quarta-feira, 27 de maio de 2026

A Holanda na Copa de 2026: a comissão técnica

AUXILIARES

(KNVB Media/Divulgação)

Erwin Koeman (20 de setembro de 1961)

Antes mesmo de começarem seus caminhos no futebol, Erwin esteve sempre ao lado do técnico Ronald Koeman. Aliás, chegou até antes mesmo dele, irmão dois anos mais velho que é. Durante a infância, o futebol sempre foi o passatempo preferido da dupla de irmãos - algo também previsível, sendo o pai de ambos, Martin Koeman (1938-2013), também jogador profissional. O começo de carreira de Erwin, meio-campista mais recuado, foi no mesmo Groningen onde o irmão mais novo iniciaria a carreira profissional. Aí, o decorrer da carreira de ambos foi diferente. Mas mesmo que Erwin Koeman tenha ficado mais restrito a clubes do país natal (três passagens pelo Groningen, outras duas pelo PSV, e uma destacada no Mechelen, da Bélgica, onde foi campeão da antiga Recopa Europeia 1987/88), os dois irmãos Koeman se encontraram na seleção da Holanda (Países Baixos), em duas grandes competições. Juntos comemoraram o título da Euro 1988. Juntos amargaram a decepção da Laranja na Copa de 1990. Mas se Ronald foi um dos grandes símbolos daquela geração da Laranja, na defesa, Erwin teve trajetória um pouco mais discreta no meio-campo: 31 jogos e dois gols, entre 1983 e 1994 - esteve cotado, esteve até no álbum, mas ficou fora da Copa do Mundo daquele ano.

Carreira encerrada dentro de campo, fora dele Erwin Koeman também teve passagens mais discretas do que Ronald no banco, como técnico. Feyenoord (2005 a 2007), seleção da Hungria (2008 a 2010), Utrecht (2011)... até que o irmão mais novo decidiu trazer o mais velho para ser seu auxiliar técnico constante. Nas andanças de Ronald treinando times ingleses, por Southampton (2014 a 2016) e Everton (2016 a 2017), Erwin Koeman era seu auxiliar. Mas ficou de fora da primeira passagem de Ronald Koeman pela seleção holandesa: trabalhou então junto a Phillip Cocu, na curta passagem deste pelo Fenerbahçe-TUR, em 2018. Aí, voltou a ser treinador, comandando a seleção do Omã rapidamente, em 2019. Porém, no ano seguinte, também como o irmão, a saúde lhe deu um susto: problemas cardíacos forçaram Erwin a passar por uma cirurgia. Recuperado, ainda teve passagem treinando o Beitar Jerusalém (Israel) em 2021, mas preferiu encerrar ali sua carreira como técnico. Só voltaria à beira do campo como auxiliar. Quem lhe deu a chance? O irmão Ronald Koeman: ao montar sua comissão técnica para a volta à Holanda, em 2023, Ronald fez de Erwin seu auxiliar. E ambos irão juntos à Copa de 2026. Mais um capítulo de uma união consolidada até em estátuas: a família Koeman - além dos dois, o pai Martin - está imortalizada à frente do estádio do Groningen, onde tudo começou.

(KNVB Media/Divulgação)

Wim Jonk (12 de outubro de 1966)

Quando jogador, Wim Jonk era bom meio-campista. Capaz de marcar e atacar, tendo no chute de fora da área sua principal qualidade, teve passagens elogiáveis por Ajax - campeão da antiga Copa da UEFA, em 1991/92 -, Internazionale - mais um título de Copa da UEFA, em 1993/94 - e PSV - no time de Eindhoven, Jonk jogou com Vampeta e Ronaldo. Seu bom nível técnico o levou à seleção da Holanda (Países Baixos). E não foi para ser coadjuvante, pelo menos em Copas do Mundo (foi reserva na Euro 1992). No Mundial de 1994, Jonk jogou todos os minutos da Laranja em campo, fez dois gols - ambos em chutes de fora da área, nos 2 a 1 na Arábia Saudita, na fase de grupos, e nos 2 a 0 na Irlanda, nas oitavas de final. Na França, em 1998, Jonk só ficou de fora das oitavas de final, contra a Iugoslávia. Ou seja: Jonk esteve em duas partidas marcantes da Holanda contra o Brasil. Nas quartas de final da Copa de 1994, inclusive, cometeu em Branco a falta que resultaria no terceiro gol brasileiro; na semifinal da Copa de 1998, só saiu de campo já no segundo tempo da prorrogação, aos seis minutos.

