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| O Ajax lidera, o Twente pode voltar a liderar... mas PSV, Feyenoord e Zwolle tornam o Campeonato Holandês feminino bem equilibrado em 2025/26 (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images) |
Twente e Ajax. Quem sabe, o PSV. Assim vem sendo a disputa pelo título do Campeonato Holandês, há algumas temporadas. E continua sendo assim nesta temporada 2025/26, que será retomada neste sábado, 17, com a abertura da 10ª rodada. Por sinal, será retomada justamente com um... Twente x Ajax. A única diferença está do lado dominante: se o clube de Enschede vem de um bicampeonato nacional na Vrouwen Eredivisie, agora a liderança é do clube de Amsterdã. Pelo menos, por enquanto, já que o Twente teve um jogo atrasado - contra o AZ, na 9ª rodada, em razão de dar mais tempo de preparação para uma rodada que haveria na fase de liga da Liga dos Campeões de mulheres.
Mas a curiosidade, até agora, está ao se olhar abaixo de Ajax e Twente na tabela de classificação. Sim, o PSV está lá, na terceira posição. Só que estão relativamente perto o Feyenoord, em quarto lugar, e o Zwolle, em quinto. E nem estão tão longe assim da dupla que lidera o campeonato (Ajax com 25 pontos, Twente com 23, PSV com 22 tendo saldo de gols maior, Feyenoord com 22, Zwolle com 21). Não significa que o nível técnico da liga holandesa de mulheres tenha ficado maior. Mas talvez signifique mais equilíbrio. Que poderá ser um bom sinal, se continuar assim na metade final da temporada, que começa neste sábado.
Enquanto não começa, é bom ver como estão cada um dos 12 clubes do Campeonato Holandês de mulheres - agora com transmissão da televisão brasileira, com os jogos do Ajax exibidos pela N Sports.
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| Danique Tolhoek (à frente) se responsabiliza pelos gols. E o Ajax, com ataque poderoso e um time jovem e focado, está firme na disputa do título (Remko Kool/Soccrates/Getty Images) |
1º - AJAX
Pontuação e campanha: 25 pontos (8 vitórias, 1 empate e 1 derrota)
Time-base: Van Eijk; De Klonia, Noordermeer, Visscher (Van Asten) e Van de Velde; Van Koppen, Noordman (Colin) e Spitse (Van Hensbergen); Van Egmond, Tolhoek e Derks
Técnica: Anouk Bruil
Destaques: Danique Noordman (meio-campista) e Bo van Egmond (atacante)
Goleadora: Danique Tolhoek (atacante), com 8 gols
Competição europeia: Europa Cup (eliminado pelo Hammarby-SUE, nas oitavas de final)
Comentário: Com as perdas decorrentes - e esperadas... - do mercado de transferências (Lily Yohannes e Lotte Keukelaar à frente), o Ajax poderia correr algum risco de ver o Twente, velho concorrente, abrir alguma vantagem. Para tentar evitar isso, a aposta foi em talentos internos, do próprio Campeonato Holandês, somados às que ficaram em Amsterdã. Pelo menos por enquanto, está dando certo. Porque, na defesa, a experiência da goleira Regina van Eijk é acrescentada de nomes como a zagueira Daniëlle Noordermeer e a polivalente (joga no miolo de zaga e na lateral esquerda) Amber Visscher, que facilitam até a liberação de Sherida Spitse para voltar a jogar no meio-campo - pelo menos quando voltar, já que um problema estomacal tirou Spitse dos últimos jogos de 2025. Ainda no meio, Isa Colin vinha ajudando bastante até sofrer a grave lesão no joelho que a tirará do restante da temporada. E Danique Noordman se consolida como "a próxima candidata" a deixar Amsterdã: vai muito bem na criação de jogadas, e até na finalização.
