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| Justin Kluivert andou afastado da seleção da Holanda (Países Baixos). Uma mudança de posição nos últimos anos, e ele se reabilitou a ponto de chegar à Copa do Mundo (KNVB Media/Divulgação) |
Ficha técnica
Nome: Justin Dean Kluivert
Posição: Meio-campo
Data e local de nascimento: 5 de maio de 1999, em Amsterdã
Clubes na carreira: Ajax (2016 a 2018), Roma-ITA (2018 a 2023), RB Leipzig-ALE (2020 a 2021, por empréstimo), Nice-FRA (2021 a 2022, por empréstimo), Valencia-ESP (2022 a 2023, por empréstimo) e Bournemouth-ING (desde 2023)
Desempenho na seleção: 11 jogos e nenhum gol, desde 2018
Torneios pela seleção: nenhum
Justin Kluivert parecia nome esquecido, em termos de seleção da Holanda (Países Baixos). Tivera um começo de carreira promissor, é verdade, mas passou vários anos andando de clube em clube, de país em país, sem nunca justifica a expectativa que seu sobrenome inegavelmente trazia junto. Aí, no Bournemouth, mudou de posição: se começou a carreira como um ponta-direita querendo ser insinuante, tornou-se um ponta-de-lança que pode ajudar o ataque. Com isso, enfim, reencontrou o caminho da Laranja. Que o está levando à primeira Copa do Mundo de sua carreira, se tornando o primeiro holandês a protagonizar o caso até comum de "pai e filho jogando em Mundiais" - claro, a referência aqui é a Justin ser filho mais velho de Patrick Kluivert, que defendeu a Oranje em 1998.
Com um pai que marcou seu nome na história do Ajax, era até de se esperar que Justin começasse a bater bola no clube de Amsterdã. E foi quase assim, de fato: apenas dois anos de infância (2005 a 2007) no SV Diemen, clube amador da cidade homônima holandesa, antes de tomar o rumo de De Toekomst (em holandês, "O Futuro"), a escolinha em que o Ajax forma seus jogadores. Por lá, a partir de 2007, Kluivert passou os nove anos restantes. E antes mesmo de estrear no time principal Ajacied, ou mesmo no time B, ele teve sua chance na primeira seleção holandesa de base que defendeu: a Holanda sub-17, entre 2015 e 2016, na qual já foi convocado para disputar a Euro da categoria, em 2016, indo até as semifinais.
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| Foi num Klassieker contra o Feyenoord, pelo Campeonato Holandês 2016/17, que Justin Kluivert começou a se destacar - para o Ajax e para a torcida holandesa em geral (Chris Brunskill Ltd/Getty Images) |
Já era, então, hora do primeiro dos filhos de Patrick Kluivert a seguir a carreira do pai - dois irmãos de Justin, Ruben e Shane, também são jogadores - ser testado para valer. E a temporada 2016/17 foi a primeira mostra disso, nas duas equipes que o Ajax tem nas duas primeiras divisões holandesas. Na Eerste Divisie (segunda divisão), pelo Jong Ajax, desde a estreia (23 minutos, entrando contra o MVV Maastricht, na sétima rodada, em 16 de setembro de 2016), nove jogos e dois gols. Pelo Ajax principal, houve participação na campanha que levou ao vice-campeonato na Liga Europa, com seis jogos e dois passes para gol. Mas o jogo que mostrou à torcida Ajacied que um Kluivert mais novo surgia veio entre os 14 jogos feitos pelo Campeonato Holandês daquela temporada, com dois gols e quatro passes para gol. Foi em 2 de abril de 2017, na 28ª rodada: no Klassieker contra o Feyenoord, o Ajax fez 2 a 1, e Justin Kluivert, com vários dribles e cruzamentos, foi dos melhores daquele jogo. Antes do qual, inclusive, fizera seu primeiro gol pelo time principal Ajacied, no 1 a 1 contra o Excelsior, pela 27ª rodada. Terminou a temporada 2016/17 indicando que poderia se firmar como revelação.
