e 1 a 0.

Aí, talvez, apareceu o único defeito mostrado pelos Países Baixos no jogo: a dificuldade da defesa nas jogadas pelo alto. Assim veio o empate dinamarquês, aos 20': Joakim Maehle aproveitou sobra de escanteio, cruzou, o estreante Mark Flekken falhou na saída do gol, e Blind foi facilmente superado por Jannik Vestergaard, que subiu para cabecear e fazer 1 a 1. Poderia ter sido um momento de preocupação. Superada porque a intensidade neerlandesa se manteve no gramado da Johan Cruyff Arena. Assim como a superioridade no ataque: também pelo alto, Nathan Aké subiu para fazer 2 a 1. As velozes trocas de passes e a pressão acuavam a Dinamarca na defesa, e assim Vestergaard derrubou Berghuis na área. Falta leve, mas falta. Na área, um pênalti. Que Memphis Depay converteu aos 38', para marcar seu 39º gol na trajetória pela seleção.

Intensa no primeiro tempo, calma e eficiente no segundo tempo: a Laranja mostrou avanços promissores (ANP)

E aí veio o momento de maior alegria no jogo. Já bastaria só a volta de Christian Eriksen para vestir a camisa da Dinamarca, substituindo Jesper Lindstrom - além de necessitar melhorar o meio-campo, havia a inegável satisfação de ver o camisa 10 superar de novo as péssimas memórias do ano passado. Satisfação expressada por todos os presentes ao estádio, que aplaudiram Eriksen, de tantas memórias no Ajax em que despontou, há cerca de uma década. E satisfação que ganhou ares apoteóticos, quando Eriksen completou cruzamento aos 48', chutando no ângulo para fazer 3 a 2. Um gol aplaudido até por Louis van Gaal. Um gol que fez o adversário De Ligt "se arrepiar", conforme ele mesmo demonstrou numa entrevista após o jogo. Um gol que deu a certeza expressada por Eriksen: "Eu me sinto de novo um jogador". E lances como o drible e o chute na trave, aos 75', indicam que o meio-campo tem plenas condições de voltar a ser o que era antes daquele traumático 11 de junho de 2021: o melhor jogador da Dinamarca, em termos técnicos. A vida continua.

E o jogo também. Se a alegria de Eriksen foi a alegria de todos quantos acompanharam o jogo, a jogada de seu gol também rendeu alguma preocupação a Van Gaal: "No segundo tempo, nossa queda foi grande demais. (...) Os meio-campistas precisavam fazer alguma coisa, mas não fizeram. Precisam ver onde está o problema. Então, Matthijs [De Ligt] precisava cobrir o espaço, e não o fez bem". Pelo menos, para a Laranja, o susto passou rápido. O ataque voltou a ter o controle do jogo, Berghuis teve boa chance aos 53', Memphis Depay quase marcou belíssimo gol aos 62'... e em que pesasse o perigo maior que a Dinamarca trazia (tendo mais a bola, criando mais chances - como um chute de Andreas Skov Olsen, aos 66'), a Holanda ganhou de vez o controle do jogo, com o belo gol de Bergwijn, num chute colocado para ampliar de novo a vantagem.

A obra ainda está em progresso, como o capitão Van Dijk indicou em entrevista após a partida. Ainda há controvérsias sobre o esquema de jogo - o próprio Van Dijk reconheceu: "Eu prefiro o 4-3-3, mas o técnico tem uma opinião forte, e a partida mostrou por quê". Mas a Holanda teve motivos para ficar otimista com o que vem por aí. E mesmo se não os tivesse, não haveria razão para tristeza, num dia em que Christian Eriksen lembrou que está vivo. Mesmo com derrota, os holandeses comemorariam. Celebram ainda mais com a boa vitória.