Por falar nela, o Ajax pode contar tanto com nomes mais conhecidos - Bo van Egmond, Danique Tolhoek - como com a revelação Ranneke Derks, que voltou do vice-campeonato da Holanda (Países Baixos) no Mundial sub-17 de mulheres para ser titular e a recordista de passes para gol na temporada, até aqui. Certo, houve pelo menos um tremendo escorregão, com a goleada por 7 a 1 sofrida para o Zwolle (8ª rodada), pior derrota na história do time feminino de Amsterdã. Mas ela foi contrabalançada com as goleadas sobre Utrecht (8 a 0, 9ª rodada) e NAC Breda (5 a 1, 10ª rodada) - que tornaram as Ajacieden o melhor ataque do campeonato (35 gols!) e às levaram à liderança, com o jogo a menos que o Twente ainda tem. Mesmo assim, o Ajax tem plenas condições de voltar a ser campeão, com o time jovem e focado que mostra.
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| Os desafios aumentaram para o Twente manter sua sequência vencedora, mas Ravensbergen é um dos nomes que mantêm o atual bicampeão holandês em alta (Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi/ Getty Images) |
2º - TWENTE
Pontuação e campanha: 23 pontos (7 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota - um jogo a menos)
Time-base: Lemey; Vliek, Knol, Carleer e Tuin; Groenewegen, Van Ginkel e Proost (Te Brake); Roord; Ivens (Oude Elberink) e Ravensbergen
Técnica: Corina Dekker
Destaques: Alieke Tuin (lateral esquerdo) e Jaimy Ravensbergen (atacante)
Goleadora: Jaimy Ravensbergen (atacante), com 7 gols
Competição europeia: Liga dos Campeões (eliminadas na fase de grupos)
Comentário: Foi até engraçado de ver: na seleção da primeira metade da temporada divulgada pelas próprias mídias sociais do Campeonato Holandês feminino, o líder Ajax só tinha uma jogadora (Danique Noordman), contra três do Twente (Lieske Carleer, Alieke Tuin e Jaimy Ravensbergen). De certa forma, exemplifica bem como o poder das Tukkers é estabelecido na Vrouwen Eredivisie. Também, pudera: o técnico Joran Pot saiu - após a vitoriosa passagem -, entrou Corina Dekker, e as vitórias não pararam. Começou com o título da Supercopa da Holanda feminina, e continuou com as fases preliminares da Liga dos Campeões e as quatro primeiras rodadas da liga nacional. Até mesmo o primeiro tropeço na temporada deu razão para as Tukkers comemorarem: na primeira rodada da Liga dos Campeões, surpreender o Chelsea, semifinalista da Champions passada (1 a 1), foi uma prova de respeito. Claro, depois vieram algumas oscilações. No Campeonato Holandês, os empates contra Utrecht (1 a 1, 5ª rodada) e HERA United (0 a 0, 10ª rodada) permitiram a chegada de Ajax e PSV na disputa pela ponta. Na Champions, teria sido possível sonhar com avançar à segunda fase, caso fossem evitados tropeços como o visto contra o OH Leuven-BEL: o Twente vencia por 1 a 0, mas tomou a virada nos últimos dez minutos de jogo.
De todo modo, há razões para otimism. Jill Roord, o mais badalado reforço da temporada, consegue ser a referência que se esperava: que o digam os 3 a 2 no Feyenoord (7ª rodada), um jogo difícil, que Roord decidiu com gol nos acréscimos. E o coletivo altamente entrosado - e seguro: é a defesa menos vazada, com 7 gols, ao lado do PSV - faz com que nomes novos despontem, como a zagueira Lieske Carleer e a volante Lynn Groenewegen, convocadas para a seleção feminina holandesa. Além disso, mantém os destaques em alta: Alieke Tuin voltou a render bem na lateral esquerda, ofensiva, e Jaimy Ravensbergen já se credencia a voos mais altos, seguindo como goleadora. O Twente pode até tropeçar no jogo a menos que ainda tem. Pode até ter no Ajax um fortíssimo e renovado adversário. Mas ele tem a experiência e um bom time, mais "cascudo", para tentar o tricampeonato. Ainda é favorito.
