Ficha técnica
Nome: Guus Berend Til
Posição: Meio-campo
Data e local de nascimento: 22 de dezembro de 1997, em Samfya (Zâmbia)
Clubes na carreira: AZ (2016 a 2019), Spartak Moscou-RUS (2019 a 2022), Freiburg-ALE (2020 a 2021, por empréstimo), Feyenoord (2021 a 2022, por empréstimo) e PSV (desde 2022)
Desempenho na seleção: 6 jogos e 1 gol, desde 2018
Torneios pela seleção: Liga das Nações (2022/23, 2024/25)
Guus Til começou bem sua carreira: surgiu como revelação no AZ, recuperou a passagem anônima que teve na Rússia com um primeiro bom momento no Feyenoord, entrou nas convocações para a seleção da Holanda (Países Baixos), teve lá seu papel na reta final do ciclo rumo à Copa de 2022... mas ficou de fora dela. De lá para cá, continuou fazendo seu papel no PSV - e muito bem. O destino, e as coisas que aconteceram, devolveram-no ao radar das convocações de Ronald Koeman, também nos últimos estágios antes desta Copa do Mundo que está por começar. E por tudo que tem feito, pelas possibilidades táticas de que mostrou ser capaz no time de Eindhoven, Til, enfim, conseguiu: está no primeiro Mundial de sua carreira.
Til nasceu fora da Holanda por circunstâncias familiares: o pai trabalhava no setor de desenvolvimento, prestava serviços em Zâmbia, e por isso ele nasceu lá, na cidade de Samfya. De quebra, a família Til ainda migrou depois para Moçambique, também pelo trabalho paterno Só aos três anos de idade Guus - e seus pais e irmãos - retornaram para ficar, morando em Bijlmermeer, um bairro de Amsterdã. Pelo menos, não demorou tanto assim para sua trajetória no futebol começar, jogando em dois clubes amadores das redondezas. Primeiro, o SV Geinburgia, do bairro de Driemond; depois, o SV Diemen. E já na adolescência, em 2010, ele tomou o caminho do clube que lhe abriria as portas do profissionalismo: o AZ, em Alkmaar.
Tendo feito todo o caminho pelas categorias de base do AZ, Til começou a ganhar chances no time principal já em uma grande ocasião: a tentativa de chegar à Liga Europa 2016/17. Na terceira fase preliminar, ele fez seus primeiros minutos, entrando aos 71' do jogo de volta contra o PAS Giannina (vitória por 2 a 1). Nos play-offs que decidiram a vaga nos grupos da Liga Europa, mais alguns minutos - sete, no jogo de ida (3 a 0 sobre o FK Vojvodina, da Sérvia). Era só o começo: naquela temporada, pelo Campeonato Holandês, foram 10 jogos. No primeiro deles, o meio-campista que avançava bastante já deixou a bola nas redes, marcando gol nos 2 a 0 sobre o Zwolle, pela 6ª rodada.
Em 2017/18, Til já virou um nome básico das escalações do técnico John van den Brom para o AZ de então. Formou, até, uma dupla entrosada com outra revelação do time de Alkmaar que, tanto tempo depois, está junto a ele na Copa: Teun Koopmeiners. Este marcava, Til atacava. Foram nove gols, três passes para gol, em 33 dos 34 jogos da campanha dos Alkmaarders. Desempenho tão promissor do meio-campista, que lhe rendeu a entrada na seleção sub-21 da Holanda, em 2017. E no começo do ano seguinte, rendeu a primeira chance na seleção da Holanda: quando Ronald Koeman ainda iniciava seu trabalho como treinador, em março de 2018, Til entrou em campo pela Laranja (usando então o uniforme azul) substituindo Memphis Depay para os 12 minutos finais da vitória por 3 a 0 sobre Portugal, em amistoso.
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| Til começou no AZ em 2016, evoluiu bem em 2017/18... e em 2018/19 se consolidou como grande revelação do time de Alkmaar (VI Images/Getty Images) |
E a temporada 2018/19 foi, pelo menos aparentemente, a prova de que Til estava pronto para passos maiores na carreira. Sem dúvida, foi o destaque do AZ naquele Campeonato Holandês: tornado capitão do time de Alkmaar, foi novamente titular absoluto (33 dos 34 jogos), foi o goleador da equipe na temporada (12 gols na Eredivisie - quatro passes para gol). Feitos suficientes para que ele recebesse a aposta... do Spartak Moscou: em julho de 2019, o meio-campista se transferiu para o time russo, cujos 11 milhões de euros pagos por Til eram a terceira maior quantia da história do clube numa transferência.