Porém, se Justin teve um 2016/17 de ascensão, o 2017/18 foi de problemas. Para o Ajax, abalado pela parada cardiorrespiratória que inviabilizou a sequência da carreira de Abdelhak "Appie" Nouri, eliminado ainda nas fases preliminares de Liga dos Campeões e Liga Europa. Para Kluivert, a princípio, nem tanto: pelo Campeonato Holandês, já como titular do Ajax - mas na ponta esquerda -, foram 30 jogos, 10 gols e 5 passes para gol. Valeu para a "migração" definitiva, ainda em 2017, para a seleção holandesa sub-21. Valeu mais ainda para que Justin Kluivert fosse convocado pela primeira vez à seleção principal (com Ronald Koeman como técnico...): chamado para as datas FIFA de março de 2018, com a Laranja fora da Copa do Mundo daquele ano, Justin teve chance na vitória por 3 a 0 sobre Portugal, em 26 de março, substituindo Memphis Depay aos 78' daquele amistoso.
Só que, bem no Ajax, Justin Kluivert começou a chamar a atenção de outros clubes em centros mais competitivos da Europa. Mais do que isso: começou a se interessar pelas propostas, até guiado pelo ítalo-holandês Mino Raiola, seu agente. E depois que ninguém menos que Francesco Totti telefonou ao pai Patrick para tentar convencer, a Roma ganhou: Kluivert "filho" tomou o caminho do clube italiano, em acordo anunciado em junho de 2018, por 18,7 milhões de euros - deixando algum incômodo no Ajax, por ter deixado claro que queria a transferência, mesmo ainda aos 19 anos.
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| Em 2018, ainda como revelação, Kluivert teve duas chances pela seleção da Holanda. Por muito tempo, foram as únicas (Peter Lous/Soccrates/Getty Images) |
Na Roma, até que Kluivert começou bem. Não foi exatamente protagonista na temporada 2018/19, se alternando entre campo e banco de reservas, mas conseguiu um bom número de partidas (29 pelo Campeonato Italiano, 5 pela Liga dos Campeões), com um gol em cada torneio e passes para gol também (6 na Série A italiana, 1 na Champions - neste, feito nos 5 a 0 sobre o Viktoria Plzen-TCH, foi o mais jovem jogador da história da Roma no torneio europeu a marcar), mais um amistoso pela Holanda - o 2 a 1 contra o Peru, em setembro de 2018. De certa forma, assim seguiu na temporada seguinte, até a interrupção pela pandemia de COVID-19: em que pese uma lesão na coxa, em dezembro de 2019, 2019/20 teve 22 jogos e quatro gols pela Série A italiana, mais sete jogos e três gols na participação romanista na Liga Europa.
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| Na Roma, Justin Kluivert não foi propriamente ruim, mas não foi o protagonista que se esperava. E mergulhou numa onda de empréstimos (Matteo Ciambelli/NurPhoto/Getty Images) |
Contudo, pela promessa como chegava sendo nos tempos de Ajax, Justin Kluivert decepcionava. Até por isso, com a pandemia amenizada pela Europa, começou a ser emprestado. A primeira passagem foi pelo RB Leipzig, em 2020/21. Nela, foi um reserva costumeiramente utilizado, mas não foi muito além do que já fora pela Roma: sete jogos e um gol pela Liga dos Campeões, 19 jogos (11 como reserva) e três gols pelo Campeonato Alemão. Somente vestir laranja, pela seleção sub-21 da Holanda que ainda defendia, potencializou seu rendimento: participando da Euro sub-21, disputada em dois ciclos - março para a fase de grupos, maio para semifinais e final -, Kluivert foi titular absoluto da Laranja Jovem que foi às semifinais, fez um gol e deu passe para outros dois. Só que não "migrou" imediatamente para a seleção principal, como fizeram dois colegas de Euro sub-21, Cody Gakpo e Teun Koopmeiners.
Longe da seleção, Justin seguiu a sequência de empréstimos da Roma a outros times. Em 2021/22, até que foi bem pelo Nice francês, mesmo sofrendo com lesões musculares na parte inicial da temporada: mais fixo na ponta-esquerda, maior sequência de jogos como titular, fez 27 jogos e quatro gols pelas Águias no Campeonato Francês, mais cinco passes para gol. Só que nada chamava a atenção em termos de seleção, e nem sua transferência em definitivo ocorria. De volta a Roma, o empréstimo seguinte foi para o Valencia-ESP - houve tentativa de venda ao Fulham-ING, mas o visto de trabalho na Inglaterra foi negado ao atacante. Nos Ches, as coisas não mudaram muito ao longo da temporada 2022/23, 26 jogos pelo Campeonato Espanhol, alternado como titular (15 jogos) e reserva (11). Se não chegava a ser um jogador ruim nesses empréstimos, Justin Kluivert era... anônimo. Não chamava a atenção, não era pedido para voltas à seleção após aquelas duas aparições em 2018, nada.