Amistoso
Holanda 4x2 Dinamarca
Data: 26 de março de 2022
Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Juiz: Lawrence Visser (Bélgica)
Gols: Steven Bergwijn, aos 16', Jannik Vestergaard, aos 20', Nathan Aké, aos 29', Memphis Depay, aos 38', Christian Eriksen, aos 47', e Steven Bergwijn, aos 71'

Holanda
Mark Flekken; Matthijs de Ligt, Virgil van Dijk e Nathan Aké (Tyrell Malacia, aos 77'); Denzel Dumfries, Teun Koopmeiners, Frenkie de Jong e Daley BlindSteven Berghuis; Memphis Depay (Arnaut Danjuma, aos 77') e Steven Bergwijn (Donyell Malen, aos 77')Técnico: Louis van Gaal

Dinamarca
Kasper Schmeichel; Joachim Andersen, Jannik Vestergaard (Jacob Bruun Larsen, aos 77') e Victor Nelsson; Alexander Bah (Rasmus Kristensen, aos 46'), Pierre-Emile Hojbjerg, Thomas Delaney (Christian Norgaard, aos 24') e Joakim Maehle (Philip Billing, aos 88'); Jesper Lindstrom (Christian Eriksen, aos 46') e Jonas Wild (Kasper Dolberg, aos 58'): Yussuf Poulsen (Andreas Skov Olsen, aos 44'). Técnico: Kasper Hjulmand


sexta-feira, 25 de março de 2022

Em obras

A seleção masculina da Holanda tem até novembro para virar um time mais consolidado. E o trabalho rumo à Copa começa nos amistosos contra Dinamarca e Alemanha (KNVB Media)

Na edição da semana posterior à classificação da seleção masculina da Holanda para a Copa de 2022, a revista Voetbal International estampou na capa: "Missão cumprida: agora, é construir um bom time". E a construção rumo ao Mundial começará exatamente nesta semana. Podem não ser amistosos contra seleções fora da Europa - o técnico Louis van Gaal os queria tanto quanto a Seleção Brasileira gostaria de pegar adversários do Velho Continente, por exemplo -, mas a Laranja terá rivais respeitáveis à disposição nas suas primeiras partidas do ano. No próximo sábado, às 16h45 de Brasília, em Amsterdã, a Dinamarca - até melhor do que os neerlandeses nas eliminatórias da Copa, classificada de modo invicto; e na terça-feira, 29, novamente na Johan Cruyff Arena, a Alemanha, antagonista tão histórica.

Se o próprio Van Gaal reconheceu que "a preparação para a Copa começa nesta semana", o início da "construção" quase teve a dificuldade de ficar sem o "mestre-de-obras": afinal de contas, Van Gaal testou positivo para o coronavírus na terça passada, e teve de ficar alguns dias em isolamento. De todo modo, o treinador da Oranje chegou para a semana de treinamentos no centro da federação, em Zeist, enfatizando várias coisas. A primeira delas: uma grande convocação - são 28 os chamados. Algo explicável pelo técnico, na coletiva de apresentação, na segunda-feira passada: "Quero que todo mundo participe da implementação [do esquema]. Aí posso ver quais jogadores funcionam ou não. Também ficará fácil ter mais jogadores, para termos uma noção de como posso utilizá-los". Isso inclui até gente lesionada: o zagueiro Jurriën Timber e o atacante Cody Gakpo, por exemplo, estavam lesionados e já até voltaram a seus clubes, mas foram mantidos na convocação por alguns dias. Afinal, Van Gaal não quer perder tempo algum: "Eles podem não treinar, mas podem assistir e ouvir". E quer dar chance aos jovens: "Espero que eles se desenvolvam neste ano, para que possamos usá-los, eventualmente. Foi o que aconteceu em 2014, com Depay [Depay foi àquela Copa aos 20 anos, e jogou bem]”.

Novidades também fazem parte desse amplo grupo de jogadores. Seria o caso do zagueiro Jordan Teze, do PSV, estreando pela seleção adulta na lacuna aberta com a contusão de Stefan de Vrij - mas Teze foi cortado após lesão durante os treinos. É o caso de Jordy Clasie: cinco anos após sua última convocação, a experiência e as boas atuações do meio-campo do AZ, presente na Copa de 2014 - jogou a semifinal contra a Argentina, desde o intervalo do tempo normal -, renderam a volta à Laranja, para surpresa dele mesmo ("Nem falei com o técnico ainda, eu o reverei pela primeira vez"). 

