Ficha técnica
Nome: Bart Verbruggen
Posição: Goleiro
Data e local de nascimento: 18 de agosto de 2002, em Zwolle
Clubes na carreira: Anderlecht-BEL (2020 a 2023) e Brighton-ING (desde 2023)
Desempenho na seleção: 27 jogos e 27 gols sofridos, desde 2023
Torneios pela seleção: Euro 2024 (6 jogos, 7 gols sofridos) e Liga das Nações (2024/25)
Desde os quinze anos de idade, época em que percebeu que o futebol seria o seu ganha-pão, Bart Verbruggen decidiu manter sempre um "preparador mental" particular, além das típicas preparações do futebol. Talvez isso explique porque, mesmo ainda tão jovem, Verbruggen tenha mostrado foco e calma notáveis e necessárias para um goleiro ainda jovem. Talvez explique como o arqueiro conseguiu, a partir de 2023, acabar com a roda-viva de nomes que a seleção da Holanda (Países Baixos) tinha debaixo das traves, havia muito tempo. E talvez explique, finalmente, porque Verbruggen mereceu a confiança do técnico Ronald Koeman e começará a primeira Copa do Mundo de sua carreira como titular.
Verbruggen começou no futebol aos 6 anos, no WDS'19, clube de Breda - cidade em que sua família se estabeleceu com ele ainda pequeno, mesmo tendo nascido em Zwolle. As primeiras experiências foram inspiradas no pai. Não, o senhor Coen Verbruggen não era goleiro profissional: médico do trabalho, apenas jogava amadoristicamente. De todo modo, o pequeno Bart gostou bastante da experiência, conforme se lembrou à revista Voetbal International em 2023: "Desde o time infantil, eu não gostava de avançar. Quando eu jogava na frente, nunca sabia para onde precisava correr, e sempre via a jogada acontecer nas minhas costas. Mais atrás, eu tinha controle total do que eu via. Por isso, sempre preferi ser goleiro".
A brincadeira no WDS'19 começou a ficar mais séria quando Verbruggen foi para a escolinha do ex-goleiro Arno van Zwam, então treinador dos guarda-metas do... NAC Breda. Diante do talento que o novato mostrava, pré-adolescente ainda, Van Zwam já o convidou para rumar ao clube aurinegro de Breda, sem testes de aprovação nem nada, em 2014. Verbruggen ainda se lembrava da celebração, na supracitada entrevista para a Voetbal International: "Era o clube pelo qual eu era maluco, eu sempre ia aos jogos [do NAC Breda] com meu pai". Se o futebol tinha sido apenas uma brincadeira até então, a partir dali Verbruggen se entendeu: "Passei a me dedicar ao máximo para virar um profissional. Não duvidava mais de que daria certo".
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| Criado em Breda, Verbruggen acompanhava os jogos da equipe quando garoto. Pois nela é que notou que ser goleiro era o seu caminho (VI Images/Getty Images) |
Nas categorias de base do NAC Breda, Verbruggen conheceu todos os treinadores da posição. Mais importante: logo tomou a decisão mencionada no começo deste texto, adotando a preparação mental além de todas as outras, com a ajuda do psicólogo Ted van Lamoen (justificativa à Voetbal International: "Esperam que bons jogadores tenham sempre os melhores preparadores físicos, os melhores nutricionistas, especialistas que ajudem no sono, tudo isso. Mas quando falam em ajudar psicologicamente, acham estranho (...) Psicologia é muito importante, ainda mais para um goleiro. Aprender a lidar com a pressão, com as falhas, com você mesmo".
Em campo, Verbruggen começou a aparecer levemente na carreira em 2019. Mesmo sem nunca ter jogado pela equipe principal do NAC Breda, já convivia e tirava dicas com o ex-goleiro Jelle ten Rouwelaar, ídolo da equipe de Breda e treinador de goleiros do time adulto. Já bastava para, ao lado do companheiro de geração e clube Tein Troost - atualmente no Lokeren, da Bélgica -, ter sua primeira convocação para uma seleção de base da Holanda (Países Baixos). Na Laranja sub-17, Verbruggen foi chamado como um dos três goleiros para o Mundial da categoria, disputado no Brasil, naquele ano. Do banco, como terceiro arqueiro - o titular foi Calvin Raatsie, hoje no Excelsior, da Eredivisie -, Verbruggen seguiu a campanha que terminou com o quarto lugar. Dali voltou para o NAC Breda. E 2020 poderia ter sido o ano de sua aparição pelo time principal. Até foi, mas num cenário maior.
