Ficha técnica
Nome: Denzel Justus Morris Dumfries
Posição: Lateral direito
Data e local de nascimento: 18 de abril de 1996, em Roterdã
Clubes na carreira: Sparta Rotterdam (2014 a 2017), Heerenveen (2017 a 2018), PSV (2018 a 2021) e Internazionale-ITA (desde 2021)
Desempenho na seleção: 71 jogos e 11 gols, desde 2018
Torneios pela seleção: Liga das Nações (2018/19, 2020/21, 2022/23 e 2024/25), Euro 2020+1 (4 jogos, 2 gols), Copa de 2022 (5 jogos, 1 gol) e Euro 2024 (5 jogos, nenhum gol)
(Versão revista e ampliada dos textos sobre o jogador para os guias da Holanda na Euro 2020+1 e na Copa de 2022)
Houve Wim Suurbier (1945-2020), o lateral direito da "Laranja Mecânica" duas vezes vice-campeã mundial nos anos 1970. Houve Michael Reiziger, que se não era excelente tecnicamente, foi confiável a ponto de passar dez anos - 1994 a 2004 - como titular da posição na Laranja. Entretanto, já fazia muitos anos que se tratava de uma posição com muitos aspirantes na Laranja, sem conquistá-la (dá até para enfileirar os que tentaram: Gregory van der Wiel, Daryl Janmaat, Rick Karsdorp, Timothy Fosu-Mensah, Joshua Brenet, Kenny Tete, Hans Hateboer...). Até que Denzel Dumfries chegou. Também encarou desconfianças, mas as venceu. Já na primeira Copa do Mundo de sua carreira, há quatro anos, "Diesel Denzel" (apelido dado em razão de sua notável velocidade) era um nome absoluto dentro dos titulares da Oranje. E esse status está até mais forte às vésperas do segundo Mundial da carreira de Dumfries. Nem mesmo a lesão que o tirou dos campos até março deve impedir que a lateral direita da Laranja tenha como titular inquestionável na Copa o dono da camisa 22, seu número de preferência.
Na fase amadora de sua carreira, Dumfries teve ligação mais forte com um clube especial: o VV Smitshoek. Nele começou, ainda na infância. E a ele voltou, após uma rápida passagem pelo Smitshoek, para ficar lá até 2013. Foi quando o rumo de sua carreira começou a ficar mais concreto, com a mudança para um clube amador mais conhecido, o BVV Barendrecht. Lá ficou apenas um ano - já tendo um momento marcante: fez duas partidas amistosas contra Guam pela seleção de Aruba, em 2014. No mesmo ano, deu o passo decisivo para começar a se transformar num jogador de fato: a mudança para o Sparta Rotterdam, da cidade natal.
Há algum tempo, o Sparta é reconhecido pela qualidade de suas categorias de base - Kevin Strootman, por exemplo, começou no clube. E foi lá que Dumfries começou a despontar. A partir da temporada 2015/16, não só se tornou titular absoluto na lateral direita dos Spartanen, mas foi figura de destaque na campanha do título na segunda divisão - e do consequente acesso à Eredivisie. Além do mais, começou a ter as primeiras chances na seleção sub-21 da Holanda, em 2016. Já naquela época, aliás, o lateral mostrava tremenda autoconfiança: numa entrevista, declarava acreditar firmemente que um dia jogaria uma Euro pela seleção holandesa (seu verdadeiro objetivo), e uma Liga dos Campeões, por um clube. "Sempre tenho metas grandes. Como quando eu sonhava em ser jogador de futebol, e me diziam que era impossível. Estou certo [dessas coisas], nem me pressiono muito".
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| Dumfries foi mais um surgido na frutífera base do Sparta Rotterdam (sparta-rotterdam.nl) |
A partir dessa época, Dumfries começou a apresentar suas principais qualidades. Mesmo jovem, já se valia do seu porte físico (1,89m, 80 kg) para impor respeito na lateral direita. Mais importante: mostrava qualidade defensiva, sem deixar de ser a principal opção de ataques do Sparta Rotterdam. Por tudo isso, bastou uma temporada para que ele já se tornasse alvo de clubes médios holandeses - e para que, na seleção sub-21, tomasse a posição titular de Rick van Drongelen, bem mais badalado então.
O avanço na carreira continuou já na temporada 2017/18: Dumfries deixou o Sparta Rotterdam rumo ao Heerenveen. No clube da Frísia, aumentou mais sua importância ofensiva: não bastasse continuar sendo o desafogo na direita, marcou três gols e foi titular absoluto na boa campanha do Fean pela Eredivisie - 8ª colocação e participação na repescagem por vaga na Liga Europa. Assim como no Sparta, bastara uma temporada jogando em clube médio para que os grandes já vissem nele opção de qualidade para contratação. Bastou: no meio de 2018, o PSV gastou 5,5 milhões de euros para levá-lo a Eindhoven.