Não será o caso de Ryan Gravenberch: mesmo elogiado pelas atuações recentes no Ajax, o promissor meio-campista ficou de fora da convocação, indo para a relação da seleção sub-21. Van Gaal justificou: "Ele teve uma fase ruim (...) E a Laranja Jovem joga contra a Suíça, que está na frente [nas eliminatórias da Euro sub-21]. Estou aqui em nome do futebol holandês, não só da seleção principal". Gravenberch sentiu o impacto. Reconheceu a má surpresa, na ligação em que Van Gaal lhe comunicou. E sintetizou, ao diário Algemeen Dagblad: "Eu realmente não esperava [ficar fora da seleção principal]".

Van Gaal chegou com a obrigação única de ajudar a Holanda a voltar à Copa do Mundo. Com a equipe já acostumada ao 4-3-3, foi assim que a vaga veio. Agora, o técnico fará o que já queria desde o começo: experimentar a Laranja com três na zaga (Pim Ras)

Outro ponto bastante enfatizado pelo comandante da Laranja: o esquema tático. Enfim, cumprido o primeiro objetivo - a vaga na Copa -, Van Gaal ganhou algum crédito para fazer o que deseja desde o começo de sua terceira passagem pela seleção: além do 4-3-3 velho de guerra, experimentar escalar a equipe com três zagueiros. Muito inspirado pelo Chelsea ("Você pode ser ofensivo no 5-3-2, ou no 5-2-3 - o Chelsea mostra isso, com escalações diferentes, eu tiro o chapéu para Tuchel"), Van Gaal pensa seriamente num 3-4-3. Ou num 3-5-2 - e até por isso, fica justificável a convocação de Hans Hateboer, mais do que acostumado a jogar assim na Atalanta, como um ala avançado pela direita. O técnico repetiu justificativas: "Há muitos times que jogam assim, ou numa variação desse esquema. Os jogadores já estão mais envolvidos com isso". Louis foi além: "Há muitos times na Holanda que jogam assim, e dificultam as coisas contra times maiores". E terminou: "Também se deve olhar para as qualidades do adversário. A marcação por pressão não precisa ser somente na área do adversário. (...) Contra a Noruega [nas eliminatórias da Copa], a gente marcou por pressão no meio-campo. Deixamos a Noruega vir, e tínhamos espaço para os contra-ataques".

Claro, aí as polêmicas já começam. Aqui e ali, retornam as principais críticas à escalação com três zagueiros: ser algo que "trai" a "escola holandesa", adepta do bom e velho 4-3-3. Ouvido pela Voetbal International, o ex-técnico e comentarista Hans Kraay Jr. resumiu: "Se está tudo bem com o 4-3-3 e os jogadores se sentem bem assim, para quê mudar tudo de novo?". Tal comentário foi ecoado por ninguém menos do que Virgil van Dijk: embora receba bem a tentativa de mudar o esquema ("Temos uma seleção fantástica, com bons jogadores, que seguramente poderiam atuar assim"), o zagueiro e capitão também reconhece: "Ainda acho que o 4-3-3 também funciona bem para nós". E Van Gaal deixa a porta aberta para a volta do esquema tático mais habitual da Holanda, se necessário: "Todo dia eu deixo um tempo livre para avaliação nos treinos, e eles [jogadores] também podem falar. Eu escolhi esse sistema, é o que um técnico faz, podem achar que eu sou um ditador... mas se um jogador não quiser isso, ele também jogará pior. Isso não é bom. Todo mundo precisa estar bem para podermos alcançar algo".

Ainda pouco conhecido da torcida laranja, Flekken deverá ter, enfim, sua primeira chance no gol da seleção (Pro Shots)

Mas há pelo menos um nome alegre com a experimentação tática a ser feita: Mark Flekken. Enfim, o goleiro de 28 anos terá sua estreia jogando na seleção masculina, com as lesões do titular Justin Bijlow e do veterano Jasper Cillessen, primeiro reserva. Van Gaal justificou - sem citar nomes - a escalação com o... esquema: "Ele joga muito bem numa defesa com três zagueiros. Se ele será o titular contra a Dinamarca? Não sei, mas ele joga bem com três zagueiros". A Flekken, ainda um mistério para a maioria da torcida (o perfil da emissora NOS no Instagram revelou que 85% dos seguidores nunca viu o goleiro atuar no Freiburg-ALE), ficou a comemoração otimista: "É um sonho de menino, e sonhar não custa nada". Elogiado pela capacidade em ter a bola nos pés, além das defesas, o arqueiro ainda assumiu, quando perguntado se dera um leve sorriso com a chance que se abriu, pelas ausências dos nomes mais habituais da posição: "Eu mentiria se dissesse que não...".