A aposta até começou bem: Til começou sendo titular do Spartak, e até marcou rápido o primeiro gol pela nova equipe (no 2 a 1 contra o Krylya Sovetov, pela 7ª rodada do Campeonato Russo). Só que as dificuldades de adaptação à Rússia se fizeram sentir: no decorrer da temporada 2019/20, o meio-campo caiu de produção, se tornou reserva, começou a viver má fase técnica decorrente da falta de ritmo de jogo. Houve uma tentativa de começar de novo: em agosto de 2020, um empréstimo ao Freiburg alemão. Tentativa fracassada: no time de cima, foram sete jogos pelo Campeonato Alemão 2020/21. Só atuando pelo time B do Freiburg, que disputava a liga regional do sudoeste alemão, houve alguma luz no fim do túnel: Til marcou quatro gols em quatro jogos, dando alguma ajuda na campanha que fez o Freiburg II ser promovido à terceira divisão alemã.
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| Um raro momento de Guus Til jogando no Spartak Moscou: a má passagem pela Rússia freou o bom começo de carreira (Anna) |
Empréstimo finalizado, sem espaço no Spartak Moscou, totalmente afastado da seleção da Holanda - a tal ponto que a federação de Zâmbia cogitou convidar Til para defendê-la, em 2021 (segundo o técnico da seleção zambiana então, o sérvio Milutin Sredojevic, só não aceitou por ainda estar indeciso). Se quisesse confirmar o status dos tempos de AZ, era preciso reagir. E Til deu um passo atrás. Melhor dizendo: um passo de volta. Volta à Holanda: o Spartak emprestou o meio-campo ao Feyenoord, que andava precisando de reforços no setor - e também de alguma reação em campo. Havia desconfiança: uma cláusula do contrato dizia que o Spartak poderia rescindir o contrato se Til atuasse em menos da metade dos jogos do Feyenoord na temporada 2021/22.
Dificil imaginar um resultado melhor. Til já caiu cedo nas graças da torcida: ainda no começo da temporada, pela segunda fase preliminar da Conference League, novamente atuando como um meio-campo avançado, ele até abrira o placar, mas o Feyenoord perdia por 2 a 1 para o Drita, de Kosovo. Pois nos últimos minutos, Til fez dois gols, evitou um vexame, levou o Stadionclub à terceira fase preliminar. Era só o começo: quando a temporada se encerrou, ele havia sido um dos principais responsáveis pelo desempenho altamente honroso do Stadionclub. No terceiro lugar do Campeonato Holandês, foram 15 gols em 32 jogos; pela Conference League, mesmo sem gols, Til foi um titular absoluto na campanha do vice-campeonato Feyenoorder.
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| O Feyenoord precisava se reanimar. Til precisava reagir na carreira. 2021/22 marcou o encontro perfeito: o meio-campista foi destaque de uma honrosa temporada (Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images) |
Acima de tudo, a seleção da Holanda, da qual andava tão afastado, voltou a rodeá-lo. Tão logo voltou a treiná-la, Louis van Gaal aproveitou o bom momento de Til para convocá-lo, na encruzilhada que a Laranja vivia nas eliminatórias da Copa do Mundo. Mesmo na reserva, o meio-campista justificou a confiança, principalmente no jogo que marcou o embalo rumo à classificação: nos 6 a 1 sobre a Turquia, Til veio a campo em substituição a Georginio Wijnaldum - e marcou o quinto gol naquela goleada. De quebra, com Wijnaldum suspenso na rodada seguinte, Til foi titular contra a Letônia, na rodada seguinte das eliminatórias.
O empréstimo de Til ao Feyenoord acabou. Mesmo com a Rússia em guerra com a Ucrânia, ele retornou ao Spartak Moscou, a princípio - se dizendo saudoso do Stadionclub. Pois surgiu a chance de voltar ao país natal, para ficar. E Til voltou... para o PSV: a perspectiva de jogar a Liga dos Campeões o fez superar as memórias saudosas do time de Roterdã, indo para Eindhoven. Ali, começou bem: foram três gols marcados na conquista da Supercopa da Holanda. Mesmo sem brilhar tanto quanto em 2021/22, até rondando o banco, Til começou a mostrar versatilidade: além de jogar como meio-campo, às vezes atuou como atacante, em razão de lesão de Luuk de Jong. Com isso, seu desempenho no Campeonato Holandês nem foi de se jogar fora: nove gols em trinta jogos.
