Ficha técnica
Nome: Virgil van Dijk
Posição: Zagueiro
Data e local de nascimento: 8 de julho de 1991, em Breda
Clubes na carreira: Groningen (2010 a 2013), Celtic-ESC (2013 a 2015), Southampton-ING (2015 a 2018) e Liverpool-ING (desde 2018)
Desempenho na seleção: 90 jogos e 12 gols, desde 2015
Torneios pela seleção: Copa de 2022 (5 jogos, nenhum gol), Euro 2024 (6 jogos, nenhum gol) e Liga das Nações (2018/19, 2022/23, 2024/25)
(Versão revista e ampliada do texto sobre o jogador para o guia da Holanda na Copa de 2022)
O tempo passa. Aos 34 anos - fará 35 anos em 8 de julho, no decorrer da Copa -, o desempenho já não é mais o mesmo de alguns anos atrás. Mas nada disso muda um fato: Virgil van Dijk ainda é um dos nomes mais conhecidos da seleção masculina da Holanda (Países Baixos). Ainda é o grande líder do grupo atual da Laranja - a braçadeira de capitão realmente não é à toa, em seu caso. No Liverpool, por mais que a queda técnica seja clara, é - e será para sempre, já se pode dizer - um dos símbolos de uma era vencedora dos Reds, incluindo um título europeu e o fim do longo jejum de títulos ingleses como grandes marcos, com ele vestindo a camisa 4. Embora sua falta de velocidade já o atrapalhe no bote aos atacantes adversários, sua capacidade de antecipação e de evitar faltas o mantêm como um zagueiro ainda confiável. Além disso tudo que o tornou conhecido no futebol mundial, Van Dijk tem ânimo adicional: esta segunda Copa de sua carreira deve ser o capítulo final de uma história de onze anos vestindo a camisa laranja. E se espera que, neste Mundial, Van Dijk siga sendo o defensor (e o capitão) com a capacidade esperada por todos quantos acompanham a seleção dos Países Baixos.
Aliás, Van Dijk, não: Virgil. Como se sabe, o zagueiro prefere usar o prenome em suas camisas, em razão do primeiro drama que viveu na vida. Filho de um pai holandês (Ron van Dijk) com mãe surinamesa (Hellen Fo Sieeuw), aos 12 anos o jovem viu o pai abandonar a família - e a mágoa o levou a abandonar seu sobrenome holandês. Contudo, não seria esse o único problema que ele encarou. Nascido em Breda, iniciado no futebol em 1997 pelo WDS'19, clube amador da cidade, seu sonho era jogar pelo clube do coração: o NAC Breda (atualmente na segunda divisão). Só que foi reprovado no único teste que fez no clube aurinegro de Breda, nos idos de 2000. O clube se arrependeu, mas pelo menos Van Dijk manteve o sentimento inalterado - em 2011, se enterneceu, ao diário Algemeen Dagblad: "Realmente é o meu clube. Tenho um laço especial com ele, mesmo sem nunca ter jogado lá".
O começo real de Van Dijk no futebol viria no Willem II, para o qual foi em 2001. No clube de Tilburg, ao longo da adolescência, foi encontrando a zaga em que se sobressairia - inicialmente era lateral-direito. Ainda assim, as dificuldades continuaram. Durante a passagem pelos times de base, Van Dijk tinha de alternar o futebol com um trabalho como cozinheiro de um restaurante em Breda. Pior foi a decepção no fim da década: entre 2008 e 2010, o já então zagueiro teve ensaiada a promoção ao grupo principal, sem nunca subir ao time de cima dos Tricolores. A justificativa, para quem fazia parte do comando do Willem II, era alternada. Alfons "Fons" Groenendijk, técnico do clube àquela altura, disse à revista World Soccer, em 2019, que a intenção era evitar jogar um jovem da base num time em situação difícil, costumeiramente ameaçado de rebaixamento. Mas havia mais. Diretor técnico do clube à época, Andries Jonker (chegou a ser treinador da seleção feminina da Holanda) realmente não acreditava na capacidade de Van Dijk em campo; seu sucessor, Henry van der Vegt, alegou que alguns membros da comissão técnica de Groenendijk sequer acreditavam que o jogador alcançaria a carreira profissional.
