quarta-feira, 27 de maio de 2026

A Holanda na Copa 2026: Weghorst

Weghorst pode nem ter técnica para ser titular da Holanda (Países Baixos). Mas pela dedicação e pelos gols que entrega em alguns momentos, o experiente atacante ganhou respeito - e a vaga na convocação para a segunda Copa da carreira (KNVB Media/Divulgação)

Ficha técnica

Nome: Wout François Maria Weghorst
Posição: Atacante
Data e local de nascimento: 7 de agosto de 1992, em Borne
Clubes na carreira: RKSV NEO (2008 a 2010), DETO (2010 a 2011), Emmen (2012 a 2014), Heracles Almelo (2014 a 2016), AZ (2016 a 2018), Wolfsburg-ALE (2018 a 2022), Burnley-ING (2022 a 2024), Besiktas-TUR (2022 a 2023, por empréstimo), Manchester United-ING (2023, por empréstimo), Hoffenheim-ALE (2023 a 2024, por empréstimo) e Ajax (desde 2024) 
Desempenho na seleção: 51 jogos e 14 gols, desde 2018
Torneios pela seleção: Copa de 2022 (4 jogos, 2 gols), Euro 2020+1 (4 jogos, 1 gol), Euro 2024 (6 jogos, 1 gol) e Liga das Nações (2022/23, 2024/25)

Há quatro anos, quando foi convocado para a primeira Copa do Mundo de sua carreira, Wout Weghorst era considerado apenas um atacante esforçado, bom para compor elenco. Até aí, o colega de geração Luuk de Jong - também presente na convocação da Holanda (Países Baixos) para 2022 - também o era, talvez até com um pouco mais de técnica. Só que Weghorst roubou a cena, até surpreendentemente, naquele Mundial. Com Luuk decidindo encerrar sua trajetória na Laranja logo após aquele Mundial, o atacante seguiu deixando todo o esforço que pudesse em campo. Paralelamente, fez gols importantes pela Laranja, aqui e ali. Por tudo isso, mesmo num momento de baixa no clube em que joga, o atacante alto e experiente (fará 34 anos em agosto) tem seu "sacrifício" reconhecido: está convocado para a segunda Copa do Mundo de sua carreira.

De certa forma, Weghorst já indicou esse talento para marcar gols em clubes desde que começou a jogar futebol. Ainda no RKSV NEO, clube amador da cidade natal em que se iniciou, foi o principal goleador do clube nas categorias de base. No segundo clube amador em que foi se formando, o DETO Twenterand, Weghorst não chegou a ser artilheiro, mas mostrou capacidade de finalização na área (e só nela, diga-se de passagem) suficiente para ser trazido ao Willem II, e lá terminar seu trajeto na base. 

Porém, Weghorst não teve espaço no time de Tilburg. Sequer estreou pelo time principal na temporada passada lá (2011/12), ficando restrito à equipe B. Assim, sua carreira só começou para valer a partir da metade de 2012. E num passo bem modesto: o atacante tomou o caminho do Emmen, então ainda na segunda divisão da Holanda (Países Baixos). A atuação pelos Emmenaren teve lá seu êxito: oito gols, em 28 jogos, na temporada 2012/13 - começando por 21 de setembro de 2012, no clássico contra o BV Veendam (clube que já foi extinto, hoje em dia). Em 2013/14, sim, Weghorst teve atuação mais consistente: 11 gols em 34 jogos pelo Emmen. Já valeu para atrair atenção de um clube mais estabelecido na primeira divisão: o Heracles Almelo, que o trouxe na metade de 2014.

No Heracles Almelo, o lado goleador de Weghorst começou a aparecer (Peter Lous)

Nos Heraclieden, Weghorst ainda teve inconstâncias na temporada 2014/15: começou mais no banco de reservas, e só marcou oito gols. Ainda assim, tomou a posição de titular na reta final daquele Campeonato Holandês para não largar mais. De quebra, pelo menos, teve uma única chance na seleção sub-21 da Holanda - e fez gol, ainda que num fracasso da Laranja Jovem (a queda contra Portugal, na repescagem das eliminatórias da Euro sub-21, ficando fora do torneio).

