terça-feira, 27 de outubro de 2020

De novo

O Ajax vinha bem, no caminho do que seria uma ótima vitória. Mas quis ampliar a vantagem. E por querer isso, desperdiçou-a: empate melhor para a Atalanta (EPA)

Havia expectativas tremendas sobre o que dois times como Ajax e Atalanta, francamente ofensivos, poderiam fazer em suas segundas partidas na Liga dos Campeões. E a partida na cidade italiana de Bérgamo, de fato, foi agradável. Desagradável, para quem simpatiza com o Ajax, foi ver a equipe repetir o seu mesmo pecado original - surgido a partir de uma bonança. Porque o time de Amsterdã abriu vantagem que poderia ser valiosa, durante o primeiro tempo, jogando bem melhor do que a equipe da casa. Mas no segundo, buscando o terceiro gol, deixou espaço para a Atalanta também ser perigosa e, por fim, decretar o 2 a 2. Um ponto, que poderiam ter sido três para os Ajacieden.

E poderiam ter sido três porque, novamente, a maneira tática como o Ajax começou a partida deu certo. Escalados nas pontas, Antony e David Neres (este, trocando de lugar no meio-campo com Dusan Tadic) trocavam constantemente de posição. Finalizações de Antony, aos 4', Tadic, aos 6', e Noussair Mazraoui, aos 10', já eram sinais saudáveis de que o time holandês estava bem na criação de chances. Sim, a Atalanta também causou alguns problemas - pela esquerda, Duván Zapata dava o que trabalhar a Perr Schuurs, e tanto Papu Gómez (aos 14') quanto Josip Ilicic (aos 16') chutaram aqui e ali. Porém, as laterais eram as únicas alternativas do time italiano para o ataque: pelo meio, a dupla Schuurs-Daley Blind conseguia frear as entradas, e tanto Davy Klaassen quanto Ryan Gravenberch ajudavam no meio-campo. A única coisa que atrapalhava, para o Ajax, era o alto número de cartões amarelos - foram três.

Mas bastaria ser eficiente no ataque, como não fora contra o Liverpool, para o Ajax conseguir os gols que buscava. E nem foi necessário buscar a primeira chance: ela veio com o pênalti sofrido por Lassina Traoré, que Tadic converteu aos 30', se tornando o terceiro jogador com mais gols pelo Ajax na história do clube na Liga dos Campeões. Com Antony cada vez melhor pela esquerda, superando Hans Hateboer naquele momento, encontrava-se um caminho para o ataque. Por ali veio o segundo gol, aos 38', quando David Neres cruzou, e Traoré aproveitou o rebote do goleiro Marco Sportiello para o 2 a 0. Era uma vantagem valiosa. Convinha cuidar bem dela.

No primeiro tempo, Antony personificou o bom ataque do Ajax: deu trabalho a Hateboer (Getty Images)

Porém, o Ajax não sabe cuidar de suas vantagens. Não sabe porque... não quer que elas se mantenham. Quer ampliá-las: fazer três, quatro gols. Quase conseguiu isso aos 51', numa bonita jogada individual de Schuurs, evitada por boa defesa de Sportiello. Porém, tantos avanços deixam espaços. E a Atalanta tinha um atacante que saberia aproveitá-los: Zapata. Foi o que o colombiano fez aos 54', superando Schuurs no posicionamento para diminuir a vantagem que o Ajax tinha. E que não teria mais aos 60', em outro erro defensivo: com amplo espaço para contragolpe (David Neres perdera a bola facilmente), Mario Pasalic levou a bola rapidamente até o ataque. Blind foi tentar cobrir o espaço do croata... mas este acertou o passe. E Zapata ficou livre para entrar na área, chutar na diagonal e fazer 2 a 2.

Começou, então, o que sempre acontece com o Ajax quando a vantagem que parecia segura é perdida: o time se amedronta, por não saber se defender bem de um ataque insistente e forte. Foi exatamente o que a Atalanta fez na metade do segundo tempo: Pasalic tentou o chute aos 68', e o trio "Papu" Gómez-Duván Zapata-Josip Ilicic tinha a bola, era rápido, atrapalhava os Ajacieden. Só aos poucos o Ajax se recompôs para voltar ao ataque, com tentativas individuais - Schuurs teve um chute bloqueado aos 76', e Antony exigiu outra boa defesa de Sportiello aos 84'. Contudo, as alterações que Erik ten Hag fez enfraqueceram o lado ofensivo do Ajax: Quincy Promes, por exemplo, entrou e foi pior do que David Neres. Pior ainda foi ver Antony, nos acréscimos, deixar o campo sentindo dores fortes, após forte falta cometida por Ruslan Malinovskyi. Todavia, a Atalanta também não chegou a pressionar incansavelmente o gol de André Onana, mesmo com a entrada de Luis Muriel, sempre perigoso.

Se vencer era necessário, o Ajax conseguia isso. Mas por seus próprios erros, jogou fora um resultado que poderia ter deixado sua situação no grupo D bastante promissora. Se a classificação às oitavas de final da Liga dos Campeões ainda é o objetivo, vencer as duas partidas contra o Midtjylland dinamarquês é absolutamente imperativo. E para isso, convém não repetir os erros cometidos na defesa. De novo, e de novo, e de novo.