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| Sem jogar no NAC Breda do seu coração, Van Dijk se formou no Willem II - mas na hora de iniciar a carreira para valer, amargou decepções (Divulgação/willem-ii.nl) |
Para conseguir ter a chance que desejava, Virgil deixou o Willem II em agosto de 2010, rumando para o Groningen, indicado por um nome prestigioso: o ex-jogador e observador do clube Martin Koeman, pai dos irmãos Ronald e Erwin. Deu certo, quase imediatamente: ao longo da temporada 2010/11, o jovem zagueiro já ficou no banco em algumas partidas do Groningen. E em 1º de maio de 2011, na penúltima rodada do Campeonato Holandês, enfim Van Dijk teve a sua primeira partida de jogador adulto: entrou no lugar de Petter Andersson, para os 18 minutos finais da vitória por 4 a 2 sobre o ADO Den Haag. Mais duas rodadas, e o zagueiro voltou a entrar, na última rodada, no 0 a 0 contra o PSV. A grande explosão, entretanto, viria na repescagem holandesa por vaga na Liga Europa: o Groningen goleou o ADO Den Haag por 5 a 1, no jogo de volta. Daquela vez, Van Dijk começou jogando. E marcou dois gols. A vaga foi perdida nos pênaltis, mas o zagueiro ganhava um caminho.
Poderia ter sido ali a senha para uma grande carreira. E até foi: Van Dijk foi titular durante boa parte da temporada 2011/12. Fez seu primeiro gol numa goleada de 6 a 0 sobre o Feyenoord. Além do mais, recebeu algumas chances na seleção sub-21 da Holanda. No entanto, mais uma dificuldade apareceu. Talvez a pior delas: em abril de 2012, ele foi internado no hospital Martini, em Groningen. Teve diagnosticadas peritonite e infecção renal, e a situação se agravou a ponto de lhe ser oferecido um testamento para assinar, caso falecesse. Ao invés de buscar um espaço na seleção masculina, na qual sua geração começava a despontar, Van Dijk buscava manter a vida. E depôs abertamente, à revista Voetbal International: "Eu estava na cama, e tudo que eu podia ver eram tubos e conexões a máquinas. Meu corpo estava acabado, eu não conseguia fazer nada. Minha mãe e eu orávamos a Deus, e pensávamos o que poderia acontecer. Eu vi a cara da morte, e não era nada bonita".
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| No Groningen, em que pese o sério susto vivido em 2012, Van Dijk sedimentou as bases de sua evolução como jogador (VI Images/Getty Images) |
Claro que Virgil se recuperou, senão não se falaria sobre ele aqui. E a reação começou a partir da temporada 2012/13, quando ele enfim conseguiu titularidade absoluta no Groningen, dividindo a zaga ao lado de Kees Kwakman. As dificuldades até continuaram. Uma atuação ruim num amistoso da seleção sub-21 da Holanda, contra a Itália, tirou o espaço de Van Dijk na equipe. Alguns clubes grandes da Holanda o cogitaram... e todos desistiram de contratá-lo. O PSV avaliou e preferiu trazer Jeffrey Bruma; o Ajax aventou a chance de trazer Van Dijk e preferiu Mike van der Hoorn, do Utrecht. Mas estava tudo bem: diante do que passara em meados de 2012, dificuldades esportivas eram o de menos. E foram contornadas: em junho de 2013, o zagueiro tomou o caminho do Celtic. Sem nunca passar pelo Trio de Ferro holandês, ele tomaria o impulso para a carreira na Escócia.