E finalmente, 2015/16 foi o ano em que o atacante embalou. Nem foram tantos gols assim pelo Heracles Almelo: 12, em 33 partidas do Campeonato Holandês. Ainda assim, Weghorst se mostrou mais capacitado para ajudar os pontas nas tabelas de ataque, fazer o popular "pivô" (ou seja, ajeitar a bola para a finalização dos jogadores vindos do meio-campo), além da finalização natural na área. De quebra, se tornou fundamental num excelente fim de temporada do time de Almelo: foram quatro gols nas últimas seis rodadas regulares da Eredivisie. O Heracles foi, então, disputar a repescagem por vaga na Liga Europa. E com dois gols na semifinal dessa repescagem, contra o Groningen, Weghorst teve grande importância para ajudar o time a ganhar a vaga no torneio europeu - primeira experiência da história do Heracles em torneios continentais.

Era hora do próximo passo. E poucos clubes poderiam ser melhores para isso do que o AZ, onde Weghorst chegou na metade de 2016. Em Alkmaar, novamente o mesmo caminho: uma primeira temporada mais discreta (13 gols em 29 jogos pela Eredivisie 2016/17), mas já mostrando alguma importância no time - que chegou à segunda fase da Liga Europa, e à final da Copa da Holanda -, novamente crescendo na reta final. Com o AZ disputando os play-offs por vaga na Liga Europa daquela vez, Weghorst se destacou, marcando contra o Groningen (dois gols na ida, um gol na volta) e contra o Utrecht, que levou a vaga (um gol na ida).

No AZ, Weghorst aprimorou seu estilo de jogo, passando a contribuir com as jogadas. E ficou ainda mais artilheiro (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

E também de novo, a segunda temporada seria "a boa". No AZ, Weghorst criou uma parceria muito entrosada com o iraniano Alireza Jahanbakhsh. Que deu frutos aos dois: Alireza foi goleador do Campeonato Holandês 2017/18 (23 gols), e Weghorst veio atrás, com 18 gols em 31 jogos. De quebra, além do auxílio aos atacantes nas jogadas, o próprio Weghorst ousou mais: deu seis passes para gol, e aprimorou um pouco sua capacidade no jogo aéreo. Tal desempenho, enfim, valeu para receber uma chance na seleção da Holanda - ou melhor, três: o atacante saiu do banco em três amistosos no começo de 2018 (contra a Inglaterra, em março, na estreia de Ronald Koeman treinando a Laranja; contra a Eslováquia, em maio; e contra a Itália, em junho). Valeu, principalmente, para outra boa chance na carreira: Weghorst tomou o caminho do Wolfsburg, logo após aquela temporada de sucesso.

No clube alemão, Weghorst nem precisou de adaptação, como em Heracles Almelo e AZ. O atacante não só foi titular dos Lobos na primeira temporada, como conseguiu ótima média de gols naquele Campeonato Alemão: 0,5 gol por partida (17 gols em 34 jogos). Mesmo já sem tanta frequência nas convocações da seleção, ainda teve uma chance, contra a Estônia, na última rodada das eliminatórias da Euro. 

Veio 2019/20, e tanto antes da eclosão da pandemia quanto na retomada já sob ela, Weghorst seguiu justificando a confiança do Wolfsburg: 16 gols em 32 jogos, ajudando a levar o clube da Volkswagen às oitavas de final da Liga Europa. Finalmente, na temporada atual, 2020/21, viu-se o melhor do atacante nos Lobos, que garantiram vaga na Liga dos Campeões: 20 gols em 34 jogos, só abaixo de Robert Lewandowski, Erling Haaland e André Silva na tabela de goleadores do Campeonato Alemão. Desde Roy Makaay um "homem-gol" vindo da Holanda (Países Baixos) não se destacava tanto na Bundesliga - Weghorst foi o quinto neerlandês a alcançar 50 gols em sua passagem pela liga germânica.

Weghorst nem demorou para virar o homem-gol do Wolfsburg, nas últimas temporadas (DFL)

Na seleção, por muito tempo Weghorst não passou das listas preliminares de convocados: Luuk de Jong, mais experiente, ganhava a preferência.  Chegou a se dizer "decepcionado" pelo bom desempenho no Wolfsburg passar em branco nas chamadas. Mas o que era dele estava guardado: Frank de Boer opinou que o 2020/21 do atacante era "fantástico", e por fim o incluiu na convocação dos 26 jogadores para a Euro 2020+ 1, adiada pela pandemia em 2020. Convocação tão almejada que, numa entrevista, Weghorst até foi às lágrimas ao comentar o fato, em entrevista.