Liga dos Campeões - fase de grupos - Grupo D

Atalanta 2x2 Ajax

Local: Atleti Azzurri d'Italia/Gewiss Stadium (Atalanta)
Data: 27 de outubro de 2020
Árbitro: Damir Skomina (Eslovênia)
Gols: Dusan Tadic, aos 30', e Lassina Traoré, aos 38'; Duván Zapata, aos 54' e aos 60' 

Atalanta
Marco Sportiello; Rafael Tolói, Cristián Romero e Berat Djmsiti; Hans Hateboer, Mario Pasalic, Remo Freuler e Robin Gosens; Alejandro "Papu" Gómez (Luis Muriel); Josip Ilicic (Ruslan Malinovskyi) e Duván Zapata. Técnico: Gian Piero Gasperini

Ajax
André Onana; Noussair Mazraoui (Sean Klaiber), Perr Schuurs, Daley Blind e Nicolás Tagliafico; Ryan Gravenberch, Davy Klaassen e David Neres (Quincy Promes); Antony (Zakaria Labyad), Lassina Traoré e Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Um jogo, um parágrafo, um vídeo: a 6ª rodada da Eredivisie

VVV-Venlo 0x13 Ajax (sábado, 24 de outubro)

É até difícil citar aqui algo que não sejam gols do Ajax. Mas dá para falar algumas coisas. Como que a pressão do Ajax já tinha começado desde o início, com chances como um chute desviado de Jurgen Ekkelenkamp, aos 11'. Que o goleiro Delano van Crooij fez boas defesas - no primeiro tempo, aos 15' (chute de Daley Blind) e aos 42' (pegou firme o chute de Antony), e no segundo, aos 64' (rebatendo toque de Ekkelenkamp) e 69' (espalmou cabeceio de Ryan Gravenberch). Faladas essas coisas, dá para mencionar o 1 a 0 de Ekkelenkamp, aos 12', desviando na pequena área um chute de Lassina Traoré. O burquinês, por sua vez, ampliou aos 17', de cabeça, e fez 3 a 0 aos 32', completando na pequena área uma triangulação com Dusan Tadic e Nicolás Tagliafico. E ainda houve tempo para Tadic confirmar que seria goleada, fazendo 4 a 0 aos 44'. Na etapa final, a expulsão do zagueiro Christian Kum (desastrada tentativa de afastar a bola de Antony, aos 50') escancarou de vez a fragilidade dos Venlonaren. E padrões de jogadas, nos gols. Cruzamentos na pequena área? Assim saíram o quinto (Traoré, 54'), o sexto (Antony, 55' - falha de Arjan Swinkels na saída de bola), o sétimo (Ekkelenkamp, 57'), o nono (Traoré, aos 66'), o 11º (Klaas-Jan Huntelaar, 76') e o 13º (Traoré, aos 87'). Chutes rasteiros no canto direito? Assim Blind fez o 8 a 0, aos 59', e Lisandro Martínez, o 12 a 0, aos 79'. De pênalti, Huntelaar fez 10 a 0, aos 75'. E se fez a maior goleada da era profissional do Campeonato Holandês.


Utrecht 2x1 Twente (sábado, 24 de outubro)

Bastaram 17 segundos de bola rolando para que a dupla Danilo-Vaclav Cerny novamente brilhasse pelo Twente: após lançamento de Wout Brama, o tcheco cruzou, e o brasileiro completou de voleio para o 1 a 0 dos visitantes. Só que, paulatinamente, o Utrecht reagiu. Tommy St.Jago cabeceou aos 25' (o goleiro Joël Drommel pegou), Moussa Sylla completou à queima-roupa aos 32 (Drommel também agarrou firme), e finalmente, o empate veio aos 43': Gyrano Kerk cruzou, Sander van de Streek ajeitou, Bart Ramselaar chutou de bate-pronto. E se a desvantagem fora precoce no primeiro tempo, a virada dos Utregs também veio cedo no segundo: aos 47', Van de Streek escorou levemente o cruzamento de Ramselaar no canto direito. Os mandantes foram superiores em toda a etapa final - e chegaram a fazer um gol aos 80', anulado (Ramselaar, que colocara a esférica no filó, estava impedido). Não fez falta, e o Utrecht impôs a primeira derrota ao Twente nesta Eredivisie. Mais: ainda não perdeu - duas vitórias, quatro empates.


Zwolle 0x0 Willem II (sábado, 24 de outubro)

Uma partida de dois tempos bem alternados. No primeiro, o Zwolle teve mais chances - e em especial, Immanuel Pherai teve mais chances. O atacante tentou abrir o placar para os Zwollenaren aos 5', num cabeceio, e aos 35', numa finalização, ambos defendidos pelo goleiro Robbin Ruiter. Yuta Nakayama também tentou colocar os "Dedos Azuis" na frente aos 45' - chutou por cima do gol, na direita da grande área. Já no segundo tempo, o Willem II fez valer seu poder ofensivo. Principalmente na reta final, com Vangelis Pavlidis, que acertou a bola na trave, aos 77'. Só que os visitantes de Tilburg viram o VAR cortar a onda por duas vezes. Aos 85', Mustafa Saymak derrubou John Yeboah, o juiz Martin Perez chegou a marcar o pênalti (e até expulsou Saymak), mas ouviu o VAR e transformou o pênalti em falta fora. Na cobrança desta, já aos 88', Jan-Arie van der Heijden chutou de longe e fez 1 a 0. Para nada: o "vídeoárbitro" apontou impedimento passivo de Sebastian Holmén, e anulou o gol. Acontece.