Há mais fatores chamando a atenção. A promessa de Teun Koopmeiners, aumentando sua voz ("Eu jogo assim, com três zagueiros, na Atalanta. E eu vou brigar pela posição em que Frenkie de Jong joga, é para isso que estou aqui"). As dúvidas sobre o nível técnico atual de Georginio Wijnaldum e Memphis Depay, ambos em relativa má fase nos clubes por que jogam. Todos elementos que serão levados em consideração, nas "obras" que serão comandadas por Van Gaal e construídas pelos jogadores a partir de agora. Com uma intenção: que o edifício laranja esteja firme e possa causar uma boa impressão quando a Copa chegar.

Os convocados da Holanda

GOLEIROS: Mark Flekken (Freiburg-ALE), Tim Krul (Norwich City-ING) e Joël Drommel (PSV)

LATERAIS: Denzel Dumfries (Internazionale-ITA), Hans Hateboer (Atalanta-ITA), Daley Blind (Ajax), Tyrell Malacia (Feyenoord) e Owen Wijndal (AZ)

ZAGUEIROS: Virgil van Dijk (Liverpool-ING), Matthijs de Ligt (Juventus-ITA) e Nathan Aké (Manchester City-ING)

MEIO-CAMPISTAS: Georginio Wijnaldum (Paris Saint Germain-FRA), Frenkie de Jong (Barcelona-ESP), Marten de Roon (Atalanta-ITA), Steven Berghuis (Ajax), Jordy Clasie (AZ), Teun Koopmeiners (Atalanta-ITA), Guus Til (Feyenoord) e Davy Klaassen (Ajax)

ATACANTES: Memphis Depay (Barcelona-ESP), Steven Bergwijn (Tottenham-ING), Donyell Malen (Borussia Dortmund-ALE), Arnaut Danjuma (Villarreal-ING), Noa Lang (Club Brugge-BEL) e Wout Weghorst (Burnley-ING)

segunda-feira, 21 de março de 2022

Fichário: os jogos e os vídeos da 27ª rodada da Eredivisie

Heerenveen 2x0 Heracles Almelo (sexta-feira, 18 de março de 2022)

Local: Abe Lenstra (Heerenveen)
Árbitro: Alex Bos
Gols: Amin Sarr, aos 59', e Nick Bakker, aos 88'
Jogo resumido: O primeiro tempo foi desanimado, mesmo com o Heracles Almelo tentando um pouco mais. Na etapa final, contudo, o Heerenveen se animou, foi à frente - e foi premiado com sua primeira vitória no ano, após nove jogos sem vencer

HEERENVEEN
Erwin Mulder; Milan van Ewijk, Joost van Aken (Ibrahim Dresevic, aos 62'), Sven van Beek, Nick Bakker e Rami Kaib; Anas Tahiri, Thom Haye e Tibor Halilovic (Nicolas Madsen, aos 90'); Amin Sarr (Arjen van der Heide, aos 90') e Sydney van Hooijdonk (Anthony Musaba, aos 82'). Técnico: Ole Tobiasen

HERACLES ALMELO
Koen Bucker; Noah Fadiga (Navajo Bakboord, aos 87'), Marco Rente, Mats Knoester e Ruben Roosken (Justin Hoogma, aos 78'); Luca de la Torre, Orestis Kiomourtzoglou e Anas Ouahim (Emil Hansson, aos 78'); Nikolai Laursen (Kasper Lunding, aos 46'), Sinan Bakis e Bilal Basaçikoglu (Samuel Armenteros, aos 78'). Técnico: Frank Wormuth


Go Ahead Eagles 3x0 Cambuur (sábado, 19 de março de 2022)

