terça-feira, 25 de maio de 2021

Análise da temporada: Fortuna Sittard

Mesmo no começo preocupante do Fortuna Sittard, Flemming já apresentava força no ataque. Teve seu desempenho melhorado com o crescimento que rendeu sossego ao time auriverde (Peter Lous/Soccrates/Getty Images) 

Colocação final: 11º lugar, com 41 pontos (atrás pelo pior saldo de gols)
No turno havia sido: 13º colocado, com 13 pontos
Time-base: Van Osch; Rota (Tirpan), Angha, Janssen e Cox; Tekie, Rienstra e Seuntjens; Semedo, Polter e Flemming (Hansson)
Técnicos: Kevin Hofland (até a 8ª rodada) e Sjors Ultee (primeiro interinamente, depois efetivado)  
Maior vitória: ADO Den Haag 0x3 Fortuna Sittard (30ª rodada) e Fortuna Sittard 3x0 Twente (31ª rodada)
Maior derrota: Ajax 5x2 Fortuna Sittard (7ª rodada)
Principal jogador: Zian Flemming (atacante)
Artilheiro: Zian Flemming (atacante), com 12 gols
Quem deu mais passes para gol: Zian Flemming (atacante), com 7 passes para gol
Quem mais partidas jogou: Lisandro Semedo (atacante), que jogou todas as 34 partidas
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo NEC
Competições continentais: nenhuma

Dez rodadas, sete derrotas, três empates. Uma demissão de técnico já ocorrida. O Fortuna Sittard parecia afundado na disputa contra o rebaixamento no Campeonato Holandês. Ainda assim, era possível olhar alguns rastros de talento no time auriverde de Sittard: o lateral esquerdo George Cox, os atacantes Lisandro Semedo e Zian Flemming. Talvez, num time mais estável, poderiam colaborar até mais. Pois bem: isso aconteceu nos Fortunezen mesmo. Diretor esportivo nesta temporada, Sjors Ultee voltou ao banco de reservas a pedidos. E fez mudanças decisivas - por exemplo, dar chance ao jovem Yanick van Osch no gol. 

Foi o bastante: já naquele final de turno, o Fortuna estava em 13º lugar, começando a respirar. E seguiu assim no returno. Se ganhar dos clubes na ponta da tabela era tarefa ainda acima das capacidades do time, a escalação estável fortalecia as potencialidades do time. Se Cox caiu um pouco de produção, Semedo e Flemming cresceram ainda mais. Vencer adversários como ADO Den Haag, RKC Waalwijk e VVV-Venlo dizimava o perigo do rebaixamento. E triunfar contra times como Sparta Rotterdam catalisava o sonho de repescagem. Três derrotas seguidas, entre a 27ª e a 29ª rodadas, acabaram com essa perspectiva de coisa ainda melhor. Entretanto, de certa forma, ao ficar na primeira divisão sem muitos problemas, o Fortuna Sittard provou plenamente o que apenas se insinuava, naquele mau momento do começo: era um time de alguma qualidade.


Análise da temporada: poucas surpresas, que bom

Este final já era esperado quando o Campeonato Holandês começou: Ajax campeão, de novo. Outras coisas previsíveis ocorreram - mas pelo menos a pandemia não as interrompeu (Maurice van Steen/ANP/Getty Images)

Quando a temporada 2020/21 do Campeonato Holandês começou, este Espreme a Laranja sinalizou: nem a pandemia de COVID-19, que transformou o mundo numa espiral de incertezas, tirava a impressão de que o Ajax seguiria sendo o clube a ser batido na Eredivisie. 34 rodadas e duas repescagens depois, o resultado foi exatamente esse: o clube da estação Bijlmer Arena teve algumas escaramuças na primeira metade da temporada, mas depois ganhou solidez e partiu célere rumo ao destino esperado - o 35º título holandês da história Ajacied.