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| Como fora no Sparta, bastou uma temporada no Heerenveen para Dumfries se mostrar pronto para o próximo passo (Mustafa Gumussu/Soccrates/Getty Images) |
Pois de novo, Dumfries não tomou conhecimento de dificuldades de adaptação: tomou a lateral direita do PSV como sua. Foi titular nos 34 jogos da campanha dos Boeren, que terminou com o vice-campeonato, após disputa equilibrada com o Ajax. Cresceu ainda mais em termos de ataque - foram quatro gols e sete passes para gol. E por último, mas talvez o mais importante, recebeu a chance na seleção principal da Holanda (opção factível, já que só fizera aqueles dois jogos por Aruba em 2014). Sua estreia foi em 13 de outubro, na vitória sobre a Alemanha (3 a 0), pela fase de grupos da Liga das Nações.
Em pouco tempo, Dumfries virou a disputa pela posição com Kenny Tete: ganhou a confiança de Ronald Koeman, sendo titular na maioria dos jogos de 2019, no vice-campeonato da Liga das Nações ou nas eliminatórias da Euro. Pelo PSV, a temporada 2019/20 o transformou num dos nomes mais importantes do time: mesmo jovem, já se tornou o capitão da equipe, e nunca fez tantos gols numa só temporada - foram 8, em 39 jogos.
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| Capitão, principal opção de ataques, Dumfries se estabeleceu de vez como um dos nomes mais importantes no PSV (ANP/HH) |
Nem mesmo a interrupção do futebol pela pandemia fez com que Dumfries caísse de produção. No PSV, seguiu como um dos nomes básicos na escalação, mostrando velocidade nos avanços - ainda que tenha deixado um pouco de lado a marcação, que era seu ponto mais aparente nos tempos de Sparta Rotterdam. Pela seleção, em que pesassem alguns testes feitos nos tempos de Ronald Koeman e de Frank de Boer como técnicos (Hans Hateboer chegou a ter partidas como titular, e Kenny Tete voltou a aparecer), Dumfries continuou nome certo nas convocações.
E o lateral direito foi nome certo na Euro 2020+1, quando enfim ela pôde acontecer. Ainda assim, aqui e ali, ouviam-se comentários de que talvez Frank de Boer fizesse melhor se tivesse chamado Rick Karsdorp ou Hans Hateboer (este, impossibilitado por uma lesão no pé). Pois Dumfries respondeu a todas as críticas em campo. Na estreia contra a Ucrânia, dois gols dele no 3 a 2 holandês; no jogo seguinte, contra a Áustria, mais um gol; velocidade frequente, opção de ataque constante. Claro, como toda a equipe, decepcionou na eliminação precoce da Euro. Mas talvez ele tenha sido o único holandês a deixar o torneio continental com algo ganho: ninguém mais questionava sua titularidade na direita. De boato antes da Euro, uma contratação por um time de campeonato mais competitivo era um fato esperando para acontecer - e aconteceu, pela Internazionale.
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| Dumfries ainda teve dificuldades no começo pela Internazionale, mas logo virou o que é atualmente: titular absoluto nerazzurro (Mattia Ozbot/Inter/Getty Images) |
O começo de Dumfries no time azul e negro de Milão teve lá suas dificuldades. Porém, superadas as várias adaptações - nova moradia, nova alimentação etc. -, ele fez na Inter a mesma coisa feita pela Holanda na Euro 2020: tomou a lateral direita para não mais perdê-la. Se Achraf Hakimi deixava falta nos Nerazzurri, o holandês sem dúvida a amenizou. E mostrou isso com o desempenho ofensivo admirável: velocidade, evolução na finalização, titularidade absoluta no Campeonato Italiano 2021/22 (33 dos 38 jogos), cinco gols, quatro passes para gols...
Enfim, Dumfries virou absoluto na equipe italiana. E nem a mudança de técnico na seleção - de Frank de Boer para Louis van Gaal - tirou seu status importante na Holanda (Países Baixos). O lateral só não jogou a estreia nas Eliminatórias da Copa de 2022 porque ainda estava recuperando a atividade, após as negociações com a Internazionale. Tão logo teve ritmo de jogo, voltou a ocupar a lateral direita. Na qualificação, esteve em todas as partidas restantes - e até fez gol, nos 8 a 0 sobre Gibraltar. Vaga na Copa garantida, 2022 iniciado, Dumfries só esteve ausente de uma das partidas na fase de grupos da Liga das Nações, fazendo dois gols nela, contra Bélgica (goleada holandesa, 4 a 1) e Polônia (empate, 2 a 2). Mesmo com o susto de uma leve lesão semanas antes da Copa, o lateral da camisa 22 teve sua convocação absolutamente garantida.