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| O PSV tem um time inegavelmente talentoso. Mas isso tem adiantado pouco, com tropeços sucessivos nos jogos decisivos (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images) |
3º - PSV
Pontuação e campanha: 22 pontos (7 vitórias, 1 empate e 2 derrotas - na frente pelo melhor saldo de gols)
Time-base: Evrard; Bross, Kemper-Moorhees, Chibani (Haentjens) e Frijns; Lacroix (Strik), Nijstad e Ripa; Rijsbergen, Jacobs (Renate Jansen) e Xhemaili
Técnico: Roeland ten Berge
Destaques: Nina Nijstad (meio-campista) e Chimera Ripa (atacante)
Goleadora: Riola Xhemaili (meio-campista/atacante), com 9 gols
Competições europeias: Liga dos Campeões (eliminado pelo Manchester United-ING, na segunda fase preliminar) e Europa Cup (eliminado pelo Eintracht Frankfurt-ALE, nas oitavas de final)
Comentário: Sábado, 8 de novembro de 2025, 7ª rodada do Campeonato Holandês de mulheres. Num clássico na Johan Cruyff Arena, Ajax e PSV empatavam em 1 a 1. Era um resultado para o time de Eindhoven festejar e se fortalecer na disputa pela liderança, até que, nos acréscimos, um cruzamento da esquerda, a zagueira Myrthe Kemper-Moorhees tentou desviar... e cometeu o gol contra da vitória do Ajax (2 a 1). Tamanho azar simboliza o que tem sido esta temporada para o time de Eindhoven: bom nível técnico, capacidade para estar na disputa pela liderança e sonhar com o título da Vrouwen Eredivisie, mas na hora de "tirar o dez", na hora de se afirmar como merecedor de respeito, as Boeren fraquejam. Foi assim na Supercopa da Holanda, abrindo a temporada com derrota de virada para o Twente, após abrir 2 a 0 de vantagem. Foi assim na liga holandesa, na 4ª rodada, permitindo a vitória do Twente em casa (3 a 1, no estádio que agora tem até nome patrocinado). Foi assim na citada vitória do Ajax, na infelicidade de Kemper-Moorhees. Foi assim até na eliminação na Europa Cup: o PSV chegou a sonhar em vencer o jogo de ida em casa, mas permitiu a virada do Eintracht Frankfurt, que resolveu sua classificação posteriormente.
Talvez não precisasse ser assim, porque o PSV tem um time capacitado, bem organizado em campo. Se a questão são as novatas, a zagueira Anissa Chibani e a lateral Emma Frijns já ganham experiência com pouca idade. Se a questão é experiência, estão aí Melanie Bross, Liz Rijsbergen e a suíça Riola Xhemaili, das melhores jogadoras do campeonato - para nem falar de Renate Jansen, que ainda pode ser útil na última temporada de sua carreira. Se a questão é capacidade técnica, além de todas já faladas, saltam aos olhos Nina Nijstad e Chimera Ripa, duas das melhores jogadoras desta edição da Vrouwen Eredivisie, que voltam a ser cotadas para as convocações da seleção de mulheres dos Países Baixos. Entretanto, de nada adianta o talento ser visível se o PSV continua mal em horas decisivas. Que o diga o último tropeço de 2025: empate em 1 a 1 contra o Feyenoord, em casa. Tais resultados ruins acabam anulando o efeito de goleadas como os 5 a 0 no NAC Breda (5ª rodada) ou os 6 a 0 no Heerenveen (8ª rodada). Enfim: se o PSV quiser se credenciar como postulante ao título holandês feminino, tem de vencer os jogos decisivos. Até porque Feyenoord e Zwolle, embalados, estão à espreita. Quem sabe a veterana Shanice van de Sanden, chegando para o ataque, possa ajudar nisso.