Em meio à interrupção pela pandemia, o Anderlecht, dos mais tradicionais clubes da Bélgica, se interessou pelo jovem - até pelos conselhos de Jelle ten Rouwelaar, agora treinando os goleiros dos Mauves. Ao ouvir a proposta e ver o cenário do NAC, ainda penando então na segunda divisão holandesa, Verbruggen se decidiu, como se lembrou à Voetbal International: "Vi onde mais podia aprender. Deixar o NAC e deixar Breda foi difícil, mas não pestanejei. Era o Anderlecht, um clube grande, com cultura de clube grande, boas instalações, continuar trabalhando com Jelle [ten Rouwelaar], ser treinado por Vincent Kompany. Eu não podia deixar passar a chance". E no segundo semestre de 2020, Verbruggen tomou o caminho do clube belga, para praticamente começar sua carreira profissional.
Na temporada 2020/21, Verbruggen começou aprendendo nos treinos. Literalmente, segundo o próprio comentou, elogiando muito o trabalho sob Vincent Kompany à Voetbal International: "Você nota por quê ele trabalhou por muito tempo com Guardiola no Manchester City. Nas ideias sobre futebol, na tática, em como ele quer encurralar o adversário. Ele esperava muito de mim com a bola nos pés, me ensinava muito nisso. Se você lançasse bem a bola, mas não escolhesse o melhor homem para passar, você ia ouvir. Eu achei fantástico. Por causa dele é que jogar com os pés virou uma qualidade minha". E com os treinos, Verbruggen já se credenciou. Em clubes, foi titular no hexagonal decisivo pelo título belga, vencido pelo Club Brugge; em seleções, chegou à equipe sub-21 da Holanda, que começaria a disputar vaga no Campeonato Europeu da categoria.
Contudo, na temporada seguinte, as coisas mudaram. E para pior, pelo menos no Anderlecht. Primeiro, o clube belga impediu Verbruggen de aceitar a transferência para o Burnley, que seria treinado por Kompany então. Depois, porque o técnico sucessor, Felice Mazzu, preferiu colocá-lo no banco do Anderlecht - o goleiro só teria chances em 2021/22 pelo Anderlecht Futures, time B dos Mauves, que joga a segunda divisão belga. Pela equipe de cima, somente uma partida na temporada 2021/22. Pelo menos, isso não impedia que ele seguisse convocado para o sub-21 dos Países Baixos, que garantiu o lugar esperado na Euro.
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| Foi pegando pênaltis contra o Ludogorets, na Conference League 2022/23, que Verbruggen ficou conhecido de muitos holandeses (Virginie Lefour/Belga/AFP/Getty Images) |
E 2022/23 foi, afinal, a temporada que apresentou Verbruggen - talvez até para seu próprio país natal. No Anderlecht, se não voltou a ser titular absoluto, passou a ser escalado nos jogos de copas pelo treinador Robin Veldman. Uma dessas copas era a Conference League. E foi nela que o arqueiro holandês se destacou. Teve uma atuação marcante na partida da segunda fase, contra o Ludogorets-BUL (após Ludogorets 1 a 0 na ida e Anderlecht 2 a 1 na volta, o empate do placar agregado levou às cobranças da marca do pênalti, Verbruggen pegou os três chutes do Ludogorets, e o Anderlecht se classificou com 3 a 0). Ajudando numa digna campanha na Conference - o Anderlecht foi às quartas -, Verbruggen virou titular definitivo logo que 2023 começou, também na liga belga. Teve sua primeira convocação para a seleção principal da Holanda (Países Baixos), em março de 2023, "promovido" da equipe sub-21 por problemas estomacais de outros goleiros, nas duas primeiras rodadas das eliminatórias da Euro 2024, contra França e Gibraltar.