Local: De Adelaarshorst (Deventer)
Árbitro: Serdar Gözübüyük
Gols: Joris Kramer, aos 25', Luuk Brouwers, aos 36', e Mats Deijl, aos 77'
Jogo resumido: O "alçapão" de Deventer fez mais uma vítima. Mandando no jogo desde o começo, o Kowet superou o Cambuur com toda a facilidade, e conseguiu vitória altamente valiosa para garantir a manutenção na primeira divisão

GO AHEAD EAGLES
Andries Noppert; Cuco Martina (Boyd Lucassen, aos 82'), Mats Deijl, Gerrit Nauber, Joris Kramer e Bas Kuipers; Philippe Rommens, Ragnar Oratmangoen (Ogechika Heil, aos 87') e Luuk Brouwers; Iñigo Córdoba (Marc Cardona, aos 87') e Isac Lidberg (Jacob Mulenga, aos 88'). Técnico: Kees van Wonderen

CAMBUUR
Pieter Bos; Doke Schmidt (Thomas Rier, aos 76'), Calvin Mac-Intosch, Marco Tol e Alex Bangura; Robin Maulun, Mees Hoedemakers e Mitchel Paulissen; Issa Kallon (Nick Doodeman, aos 77'), Michael Breij e Patrick Joosten (David Sambissa, aos 46'). Técnico: Pascal Bosschaart (interino)

Twente 1x0 Zwolle (sábado, 19 de março de 2022)

Local: De Grolsch Veste (Enschede)
Árbitro: Edwin van de Graaf
Gol: Daan Rots, aos 19'
Jogo resumido: Momentos distintos para o Twente. No primeiro tempo, domínio total, ensaiando vitória fácil sobre o Zwolle; no segundo, os Tukkers passaram por sufoco até inesperado, e o goleiro Unnerstall precisou de algumas ótimas defesas para assegurar a vitória sobre o lanterna 

TWENTE
Lars Unnerstall; Joshua Brenet, Davy Pröpper, Julio Pleguezuelo e Gijs Smal; Ramiz Zerrouki, Michel Vlap (Kik Pierie, aos 83') e Jesse Bosch; Daan Rots (Dimitris Limnios, aos 72'), Ricky van Wolfswinkel e Virgil Misidjan (Vaclav Cerny, aos 72'). Técnico: Ron Jans

ZWOLLE
Kostas Lamprou; Bram van Polen, Maikel van der Werff (Slobodan Tedic, aos 59'), Sai van Wermeskerken (Eliano Reijnders, aos 90') e Kenneth Paal; Djavan Anderson, Thomas van den Belt (Max de Waal, aos 59') e Mustafa Saymak (Gervane Kastaneer, aos 44'); Pelle Clement (Luka Adzic, aos 59'), Daishawn Redan e Mees de Wit. Técnico: Dick Schreuder


NEC 0x0 Sparta Rotterdam (sábado, 19 de março de 2022)

Local: De Goffert (Nijmegen)
Árbitro: Jochem Kamphuis
Jogo resumido: O NEC reclamou muito do VAR, pela terceira rodada seguida - principalmente por um suposto pênalti de Auassar, não marcado. Tem certa razão: o empate sem gols foi melhor para o Sparta Rotterdam, que ganhou um ponto necessário na disputa para escapar do rebaixamento

NEC
Mattijs Branderhorst; Bart van Rooij, Rodrigo Guth, Cas Odenthal e Souffian El Karouani; Dirk Proper, Lasse Schöne e Magnus Mattson (Javier Vet, aos 76'); Jonathan Okita, Ali Akman (Wilfried Bony, aos 76') e Elayis Tavsan. Técnico: Rogier Meijer

SPARTA ROTTERDAM
Maduka Okoye; Dirk Abels, Bart Vriends, Adil Auassar e Riza Durmisi: Joeri de Kamps (Mica Pinto, aos 85'), Arno Verschueren, Younes Namli e Vito van Crooij (Sven Mijnans, aos 86'); Lennart Thy (Adrián Dalmau, aos 65') e Mario Engels (Giannis Masouras aos 86'). Técnico: Henk Fräser

Utrecht 1x3 Groningen (domingo, 20 de março de 2022)

Local: De Galgenwaard (Utrecht)
Árbitro: Dennis Higler
Gols: Mohamed El Hankouri, aos 5', Jorgen Strand Larsen, aos 10 e aos 89', e Bart Ramselaar, aos 48'
Jogo resumido: O Groningen se valeu de um começo frenético e impositivo no ataque para garantir vitória que realimenta suas chances de entrar na zona da repescagem de classificação para a Conference League.