Terminada a carreira nos campos, Jonk ficou muito vinculado a trabalhos internos. Principalmente quando o assunto era categorias de base. Trabalhando bem com jovens, ele foi um dos indicados por ninguém menos que Johan Cruyff a reestruturar a base do Ajax, em 2011, ficando quatro anos no clube de Amsterdã, só saindo por discordâncias com a direção de futebol de então, que desejava voltar a apostar em contratações mais ousadas. Só voltaria a trabalhar justamente no clube em que surgiu: o Volendam, que o trouxe em 2019, para seu primeiro trabalho como treinador de um time principal. Trabalho de sucesso: após paciente reação, Jonk comandou a campanha que levou os Volendammers de volta à primeira divisão holandesa, na temporada 2021/22. Na temporada seguinte da Eredivisie, ainda foi técnico dos Volendammers em campo; já em 2023/24, em rota de colisão com a diretoria do clube, preferiu voltar aos gabinetes, como diretor de futebol, deixando o auxiliar Matthias Kohler em seu lugar. Sem sucesso: o Volendam foi rebaixado, e Jonk, demitido. Só que, justamente na mesma época - meados de 2024 -, Ronald Koeman ficara sem outro auxiliar técnico, com a saída de Dwight Lodeweges. Decidiu trazer o ex-meio-campista. Assim como foi na Copa de 1994, quando ambos foram titulares absolutos da Laranja, Koeman e Jonk estarão lado a lado nos Estados Unidos. No Canadá e no México também, claro.

(KNVB Media/Divulgação)

Ruud van Nistelrooy (1º de julho de 1976)

Nem é nada tão incomum que Ruud van Nistelrooy esteja numa comissão técnica da seleção masculina da Holanda (Países Baixos). Já em 2014, carreira de atacante encerrada havia três anos, Van Nistelrooy foi chamado para ser auxiliar de Guus Hiddink, trazendo seu respeitável currículo - duas Euros, uma Copa do Mundo, nono maior goleador da história da Liga dos Campeões, oitavo maior goleador da história da seleção holandesa (35 gols, entre 1998 e 2011). Mas o ex-atacante viu de perto uma malograda era da Laranja, com a demissão de Hiddink, a promoção de seu colega Danny Blind a treinador, o fracasso nas eliminatórias da Euro 2016. Àquela altura, Ruud já começara suas aspirações a virar técnico também em clubes, trabalhando na base do PSV em que começara a se destacar. Sua primeira passagem pela comissão técnica da Holanda acabou em 2017, mas sua ascensão no PSV continuou, alcançando a equipe B do clube em 2021. Não sem antes uma breve volta à Laranja: para a Euro 2020+1, foi chamado às pressas pelo técnico de então, Frank de Boer, e o auxiliou no torneio. Não demorou muito, e em 2022, antes mesmo do que queria, Van Nistelrooy foi confirmado para treinar o time principal do PSV. Até que seu trabalho teve pontos elogiáveis, culminando no ápice do título da Copa da Holanda, na temporada 2022/23. Contudo, foi considerado técnico exigente demais, a ponto de entrar em rota de colisão com alguns jogadores (o esforço e o foco extremos de Ruud eram notáveis desde seus tempos de atacante destacado). 