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| O Feyenoord consolida o projeto de seu time feminino, e a boa campanha até aqui comprova isso em campo (Pim Waslander/Soccrates/Getty Images) |
4º - FEYENOORD
Pontuação e campanha: 22 pontos (7 vitórias, 1 empate e 2 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
Time-base: Dinkla (Weimar); Van Bentem (Van der Sluijs), Takeshige, Obispo e Brandau; Hulswit, Iwasaki e Van de Westeringh; Hulswit (Van de Lavoir), De Graaf (Van Kerkhoven) e Itamura
Técnica: Jessica Torny
Destaques: Mao Itamura (atacante) e Kirsten van de Westeringh (meio-campista)
Goleadora: Mao Itamura (atacante), com 5 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Talvez seja cedo falar em título, pelo menos na liga neerlandesa (na copa das mulheres, o Feyenoord está nas quartas de final). Mas certamente é possível dizer que o Feyenoord deu um salto importante na consolidação de seu time feminino, na quinta temporada dentro da primeira divisão. Enfim, o Stadionclub parece ter força para sonhar com mais do que o meio de tabela. Prestigiada mesmo em momentos ruins, como o mau início em 2024/25, a técnica Jessica Torny retribui com um time entrosado. Já é possível, por exemplo, decorar a linha de quatro defensoras: sempre são Tess van Bentem - ou Noëlle van der Sluijs, ponta-direita improvisada - na lateral direita, a japonesa Akari Takeshige (muito bem na temporada) e Celainy Obispo (experiente) como dupla de zaga, e Justine Brandau na lateral esquerda. Também favoreceu o bom rendimento de meio-campo e ataque: a dupla japonesa - Kokona Iwasaki, meio-campista, e Mao Itamura, atacante - chegou muito bem, Esmee de Graaf e Ella van Kerkhoven ajudam com gols, Kirsten van de Westeringh enfim dá seu talento ofensivo após sofrer com lesões de ligamento cruzado nos dois joelhos, nas duas últimas temporadas. Só assustou a lesão da goleira Jacintha Weimar, na reta final do ano passado - pelo menos, foi mais leve do que se supunha.
Até mesmo as derrotas mantêm algum ânimo para o Feyenoord seguir. Se o Ajax antes era capaz de golear o arquirrival no feminino, agora foi "só" 1 a 0 (2ª rodada). Contra o Twente, o time de Roterdã segurava o empate fora de casa, e só perdeu nos acréscimos (3 a 2, 7ª rodada). No mais, os resultados são promissores. Contra adversários do "mesmo tamanho" no feminino, vitórias: 2 a 1 no Utrecht, na 4ª rodada, e 4 a 1 no AZ, na 5ª rodada. Contra times menores, goleadas (como os 6 a 1 no Heerenveen, na 6ª rodada). E terminar 2025 empatando com o PSV, por 1 a 1, deixa a boa impressão de que o Feyenoord está ganhando corpo, para sonhar com objetivos mais ousados nas próximas temporadas. Até porque o vice-campeonato da seleção feminina holandesa no Mundial sub-17 de mulheres mostrou duas novatas reveladas no clube de Roterdã: a defensora Kim Rietveld e a meio-campista Jayda Vinckers.