O esforço foi além. De reserva, Weghorst foi testado como titular no último amistoso antes da Euro, contra a Geórgia. Marcou um gol na vitória por 2 a 0 - e tal desempenho foi suficiente para que ele fosse escalado como titular contra a Ucrânia, na estreia. Foi só? Nada disso: Weghorst marcou o segundo gol, na vitória por 3 a 2, comemorando com seu tradicional deslizar de joelhos no gramado, completado com "unhadas de gato". Ainda começaria como titular no jogo seguinte, contra a Áustria. Depois, com o mais técnico Donyell Malen agradando contra a Macedônia do Norte, ele foi para a reserva. Disputou os 24 minutos finais contra os norte-macedônios, mais os 17 restantes da eliminação para a República Tcheca (Tchéquia). Contudo, de algo sua participação na Euro 2020+ 1 já serviria. Até para o resto de sua carreira.

Weghorst quis muito ir à Euro. Conseguiu. E mesmo que tenha ido para a reserva no decorrer da campanha da Holanda, colaborou (Lukas Schulze/UEFA/Getty Images)

Porque, mesmo com um desempenho modestíssimo na primeira metade da temporada 2021/22 pelo Wolfsburg (em 18 jogos, só seis gols, perdendo algumas boas chances), seu jeito de jogar já o fizera conhecido. O que possibilitou que, mesmo caindo de produção, ele ainda ficasse nas convocações da Holanda, jogando duas partidas pelas eliminatórias da Copa - contra Letônia e Gibraltar, vindo do banco em ambas. Mais do que isso: desejoso de atuar num clube da Premier League, Weghorst teve a chance para isso em janeiro de 2022, quando o Burnley o trouxe para que fosse um dos principais nomes a tentar evitar o rebaixamento na primeira divisão inglesa.

Bem, não deu certo. Na metade final da temporada 2021/22, Weghorst jogou como a principal referência ofensiva do Burnley, mas serviu mais como pivô (ajeitou a bola três vezes para gol) do que como o goleador que fora no Wolfsburg (só dois gols - um de cabeça, outro de pé direito). E o Burnley foi mesmo rebaixado na Premier League. Mais do que isso: com o clube precisando reduzir custos após a queda para a Championship, a principal contratação de janeiro virara um nome que precisava ser emprestado, em julho. Para ter espaço, Weghorst precisava de um clube para atuar. Achou-o no Besiktas: foi emprestado para o clube turco, onde começou a temporada 2022/23 como titular. Contudo, seguiu sem o desempenho esperado: foram só seis gols pelos alvinegros, naquele Campeonato Turco.

A passagem pelo Burnley começou ruim. E com o rebaixamento na Inglaterra, Weghorst foi destinado a recuperar fôlego no Besiktas (Orange Pictures/BSR Agency/Getty Images)

Ainda assim, mesmo reserva no Besiktas, Weghorst seguia como reserva costumeiro e até respeitado na seleção holandesa. Em 2022, o ano da Copa do Mundo, esteve em todas as convocações de Louis van Gaal. E no único jogo em que começou como titular, aproveitou a chance: foi o autor do gol da vitória contra País de Gales (2 a 1), em junho daquele ano, pela Liga das Nações. Retornou às chamadas para as duas últimas partidas pela Nations League, entrando aos 75' no 2 a 0 contra a Polônia. E por fim, foi lembrado entre os 26 convocados da Laranja para a Copa. No Catar, Weghorst quase sempre saía do banco de reservas, nos minutos finais das partidas, para ajudar a segurar a bola no ataque e, se fosse o caso, ser uma referência ofensiva. Assim foi no 1 a 1 com o Equador (substituiu Cody Gakpo nos 11 minutos finais), no 2 a 0 contra o Catar (novamente entrando no lugar de Gakpo, aos 37 minutos do segundo tempo) e nas oitavas de final contra os Estados Unidos (outra vez no lugar de Gakpo, então apenas para os acréscimos).

Só que, nas quartas de final, não foi assim. Com a Holanda (Países Baixos) tendo grandes dificuldades para entrar na defesa da Argentina com passes e bola no chão, já com a desvantagem por 2 a 0 no placar, a eliminação estava muito próxima. Foi aí que Van Gaal decidiu mudar a estratégia, colocando em campo, para a boa e velha "casquinha" de bola na área, Luuk de Jong e... Weghorst, vindo a campo no lugar de Memphis Depay aos 33 minutos da etapa final. Com Weghorst, deu muito certo. Cinco minutos depois de entrar em campo, ele acertou um cabeceio, diminuindo o placar para 2 a 1. Já seria algo. Ficou pequeno diante do que aconteceu no décimo primeiro (!) minuto dos acréscimos. 

Na Copa de 2022, Weghorst (em primeiro plano) já cumpria seu papel como coadjuvante da Holanda (Países Baixos). Pois nas quartas de final, mesmo com a queda para a Argentina, ele roubou a cena dentro e fora de campo (Patrick Smith/FIFA/Getty Images)

Ao longo daquela Copa do Mundo de 2022, durante os treinos dos Países Baixos, Weghorst sugerira a Van Gaal usar uma jogada ensaiada com que já marcara gols no Wolfsburg: uma falta, bola rolada para a área com os colegas holandeses cercando zagueiros adversários, e ele finalizaria. Pois às pressas, naquele minuto, Teun Koopmeiners decidiu por isso em prática, e coube a Weghorst empatar aquelas quartas de final de modo até inacreditável. De quebra, mesmo com eliminação holandesa, na disputa de cobranças da marca do pênalti após o 2 a 2 em 120 minutos, o atacante da camisa 19 acertou a sua. Pronto? Não: no caminho da zona mista do estádio Lusail, logo após o jogo, Weghorst chegou perto de Lionel Messi, fosse por provocação ou por ingenuidade - alegou que só queria a camisa do destaque supremo da Argentina. Pois Messi, ainda no clima fervilhante daquela partida, olhou incomodado e interrompeu uma entrevista para indagar a Weghorst: "¿Qué mirá, bobo? Andá pa allá, bobo. Andá pa allá" ("Está olhando o quê, babaca? Sai fora, babaca. Sai pra lá"). Nascia ali um meme até hoje lembrado por quem viu aquela partida. Weghorst nem seguiu com a briga. Apenas lamentou, naquele 9 de dezembro de 2022: "Era para ser a melhor noite da minha vida".

De certa forma, o "dia de Cinderela" que Weghorst teve nas quartas de final da Copa de 2022 teve sequências nos dias - até nos anos - seguintes. Para começo de conversa, de volta ao Besiktas, fez mais dois gols no Campeonato Turco, nas rodadas da virada de ano (oito gols em 16 jogos, média até razoável). Aí, depois de todo o ocorrido no Mundial, veio a oportunidade gigante: o Manchester United se interessou em tê-lo, por empréstimo de seis meses junto ao Burnley, que convenceu o Besiktas a antecipar o fim da cessão de Weghorst (mediante pagamento de três milhões de libras). E o atacante foi para uma passagem por Old Trafford, em janeiro de 2023. 

No Manchester United, Weghorst teve passagem quase anônima, decaindo aos poucos (Robbie Jay Barratt/AMA/Getty Images)

Começou tendo até a boa vontade da torcida, por seu inegável esforço. Mas, aos poucos, ficou claro que se tratava de um coadjuvante, e que "a carruagem da Cinderela voltara a ser abóbora": mesmo com 17 jogos na Premier League, nenhum gol marcado, apenas uma bola na rede pela Copa da Liga Inglesa (seu único título nos Diabos Vermelhos), mais um gol marcado pela Liga Europa. E no fim da temporada 2022/23, empréstimo encerrado, o United o liberou sem muito esforço para contratá-lo. Pelo menos, a roda-viva ficaria mais sossegada: na temporada 2023/24, o Burnley emprestou o atacante holandês ao Hoffenheim, para volta à Alemanha em que sua carreira tomou impulso.

Se em clubes Weghorst começava a ter idas e vindas inconstantes, contudo, na seleção holandesa sua utilidade foi muito aproveitada no trabalho de Ronald Koeman. Basta dizer, para começo de conversa, que ele esteve em todas as partidas da seleção da Holanda (Países Baixos) em 2023. Se só jogou os 90 minutos em três delas, fez mais gols importantes. Mais precisamente, três gols, nas Eliminatórias da Euro 2024. Um deles, por sinal, até decisivo: foi de Weghorst o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Irlanda, na penúltima rodada da campanha de qualificação, resultado que garantiu a classificação da Laranja à Euro.

Weghorst seguiu no mesmo tom ao longo do primeiro semestre de 2024. Pelo Hoffenheim, até foi titular costumeiro na campanha pelo Campeonato Alemão (28 jogos), mas fez apenas sete gols, sem impressionar muito. Só que quando o assunto foi vestir a camisa laranja da seleção neerlandesa, sua utilidade era inquestionável. No primeiro amistoso da Holanda pré-Euro, 4 a 0 na Escócia em 22 de março de 2024, ele entrou aos 77' - fez o gol dele. Claro, mesmo sem ser titular, foi presença confirmada na convocação de Ronald Koeman para a Euro 2024. Mais dois jogos de preparação antes da participação da Laranja no torneio europeu, já em junho, contra Canadá e Islândia; mais duas entradas de Weghorst - aos 62' contra o Canadá, aos 84' contra a Islândia; e mais dois gols dele nas goleadas por 4 a 0. 

Mesmo oscilando no Hoffenheim por que jogava, Weghorst foi convocado garantido na Euro 2024. E novamente, teve lá sua utilidade para a Holanda, sempre vindo da reserva (ProShots/Icon Sport/Getty Images)

Euro 2024 iniciada, na estreia, empate equilibrado entre Holanda e Polônia, muitas chances holandesas perdidas no ataque... até que Weghorst veio a campo, aos 81', substituindo Memphis Depay. Três minutos depois, passe de Nathan Aké, e ele fez o 2 a 1 da vitória neerlandesa - no dia seguinte, o AD Sportwereld, caderno de esportes do diário Algemeen Dagblad, estampava a manchete "De redder van Oranje" ("O salvador da Laranja"). Era o começo de uma Euro em que Weghorst nunca começou como titular, mas era sempre reserva pronto para entrar em todas as partidas. Foi o que aconteceu naquele torneio: esteve em todos os seis jogos da Laranja, vindo do banco. E se vinha apenas para os últimos minutos, Weghorst já entrou no intervalo das quartas de final, contra a Turquia, e da semifinal, contra a Inglaterra.

Se passava sempre impressão digna ao atuar pela seleção da Holanda (Países Baixos), quem sabe voltar ao país natal também não o colocasse nos prumos por clubes? Foi assim que, após terminar seu empréstimo ao Hoffenheim e até jogar algumas partidas pelo Burnley ainda antes da Euro, Weghorst aceitou, em 2024, uma proposta do Ajax, para chegar como a referência ofensiva do clube. Na primeira temporada, teve bons momentos - como nos 4 a 3 no Heracles Almelo, pela 9ª rodada da Eredivisie 2024/25, quando fez dois gols na virada Ajacied. De mais a mais, Weghorst superou a desconfiança de ser um atacante pouco afeito ao estilo mais técnico preferido no clube de Amsterdã, com a dedicação típica em campo conquistando a torcida. Por fim, voltou aos dois dígitos de gols: foram 10 naquela Eredivisie, sem contar mais um na Liga Europa - segundo com mais gols pelo Ajax em 2024/25, apenas abaixo de Kenneth Taylor -, superando até uma fratura num dedo do pé, em fevereiro de 2025. Porém, a traumática perda do título para o PSV, na última rodada daquela liga holandesa, minimizou qualquer colaboração que Weghorst tivesse na campanha.

Se o Ajax tem sofrido com crises, e se Weghorst é considerado um atacante de estilo "anti-Ajax", ganhou o respeito da torcida com a dedicação em campo. E claro, com os gols (Ben Gal/BSR Agency/Getty Images)

Pelo menos, na seleção neerlandesa, o lugar do atacante nas convocações seguiu firme. Assim como sua utilidade em colocar a bola na rede. Ainda no segundo semestre de 2024, foram dois gols na fase de grupos da Liga das Nações. Quando 2025 chegou, por causa da supracitada fratura num dedo do pé, começou fora das quartas de final da Liga das Nações, logo em março. De resto, mesmo mais na reserva, mesmo sem gols, Weghorst figurou em seis dos oito jogos da campanha nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Só ficaria de fora nos jogos finais de novembro (1 a 1 contra a Polônia e o jogo da vaga, 4 a 0 na Lituânia). Entretanto, mesmo num Ajax ainda pelejando com a crise que vive nos últimos anos, seu rendimento no ataque não foi de se jogar fora: apesar de sofrer com uma torção no tornozelo que o tirou dos campos no fim de 2025 - e por ela, ter sua titularidade mais alternada com Kasper Dolberg -, Weghorst seguiu com gols. Foram sete no Campeonato Holandês, mais um na Liga dos Campeões.

E neste 2026, mesmo sem gols marcados pelos Países Baixos, Weghorst foi presença certa - vindo do banco - nos amistosos contra Noruega e Equador, em março. Foi presença certa na convocação para a segunda Copa do Mundo na carreira. Mesmo contestado aqui e ali no Ajax, o fim de contrato com o clube já o torna nome cogitado para ser contratado, pela experiência e pelos gols (seja em clubes importantes holandeses, como o Twente, ou em clubes tradicionais da Europa, como o Benfica-POR). Nada mais compreensível. Afinal, se nunca foi um primor de técnica, a dedicação trouxe Weghorst até aqui. Quem sabe a Copa do Mundo de 2026 o traga novamente a um papel de destaque, como nas quartas de final de 2022 - e agora, sem ser "bobo"...

(Marcel ter Bals/DeFodi Images/Getty Images)

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