Heerenveen 4x0 Emmen (sábado, 24 de outubro)

O Emmen começou a partida até assustando o Fean, fora de casa. Por exemplo: aos 13', Sergio Peña cruzou para o cabeceio de Michael de Leeuw, só impedido porque Erwin Mulder pegou firme no gol. E aos 20', Caner Cavlan chutou na rede pelo lado de fora. Porém, o Heerenveen aproveitou dois erros para encaminhar sua vitória. Aos 26', Mitchell van Bergen passou a Henk Veerman, e este completou por baixo das pernas do goleiro: 1 a 0. Mais três minutos, Hilal Ben Moussa errou, Henk Veerman aproveitou, e passou para Benjamin Nygrén - em sua estreia nos titulares, o sueco fez 2 a 0. Os dois times ainda trocaram ataques, até que no segundo tempo, aos 52', Simon Tibbling deu um carrinho com força excessiva e levou o segundo cartão amarelo - logo, o vermelho. E o Heerenveen se tranquilizou. Pelo 3 a 0 de Rodney Kongolo, de calcanhar, aos 71'. Pelo 4 a 0, aos 74' - mais um gol de Henk Veerman. E por outro vermelho do Emmen: Nikolai Laursen, aos 83'. Boa reação do time da Frísia.


Fortuna Sittard 1x3 Groningen (domingo, 25 de outubro)

O Groningen não teria a opção de Arjen Robben no banco de reservas: com seu retorno sendo cercado de cautela, o atacante combinou com a comissão técnica e ficou de fora da delegação que foi a Sittard. Ficou tudo bem: Jorgen Strand Larsen assumiu o papel de destaque. Já aos 6', o atacante norueguês superou Roel Janssen na corrida e tocou para fazer 1 a 0. Aos 28', Larsen, de novo: Bart van Hintum cruzou, e ele fez 2 a 0 - se não marcara nenhum gol nos cinco primeiros jogos pelos Groningers, já eram dois numa só partida. O Fortuna Sittard foi superado no primeiro tempo, decidiu arriscar mais na etapa final... e até petiscou: aos 54', Martin Angha foi derrubado por Patrick Joosten, e saiu o pênalti que Mats Seuntjens bateu para diminuir o placar. Porém, qualquer esperança de reação do Fortuna, lanterna da Eredivisie, se acabou aos 79', na cobrança de falta precisa de Van Hintum que deu números finais ao placar.


Sparta Rotterdam 1x1 Heracles Almelo (domingo, 25 de outubro)

Diante do lanterna Sparta, o Heracles Almelo tentou o gol ao longo de todo o primeiro tempo. Já aos 6', Sinan Bakis cabeceou rente à trave. Depois, chutes de Silvester van der Water (23') e Rai Vloet (27'), que passaram perto da meta. Os mandantes só deram sinal de vida numa tentativa de Lennart Thy, aos 17'. Só que quando veio a próxima tentativa dos Spartanen, já no segundo tempo... veio em grande estilo: Abdou Harroui chutou de longe e acertou a mira, aos 47', para um belíssimo gol. Só que, se Harroui ajudara, Adil Auassar prejudicaria o Sparta: o meio-campo se estranhou com Vloet, pisou nele, o juiz Serdar Gözübüyük ouviu o VAR, reviu o lance, e expulsou Auassar, aos 54'. O Heracles nem precisou de um abafa muito forte para chegar ao empate: aos 75', Vloet fez 1 a 1. Se serve de consolo para o Sparta, pelo menos já não é mais o lanterna do Campeonato Holandês.


Vitesse 2x1 PSV (domingo, 25 de outubro)

Logo ficou claro que o PSV não teria espaço para tocar a bola contra o Vitesse. Foi num chute de fora da área, afinal, que Mohamed Ihattaren fez o goleiro Remko Pasveer trabalhar bem, logo no primeiro minuto. Contudo, não foi só na defesa que o Vites mostrou que causaria dores de cabeça: aos 9', uma cobrança de escanteio, e Jacob Rasmussen subiu bem para fazer 1 a 0. De resto, enquanto os visitantes de Eindhoven só tinham espaço para chutar de fora (foi o que fizeram Ryan Thomas, aos 10' - Pasveer rebateu - e novamente Ihattaren, aos 45'), o Vitesse é que teve habilidade para pressionar os Boeren: aos 29', após tabela, Sondre Tronstad recebeu na área e concluiu, para defesa de Yvon Mvogo. Mas o PSV começou melhor a etapa final. Já aos 49', Philipp Max exigiu ótima defesa de Pasveer, em cobrança de falta. No escanteio da sequência, aos 50', saiu o 1 a 1: Olivier Boscagli repetiu o que Rasmussen fizera pelo Vitesse - cabeceou livre para marcar o gol. Só que os mandantes mantiveram o estilo ofensivo, e tiveram o prêmio rapidamente. Já aos 54', outra troca rápida de passes, Maximilian Wittek cruzou, e Loïs Openda completou na pequena área para o 2 a 1 - o VAR ainda reviu possível impedimento, mas deixou passar. O PSV teve uma boa chance (Pasveer espalmou chute de Max aos 63'), quase teve um pênalti (Jorrit Hendrix caiu em choque com Eli Dasa, nos acréscimos, o juiz Bas Nijhuis apitou, mas o VAR o fez revogar o penal), mas com vários desfalques, amargou a primeira derrota na liga. Foi justa.