Mas a conquista do Ajax não foi o único sinal de uma temporada com poucas surpresas. O AZ disputou firme o vice-campeonato com o PSV, que afinal ficou na segunda posição? Oras, os Alkmaarders já vêm firmes há algumas temporadas tentando se consolidarem de vez como "o quarto grande" dos Países Baixos. E o time de Eindhoven se contentou com o vice-campeonato: a temporada era mais de se acostumar com o novo técnico e alguns novos jogadores. O Feyenoord pode até ter decaído além da conta, mas garantiu vaga num torneio europeu, ainda que com atraso. Utrecht, Groningen... dois clubes acostumados a estarem no chamado "sub-topo". Até mesmo na parte de baixo da tabela o que se viu foi o esperado. RKC Waalwijk e ADO Den Haag pareciam condenados ao rebaixamento em 2019/20, até a pandemia parar tudo - e lhes dar uma "segunda chance". Os dois seguiram em dificuldades: o time de Waalwijk pelo menos se salvou, mas agora o time de Haia caiu mesmo.

Para não dizer que não houve nenhuma surpresa, o Vitesse mostrou força desde o começo, e conseguiu mais regularidade do que o Feyenoord para ir diretamente à Conference League. O Sparta Rotterdam, habitué dos últimos lugares em temporadas recentes, disparou para a repescagem, sonhando em voltar aos torneios europeus. Porém, a grande surpresa foi uma "quase-surpresa", na verdade: após 22 rodadas penando na lanterna, o Emmen saltou para conseguir a segunda chance na repescagem, engatando uma sequência invicta impressionante. História bonita, mas que terminou com triste fim para os Emmenaren, rebaixados na repescagem. Até mesmo os clubes promovidos à Eredivisie já são velhos conhecidos: Cambuur, Go Ahead Eagles e NEC.

Enfim, foi uma temporada de poucas surpresas. Mas há pelo menos uma coisa boa nisso tudo: pelo menos, tudo se decidiu dentro de campo. Campeões, classificados aos torneios europeus, rebaixados: as 34 rodadas definiram isso. Há a pandemia, ela é grave, ela causou surtos aqui e ali (como em PSV e AZ), mas o Campeonato Holandês conseguiu terminar. E espera que a torcida, razão de ser disso tudo, já possa voltar sem ficar restrita a rodadas aqui e ali, ainda que em capacidade reduzida, para a temporada 2021/22.

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Análise da temporada: ADO Den Haag

Van Ewijk foi um raro facho de luz, na sombria temporada do ADO Den Haag - e sombria não só pelo rebaixamento (Geert van Erven/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 18º lugar, com 22 pontos - rebaixado diretamente
No turno havia sido: 17º colocado, com 7 pontos
Time-base: Fraisl (Koopmans); Van Ewijk, Del Fabro (Zuiverloon), Kemper e Pinas; De Boer (Vejinovic), El Khayati e Goossens; Besuijen (Adekanye), Kramer (Arweiler) e Kishna
Técnico: Aleksandar Rankovic (até a 8ª rodada) e Ruud Brood
Maior vitória: ADO Den Haag 3x2 Feyenoord (31ª rodada)
Maior derrota: Sparta Rotterdam 6x0 ADO Den Haag (9ª rodada)
Principal jogador: Milan van Ewijk (lateral direito)
Artilheiro: Michiel Kramer (atacante), com 6 gols
Quem deu mais passes para gol: Milan van Ewijk (lateral direito), Nasser El Khayati (meio-campista) e John Goossens (meio-campista), todos com três passes para gol
Quem mais partidas jogou: Milan van Ewijk (lateral direito), com 33 partidas
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Vitesse
Competições continentais: nenhuma

O ADO Den Haag já era lanterna na temporada 2019/20 do Campeonato Holandês. Praticamente condenado ao rebaixamento. Surgiu a pandemia, encerrou forçosamente a Eredivisie, e o time de Haia teve a sua segunda chance. Mas não a aproveitou. Pior: nunca demonstrou ter forças para evitar a queda à segunda divisão, após o começo da liga. Nem mesmo com os passos típicos de um time que tenta se reanimar. Por exemplo, a mudança de técnico: Ruud Brood chegou antes da 9ª rodada, após a demissão de Aleksandar Rankovic, que nunca se entendeu com o grupo. Mas a estreia de Brood foi... logo com o 6 a 0 do Sparta Rotterdam nos Hagenaren, a pior derrota da temporada.