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| A histórica goleada sobre o Ajax simboliza a boa campanha que o Zwolle faz (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images) |
5º - ZWOLLE
Pontuação e campanha: 21 pontos (7 vitórias, nenhum empate e 3 derrotas)
Time-base: Szymczak; Dijsselhof, Rutgers, Lindner e Weiman; Pruim e Ishida; Roosjen, Van Vugt (Jonsdóttir) e Iedema; Huizenga
Técnico: Gert Peter van de Gunst
Destaque: Hanna Huizenga (atacante)
Goleadoras: Judith Roosjen (meio-campista/atacante), Sophie van Vugt (meio-campista), Hanna Huizenga (atacante) e Ilvy Zijp (atacante), todas com 4 gols
Comentário: Diante de uma nascente tradição de ser time "revelador" de talentos (até de técnicos: foi no Zwolle que Olivier Amelink despontou para comandar a seleção feminina sub-20, quarta colocada no Mundial feminino da FIFA em 2024, e a seleção sub-17 de mulheres campeã europeia e vice-campeã mundial em 2025), os maus resultados na temporada passada haviam decepcionado. Por isso, era necessário fazer uma melhor campanha em 2025/26, para não perder terreno em relação a clubes com mais condições financeiras. É exatamente o que as Zwollenaren estão fazendo: com um time jovem, de nível aceitável para os (baixos) padrões da Eredivisie feminina, fazem campanha consistente a ponto de sonharem com a terceira colocação.
O começo nem inspirava tanta confiança assim, com duas derrotas em três rodadas. Contudo, aos poucos nomes que chegaram, dentro da Eredivisie (a meia-direita Judith Roosjen, a atacante Lyanne Iedema) ou não (a islandesa Ragnheidur Jonsdóttir, a japonesa Chihiro Ishida), foram se entrosando com as remanescentes - a atacante Hanna Huizenga à frente -, e aumentaram o nível técnico das alviazuis em campo. Bastou para uma ótima sequência de cinco viórias seguidas, entre a 4ª e a 8ª rodadas, que culminou na maior surpresa da temporada até aqui, talvez o maior momento dos 16 anos de história do time de mulheres do Zwolle: os 7 a 1 no Ajax. Atípicos, sim. Mas com um time altamente eficiente, se aproveitando das chances e do maior costume ao gramado cheio de neve do MAC³Park Stadion para empilhar gols no atual líder, com Sophie van Vugt brilhando (três gols dela). Dali o Zwolle se catapultou para o meio da tabela. E quer continuar aproveitando este impulso. Por sinal, com mais uma revelação esperando sua vez: na reserva da goleira polonesa Oliwia Szymczak, está Maren Groothoff, destaque holandês no Mundial feminino sub-17 do ano passado, com defesas em cobranças de pênalti contra Estados Unidos e França.
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| A jovem Rosalie Renfurm pode ajudar o Utrecht a conseguir sair da inconstância e retomar a força no Campeonato Holandês feminino (Milan Rinck/Soccrates/Getty Images) |
6º - UTRECHT
Pontuação e campanha: 14 pontos (4 vitórias, 2 empates e 3 derrotas)
Time-base: Bastiaen; Paliama, Weerelts, Op den Kelder e Koopman; Munsterman, Renfurm e Mahieu; Loonen, Tromp e De Keijzer
Técnica: Linda Helbling
Destaque: Rosalie Renfurm (meio-campista)
Goleadora: Lobke Loonen (atacante), com 7 gols
Comentário: Se nas suas primeiras temporadas de Eredivisie feminina o Utrecht até ousou desafiar o trio Twente-Ajax-PSV, em 2025/26 o desempenho das Utregs é um pouco mais tímido. Não exatamente ruim, mas tímido. Até aqui, a equipe não conseguiu desenvolver uma sequência de vitórias que a embalasse na tabela: sempre intercala com derrotas ou empates. E pelo menos uma derrota depôs (até injustamente) contra o talento da equipe: os 8 a 0 sofridos para o Ajax, na 9ª rodada, "pagando" pela goleada que as Amsterdammers tinham sofrido para o Zwolle na rodada anterior. O time do Utrecht tem qualidades, principalmente no ataque, com o trio Lobke Loonen-Nikita Tromp-Lotje de Keijzer se responsabilizando pelos gols. Tem uma goleira muito ágil, na belga Femke Bastiaen. E tem vários nomes que despontaram na Holanda vice-campeã mundial feminina sub-17: a zagueira Aline Weerelts, a meio-campista Rosalie Renfurm, Bola de Bronze (terceira melhor jogadora) no torneio, e a veloz atacante Rochelity Dap. Elas podem ajudar o Utrecht, que tem um jogo a menos - a partida contra o ADO Den Haag, pela 8ª rodada, foi adiada pela neve - e pode recuperar terreno no meio da tabela. Só precisa conseguir uma sequência de vitórias.