RKC Waalwijk 2x2 Feyenoord (domingo, 25 de outubro)

O Feyenoord começou mais acelerado. Só errou muitas finalizações. Aos 2', após ataque puxado por Uros Spajic, Mark Diemers chutou, mas Kostas Lamprou pegou. Aos 10', Steven Berghuis mandou por cima do gol. Aos 28', o mesmo Berghuis tentou arremate colocado - à direita do gol. Aos 32', cabeceio de Diemers, que Lamprou agarrou firme. E aos 43', numa finalização forte de Ridgeciano Haps, o goleiro grego do RKC espalmou. Sinal ofensivo dos mandantes? Só num minuto, com chances de Melle Meulensteen (cabeceio aos 36') e Sylla Sow (chute forte aos 37'), ambos evitados pelo goleiro Justin Bijlow. Além da ineficiência ofensiva, os Feyenoorders ainda lamentaram a lesão muscular que tirou João Teixeira da partida. Lamentariam mais no começo do segundo tempo, porque não fizeram, e tomaram: aos 50', Cyril Ngonge driblou bem Marcos Senesi e chutou da meia-lua para o 1 a 0, até certo ponto, surpreendente. Então, voltou a pressão do Feyenoord. Que enfim virou gol aos 62', num esforço até elogiável: vindo do banco, Nicolai Jorgensen se lesionara (problema muscular na virilha - seria substituído), mas ainda aproveitou o rebote do próprio chute na trave e fez 1 a 1. Só que o RKC manteve o entusiasmo, ficou ofensivo com entradas como a de Ola John... e ele recolocou os Católicos na frente, aos 80', em mais um arremate no canto direito. Aí, quem foi ao resgate foi Haps: aos 84', ele salvou o ponto do Feyenoord, com um chute colocado. Mas a torcida do Stadionclub já franze a testa...


ADO Den Haag 2x2 AZ (domingo, 25 de outubro)

Diante de um time da casa bem fechado na defesa em Haia, só o AZ tentou o gol no primeiro tempo. E teve um protagonista: Albert Gudmundsson. O islandês deixou Jesper Karlsson na cara do gol aos 19' (o goleiro Luuk Koopmans evitou), e ele mesmo chutou aos 22', após tabela (Koopmans novamente bloqueou). Até saíram chances de Calvin Stengs - chute por cima do gol aos 27' - e Owen Wijndal - na rede pelo lado de fora, aos 32' -, mas o gol dos visitantes de Alkmaar enfim saiu aos 33'. E só podia ter sido de Gudmundsson: após escanteio, Fredrik Midtsjo ajeitou na pequena área, e o islandês chutou forte, no alto. Parecia vitória certa. Tão certa que o AZ relaxou. E o Den Haag começou a assustar em raros contra-ataques. O mais perigoso, aos 54': John Goossens cruzou, Peet Bijen cabeceou, e o goleiro Marco Bizot evitou o gol meio com o ombro, meio com a cabeça. Porém, o aviso estava dado. Na tentativa seguinte, o ADO acertou: escanteio, e Milan van Ewijk empatou para os auriverdes, de voleio, aos 64'. Só que os Hagenaren mal tiveram tempo de comemorar, pelo erro próprio: aos 67', Peet Bijen errou na saída de bola, entregando-a nos pés de Karlsson, que foi à área e chutou baixo para o 2 a 1. De quebra, Gudmundsson perdeu gol feito aos 70'. De novo, fez falta. Porque, aos 87', Van Ewijk cruzou da direita, a bola passou pela área, e Michiel Kramer, quase sem ângulo, completou de voleio. 2 a 2: pela quarta rodada seguida, o AZ cedeu o empate nos minutos finais. Chega a ser incrível.



quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A gangorra virou

Isso sempre acontece. No guia com as perspectivas para os clubes holandeses que participariam das competições europeias nesta temporada 2020/21, ao falar da Liga Europa, o autor (também conhecido como "eu) escreveu aqui que PSV (grupo E) e Feyenoord (grupo K) mostravam mais possibilidades de avançarem à segunda fase do que o AZ (grupo F), aparentemente fragilizado. Pois o time de Alkmaar superou esta fragilidade para uma vitória animadora e elogiável - não pela atuação, mas pelas circunstâncias - diante do Napoli, em sua estreia. Já o PSV é que decepcionou. E o Feyenoord, se saiu com um ponto fora de casa, não pode se dizer totalmente contente.