A caminho de romper até com o diretor de futebol do PSV então, John de Jong, Van Nistelrooy foi demitido antes mesmo da temporada 2022/23 acabar. Ficou um tempo inativo, até ser chamado por Erik ten Hag, em 2024, para ser seu auxiliar técnico em outro clube no qual marcou época: o Manchester United (é o 11º maior goleador da história dos Diabos Vermelhos, com 150 gols feitos entre 2001 e 2006). Com a demissão de Ten Hag, chegou mesmo a ser técnico interino do United, em quatro jogos. Saindo após a chegada do português Rúben Amorim, Van Nistelrooy teria chance para valer no Leicester City, ainda na temporada 2024/25. Sem sucesso: as Raposas foram rebaixadas na Premier League, e Van Nistelrooy rescindiu contrato. Estava inativo. Mas sua imagem no futebol holandês ainda era forte a ponto de lhe render respeito contínuo das gerações posteriores. Em janeiro, Ronald Koeman lhe convidou. E o ex-atacante aceitou voltar para a terceira passagem como auxiliar técnico da Holanda, sendo uma espécie de "ouvidor" dos atletas, que também o respeitam. Falando ao site oficial da seleção, Van Nistelrooy comemorou: "É ótimo estar de volta". E espera ter como auxiliar, em 2026, uma lembrança melhor de Copas do que quando jogou, em 2006, quando, mesmo marcando um gol, teve problemas com o técnico Marco van Basten.

TREINADOR DE GOLEIROS

(KNVB Media/Divulgação)

Patrick Lodewijks (21 de fevereiro de 1967)

Patrick Lodewijks surgiu num bom momento do PSV: como reserva de Hans van Breukelen no gol, fez parte da campanha histórica da Tríplice Coroa do clube de Eindhoven, na temporada 1987/88. Mas não seria por lá que sua carreira de goleiro ganharia regularidade, e sim no Groningen, onde Lodewijks passaria nove anos. Nunca chegaria à seleção da Holanda (Países Baixos) como jogador, mas ganharia respeito o suficiente para não só voltar ao PSV e ainda passar pelo Feyenoord, como ser - pouca gente sabe - incluído na pré-convocação da Holanda para a Copa de 2006, já aos 39 anos de idade. Ao final da temporada 2006/07, carreira encerrada, prontamente Lodewijks começou a ser treinador de goleiros, no próprio Feyenoord. Passaria ainda pelo Groningen, e também teria sua primeira experiência na seleção masculina da Holanda, durante a fugaz passagem de Guus Hiddink, entre 2014 e 2015.

Mas Lodewijks só conheceu (e se tornou membro de confiança das comissões técnicas de) Ronald Koeman a partir de 2016, quando trabalhou sob o comando do técnico no Everton-ING. Ganhou a confiança suficientemente para se voltar a ser treinador de goleiros da Laranja quando Koeman teve sua primeira passagem por lá, entre 2018 e 2020. Nem mesmo a saída para o Barcelona colocou risco à sua passagem: o sucessor, Frank de Boer, também manteve Lodewijks como seu treinador de goleiros. Somente após a Euro 2020+1 é que ele deu lugar a outro - Frans Hoek, o treinador preferencial para os arqueiros de Louis van Gaal, que voltava então à seleção holandesa. Mas com a saída de Van Gaal e a volta de Ronald Koeman à Laranja, Lodewijks também voltou a treinar os goleiros do selecionado neerlandês. Adotando um estilo prático, conseguiu ajudar a solucionar a roda-viva na posição. E pela primeira vez, viverá a experiência de um grande torneio com a seleção holandesa. Ainda que no banco.

DEMAIS INTEGRANTES

Preparadores físicos - Jan Kluitenberg e Martin Cruijff
Chefe de logística - Cor Asp
Cientista esportivo - David van Maurik
Fisioterapeutas - Ricardo de Sanders, Gert-Jan Goudswaard e Luc van Agt
Médicos - Edwin Goedhart e Rien Heijboer
Massagistas - Rob Koster
Analistas de desempenho - Cees Lok, Gert Aandewiel e Dennis Demmers

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