UTRECHT 
Fabian de Keijzer; Djevencio van der Kust, Mark van der Maarel (Moussa Sylla, aos 79'), Mike van der Hoorn e Django Warmerdam; Quinten Timber e Joris van Overeem (Simon Gustafson, aos 79'); Remco Balk (Mimoun Mahi, aos 46'), Sander van de Streek (Pontus Almqvist, aos 46') e Bart Ramselaar; Anastasios Douvikas. Técnico: René Hake

GRONINGEN
Peter Leeuwenburgh; Damil Dankerlui (Paulos Abraham, aos 75'), Mike te Wierik, Bart van Hintum e Bjorn Meijer; Laros Duarte (Emmanuel Matuta, aos 84') e Neraysho Kasanwirjo; Mohamed El Hankouri (Cyril Ngonge, aos 90' + 2), Michael de Leeuw (Romano Postema, aos 75') e Tomas Suslov (Melayro Bogarde, aos 75'); Jorgen Strand Larsen. Técnico: Danny Buijs


Ajax 3x2 Feyenoord (domingo, 20 de março de 2022)

Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Árbitro: Danny Makkelie
Gols: Luis Sinisterra, aos 8', Sébastien Haller, aos 24', Guus Til, aos 29', Dusan Tadic, aos 78', e Antony, aos 86'
Jogo resumido: Durante muito tempo, diante de um Ajax desorganizado e até abatido, o Feyenoord mostrou intensidade notável, sonhando com a primeira vitória num Klassieker em Amsterdã desde 2005. Mas na meia hora final, cansou. E os Ajacieden reagiram para a emocionante virada, com Antony e Tadic decisivos

AJAX
André Onana; Noussair Mazraoui, Jurriën Timber, Lisandro Martínez (Perr Schuurs, aos 89') e Daley Blind (Nicolás Tagliafico, aos 69'); Edson Álvarez (Davy Klaassen, aos 46'), Steven Berghuis (Brian Brobbey, aos 69') e Ryan Gravenberch; Antony, Sébastien Haller e Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag

FEYENOORD
Ofir Marciano; Lutsharel Geertruida, Gernot Trauner, Marcos Senesi e Tyrell Malacia; Fredrik Aursnes, Guus Til e Jens Toornstra (Jorrit Hendrix, aos 63'); Reiss Nelson, Cyriel Dessers (Bryan Linssen, aos 76') e Luis Sinisterra (Marcus Pedersen, aos 83'). Técnico: Arne Slot


PSV 5x0 Fortuna Sittard (domingo, 20 de março de 2022)

Local: Philips Stadion (Eindhoven)
Árbitro: Allard Lindhout
Gols: Philipp Max, aos 10', Ritsu Doan, aos 39', Eran Zahavi, aos 41', Bruma, aos 77', e Carlos Vinícius, aos 82'
Jogo resumido: Goleada inquestionável, e até natural, do PSV, que dominou desde o começo um Fortuna Sittard fraco defensivamente. Em que pesem alguns esforços dos Fortunezen - como uma bola de Lisandro Semedo no travessão, no 2º tempo -, o placar refletiu perfeitamente o que foi o jogo

PSV
Joël Drommel; Mauro Júnior, Jordan Teze (Armando Obispo, aos 79'), Olivier Boscagli e Philipp Max; Erick Gutiérrez (Marco van Ginkel, aos 84') e Ibrahim Sangaré; Ritsu Doan (Noni Madueke, aos 65'), Mario Götze (Bruma, aos 65') e Joey Veerman; Eran Zahavi (Carlos Vinícius, aos 65'). Técnico: Roger Schmidt

FORTUNA SITTARD
Yanick van Osch; Mickaël Tirpan (Arijanet  Ferati, aos 66'), Nigel Lonwijk, Andreas Samaris (Ryan Johansson, aos 83'), Dimitrios Siovas (Jordan Botaka, aos 66') e Ivo Pinto; Deroy Duarte, Ben Rienstra (Richie Musaba, aos 66') e Zian Flemming (Charlison Benschop, aos 66'); Lisandro Semedo e Mats Seuntjens. Técnico: Sjors Ultee