O AZ sofreu com algumas ausências. Mas soube adaptar seu jogo ao que tinha. E aproveitou uma única chance para sair da Itália com vitória elogiável contra o Napoli (Reuters)

De fato, por mais que jogasse com alguns reservas - como o goleiro Alex Meret -, o Napoli seguia sendo favorito, diante de um AZ desanimado pelos quatro empates nas cinco rodadas do Campeonato Holandês (três desses empates, sofridos nos minutos finais das partidas) e, pior ainda, vitimado por um surto de infecções pelo novo coronavírus em seu grupo. E, de certa forma, até que os Partenopei comprovaram esse favoritismo: diante de um visitante mais cauteloso na defesa, tiveram mais a bola, chegaram mais perto do gol... e até balançaram as redes - aos 13', Victor Osimhen só não teve o gol validado pois estava impedido. Todavia, faltava efetividade ao Napoli nas finalizações, fossem de Matteo Politano ou Hirving Lozano. 

Ao mesmo tempo, se o AZ era mais cuidadoso e se faltava aos Alkmaarders um finalizador (Myron Boadu e seu reserva, Ferdy Druijf, foram dois dos 13 jogadores infectados pelo novo coronavírus), Calvin Stengs e Dani de Wit, com posições trocadas - Stengs no meio, De Wit no ataque -, poderiam acelerar contra-ataques. De quebra, Jesper Karlsson e Fredrik Midtsjo poderiam ajudar na posse de bola. Era "só" encaixar um contragolpe, e a vitória poderia vir. Veio, com o gol de De Wit, aos 57', completando cruzamento de Jonas Svensson. E o AZ contou com a atuação concentrada de Pantelis Hatzidiakos e Bruno Martins Indi, ambos no miolo de zaga, para um triunfo tão inesperado quanto elogiável. A ponto de Gennaro Gattuso, técnico do Napoli, ter reconhecido uma característica que era seu forte nos tempos de jogador: "Nunca vi a defesa deles jogando com tanta garra quanto hoje".

O PSV começou bem contra o Granada... mas terminou muito, muito mal (Pim Ras Fotografie)

Se o AZ foi o azarão que esbanjou eficiência, o PSV foi a grande decepção. Jogando em casa, diante do Granada espanhol, os Boeren começaram bem. Mesmo sem Cody Gakpo e Pablo Rosario, ambos testando positivo para o novo coronavírus, sobravam jogadores de qualidade no ataque: Donyell Malen, Mario Götze, Mohamed Ihattaren (de novo titular), Mauro Júnior... bastou para ser um pouco superior ao Granada, que até assustou de vez em quando. Para criar uma boa chance - aos 30', Götze cruzou, e Malen errou o cabeceio, com o gol livre. E para, merecidamente, abrir o placar, com Götze marcando pela segunda vez em dois jogos pelo clube ao qual acabou de chegar, no minuto final do 1º tempo.

Mas se o começo foi promissor, o segundo tempo mostrou queda forte do PSV. A saída de Götze no intervalo - precaução por dores leves na coxa, segundo o técnico Roger Schmidt - prejudicou. Mas não foi o único revés: adiantado para o meio-campo com a entrada de Nick Viergever, Philipp Max não se deu bem por ali. O Granada começou a prensar a defesa dos anfitriões em sua própria área. E coube à dupla de destaque do clube espanhol, Jorge Molina e Darwin Machís, transformar em gols o crescimento do time da Andaluzia - Molina completando triangulação para as redes aos 57' (o goleiro Yvon Mvogo ainda teve azar, com a bola batendo no travessão e nele antes de entrar), Machís virando o placar com belíssimo chute aos 66'. Claro, como Roger Schmidt alertou, "foi só o primeiro jogo". Mas o PSV precisa se cuidar para evitar quedas tão bruscas de desempenho.

O pênalti desperdiçado por Berghuis foi a primeira de uma série de chances perdidas pelo Feyenoord contra o Dinamo Zagreb: o empate poderia ter sido vitória (AFP)


Já o Feyenoord teve uma atuação até regular. Aliás, uma atuação até boa: com a velocidade de João Teixeira e a capacidade ofensiva que Mark Diemers mostra, Steven Berghuis já ficou menos sobrecarregado. E o Stadionclub dominou o primeiro tempo contra o Dinamo Zagreb, na Croácia. Porém, aos 7', já ficou claro qual seria a principal falha do time holandês em sua estreia na Europa League: a perda de chances. Afinal, uma oportunidade valiosa de abrir o placar surgiu num pênalti. Steven Berghuis até bateu bem, mas o goleiro Dominik Livakovic evitou o gol, ao defender com um dos braços. Durante todo o primeiro tempo foi assim: Jens Toornstra tentou aos 15' (Livakovic pegou), Diemers cabeceou aos 38' (para novamente o goleiro evitar o gol)... e o placar seguiu sem gols.

No segundo tempo, o ritmo do jogo seguiu assim. Diemers tentava, Linssen tentava, Berghuis tentava... mas nada do "toque final", aquele que poderia ser o gol. Para piorar, a expulsão de Marcos Senesi (falta exagerada do argentino aos 72', que o rendeu o segundo cartão amarelo) fez com que o Feyenoord tivesse de se defender. Aí apareceu Justin Bijlow: com pelo menos duas boas defesas, aos 85' e 88', o jovem goleiro salvou pelo menos um ponto do Stadionclub. Mas ficou a incômoda impressão: pelo que fizera no primeiro tempo, o Feyenoord ficou com só um ponto quando poderia ter ganho três.