Deu certo. No Celtic, Van Dijk se manteve absoluto e começou a alcançar a regularidade tão buscada na carreira. Foi titular no bicampeonato holandês dos Bhoys, já demonstrando imponência no jogo aéreo (cinco gols em 2013/14, quatro em 2014/15). Teve sua aparição nas participações do Celtic na Liga dos Campeões (2013/14) e Liga Europa (2014/15). E a segurança que já desenvolvera na zaga foi premiada com mais uma transferência: ainda iniciando 2015/16 no Celtic, bastou o time cair nos play-offs para ir à fase de grupos da Liga dos Campeões que Virgil preferiu sair - e partiu para o Southampton. Treinado então por Ronald Koeman. Tornando-se o zagueiro holandês mais valioso desde a venda de Jaap Stam para a Lazio, em 2001.
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| No Celtic, em dois anos, Van Dijk convenceu a Europa de seu talento ( Laurence Griffiths/Getty Images) |
Ainda em 2015, viria outro reconhecimento: Van Dijk teve a sua primeira experiência na seleção da Holanda (Países Baixos), sendo titular nos 2 a 1 sobre o Cazaquistão, em 10 de outubro, nas eliminatórias da Euro 2016. É certo que teve dificuldades (sempre elas): a Holanda já estava praticamente sem chances de ir à Euro, e Van Dijk falhou no jogo que confirmou a ausência - 3 a 2 para a República Tcheca (Tchéquia). Ainda assim, enfim, Van Dijk alcançava o mesmo ponto de outros contemporâneos. Chegava para ficar.
Ao longo dos anos seguintes, o zagueiro começou a ser bem falado. Pelo Southampton, era figura cada vez mais preponderante: convertido em capitão dos Saints, não se imaginava a zaga do time sem ele. Só uma lesão no tornozelo, sofrida em janeiro de 2017, o impediu de manter sua importância na temporada 2016/17, concluída com o Southampton indo à final da Copa da Liga Inglesa. Clubes maiores da Premier League começavam a cogitar sua contratação - a ponto do Liverpool pedir desculpas antes da temporada 2017/18, por ter aliciado Van Dijk (que, por sua vez, manifestava o desejo de deixar o Southampton, até forçando ausência no início da temporada). Na seleção, ele se converteu em titular absoluto da zaga ainda ao longo de 2016, no começo da campanha pelas eliminatórias da Copa de 2018. Quando se recuperou da lesão no tornozelo e recuperou algum ritmo de jogo no Southampton, também retomou o lugar na zaga da Laranja para não perder mais. Até porque iria começar a melhor fase de sua carreira.
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| No Southampton, Van Dijk já se provou como um dos melhores zagueiros da Premier League (Catherine Ivill/AMA/Getty Images) |
Em dezembro de 2017, o Liverpool voltou à carga para contratá-lo. O Southampton já sabia que não teria como manter Van Dijk. E a partir de 1º de janeiro de 2018, quando a janela de transferências se reabriu na Europa, o holandês se converteu no zagueiro mais caro da história do futebol até ali: por 84 milhões de euros, ele tomava o caminho dos Reds, que andavam precisando de uma defesa mais confiável. Achou-se a quantia paga exagerada. Exagero ou não, bastou o primeiro semestre de 2018 para Virgil começar a justificar cada centavo: o Liverpool melhorou, alcançou até a final da Liga dos Campeões, e àquela altura Van Dijk já era tão absoluto na zaga do time vermelho como fora em Celtic e Southampton - tanto que foi incluído na seleção da UEFA para a Champions League. Na seleção holandesa, mais ainda: o velho conhecido Ronald Koeman chegava para treinar a Laranja, fez do zagueiro capitão e nome certo na base com que a Holanda seria reestruturada, após a ausência na Copa de 2018. O gol marcado nos acréscimos do 2 a 2 contra a Alemanha, no fim daquele ano, pela Liga das Nações, garantindo a ida da Holanda às semifinais, era outra prova do tamanho da evolução de Van Dijk.
