quarta-feira, 27 de maio de 2026

A Holanda na Copa 2026: Wieffer

 
Wieffer até começou o trabalho sob Ronald Koeman, mas desde a ausência na Euro 2024, tinha perdido espaço. Retomou-o com a versatilidade, a ausência de Frimpong... e está na Copa (KNVB Media/Divulgação)

Ficha técnica
Nome: Mats Henrik Berne Wieffer
Posição: Lateral-direito/meio-campista
Data e local de nascimento: 16 de novembro de 1999, em Berne
Clubes na carreira: Jong Twente (2018), Twente (2018 a 2020), Excelsior (2020 a 2022), Feyenoord (2022 a 2024) e Brighton-ING (desde 2024)
Desempenho na seleção: 14 jogos e 1 gol, desde 2023
Torneios pela seleção: Liga das Nações (2022/23, 2024/25)

Mats Wieffer não chega a ser um estreante na seleção masculina da Holanda (Países Baixos). Entretanto, já estava fora das convocações de Ronald Koeman havia praticamente um ano. Não era mencionado nem mesmo como um candidato à convocação. Entretanto, os sinais estavam lá. Lutsharel Geertruida caía de produção (nem ficará emprestado ao Sunderland, nem será utilizado no RB Leipzig quando voltar de empréstimo, Wieffer começava a jogar pela lateral direita no Brighton, tem a possibilidade ainda de jogar no meio-campo, sua posição de origem... e voltou à Laranja, exatamente na convocação para a Copa do Mundo de 2026.

Wieffer se formou como jogador no Twente. Mas teria um único jogo no clube de Enschede (Bas Everhard/Soccrates/Getty Images)
Wieffer começou a carreira como tantos outros colegas de Laranja: batendo bola ainda criança, a partir dos 5 anos de idade, no RKSV Neo, da cidade natal. Só à beira da adolescência, já - mais precisamente, aos 10 anos -, é que ele partiu para o clube em que sua carreira quase começaria: o Twente. No clube vermelho da cidade de Enschede, o meio-campista faria todo o seu périplo pelas categorias de base. Até a temporada 2018/19, quando enfim teve sua primeira aparição, substituindo Aitor Cantalapiedra (sim, o atacante atual do Vitória) nos últimos quatro minutos da vitória por 2 a 0 sobre o TOP Oss, pela 28ª rodada da Eerste Divisie, a segunda divisão holandesa. Com o Twente campeão dela naquela temporada, Wieffer teve essa pequena participação. Foi a única, pelo Twente.

Sem espaço no clube em que entrou na carreira - sequer teve minutos em campo na temporada 2019/20, com o Twente já na primeira divisão -, Wieffer tomou o caminho do Excelsior, contratado em junho de 2020. Pandemia de COVID-19 amenizada nos Países Baixos, o meio-campista pôde estrear pelo clube de Roterdã, àquela altura também na segunda divisão. Já na primeira temporada, mesmo sem conseguir o acesso, achou enfim seu espaço: com 31 jogos, um gol e quatro passes para gol, se converteu em titular absoluto do Excelsior, e a torcida o elegeu "Jogador do Ano" no clube, em 2021.

Wieffer tomou impulso no Excelsior: na campanha do acesso à Eredivisie, em 2021/22, se destacou ( Eric Verhoeven/Soccrates/Getty Images)

Mas seria em 2021/22 que Wieffer começaria a chamar ligeiramente a atenção de quem acompanhava futebol holandês: ainda no Excelsior, se mostrou meio-campista versátil, ajudando na defesa sem deixar de buscar o ataque. Primeiro resultado: com quatro gols e cinco passes para gol em 34 partidas pela segunda divisão, ajudou o Excelsior a chegar à repescagem de acesso, vencê-la (na decisão por cobranças da marca do pênalti contra o ADO Den Haag, Wieffer converteu a sua) e voltar à Eredivisie. Segundo resultado: tão logo se encerrou a temporada 2021/22, o meio-campo foi prontamente contratado pelo "primo rico" de Roterdã - claro, o Feyenoord.