A situação só começou a mudar a partir de 2023. Foi quando Kluivert, enfim, se transferiu em definitivo para outro clube: com a Roma precisando vender para abrir espaço em sua folha de pagamento, o Bournemouth fez do atacante o segundo jogador europeu a jogar nas cinco ligas consideradas mais prestigiosas do continente, após o dinamarquês Christian Poulsen. Eram Itália, Alemanha, França, Espanha... e a partir dali, seria a Inglaterra. E seria, enfim, uma boa passagem. A começar pela temporada 2023/24: titular constante nas Cerejas, Kluivert faria 7 gols (era sua melhor marca desde a passagem pelo Ajax, e lá se iam cinco anos) e passe para outro em 32 jogos pela Premier League - depois do romeno Florin Raducioiu e do montenegrino Stevan Jovetic, o holandês era o terceiro jogador a também marcar gols nas cinco grandes ligas nacionais europeias. Mais um gol pela FA Cup. Mais outro pela Copa da Liga Inglesa. E começaria a mudar de posição: de ponta, na esquerda ou na direita, jogaria como ponta-de-lança, variando mais as posições, mais pelo meio.
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| No Bournemouth, enfim, Justin Kluivert voltou a ter sequência. E a partir da temporada 2024/25, catapultou-se de volta ao radar da seleção holandesa ( Robin Jones/Bournemouth/Getty Images) |
Seria até pouco, diante do que se viu em 2024/25. Kluivert foi o goleador do Bournemouth na campanha pela Premier League: 12 gols em 34 jogos, mais seis assistências - e ainda houve um gol pela Copa da Inglaterra. Conseguiu fazer três gols, em dois jogos diferentes (4 a 2 no Wolverhampton, na 13ª rodada - os três de pênalti, primeira vez que isso ocorreu na liga inglesa; e 4 a 1 no Newcastle, na 22ª rodada). Valeu para que, enfim, Kluivert voltasse à seleção da Holanda. Em 19 de novembro de 2024, seis anos, dois meses e 13 dias após defender a Laranja pela última vez, o atacante começou como titular no 1 a 1 contra a Bósnia, jogo final pela fase de grupos da Liga das Nações. 2024 acabou, 2025 começou, e Justin começou como titular nas duas partidas contra a Espanha, também pela Liga das Nações, nas quartas de final, em março de 2025.
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| A partir de 2024, Kluivert voltou a aparecer pela seleção da Holanda (Países Baixos). E contribuiu na campanha das Eliminatórias da Copa (ProShots/Icon Sport/Getty Images) |
Se 2025/26 vinha sendo um pouco menos fulgurante, Kluivert seguia titular absoluto no Bournemouth. Seguia nas convocações e nas partidas da Holanda: pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, ao longo de 2025, foram seis jogos, três como titular e três como reserva. Contudo, logo em 3 de janeiro deste 2026, na derrota por 3 a 2 para o Arsenal, pela 20ª rodada da Premier League, Justin machucou o joelho. Precisou passar por cirurgia, que o tirou dos campos por quatro meses. Só voltou nas duas últimas rodadas - contra o Manchester City, no empate em 1 a 1 pela penúltima rodada, completar o jogo após entrar aos 76', no lugar do francês Eli Junior Kroupi, foi emocionante para ele a ponto de ficar às lágrimas após o jogo, sendo abraçado por um nome especial: o pai Patrick, que assistiu àquilo tudo.
Tanto esforço talvez tivesse um motivo: a vaga na Copa do Mundo, pela Holanda. Ela veio. Justin Kluivert teve coroada a retomada dos últimos dois anos, após vagar anônimo no começo da década.
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| (Marcel ter Bals/DeFodi Images/DeFodi/Getty Images) |









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