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| Til (à esquerda) começou sem a mesma preponderância no PSV, mas seguiu bem (Perry van de Leuvert/NESImages/DeFodi Images/Getty Images) |
Contudo, na seleção holandesa, foi em 2022, até inesperadamente, que Til começou a perder espaço. No primeiro semestre, mesmo com só um jogo (entrou para os acréscimos do 2 a 1 contra o País de Gales, na Liga das Nações, em junho), Til seguiu nas convocações que Louis van Gaal fazia. Porém, em setembro daquele ano, nos jogos contra Polônia e Bélgica, pela Liga das Nações, ficou fora da lista. A decepção começou a se avizinhar, e foi concretizada: em novembro, Til ficou fora dos convocados para a Copa do Mundo daquele ano.
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| Após a estreia em 2018, Til foi reabilitado para as convocações da Holanda, na reta final da preparação para a Copa de 2022. Mas teria de vê-la do lado de fora (ANP Sport/Getty Images) |
Sem problemas: mesmo ficando gradativamente fora das convocações de Ronald Koeman, Til foi se consolidando como um nome importante dentro do PSV. Ainda mais a partir da temporada 2023/24, quando Peter Bosz chegou para comandar a equipe. Sendo então o principal nome do meio-campo, já com a capacidade testada para ir ao ataque e finalizar, como "homem-surpresa", o homem da camisa 20 do PSV teve papel preponderante no título holandês: em 30 jogos, fez dez gols, e deu cinco passes para gol. Ajudou também a levar o time de Eindhoven de volta ao mata-mata (oitavas de final) da Liga dos Campeões, com cinco partidas. E sua capacidade na criação e na finalização começou a chamar novamente a atenção - até em termos de seleção.
Tudo isso ficou confirmado na temporada 2024/25. Com um PSV dominante na fase inicial dela, Til seguiu bem no meio-campo, principalmente na esquerda dele, com alguns passes para gol. Mais do que isso: enfim teve sua volta fugaz à seleção holandesa, substituindo Quinten Timber nos 15 minutos finais do empate em 1 a 1 com a Hungria, na fase de grupos da Liga das Nações, em outubro de 2024. Seria só, em relação à Laranja. De volta ao PSV, no meio da temporada, o norte-americano Ricardo Pepi, principal referência de ataque, se machucou seriamente. Eis que Til, até pela experiência, passou a jogar como homem de área... e deu certo, muito certo: ajudando Luuk de Jong, ele chegou a 10 gols, sendo o segundo maior goleador do PSV naquela temporada do Campeonato Holandês, que terminou com uma arrancada da equipe de Eindhoven para o bicampeonato, após queda brusca.
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| Mesmo sem espaço na seleção, Til compensou melhorando cada vez mais no PSV, em que tem sido nome importante nas campanhas do tricampeonato nacional (Joris Verwijst/BSR Agency/Getty Images) |
Til se reinventara em campo, e repetiria isso na temporada 2025/26. Porque, de novo, foi titular constante do PSV, tanto na liga holandesa (29 jogos) quanto na Liga dos Campeões (8 jogos). De novo, Ricardo Pepi se machucou no decorrer da temporada. E de novo, Til assumiu o posto de "falso 9" com sucesso: fez 14 gols - mais quatro passes para gol -, sendo outra vez o segundo maior goleador dos Boeren na campanha do tricampeonato holandês. No entanto, vinha sendo difícil achar espaço nas convocações da Holanda (Países Baixos), com a maior variedade de opções no meio-campo: Frenkie de Jong, Tijjani Reijnders, Ryan Gravenberch, Xavi Simons, Kees Smit, Teun Koopmeiners... Até que Xavi Simons se machucou e teve confirmada sua ausência na Copa. Lacuna abera, começaram especulações. Algumas delas, sinalizadas pelo próprio Koeman, que aqui e ali comentava elogiosamente as atuações de Guus Til. Em abril passado, o próprio reconheceu à ESPN holandesa: "Ele me ligou (...) Tenho a impressão de que ainda há algo a ser disputado".
E se perdeu a vaga na Copa de 2022 nos "últimos metros" da preparação, agora Til garantiu a vaga na convocação também na reta final. Não deixa de ser uma compensação...
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| (Roy Lazet/Soccrates/Getty Images) |


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