Era promissor. Mas seria pouco, diante da apoteose que Van Dijk viveu em 2018/19. Aquela temporada seria para não deixar dúvidas. Na Premier League, titular em todas as 38 partidas da campanha, com quatro gols marcados, sem tomar drible algum. Na Liga dos Campeões, com o Liverpool voltando a ser campeão europeu, foram 12 jogos, dois gols marcados, novamente sem dribles tomados, superioridade nas divididas pelo alto ou por baixo... só o preciso corte numa tentativa de Harry Kane, na final vencida contra o Tottenham, deu a mostra de como o bom zagueiro vivia tempos excepcionais. Na seleção da Holanda, foi a mesma coisa: a partir de 2019, Van Dijk se converteu no líder de fato para uma equipe rediviva, vice-campeã da Liga das Nações, classificada para a Euro 2020. Ser escolhido o melhor da final da Liga dos Campeões, e levar da UEFA o prêmio de melhor da temporada 2018/19, eram duas provas factuais da opinião corrente: naquele ano, Virgil van Dijk era o melhor zagueiro do mundo.
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| Campeão europeu, melhor zagueiro da Europa, símbolo da grande fase do Liverpool: o mundo estava nas mãos de Van Dijk... (Andrew Powell/Liverpool FC/Getty Images) |
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| ... e a Holanda também: Virgil era o capitão da reconstrução da Laranja em campo (Gualter Fatia/Getty Images) |
2019/20 seguiu no mesmo ritmo, mesmo com eliminação precoce na Liga dos Campeões: Van Dijk fazendo parte do título do Liverpool no Mundial de Clubes, Van Dijk sendo o segundo mais indicado na "Bola de Ouro" da revista France Football e no prêmio da FIFA ao melhor jogador do mundo, Van Dijk sem perder nenhum dos 3420 minutos (mais acréscimos) da campanha que fez do Liverpool campeão inglês após 30 anos de jejum - só a festa foi perturbada pela pandemia de COVID-19, mas foi marcante. Ele tinha tudo para continuar na fase esplendorosa da temporada anterior... mas as dificuldades voltaram, na temporada 2020/21. Numa data certa: 17 de outubro de 2020. Foi quando, num clássico contra o Everton, pela 5ª rodada do Campeonato Inglês, aos 11', Van Dijk tentou driblar o goleiro Jordan Pickford e foi atingido no joelho. Diagnóstico duro: rompimento do ligamento cruzado anterior. O esplendor encontrava um freio, e o holandês precisaria passar os meses seguintes em recuperação.
A seleção masculina da Holanda aguardou por sua volta para a Euro 2020, disputada em 2021. Van Dijk até voltou nos primeiros meses do ano, para treinos físicos, mas confirmou o esperado num vídeo: ficaria ausente da Euro, para se concentrar na recuperação e na volta ao Liverpool. Em 29 de julho de 2021, o retorno se concretizou, num amistoso de pré-temporada contra o Hertha Berlin-ALE. Quando a Premier League começou, Van Dijk já retomara seu posto na zaga central do Liverpool. Os poucos jogos já foram suficientes para que Louis van Gaal o convocasse para a seleção, que teria partidas difíceis nas eliminatórias da Copa do Mundo. Ele voltou. Conseguiu marcar um gol, nos 6 a 0 sobre Gibraltar, na antepenúltima rodada. E seguiu esbanjando o comando que tinha sobre o grupo. Fora e, principalmente, dentro de campo, como mostrava o tuíte abaixo, flagrando seus movimentos no jogo que garantiu a volta dos Países Baixos à Copa do Mundo masculina: o 2 a 0 na Noruega.
𝑾𝒉𝒂𝒕 𝒊𝒕 𝒎𝒆𝒂𝒏𝒔. 🧡#WorldCup | @VirgilvDijk pic.twitter.com/hXXbneOh0l
— OnsOranje (@OnsOranje) November 19, 2021
A imponência no Liverpool se fez valer novamente ao longo de 2021/22, com Van Dijk sendo titular absoluto em mais uma campanha que levou à final de Liga dos Campeões. Ainda assim, o principal desejo do zagueiro foi expresso claramente na revista Voetbal International, em novembro de 2021, lembrando de não ter ainda nenhum torneio grande pela Holanda: "Eu sou capitão, já estou há seis anos [agora, sete] na seleção, e nunca joguei nenhuma grande competição por ela. Eu lamentei muito isso, quando tive a lesão no joelho que me tirou da Euro. Não seria o fim do mundo se eu não jogasse nenhum grande torneio pela Laranja, mas acho muito importante. Eu vou aproveitar muito o fato de liderar o pessoal e representar a Holanda na Copa".