E no primeiro Mundial de sua carreira, primeiro "ápice" daquele desejo de chegar à seleção expressado nos tempos de Sparta Rotterdam, Dumfries esteve em todos os 480 minutos (mais acréscimos) da Holanda em campo no Catar. Mas teve momentos alternados. Pelo lado triste, teve dificuldades tendo de marcar Pervis Estupiñán, no 1 a 1 com o Equador, e não terá a melhor das lembranças no jogo da eliminação, contra a Argentina, nas quartas de final: além das dificuldades na marcação de Marcos Acuña (tanto que cometeu o pênalti em que Lionel Messi fez o 2 a 0 argentino), foi expulso, na confusão após a derrota nas cobranças. Mas o lado alegre também esteve lá: nos 3 a 1 da Laranja nos Estados Unidos, nas oitavas de final, Dumfries teve uma das melhores atuações individuais daquela Copa. Sempre veloz com a bola nos pés, cruzou a bola para Memphis Depay fazer 1 a 0, para Daley Blind fazer 2 a 0... e teve o prêmio dos prêmios: fez, ele mesmo, o gol que resolveu a vitória holandesa naquele 3 de dezembro de 2022.
Copa encerrada, de volta à Inter, Dumfries seguiu titular. E teve no fim daquela temporada 2022/23 os primeiros grandes momentos vestindo azul e preto, com o título da Copa da Itália e um vice-campeonato na Liga dos Campeões. Pela Holanda, só ficou ausente de duas partidas nas Eliminatórias da Euro 2024 - a estreia contra a França, por cumprir a suspensão pela expulsão contra a Argentina na Copa, e a última partida, contra Gibraltar, com a Holanda já classificada. No mais, embora tenha até sido substituído aqui e ali, a lateral direita laranja seguia dele e ninguém tascava, nem mesmo Jeremie Frimpong, de atuações tão elogiadas então no Bayer Leverkusen. Também, pudera: como tirar um lateral que seguia veloz, seguia a principal opção de desafogo dos Países Baixos, tendo três passes/cruzamentos para gol na qualificação para a Euro?
Se 2023/24 foi uma temporada de leve queda técnica na Inter - se alternou mais na lateral direita com Matteo Darmian, jogou menos partidas pelo Italiano (31, 12 vindo da reserva), amargou queda nas oitavas de final da Champions League -, pelo menos Dumfries conseguiu o primeiro titulo italiano como interista. Mas a queda foi compensada, de certa forma, com atuações cada vez mais fulgurantes pela Holanda. Indiscutível para a Euro daquele ano, a segunda de sua carreira, foi oscilante nela, com momentos bons (a atuação nos 3 a 0 na Romênia, nas oitavas de final) e ruins (cometer o pênalti com que Harry Kane empatou a semifinal perdida depois, para a Inglaterra). Foi na Liga das Nações, no segundo semestre de 2024, que Dumfries se confirmou de vez como indiscutível na Holanda: cinco das seis partidas da fase de grupos jogadas, e três gols, se credenciando como um "lateral goleador" - e nem precisava ser só com os pés: podia ser com a cabeça, como fez empatando um difícil jogo contra a Hungria.
Àquela altura, ele começava a caminhar para, talvez, o melhor momento de sua carreira. "Trouxe" o lado goleador para a Inter no primeiro semestre de 2025, começando em janeiro: dois gols na semifinal da Copa da Itália, três pela Serie A, só naquele mês. Ali "Diesel Denzel" superou Darmian de vez na disputa pela lateral, e foi absoluto na metade final da temporada 2024/25. O ponto culminante foi a semifinal da Liga dos Campeões, contra o Barcelona, quando pôde ser considerado o principal nome a ajudar a Beneamata a chegar à segunda final de Champions em três anos. Na ida (3 a 3 em Barcelona, em 30 de abril), dois gols e passe para o outro interista; e na volta, num 4 a 3 empolgante em Milão, mais dois passes de Dumfries que resultaram em gols da Inter. Desde Roberto Firmino, pelo Liverpool, em 2017/18, nenhum jogador participava de cinco gols numa só semifinal de Champions. Só o fim amuado de temporada, com a Inter perdendo o título italiano para o Napoli, sendo humilhada pelo Paris Saint-Germain na final da Champions e caindo também na Copa do Mundo de clubes, diminuiu o alarido pelo lateral.
Depois dos feitos pelo clube, começadas as Eliminatórias da Copa de 2026, Dumfries seguiu ajudando os Países Baixos. Com gols (foram dois, se transformando no segundo defensor com mais gols pela Laranja - 11, só atrás dos 14 que Ronald Koeman marcou como jogador) e com a habitual velocidade nas jogadas de ataque. Só no fim de 2025 é que os problemas vieram. Uma lesão o tirou dos dois últimos jogos pela qualificação para a Copa, em novembro; e em dezembro, Dumfries precisou passar por uma cirurgia no tornozelo.
Pelo menos, Dumfries voltou a tempo dos amistosos de março, contra Noruega e Equador. Nem mesmo a expulsão precoce contra o Equador tirou seu status de "indispensável", confirmado com a dupla coroa italiana (títulos de campeonato e copa nacionais) na Internazionale o tendo como titular de novo. Ele estará na Copa. Até para fortalecer seu nome em termos históricos, como um sinônimo de lateral direito de seleção, dependendo do quão longe a Holanda (Países Baixos) vá no torneio. Se já é tão absoluto nela há tempos, o bom caminho está traçado para "Diesel Denzel" passar com a velocidade que lhe é habitual.
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| (Masashi Hara/Getty Images) |








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