Vitesse 1x2 RKC Waalwijk (domingo, 20 de março de 2022)

Local: GelreDome (Arnhem)
Árbitro: Joey Kooij
Gols: Loïs Openda, aos 5', Melle Meulensteen, aos 15', e Alexander Büttner, aos 51'
Jogo resumido: O Vitesse até começou na frente, com facilidade. Mas o RKC Waalwijk se valeu da eficiência, e até da sorte, para uma virada surpreendente e importante, em termos de garantir a permanência na primeira divisão

VITESSE
Jeroen Houwen; Dominik Oroz (Adrian Grbic, aos 60'), Riechedly Bazoer e Danilho Doekhi; Eli Dasa, Yann Gboho (Enzo Cornelisse, aos 60'), Toni Domgjoni (Thomas Buitink, aos 60'), Sondre Tronstad e Maximilian Wittek; Loïs Openda e Nikolai Baden Frederiksen. Técnico: Thomas Letsch

RKC WAALWIJK
Etiënne Vaessen; Saïd Bakari, Shawn Adewoye, Ahmed Touba, Melle Meulensteen e Alexander Büttner (Luuk Wouters, aos 88'); Ayman Azhil (Hans Mulder, aos 88') e Vurnon Anita; Finn Stokkers (Yassin Oukili, aos 79'), Michiel Kramer (Richard van der Venne, aos 67') e Jens Odgaard. Técnico: Joseph Oosting


Willem II 2x2 AZ (domingo, 20 de março de 2022)

Local: Willem II Stadion (Tilburg)
Árbitro: Rob Dieperink
Gols: Ché Nunnely, aos 7', Elton Kabangu, aos 17', Bruno Martins Indi, aos 35', e Zakaria Aboukhlal, aos 90' + 1
Jogo resumido: O Willem II começou melhor e teve fortes perspectivas de vitória. Mas se retraiu demais no segundo tempo, viu o AZ ter duas bolas na trave... e nos acréscimos, os visitantes de Alkmaar arrancaram um ponto

WILLEM II
Timon Wellenreuther; Leeroy Owusu, Freek Heerkens, Wessel Dammers e Derrick Köhn; Dries Saddiki, Daniel Crowley e Mats Köhlert (Miquel Nelom, aos 78'); Ché Nunnely (Emil Bergström, aos 90'), Jizz Hornkamp (Max Svensson, aos 67') e Elton Kabangu. Técnico: Kevin Hofland

AZ
Peter Vindahl; Yukinari Sugawara, Pantelis Hatzidiakos (Sam Beukema, aos 87'), Bruno Martins Indi e Owen Wijndal; Tijjani Reijnders (Hakon Evjen, aos 68'), Dani de Wit e Jordy Clasie; Aslak Witry (Zakaria Aboukhlal, aos 68'), Vangelis Pavlidis e Jesper Karlsson. Técnico: Pascal Jansen


terça-feira, 15 de março de 2022

A pulga picou

O Benfica foi o mais novo protagonista da velha e incômoda história do Ajax: ao pegar um time forte na defesa, a equipe de Amsterdã se atrapalha - e em geral, é eliminada. Ainda mais quando está em má fase (Pim Ras)

Desde o 2 a 2 contra o Benfica-POR, em Lisboa, no jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões, havia uma pulga atrás da orelha de quem acompanha o Ajax. As partidas seguintes pelo Campeonato Holandês aumentaram a intensidade da coceira que a pulga causava: o time de Amsterdã começava dominando, relaxava, e entrava em sérias dificuldades, só resolvidas no final. Achar que isso poderia acontecer também na Liga dos Campeões era ingenuidade demais. Enfim, a pulga que já estava coçando atrás da orelha picou: o Benfica foi mais um clube a apostar no esforço de sua defesa, a ser eficiente, e a novamente causar decepção aos Ajacieden na Johan Cruyff Arena, celebrando a classificação às quartas de final da Champions League, com a vitória por 1 a 0.