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| Van Lunteren segue comandando o AZ em campo, mas está faltando um desempenho melhor (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images |
7º - AZ
Pontuação e campanha: 12 pontos (3 vitórias, 3 empates e 3 derrotas)
Time-base: "Netty" Booms; Mol, Woons, Stoop e Caprino; De Vette, Van Lunteren e Van Uden (Van Bentum); Dessing, Ellouzi (Van Beijeren) e Kroese
Técnico: Wouter de Vogel
Destaque: Desirée van Lunteren (meio-campista)
Goleadora: Desirée van Lunteren (meio-campista), com 10 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Igual ao Utrecht, mas um pouco pior: assim está o time de Alkmaar nesta temporada. Tem um time entrosado - que o diga a defesa, que da temporada passada para cá só teve a mudança de goleiras, de Femke Liefting para Trinette "Netty" Booms. Tem jogadoras talentosas, até jovens (como a atacante Fieke Kroese), todas comandadas pela meio-campista e capitã Desirée van Lunteren, seguindo na carreira após reativá-la. Porém, as Alkmaarders não conseguem uma sequência de resultados que as catapulte para mais perto de Feyenoord e Zwolle. E o "um pouco pior" da análise se justifica porque, se houve sequência, foi de derrotas: duas seguidas (Feyenoord 4 a 1, na 5ª rodada; PSV 2 a 0, na 6ª rodada). Mas o talento foi exemplificado numa goleada (8 a 1 no NAC Breda, na 8ª rodada). E assim como o Utrecht, o AZ também tem um jogo a menos. Ele é desafiador: afinal, o adversário será o Twente. Além do mais, uma opção relativamente experiente do grupo de jogadoras já não está mais disponível: a atacante Floor Jolijn Spaan decidiu parar com a carreira no futebol, pelo menos por enquanto. Mas a equipe de Alkmaar também precisa de uma boa sequência para se impulsionar na temporada.
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| O HERA United começou com os problemas esperados de um estreante na Eredivisie feminina, mas foi melhorando (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images) |
8º - HERA UNITED
Pontuação e campanha: 7 pontos (1 vitória, 4 empates e 5 derrotas - na frente pelo melhor saldo de gols)
Time-base: Steen; Donker, Tanaka (Tiebie), Stoop e Daalman; Kleef, Kira, Khanchouch e Vis; Nottet (Lagcher) e Van Belen
Técnico: Ed Engelkes
Destaques: Chinatsu Kira (meio-campista) e Jannette van Belen (atacante)
Goleadora: Jannette van Belen (atacante), com 4 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Era até esperado que um time estreante na primeira divisão tivesse lá suas dificuldades para conseguir os resultados e se manter nela. E o HERA United já tem lá suas goleadas sofridas para amargar (PSV 4 a 0, na 3ª rodada; Ajax 5 a 0, na 6ª rodada). Porém, vale lembrar que o time de Amsterdã também conseguiu pontuar logo na primeira rodada, empatando com o AZ (2 a 2). E a campanha na primeira metade da temporada mostrou certa evolução. Houve a demora natural pela primeira vitória, mas afinal ela veio, contra um adversário direto contra o rebaixamento: 1 a 0 no ADO Den Haag (7ª rodada). Bem ou mal, pontuou-se contra os outros que tentam escapar das últimas posições (1 a 1 com o NAC Breda, na 4ª rodada, e com o Excelsior, na 9ª rodada). Algumas jogadoras despontaram, como a meio-campista Chinatsu Kira - bem desde que o time que defende o HERA United defendia o Telstar - e a atacante Jannette van Belen. E 2025 terminou com a equipe segurando um 0 a 0 contra o Twente, em casa. Se é só um começo, é um começo muito digno. Quem sabe melhore com as contratações que chegam, como as meio-campistas experientes Dominique Bruinenberg e Inessa Kaagman.