Outro passo que o ADO Den Haag seguiu em sua trajetória sem rumo foram os 37 jogadores usados em uma só temporada, recorde histórico na Eredivisie. Alguns tiveram utilidade em bons momentos: o goleiro Martin Fraisl e o atacante Bobby Adekanye brilharam no 2 a 2 com o PSV, na 22ª rodada. E o velho conhecido Nasser El Khayati voltou e teve brilho numa única vitória respeitável (o 3 a 2 no Feyenoord, na 31ª rodada). Além do mais, Milan van Ewijk foi um ponto promissor, vindo da base para mostrar talento na lateral direita. Era pouco, para um clube se esfarinhando dentro e fora de campo (a empresa chinesa United Vansen pôs o Den Haag à venda), com goleadas sofridas em casa (foi o pior mandante da Eredivisie). Afinal, o destino que se insinuava em 2019/20 chegou: o rebaixamento. E pior do que isso é que o clube de Haia, dos mais tradicionais do futebol holandês, tem a impressão de que não terá de lutar só para voltar à Eredivisie: terá de lutar para sobreviver.

Análise da temporada: VVV-Venlo

Giakoumakis brilhou em alguns momentos, mas foi a andorinha que não fez verão: uma goleada histórica e uma sequência de derrotas a fio na reta final rebaixaram o VVV-Venlo (Geert van Erven/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 17º lugar, com 23 pontos - rebaixado diretamente
No turno havia sido: 16º colocado, com 9 pontos
Time-base: Kirschbaum; Pachonik, Gelmi (Kum), Da Graça (Swinkels) e Guwara (Dekker); Van Crooij, Post e Machach; Joshua John, Giakoumakis e Arias
Técnico: Hans de Koning (até a 26ª rodada) e Jos Luhukay
Maior vitória: VVV-Venlo 4x1 Vitesse (24ª rodada)
Maior derrota: VVV-Venlo 0x13 Ajax (6ª rodada)
Principal jogador: Giorgos Giakoumakis (atacante)
Artilheiro: Giorgos Giakoumakis (atacante), com 26 gols
Quem deu mais passes para gol: Vito van Crooij (meio-campista), com 8 passes para gol
Quem mais partidas jogou: Danny Post (meio-campista) e Vito van Crooij (meio-campista), ambos com 30 partidas
Copa nacional: eliminado nas semifinais, pelo Vitesse
Competições continentais: nenhuma

De certa forma, o VVV-Venlo sabia: em termos práticos, o pior malefício que trouxeram os 13 a 0 do Ajax nele, na 6ª rodada, foi a desvantagem imensa no saldo de gols, primeiro critério de desempate no Campeonato Holandês (fora, óbvio, o enorme constrangimento de ser a vítima da maior goleada dos 65 anos de história profissional da Eredivisie). A partir dali, o time de Venlo precisaria evitar estar na zona de repescagem/rebaixamento - quase sempre estaria em desvantagem. Por um tempo, isso pareceu possível. Ainda mais contando com os gols de Giorgos Giakoumakis: forte e rápido, o atacante grego não virou só artilheiro do campeonato, mas também quem mais gols fez pelo time de Venlo numa só temporada. Basta citar duas vitórias por 4 a 1, contra ADO Den Haag (16ª rodada) e Vitesse (19ª rodada): em ambas, Giakoumakis marcou os quatro da equipe aurinegra.

Além do destaque absoluto de Giakoumakis, coadjuvantes como Vito van Crooij e Zinedine Machach se esforçavam, no meio-campo. E Thorsten Kirschbaum fazia o que podia, no gol, com bons reflexos. Dentro de uma sequência invicta (quatro vitórias e um empate, entre a 15ª e a 19ª rodadas), a esperança de ficar na primeira divisão cresceu. Houve até a campanha de semifinalista, na Copa da Holanda. Mas logo veio o que o VVV-Venlo mais temia: uma terrível sequência que o jogasse na zona de rebaixamento. Entre a 21ª  e a 31ª rodadas, onze derrotas seguidas. A saída prevista do técnico Hans de Koning foi antecipada, e a fonte de gols de Giakoumakis ajudou menos (só dois gols nesse período). O técnico Jos Luhukay chegou fortalecendo a defesa para tentar o socorro, um empate contra o RKC Waalwijk na antepenúltima rodada ainda deu uma sobrevida (3 a 3), mas os 3 a 1 sofridos para o Ajax - logo o Ajax... - na penúltima rodada selaram o rebaixamento. Talvez houvesse escapatória, não fosse a queda de desempenho logo na reta final. E certa goleada em 24 de outubro de 2020... 