AZ em alta, Feyenoord em média, PSV em baixa, quando se imaginava o contrário: a gangorra virou, na estreia dos clubes da Holanda (Países Baixos) na Liga Europa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Boas ideias, mau resultado

Tagliafico teve infelicidade no lance do gol do Liverpool. E o Ajax tentou atacar, mas sua ineficiência ofensiva impôs o preço da derrota na estreia na Liga dos Campeões (BSR Agency)

Quando a escalação do Ajax para sua estreia na Liga dos Campeões foi revelada, mostraram-se algumas ideias que eram muito elogiáveis, no papel, para tentar conter o Liverpool que enfrentaria na Johan Cruyff Arena. O destino atrapalhou um pouco, mas por paus ou por pedras, o Ajax até teve alguns momentos elogiáveis em sua primeira partida nesta Champions League. Mas não aproveitou suas chances. Os Reds, sim. E por isso, como quase sempre acontece com os Ajacieden, o adversário deles é que fez a festa em Amsterdã.

É bem justo dizer que a principal das ideias táticas que Ten Hag teve em mente ao escalar a equipe Ajacied teve um duro golpe já no começo do jogo. Afinal, sem Antony (desfalque por razões até agora não esclarecidas), Mohammed Kudus foi um "falso atacante", escalado de modo um pouco mais adiantado no meio-campo, para ajudar Dusan Tadic e David Neres no ataque. De quebra, com Daley Blind no meio, o Ajax ganhava alguma força defensiva diante da velocidade conhecida que o trio Mohamed Salah-Roberto Firmino-Sadio Mané tem no ataque: caso os Reds acelerassem demais, bastaria que Blind recuasse mais para deixar a defesa com cinco homens. Mas tudo isso durou só oito minutos, tempo em que Kudus ficou em campo: uma lesão no joelho tirou o ganês de combate.

Quincy Promes entrou, e aí o Ajax voltou ao seu conhecido 4-3-3. O que não quer dizer que os Ajacieden perderam poder de fogo. Tiveram até mais chances de ataque do que o Liverpool: num chute de David Neres bloqueado por Fabinho aos 12', no cabeceio de Lisandro Martínez que Adrián defendeu aos 16', no chute rasteiro de Ryan Gravenberch que passou rente à trave aos 21', na tentativa de Promes que Adrián evitou com os pés aos 33' (Promes impedido? Talvez). Nenhuma delas, aproveitada. 

O Ajax teve mais chances do que o Liverpool - esta, de Promes, foi uma das mais claras. Mas foi incompetente no ataque (Pro Shots)

Até ali, o Liverpool só tentava algo nos contra-ataques - e mesmo assim, sem muito perigo, pelas boas atuações de Perr Schuurs e Blind no recuo. Porém, aos 35', quando Mané (o melhor dos atacantes) passou por Schuurs e cruzou, Nicolás Tagliafico estava no lugar errado, na hora errada: na pequena área, o argentino tentou afastar, mas desviou a bola para o próprio patrimônio. Era o gol que o Liverpool buscava. E que até deixou os Reds menos tímidos no ataque - Salah, por exemplo, só teve um gol impedido pelo bloqueio de Noussair Mazraoui, aos 40'.

De resto, foi quase o de sempre. O Ajax tentou atacar, mas faltou competência para isso. O lance perdido por Tadic aos 44' exemplificou bem isso: o sérvio tentou um toque desnecessário por cobertura, sobre Adrián, e Fabinho (atuação segura) conseguiu tirar na pequena área. Já no segundo tempo, aos 47', Klaassen completou um bom ataque... mas mandou a bola na trave. Aos 58', Promes tabelou bem com Mazraoui e arrematou da entrada da área, mas Adrián espalmou.

Muitos gols perdidos para um time que sonha destronar um dos dois, entre Liverpool e Atalanta (que estreia!), na classificação às oitavas de final. Não adiantou primeiro tentar a bola no chão, com a entrada de Zakaria Labyad, para depois partir ao "tudo ou nada" com as entradas de Klaas-Jan Huntelaar e Lassina Traoré. O Ajax fracassou ao tentar transformar as boas ideias antes do jogo num bom resultado depois dele. O Liverpool atacou pouco (perigo, mesmo, só em chute de Takumi Minamino, aos 70'). Nem precisava: a vitória é dos Reds. E o Ajax já terá desafio duríssimo diante da Atalanta. Se a pandemia deixar, claro.

Liga dos Campeões - fase de grupos - Grupo D

Ajax 0x1 Liverpool

Local: Johan Cruyff Arena (Amsterdã)
Data: 21 de outubro de 2020
Árbitro: Felix Brych (Alemanha)
Gol: Nicolás Tagliafico (contra), aos 34'

Ajax
André Onana; Noussair Mazraoui, Perr Schuurs (Lassina Traoré), Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico; Ryan Gravenberch, Davy Klaassen (Jurgen Ekkelenkamp), Mohammed Kudus (Quincy Promes) e Daley Blind (Klaas-Jan Huntelaar); David Neres (Zakaria Labyad) e Dusan Tadic. Técnico: Erik ten Hag

Liverpool
Adrián; Trent Alexander-Arnold, Joe Gomez, Fabinho e Andrew Robertson; Curtis Jones (Jordan Henderson), James Milner (Rhys Williams) e Georginio Wijnaldum; Mohamed Salah (Xherdan Shaqiri), Roberto Firmino (Diogo Jota) e Sadio Mané (Takumi Minamino). Técnico: Jürgen Klopp