Verbruggen escaparia ileso de uma temporada péssima dos Mauves, que sequer estiveram no hexagonal pelo título belga. Também escaparia de uma decepcionante participação holandesa na Euro sub-21 daquele ano: com três empates, a Laranja Jovem caiu ainda na fase de grupos, mas se notou que o goleiro titular tinha seu talento nos reflexos e no "1-contra-1". Numa frase: o que era de Verbruggen, estava guardado. E foi entregue duplamente em 2023. Em primeiro lugar, na contratação pelo Brighton, já então na Premier League, onde chegou para ser o titular das Gaivotas, em julho de 2023. Na seleção, por Ronald Koeman. Os problemas com os goleiros seguiam (Justin Bijlow se machucava, Remko Pasveer era veterano demais, Andries Noppert começava a oscilar até no Heerenveen em que jogava, Jasper Cillessen decepcionara no seu retorno...), e na falta de melhor opção, Koeman decidiu apostar no jovem como titular da Laranja, na reta final das Eliminatórias da Euro 2024. No primeiro desafio, Verbruggen teve dificuldades: enfrentaria a França - e amargou a derrota por 2 a 1, em 13 de outubro de 2023. Mas nos três jogos seguintes, decisivos, contra Grécia, Irlanda e Gibraltar, Verbruggen passou sem gols sofridos (em que pese um susto contra os irlandeses, num lance anulado por impedimento). A Laranja estaria na Euro. E começava a achar um goleiro titular.
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| Após uma primeira temporada de alternância, Verbruggen logo ocupou espaço no Brighton (Charlotte Wilson/Offside/Getty Images) |
Se houvesse qualquer dúvida sobre isso, se acabou na reta final daquela temporada 2023/24. Até a Euro, Verbruggen teve uma rápida disputa pela titularidade na Laranja com Mark Flekken: nos amistosos de março daquele ano, cada um jogou uma partida (Flekken nos 4 a 0 contra a Escócia, Verbruggen na derrota por 2 a 1 para a Alemanha). Mesmo na derrota, o mais jovem foi exigido pelos alemães, e até que se saiu bem. No Brighton, se alternando com Jason Steele no gol, fez mais partidas pela Premier League (21), participou da digna campanha na Liga Europa - oitavas de final (3 jogos). O prêmio definitivo: na Euro 2024, Verbruggen foi o terceiro mais jovem titular da história da competição, tendo 21 anos e 303 dias no dia da estreia da Holanda, contra a Polônia. Sem perder nenhum dos 540 minutos da Laranja, fez pelo menos uma grande e importante defesa, nos acréscimos das quartas de final, contra a Turquia, impedindo à queima-roupa que Semih Kiliçsoy empatasse. Se era promessa, saiu da Euro como realidade, pelo menos para os holandeses.
Desde então, Verbruggen ganhou mais espaço no Brighton. Segue titular do gol das Gaivotas nas duas últimas temporadas - agora, sem alternâncias. É certo que mostra falhas esporádicas (justamente no supracitado jogo com os pés), mas tem algumas boas atuações, ajudando a minorar a queda técnica da equipe na Premier League - como nos 2 a 1 sobre o Brentford, na 12ª rodada da temporada passada, quando salvou a vitória pegando pênalti de Igor Thiago. Já é o suficiente para manter seu espaço na seleção holandesa: desde a Euro 2024, só não jogou nas duas primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo (2 a 0 contra a Finlândia e 8 a 0 contra Malta) - e ainda assim, porque estava machucado. Na Liga das Nações passada, inclusive, causou impressão tão boa nas quartas de final, contra a Espanha (pegando cobrança de Lamine Yamal, até, na disputa de chutes), que alguns exageraram dizendo que se tratava da "maior revelação holandesa no gol desde Van der Sar".
Mesmo que não seja bem assim, contudo, o caminho de Verbruggen começa bem. Nem a evolução de Robin Roefs, nem a experiência de Mark Flekken, nada disso tira dele a confiança de Ronald Koeman. Nem tira a vaga de titular da Holanda, pelo menos no começo da Copa. E mesmo se tirasse, não seria algo a abalar excessivamente confiança tão notável para um goleiro tão jovem. Tudo porque, quando tinha 15 anos, decidiu se preparar para o que viria. De fato, saúde mental faz diferença...
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| (Maurice van Steen/ANP/Getty Images) |







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