No Feyenoord, a consagração: Wieffer foi nome fundamental no título holandês de 2022/23 (ProShots/Icon Sport via Getty Images)

No Feyenoord, definitivamente, Wieffer firmou seu nome. Transformou-se num destaque do meio-campo, ajudando intensamente na conquista do título holandês em 2022/23 (e até na boa campanha pela Liga Europa, da mesma temporada - marcou um gol no torneio), com 25 jogos, um gol e passe para outros quatro. Já bastou para que Ronald Koeman, em sua primeira convocação após a volta à seleção holandesa, o incluísse na lista de convocados para as duas primeiras partidas das Eliminatórias da Euro 2024, contra França e Gibraltar - e seria na vitória por 3 a 0 sobre os gibraltarinos, em 27 de março de 2023, que Wieffer não só teria sua primeira partida pela Laranja, mas também começaria como titular (isso, sem ter defendido nenhuma seleção de base). Tudo estava tão certo para o meio-campo que ele teria presença importante na seleção neerlandesa ao longo de 2023: começou jogando as duas partidas decisivas pela Liga das Nações, participou de mais quatro partidas nas Eliminatórias da Euro, e na última delas, os 6 a 0 sobre Gibraltar - a Laranja tinha a vaga já assegurada -, Wieffer até fez o segundo gol.

Na temporada 2023/24, a ótima fase seguiu. Wieffer veio bem pelo Feyenoord no Campeonato Holandês (cinco gols e três assistências em 29 jogos), até mesmo fez gol na Liga dos Campeões, figurou nos dois amistosos da Holanda pré-Euro, em março de 2024 - começou como titular nos 4 a 0 sobre a Escócia, veio do banco na derrota por 2 a 1 para a Alemanha... enfim, tinha grandes chances de ser convocado para a Euro. Até uma grave lesão muscular na coxa, sofrida às vésperas da final da Copa da Holanda daquela temporada (mais um título com o Feyenoord, por sinal). Tal lesão tirou Wieffer do fim da campanha do Feyenoord, tirou-o dos campos por certo tempo, tirou-lhe as chances de ir ao torneio europeu de seleções.

Wieffer apareceu bastante pela Holanda já em 2023, poderia ter ido à Euro 2024, mas uma lesão muscular na coxa acabou com as perspectivas - e atrasou sua vida na Laranja (ProShots/Icon Sport/Getty Images)

Pelo menos, a boa fase dos dois anos anteriores não lhe tirou a chance de jogar num centro mais competitivo: em julho de 2024, ainda se recuperando da lesão, Wieffer rumou para o Brighton inglês, onde encontraria dois nomes que agora serão colegas de seleção na Copa, Bart Verbruggen e Jan Paul van Hecke. E ainda que tenha mais saído do banco (15 vezes) do que começado como titular (10) na Premier League de 2024/25, sua primeira temporada no time das Gaivotas, o meio-campista teve lá sua colaboração: fez um gol, e passou a bola para outros quatro. Já serviu para que seu espaço na seleção holandesa continuasse, embora com menos visibilidade: só titular em um, mas participou de três jogos da fase de grupos da Liga das Nações. Nas quartas de final, contra a Espanha, ainda entrou nos acréscimos do jogo de ida, terminado em empate (2 a 2). E até mesmo na campanha das Eliminatórias da Copa do Mundo Wieffer apareceu: substituiu Ryan Gravenberch no segundo tempo da goleada por 8 a 0 sobre Malta, na segunda rodada.

Aos poucos, Wieffer achou seu espaço no Brighton. E numa mudança de posição, se abriu o caminho para a volta à seleção holandesa (Jorge Horsted/News Images/NurPhoto/Getty Images)

Àquela altura, paulatinamente, Wieffer ia saindo de sua posição original: de meio-campista, começou a ser experimentado na lateral direita. E foi assim, na direita, que achou de vez seu espaço sob o comando do técnico Fabian Hürzeler: com 23 jogos pela Premier League, fez dois gols, deu passe para outros três... e se mostrou mais versátil. Reacendeu seu nome na cotação da convocação para a Copa, nos últimos dias. Foi incluído na lista preliminar de 40 nomes holandeses para o Mundial. 

E enfim, Wieffer está na convocação dos 26 finais. Nas últimas...

(Marcel van Dorst / EYE4images/NurPhoto/Getty Images)

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