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Possibilidades, sim. Confiança, nem tanto

A temporada das competições europeias está começando nesta semana, com as primeiras rodadas das fases de grupos de Liga dos Campeões (nestas terça-feira e quarta-feira) e Liga Europa (quinta-feira). Porém, a pandemia da COVID-19 que volta a atormentar a Europa em sua segunda onda torna impossível dizer se, quando e como essa temporada vai terminar. Portanto, também torna ainda mais difícil alcançar a resposta de uma pergunta já nebulosa de origem: os clubes da Holanda (Países Baixos) podem sonhar com alguma coisa em Champions League ou Europa League?

Seria bom se pudessem sonhar. Afinal de contas, a situação atual já é bem melhor do que foi há algumas temporadas: bem ou mal, na classificação de coeficientes da UEFA, o índice neerlandês é o 10º da lista. Mesmo estando em 11º, já era o suficiente para que o campeão da Eredivisie tivesse de volta a vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões, caso o vencedor da Liga dos Campeões 2019/20 também tivesse vaga nesta edição 2020/21 por sua liga nacional - o que ocorreu com o Bayern de Munique, campeão alemão. E as classificações de PSV e AZ à fase de grupos da Liga Europa bastaram para que a Holanda subisse uma posição no ranqueamento, superando Turquia (dos cinco clubes turcos em competições europeias, dois já caíram, contra uma eliminação de holandês - o Willem II foi eliminado pelo Rangers, na 3ª fase preliminar da Liga Europa).

O que não quer dizer sossego: Turquia (11ª) e Áustria (12ª) seguem nos calcanhares holandeses, e ainda há Ucrânia (9ª) e Bélgica (8ª) à frente. Para que a evolução leve continue, deixando afastados vexames como os de 2016/17 (quedas ainda nas fases preliminares para PSV - Liga Europa - e Ajax - Liga dos Campeões e, depois, também Liga Europa), seria ótimo ver boas campanhas na fase de grupos. Quem sabe ver, dos quatro holandeses em torneios continentais, dois avançarem ao mata-mata. E sim, há certas possibilidades disso acontecer. O que falta é confiança nas capacidades. E sobram motivos para a falta de confiança.

Tadic (à direita) segue bom atacante, Klaassen retorna para ser útil, a base sempre revela talentos... o Ajax tem um time elogiável. Mas parece pouco para seguir na Liga dos Campeões (BSR Agency)

Liga dos Campeões 


Estava bom demais para ser verdade. Terminando na primeira posição do Campeonato Holandês 2019/20 quando este foi interrompido, o Ajax estava empatado em pontos com o AZ - mas por ter melhor saldo de gols, sendo "tecnicamente" o líder, ficou com a melhor vaga da Holanda (Países Baixos) na Liga dos Campeões. Com o Bayern de Munique já tendo vaga na temporada 2020/21, campeão alemão que foi, abriu-se a vaga na fase de grupos - e ela era do time de Amsterdã. Para entrar no pote 2 do sorteio, os Ajacieden torciam para que o Sevilla vencesse a Liga Europa 2019/20, e para que o Benfica fosse eliminado na 3ª fase preliminar da Champions League. Ambos os desejos, realizados. E a sorte acabou aí.

Porque, antes mesmo do sorteio, já se sabia que os Amsterdammers perderiam Hakim Ziyech - desde antes da pandemia, aliás - e Donny van de Beek, enfraquecendo bastante o poder de fogo no ataque. E quis o destino que as bolinhas reservassem como adversários no grupo D o Liverpool, que praticamente dispensa apresentações; a Atalanta, que foi em 2019/20 o que o Ajax fora na temporada anterior - isto é, a "zebra que atrai a torcida pela ofensividade na Liga dos Campeões" (e que é eliminada com gol nos estertores da partida decisiva, diga-se de passagem); e até mesmo o Midtjylland dinamarquês, embora francamente pouco falado e considerado eliminação certa, pode chatear.

De lá para cá, pouco mudou. Sim, o Liverpool - adversário da estreia do Ajax, nesta quarta - terá de encarar as desagradáveis ausências de Alisson e Virgil van Dijk (esta, a longo prazo). Mas sobram "só"  Mohamed Salah, Roberto Firmino, Sadio Mané, Jordan Henderson, Trent Alexander-Arnold... perigos de sobra, que mantêm os Reds favoritos. E a Atalanta não só ficou com todos os seus destaques (Marten de Roon, Alejandro "Papu" Gómez, Luis Muriel) como ainda trouxe nomes promissores (um deles o Ajax conhece bem, como adversário: Sam Lammers).