Análise da temporada: Emmen

De Leeuw foi um dos símbolos da reação impressionante do Emmen na reta final. Mas, apesar de encantadora, de nada adiantou: veio o rebaixamento, na repescagem (Pieter van der Woude/BSR Agency/Getty Images)

Colocação final: 16º lugar, com 30 pontos - rebaixado na repescagem, caindo para o NAC Breda
No turno havia sido: 18º colocado, com 5 pontos
Time-base: Verrips; Bijl, Araujo, Bakker e Cavlan; Ben Moussa e Bernadou (Vlak); Frei, Peña e Laursen (Adzic); De Leeuw
Técnico: Dick Lukkien
Maior vitória: VVV-Venlo 0x4 Emmen (34ª rodada)
Maior derrota: Emmen 0x5 Ajax (10ª rodada)
Principal jogador: Michael de Leeuw (atacante)
Artilheiro: Michael de Leeuw (atacante), com 13 gols
Quem deu mais passes para gol: Caner Cavlan (lateral esquerdo) e Sergio Peña (meio-campista), ambos com 3 passes para gol
Quem mais partidas jogou: Miguel Araujo (zagueiro), com 34 partidas - 33 pela temporada regular, mais uma pela repescagem de acesso/descenso
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Heerenveen
Competições continentais: nenhuma

Era uma vez um time que estava desenganado. Condenado ao rebaixamento. Passara todo o primeiro turno sem nenhuma vitória - e as cinco primeiras rodadas do returno também. Até aquele momento, eram 16 derrotas e seis empates para o Emmen. O clube se esforçava como podia: contratava nomes como o goleiro Michael Verrips, para solucionar a insegurança na posição. Velhos conhecidos, como Glenn Bijl, Caner Cavlan e Michael de Leeuw, mostravam capacidade. Mas parecia que o Emmen jogaria o returno praticamente para cumprir tabela.

Aí veio a primeira vitória - 3 a 2 contra o Zwolle, na 23ª rodada. Poderia ter sido apenas um espasmo. Não foi. A partir dali, as coisas começaram a acontecer. 

Verrips mostrou segurança no gol; o esforço de Miguel Araujo na zaga começou a dar resultado; Cavlan e Bijl começaram a ter êxito nos avanços pelas laterais; Sergio Peña se agigantou na criação de jogadas; Michael de Leeuw começou a acertar as redes... e o Emmen embalou numa sequência que o ressuscitou na Eredivisie: cinco vitórias e três empates, entre a 23ª e 30ª rodadas, aproveitando as quedas de VVV-Venlo, Willem II e RKC Waalwijk para embolar de vez a fuga do rebaixamento. Mais do que isso: para subir das fossas da lanterna rumo à segunda chance de salvação na Eredivisie, via repescagem. Tudo isso, com alguns momentos marcantes: como esquecer os 3 a 1 sobre o Fortuna Sittard, na 29ª rodada, fora de casa, com dois gols nos acréscimos? E os 3 a 1 no Heracles Almelo, na 30ª rodada, com torcida celebrando?

Vieram as derrotas para Ajax e Groningen (dois 4 a 0, nas 31ª e 32ª rodadas). Mas o término da liga regular foi em alta: duas vitórias, contra Heerenveen e VVV-Venlo, garantiram lugar na repescagem de acesso, e a continuação do que era uma das histórias mais bonitas da temporada na Europa. Duas partidas separavam o Emmen da permanência. A primeira delas, contra o NAC Breda, já teve o drama no mata-mata: 1 a 1 em 120 minutos, e os pênaltis. Só neles, afinal, o time alvirrubro capitulou, sendo rebaixado após três anos na primeira divisão. Como num filme, em que o mocinho morre no final. Foi respeitável, enquanto durou. Mas pouco importa o respeito, sem a vaga na Eredivisie...