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| Evi Maatman (à frente) tenta ajudar, mas o Heerenveen precisa tomar cuidado (Pim Waslander/Soccrates/Getty Images) |
9º - HEERENVEEN
Pontuação e campanha: 7 pontos (2 vitórias, 1 empate e 7 derrotas - atrás pelo pior saldo de gols)
Time-base: Badenhop (Resink); Nassette, Meijer, Vermeer e Van Vilsteren; Maass e Kerkhof; Algra, Kroezen e Altena (Boukakar); Maatman
Técnico: Niklas Tarvajärvi
Destaque: Aymée Altena (atacante)
Goleadoras: Aymée Altena (atacante) e Evi Maatman (atacante), ambas com 3 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: O Heerenveen até venceu mais do que os três últimos colocados: dois triunfos. Mas foram apenas contra adversários diretos na disputa para fugir do rebaixamento (1 a 0 no HERA United, na 5ª rodada; 2 a 0 no NAC Breda, na 9ª rodada). De resto, são algumas goleadas amargadas: os 4 a 1 do Ajax (4ª rodada), os 6 a 1 do Feyenoord (6ª rodada), os 6 a 0 aplicados pelo PSV (8ª rodada). Para a defesa, pior ainda foi a perda da goleira Jasmijn Resink, gravemente lesionada no cotovelo, precisando dar lugar à reserva Brenda Badenhop. Por mais que algumas jogadoras tenham talento, como as atacantes Aymée Altena - presente no vice-campeonato mundial sub-17 da Holanda (Países Baixos) - e Evi Maatman, o Heerenveen ronda as últimas posições com menos margem de evolução do que o Excelsior. Perdeu duas jogadoras até úteis no grupo, as meio-campistas Britt Udink (foi para o Zwolle) e Inessa Kaagman (foi para o HERA United). Numa palavra: o time da Frísia precisa tomar cuidado.
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| Isa Gomez, um dos raros nomes a conseguir fazer algo ofensivamente no Excelsior, que melhorou levemente (Jeroen van den Berg/Soccrates/Getty Images) |
10º - EXCELSIOR
Pontuação e campanha: 5 pontos (1 vitória, 2 empates e 7 derrotas)
Time-base: Van der Klooster; Burgers, Westerink, Helderman e Cherif (De With); Verheijen, Katelyn Hendriks, Gomez e Van der Vlist; Hilhorst e Homan
Técnico: Mathijs Kreugel
Destaque: Katelyn Hendriks (meio-campista)
Goleadora: Katelyn Hendriks (meio-campista), com 4 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Diante das temporadas passadas, em que as vitórias demoravam tanto e deixavam o time de Roterdã na última posição, até que não está tão ruim: o triunfo já veio contra o Heerenveen (3 a 1, na 3ª rodada). Além do mais, a defesa faz o que pode: com certo entrosamento na linha de quatro defensoras - e até alguma capacidade, no caso da goleira Anouk van der Klooster e da lateral-direita June Burgers -, são "apenas" 20 gols sofridos. Menos do que o Utrecht. Porém, a falta de gols perturba o Excelsior: são só 10 gols feitos, o terceiro pior ataque da temporada. Pelo menos, não houve nenhuma goleada sofrida. E dois empates em 1 a 1 (contra HERA United e Excelsior) fecharam 2025. Mais aquela vitória em cima do Heerenveen, dão a leve esperança de que o Excelsior pode ficar mais seguro na segunda metade da temporada.