Certo, o Ajax tem sua força. Dusan Tadic é um ótimo comandante das ações de ataque, com Quincy Promes a postos. Nas laterais, Noussair Mazraoui e Nicolás Tagliafico são nomes confiáveis. Algumas contratações que acabaram de chegar já parecem estar há tempos em Amsterdã: Antony e Mohammed Kudus são os grandes exemplos. Davy Klaassen, mais experiente e mais consciente taticamente, é o "filho pródigo" que pode ajudar com sua experiência, voltando após três anos. E há as revelações, sempre elas no Ajax, venham da base ou compradas a baixo custo: Perr Schuurs, Kenneth Taylor, Ryan Gravenberch, Jurgen Ekkelenkamp, Sontje Hansen, Brian Brobbey... elas podem formar um bom time. Um time que até pode disputar a vaga nas oitavas de final. Mas até todos se entrosarem, até haver o "clique", leva tempo. E esse tempo pode e deve ser insuficiente para fazer frente aos favoritos Liverpool e Atalanta.

Liga Europa

Começando bem na Eredivisie, contratações promissoras, avanços inquestionáveis nas fases preliminares... o PSV parece consistente para avançar na Liga Europa (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images)


A equipe de Eindhoven ainda está no começo da temporada, mas tem a seu favor itens bastante favoráveis para possibilitar otimismo com suas possibilidades na Liga Europa: contratações de respeito, um bom começo no campeonato nacional e classificações categóricas nas fases preliminares da Liga Europa. Detalhando esta última razão, os Boeren eram mais fortes contra o Mura esloveno, na 3ª fase preliminar, e contra o Rosenborg norueguês, nos play-offs pela vaga na fase de grupos. E provaram isso, goleando o Mura (5 a 1) e vencendo tranquilamente o Rosenborg (2 a 0). Tudo, fora de casa.

De quebra, os últimos dias da janela de transferências trouxeram reforços que efetivamente fortalecem o que o técnico Roger Schmidt já tinha à disposição. Eran Zahavi, Mario Götze, Ibrahim Sangaré, Marco van Ginkel (quando se recuperar)... todos podem ajudar os destaques já titulares - Denzel Dumfries, Cody Gakpo, Donyell Malen, até o agora reserva Mohamed Ihattaren. Em que pesem algumas escaramuças pequenas durante os jogos, o PSV já lidera o Campeonato Holandês após cinco rodadas. E mostra capacidade técnica e experiência para desafiar o PAOK grego e o Granada espanhol no grupo E - suplantar o Omonia Nicosia, do Chipre, deve ser mais fácil...


Queda na Liga dos Campeões, falta de eficiência no ataque, empates no fim dos jogos na Eredivisie... e agora o AZ ainda tem de suportar um surto de infecções pelo novo coronavírus (Ed van de Pol/Soccrates/Getty Images)


De todos os motivos que tornam dificílimo o otimismo com a participação dos Alkmaarders no grupo F, o último a surgir é o mais forte e perigoso: claro, o surto de infecções pelo novo coronavírus que surgiu no grupo de jogadores - na sexta passada, foram anunciados nove infectados, sendo seis jogadores; nesta terça, anunciaram-se mais oito testes positivos, sete envolvendo atletas. Só isso já dificulta bastante a situação do AZ para a estreia, nesta quinta-feira, contra o Napoli-ITA. Se é que a partida ocorrerá.

Mas antes mesmo do "corona-tsunami" cobrir o time de Alkmaar, as desconfianças já andavam grandes. Na Liga dos Campeões, o time passou com muita dureza pelo Viktoria Plzen, na segunda fase preliminar, e caiu para o eficiente Dynamo Kiev na 3ª fase preliminar. E nas cinco primeiras rodadas iniciais do Campeonato Holandês, a equipe de Alkmaar exibe tanto capacidade no ataque quanto desatenção na defesa: não fosse assim, e não teria perdido vitórias próximas para Fortuna Sittard, Sparta Rotterdam e VVV-Venlo (contra o Sparta, vencendo por 4 a 0 no fim do 1º tempo!). Assim fica difícil acreditar que o AZ pode superar os dois favoritos do grupo: um Napoli forte e experiente, e uma Real Sociedad ofensiva. Se a desatenção continuar, até mesmo o Rijeka croata pode assustar.

Sim, o Feyenoord tem condições de se classificar na Liga Europa. Mas as lesões, a falta de alternativas no grupo e a falha nas finalizações podem atrapalhar (ANP/Getty Images)


Quando o sorteio dos grupos revelou que o Feyenoord teria contra si o Dinamo Zagreb croata, o CSKA Moscou russo e o Wolfsberger austríaco na chave K, o técnico Dick Advocaat deixou claro seu alívio, numa entrevista coletiva: "Poderia ter sido bem pior". Classificado diretamente para a fase de grupos que estava, o Stadionclub tinha até a possibilidade de se aprimorar na pré-temporada e no princípio do Campeonato Holandês, para provar sua capacidade. De certa forma, o time de Roterdã até faz isso: seu começo na Eredivisie é positivamente regular, e o time já tem alguma consistência. 

Contratações como Bryan Linssen e, principalmente, o português João Teixeira se mostram plenamente capazes de tirarem a sobrecarga de Steven Berghuis na criação e na finalização das jogadas. Porém, se o Feyenoord cria chances de gol, também as perde muito. E a onda de lesões já irrita Dick Advocaat: Eric Botteghin na defesa, Leroy Fer no meio, Nicolai Jorgensen e Robert Bozeník no ataque... principalmente na frente, as lesões escancaram que a falta de reforços pode ser prejudicial para disputar a classificação. O Feyenoord pode avançar à segunda fase, mas é necessário confiar desconfiando.