O cenário para a derrota foi construído aos poucos. O Benfica foi até mais defensivo do que fora no Estádio da Luz - Everton, por exemplo, foi muito mais marcador pela direita, enquanto Darwin Núñez também combatia mais a saída de bola do Ajax, sem contar que os Encarnados tinham pouquíssimos espaços para os contra-ataques, como tão bem fizeram no segundo tempo da primeira partida. Obviamente, o Ajax tratava de manter a posse de bola. Avançava muito - com Ryan Gravenberch, com Jurriën Timber, com Antony. Até mesmo teve um gol anulado, com Sébastien Haller, logo aos 7'.

Ainda assim, por mais que tivesse a bola, o time da casa também não exercia uma pressão irrespirável. Não havia tantas chances de gol que fizessem Odisseas Vlachodimos, o goleiro benfiquista, trabalhar bastante. Só um chute de Steven Berghuis aqui, um cabeceio de Edson Álvarez ali, um arremate de Ryan Gravenberch no fim do primeiro tempo, mas era impossível dizer que a superioridade do Ajax era clara. E a situação seguiu assim no segundo tempo: enquanto o Benfica continuava absolutamente dedicado na defesa, só ousando atacar em bolas paradas (ainda mais nos cruzamentos, apostando em Darwin Núñez, e até em Jan Vertonghen), os Amsterdammers trocavam passes, tentando espaço para entrar na área. Sem conseguir. E nem chutar a gol: de 16 arremates em todo o jogo, só dois foram à meta de Vlachodimos. 

O Benfica jogou preferencialmente retraído, só à espera de uma única chance para marcar o gol de sua classificação. E Darwin Núñez aproveitou essa chance - nas falhas de Onana e Timber... (Pro Shots)

De quebra, Erik ten Hag repetia um erro: demorava demais para fazer mudanças que poderiam impulsionar o Ajax em campo. O rumo do jogo era muito previsível: sem espaço para contragolpear, acuado na defesa, o Benfica apostaria nas bolas paradas. Se pudesse fazer gol numa delas, tanto melhor. Se não, tudo bem: o time português seguiria seu esforço durante a prorrogação. Mas a chance apareceu, aos 77', numa falta de Álvarez em Gonçalo Ramos. Álex Grimaldo bateu, Timber foi superado por Darwin Núñez no alto, André Onana saiu pessimamente do gol... e o uruguaio fez o 1 a 0 que o Benfica tanto queria.

E foi o de sempre quando o Ajax fica numa situação assim. Substituições repentinas - e até meio desesperadas (Brian Brobbey, Davy Klaassen, Mohammed Kudus). Um time ainda mais ofensivo, mas profundamente desorganizado diante de uma defesa que sabia o que fazia - ótima atuação da dupla Vertonghen-Nicolás Otamendi, no miolo de zaga. Enfim: como sempre, um Ajax que não sabia o que fazer diante de um time mais imponente fisicamente e bem postado. Como se repercutiu muitas vezes na Holanda (Países Baixos), um time que latiu e não mordeu.

Por isso, a pulga que andava atrás da orelha picou o Ajax. Desta vez, não houve salvação. Houve eliminação. Mais uma, por sinal: há 26 anos os Amsterdammers não vencem um jogo de mata-mata em Liga dos Campeões fora de casa...

Liga dos Campeões - oitavas de final - jogo de volta

Ajax 0x1 Benfica

Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Data: 15 de março de 2022
Árbitro: Carlos del Cerro Grande (Espanha)
Gols: Darwin Núñez, aos 77'

Benfica
Odisseas Vlachodimos; Gilberto (Valentino Lazaro, aos 90' + 1), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen e Álex Grimaldo; Everton, Julian Weigl e Adel Taarabt (Soualiho Meité, aos 46'); Rafa Silva, Darwin Núñezm (Diogo Gonçalves, aos 80') e Gonçalo Ramos (Paulo Bernardo, aos 90' + 1). Técnico: Nélson Veríssimo

Ajax
André Onana; Noussair Mazraoui, Jurriën Timber (Mohammed Kudus, aos 90' + 7), Lisandro Martínez e Daley Blind; Edson Álvarez (Brian Brobbey, aos 81'), Steven Berghuis (Davy Klaassen, aos 81') e Ryan Gravenberch; Antony, Sébastien Haller e Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag