Ficha técnica
Nome: Mark Flekken
Posição: Goleiro
Data e local de nascimento: 13 de junho de 1993, em Kerkrade
Clubes na carreira: Alemannia Aachen-ALE (2012 a 2013), Greuther Fürth-ALE (2013 a 2016), MSV Duisburg-ALE (2016 a 2018) e Freiburg-ALE (2018 a 2023), Brentford-ING (2023 a 2025) e Bayer Leverkusen-ALE (desde 2025)
Desempenho na seleção: 11 jogos e 9 gols sofridos, desde 2022
Torneios pela seleção: Euro 2024 (não jogou) e Liga das Nações (2022/23 e 2024/25)
"Há um goleiro, também, que joga no Freiburg. Eu nunca tinha ouvido falar dele, mas parece ser um goleiro muito bom. Nós o veremos. Ele se chama Flekken - Flekken, com dois 'k'. Ele já está avisado que nós o veremos". Foi assim, no dia 7 de setembro de 2021, em frases do técnico Louis van Gaal na coletiva após os 6 a 1 na Turquia, nas eliminatórias da Copa de 2022, que muitos torcedores (e até jornalistas) conheceram o arqueiro holandês Mark Flekken. Mais um mês, e ainda em 2021 (outubro), quando Flekken foi convocado, Van Gaal explicou um pouco mais: "Ele é incrivelmente bom com a bola nos pés, nem queiram saber. É um goleiro típico dos times de Van Gaal". Dali por diante, o guarda-redes se tornou um pouco mais conhecido. Mesmo com a ausência - até surpreendente - na Copa de 2022, Flekken nunca mais saiu do radar das convocações da Laranja. Em clubes, passou a ser um pouco mais visto. E enfim, chega à primeira Copa de sua carreira já testado na seleção.
Vindo de uma família com o futebol nas veias (o pai René e a mãe Annie praticavam a modalidade, e o irmão mais novo Roy também se tornou goleiro profissional), Flekken nasceu na Holanda - mais precisamente, na cidade de Kerkrade. Porém, já cresceu quase fora deles: em Bocholtz, cidade próxima a Kerkrade, fronteiriça com a Alemanha. Ainda assim, quando se iniciou dentro das quatro linhas, foi dentro do território do Reino dos Países Baixos. Como a maioria dos jogadores profissionais do país, o goleiro começou num clube amador (o WDZ, de Bocholtz), para depois rumar a um profissional - o Roda JC, de Kerkrade, atualmente na segunda divisão. Inclusive, quando foi escolhido pelo Roda JC, Flekken atuava improvisadamente como jogador de linha, como se lembrou em entrevista à revista Voetbal International, em outubro de 2021: "Até os meus dez anos de idade, eu jogava na linha. Foi uma época importante para a maneira como jogo hoje em dia".
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| As escolinhas infantis do Roda JC foram o único momento de Flekken jogando na Holanda, antes ainda da carreira iniciar (Divulgação/rodajckerkrade.nl) |
Só que o rumo de sua carreira mudou antes mesmo dela se iniciar. Em 2009, aos 16 anos, Flekken decidiu partir para a Alemanha - mais precisamente, para os times de base do Alemannia Aachen, atualmente na quarta divisão do país. Na entrevista supracitada, Flekken justificou: "Eu estava naquela idade em que achava que treinar só uma vez por semana ou quinzena era pouco. E o clube [Roda JC] podia fazer pouco. (...) No mesmo momento, surgiu o interesse de Aachen, onde havia treinadores holandeses, bem como o treinador de goleiros. Aí, na minha intuição, decidi ir para a Alemanha. Tantos anos depois, eu faria a mesma coisa. De um jeito ou de outro, a aposta se pagou".
De fato, deu certo mesmo. No Alemannia Aachen, Flekken foi encerrando sua formação no futebol. Em setembro de 2011, assinou seu primeiro contrato profissional. Mais um ano, e a chance apareceu: na metade da temporada 2012/13 da terceira divisão alemã, tendo problemas financeiros, o clube de Aachen rescindiu o contrato com Michael Melka, goleiro titular de então. E o escolhido para sucedê-lo foi o jovem holandês, que estreou em 26 de janeiro de 2013, na vitória por 2 a 0 contra o Saarbrücken.
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| No Alemannia Aachen, as primeiras chances como titular (Imago) |
Contudo, Flekken só terminaria a temporada em Aachen. Antes que a temporada 2013/14 começasse, o goleiro se transferiu para o Greuther Fürth, então na liga regional da Bavária, dentro da quarta divisão da Alemanha (atualmente na segunda). Ali, Flekken ficaria sem muitas chances: em três anos, foram apenas 25 jogos espalhados pelas três temporadas, principalmente no time B, ficando mais como reserva de Wolfgang Hesl - no Greuther Fürth até 2015 - e Sebastian Mielitz, o titular posterior.
A carreira só ganhou impulso de verdade quando Flekken se transferiu de novo, em 2016, para o MSV Duisburg, da terceira divisão da Alemanha. Ali, enfim, o holandês começou a virar titular. E a colocar em prática sua capacidade de, mais do que defender, ajudar o ataque. Até literalmente: em 7 de agosto de 2016, Flekken marcou, nos acréscimos, um gol de calcanhar, para empatar o jogo contra o VfL Osnabrück, na 2ª rodada da terceira divisão. Era um ótimo começo, que teria um fim melhor ainda: o Duisburg subiria para a segunda divisão, com Flekken como titular. E consolidando o seu estilo, alternando as defesas com a atenção em tiros de meta.
Na supracitada entrevista à Voetbal International, o arqueiro se lembraria de alguns nomes que o inspiraram a jogar com os pés além das mãos: "Van der Sar era meu ídolo. Vi muitos jogos dele, era a calma em pessoa. Isso me dizia muito. Ele podia tanto fazer ótimos lançamentos quanto ser rápido como um gato nos reflexos. (...) Assisti por muito tempo as qualidades de Ederson [Manchester City] com a bola nos pés. É um nível totalmente diferente de muitos outros goleiros nos campeonatos de alto nível". Perguntado sobre ser ambidestro como Wesley Sneijder, Flekken recusou a comparação brincando: "Não ousaria dizer que sou como Sneijder, sou destro de natureza, mas com 100% de confiança em meu pé esquerdo. Realmente, não me faz muita diferença em dominar a bola com o pé direito ou esquerdo". Com riscos assumidos, jogar mais adiantado às vezes dava errado: como em fevereiro de 2018, quando Flekken foi beber um pouco de água durante o jogo do MSV Duisburg contra o Ingolstadt, na segunda divisão... e tomou um daqueles gols que viram piada mundo afora.
Porém, o erro logo viraria má lembrança. Até porque, em meados de 2018, Flekken ganhou a chance tão buscada na carreira: chegava ao Freiburg, já clube firme na Bundesliga, sob trabalho altamente consistente do técnico Christian Streich. E a chegada tinha um planejamento, conforme o goleiro detalhou à Voetbal International: "Eu vim com o plano de ficar um ou dois anos no banco de reservas, me desenvolver nos treinos, e só aí virar titular". Pelo menos na primeira temporada passada no clube alvinegro, 2018/19, foi exatamente isso: Flekken só jogou uma partida no Campeonato Alemão. Entretanto, o plano teve uma leve "aceleração" em 2019/20: uma lesão de Alexander Schwolow abriu espaço para Flekken jogar dez partidas pelo Freiburg na Bundesliga - e indo bem, com média de 80% de defesas por jogo. O que não significou desvio dos planos: "Eu mostrei então que poderia estar naquele nível, mas tive de dar um passo atrás após a pausa de inverno [no começo de 2020]. O Freiburg tem a filosofia de que um goleiro titular não pode ir para a reserva por causa de uma lesão. Para um reserva que vai bem enquanto joga, isso pode ser frustrante".
Seria ainda mais frustrante para Flekken em 2020/21. Seria a temporada em que ele se tornaria titular do Freiburg. Seria, não fosse uma lesão sofrida no aquecimento do jogo contra o Waldhof Mannheim, pela Copa da Alemanha, descrita na entrevista tão citada aqui: "Eu caí de mau jeito sobre o meu cotovelo esquerdo (...) Rompi dois ligamentos externos, e um interno. Foi um golpe duro. Acima de tudo, porque eu queria mostrar que estava pronto para a Bundesliga. No começo, achei que não era tão grave, mas os exames mostraram que a lesão precisaria de longo tempo para a recuperação". Bastou para perder boa parte da temporada, só retornando para os três jogos finais do Freiburg pela Bundesliga, já em abril de 2021. Sua grande aparição ainda demoraria. Pelo menos, a confiança mantida pelo clube deixou o goleiro emocionado: "Foi muito bacana que o clube tenha reafirmado a confiança logo antes da minha operação no local. Na nova temporada [2021/22], eu seria novamente o titular. Não posso descrever em palavras minha gratidão".
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| Seguro com as mãos, bom com os pés: Flekken demorou para ser titular do Freiburg, mas quando se tornou, se firmou (Stefan Brauer/DeFodi Images/Getty Images) |
E em 2021, o começo foi tão fulgurante que fez de Flekken o goleiro com maior percentagem de defesas em toda a Bundesliga, à frente até de Manuel Neuer. Não que isso tenha iludido o holandês ("Devo ser realista, e lembrar que não joguei tantas partidas quanto Neuer, ou mesmo [Yann] Sommer"), mas já foi o suficiente para chamar a atenção de Frans Hoek, treinador de goleiros da seleção masculina da Holanda, nome de confiança de... Louis van Gaal. Daí, a frase que abriu este texto. E que trouxe reação inesperada até para o próprio elogiado: "Eu estava cuidando da minha filha, e fui dormir logo depois do jogo [contra a Turquia]. Não vi as entrevistas pós-jogo - não ao vivo, pelo menos. Aí, você acorda na manhã seguinte e vê no seu celular dezenas de vídeos do que o senhor Van Gaal falou, como ele citou meu nome... aí vem uma sensação que é bacana".
Sensação ampliada aos poucos. Em setembro de 2021, os elogios de Van Gaal; em outubro de 2021, a primeira convocação para a seleção masculina da Holanda (Países Baixos); em novembro, a expectativa (frustrada) de sua estreia; e finalmente, em março de 2022, Flekken estreou pela Laranja, nos amistosos contra Dinamarca e Alemanha. Falhou em um gol sofrido contra os dinamarqueses, mas como um todo, não comprometeu. E o término de temporada 2021/22 premiou ainda mais Flekken: ele foi considerado um dos grandes responsáveis pelo excelente desempenho defensivo do Freiburg, sexto colocado da Bundesliga (chegou a estar em 3º), confirmando a melhor percentagem de defesas em todo o campeonato que ostentou.
O que representou mais chances de Van Gaal a Flekken: nos jogos de junho pela Liga das Nações, o goleiro atuou na vitória por 2 a 1 sobre o País de Gales, e nos 2 a 2 contra a Polônia, novamente sem comprometer nos gols. Além do mais, ele seguia titular absoluto do Freiburg no Campeonato Alemão. No fim de outubro de 2022, já como uma realidade na Laranja, o goleiro aumentou o sonho, falando à mesa-redonda Rondo, da emissora neerlandesa Ziggo Sport: "Se eu estiver lá [na Copa], eu também quero ir como titular". Contudo, a concorrência no gol aumentava: Remko Pasveer e Andries Noppert cresciam na reta final, Jasper Cillessen retornava à boa forma, Justin Bijlow estava sem lesões... e no dia 11 de novembro de 2022, uma sexta-feira, quando Louis van Gaal anunciou afinal os 26 convocados da Laranja para aquele Mundial, o nome de Flekken estava fora da lista. De certa forma, era uma surpresa. Ainda mais tendo sido Van Gaal indiretamente fundamental para que seu nome ficasse conhecido no futebol holandês. Mas foi aquilo mesmo: Mark Flekken viu a Copa do Mundo de 2022 pela televisão.
Ausência traumática? Nada disso. Flekken seguiu absoluto no Freiburg: em 2022/23, o clube foi ainda melhor no Campeonato Alemão, terminando com a quinta posição, e o goleiro ajudou os alvinegros a terem então a terceira defesa menos vazada daquela Bundesliga. Com tal desempenho, a troca de técnicos em nada perturbou o espaço que ganhara na Holanda (Países Baixos): Van Gaal saiu, chegou Ronald Koeman, e Flekken seguiu nas convocações da Laranja, mesmo sem a titularidade. Mais do que isso: ganhou uma transferência para a Premier League - já em maio de 2023, teve anunciada sua transferência para o Brentford. No clube inglês, a partir da temporada 2023/24, Flekken foi de grande ajuda para as "Abelhas" conseguirem seguir na Premier League. Com os pés, deu um passe para Neal Maupay fazer o gol de honra na vitória do Manchester City por 3 a 1 sobre o Brentford (23ª rodada) - foi um dos únicos dois goleiros a ter um passe para gol naquela Premier League. Com as mãos, a intervenção de Flekken num chute de Pedro Neto, nos 2 a 0 do Brentford no Wolverhampton, foi eleita a melhor defesa de fevereiro de 2024 (e, posteriormente, uma das melhores na temporada) na Premier League.
Com as boas atuações no Brentford, Flekken fez sua parte para seguir como opção confiável no gol da Holanda. Mesmo sem ser titular, se converteu no reserva preferencial de Ronald Koeman para quando fosse necessário. Em 2023, quando a vaga de titular da meta ainda parecia em aberto, esteve nas vitórias contra Grécia (3 a 0) e Irlanda (2 a 1), nas Eliminatórias da Euro 2024; já em 2024, fez parte da disputa com Bart Verbruggen nos amistosos de março, jogando nos 4 a 0 na Escócia. Fez pelo menos uma boa defesa, no primeiro tempo. E mesmo que Verbruggen acabasse virando titular, enfim, Flekken teve a convocação que se avizinhava para ele: foi um dos três goleiros chamados para a Euro daquele ano, que viu inteira do banco de reservas. Já no segundo semestre, pela Liga das Nações, Países Baixos já garantidos nas quartas de final, teve a chance de jogar a partida final da fase de grupos, em 19 de novembro, no 1 a 1 com a Bósnia.
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| No Brentford, Flekken seguiu muito bem. Com isso, também seguiu no radar das convocações da Holanda (Dan Istitene/Getty Images) |
Se o Brentford sofrera em 2023/24, na temporada seguinte foi melhor, se firmando no meio de tabela da Premier League. E Flekken cresceu junto com o time: foi eleito pelo Brentford o melhor do time em fevereiro de 2025 (quando o clube só tomou um gol na Premier League), foi um dos goleiros que mais defesas fez na liga inglesa (103, ao final das 38 rodadas - o goleiro só ficou fora de uma delas). Se era melhor ter um clube mais prestigioso para seguir aparecendo, as boas atuações ajudaram nisso: no meio de 2025, o holandês teve anunciado o retorno à Alemanha, como reforço do Bayer Leverkusen para a posição. E nada melhor para "comemorar" do que ter mais chances na seleção holandesa: com o titular Verbruggen machucado, coube a Flekken jogar nas duas primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa, contra Finlândia e Malta, em junho de 2025, dias após o anúncio da transferência.
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| De volta à Alemanha - mas agora no mais conhecido Bayer Leverkusen -, Flekken continuou titular (ProShots/Getty Images) |
Se Flekken chegou ao Leverkusen com o peso de substituir o finlandês Lukas Hradecky, titularíssimo do clube nos últimos anos (o que incluiu o histórico título alemão invicto, em 2023/24), deu-se bem com isso. Só mesmo uma lesão no tornozelo, sofrida em janeiro deste 2026, impediu que ele emplacasse as 34 rodadas do Campeonato Alemão como titular - e impediu sua presença nos amistosos de março pela Holanda. Mas desta vez, nada de surpresas desagradáveis de última hora: suas presenças constantes nas convocações foram seguidas, enfim, pela primeira Copa de sua carreira.
Porque, se Louis van Gaal apresentou em 2021, agora, de fato, quem acompanha futebol nos Países Baixos (e isso inclui Ronald Koeman) sabe quem é Mark Flekken.
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| (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images) |








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