Claro que o desejo virou realidade, com presença certa entre os 26 convocados de Louis van Gaal para a Laranja naquela Copa. É bem certo que o começo de temporada 2021/22 no Liverpool fora oscilante, mas Van Dijk foi ao Catar como capitão inquestionável da Laranja. Na Copa, passou todos os 480 minutos holandeses (mais acréscimos) em campo, sem nenhuma substituição. Em alguns momentos, sofreu dentro e fora de campo: no 1 a 1 holandês com o Equador na fase de grupos, sua postura no gol de empate equatoriano - não tentar o bote, antes do chute que o goleiro Andries Noppert rebateu e Enner Valencia mandou para as redes - foi criticada pela torcida e por comentaristas como Marco van Basten. E se Virgil cumpriu uma promessa feita ao técnico Van Gaal, assumindo a responsabilidade da primeira cobrança numa decisão de chutes da marca do pênalti, acabou também perdendo a chance, vendo Emiliano "Dibu" Martínez defender seu chute nas quartas de final, afinal vencidas pela Argentina. De todo modo, mesmo sem brilhar, o camisa 4 holandês manteve seu crédito. Nem mesmo a cobrança perdida nas quartas de final afetou sua moral.
O que a afetou foram as atuações na retomada da temporada 2022/23, pelo Liverpool, que continuaram oscilantes. Com a queda de produção do time como um todo, os Reds ficaram fora da Liga dos Campeões, se contentando com vaga na Liga Europa - e Van Dijk, mesmo titular mais do que constante, foi um dos alvos principais das críticas da torcida. Críticas que não amainavam pela seleção: no mau começo de trabalho de Ronald Koeman, somente uma vitória no primeiro semestre e a frustração de perder a Liga das Nações em casa, Van Dijk era considerado um zagueiro que, mesmo tendo qualidade, não conseguia ser decisivo.
Crítica só superada no segundo semestre, com os fatos. Primeiro, ele esteve presente em todos os dez jogos da Laranja em 2023 - só foi substituído no intervalo da goleada por 6 a 0 sobre Gibraltar, última rodada das Eliminatórias da Euro 2024, com a Holanda já classificada (e ainda assim, só substituído por um combinado com o Liverpool, para evitar lesões. Segundo, no jogo contra a Grécia, pela qualificação para a Euro, na sexta rodada, fora de casa, quando surgiu um pênalti para a Laranja aos 43 minutos do segundo tempo, quem assumiu a responsabilidade novamente? Claro, Van Dijk: ele bateu, fez 1 a 0 em Atenas e ajudou na vitória que pôs a equipe dos Países Baixos na rota da vaga na Euro.
Caminho de reação semelhante aconteceu no Liverpool. Ao longo da temporada 2023/24, sua primeira como capitão do Liverpool após a saída de Jordan Henderson, o zagueiro melhorou seus índices (pelo Campeonato Inglês/Premier League, foram 1,1 carrinhos por jogo, contra 1,0 na temporada 2022/23). Auxiliou na volta à Liga dos Campeões, com os Reds garantindo a terceira posição na última liga sob o comando de Jürgen Klopp. E finalmente, foi de Van Dijk um lance que valeu taça: foi dele o gol da vitória, de cabeça, na prorrogação da decisão da Copa da Liga Inglesa, contra o Chelsea, garantindo o título dos Reds com o 1 a 0.