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| O NAC Breda, amargando mais um gol sofrido: as aurinegras têm dificuldade com as goleadas sofridas, somente com uma vitória (Photo Prestige/Soccrates/Getty Images) |
11º - NAC BREDA
Pontuação e campanha: 4 pontos (1 vitória, 1 empate e 8 derrotas)
Time-base: De Haan; Heshof, Verhoef, Van Houwelingen, Van Goch e Heijblom; Coelho Aurélio, Kim Hendriks e Van Dalen; Franken e Van der Vliet.
Técnico: Jan de Hoon
Destaque: Brigitte Franken (atacante)
Goleadora: Brigitte Franken (atacante), com 3 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Também estreante, o NAC Breda feminino pode ser assemelhado ao masculino. Sobra esforço a ambos, mas a dificuldade é inegável. Para as Bredanaren, dificuldades até maiores: afinal, trata-se da estreia do time na primeira divisão de mulheres. E elas ficam claras nos problemas defensivos, que tornam o time aurinegro a defesa mais vazada desta Vrouwen Eredivisie (38 gols, 11 a mais do que a segunda defesa que mais gols tomou). Também, pudera: as goleadas se sucederam - Twente 6 a 0 na 2ª rodada, PSV 5 a 0 na 5ª rodada, Zwolle 4 a 0 na 6ª rodada, AZ 8 a 1 na 8ª rodada, Ajax 5 a 1 na 10ª rodada. E o ataque não consegue contrabalançar tantos gols sofridos, em que pese o esforço de Brigitte Franken, que marcou três gols - um deles, na única vitória na temporada, os 2 a 1 no Excelsior, pela 7ª rodada. Pouco, para um estreante. Esforço ajuda, mas não basta.
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| Floortje Bol, dos raros nomes a tentar animar o lanterna ADO Den Haag, combalido (Angelo Blankespoor/Soccrates/Getty Images) |
12º - ADO DEN HAAG
Pontuação e campanha: 2 pontos (nenhuma vitória, 2 empates e 7 derrotas)
Time-base: Lorsheyd; Vonk, Van Mierlo (Pijnacker Hordijk), Koeleman e Blom; Mulder e Dupon; Remmers, Van Egmond (Henry) e Prins; Bol
Técnicos: Marten Glotzbach (até a 7ª rodada) e Sandra van Tol (interina, a partir da 8ª rodada)
Destaque: Floortje Bol (atacante)
Goleadora: Senna Koeleman (zagueira), com 2 gols
Competição europeia: nenhuma
Comentário: Esta temporada está sendo igual àquela que passou, para o lamento do time de Haia. As dificuldades já vistas no 7º lugar da temporada passada foram ampliadas em 2025/26. Se o começo era até administrável (uma goleada por 6 a 0 sofrida para o Ajax, na estreia, e um empate em 2 a 2 com o Heerenveen, na segunda rodada), a sequência de cinco derrotas entre a 3ª e a 7ª rodadas deixou clara a fragilidade ofensiva do Den Haag - são só quatro gols marcados, o pior ataque de toda a liga. Deixou claros os problemas do time sob o comando do técnico Marten Glotzbach, sem conseguir achar alternativas mesmo com nomes de relativo talento, como as atacantes Anne van Egmond, Iris Remmers e Floortje Bol. E a gota d'água foi perder por 1 a 0 para o estreante HERA United, jogo que marcou a demissão de Marten Glotzbach. Sem achar outro(a) treinador(a), a interina Sandra van Tol vai ficando. Até houve mais um ponto ganho, no 1 a 1 com o Excelsior, na 10ª rodada. Mas o ADO Den Haag precisa melhorar urgentemente. Não só para evitar o rebaixamento, mas principalmente para que o clube, de tanta tradição no futebol feminino da Holanda (Países Baixos) - vale lembrar que de lá vieram Sarina Wiegman e Victoria Pelova -, reverta a sensação de que está ficando para trás.













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