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| Na Euro 2024, Van Dijk viveu mais ou menos como na Copa de 2022: não brilhou, mas não comprometeu, liderando sempre a Holanda (Jose Breton/Pics Action/NurPhoto/Getty Images) |
Com tudo isso, obviamente, ele foi convocado para a Euro 2024. Claro, foi mais uma vez titular absoluto da Laranja: no torneio na Alemanha, o camisa 4 holandês esteve em campo durante todos os minutos dos seis jogos da campanha que foi até à semifinal. Assim como já fora na Copa de 2022, não comprometeu, mas também não teve atuações impressionantes. Mesmo com o bom nível, porém, Van Dijk deu sinal de que o tempo já passava: na entrevista que deu após a queda para a Inglaterra, na semifinal da Euro, disse que iria pensar bem, durante as férias, sobre seus próximos passos - até porque seu contrato com o Liverpool estava no último ano.
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| Van Dijk, enfim, pôde celebrar um título inglês como se gosta: em 2024/25, como capitão do Liverpool, ergueu o troféu com a torcida junto, celebrando (Michael Regan/Premier League/Getty Images) |
Férias aproveitadas, o holandês voltou para a temporada 2024/25. Em conversa com Ronald Koeman, sinalizou: estava pronto e focado para ainda tentar ir à Copa de 2026 com a Holanda (Países Baixos), mantendo a braçadeira de capitão com ele. E no Liverpool, agora tendo o compatriota Arne Slot como técnico, Van Dijk também resolveu rapidamente suas questões. Em relação ao contrato, resolveu rápido: em abril de 2025, anunciou a renovação por mais dois anos. Àquela altura, por mais que a eliminação na Liga dos Campeões houvesse decepcionado um pouco, os Reds já estavam no caminho de mais um título inglês. E sem as restrições causadas pela pandemia em 2019/20, Van Dijk ergueu a taça, como capitão que era. O círculo virtuoso seguia na Laranja: assim como nos dois anos anteriores, mostrando constância invejável, Van Dijk figurava em todas as partidas da seleção neerlandesa, pelo menos naquela primeira metade de 2025.
A segunda metade, porém, trouxe problemas. Alguns, lamentavelmente insolúveis: a pré-temporada do Liverpool teve o clima arruinado pela morte do português Diogo Jota, num acidente automobilístico em julho - Van Dijk participou dos funerais, com todo o grupo. Outros, vistos em campo. Pelo clube em que joga, o zagueiro voltou a oscilar, como já não fazia havia tempos: na Liga dos Campeões, uma atuação especialmente criticada, logo contra um holandês (o PSV fez 4 a 1 em Anfield, e Van Dijk cometeu pênalti considerado infantil). Pela seleção, nas Eliminatórias da Copa do Mundo, mesmo tendo dois gols na campanha, sua lentidão no gol de Jakub Kaminski que abriu o placar para a Polônia, na penúltima rodada, começou a fazer muitos cogitarem uma mudança para três zagueiros, até para proteger o capitão.
Porque, mesmo oscilando, Van Dijk ainda é presença certa e soberana no Liverpool e na Holanda (Países Baixos). Qualquer dúvida, ele tira em campo, com o comando sobre os colegas de defesa, a capacidade de ter sequência de jogos sem lesões e até os gols (como o feito, de cabeça, pela Laranja, na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, em amistoso). Em suma, ele segue impondo respeito aos adversários. E pode muito bem deixar a impressão definitiva na Copa do Mundo, quem sabe erguendo a taça dela, no que provavelmente o seu último torneio pela seleção da Holanda (Países Baixos). Uma dúvida sobre sua capacidade? Eis uma frase para tirá-la: "Ele é um zagueiro que sabe como controlar seu tempo, e espera o momento certo para chegar junto ou só seguir [o atacante]. Ele é muito alto e grande, mas tem muita agilidade para a altura que tem. É rápido por causa da grande envergadura, e é impressionante na defesa e no ataque, por marcar muitos gols". Mais outra: "Ele é rápido, forte e esperto como o diabo".
Autor da primeira frase: Lionel Messi. Autor da segunda frase: Erling Haaland.
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| (Stefan Koops/EYE4IMAGES/NurPhoto/Getty Images) |












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